quarta-feira, 10 de abril de 2024

Depois de Desportes (Parte 3 de 7)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor francês Alexandre-François Desportes. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Natureza morta. A alimentação é uma das necessidades mais básicas de um ser vivo. Os animais abatidos são o sacrifício, como um certo senhor famoso, o qual vê o seu próprio casamento como um sacrifício, não tendo felicidade sexual em tal relacionamento, nessa tendência do Ser Humano em fazer suas escolhas sem visar a felicidade, ao contrário de uma grande amiga que tenho, a qual se casou visando a felicidade, tendo casado com um homem o qual ela amava de fato. A luz entra suave na cena. O receptáculo prateado é a reflexão, no olhar para si mesmo, como um consultório psiquiátrico, no lugar e no momento propício para que a pessoa olhe para si mesma, sob os cuidados de um terapeuta, remetendo a um sociopata que conheci, o qual estava estudando para ser psiquiatra, numa espécie de “dr. Morte”, como no psiquiatra sociopata Hannibal Lecter, brincando com as cabeças das pessoas, uma pessoa a qual DEFINITIVAMENTE carece de apuro moral, neste “nó” que os sociopatas querem fazer em nossas cabeças, como se todos fossem sociopatas e como se tal sociopata fosse a única pessoa boa do Mundo, como um Jesus Cristo, numa cautela muito simples: Nunca dê informações pessoais a um sociopata. Aqui é um silêncio, como na questão espírita da mortificação, numa pessoa se desprendendo de ilusões e de tolos sinais auspiciosos, como um senhor que conheci, o qual dizia sonhar em estar numa festa a qual tivesse como anfitriã Gisele, ao ponto de eu quase dizer a este senhor: “É apenas uma festa, rapaz!”, no modo como as festas não marcam época; trabalhos marcam época, num senhor inativo, vago, inoperante, um senhor que só produzia uma coisa: fezes, e a vida sem trabalho é insuportável. O coelho é a fofura, num animal adorável, como menininhas com bichinhos de pelúcia, na magia de um quarto de menina, com suas belezas, como bonecas e unicórnios, num ponto de reviravolta hormonal na vida da menina: Quando criança, acha desinteressante o mundo e as brincadeiras dos meninos; quando adolescente, começa a se interessar pelos meninos, no símbolo que é o baile de debutantes, deixando a infância para trás e abraçando a vida social. Aqui é na noção taoista, numa pessoa saudável, a qual está farta de estar doente; farta de ser vítima da sociedade de consumo, pois se não estou o tempo todo querendo, posso ter paz, como numa casa muito decorada, saturada de tranqueiras, num excesso, quando a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, parafraseando da Vinci, o maior astro da Renascença, no poder transformador da Arte, assinalando a chegada de novos tempos, em sopros de renovação como a Revolução Impressionista, num impacto como Madonna nos anos 1980, trazendo toda uma verve charmosa e transgressora, ditando moda em tal época revolucionária, rompendo com a disco music dos anos 1970. As frutas aqui estão no ponto ideal de consumo, doces, tenras, perfumadas, suculentas, deliciosas, como uma vida cheia de trabalho e significância, no modo como a pessoa desencarnada, ao desencarnar, percebe a imperial necessidade de se manter produtiva, no modo como o Plano Metafísico é o oásis para quem gosta de trabalhar, estudar e manter-se produtivo, na delícia que é cursar uma faculdade, esforçando-se para fazer muito bem feitos os trabalhos que os professores exigem, num aluno brilhante, que enche o professor de orgulho e satisfação. Aqui é a força do trabalho, no trabalho de caça e coleta, na divisão sexual do trabalho: Aos homens cabem as atividades mais agressivas, como caça e pesca; às mulheres, as tarefas menos agressivas, como coleta e guarda de crianças, como no divertido personagem misógino televisivo Sheldon Cooper, o qual disse a uma cientista que esta deveria abandonar a Ciência e se tornar mãe e cuidadora de crianças, mantendo uma casa limpa e organizada, dando conta dos serviços de lavar e passar roupa, num Sheldon enfurecendo tal cientista! Aqui é uma mesa farta, nos privilégios de rei, talvez num rei insensível em relação aos flagelos de seu próprio povo, nas sábias palavras de Obama: “Um presidente tem que governar para todos!”, contradizendo um certo senhor infame, o qual dizia que governaria apenas para a classe média.

 


Acima, Natureza morta com prata. No topo temos a face maliciosa do deus do vinho, nessa bebida de tradição milenar, existindo desde a Antiguidade, numa bebida que é para ser degustada gole a gole, em notas complexas de sabor e aroma, no deus da orgia, da diversão, num momento de desligamento, como no happy hour, quando a sisudez do dia é deixada para trás e os drinques tomam conta do momento, na sabedoria popular: Ninguém é “de ferro”. As frutas ornadas em um cone, numa pirâmide, são a estratificação social, na era pré democrática na qual a forma mais digna de governo era a sucessão monárquica, atacada pela Revolução Francesa, pois vivemos no auge do paradigma democrático – não existe forma de governo mais legítima, em sopros de renovação, num presidente que será destituído, numa simples questão de tempo. Aqui as pratarias são complexas e belas, dignas de mesa de rei, em privilégios, como na elite burocrática comunista, gozando de privilégios, como no insano déspota nortecoreano, numa Coreia do Norte miserável, sem escolas, hospitais ou estradas, num ditador insensível, quiçá sociopático, que mal se sensibiliza com os flagelos do próprio povo, investindo tudo em armistício, como num Putin, querendo assustar o Mundo com ameaças de fazer uso de tal tecnologia bélica atômica, nessa grande especialidade humana que é o Ódio, o qual é menor que o Amor, havendo tal paz santa no Plano Metafísico, num plano em que somos todos amigos; um plano em que ninguém quer se sobrepor a ninguém. Aqui é uma cena altamente aprumada por um decorador, como um senhor que conheço, o qual é decorador de festas de casamento, arrumando mesas glamorosas e ricas, dignas de rei, em festas ritualísticas, no poder implacável do mundo heterocentrado, com tudo girando em torno da união homem/mulher, como em sociedades neolíticas indígenas brasileiras, verdadeiros fósseis vivos do passado da Humanidade, remetendo às tribos ianomâmis sofrendo com intoxicação por Mercúrio, tudo culpa da ganância dos garimpeiros, na metáfora do Anel: Acima de tudo, o Ser Humano quer poder, como um certo senhor o qual, em posição de poder interceder a serviços de tais tribos, foi omisso e nada fez, no caminho da insensibilidade, do tipo “Não vou me preocupar com um bando de índios no meio do mato!”. As flores são a beleza feminina, a delicadeza, na flor na lapela de um homem, oferecendo a flor a uma donzela, nas palavras de uma certa senhora, a qual muito respeito: “Não se fazem mais cavalheiros como antigamente!”. A cena aqui parece uma loja de decoração, ou um antiquário, cheio de relíquias, talvez num colecionador, como o senhor meu cunhado, já falecido, o qual tinha uma grande coleção de ornatos que ele foi colecionando ao longo da vida, remetendo ao infame sítio de Atibaia de Lula, no qual estavam guardados todos os objetos que o casal presidencial foi recebendo ao longo dos mandatos do petista, remetendo à casa de uma certa senhora, cheia de penduricalhos: o que fazer com tudo isso quando o dono desencarnar? É como no museu de Jorge Amado em Salvador, no escritor dizendo sobre seus ornatos: “Não posso viver sem minhas desnecessidades!” Aqui é como na feira do Parque da Redenção nos domingos de Porto Alegre, com antiguidades sendo vendidas, como minha família doou a um brique caxiense uma espada que meu tio avô teve quando militar, no hábito americano das garage sales, ou seja, das vendas de garagem, quando uma família vende coisas as quais não mais quer possuir, no típico ato americano de faturar uma graninha – o que pode ser mais americano? Neste quadro temos uma forte metalinguagem, pois ao Desportes retratar tais obras de arte e prataria, é arte falando de arte, como atriz interpretando atriz – é uma ironia. Aqui são os excessos decorativos de uma Versalhes frívola e afetada, no modo como no Antigo Egito tudo girava em torno do faraó, o sonho de qualquer déspota atual, numa fome napoleônica por poder, como no jogo de tabuleiro War, num líder insaciável, um inimigo da Paz.

 


Acima, O caçador indiano. As linhas retas são o falo racional, na advertência fálica do Código de Hamurabi: Se você não quer sentar em cima disso aqui, comporte-se! É a iluminação do pensamento racional, fazendo atalhos e indo direto ao ponto, numa objetividade, nas palavras de um filme de Allen: “Subjetivo é objetivo”, ou seja, por mais sutil que algo possa ser, sempre acaba de forma clara e objetiva, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, como num dia amanhecendo lentamente, mostrando-nos a verdade clara, num submundo escuro que vai se esvaindo, como num episódio do desenho animado da Pantera Cor de Rosa, quando esta foi a um castelo à noite, num castelo mal assombrado, cheio de assombrações, monstros, fantasmas e vampiros, só que o dia amanheceu, e as assombrações se dissiparam no poder de Eos, a deusa dourada da Aurora, no poder implacável da beleza e da verdade, no subtítulo da Mulher Maravilha – o Espírito da Verdade, com seu laço mágico, o qual, ao enlaçar alguém, faz com que este só diga a verdade, na verdade eterna de Tao, na Vida Eterna, sendo Deus tal infinito, sempre, no poder descabido da Eternidade, no fato de que jamais findaremos! A árvore com frutas é a fartura, numa cornucópia, numa mesa farta, num reino rico, em países ricos como o Canadá, limpo, organizado, fazendo com que a cidade de Nova York pareça um terceiro mundo! Aqui temos uma rica diversidade biológica, na força da Vida, sempre lutando para sobreviver, como num artista sobrevivendo a décadas de carreira, no modo como o sucesso pode ser um problema, pois a pessoa bem sucedida tem que saber virar a página e superar tal sucesso, e os eventos são vastos, como num Michael Jackson, buscando sobreviver ao esmagador do superálbum Thriller, no início dos anos 1980, a era dos cabelos arrepiados e da gíria “chocante”, na noção taoista – o sucesso é um problema, como um Oscar, o qual é uma bênção e uma maldição, num artista que tem que ter a força para tocar a carreira para frente após tal momento doce de sucesso dourado. Aqui é como na biodiversidade da Arca de Noé, cheia de bichos, no modo como a flora e fauna americanas encantaram a Europa na Era das Navegações, catalogando tais seres diferentes, exóticos, selvagens, fascinantes, no modo como a Terra é tão ínfima e maravilhosa, com astrônomos com dificuldade para encontrar esferas ricas em Vida como a Terra, na Astronomia que está tão aquém de desvendar os segredos do Universo. Os peixes nadando são a deliciosa sensação de liberdade, como na beira do mar, no ímã sedutor do vazio da orla, uma página em branco na qual podemos viver e escrever, no fato de que a sensualidade reside exatamente nos espaços vazios, pois esses são úteis ao Mundo, como um copo, útil em seu vazio, como um artista servindo para inspirar as pessoas, em filmes arrebatadores, causando comoções ao redor do Mundo, no poder da Arte em inspirar as pessoas, num artista que se sente digno em tal missão de inspirar. O indiano está anônimo, de costas, numa pessoa que não gosta muito de aparecer, ao contrário de uma Gisele, a qual, se quiser passear por algum lugar no Brasil, tem que se disfarçar para não ser reconhecida, no lado B da fama, a qual pode ser uma prisão, como uma Xuxa, a qual só pode sair de casa munida de uma penca de seguranças. Aqui é uma explosão de Vida, numa exótica Índia, na paixão de Desportes por tal exotismo, na beleza da cidade do Rio de Janeiro, com uma mescla sedutora de urbe com natureza, em aves exóticas cantando, num clima quente, com pessoas praticando esportes ao ar livre, numa cidade que exala Vida, muita Vida, no fascínio que os trópicos exercem sobre regiões de clima mais frio, como na Escandinávia e seus invernos longos e deprimentes. O indiano usa um adorno floral na cabeça, no modo do Homo Sapiens de fabricar tais adornos, numa Arte que tanto nos faz humanos, no momento de reviravolta humana, quando o Homem passou a pintar cavernas, em encantamentos, no modo como a Arte pode ser mágica.

 


Acima, O caçador indiano e pescador. A mulher ao centro é mais um adorno, relegada a tal função fútil pelo Patriarcado, como uma dondoca improdutiva, uma pessoa desinteressante que nada faz de construtivo, ao contrário de uma certa senhora que conheci em Porto Alegre, a qual eu julgava ser uma mera perua, uma senhora que nas últimas eleições municipais se elegeu vereadora, mostrando e provando que eu estava muito, muito equivocado em relação a ela, no modo como, se sou subestimado, posso agir, como Jesus Cristo, cuja importância só foi sentida séculos após sua morte terrível, sendo Jesus nosso irmão depurado, perfeito em seu avanço moral, talvez um espírito que nem se lembre de sua própria crucificação. O caçador aponta ao alto sua flecha, num objetivo, numa meta, como uma pessoa que encontrou sentido na Vida, sabendo quem é e para onde vai, como no processo cognitivo do Patinho Feio, o qual descobriu que nunca foi pato, mas cisne, um lindo cisne que, após atravessar melancolicamente um lago sombrio, acabou se encontrando, na questão da pessoa saber quem ela é, como no processo de identidade de Mulan, da Disney, a menina que vai à guerra para saber qual é o seu lugar no Mundo, como num colega que tive no Ensino Fundamental, um homem que se tornou padre pare saber qual é o seu lugar no Mundo. A flecha fálica aqui é o líder, o macho alfa, no rei leão que rege o grupo pela selva, na figura do leão medroso de O Mágico de Oz, o leão que queria ter coragem de rei, como no universo de He-Man, quando o tigre trêmulo e assustado chamado Pacato torna-se o paladino e corajoso Gato Guerreiro, adquirindo a força e a coragem para entrar na cena da batalha e derrotar as destrutivas e malévolas forças malignas do vilão Esqueleto, o vilão que destruiu o World Trade Center, no episódio de que os EUA jamais se esquecerão, numa espécie de cicatriz na identidade coletiva, num corajoso Obama mandando executar oficialmente Bin Laden, na questão taoista: A execução tem que ser oficial, pois, do contrário, você só manchará suas mãos de sangue! A mulher faz a colheita de flores, como numa linda vindimista, colhendo a uva na vindima, inspirando o traje da rainha da Festa da Uva, no traço talentoso de uma certa estilista, a qual faz uma grande pesquisa ao conceber tais trajes, neste excelente modo de expressão que é a Moda, como num artista para o qual é visceral escolher o que vestir na hora de ir a público. A grande e forte palmeira no quadro é o sustentáculo, como num governante sólido e respeitado, como numa impositiva Elizabeth I, conseguindo se vender tão bem perante os olhos do próprio súdito, gerando lendas reverenciais, com a pele branca como neve e o cabelo vermelho como fogo, nessa rara capacidade da pessoa em inspirar o corpo social em torno de algo válido, que é a regência sábia. No pé do quadro, dois homens estão coadjuvantes, observando o trabalho do exímio caçador, numa masterclass, nos conhecimentos passados oralmente de geração para geração, num estágio anterior ao momento decisivo da Humanidade, que foi o advento da Escrita, quando o Ser Humano conseguiu perenizar o conhecimento, em livros tão fascinantes como Tao, um livro que, apesar de ter sido escrito há milênios, permanece atual em pleno século XXI – é um mistério. As aves aqui voam livres, desafiando as habilidades do caçador, como no filme A Lagoa Azul, um tanto misógino, mostrando a mulher zombando das tentativas do homem em se libertar de tal ilha deserta, na mulher se recusando a sair da ilha e voltar para o Mundo, no mito de Eva, a qual trouxe a serpente da malícia a Adão, destruindo este. Vemos aqui uma diversidade de frutas, em frutas deliciosas da Índia como a manga, num perfume tão peculiar, deliciosa, sedutora, na grande invenção de Tao que são as frutas em seus sabores, como num colorido buffet de café da manhã de hotel, com seus sucos e frutas coloridas, numa refeição que faz com que nos sintamos reis – é uma delícia. A flecha aqui é uma produção de carreira, numa pessoa ambiciosa, que quer chegar longe, encontrando significado nobre na Vida.

 


Acima, Cão de Luís XIV. Mais um indicativo da frivolidade de Versalhes, num rei gastando dinheiro à toa, para retratar um animal, enquanto o povo francês sofria com preço do pão, resultando num inevitável golpe de estado, remetendo a um certo episódio infame, numa turba raivosa invadindo e desrespeitando. O cachorro é a fidelidade, num animal que faz uma festa quando chegamos em casa, num animal tão autêntico, que deixa claro quando gosta ou não de algo, ao contrário do gato, o qual é mais enigmático e imprevisível. O cão fareja uma ave, num olfato tão aguçado, como nos cães treinados para detectar drogas em bagagens em aeroportos, numa eterna luta contra as drogas, remetendo ao episódio recente da legalização da Maconha em um país europeu, numa droga que pode anuviar o pensamento do usuário e trazer este para um quadro de sequela, ao contrário do Brasil, no qual a Maconha segue proibidíssima, havendo certas pessoas crendo que deveria haver uma linha divisória clara entre usuário e traficante, numa cadeia de narcotráfico desesperada para vender droga, imaginando muitas formas de burlar a fiscalização, como envolver a droga com café para despistar o faro dos cães de inspeção. Aqui é o momento de luta, numa pessoa lutando para trazer algo para casa no fim do dia, como na responsabilidade de um pai caçador, com a incumbência de trazer comida para casa no fim do dia, como pais pássaros alimentando os filhotes no ninho, como um pai sustentando um lar, certificando-se de que nada em casa faltará, neste grande peso de responsabilidade, havendo pessoas as quais simplesmente jamais terão filhos, exatamente para escapar de tal pesada responsabilidade, nas palavras de um certo senhor para mim: “Se tu quiseres continuar a tua vida do jeito que esta está, não tenha filhos! Se tiveres filhos, tua vida jamais será a mesma!”. Temos aqui um grande paisagista que é Desportes, retratando a flora francesa, numa função pictórica, retratista, muito antes do advento da Fotografia, numa época em que Fotografia custava muito, muito caro, como na brasileira princesa Isabel bancando tais luxos na corte brasileira, chegando até os dias de hoje, quando a Fotografia é algo absolutamente comum e banal, na revolução da Digitalização, democratizando tecnologias Mundo afora, numa era em que qualquer pessoa tem acesso a tal tecnologia, definitivamente libertando a Arte da função retratista, sofisticando-se até o advento do Cinema numa nova forma de Arte, no modo como as novas tecnologias sempre virão, nesse terreno tão vasto que é a Internet, com tanta informação democratizada, como em meu trabalho aqui no blog, encontrando muitas imagens de obras de Arte, numa facilitação e numa conveniência como nunca antes na História da Humanidade, numa digitalização sem freios ou fronteiras, nos sonhos liberais de Smith de um Mundo desprovido de governos estatais, sonhando com uma Economia Global autorregulada. O dia aqui ou amanhece ou entardece, e não sabemos. É num limiar sexy entre claro e escuro, como no contraste barroco entre luz e sombra, no advento inevitável de novas ondas de Arte, como na formidável transgressão do Modernismo Brasileiro, ou como no Impressionismo, com formas inovadoras de se fazer Arte, “aposentando” a tradicional Arte Pictórica Acadêmica, havendo nos museus tal prova de épocas marcadas por estilos próprios e peculiares, como num certo senhor, o qual AMA o movimento Art Nouveau, talvez um espírito o qual, em uma encarnação passada, viveu em tal época, talvez em cidades vibrantes como Paris, com suas ruas movimentadas, com teatros, cinemas e cafés, como nos sonhos de vida citadina da personagem sensível Teresa, de O Quatrilho, uma mulher que não gostava da vida árdua campesina que levava, apaixonando-se por um homem que, aos olhos de Teresa, personificava o que esta queria para si, numa história livremente baseada em fatos reais. O cão aqui se sobressai exatamente por que é o branco em contraste com o escuro, como na majestosa Primavera de Botticelli, com os deuses da Primavera destacados, claros, sobre um fundo enegrecido, profundo, no discernimento taoista simples: Se digo que algo é escuro, é porque conheço o oposto, que é claro.

 


Acima, Paisagem com cachorro e perdizes. A paixão de Desportes pelos animais e pelas caçadas. As aves fugindo são tal instinto de preservação da espécie, na dureza material, com os menos espertos sendo pegos, fazendo com que os mais espertos passem para frente sua genética, nas leis básicas naturais da cadeia alimentar, na teoria darwinista da lei do mais forte, na lei da seleção natural, uma espécie de liberalismo biológico, numa Natureza autorregulada, com suas próprias leis e parâmetros, no modo como o planeta Terra é tal mundo autossuficiente, renovando-se constantemente, com produção plena de água e oxigênio, num mecanismo perfeito, ainda um mistério para o conhecimento humano, num Cosmos estupidamente vasto, sendo inútil querer catalogar todas as estrelas que existem no Universo, na máxima islâmica, que diz que Alá é grande, na universalidade humana em busca de uma Inteligência Suprema, em revoluções como no monoteísmo herege transgressor de Aquenáton, derrubando o politeísmo, na noção de que não há deuses, mas nossos irmãos depurados, que gozam da felicidade suprema, na figura perfeita do arcanjo, o espírito que aprendeu tudo, sendo nós humanos pequeninos frente a tal apuro moral divino. Esta árvore aqui é uma videira, com vistosas uvas doces, em cachos perfumados, na ancestralidade da vinificação, no modo humano de se fabricar Álcool, desde o saquê de arroz até a cachaça de cana, na ironia de que, desde tempos imemoriais, a colheita da uva é feita estritamente à mão, encarecendo o custo final de uma garrafa de vinho, numa Humanidade a qual, talvez, daqui a séculos ou milênios, invente uma forma de colheita automatizada de uva, no modo como vinho não é para ser bebido, mas degustado em notas complexas, sem aqui eu querer ser pernóstico ou afetado! A uva é o árduo trabalho de vindima, na magia do Verão, a estação das férias e do descanso, nas desejadas férias escolares, no momento da orla, do mar, no duro momento de se encerrar o veraneio e voltar a encarar a dureza da Vida, como acordar cedo em gélidas manhãs de Inverno, no modo como a Vida exige que tenhamos tal espírito guerreiro, encarando novas páginas desafiantes, no modo como não importa se esta página é doce ou amarga; esta página tem que ser virada, num novo momento sendo encarado, na formidável metáfora de As Horas, de Michael Cunningham, o qual pude conhecer em Porto Alegre quando este veio para a Feira do Livro da capital gaúcha. O cachorro aqui está totalmente concentrado no momento da caça, como numa pessoa concentrada num trabalho, como na concentração de um cirurgião, o qual sabe que não pode se distrair, num peso de responsabilidade, como num cirurgião fazendo uma cesariana, num momento de enorme seriedade, numa pessoa que sente nas costas tal fardo de responsabilidade, no modo como a maturidade é um momento de divisor de águas na vida de uma pessoa, no glorioso advento do juízo e da sabedoria, no modo como não é bom ser jovem demais ao ponto de não se ter tal juízo, no maravilhoso modo como as fases da Vida passam, deixando rastros de aprendizado, num espírito que desencarnou sendo alguém melhor do que quando reencarnou, havendo na depuração o sentido para toda e qualquer encarnação, como num aluno cursando uma faculdade, na conquista do fálico canudo de diploma, na sabedoria de que a caneta é mais poderosa do que a espada. O bosque aqui é primaveril com flores douradas silvestres, na magia silvestre, com flores que não precisaram ser semeadas pela mão humana, nesta deslumbrante invenção de Tao que são as flores, na beleza de se dar ou receber um buquê farto e colorido, no costume de se presentear uma diva do teatro com flores, em atrizes que se tornam mais do que atrizes, tornando-se deusas reverenciadas. As aves aqui são espertas, pois se escondem do cão, como uma pessoa discreta e reservada, sabendo que a exposição midiática pode ser problemática, em celebridades que simplesmente não podem passear calmamente na Rua.

 

Referências bibliográficas:

 

Alexandre-François Desportes. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 20 mar. 2024.

Alexandre-François Desportes. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 20 mar. 2024.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Depois de Desportes (Parte 2 de 7)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor francês Alexandre-François Desportes. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Panteras de Baco comendo uvas. Baco é um velho conhecido da Humanidade, na magia alcoólica, no termo popular em que no vinho há a verdade. As onças são a beleza natural, como as onças pintadas brasileiras, encantando a Europa com as terras exóticas devolutas, como me disse uma professora, quando esta falou que, na Itália, brasileiro é sinônimo de casas com palafitas cheias de jacarés em volta. No topo, as aves, que são a liberdade do pensamento racional, cerebral, frio, como na personagem Feiticeira do universo de He-Man, uma mulher que se transformava em águia, conversando por telepatia, numa enorme capacidade de transcendência, como na Galadriel de Tolkien, depuradíssima, resistindo às tentações do Anel do Poder e mantendo-se humilde e íntegra, no caminho de humildade, pois tudo o que preciso fazer para me dar mal é ser arrogante, como na modelo Naomi Campbell, a qual deu uma cuspida na cara de uma aeromoça certa vez, com Naomi condenada a prestar serviços comunitários como pena, na ferrenha crítica de Woody Allen contra o frívolo e insano stablishment das celebridades, no modo como eu mesmo já presenciei – de perto, o mundo das celebridades é altamente desinteressante, opaco, limitado, medíocre. As onças são a ferocidade competitiva do Mundo, como num rápido momento no filmão O Advogado do Diabo, numa tapeçaria com lobos enfurecidos, devorando uns aos outros, na ferocidade agressiva mundana da competição no âmbito do Direito, no filme que traz o mundano como obsessão, como uma certa popstar, uma mulher um tanto mundana, gostando das regalias da vida de celebridade, uma mulher que, em contradição, irrita-se quando se sente percebida como tal mundana, na relação de amor e ódio de Diana em relação à Mídia, numa mulher que, por um lado, amava aparecer midiaticamente, mas que, por outro lado, sentia-se muito desrespeitada por tal Imprensa, no modo como fácil e difícil, ou seja, liso e áspero são faces do mesmo trabalho. Aqui há um banquete, no modo como a Natureza oferece alimento tão abundante para os herbívoros, com folhas e ervas sendo devoradas, remetendo ao veganismo, numa posição radical em relação a tudo o que é de origem animal. As suculentas, doces e deliciosas uvas remetem à Festa da Uva, num momento de engajamento comunitário em torno de uma menina que é eleita rainha, como na simpática e desenvolta Tatiane Frizzo, rainha da edição do ano de 2010, uma rainha marcante, que sabe que uma rainha da Festa tem que ter alma de artista, alma de diva, para encantar e inspirar a comunidade num momento de expressão de Cultura Popular Brasileira, remetendo a uma certa senhora arrogante, a qual, por motivos desconhecidos, achava-se dona e senhora da Festa, quando que esta pertence ao povo de Caxias do Sul. Aqui temos uma cornucópia, um banquete, numa farta mesa de galeteria, quando comemos como reis, numa mesa tão farta, como em países ricos, abundantes, regidos por um líder sob Tao, um líder que “desaparece”, por assim dizer, num vazio que serve ao corpo social, como no incrível vazio da Vida Eterna, no imensurável poder do Infinito, no fato descabido de que jamais findaremos, na noção espírita de que Deus é o Infinito, na paciência infinita, num grande plano divino para conosco, e não é incrível o fato de que jamais morreremos? A flora aqui brota em majestade primaveril, na força da Vida, a qual é o nervo da Arte, nas matizes africanas, quando os tambores fazem menção às batidas cardíacas, no grande mistério da Vida, pois o que é que faz o coração bater e, em um certo momento, parar de bater? Qual a origem da Vida? Aqui há abundância, e todos estão alimentados, num espírito de matriarca, como uma certa senhora, já falecida, a qual exigia que seus filhos fossem extremamente bem sucedidos, ascendendo socialmente, numa mãe dura e exigente, exigindo um canudo de formatura universitária do filho. Neste quadro, há harmonia, nunca raiva ou competição, pois há comida para todos, como uma pizza no centro de uma mesa, sendo Tao isto, este alimento, este “nada”, este vazio, numa lacuna sexy, pronta para ser preenchida, num poder distributivo, agregador, de união e comunhão, como na comunhão em um certo momento da missa, na igualdade democrática da Revolução Francesa.

 


Acima, Papagaio com cães. Aqui é uma cena de labirinto, como no primoroso filme cult Labirinto, de Jim Henson, num caminho de desnorteamento, num lugar cheio de pistas falsas, numa pessoa que precisa resolver tal enigma, tal traiçoeiro lugar, para se encontrar e achar o centro do labirinto, num caminho existencial de autoconhecimento, na dádiva que é uma pessoa fazer o que ama e amar o que faz. É o labirinto com o amedrontador Minotauro, um monstro que quer nos devorar em tal falta de norte, num aspecto de deus egípcio, quando aspectos da Natureza eram o rosto em um corpo humano, como em deuses com cara de gato, de crocodilo, de escaravelho etc., na transgressão monoteísta, derrubando tal paganismo, na noção de que há um só Deus, que é Infinito, e que não há deuses, mas nossos irmãos depurados, que passaram por muitas vidas em tal caminho de depuração de caráter, na importante aquisição de apuro moral, pois, no Plano Metafísico, ninguém quer enganar ninguém, e todos vivem honestos, produtivos, sabendo que nunca deve faltar trabalho, como numa Gisele, a qual, apesar de ter alcançado tanto sucesso, fama, popularidade e dinheiro, mantém-se humilde, dizendo: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, nas sábias palavras de DiCaprio, dizendo que não pode faltar trabalho, em ícones de esmagador carisma. As flores são a beleza libidinosa da Vida, na chuva que faz crescerem as plantinhas, na chuva que faz amor com a terra, fertilizando esta, no poder avassalador da Vida, impondo-se em toda a sua força, como nas explosões de cores nos anos 1960, como na nostalgia décadas depois, no início anos 1990, com flores psicodélicas desabrochando no Mundo inteiro, com borboletas ensandecidas em flores coloridas, numa suavidade feminina, delicada, num Fábio Jr. dizendo a uma jornalista mulher: “Cansei de tentar entender as mulheres! Vocês são loucas!”, no modo como tudo traz em si sua própria contradição, no jogo de sedução entre Razão e Loucura, no modo como, no casal heterossexual, é inevitável que, em público, a mulher represente o Yin e homem e o homem represente o Yang da mulher, no modo como, ao se cumprimentar um dos cônjuges, o casal já está cumprimentado, numa universalidade, como na cultura japonesa, com o homem fechado, carrancudo, grosso e antipático, ao lado da mulher simpática, receptiva e doce. A grande ave rubra é a força do sangue em nossas veias, despertando a cobiça de vampiros de almas, sádicos que buscam por um masoquista, uma pessoa esta que vê prazer em ser vampirizada, como um certo senhor, uma pessoa que adora fazer com que os outros façam escolhas cruéis – é um horror. Os cãezinhos aqui estão hipnotizados e entretidos pelo papagaio, como uma stripper num palco, hipnotizando os homens na plateia, remetendo a um divertido caso, quando tive, na faculdade, uma colega que levava vida dupla: De dia, era uma pacata estudante de Comunicação; de noite, uma stripper numa casa de shows da cidade. É como um certo senhor, o qual tem duas famílias, duas vidas, duas esposas e duas proles, um caso triste, pois é um senhor que está “em cima de um muro”, não estando nem 100% aqui, nem 100% acolá, e a Vida não exige que sejamos unos, íntegros e honestos? Tenha uma vida só, rapaz! A tartaruga aqui está discreta e coadjuvante, na sábia figura folclórica do Preto Velho, quietinho no seu humilde canto, só observando os egos ascendendo e descendendo, nas palavras de um certo comercial de TV: “Já vi estrelas aparecerem e desaparecerem”. O vaso da flor é o receptáculo feminino, na garrafa de refúgio do televisivo clássico Jeannie é um Gênio, na mulher se refugiando em seu mundinho privado, quietinha do seu canto, fazendo as unhas ou tomando um chá, na máxima de O Mágico de Oz: “Não há lugar como a casa da gente!”. As garras do papagaio são a vontade tenaz, o empenho, o desejo ardoroso, pois o que quero ardorosamente posso obter.

 


Acima, Papel de parede de Stag Hunting Dussy baseado em pintura de Alexandre-François Desportes. Aqui é a magia de uma floresta que parece ser uma extensão da sala de visitas, numa espécie de floresta domesticada, limpíssima, numa sala que tanto nos acolhe, como um anfitrião fino, com o perfume de limpeza pairando no ar, numa sala limpa, num perfume de óleo de peroba, no fascínio de uma casa limpa e confortável, como acordar em uma cama com lençóis suavemente perfumados, num tom de lar, de casa, de um lugar que nos recebe de braços abertos. Aqui temos uma cena nua e crua da Dimensão Material, na cadeia alimentar, com os carnívoros capturando e devorando avidamente os herbívoros, no modo como, ao comermos um sofisticado filé num restaurante, mal pensamos no sofrimento do animal abatido, na carne que alimenta a carne. Aqui é como um artista sendo deglutido e mastigado pelo público, pelos membros de um fãclube, nos versos da canção: “Vamos comer Caetano”, no sentido da obra de Veloso, um brasileiro que se exilou nos Anos de Chumbo, numa Londres cinzenta e melancólica, muito diferente do Brasil quente e ensolarado do qual veio o notável baiano, no modo como o megaclássico O Bêbado e a Equilibrista se tornou o hino da anistia, com as pessoas voltando do exílio, no modo como minha geração, que nasceu nos fins da ditadura, não faz ideia de como foi tal fase, com artistas frustrados com a censura, como me disse uma certa senhora, que viveu tal época: Só obtinha problemas com as autoridades quem partia em busca de tais problemas, pois, na época, tudo o que se devia fazer era nunca falar mal, em público, do governo militar, remetendo a tantas pessoas presas, numa caminho de martirização, em pessoas que “cutucavam o tigre com a vara curta”. Aqui temos uma acirrada competição, e ninguém pede licença a ninguém, como vi certa vez fotógrafos num evento social, com três ou quatro senhores acotovelando-se degradantemente para fazerem seus cliques, numa cena patética, pois quando sou único, ninguém pode competir comigo, ao contrário da subversão dos ensinamentos de Jesus: “Devorai-vos uns aos outros!”. Aqui é como na selva que foi a Florença renascentista, com muitos artistas sonhando com o estrelato, numa competição acirrada, como num da Vinci sendo alvo de conspirações de um concorrente, como nas baixarias que podem ocorrer numa eleição, com as fake news sendo difundidas para atingir o oponente, na vitória a qualquer custo, numa frase com a qual não concordo: “Os fins justificam os meios”, como vi certa vez, em Porto Alegre, um debate público entre os aspirantes ao cargo de prefeito municipal, com agressões sendo proferidas contra os oponentes – é uma baixaria! Podemos ouvir aqui os latidos e grunhidos dos cães e os gritos de agonia da presa, como numa cruel execução numa Santa Inquisição, com pessoas sendo queimadas vivas numa fogueira, uma crueldade feita por pessoas que diziam agir em nome de Jesus, mas fazendo uma coisa que Jesus jamais faria! Aqui é uma das sensações mais básicas, que é a Fome, nesses pobres coitados catadores de lixo seco, que mal sabem se terão um pedaço de pão no estômago no fim do árduo dia de labor, no abismo social paulistano, onde convivem o Primeiro e o Quarto Mundo, em problemas brasileiros como os menores abandonados, pessoas que resolveram reencarnar em tal contexto duríssimo para, assim, evoluírem como espírito, fazendo do crescimento o sentido qualquer existência – morrer melhor do que como nasceu. A mata aqui é fechada, com raízes profundas, como num relacionamento amoroso envolvente, num ponto de intimidade no qual deixamos que o outro nos veja nu, de forma verdadeira, num relacionamento que, apesar de não ter sido eterno, fica na memória como uma eternidade. Aqui é uma fome, uma ambição, um desejo ardoroso, como na secretária ambiciosa de Uma Secretária de Futuro, entendendo o poder do trabalho, da construção de algo, de uma carreira, no oásis para os que gostam de trabalhar.

 


Acima, Patos, faisão e frutas perto de uma fonte. A fonte é a força da Vida brotando e lutando para sobreviver, como um artista lutando para alcançar renome e sucesso, como em Hollywood, a terra dos sonhos despedaçados, das frustrações, na terra que é do sucesso e do fracasso, em vidas tão repletas de percalços e durezas, como um certo senhor, o qual se frustrou como ator e abraçou outra carreira, longe do Showbusiness, no modo como todos temos o direito de sonhar com uma vida melhor. A decoração é neoclássica, digna dos palácios imponentes dos reis sóis, na riqueza da França, na riqueza de Paris, num inacreditável Louvre, o qual exige que passemos, pelo menos, um ano inteiro dentro do museu, tal a complexa riqueza, como na rica oportunidade que tive para conhecer o novaiorquino Met, um lugar para lá de deslumbrante, num Oásis para quem ama a força da Arte, aquilo que nos faz seres civilizados – os macacos não fazem Arte. As frutas doces e maduras estão deliciosas, tentadoras, dispostas casualmente, no modo como o rústico é acolhedor, sem pretensões ou frescuras, como numa parede de tijolo rústico, acolhendo-nos, na simplicidade de uma mesa vazia, servindo às demandas do dia a dia, no modo como a sensualidade reside, precisamente, nos espaços vazios, pois estes são úteis ao Mundo, numa pessoa que entende o poder no nada fazer, numa atitude clean, fazendo só o que é estritamente necessário, como num surfista sabendo surfar numa onda, como o ator Orlando Bloom, o qual soube usar muito bem a trilogia de Peter Jackson, num ator que soube surfar em tal onda, pegando impulso, pois Hollywood é assim: Uns se tornam grandes astros; já, outros, nem tanto, numa espécie de hierarquia, no modo como a Vida exige que a pessoa tenha tal instinto, sabendo surfar nas ondas da Vida, em talentos empreendedores como o de Luiza Trajano, uma mulher independente que soube obter sucesso comercial, no modo como não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar – cada um precisa aprender por si mesmo, num caminho autodidata. Podemos ouvir o som das aves em vida, como nos patos no parque Parcão, de Porto Alegre, numa cidade com tanta qualidade de Vida, com seus parques vastos, na delícia de um fim de tarde com amigos, com um tapete estendido no gramado, com as pessoas tomando chimarrão, no modo como a Vida é boa quando é simples, fugindo desse luxo excessivo de Versalhes, um mundinho à parte, isolado da realidade do povo francês, o qual sofria com o preço do pão, como num russo Romanov deposto, um rei que pouco se importava com o próprio povo – o líder que despreza o povo deixa de ser líder, como um certo senhor sociopata, o qual foi destituído de suas funções mandatárias, um senhor que conseguiu se eleger porque tinha uma aparência acima de qualquer suspeita, e isso ganha a confiança do povo, no modo como há tantas pessoas que não vão longe na vida pública exatamente porque são pessoas de aparência desleixada, como uma certa senhora, a qual precisa urgente de um design de sobrancelhas, de maquiagem e de joias, como uma Elizabeth I, a qual levava extremamente a sério o se arrumar na hora de vir a público, numa regente que dividiu em duas a História da Inglaterra, um verdadeiro ícone feminista, superando muitos e muitos homens, no trabalho feminista de ir contra os ventos do patriarcado, no título de uma certa canção pop: “Papai, não dê sermão!”. Num detalhe no quadro vemos um pedaço de cortina de veludo, nobre, macio, digno de rei, nas regalias do poder, em homens tão viciados em poder, como um Putin, condenado por toda a Comunidade Internacional, um homem que perdeu a dourada oportunidade de ficar quietinho no seu canto. Vemos uma melancia fatiada, que é como no método científico de desdobrar o Corpo Humano, num trabalho de foco e análise, como nas especialidades médicas, cuidando de cada setor do corpo, inclusive o psiquiátrico, no modo ocidental de dissociar para compreender.

 


Acima, Pêssegos e perdizes. Podemos sentir o perfume dos pêssegos, nestas grandes invenções de Tao que são as frutas, em delícias como manga, uva etc., em fascínios tropicais como abacaxis. As aves mortas são o sacrifício, na lida da caça, no modo como a Vida exige que lutemos nesse sentido, nas sábias palavras de uma certa senhora médium espírita: “Deus não quer que nos atiremos nas cordas!”, como numa humilde Gisele, a qual sabe que não pode parar de trabalhar pois, do contrário, virará “peça de museu”, em artistas como Cindy Lauper, a qual vive até hoje nos anos 1980, só tendo pertinência para quem foi jovem em tal época, uma pena, pois se trata de uma artista talentosa, só que sem pertinência para esta meninada que nasceu nos anos 2000 ou 2010, no modo como a Vida exige que tenhamos a força para virar as páginas e encarar novos momentos e novas lutas, como num animalzinho silvestre, lutando para viver até o fim, sem reclamar da Vida. As folhagens são exuberantes, abundantes, como numa vistosa cabeleira de mulher, na beleza de uma mulher arrumada, escovada, aprumando-se para a interação social, numa mulher com autoestima, que sabe que ser idosa ou estar acima do peso não são pretextos para a mulher parar de se arrumar, como na personagem Gunilla, interpretada por Maggie Smith no filmão O Clube das Desquitadas, uma mulher altamente elegante, fina, discreta, agradável, sabendo que não pode sair de casa com qualquer roupa ou com o cabelo de qualquer jeito, no ato de autoestima que é o se perfumar e agradar as pessoas na Rua com tal olor fino. As aves aqui parecem estar repousando, no modo de se posicionar o cadáver no caixão, numa posição de sono, numa pessoa privilegiada, pois está desencarnando, deixando para trás as vicissitudes de encarnação, acordando no Plano Metafísico e deparando-se com amigos, muitos amigos, num lugar onde ninguém quer enganar ninguém, num lugar nobre e produtivo, no qual a pessoa observa a necessidade de não parar de trabalhar, pois até Tao é tal ser trabalhador, sempre criando e deixando-nos perplexos frente a tal perfeição, como num fãclube ávido para ver o mais recente trabalho de seu ídolo, como no álbum icônico Ray of Light de Madonna, abocanhando um Grammy de álbum pop do ano, no modo como qualquer carreira é assim: Ninguém está por cima o tempo todo, na metáfora do livrão As Horas: Doce ou amarga, esta página passará, e uma nova página em branco virá, num eterno trabalho de recomeço e aprimoramento, sabendo que tudo é processo intermitente, ao contrário do suicida, que acredita num ponto final, o qual não existe, pois é o caminho da Vida Eterna, o imensurável poder muito, muito além da compreensão humana, neste formidável presente, nobre, duradouro, fazendo metáfora com móveis feitos de madeira nobre, fortes, duráveis, numa madeira nobre, imune a cupins ou à passagem do tempo. As frutas aqui remetem a uma gentil e doce vizinha que minha família e eu tivemos, uma senhora generosa, que gostava de presentear as pessoas com coisas de seu pomar, como figos, caquis e chuchus, num caminho de generosidade, uma senhora já desencarnada, indo direto par ao Céu, a morada dos que amam seus irmãos, sendo o Amor a cola que une todos os filhos de Tao, num Universo o qual, de tão vasto, é infinito, sendo impossível que o Ser Humano catalogue todas as estrelas que existem no Cosmos. As aves aqui vão virar almoço, como num almoço especial de Domingo, num bom galeto, no cheiro delicioso de carne no ar na hora do almoço, na oportunidade da reunião de família, em certos talentos de patriarca e matriarca em manter um grupo coeso, como um senhor casado com minha tia avó, que Deus os tenha, um senhor que tinha tal força para manter a família unida, nesta capacidade de certas pessoas em serem um Sol no meio de um sistema solar, agregando as pessoas, como num fantástico Papa Francisco, agregador, clemente, civilizado, respeitoso, um papa muito além de outro certo papa, cujo nome não mencionarei. A pedra aqui é a vida sólida, firme, num homem centrado no trabalho.

 


Acima, Pompee e Florissant, os cães de Luís XIV. Aqui repito: a frivolidade de Versalhes, num rei gastando dinheiro para retratar animais, num artista que caiu como uma luva nas vaidades da corte francesa, nesta enfadonha vida de nobreza, como no filmão Ligações Perigosas, na personagem da deusa Glenn Close perdida em intriguinhas e fofoquinhas, numa vida desperdiçada em tais frivolidades, sendo rechaçada ao final da trama, sofrendo a reprovação da mesma corte em que atuou maliciosamente. O cachorro é o instinto, como em cães treinados para detectar drogas em bagagens, num momento que o cão não vê como trabalho, mas como diversão, como numa Marisa Monte, a qual diz trabalhar com enorme prazer, mas há, em todo trabalho, a face fácil e a face difícil, na delícia e no esforço, como num popstar fazendo exaustivos ensaios para um show de turnê, encarando o trabalho de viajar pelos quatro cantos do Mundo, num espírito de mambembe, como no road movie Priscila, com as drag queens encontrando gente boa e gente não tão boa, fazendo um show para aborígenes australianos, para os quais as drags tinham poder de magia, nessa coisa tão inofensiva que é um homem vestido de mulher, como certa vez o cantor Bono Vox, vestindo-se de mulher e maquiando-se, no modo como homens gays e mulheres femininas veem maquiagem e salto alto como diversão, ao contrário da lésbica, a qual acha um saco se maquiar e usar salto alto, vendo estes como imposições sociais e não como diversão, como uma menina que conheço, a qual fica horas na frente do espelho se maquiando, numa sensibilidade de artista, como nas icônicas maquiagens da banda Secos e Molhados, no artista no camarim, preparando-se para o momento de se encontrar com a plateia, na figura do palhaço, maquiado, lúdico, artístico, numa Dercy Gonçalves, fugindo de casa moça para se juntar a uma trupe circense, num momento de ruptura, abraçando a persona escandalosa que construiu na carreira. Os pássaros aqui são a superioridade, numa pessoa que pensa acima de mediocridades, como num Woody Allen desprezando amplamente o stablishment das celebridades, como astros destruindo suítes de hotel, sendo bajulados e perdoados pelo gerente, no modo como não em canso de dizer que, de perto, as celebridades são desinteressantes, nessa fogueira de vaidades, com um querer aparecer mais do que o outro, como no baile de gala da revista Vogue Brasil, na competição para ver qual é a mulher mais deslumbrante da noite, como na frivolidade de Versalhes, numa nobreza nada mais tinha para fazer de seus dias cárcere aqui na Terra, talvez espíritos desencarnando e dando-se conta do estilo de vida fútil que levaram, querendo reencarnar em busca de tal tempo perdido, quem sabe reencarnando num contexto social paupérrimo, fazendo das vicissitudes tal força motriz de evolução e aprimoramento, como crianças pequenas de indígenas mendigos atirados nas calçadas frias de Caxias do Sul, descendentes de indígenas que eram donos e senhores de tais terras antes da chegada do Homem Branco. Os cães aqui estão com seus nomes escritos na tela, como se fossem seres superiores, mais importantes do que o súdito pobre numa Paris suja e pobre, guilhotinando Maria Antonieta, como na execução da família real russa, matando crianças, algo que, sinto em dizer, não apoio, nessa capacidade humana em ser o mais cruel possível. Aqui é o glamour de cachorros de raça, os quais, no frigir dos ovos, são animais geneticamente debilitados, frágeis, ao contrário do cão viralata, o qual é forte, suportando fome, sede e frio, como nos casamentos cossanguíneos no Antigo Egito, num Tutancâmon casando com a própria meia irmã, a qual deu à luz natimortos, algo que o egípcio antigo acreditava ter sido vontade dos deuses. Aqui são os caprichos do rei, como num insano Calígula, ou num amedrontador Napoleão, forçando a família real portuguesa fugir para o Brasil, em homens de terror, oprimindo o cidadão, na metáfora de Matrix, onde o indivíduo é um escravo cego de um sistema, no modo como o consumismo nos faz escravos do sistema capitalista.

 

Referências bibliográficas:

 

Alexandre-François Desportes. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 20 mar. 2024.

Alexandre-François Desportes. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 20 mar. 2024.