quarta-feira, 10 de julho de 2024

Alma de Almeida (Parte 4 de 4)

 

 

Falo pela última vez sobre o pintor brasileiro Almeida Júnior. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O derrubador brasileiro. Aqui é um prazer de torpor e satisfação, pois o rapaz parece estar de barriga cheia, no delicioso e retirado momento de digestão, na sabedoria popular: Barriga cheia, coração contente. O rapaz é bem pobre, sem calçado, com pés sujos pelo labor na roça, no modo como tênis de marca são objetos de desejo de consumo, objetos visados por ladrões, pessoas de raso apuro moral as quais não têm como estar de bem consigo mesmas e com o Mundo, num espírito miserável que vaga pelas terras desoladoras do Umbral, a dimensão dos que não amam, como na sociopata manipuladora do clássico A Malvada, na personagem da monstruosamente talentosa Bette Davis, detectando a sociopata, sem ilusões em relação a tal desapuro moral, num bandido que não respeita a Vida em Sociedade, havendo tal “filtro” na dimensão acima, na qual só entra quem tem a consciência limpa, num lugar onde sabemos que estamos entre amigos, num lugar onde ninguém quer enganar ninguém, como um certo senhor que certa vez me ludibriou, um senhor condenado a um inferno astral intermitente, fazendo do inferno astral algo horrível: Tenho tudo para estar bem, mas não estou. É como numa queda de braço, na qual é melhor perder do que ganhar: O perdedor se torna o homem maior; o vencedor entra em inferno astral. Aqui a ferramenta é tal símbolo de labor, como na bandeira da extinta URSS, na força do labor, no modo como hoje em dia o Comunismo é uma piada, remetendo a um certo senhor, o qual tem como ídolo um ditador, trazendo os extremos do leque, no modo como os opostos se assemelham: Não interessa se é fascismo ou comunismo, pois é tudo ditadura igual, no modo como um ditador tenta se assemelhar a um homem de Tao, o que é uma piada, pois quanto mais Tao tenho, menos quero controlar as pessoas, como na metáfora de Matrix, num indivíduo que é um escravo cego de um sistema controlador, assim como no Capitalismo: Tenho que trabalhar como um burro de carga para, assim, comprar um carão último tipo, na metáfora do Anel de Tolkein: Os homens querem, acima de tudo, poder, na noção espírita, na qual um ganhador de loteria, considerado feliz, vive uma vida miserável, como no filmão O Advogado do Diabo: “Eu pensei que ter tanto dinheiro seria bom, mas não é!”. Aqui é um momento de descanso, numa pessoa que respeita a si mesma, remetendo a uma pessoa que conheci, a qual não se dava ao respeito, levando uma vida degradante de workaholic, fodendo-se de tanto trabalhar, com o perdão do termo chulo. Nesta cena vemos um pequeno córrego, e podemos ouvir o delicioso ruído de água fluindo, que são os processos naturais da Vida, num processo que vai se desenrolando, na noção dialética de que tudo é processo, no caminho da Eternidade, da qual não é possível de se falar, na noção espírita de que Deus é o infinito, no mistério eterno, na ideia inconcebível de que jamais findaremos – é muito poder, meu irmão. O rapaz seminu é tal liberdade, num Brasil tropical, de tórridas temperaturas, como no passado da cidade do Rio de Janeiro, na qual baixou uma lei proibindo que qualquer homem na cidade andasse da Rua sem camisa, na tentativa brasileira de se assemelhar aos climas frios europeus, numa ironia: Os gaúchos, em seus gelados invernos, invejam o calorzinho agradável da Bahia; já, os nordestinos e nortistas vêm ao Sul do Brasil exatamente para passar frio! É o descontentamento humano, quando o caminho da felicidade é amar onde estou, nos versos de uma certa canção pop: “Os momentos felizes não estão escondidos nem no passado, nem no futuro!”. O rapaz é jovem e forte, saudável, numa força de trabalho, talvez servindo a um senhor ambicioso, como nas obras de faraós, obrigando a força de trabalho escravo a obras gigantescas, num Egito no qual não havia saída: Nasço escravo, morro escravo, na ilusão das classes sociais, pois no Plano Superior a hierarquia funciona na base do apuro moral, na eternidade da verdade e na finitude da mentira. A rocha aqui é tal vida dura, de labor intenso, no manifesto político da novela da Globo Sinhá Moça, nos anos 1980, em negros jogados numa senzala como se fossem cães num canil duro, sem qualquer conforto digno. O rapaz é ainda inexperiente na Vida, sequer com um fio de cabelo branco.

 


Acima, O descanso da modelo. Que quadro fabuloso!  A modelo está totalmente à vontade, nua, tocando piano, numa relação de conforto junto ao artista, colocando-se nos braços de Almeida, numa relação de confiança, na inocência do nu, como na inocente nudez do Adão de Michelangelo, no Éden antes do advento da malícia da serpente, cobrindo os sexos com folhas, remetendo a uma amiga freira minha, que foi minha professora no Ensino Fundamental, uma senhora a qual, ao observar que os jovens alunos infantes estavam maliciosos em relação a Sexo, resolveu dar aulas de Educação Sexual exatamente para combater tal malícia, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo criou? Aqui é um lânguido momento da tarde, numa soneca, deixando para lá, momentaneamente, as loucuras do Mundo agitado, na recomendação taoista: Entenda a penetração do Yang, mas seja mais Yin, mais pacato dentro de si mesmo, como numa Meryl Streep, vivendo uma discreta vida de retiro e privacidade, conquistando o respeito do Mundo, colecionando prêmios mil. Numa espécie de autorretrato, o artista aqui está encantado e embevecido com a modelo, retirado, permitindo que a modelo seja a estrela do quadro, como no clipe Too Funky do astro George Michael, com este num discreto papel coadjuvante, filmando deslumbrantes modelos numa passarela de Moda, neste brilho sedutor do Mundo da Moda, em figuras chics e transgressoras como Chanel, libertando a mulher de uma certa forma, uma mulher que dizia que estar perfumado é um luxo, em um luxo que não é acessível para todos, como nos esforços da grife de perfumaria brasileira Jequiti, vendendo perfumes com preços para todo os bolsos, remetendo a um senhor que conheci, o qual usava perfume de mulher, algo desnecessário, pois posso ser perfumado e, ao mesmo tempo, homem, usando perfumes de homem. Neste quadro temos ironia de metalinguagem, com césar falando de césar, ou seja, com a arte do pincel de Almeida falando sobre da arte musical ao piano, como na ironia de uma atriz interpretando outra atriz, no modo como brilha Goldie Hawn no filmão O Clube das Desquitadas, numa atriz interpretando atriz, algo que definitivamente ajudou a Goldie ficar muito à vontade no papel, em atrizes que vão além, tornando-se deusas, pois Hollywood é bem assim: Uns se tornam célebres estrelões; outros, nem tanto, numa espécie de hierarquia no panteão hollywoodiano, com tantos e tantos sonhos que se despedaçam diariamente na Meca do Cinema, fazendo da Vida tal Rua dos Sonhos Despedaçados, no modo como é humana a frustração, como um senhor que conheci, o qual se desiludiu com a carreira de ator e abraçou a carreira de advogado. Almeida aqui sorri, embevecido, nos pequenos prazeres mundanos de fumar ou beber um drinque, remetendo a um show do grande cantor Edson Cordeiro, o qual cantou num show a canção que diz que fumar é um prazer, remetendo a eras passadas, nas quais quase todas as pessoas fumavam, numa época em que fumar era algo bem visto, como na era dos anúncios publicitários televisivos tabagistas, na época em que ainda se permitia que cigarro fosse linkado ao conceito de saúde, beleza, vigor e juventude, chegando aos dias de hoje, nos quais a carteira de cigarro é dotada de expressas advertências. O tapete no chão é o conforto, fazendo metáfora com o conforto da modelo no estúdio, na sensação de se estar em casa, num anfitrião agradável, que faz com que nos sintamos bem à vontade, numa sala fina, com finos cristais multicoloridos, na irresistível hierarquia espiritual, fazendo com que eu faça questão de acatar ordens de irmãos que estão acima de mim na hierarquia, fazendo do subestimado Amor a cola que nos une, num Deus que quer o melhor para nos; num Deus que nos deposita total atenção e zelo, pois ninguém é pequeno demais para desmerecer a atenção total Dele, no talento de patriarca ou matriarca em manter uma família unida. A decoração do ateliê é fina e bela, revelando um Almeida de tão bom gosto, de depuração.

 


Acima, O guitarrista. Aqui é o gosto de Almeida por cenas de simplicidade, da humildade do proletário, longe de afetações burguesas de luxo e ostentação. Aqui temos um duo, uma sociedade, uma banda, pois ele toca e ela canta, remetendo à minha banda preferida, que é o duo inglês Everything but the Girl, com o homem produzindo as faixas e a mulher cantando, no pop sofisticado, minimalista, sutil, talentoso. Aqui remete ao final de cada capítulo da novela da Globo No Rancho Fundo, quando dois rapazes tocam e cantam para delinear os rumos da trama, nos cenários sedutores de Jorge Amado, em cidades pequenas cheias de personagens pitorescos, num livro que gerou o filme de maior bilheteria da História do Cinema Nacional Brasileiro: Dona Flor e seus dois maridos, no modo como a mulher quer duas coisas no mesmo homem – dinheiro e romantismo. Podemos ouvir os acordes do instrumento musical, no modo como a Música Brasileira é tão, tão rica, algo ignorado por uma certa rádio brasileira, a qual só toca músicas internacionais, o que é uma pena. Aqui remete à mulata sedutora do romance O Cortiço, com a moça sambando nos acordes exóticos, seduzindo estrangeiros, como no designer digital alemão Hans Donner se apaixonou por uma bela mulata brasileira, fazendo do Brasil tal país mestiço, cheio de pardos e mulatos, ao contrário dos EUA, nos quais branco tem filho com branca e negro tem filho com negra, de um modo geral, num país em que qualquer pele um pouco morena já é tida como de pessoa negra. O cenário aqui é simples, com casas humildes, como nas favelas brasileiras, com casas de tijolos à vista, num povo sem o dinheiro para fazer reboco, em labirintos de morro, com vias que só são compreendidas por quem mora em tal favela, nos abismos sociais brasileiros, como na cidade do Rio, com os ricos morando na orla e os pobres morando no morro, na ironia de que, dos morros, o Rio tem uma vista deslumbrante, inacessível para quem mora em altitudes menores na cidade maravilhosa, nos versos do sucesso de Fernanda Abreu: “Rio quarenta graus, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos!”. Os tijolos de barro são tal sedimentação, em algo construído aos poucos, num trabalho persistente de formiguinha, como num artista formando uma carreira, passando por várias fases, no chulo porém divertido termo “puta velha”, que serve para delinear aquele que há muito está atuando no mercado, conhecendo todos e por todos sendo conhecido, com pessoas que estão há décadas sobrevivendo num mundo tão desafiador e competitivo, como me disse um sábio senhor psiquiatra: “Tens que ter agressividade, pois vives num mundo competitivo!”. Aqui parece ser um casal, longevo em décadas de matrimônio, no modo é necessário ter paciência para aguentar os defeitos do cônjuge, pois nenhum casamento é perfeito, como uma senhora não fumante que conheço, a qual está aturando, por mais de meio século, um marido fumante, no modo como o vício não tem jeito, pois nunca é o suficiente – sempre tem que ser aceso um novo cigarro. A mulher aqui tem recato ao domar os cabelos, talvez numa época em que não era permitido que a mulher viesse a público com os cabelos soltos, ao contrário de hoje em dia, quando a mulher pode sair de casa com o penteado que desejar, nos eternos bobs no cabelo da personagem Dona Florinda, sempre com os cabelos enrolados, num estilo de vida pacato, saindo assim do cabeleireiro e indo fazer compras numa mercearia, num estilo de vida pacato, no qual um líder sábio não deve interferir, respeitando o pacato cidadão de bem. A janela aberta é tal libertação, arejamento, numa cabeça arejada, sem preconceitos, remetendo a um digníssimo senhor que conheço, uma pessoa inteligente, que sempre tem algo de interessante para dizer, no modo como o sexy vem da cabeça, na decepção de se deparar com uma pessoa vazia e obtusa, reduzida a um mero pedaço de carne. Aqui é um momento de lazer, depois do labor diário sisudo.

 


Acima, O inoportuno. Aqui é o recato, o pudor, numa moça em vestes íntimas, para a época, é claro, em trajes que hoje em dia uma mulher poderia tranquilamente caminhar na Rua. É um preconceito conservador uma mulher posar nua, talvez em algo mal visto na época de Almeida, como disse Dercy Gonçalves: “Na minha época, ser atriz era a mesma coisa do que ser puta”, com o perdão do termo chulo da diva irreverente. Aqui é algo secreto, e ninguém sabe que a moça está posando nua, como na Rose de Titanic, uma menina burguesa, uma socialite fútil que queria se libertar de tais preconceitos e ser atriz, ser artista, contrariando as expectativas de uma mãe controladora, que queria que Rose se casasse com um rico insensível, em cujo coração pouco espaço havia para Amor, numa Rose que resolve mandar tudo à merda, com o perdão do termo chulo, e envolve-se com o impetuoso e sensível Jack, numa história de Amor que tanta comoção causou no Mundo inteiro, numa canção tema que se tornou o ápice do ápice da carreira de Céline Dion, a mulher à qual Deus deu uma voz de anjo, apesar de Céline às vezes derrapar em canções bregas – cada um com suas limitações. O artista aqui está de costas, oculto, talvez num recato de Almeida, numa pessoa que resolveu ser discreta, vivendo seus dias com sossego, numa vida pacata, produtiva, numa pessoa que encontrou paz em seus dias na Terra, fazendo algo de nobre, nas palavras de minha avó Nelly, que Deus a tenha, uma mulher que se aposentou do cargo de professora de Língua Portuguesa e, ao se aposentar, começou a escrever poesia, dizendo dos dias de fog de Caxias do Sul: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. É em casos tristes de pessoas que se aposentam e nada fazem no lugar, levando uma vida vaga, improdutiva, em dias que passam tão lentamente para os que não trabalham, nas sábias palavras do carismático Leo DiCaprio: “Realmente, não pode faltar trabalho!”, no sentido da pessoa mostrar algo ao Mundo, encontrando seu “fio terra”, seu canal com o Mundo, pois não há sentido numa vida improdutiva, como uma dondoca que conheço, improdutiva, fofoqueira, cuidando da vida dos outros, uma senhora que leva uma vida desinteressante – é tão sem graça uma pessoa que nada faz! É como num termo que inventei: Mais sem graça do que chafariz na chuva! Aqui há um momento de interrupção, como no filme Garota Interrompida, numa moça borderline que é internada numa clínica psiquiátrica, numa época em que não havia ainda medicações psiquiátricas, as quais, hoje em dia, abreviam muito o tempo de internação psiquiátrica, num filme que deu um Oscar a Angelina Jolie, que interpreta uma psicótica que há anos estava internada na clínica do filme. Aqui é como um momento de pausa, como num café no meio da tarde, num merecido intervalo, como num recreio numa escola, na sabedoria de que deve haver pausa, descanso, ao contrário de uma pessoa que não respeita a si mesma, abraçando uma vida árdua de masoquista, no modo como a autoestima é tão importante, pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo, fazendo do Amor algo tão subestimado e deixado de lado, em guerras ao redor do Mundo, como num sanguinário Putin bombardeando hospitais e matando inocentes civis, nesta eterna inclinação humana pela crueldade, em Caim matando Abel, havendo na Eternidade a vitória do perdão, pois a mágoa e o ressentimento não são perenes. A moça aqui está secreta, e ninguém sabe que ela está posando nua, remetendo a um caso muito engraçado, de uma moça que conheci, a qual levava vida dupla: De dia, era uma pacata estudante universitária; de noite, uma stripper numa casa de shows de Porto Alegre! A luz natural entra no estúdio, pois a luz natural é a melhor que existe, como em consultórios de dentista, com a cadeira que fica virada para a janela, auxiliando o trabalho do dentista. A moça é bela, formosa e jovem, uma Garota de Ipanema, com cintura delgada, uma forma física ambicionada pelas mulheres, no modo como cada época tem seus padrões de beleza, os quais podem agredir a autoestima da mulher.

 


Acima, Ponte Tabatinguera. A ponte é a comunicação com os seres humanos, na função da Arte que é unir mentes e nos fazer humanos – os macacos não pegam uma câmera e fazem filmes. A ponte é um relacionamento, uma amizade, no modo como, na idade adulta, as amizades se transformam em relacionamentos leves, desapegados, pois teremos a Eternidade inteira para falar com os amigos, então, não precisamos nos preocupar, no modo como em amizades não pode haver cobrança, pois se tem cobrança, não é amizade, como, por exemplo, vou a uma loja, escolho um par de tênis e vou ao caixa para pagar – o vendedor, apesar de simpático e cortês, não é amigo, pois aí há cobrança. A paisagem é simples, com casas rústicas, no acolhimento do rústico, o qual não tem frescuras ou pretensões, numa parede de tijolos à vista, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como numa Jackie O. chiquérrima, andando sozinha pelas ruas de Nova York, como qualquer cidadão, numa cidade meteorologicamente bipolar, com verões tórridos e invernos congelantes, na beleza da passagem das estações climáticas, na ironia de Tao, invertendo os fatores: Quando no Hemisfério Sul é quente, é frio do Hemisfério Norte, no modo como Tao coloca ironia e senso de humor em tudo o que faz, em palhaços fabulosos como Jim Carey, nessa particularidade humana do senso de humor, no modo como o célebre Mr. Bean ganhou o Mundo, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio, no poder terapêutico da risada, em fabulosas comédias teatrais, nas quais tudo o que precisamos fazer é sentar na poltrona e rir, como em peças avassaladoras como Buffet Gloria, com a deusa palhaça Ilana Kaplan, uma atriz a qual, infelizmente, não funciona muito bem na televisão – cada um com suas carências. A zona aqui é erma, e não vemos algum ser humano por perto, numa cidade pacata, como uma pessoa quieta dentro de casa, lendo um livro, retirada, vivendo seus dias silenciosamente, ao contrário de um certo sociopata., o qual me desrespeitou dentro de minha própria casa, fazendo do sociopata uma pessoa tão, mas tão inadequada, num louco que simplesmente se acha Deus, na inconsistência da mentira, em máscaras de pessoas que levam vida dupla, num lobo disfarçado de cordeiro, numa orientação simples: Não se relacione com um sociopata; não dê a este informações íntimas, como uma mulher que conheço, a qual teve uma comadre sociopata, num sociopata que começa e brincar com nossa cabeça, manipulando-nos. O rio aqui é o curso natural da Vida, numa encarnação que vai se desenrolando em seus processos de ensino, no modo como ninguém nasce perfeito e onisciente, havendo diante de nós toda uma bateria de aprendizado, fazendo da Vida tal escola maravilhosa, com duras lições de humildade que vão nos depurando e fazendo de nós pessoas melhores, pois o crescimento é o sentido da Vida. Vemos uma escada que leva ao rio, num acesso, numa viabilidade, como numa ponte de amizade, de relação, como nos inoxidáveis vínculos de família, os quais sobrevivem ao Desencarne, ao contrário dos animais, numa mãe leoa que, num certo momento, acaba abandonando os filhotes, os quais cresceram – as famílias humanas não morrem. O rio aqui é como um espelho, numa reflexão, numa pessoa num momento oportuno de reflexão existencial, no modo como cada um de nós precisa de momentos de retiro e solidão, como numa menina com Síndrome de Down que conheci, a qual se trancou num banheiro exatamente para ter tal momento de solidão. Aqui é como a Ponte da Amizade que liga o Rio Grande do Sul à Argentina, na universalidade do Ser Humano, em esforços diplomáticos pela Paz, fazendo da Paz algo tão subestimando, nos versos de uma canção pop: “Não há Amor sem Paz; não há Paz em Amor”. A ponte é um acordo e uma concórdia, num trato entre cavalheiros, ao contrário de um certo senhor, o qual me enganou, ou seja, faltou com o apuro moral, e é um inferno astral a vida de uma pessoa sem tal apuro.

 


Acima, Saudade. Aqui há um ocultamento, em algo secreto, que não deve “vazar”. Talvez num amor proibido, impossível, como em As Pontes de Madison, numa mulher que vê que é impossível um amor com um homem que não fosse o marido dela própria, no modo como uma proposta de casamento tem que ser sólida, pés no chão, cerebral, para, depois, chegar ao coração, fazendo do casamento um trato e uma sociedade: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho. A luz opaca entra melancolicamente na cena, numa mulher triste, melancólica, como numa depressão, na qual a pessoa simplesmente não vê sabor ou sentido na Vida, não vendo prazer em pequenos prazeres como tomar banho ou comer um delicioso doce, na doença que é o “fantasma do meio dia”, numa vida que se torna um velório intermitente, muito diferente de uma pessoa que está apenas triste, não necessariamente deprimida. A carta traz uma notícia triste, desoladora, como numa paixão não correspondida. A carta é o trunfo civilizatório da Escrita, no momento em que a Humanidade encontrou a Civilização, no termo popular de que a caneta é mais poderosa do que a espada, fazendo do diálogo civilizado tal força pacífica diplomática, em dois cordatos cavalheiros sentados conversando, no cavalheirismo no fio do bigode, resolvendo as questões de forma pacífica, num líder ponderado, em fenômenos como Obama, na vitória da Civilização sobre os horrores escravocratas no passado americano, remetendo a um certo país racista, no qual, ao haver a abolição da escravatura, reuniu todos os negros do país e os enviou à África, numa espécie de faxina racial, algo que vai contra a universalidade do Ser Humano, havendo uma ilusão nas diferenças culturais, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, em horrores como o Holocausto, na frivolidade mentirosa dos preconceitos, os quais são altamente inconsistentes, havendo nas raças uma ilusão, havendo entre nós uma eterna igualdade. A moça de preto é o luto, a discrição do luto, na questão da discrição, como um certo padre, o qual foi desligado da ordem católica por ter se comportado de forma indiscreta na igreja, na hora da missa, um senhor que causou transgressão jovial, mas pagando um preço alto por sua ousadia, recebendo advertências como: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”. O semblante da moça é triste, como no semblante de uma certa moça num programa de TV, sendo presa num aeroporto por portar drogas ilícitas na mala, nesse desespero em traficar drogas, em algo que o controverso Trump tinha razão ao dizer que a maior parte das drogas que entra nos EUA é pela fronteira com o México, no populista Trump propondo construir um gigantesco muro entre as duas nações, algo inútil: Quanto mais regras imponho, mais as pessoas desejarão driblar essas regras. O brinco na moça é singelo, discreto, numa moça fina, como uma moça depressiva que conheci, a qual era fina, discreta e inteligente, mas com um quadro de depressão incrível, numa moça a qual parecia não conseguir enxergar direito as pessoas, numa queda de autoestima, numa pessoa que não vê a beleza de si mesma, pois a pessoa internada numa clínica psiquiátrica está passando por um duro momento de fundo de poço existencial. O cabelo da moça ameaça desmoronar, assim como ela desmorona com as notícias da carta, remetendo à minha infância nos anos 1980, quando havia as cartas pelo correio para que as pessoas se comunicassem, algo que caiu por terra hoje em dia, com a conveniência de ferramentas como o Facebook, aposentando o outrora divino e-mail, numa loucura de avanços tecnológicos, podendo eu teclar em tempo real com uma pessoa que está em Tóquio! A moça está absolutamente absorvida pela leitura, alheia ao Mundo ao redor, como em momentos do filmão A Época da Inocência, em momentos em que a tela fica escurecida e o personagem fica iluminado, nesses mestres cineastas que arrebatam nossas mentes e corações, fazendo da Arte algo que nos toca como pessoas de bem.

 

Referências bibliográficas:

 

Almeida Júnior. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 12 jun. 2024.

Almeida Júnior. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 jun. 2024.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Alma de Almeida (Parte 3 de 4)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor brasileiro Almeida Júnior. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Estudo para a Sagrada Família. O véu esvoaçante de Maria é tal majestade e pureza, como na moça na embalagem de leite condensado, na Imaculada Conceição que serve para nos fazer entender o modo como fomos concebidos por Tao, de forma única, e cada um de nós é extremamente especial, fazendo das famílias de realeza mundanas tal metáfora, no modo como somos todos príncipes maravilhosos, filhos do mesmo Rei, fazendo da Terra tal vale de vicissitudes, um lugar cuja dureza vem muito a calhar, por a dureza vai fazendo de nós pessoas melhores, e o crescimento e a depuração moral são o sentido da Vida, de qualquer Vida, no modo como morremos sendo melhores do que quando nascemos, como uma grande faculdade. O animal na cena é a serventia, numa pessoa que se vê útil ao Mundo, no caminho da dignidade, como uma pessoa que conheço, uma pessoa digna, decente e trabalhadora, a qual ergue a cabeça e vai ser digna de respeito, no modo como nenhum trabalho é em vão, na construção da grande carreira espiritual, como na cativante e adorável personagem Betty, a feia, uma menina honesta e trabalhadora, em personagens cativantes como Bridget Jones, num carisma, uma moça decente, que trabalha, fazendo do Plano Superior tal lugar de trabalho e produtividade, o lugar onde sentimos que, após o Desencarne, a Vida continua em toda sua seriedade, pois até Tao trabalha, e o trabalho é o sentido da Vida, de qualquer Vida, pois não haveria sentido numa vida eterna indolente e desocupada, vazia, desinteressante, no modo como somente o trabalho é o que mantém uma mente sã, e saúde é tudo, não? Aqui José trata Maria como uma rainha, dando a ela o lugar em cima do animal transportador, como um senhor que conheço, o qual trata a esposa muito bem, dando a esta o melhor cômodo da casa para a esposa dormir, como Jack se sacrificando para salvar Rose em Titanic, no caminho de dignidade, numa Rose eternamente grata a Jack, num ato de amor. O dia aqui ou morre ou nasce, fazendo com que cada final seja um recomeço, uma nova chance, na eterna paciência de Tao, o Pai paciente que sempre, sempre nos dá uma nova oportunidade, no caminho da Vida Eterna, no poder infinito e imensurável de Tao, neste presente misterioso e incompreensível que é tal eternidade, no caminho da fé: Quando entro num centro espírita, tenho que entrar ali com fé, pois, do contrário, tal visita não nos servirá, nesse abismo que existe entre Fé e Ciência, num cientista que não vê além da morte do corpo físico, achando que a morte é um ponto final, o que não é verdade, pois nada teria sentido sem a Eternidade. O véu de Maria aqui é fino e aristocrático, rico, caro, muito distante da Maria real, uma mulher pobre, dona de casa, comum, esposa de um humilde carpinteiro, como nas majestosas vestes de rainha na Maria da Pietà de Michelangelo, algo distante da família pobre que teve quer parir um bebê numa humilde e simples manjedoura, numa imagem de humildade e pobreza, na sabedoria de da Vinci, para o qual a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como um rei que é um homem simples, gostando de coisas simples, como tomar um café comum, um café do povo, sem frescuras ou afetações pernósticas, na simplicidade de um líder amado pelo povo, como em homens altamente excepcionais, como Renato Aragão, um homem simples e carismático, amado pelo povo, um homem amoroso, que ama as crianças brasileiras, no caminho do Amor, numa pessoa que respeita seus irmãos, no modo como um lar só pode ser sólido e seguro se ali houver amor, a cola que nos une, pois nossos irmãos depuradíssimos, perfeitos em excelência moral, nos amam, nós, os pequenos, que ainda estamos começando nossa jornada de Vida Eterna. A água e a lama no chão são tal vicissitude, em pais desesperados para encontrar um lugar para o menino nascer, na dor de uma mulher em trabalho de parto, no modo como pode ser dura a vida da mulher, como na princesa Isabel do Brasil, com 48 horas seguidas de trabalho de parto – Jesus, que dor! No topo da cena, insinua-se uma figura de anjo, zelando pelo Menino Deus, no modo como cada um de nós é acompanhado o tempo todo por um anjo da guarda, um irmão desencarnado que nos ama e quer o melhor para nós.

 


Acima, Guarujá. A paixão de Almeida pelo Brasil, um país tão belo e majestoso, riquíssimo em belezas naturais, mas um país pobre, que precisa de investimento em infraestrutura para explorar tais potenciais. Aqui é uma paisagem erma, solitária, num momento de solidão saudável, no modo como todos nós precisamos de alguns momentos de retiro e solidão, numa reflexão existencial, no conceito psicológico de que nossos sonhos à noite têm a função de nos das mensagens existenciais, no trabalho de decodificação de sonhos em consultórios de Psicologia, esmiuçando os códigos oníricos, buscando lógica nos mesmos. Aqui são priscas eras em que a Natureza não era maltratada pelo Homem, como na situação atual da carioca Baía da Guanabara, podre de poluída, repleta de lixo plástico, na capacidade humana de emporcalhar o Meio Ambiente, trazendo ferrenhos engajamentos ecológicos como num Leonardo DiCaprio, vestindo a camisa da preservação ambiental, neste desafio para a Humanidade, que é o crescimento sustentável, pois estamos na era do lixo seco, buscando formas de reutilizar ao invés de jogar fora em lixões insalubres, no glorioso modo como 100% das latas de alumínio no Brasil são recicladas, num elemento químico que pode ser reciclado inúmeras vezes, sem perder a integridade, com toda uma cadeia de reciclagem que começa com o humilde trabalho do catador, nessas pessoas que levam uma vida tão árdua e difícil, como um humilde gari varrendo calçadas, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, ganhando um ralo salário, fazendo da Terra tal duro lar de vicissitudes, o lugar que é um ensaio para o pós vida, no momento de seriedade da Vida, fazendo do Mundo Superior um Éden para os que gostam de estudar e trabalhar, como um senhor que conheço, já na casa do sessenta, um senhor que se acha velho demais para fazer algum curso universitário da UFRGS, um senhor que é ainda jovem, para o qual eu gostaria de perguntar: Mas não existe um único curso nessa instituição que desperte teu interesse, irmão? É o caminho da pessoa em se reerguer, assumindo o protagonismo de sua própria vida. Aqui é um lugar delicioso, cópia fiel do Éden, como uma flor de plástico imita uma flor de verdade, fazendo do Mundo Material uma “flor de plástico”, imitando as flores de verdade do Plano Espiritual, pois as tragédias ambientais na Terra são tal lembrete: É a Terra o que busca imitar a perfeição metafísica do Céu, o qual abriga as cidades perfeitas, limpas e belas, como numa praça plácida, na qual impera tal paz inabalável, no modo como é só na paz que podemos ser felizes, como num Neo em Matrix, clamando por paz. Podemos ouvir aqui o som de mar, do mar primordial que trouxe Vida à Terra, fazendo da Vida o nervo da Arte, como tambores africanos imitando as batidas do coração, numa fluidez rítmica, na universalidade da Arte, com popstars com fãs ao redor do Mundo inteiro, na universalidade da condição humana na Terra, o lugar onde somos todos prisioneiros, num dia de soltura que chegará, na mensagem de esperança do Espírito Santo, pois, para morrer, basta estar vivo, no modo espírita de lidar com naturalidade com a morte, como no famoso espírito Patrícia, no clássico Violetas na Janela, na menina acordando numa cama deliciosa, com perfume de amaciante, num espírito que repousou por muitos dias até se dar conta de que desencarnara, abraçando a Vida no Plano Metafísico, num plano tão maravilhoso, onde todos são jovens, saudáveis, felizes e ocupados com algo nobre, ao contrário de uma vida de prostituição, numa pessoa que faz do Sexo um leilão, se eu pudesse dizer a um rapaz que se prostitui: Vá arranjar um trabalho decente, rapaz! Aqui é como no final do filmão Contato, numa praia tão doce, tão deliciosa e tão acolhedora, no conforto uterino, quentinho, silencioso, com uma areia que parece ser feita de açúcar. A rocha aqui é tal firmeza, numa pessoa centrada em algo nobre, como um homem sério e ajuizado, trabalhador, sério, que dá à esposa sensação de estabilidade e segurança.

 


Acima, Leitura. Aqui é uma moça abastada, rica, privilegiada, com toda uma criadagem para fazer os árduos serviços do lar, tendo tudo, no termo “casa, comida e roupa lavada”. Ela sabe ler, algo que, na época, não era muito comum, no fato de que a alfabetização tem que ser um direito de todos, sem enxergar classe social, no termo sábio de que um país é feito com homens e livros, no modo como o Brasil carece de tal produção de Cultura Erudita, a qual nasce nos bancos escolares, em problemas brasileiros como a evasão escolar, como um rapaz que foi aluno de minha mãe no Ensino Fundamental, um rapaz que largou os estudos, como histórias tristes de vida que conheço, em pessoas que largaram a faculdade, subestimando a importância de se formar no curso, como numa transa sem orgasmo, num ciclo que não se fechou, nas palavras de uma pessoa que conheço, a qual cometeu o erro de abandonar a faculdade: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. A cena aqui é bem plácida e silenciosa, e podemos ouvir o canto dos pássaros, numa área rural, de fazenda, talvez nos majestosos cafezais paulistas, alimentando uma Europa sedenta pelo exótico café brasileiro, no glamour dos cafés parisienses. Aqui é como na telenovela Sinhá Moça, numa menina rica e privilegiada, numa novela que ostentava suntuosos vestidos para a personagem de Lucélia Santos, uma atriz a qual, infelizmente, sumiu de vez, parando de lutar, parando de encarar a lida e a vida, pois, quem para de lutar, desaparece, como no ótimo programa culinário de Carolina Ferraz no canal a cabo GNT, uma chef que simplesmente parou de trabalhar, o que é uma lástima. Aqui remete ao conto de Rapunzel, nas longas tranças da menina encastelada, no jogo de sedução entre fechadura e chave, na função do mocinho herói, que era libertar a donzela virginal, numa posição passiva da moça, nos sonhos de casamento de uma mulher, querendo para si um príncipe, como num casamento fracassado que conheci, numa mulher que, de início, pensou que casara com um príncipe, um homem que faria dela uma rainha, mas o dia a dia começou a se desenrolar, até ela perceber que se casara com um grossão pouco sensível, um homem incapaz de lavar seu próprio prato após o jantar, com esta mulher pegando o prato para lavar e pensando consigo mesma: “Esse cara é incapaz de lavar um prato; esse cara acha que sou a empregada dele!”. A paisagem aqui é maravilhosa, bucólica, numa singela igrejinha ao fundo, como num pequeno vale na estrada entre os municípios de Nova Petrópolis e Gramado, numa igrejinha singela em meio a residências – apesar de eu saber que tal cena é uma mera cópia do Plano Superior, não deixa de ser uma cena bela e cativante. Ao lado vemos uma cadeira vaga, que é o modo como tal moça nada faz de seus dias na Terra, o que não é bom, pois uma pessoa rica e improdutiva vive em qualquer mundo, menos no mundo real, e a felicidade e a dignidade só existem para os que trabalham e têm os pés no chão. Aqui é uma época em que as vestes eram recatadíssimas, mesmo em dias de calor como nos verões brasileiros. Os cabelos longos são tal recato, como em mulheres de uma certa religião, jamais cortando as pontas de seus longos cabelos, usando saias longas, que mal revelam os pés, no modo patriarcal de tolher a mulher, reprimindo a sexualidade feminina, como nos filmes pornôs, os quais apenas ao homem é permitido ter orgasmo, como no brutal modo de uma certo povo, que é castrar literalmente a genitália feminina – é um horror. Aqui é uma desinteressante vida de dondoca, ao contrário de um certa senhora, a qual provou que eu estava errado em relação a ela, pois eu a achava uma mera dondoca improdutiva, uma senhora qual, nas últimas eleições municipais em Porto Alegre, conquistou um cobiçado assento na Câmara de Vereadores da capital gaúcha, ou seja, ela provou que eu estava equivocado, bem equivocado, e aprendi que são exatamente os subestimados que acabam nos surpreendendo. Aqui, a mulher é reduzida a um mero útero reprodutor com a obrigação de parir filhos homens.

 


Acima, Moça com livro. Aqui é o pensamento que vence o material, o físico, na noção espírita de que pensamento é tudo, pois a riqueza do legado de Jesus reside nos pensamentos que Ele propagou, fazendo do Reino dos Céus um lugar de puro pensamento, um lugar que não podemos avistar daqui, da Terra, do Plano Material, na noção taoista do nada, do intangível, na metáfora de informática do hardware, que é o equipamento físico, e o software, que é intangível, no poder do vazio, do nada, e o Plano Superior é assim, feito de nada, num lugar onde temos plena saúde e vitalidade, da vitória do Desencarne sobre as vicissitudes da Matéria. O livro é a liberdade de pensamento, liberdade tolhida por cruéis déspotas como na Rússia e na Coreia do Norte, países infelizes em que o cidadão é mantido sob controle, num governo que aterroriza o pacato cidadão, o qual não tem escolha, no modo como Putin puniu severamente as meninas da banda Pussy Riot, as quais ousaram protestar num país em que não pode haver contestação, assim como na Ditadura Militar Brasileira. A moça olha para o céu, contemplativa, sonhadora, como uma pessoa que conheço, a qual esperou demais, sonhou demais, sem propriamente tomar ação para realizar tais sonhos, nos conselhos sábios de uma senhora para mim: Espere, mas não espere demais! A grama verde é a fertilidade criativa, num artista prolífico, numa obra vasta, numa produtividade, em artistas disciplinados, reinventivos, que sabem que precisam se recolocar, mas num artista que constrói tal identidade, tal marca registrada, como no célebre Andy Warhol, desenvolvendo uma identidade inconfundível, num artista feliz, reconhecido ainda em vida, recebendo inúmeras encomendas, no caminho da produtividade, numa pessoa sábia que sabe que não pode faltar trabalho, como numa Gisele, a qual, apesar de ter alcançado píncaros de fama, dinheiro e respeito, tem a humildade para dizer: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”. A moça aqui é jovem, na juventude eterna do Plano Superior, como uma senhora que conheci, a qual foi rainha da Festa da Uva de 1958, uma pessoa que desencarnou e, hoje, vive lá em cima linda como no dia de sua coroação, na vitória da beleza sobre a vulgaridade, como pessoas indelicadas e mal educadas, as quais estão desperdiçando uma encarnação com grosserias, pois, não canso de dizer, grosso é fraco; fino é forte. Aqui é um momento de retiro, de saudável solidão temporária, como numa pessoa discreta, que vive quieta vivendo seus dias com produtividade, na metáfora do Super Homem, com o pacato jornalista Clark Kent, humilde, discreto, quieto no seu canto, como um sábio preto velho, um Clark que se transforma num super herói: seja humilde e serás um Super Homem! A cena aqui é plácida e silenciosa, quieta, e podemos ouvir os pássaros neste jardim, talvez numa doce tarde de verão, em memórias doces de férias com os amigos na piscina ou na praia, no fato de que os amigos são o ouro da Vida, havendo no Plano Superior tal comunidade de amigos, de pessoas boas e honestas, ao contrário da Terra, onde cruéis sociopatas circulam entre nós, como um certo senhor da Política, um sociopata de marca maior o qual, na sua habilidade de manipular as pessoas diabolicamente, consegue enganar meio Mundo, como num Hitler, o homem que quase nos levou ao fim do Mundo, nessa especialidade humana que é a crueldade, como em campos de concentração, em Caim matando Abel, com irmão derramando sangue de irmão, com guerras que nada mais fazem do que deixar rastros de fome e destruição, como eu disse ao meu querido avô Ibanez: “Guerra já tem demais no Mundo, vô!”. A moça aqui respira livre, numa camisa confortável e arejada, ao contrário das culturas de tratam a mulher como um cidadão de baixa categoria, no machismo da mulher adquirir o sobrenome do marido, vivendo para sempre na sombra de um homem, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas. A roupa branca é a paz, num momento de retiro e paz, nesta fragilidade da paz, num mundo tão aguerrido, cheio de desentendimentos, havendo em raras pessoas figuras nas quais as pessoas podem depositar suas esperanças.

 


Acima, Nhá Chica. Aqui são essas cenas humildes de que Almeida tanto gosta, longe de afetações burguesas, um artista que gosta do povo brasileiro, na identidade brasileira. A senhora aqui é a sabedoria da idade, numa pessoa sabe que não é bom ser jovem demais, pois, quando somos adolescentes, não temos lá muito juízo, sabedoria ou responsabilidade, como eu certa vez na praia, adolescente, estava andando numa bicicleta cujos freios não estavam funcionando direito, e, por causa disso, atropelei uma menininha na beira da praia, e hoje, estando eu na casa dos 40, jamais andaria numa bicicleta cujos freios não funcionam direito. O cachimbo é a sedução do tabagismo, remetendo a priscas eras em que comerciais de cigarro podiam ser exibidos na televisão, inclusive comerciais que linkavam o cigarro à ideia de juventude, saúde, vigor e sensualidade, algo proibidíssimo hoje em dia, com carteiras de cigarro com expressar advertências, em letras garrafais: Pare de fumar! É como na paciência de uma certa senhora não fumante que conheço, a qual está há mais de meio século casada com um marido fumante, e é aquela história: Nunca é o suficiente, e um novo cigarro tem que ser aceso, numa mulher que o ama, apesar dele não ser perfeito. A luz entra furtiva na cena, exibindo o velho corpo da senhora idosa, remetendo ao divertido filme A Morte lhe cai bem, numa mágica poção que conferia juventude eterna a quem a bebesse, nessa busca humana por juventude e beleza, com tudo girando em torno do Plano Superior, no qual somos jovens para sempre, no plano em que nos deparamos com o duro fato de que a vida continua e de que não pode faltar trabalho, havendo nos ociosos uma vida desinteressante, vazia, sem propósito, como num certo senhor de sangue azul, descendente de regentes de outrora, um senhor que viveu deitado eternamente em berço esplêndido, sem arregaçar as mangas e sem fazer qualquer trabalho, numa vida vazia, opaca, num desperdício, numa pessoa que se acha sexy demais para trabalhar, como uma perua que vi certa vez, a qual, ao fazer compras em lojas finas de um shopping, tinha sua empregada doméstica carregando as sacolas, numa dondoca que se acha sexy demais para carregar as sacolas de suas próprias compras, no modo como uma pessoa pode ser tão rica e, ao mesmo tempo, tão miserável, como uma senhora rica e ociosa que conheço, uma fofoqueira maliciosa, perdendo tempo ao cuidar da vida dos outros, uma senhoria rica e miserável. Aqui é uma pacata cena rural, no Brasil rural de Almeida, na zona retirada, longe das loucuras de urbes desenvolvidas, num lugar pacato onde é um bálsamo para os ouvidos os cantos de pássaros, na incrível biodiversidade da Terra, um lugar do qual temos que cuidar ecologicamente, pois a Humanidade não tem para onde ir, visto que o Cosmos, fora da Terra, é absolutamente hostil ao Ser Humano. Aqui é uma pacata vida de Maria, numa mulher que se acostumou a tomar conta da casa, numa vida árdua, cozinhando, limpando e costurando, em velhas mãos que foram úteis ao Mundo, no caminho da dignidade, numa pessoa honesta que luta pela Vida, nas palavras de uma certa médium espírita: “Deus quer nos ver lutando!”, ao contrário de pessoas que se colocaram em situação de Rua, evitando a Vida e fugindo da lida, numa pessoa que não se importa de dormir numa calçada fria, úmida e suja, tal o desejo de evitar a Vida, pois nos abrigos de assistência social tais mendigos são confrontados com a realidade: Você não pode ficar aqui vendo TV o dia inteiro; você tem que fazer sua carteira de identidade e procurar emprego; você tem que reerguer. Já, na situação de Rua, não existe alguém para “encher o saco” de tal mendigo, como um certo senhor, vagando sempre pelas ruas da cidade, absolutamente alienado da realidade da Vida, um senhor que dá fortes sinais de que jamais reerguer-se-á. Aqui é um momento de pausa, como num intervalo numa escola, no modo como deve haver pausa na Vida, ao contrário do obsessivo workaholic, uma pessoa que só trabalha e não vive, num certo masoquismo.

 


Acima, O batismo de Jesus. A água, é claro, é a purificação, como num filtro de café, ou como numa pessoa exigente no ambiente de trabalho, avaliando tudo, aprovando ou reprovando as coisas, os trabalhos, como numa limpeza de pele, retirando as impurezas da pele, como num serviço de limpeza de uma casa, fazendo da limpeza algo que nos aproxima do Plano Superior, onde tudo é limpo e impecável, sem um único foco de poeira, como uma paciente senhora de minha família, uma pessoa que varre diariamente seu apartamento, uma paciência a qual eu, particularmente, não tenho, limpando minha própria casa com menos frequência, no gostoso pecadinho da Preguiça: Quando você precisa tomar ação, faça só o que é necessário! Quase nu, Jesus aqui é tal pureza, num homem o qual, em vida, foi tão mal compreendido, acabando processado judicialmente, executado oficialmente como um bandido, um pária, um sociopata diabólico, renascendo depois da fé das pessoas, até chegar ao ponto do imperador romano se converter cristão, sepultando o passado politeísta pagão da Humanidade, na noção de que não existem deuses, mas nossos irmãos depurados de alto apuro moral, felizes de forma suprema. João Batista é tal papel importante, numa dignidade, numa função que gira em torno do Filho de Deus, concebido como todos fomos concebidos, espiritualmente, de forma limpa e imaculada, fazendo de cada um de nós tal criança especial, única, num Deus de amor pleno e eterno, dando-nos a dádiva imensurável da Vida Eterna, num poder grande demais para a rala compreensão humana, num Ser Humano cuja ciência ainda não compreende a sobrevivência da mente frente ao óbito carnal. O Espírito Santo é tal liberdade e tal promessa de libertação, numa mensagem de tal esperança, no dia de soltura que chegará, sendo só questão de tempo, num espírito encarnado que tem que fazer algo de nobre e produtivo de seus dias na Terra, como no filme espírita Nosso Lar, numa mulher que estava há anos morando no Plano Superior, mas uma mulher que nada fazia lá, com um espírito amigo lhe indagando: “Mas minha filha, não há um único trabalho em nossa colônia que desperte seu interesse?”, pois não são felizes os que são produtivos? O trabalho não é o caminho da dignidade? Batista ergue uma alta cruz, no símbolo da cruel execução de Jesus, na vitória da libertação do Desencarne, num Jesus que voltou ao Plano Superior, talvez um homem que sequer se lembra de seu próprio fim na cruel Terra, remetendo a um endoidecido senhor que tenta nos convencer de que é a reencarnação de Jesus. A água aqui lembra a recente tragédia hídrica gaúcha, num momento de compadecimento e solidariedade, nas palavras de Barbra: “Sempre precisaremos de catástrofes para nos lembrar de que somos pessoas que precisam de pessoas?”. É como uma nobre e respeitada senhora que conheço, uma pessoa que, ao apreciar meu trabalho, enche-me de orgulho e satisfação, pois é uma senhora exigente. A cabeça de Jesus é emoldurada por uma luz, como num belo sonho que tive recentemente, vendo minha avó desencarnada saindo pela porta de um prédio, com minha avó sendo emoldurada por uma luz tão bela e cristalina, na alegria dos que trabalham lá em cima, como nobres diplomatas sempre primando pela paz e pela harmonia, mesmo a tanta guerra e raiva no Mundo. A cena aqui é retirada, e não vemos mais pessoas além dos dois homens, numa relação de confiança e confidência, num Batista amigo tão íntimo de Jesus, o suficiente para virar santo, havendo nos santos nossos irmãos depurados em perfeição moral, irmãos que nos amam incondicionalmente, fazendo do Amor a cola que mantém unida a Grande Família Metafísica, à qual cada um de nós pertence, sem exceções. Aqui é o ritual da água benta, num Ser Humano ritualístico, como na bênção de um padre, ou um passe espírita, numa pessoa que tem que se purificar ritualisticamente antes de entrar num templo, num caminho de humildade.

 

Referências bibliográficas:

 

Almeida Júnior. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 12 jun. 2024.

Almeida Júnior. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 jun. 2024.