Falo pela última vez sobre o pintor brasileiro Almeida Júnior. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, O derrubador brasileiro. Aqui é um prazer de torpor e satisfação, pois o rapaz parece estar de barriga cheia, no delicioso e retirado momento de digestão, na sabedoria popular: Barriga cheia, coração contente. O rapaz é bem pobre, sem calçado, com pés sujos pelo labor na roça, no modo como tênis de marca são objetos de desejo de consumo, objetos visados por ladrões, pessoas de raso apuro moral as quais não têm como estar de bem consigo mesmas e com o Mundo, num espírito miserável que vaga pelas terras desoladoras do Umbral, a dimensão dos que não amam, como na sociopata manipuladora do clássico A Malvada, na personagem da monstruosamente talentosa Bette Davis, detectando a sociopata, sem ilusões em relação a tal desapuro moral, num bandido que não respeita a Vida em Sociedade, havendo tal “filtro” na dimensão acima, na qual só entra quem tem a consciência limpa, num lugar onde sabemos que estamos entre amigos, num lugar onde ninguém quer enganar ninguém, como um certo senhor que certa vez me ludibriou, um senhor condenado a um inferno astral intermitente, fazendo do inferno astral algo horrível: Tenho tudo para estar bem, mas não estou. É como numa queda de braço, na qual é melhor perder do que ganhar: O perdedor se torna o homem maior; o vencedor entra em inferno astral. Aqui a ferramenta é tal símbolo de labor, como na bandeira da extinta URSS, na força do labor, no modo como hoje em dia o Comunismo é uma piada, remetendo a um certo senhor, o qual tem como ídolo um ditador, trazendo os extremos do leque, no modo como os opostos se assemelham: Não interessa se é fascismo ou comunismo, pois é tudo ditadura igual, no modo como um ditador tenta se assemelhar a um homem de Tao, o que é uma piada, pois quanto mais Tao tenho, menos quero controlar as pessoas, como na metáfora de Matrix, num indivíduo que é um escravo cego de um sistema controlador, assim como no Capitalismo: Tenho que trabalhar como um burro de carga para, assim, comprar um carão último tipo, na metáfora do Anel de Tolkein: Os homens querem, acima de tudo, poder, na noção espírita, na qual um ganhador de loteria, considerado feliz, vive uma vida miserável, como no filmão O Advogado do Diabo: “Eu pensei que ter tanto dinheiro seria bom, mas não é!”. Aqui é um momento de descanso, numa pessoa que respeita a si mesma, remetendo a uma pessoa que conheci, a qual não se dava ao respeito, levando uma vida degradante de workaholic, fodendo-se de tanto trabalhar, com o perdão do termo chulo. Nesta cena vemos um pequeno córrego, e podemos ouvir o delicioso ruído de água fluindo, que são os processos naturais da Vida, num processo que vai se desenrolando, na noção dialética de que tudo é processo, no caminho da Eternidade, da qual não é possível de se falar, na noção espírita de que Deus é o infinito, no mistério eterno, na ideia inconcebível de que jamais findaremos – é muito poder, meu irmão. O rapaz seminu é tal liberdade, num Brasil tropical, de tórridas temperaturas, como no passado da cidade do Rio de Janeiro, na qual baixou uma lei proibindo que qualquer homem na cidade andasse da Rua sem camisa, na tentativa brasileira de se assemelhar aos climas frios europeus, numa ironia: Os gaúchos, em seus gelados invernos, invejam o calorzinho agradável da Bahia; já, os nordestinos e nortistas vêm ao Sul do Brasil exatamente para passar frio! É o descontentamento humano, quando o caminho da felicidade é amar onde estou, nos versos de uma certa canção pop: “Os momentos felizes não estão escondidos nem no passado, nem no futuro!”. O rapaz é jovem e forte, saudável, numa força de trabalho, talvez servindo a um senhor ambicioso, como nas obras de faraós, obrigando a força de trabalho escravo a obras gigantescas, num Egito no qual não havia saída: Nasço escravo, morro escravo, na ilusão das classes sociais, pois no Plano Superior a hierarquia funciona na base do apuro moral, na eternidade da verdade e na finitude da mentira. A rocha aqui é tal vida dura, de labor intenso, no manifesto político da novela da Globo Sinhá Moça, nos anos 1980, em negros jogados numa senzala como se fossem cães num canil duro, sem qualquer conforto digno. O rapaz é ainda inexperiente na Vida, sequer com um fio de cabelo branco.
Acima, O descanso da modelo. Que quadro fabuloso! A modelo está totalmente à vontade, nua, tocando piano, numa relação de conforto junto ao artista, colocando-se nos braços de Almeida, numa relação de confiança, na inocência do nu, como na inocente nudez do Adão de Michelangelo, no Éden antes do advento da malícia da serpente, cobrindo os sexos com folhas, remetendo a uma amiga freira minha, que foi minha professora no Ensino Fundamental, uma senhora a qual, ao observar que os jovens alunos infantes estavam maliciosos em relação a Sexo, resolveu dar aulas de Educação Sexual exatamente para combater tal malícia, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo criou? Aqui é um lânguido momento da tarde, numa soneca, deixando para lá, momentaneamente, as loucuras do Mundo agitado, na recomendação taoista: Entenda a penetração do Yang, mas seja mais Yin, mais pacato dentro de si mesmo, como numa Meryl Streep, vivendo uma discreta vida de retiro e privacidade, conquistando o respeito do Mundo, colecionando prêmios mil. Numa espécie de autorretrato, o artista aqui está encantado e embevecido com a modelo, retirado, permitindo que a modelo seja a estrela do quadro, como no clipe Too Funky do astro George Michael, com este num discreto papel coadjuvante, filmando deslumbrantes modelos numa passarela de Moda, neste brilho sedutor do Mundo da Moda, em figuras chics e transgressoras como Chanel, libertando a mulher de uma certa forma, uma mulher que dizia que estar perfumado é um luxo, em um luxo que não é acessível para todos, como nos esforços da grife de perfumaria brasileira Jequiti, vendendo perfumes com preços para todo os bolsos, remetendo a um senhor que conheci, o qual usava perfume de mulher, algo desnecessário, pois posso ser perfumado e, ao mesmo tempo, homem, usando perfumes de homem. Neste quadro temos ironia de metalinguagem, com césar falando de césar, ou seja, com a arte do pincel de Almeida falando sobre da arte musical ao piano, como na ironia de uma atriz interpretando outra atriz, no modo como brilha Goldie Hawn no filmão O Clube das Desquitadas, numa atriz interpretando atriz, algo que definitivamente ajudou a Goldie ficar muito à vontade no papel, em atrizes que vão além, tornando-se deusas, pois Hollywood é bem assim: Uns se tornam célebres estrelões; outros, nem tanto, numa espécie de hierarquia no panteão hollywoodiano, com tantos e tantos sonhos que se despedaçam diariamente na Meca do Cinema, fazendo da Vida tal Rua dos Sonhos Despedaçados, no modo como é humana a frustração, como um senhor que conheci, o qual se desiludiu com a carreira de ator e abraçou a carreira de advogado. Almeida aqui sorri, embevecido, nos pequenos prazeres mundanos de fumar ou beber um drinque, remetendo a um show do grande cantor Edson Cordeiro, o qual cantou num show a canção que diz que fumar é um prazer, remetendo a eras passadas, nas quais quase todas as pessoas fumavam, numa época em que fumar era algo bem visto, como na era dos anúncios publicitários televisivos tabagistas, na época em que ainda se permitia que cigarro fosse linkado ao conceito de saúde, beleza, vigor e juventude, chegando aos dias de hoje, nos quais a carteira de cigarro é dotada de expressas advertências. O tapete no chão é o conforto, fazendo metáfora com o conforto da modelo no estúdio, na sensação de se estar em casa, num anfitrião agradável, que faz com que nos sintamos bem à vontade, numa sala fina, com finos cristais multicoloridos, na irresistível hierarquia espiritual, fazendo com que eu faça questão de acatar ordens de irmãos que estão acima de mim na hierarquia, fazendo do subestimado Amor a cola que nos une, num Deus que quer o melhor para nos; num Deus que nos deposita total atenção e zelo, pois ninguém é pequeno demais para desmerecer a atenção total Dele, no talento de patriarca ou matriarca em manter uma família unida. A decoração do ateliê é fina e bela, revelando um Almeida de tão bom gosto, de depuração.
Acima, O guitarrista. Aqui é o gosto de Almeida por cenas de simplicidade, da humildade do proletário, longe de afetações burguesas de luxo e ostentação. Aqui temos um duo, uma sociedade, uma banda, pois ele toca e ela canta, remetendo à minha banda preferida, que é o duo inglês Everything but the Girl, com o homem produzindo as faixas e a mulher cantando, no pop sofisticado, minimalista, sutil, talentoso. Aqui remete ao final de cada capítulo da novela da Globo No Rancho Fundo, quando dois rapazes tocam e cantam para delinear os rumos da trama, nos cenários sedutores de Jorge Amado, em cidades pequenas cheias de personagens pitorescos, num livro que gerou o filme de maior bilheteria da História do Cinema Nacional Brasileiro: Dona Flor e seus dois maridos, no modo como a mulher quer duas coisas no mesmo homem – dinheiro e romantismo. Podemos ouvir os acordes do instrumento musical, no modo como a Música Brasileira é tão, tão rica, algo ignorado por uma certa rádio brasileira, a qual só toca músicas internacionais, o que é uma pena. Aqui remete à mulata sedutora do romance O Cortiço, com a moça sambando nos acordes exóticos, seduzindo estrangeiros, como no designer digital alemão Hans Donner se apaixonou por uma bela mulata brasileira, fazendo do Brasil tal país mestiço, cheio de pardos e mulatos, ao contrário dos EUA, nos quais branco tem filho com branca e negro tem filho com negra, de um modo geral, num país em que qualquer pele um pouco morena já é tida como de pessoa negra. O cenário aqui é simples, com casas humildes, como nas favelas brasileiras, com casas de tijolos à vista, num povo sem o dinheiro para fazer reboco, em labirintos de morro, com vias que só são compreendidas por quem mora em tal favela, nos abismos sociais brasileiros, como na cidade do Rio, com os ricos morando na orla e os pobres morando no morro, na ironia de que, dos morros, o Rio tem uma vista deslumbrante, inacessível para quem mora em altitudes menores na cidade maravilhosa, nos versos do sucesso de Fernanda Abreu: “Rio quarenta graus, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos!”. Os tijolos de barro são tal sedimentação, em algo construído aos poucos, num trabalho persistente de formiguinha, como num artista formando uma carreira, passando por várias fases, no chulo porém divertido termo “puta velha”, que serve para delinear aquele que há muito está atuando no mercado, conhecendo todos e por todos sendo conhecido, com pessoas que estão há décadas sobrevivendo num mundo tão desafiador e competitivo, como me disse um sábio senhor psiquiatra: “Tens que ter agressividade, pois vives num mundo competitivo!”. Aqui parece ser um casal, longevo em décadas de matrimônio, no modo é necessário ter paciência para aguentar os defeitos do cônjuge, pois nenhum casamento é perfeito, como uma senhora não fumante que conheço, a qual está aturando, por mais de meio século, um marido fumante, no modo como o vício não tem jeito, pois nunca é o suficiente – sempre tem que ser aceso um novo cigarro. A mulher aqui tem recato ao domar os cabelos, talvez numa época em que não era permitido que a mulher viesse a público com os cabelos soltos, ao contrário de hoje em dia, quando a mulher pode sair de casa com o penteado que desejar, nos eternos bobs no cabelo da personagem Dona Florinda, sempre com os cabelos enrolados, num estilo de vida pacato, saindo assim do cabeleireiro e indo fazer compras numa mercearia, num estilo de vida pacato, no qual um líder sábio não deve interferir, respeitando o pacato cidadão de bem. A janela aberta é tal libertação, arejamento, numa cabeça arejada, sem preconceitos, remetendo a um digníssimo senhor que conheço, uma pessoa inteligente, que sempre tem algo de interessante para dizer, no modo como o sexy vem da cabeça, na decepção de se deparar com uma pessoa vazia e obtusa, reduzida a um mero pedaço de carne. Aqui é um momento de lazer, depois do labor diário sisudo.
Acima, O inoportuno. Aqui é o recato, o pudor, numa moça em vestes íntimas, para a época, é claro, em trajes que hoje em dia uma mulher poderia tranquilamente caminhar na Rua. É um preconceito conservador uma mulher posar nua, talvez em algo mal visto na época de Almeida, como disse Dercy Gonçalves: “Na minha época, ser atriz era a mesma coisa do que ser puta”, com o perdão do termo chulo da diva irreverente. Aqui é algo secreto, e ninguém sabe que a moça está posando nua, como na Rose de Titanic, uma menina burguesa, uma socialite fútil que queria se libertar de tais preconceitos e ser atriz, ser artista, contrariando as expectativas de uma mãe controladora, que queria que Rose se casasse com um rico insensível, em cujo coração pouco espaço havia para Amor, numa Rose que resolve mandar tudo à merda, com o perdão do termo chulo, e envolve-se com o impetuoso e sensível Jack, numa história de Amor que tanta comoção causou no Mundo inteiro, numa canção tema que se tornou o ápice do ápice da carreira de Céline Dion, a mulher à qual Deus deu uma voz de anjo, apesar de Céline às vezes derrapar em canções bregas – cada um com suas limitações. O artista aqui está de costas, oculto, talvez num recato de Almeida, numa pessoa que resolveu ser discreta, vivendo seus dias com sossego, numa vida pacata, produtiva, numa pessoa que encontrou paz em seus dias na Terra, fazendo algo de nobre, nas palavras de minha avó Nelly, que Deus a tenha, uma mulher que se aposentou do cargo de professora de Língua Portuguesa e, ao se aposentar, começou a escrever poesia, dizendo dos dias de fog de Caxias do Sul: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. É em casos tristes de pessoas que se aposentam e nada fazem no lugar, levando uma vida vaga, improdutiva, em dias que passam tão lentamente para os que não trabalham, nas sábias palavras do carismático Leo DiCaprio: “Realmente, não pode faltar trabalho!”, no sentido da pessoa mostrar algo ao Mundo, encontrando seu “fio terra”, seu canal com o Mundo, pois não há sentido numa vida improdutiva, como uma dondoca que conheço, improdutiva, fofoqueira, cuidando da vida dos outros, uma senhora que leva uma vida desinteressante – é tão sem graça uma pessoa que nada faz! É como num termo que inventei: Mais sem graça do que chafariz na chuva! Aqui há um momento de interrupção, como no filme Garota Interrompida, numa moça borderline que é internada numa clínica psiquiátrica, numa época em que não havia ainda medicações psiquiátricas, as quais, hoje em dia, abreviam muito o tempo de internação psiquiátrica, num filme que deu um Oscar a Angelina Jolie, que interpreta uma psicótica que há anos estava internada na clínica do filme. Aqui é como um momento de pausa, como num café no meio da tarde, num merecido intervalo, como num recreio numa escola, na sabedoria de que deve haver pausa, descanso, ao contrário de uma pessoa que não respeita a si mesma, abraçando uma vida árdua de masoquista, no modo como a autoestima é tão importante, pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo, fazendo do Amor algo tão subestimado e deixado de lado, em guerras ao redor do Mundo, como num sanguinário Putin bombardeando hospitais e matando inocentes civis, nesta eterna inclinação humana pela crueldade, em Caim matando Abel, havendo na Eternidade a vitória do perdão, pois a mágoa e o ressentimento não são perenes. A moça aqui está secreta, e ninguém sabe que ela está posando nua, remetendo a um caso muito engraçado, de uma moça que conheci, a qual levava vida dupla: De dia, era uma pacata estudante universitária; de noite, uma stripper numa casa de shows de Porto Alegre! A luz natural entra no estúdio, pois a luz natural é a melhor que existe, como em consultórios de dentista, com a cadeira que fica virada para a janela, auxiliando o trabalho do dentista. A moça é bela, formosa e jovem, uma Garota de Ipanema, com cintura delgada, uma forma física ambicionada pelas mulheres, no modo como cada época tem seus padrões de beleza, os quais podem agredir a autoestima da mulher.
Acima, Ponte Tabatinguera. A ponte é a comunicação com os seres humanos, na função da Arte que é unir mentes e nos fazer humanos – os macacos não pegam uma câmera e fazem filmes. A ponte é um relacionamento, uma amizade, no modo como, na idade adulta, as amizades se transformam em relacionamentos leves, desapegados, pois teremos a Eternidade inteira para falar com os amigos, então, não precisamos nos preocupar, no modo como em amizades não pode haver cobrança, pois se tem cobrança, não é amizade, como, por exemplo, vou a uma loja, escolho um par de tênis e vou ao caixa para pagar – o vendedor, apesar de simpático e cortês, não é amigo, pois aí há cobrança. A paisagem é simples, com casas rústicas, no acolhimento do rústico, o qual não tem frescuras ou pretensões, numa parede de tijolos à vista, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como numa Jackie O. chiquérrima, andando sozinha pelas ruas de Nova York, como qualquer cidadão, numa cidade meteorologicamente bipolar, com verões tórridos e invernos congelantes, na beleza da passagem das estações climáticas, na ironia de Tao, invertendo os fatores: Quando no Hemisfério Sul é quente, é frio do Hemisfério Norte, no modo como Tao coloca ironia e senso de humor em tudo o que faz, em palhaços fabulosos como Jim Carey, nessa particularidade humana do senso de humor, no modo como o célebre Mr. Bean ganhou o Mundo, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio, no poder terapêutico da risada, em fabulosas comédias teatrais, nas quais tudo o que precisamos fazer é sentar na poltrona e rir, como em peças avassaladoras como Buffet Gloria, com a deusa palhaça Ilana Kaplan, uma atriz a qual, infelizmente, não funciona muito bem na televisão – cada um com suas carências. A zona aqui é erma, e não vemos algum ser humano por perto, numa cidade pacata, como uma pessoa quieta dentro de casa, lendo um livro, retirada, vivendo seus dias silenciosamente, ao contrário de um certo sociopata., o qual me desrespeitou dentro de minha própria casa, fazendo do sociopata uma pessoa tão, mas tão inadequada, num louco que simplesmente se acha Deus, na inconsistência da mentira, em máscaras de pessoas que levam vida dupla, num lobo disfarçado de cordeiro, numa orientação simples: Não se relacione com um sociopata; não dê a este informações íntimas, como uma mulher que conheço, a qual teve uma comadre sociopata, num sociopata que começa e brincar com nossa cabeça, manipulando-nos. O rio aqui é o curso natural da Vida, numa encarnação que vai se desenrolando em seus processos de ensino, no modo como ninguém nasce perfeito e onisciente, havendo diante de nós toda uma bateria de aprendizado, fazendo da Vida tal escola maravilhosa, com duras lições de humildade que vão nos depurando e fazendo de nós pessoas melhores, pois o crescimento é o sentido da Vida. Vemos uma escada que leva ao rio, num acesso, numa viabilidade, como numa ponte de amizade, de relação, como nos inoxidáveis vínculos de família, os quais sobrevivem ao Desencarne, ao contrário dos animais, numa mãe leoa que, num certo momento, acaba abandonando os filhotes, os quais cresceram – as famílias humanas não morrem. O rio aqui é como um espelho, numa reflexão, numa pessoa num momento oportuno de reflexão existencial, no modo como cada um de nós precisa de momentos de retiro e solidão, como numa menina com Síndrome de Down que conheci, a qual se trancou num banheiro exatamente para ter tal momento de solidão. Aqui é como a Ponte da Amizade que liga o Rio Grande do Sul à Argentina, na universalidade do Ser Humano, em esforços diplomáticos pela Paz, fazendo da Paz algo tão subestimando, nos versos de uma canção pop: “Não há Amor sem Paz; não há Paz em Amor”. A ponte é um acordo e uma concórdia, num trato entre cavalheiros, ao contrário de um certo senhor, o qual me enganou, ou seja, faltou com o apuro moral, e é um inferno astral a vida de uma pessoa sem tal apuro.
Acima, Saudade. Aqui há um ocultamento, em algo secreto, que não deve “vazar”. Talvez num amor proibido, impossível, como em As Pontes de Madison, numa mulher que vê que é impossível um amor com um homem que não fosse o marido dela própria, no modo como uma proposta de casamento tem que ser sólida, pés no chão, cerebral, para, depois, chegar ao coração, fazendo do casamento um trato e uma sociedade: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho. A luz opaca entra melancolicamente na cena, numa mulher triste, melancólica, como numa depressão, na qual a pessoa simplesmente não vê sabor ou sentido na Vida, não vendo prazer em pequenos prazeres como tomar banho ou comer um delicioso doce, na doença que é o “fantasma do meio dia”, numa vida que se torna um velório intermitente, muito diferente de uma pessoa que está apenas triste, não necessariamente deprimida. A carta traz uma notícia triste, desoladora, como numa paixão não correspondida. A carta é o trunfo civilizatório da Escrita, no momento em que a Humanidade encontrou a Civilização, no termo popular de que a caneta é mais poderosa do que a espada, fazendo do diálogo civilizado tal força pacífica diplomática, em dois cordatos cavalheiros sentados conversando, no cavalheirismo no fio do bigode, resolvendo as questões de forma pacífica, num líder ponderado, em fenômenos como Obama, na vitória da Civilização sobre os horrores escravocratas no passado americano, remetendo a um certo país racista, no qual, ao haver a abolição da escravatura, reuniu todos os negros do país e os enviou à África, numa espécie de faxina racial, algo que vai contra a universalidade do Ser Humano, havendo uma ilusão nas diferenças culturais, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, em horrores como o Holocausto, na frivolidade mentirosa dos preconceitos, os quais são altamente inconsistentes, havendo nas raças uma ilusão, havendo entre nós uma eterna igualdade. A moça de preto é o luto, a discrição do luto, na questão da discrição, como um certo padre, o qual foi desligado da ordem católica por ter se comportado de forma indiscreta na igreja, na hora da missa, um senhor que causou transgressão jovial, mas pagando um preço alto por sua ousadia, recebendo advertências como: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”. O semblante da moça é triste, como no semblante de uma certa moça num programa de TV, sendo presa num aeroporto por portar drogas ilícitas na mala, nesse desespero em traficar drogas, em algo que o controverso Trump tinha razão ao dizer que a maior parte das drogas que entra nos EUA é pela fronteira com o México, no populista Trump propondo construir um gigantesco muro entre as duas nações, algo inútil: Quanto mais regras imponho, mais as pessoas desejarão driblar essas regras. O brinco na moça é singelo, discreto, numa moça fina, como uma moça depressiva que conheci, a qual era fina, discreta e inteligente, mas com um quadro de depressão incrível, numa moça a qual parecia não conseguir enxergar direito as pessoas, numa queda de autoestima, numa pessoa que não vê a beleza de si mesma, pois a pessoa internada numa clínica psiquiátrica está passando por um duro momento de fundo de poço existencial. O cabelo da moça ameaça desmoronar, assim como ela desmorona com as notícias da carta, remetendo à minha infância nos anos 1980, quando havia as cartas pelo correio para que as pessoas se comunicassem, algo que caiu por terra hoje em dia, com a conveniência de ferramentas como o Facebook, aposentando o outrora divino e-mail, numa loucura de avanços tecnológicos, podendo eu teclar em tempo real com uma pessoa que está em Tóquio! A moça está absolutamente absorvida pela leitura, alheia ao Mundo ao redor, como em momentos do filmão A Época da Inocência, em momentos em que a tela fica escurecida e o personagem fica iluminado, nesses mestres cineastas que arrebatam nossas mentes e corações, fazendo da Arte algo que nos toca como pessoas de bem.
Referências bibliográficas:
Almeida Júnior. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 12 jun. 2024.
Almeida Júnior. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 jun. 2024.






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