Falo pela terceira vez sobre o pintor brasileiro Almeida Júnior. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Estudo para a Sagrada Família. O véu esvoaçante de Maria é tal majestade e pureza, como na moça na embalagem de leite condensado, na Imaculada Conceição que serve para nos fazer entender o modo como fomos concebidos por Tao, de forma única, e cada um de nós é extremamente especial, fazendo das famílias de realeza mundanas tal metáfora, no modo como somos todos príncipes maravilhosos, filhos do mesmo Rei, fazendo da Terra tal vale de vicissitudes, um lugar cuja dureza vem muito a calhar, por a dureza vai fazendo de nós pessoas melhores, e o crescimento e a depuração moral são o sentido da Vida, de qualquer Vida, no modo como morremos sendo melhores do que quando nascemos, como uma grande faculdade. O animal na cena é a serventia, numa pessoa que se vê útil ao Mundo, no caminho da dignidade, como uma pessoa que conheço, uma pessoa digna, decente e trabalhadora, a qual ergue a cabeça e vai ser digna de respeito, no modo como nenhum trabalho é em vão, na construção da grande carreira espiritual, como na cativante e adorável personagem Betty, a feia, uma menina honesta e trabalhadora, em personagens cativantes como Bridget Jones, num carisma, uma moça decente, que trabalha, fazendo do Plano Superior tal lugar de trabalho e produtividade, o lugar onde sentimos que, após o Desencarne, a Vida continua em toda sua seriedade, pois até Tao trabalha, e o trabalho é o sentido da Vida, de qualquer Vida, pois não haveria sentido numa vida eterna indolente e desocupada, vazia, desinteressante, no modo como somente o trabalho é o que mantém uma mente sã, e saúde é tudo, não? Aqui José trata Maria como uma rainha, dando a ela o lugar em cima do animal transportador, como um senhor que conheço, o qual trata a esposa muito bem, dando a esta o melhor cômodo da casa para a esposa dormir, como Jack se sacrificando para salvar Rose em Titanic, no caminho de dignidade, numa Rose eternamente grata a Jack, num ato de amor. O dia aqui ou morre ou nasce, fazendo com que cada final seja um recomeço, uma nova chance, na eterna paciência de Tao, o Pai paciente que sempre, sempre nos dá uma nova oportunidade, no caminho da Vida Eterna, no poder infinito e imensurável de Tao, neste presente misterioso e incompreensível que é tal eternidade, no caminho da fé: Quando entro num centro espírita, tenho que entrar ali com fé, pois, do contrário, tal visita não nos servirá, nesse abismo que existe entre Fé e Ciência, num cientista que não vê além da morte do corpo físico, achando que a morte é um ponto final, o que não é verdade, pois nada teria sentido sem a Eternidade. O véu de Maria aqui é fino e aristocrático, rico, caro, muito distante da Maria real, uma mulher pobre, dona de casa, comum, esposa de um humilde carpinteiro, como nas majestosas vestes de rainha na Maria da Pietà de Michelangelo, algo distante da família pobre que teve quer parir um bebê numa humilde e simples manjedoura, numa imagem de humildade e pobreza, na sabedoria de da Vinci, para o qual a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como um rei que é um homem simples, gostando de coisas simples, como tomar um café comum, um café do povo, sem frescuras ou afetações pernósticas, na simplicidade de um líder amado pelo povo, como em homens altamente excepcionais, como Renato Aragão, um homem simples e carismático, amado pelo povo, um homem amoroso, que ama as crianças brasileiras, no caminho do Amor, numa pessoa que respeita seus irmãos, no modo como um lar só pode ser sólido e seguro se ali houver amor, a cola que nos une, pois nossos irmãos depuradíssimos, perfeitos em excelência moral, nos amam, nós, os pequenos, que ainda estamos começando nossa jornada de Vida Eterna. A água e a lama no chão são tal vicissitude, em pais desesperados para encontrar um lugar para o menino nascer, na dor de uma mulher em trabalho de parto, no modo como pode ser dura a vida da mulher, como na princesa Isabel do Brasil, com 48 horas seguidas de trabalho de parto – Jesus, que dor! No topo da cena, insinua-se uma figura de anjo, zelando pelo Menino Deus, no modo como cada um de nós é acompanhado o tempo todo por um anjo da guarda, um irmão desencarnado que nos ama e quer o melhor para nós.
Acima, Guarujá. A paixão de Almeida pelo Brasil, um país tão belo e majestoso, riquíssimo em belezas naturais, mas um país pobre, que precisa de investimento em infraestrutura para explorar tais potenciais. Aqui é uma paisagem erma, solitária, num momento de solidão saudável, no modo como todos nós precisamos de alguns momentos de retiro e solidão, numa reflexão existencial, no conceito psicológico de que nossos sonhos à noite têm a função de nos das mensagens existenciais, no trabalho de decodificação de sonhos em consultórios de Psicologia, esmiuçando os códigos oníricos, buscando lógica nos mesmos. Aqui são priscas eras em que a Natureza não era maltratada pelo Homem, como na situação atual da carioca Baía da Guanabara, podre de poluída, repleta de lixo plástico, na capacidade humana de emporcalhar o Meio Ambiente, trazendo ferrenhos engajamentos ecológicos como num Leonardo DiCaprio, vestindo a camisa da preservação ambiental, neste desafio para a Humanidade, que é o crescimento sustentável, pois estamos na era do lixo seco, buscando formas de reutilizar ao invés de jogar fora em lixões insalubres, no glorioso modo como 100% das latas de alumínio no Brasil são recicladas, num elemento químico que pode ser reciclado inúmeras vezes, sem perder a integridade, com toda uma cadeia de reciclagem que começa com o humilde trabalho do catador, nessas pessoas que levam uma vida tão árdua e difícil, como um humilde gari varrendo calçadas, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, ganhando um ralo salário, fazendo da Terra tal duro lar de vicissitudes, o lugar que é um ensaio para o pós vida, no momento de seriedade da Vida, fazendo do Mundo Superior um Éden para os que gostam de estudar e trabalhar, como um senhor que conheço, já na casa do sessenta, um senhor que se acha velho demais para fazer algum curso universitário da UFRGS, um senhor que é ainda jovem, para o qual eu gostaria de perguntar: Mas não existe um único curso nessa instituição que desperte teu interesse, irmão? É o caminho da pessoa em se reerguer, assumindo o protagonismo de sua própria vida. Aqui é um lugar delicioso, cópia fiel do Éden, como uma flor de plástico imita uma flor de verdade, fazendo do Mundo Material uma “flor de plástico”, imitando as flores de verdade do Plano Espiritual, pois as tragédias ambientais na Terra são tal lembrete: É a Terra o que busca imitar a perfeição metafísica do Céu, o qual abriga as cidades perfeitas, limpas e belas, como numa praça plácida, na qual impera tal paz inabalável, no modo como é só na paz que podemos ser felizes, como num Neo em Matrix, clamando por paz. Podemos ouvir aqui o som de mar, do mar primordial que trouxe Vida à Terra, fazendo da Vida o nervo da Arte, como tambores africanos imitando as batidas do coração, numa fluidez rítmica, na universalidade da Arte, com popstars com fãs ao redor do Mundo inteiro, na universalidade da condição humana na Terra, o lugar onde somos todos prisioneiros, num dia de soltura que chegará, na mensagem de esperança do Espírito Santo, pois, para morrer, basta estar vivo, no modo espírita de lidar com naturalidade com a morte, como no famoso espírito Patrícia, no clássico Violetas na Janela, na menina acordando numa cama deliciosa, com perfume de amaciante, num espírito que repousou por muitos dias até se dar conta de que desencarnara, abraçando a Vida no Plano Metafísico, num plano tão maravilhoso, onde todos são jovens, saudáveis, felizes e ocupados com algo nobre, ao contrário de uma vida de prostituição, numa pessoa que faz do Sexo um leilão, se eu pudesse dizer a um rapaz que se prostitui: Vá arranjar um trabalho decente, rapaz! Aqui é como no final do filmão Contato, numa praia tão doce, tão deliciosa e tão acolhedora, no conforto uterino, quentinho, silencioso, com uma areia que parece ser feita de açúcar. A rocha aqui é tal firmeza, numa pessoa centrada em algo nobre, como um homem sério e ajuizado, trabalhador, sério, que dá à esposa sensação de estabilidade e segurança.
Acima, Leitura. Aqui é uma moça abastada, rica, privilegiada, com toda uma criadagem para fazer os árduos serviços do lar, tendo tudo, no termo “casa, comida e roupa lavada”. Ela sabe ler, algo que, na época, não era muito comum, no fato de que a alfabetização tem que ser um direito de todos, sem enxergar classe social, no termo sábio de que um país é feito com homens e livros, no modo como o Brasil carece de tal produção de Cultura Erudita, a qual nasce nos bancos escolares, em problemas brasileiros como a evasão escolar, como um rapaz que foi aluno de minha mãe no Ensino Fundamental, um rapaz que largou os estudos, como histórias tristes de vida que conheço, em pessoas que largaram a faculdade, subestimando a importância de se formar no curso, como numa transa sem orgasmo, num ciclo que não se fechou, nas palavras de uma pessoa que conheço, a qual cometeu o erro de abandonar a faculdade: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. A cena aqui é bem plácida e silenciosa, e podemos ouvir o canto dos pássaros, numa área rural, de fazenda, talvez nos majestosos cafezais paulistas, alimentando uma Europa sedenta pelo exótico café brasileiro, no glamour dos cafés parisienses. Aqui é como na telenovela Sinhá Moça, numa menina rica e privilegiada, numa novela que ostentava suntuosos vestidos para a personagem de Lucélia Santos, uma atriz a qual, infelizmente, sumiu de vez, parando de lutar, parando de encarar a lida e a vida, pois, quem para de lutar, desaparece, como no ótimo programa culinário de Carolina Ferraz no canal a cabo GNT, uma chef que simplesmente parou de trabalhar, o que é uma lástima. Aqui remete ao conto de Rapunzel, nas longas tranças da menina encastelada, no jogo de sedução entre fechadura e chave, na função do mocinho herói, que era libertar a donzela virginal, numa posição passiva da moça, nos sonhos de casamento de uma mulher, querendo para si um príncipe, como num casamento fracassado que conheci, numa mulher que, de início, pensou que casara com um príncipe, um homem que faria dela uma rainha, mas o dia a dia começou a se desenrolar, até ela perceber que se casara com um grossão pouco sensível, um homem incapaz de lavar seu próprio prato após o jantar, com esta mulher pegando o prato para lavar e pensando consigo mesma: “Esse cara é incapaz de lavar um prato; esse cara acha que sou a empregada dele!”. A paisagem aqui é maravilhosa, bucólica, numa singela igrejinha ao fundo, como num pequeno vale na estrada entre os municípios de Nova Petrópolis e Gramado, numa igrejinha singela em meio a residências – apesar de eu saber que tal cena é uma mera cópia do Plano Superior, não deixa de ser uma cena bela e cativante. Ao lado vemos uma cadeira vaga, que é o modo como tal moça nada faz de seus dias na Terra, o que não é bom, pois uma pessoa rica e improdutiva vive em qualquer mundo, menos no mundo real, e a felicidade e a dignidade só existem para os que trabalham e têm os pés no chão. Aqui é uma época em que as vestes eram recatadíssimas, mesmo em dias de calor como nos verões brasileiros. Os cabelos longos são tal recato, como em mulheres de uma certa religião, jamais cortando as pontas de seus longos cabelos, usando saias longas, que mal revelam os pés, no modo patriarcal de tolher a mulher, reprimindo a sexualidade feminina, como nos filmes pornôs, os quais apenas ao homem é permitido ter orgasmo, como no brutal modo de uma certo povo, que é castrar literalmente a genitália feminina – é um horror. Aqui é uma desinteressante vida de dondoca, ao contrário de um certa senhora, a qual provou que eu estava errado em relação a ela, pois eu a achava uma mera dondoca improdutiva, uma senhora qual, nas últimas eleições municipais em Porto Alegre, conquistou um cobiçado assento na Câmara de Vereadores da capital gaúcha, ou seja, ela provou que eu estava equivocado, bem equivocado, e aprendi que são exatamente os subestimados que acabam nos surpreendendo. Aqui, a mulher é reduzida a um mero útero reprodutor com a obrigação de parir filhos homens.
Acima, Moça com livro. Aqui é o pensamento que vence o material, o físico, na noção espírita de que pensamento é tudo, pois a riqueza do legado de Jesus reside nos pensamentos que Ele propagou, fazendo do Reino dos Céus um lugar de puro pensamento, um lugar que não podemos avistar daqui, da Terra, do Plano Material, na noção taoista do nada, do intangível, na metáfora de informática do hardware, que é o equipamento físico, e o software, que é intangível, no poder do vazio, do nada, e o Plano Superior é assim, feito de nada, num lugar onde temos plena saúde e vitalidade, da vitória do Desencarne sobre as vicissitudes da Matéria. O livro é a liberdade de pensamento, liberdade tolhida por cruéis déspotas como na Rússia e na Coreia do Norte, países infelizes em que o cidadão é mantido sob controle, num governo que aterroriza o pacato cidadão, o qual não tem escolha, no modo como Putin puniu severamente as meninas da banda Pussy Riot, as quais ousaram protestar num país em que não pode haver contestação, assim como na Ditadura Militar Brasileira. A moça olha para o céu, contemplativa, sonhadora, como uma pessoa que conheço, a qual esperou demais, sonhou demais, sem propriamente tomar ação para realizar tais sonhos, nos conselhos sábios de uma senhora para mim: Espere, mas não espere demais! A grama verde é a fertilidade criativa, num artista prolífico, numa obra vasta, numa produtividade, em artistas disciplinados, reinventivos, que sabem que precisam se recolocar, mas num artista que constrói tal identidade, tal marca registrada, como no célebre Andy Warhol, desenvolvendo uma identidade inconfundível, num artista feliz, reconhecido ainda em vida, recebendo inúmeras encomendas, no caminho da produtividade, numa pessoa sábia que sabe que não pode faltar trabalho, como numa Gisele, a qual, apesar de ter alcançado píncaros de fama, dinheiro e respeito, tem a humildade para dizer: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”. A moça aqui é jovem, na juventude eterna do Plano Superior, como uma senhora que conheci, a qual foi rainha da Festa da Uva de 1958, uma pessoa que desencarnou e, hoje, vive lá em cima linda como no dia de sua coroação, na vitória da beleza sobre a vulgaridade, como pessoas indelicadas e mal educadas, as quais estão desperdiçando uma encarnação com grosserias, pois, não canso de dizer, grosso é fraco; fino é forte. Aqui é um momento de retiro, de saudável solidão temporária, como numa pessoa discreta, que vive quieta vivendo seus dias com produtividade, na metáfora do Super Homem, com o pacato jornalista Clark Kent, humilde, discreto, quieto no seu canto, como um sábio preto velho, um Clark que se transforma num super herói: seja humilde e serás um Super Homem! A cena aqui é plácida e silenciosa, quieta, e podemos ouvir os pássaros neste jardim, talvez numa doce tarde de verão, em memórias doces de férias com os amigos na piscina ou na praia, no fato de que os amigos são o ouro da Vida, havendo no Plano Superior tal comunidade de amigos, de pessoas boas e honestas, ao contrário da Terra, onde cruéis sociopatas circulam entre nós, como um certo senhor da Política, um sociopata de marca maior o qual, na sua habilidade de manipular as pessoas diabolicamente, consegue enganar meio Mundo, como num Hitler, o homem que quase nos levou ao fim do Mundo, nessa especialidade humana que é a crueldade, como em campos de concentração, em Caim matando Abel, com irmão derramando sangue de irmão, com guerras que nada mais fazem do que deixar rastros de fome e destruição, como eu disse ao meu querido avô Ibanez: “Guerra já tem demais no Mundo, vô!”. A moça aqui respira livre, numa camisa confortável e arejada, ao contrário das culturas de tratam a mulher como um cidadão de baixa categoria, no machismo da mulher adquirir o sobrenome do marido, vivendo para sempre na sombra de um homem, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas. A roupa branca é a paz, num momento de retiro e paz, nesta fragilidade da paz, num mundo tão aguerrido, cheio de desentendimentos, havendo em raras pessoas figuras nas quais as pessoas podem depositar suas esperanças.
Acima, Nhá Chica. Aqui são essas cenas humildes de que Almeida tanto gosta, longe de afetações burguesas, um artista que gosta do povo brasileiro, na identidade brasileira. A senhora aqui é a sabedoria da idade, numa pessoa sabe que não é bom ser jovem demais, pois, quando somos adolescentes, não temos lá muito juízo, sabedoria ou responsabilidade, como eu certa vez na praia, adolescente, estava andando numa bicicleta cujos freios não estavam funcionando direito, e, por causa disso, atropelei uma menininha na beira da praia, e hoje, estando eu na casa dos 40, jamais andaria numa bicicleta cujos freios não funcionam direito. O cachimbo é a sedução do tabagismo, remetendo a priscas eras em que comerciais de cigarro podiam ser exibidos na televisão, inclusive comerciais que linkavam o cigarro à ideia de juventude, saúde, vigor e sensualidade, algo proibidíssimo hoje em dia, com carteiras de cigarro com expressar advertências, em letras garrafais: Pare de fumar! É como na paciência de uma certa senhora não fumante que conheço, a qual está há mais de meio século casada com um marido fumante, e é aquela história: Nunca é o suficiente, e um novo cigarro tem que ser aceso, numa mulher que o ama, apesar dele não ser perfeito. A luz entra furtiva na cena, exibindo o velho corpo da senhora idosa, remetendo ao divertido filme A Morte lhe cai bem, numa mágica poção que conferia juventude eterna a quem a bebesse, nessa busca humana por juventude e beleza, com tudo girando em torno do Plano Superior, no qual somos jovens para sempre, no plano em que nos deparamos com o duro fato de que a vida continua e de que não pode faltar trabalho, havendo nos ociosos uma vida desinteressante, vazia, sem propósito, como num certo senhor de sangue azul, descendente de regentes de outrora, um senhor que viveu deitado eternamente em berço esplêndido, sem arregaçar as mangas e sem fazer qualquer trabalho, numa vida vazia, opaca, num desperdício, numa pessoa que se acha sexy demais para trabalhar, como uma perua que vi certa vez, a qual, ao fazer compras em lojas finas de um shopping, tinha sua empregada doméstica carregando as sacolas, numa dondoca que se acha sexy demais para carregar as sacolas de suas próprias compras, no modo como uma pessoa pode ser tão rica e, ao mesmo tempo, tão miserável, como uma senhora rica e ociosa que conheço, uma fofoqueira maliciosa, perdendo tempo ao cuidar da vida dos outros, uma senhoria rica e miserável. Aqui é uma pacata cena rural, no Brasil rural de Almeida, na zona retirada, longe das loucuras de urbes desenvolvidas, num lugar pacato onde é um bálsamo para os ouvidos os cantos de pássaros, na incrível biodiversidade da Terra, um lugar do qual temos que cuidar ecologicamente, pois a Humanidade não tem para onde ir, visto que o Cosmos, fora da Terra, é absolutamente hostil ao Ser Humano. Aqui é uma pacata vida de Maria, numa mulher que se acostumou a tomar conta da casa, numa vida árdua, cozinhando, limpando e costurando, em velhas mãos que foram úteis ao Mundo, no caminho da dignidade, numa pessoa honesta que luta pela Vida, nas palavras de uma certa médium espírita: “Deus quer nos ver lutando!”, ao contrário de pessoas que se colocaram em situação de Rua, evitando a Vida e fugindo da lida, numa pessoa que não se importa de dormir numa calçada fria, úmida e suja, tal o desejo de evitar a Vida, pois nos abrigos de assistência social tais mendigos são confrontados com a realidade: Você não pode ficar aqui vendo TV o dia inteiro; você tem que fazer sua carteira de identidade e procurar emprego; você tem que reerguer. Já, na situação de Rua, não existe alguém para “encher o saco” de tal mendigo, como um certo senhor, vagando sempre pelas ruas da cidade, absolutamente alienado da realidade da Vida, um senhor que dá fortes sinais de que jamais reerguer-se-á. Aqui é um momento de pausa, como num intervalo numa escola, no modo como deve haver pausa na Vida, ao contrário do obsessivo workaholic, uma pessoa que só trabalha e não vive, num certo masoquismo.
Acima, O batismo de Jesus. A água, é claro, é a purificação, como num filtro de café, ou como numa pessoa exigente no ambiente de trabalho, avaliando tudo, aprovando ou reprovando as coisas, os trabalhos, como numa limpeza de pele, retirando as impurezas da pele, como num serviço de limpeza de uma casa, fazendo da limpeza algo que nos aproxima do Plano Superior, onde tudo é limpo e impecável, sem um único foco de poeira, como uma paciente senhora de minha família, uma pessoa que varre diariamente seu apartamento, uma paciência a qual eu, particularmente, não tenho, limpando minha própria casa com menos frequência, no gostoso pecadinho da Preguiça: Quando você precisa tomar ação, faça só o que é necessário! Quase nu, Jesus aqui é tal pureza, num homem o qual, em vida, foi tão mal compreendido, acabando processado judicialmente, executado oficialmente como um bandido, um pária, um sociopata diabólico, renascendo depois da fé das pessoas, até chegar ao ponto do imperador romano se converter cristão, sepultando o passado politeísta pagão da Humanidade, na noção de que não existem deuses, mas nossos irmãos depurados de alto apuro moral, felizes de forma suprema. João Batista é tal papel importante, numa dignidade, numa função que gira em torno do Filho de Deus, concebido como todos fomos concebidos, espiritualmente, de forma limpa e imaculada, fazendo de cada um de nós tal criança especial, única, num Deus de amor pleno e eterno, dando-nos a dádiva imensurável da Vida Eterna, num poder grande demais para a rala compreensão humana, num Ser Humano cuja ciência ainda não compreende a sobrevivência da mente frente ao óbito carnal. O Espírito Santo é tal liberdade e tal promessa de libertação, numa mensagem de tal esperança, no dia de soltura que chegará, sendo só questão de tempo, num espírito encarnado que tem que fazer algo de nobre e produtivo de seus dias na Terra, como no filme espírita Nosso Lar, numa mulher que estava há anos morando no Plano Superior, mas uma mulher que nada fazia lá, com um espírito amigo lhe indagando: “Mas minha filha, não há um único trabalho em nossa colônia que desperte seu interesse?”, pois não são felizes os que são produtivos? O trabalho não é o caminho da dignidade? Batista ergue uma alta cruz, no símbolo da cruel execução de Jesus, na vitória da libertação do Desencarne, num Jesus que voltou ao Plano Superior, talvez um homem que sequer se lembra de seu próprio fim na cruel Terra, remetendo a um endoidecido senhor que tenta nos convencer de que é a reencarnação de Jesus. A água aqui lembra a recente tragédia hídrica gaúcha, num momento de compadecimento e solidariedade, nas palavras de Barbra: “Sempre precisaremos de catástrofes para nos lembrar de que somos pessoas que precisam de pessoas?”. É como uma nobre e respeitada senhora que conheço, uma pessoa que, ao apreciar meu trabalho, enche-me de orgulho e satisfação, pois é uma senhora exigente. A cabeça de Jesus é emoldurada por uma luz, como num belo sonho que tive recentemente, vendo minha avó desencarnada saindo pela porta de um prédio, com minha avó sendo emoldurada por uma luz tão bela e cristalina, na alegria dos que trabalham lá em cima, como nobres diplomatas sempre primando pela paz e pela harmonia, mesmo a tanta guerra e raiva no Mundo. A cena aqui é retirada, e não vemos mais pessoas além dos dois homens, numa relação de confiança e confidência, num Batista amigo tão íntimo de Jesus, o suficiente para virar santo, havendo nos santos nossos irmãos depurados em perfeição moral, irmãos que nos amam incondicionalmente, fazendo do Amor a cola que mantém unida a Grande Família Metafísica, à qual cada um de nós pertence, sem exceções. Aqui é o ritual da água benta, num Ser Humano ritualístico, como na bênção de um padre, ou um passe espírita, numa pessoa que tem que se purificar ritualisticamente antes de entrar num templo, num caminho de humildade.
Referências bibliográficas:
Almeida Júnior. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 12 jun. 2024.
Almeida Júnior. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 jun. 2024.






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