quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Não pise na Gram (Parte 2 de 3)

 

 

Falo pela segunda vez sobre a pintora americana Angela Gram. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Corpo. O cavalo é o ímpeto, numa pessoa com a coragem do tamanho do Mundo, destemida, como o césar de Roma no filme Cleópatra, avistando seu próprio filho pequeno e dizendo: “Olhe como ele é destemido!”, num filme que quase quebrou o estúdio, numa das muitas provas de que o sucesso é um amante infiel, vide o “prêmio” deboche da Framboesa de Ouro, contemplando um Tom Hanks, por exemplo, o qual já foi considerado, por duas vezes seguidas a nata da nata de Hollywood, a terra do sucesso e do fracasso. O cavalo, com suas crinas ao vento, é a liberdade, como um certo notório ditador querendo falsear eleições, condenado pela Comunidade Internacional, inclusive a União Europeia, no apego humano pelo poder, sempre o poder, no Anel maldito que corrompe homens, como no vilão destrutivo Esqueleto, absolutamente obcecado em obter poder sobre o Universo inteiro, em sistemas opressores, na metáfora de Matrix, na qual o indivíduo é um escravo e um prisioneiro de um sistema: Tenho que trabalhar como um “burro de carga” para produzir capital e adquirir cobiçados bens de consumo, como um carro, uma roupa, um celular etc., no modo como somos todos, de um jeito ou de outro, escravos do Capitalismo, na sociedade que endeusa o sucesso mundano, fazendo com que a pessoa mal sucedida se sinta um lixo. O cavalo azul é a cor dos sonhos, do Céu, como um senhor que conheci, o qual sonhou bem alto na carreira de modelo, visando se tornar simplesmente um deus, o chuá da sensualidade, visando ser capa da revista People com a manchete “O homem mais sexy do Mundo”, sonhando ainda migrar para a carreira de ator e ganhar um Oscar, um senhor cujos sonhos foram frustrados, visto que a Vida nos ensina duras lições de humildade, como Odin punindo o filho Thor, o qual embarcou numa de arrogância, achando-se imune a erros, na arrogância de se acreditar que os percalços são apenas para outrem. O corpo majestoso do cavalo é o sonho de frequentadores de academias, pessoas obcecadas em ter um corpo de deus, sofrendo dores ao puxar altas cargas de ferro, em pessoas que acham que apenas malhar garante o Mundo, quando que há muitos, muitos corpões por aí que jamais serão astros, se eu pudesse dizer: “Eu não estou dizendo que você não pode malhar e não ser musculosão; eu só estou pedindo que você faça algo além do que só malhar, meu irmão”. O cavalo é o porte, numa pessoa elegante, que sabe caminhar, ao contrário da grande estrela Julia Roberts, a qual definitivamente não tem muito porte para caminhar, algo que não a impede de ser uma das maiores de Hollywood, numa hierarquia no panteão de tal indústria: Uns são megaestelares e ocupam o primeiro escalão; outros, nem tanto, na triste história de Grace Kelly, a qual abandonou uma carreira brilhante para se tornar dona de casa, num desperdício como virar uma carésima garrafa da champanha Veuve Cliquot pelo ralo da pia da cozinha, como uma mulher que conheço, a qual abandonou tudo para ser mãe, esposa e dona de casa, uma posição que não diz à pessoa quem esta é, no caminho de identidade da pessoa, como um amigo meu, o qual se tornou padre para saber qual é o seu lugar no Mundo, numa pessoa que observa a necessidade de se centrar e colocar os pés no chão, abraçando uma vida produtiva. As crinas aqui, muito bem pintadas, remetem aos cabelos louros das obras supremas de Botticelli, na explosão estética renascentista, quando a Europa sepultou o Gótico para abraçar novos sopros de renovação, numa revelação, como na Vênus do mesmo artista, uma neo Iemanjá com olor de Mar, de peixe fresquinho, no prazer que encontro em comer um sushi feito com peixe fresquinho, no curioso modo como tal iguaria ganhou o Mundo, mesmo indo contra o costume ocidental em cozinhar o peixe. Na cena vemos linhas elegantes, como molduras de quadros, como ouvi dizer que as molduras do Louvre são um espetáculo à parte, numa metáfora: A moldura só funciona se o quadro for bom; quando uma pessoa for de má fé, esta pode usar qualquer perfume, pois continuará sendo o mesmo sociopata de sempre, ou seja, deve-se desconstruir e analisar o comportamento de outrem. Podemos ouvir aqui a cavalgada, na sensação de liberdade de se cavalgar ao ar livre, na sedução do frescor da vida campestre.

 


Acima, Édipo e a Esfinge. A esfinge é o exigente enigma, num mistério perene, que é a Vida Eterna, sobre a qual não é possível falar, na noção espírita de que Deus é o infinito. O amarelo vibrante é a cor do ouro, olímpica, na cor da vitória, como uma torcida brasileira tomada de amarelo, de ouro, em ídolos como Senna, na vitória dourada, num mito que tanto orgulho deu ao Brasil. Os seios são a feminilidade, com tantas mulheres fazendo enxertos de silicone, numa busca por autoestima, talvez na misoginia social de se atacar a autoestima da mulher, ao contrário de um recente comercial televisivo de sabonete, na mulher ao banho dizendo ter uma beleza que não se encaixa em padrões, no caminho da autoestima, derrotando o paradigma de beleza no qual só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia – é muita crueldade. As garras da esfinge são a tenacidade, a luta e a persistência, numa pessoa batalhadora e honesta, como na adorável personagem Betty, a feia, numa beleza mais sutil e discreta, numa pessoa rica por dentro, inteligente, interessante, revelando-se muito mais interessante do que mulheres de uma beleza mais óbvia, quiçá vulgar, em mulheres belas, vazias e obtusas, que nada falam de interessante, no modo como temos que saber ver além da Dimensão Material e olhar as pessoas por dentro. Édipo está tímido e oculto, coadjuvante, diminuto perante o espectro materno, num divertido filme de Allen, quando a mãe do personagem aparece no céu de Nova York, ditando regras, num Allen que teve uma mãe assim, controladora e castradora, num Allen dizendo em outro filme, sarcasticamente: “Jesus, obrigado, mãe! Esta é minha mãe!”. As asas são tal autonomia feminina, na coragem feminista de se observar além do medíocre e ir contra os poderosos ventos do patriarcado, em feministas lésbicas furiosas em tamanha misoginia, como no divertido personagem Sheldon no seriadão The Big Bang Theory, dizendo a uma cientista que esta deveria abandonar a Ciência para lavar roupa e cuidar de crianças, enfurecendo tal mulher. O rosto da esfinge é blasé, entediado, numa entediada Madona renascentista, no modo da pessoa em resistir aos auspiciosos apelos da Sociedade de Consumo, bloqueando-se, como um médium espírita, sábia, bloqueando energias negativas, numa doutrina que tanto ainda tem por vir, na noção régia de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, o qual nos criou de forma única e imaculada, no Útero Sacrossanto de Maria, que serve como metáfora para entendermos quem somos de fato, numa revelação ensolarada, na realeza estelar que nos une, no modo como tudo acaba girando em torno da mesma coisa, que é Amor Incondicional, até eu me tornar uma pessoa que ODEIA mentir e passar os outros para trás, como um certo senhor, o qual me enganou, e a Vida é um inferno astral para os que carecem de apuro moral, pois a pessoa de má fé não tem como estar de bem com a Vida. As florzinhas são a beleza da Vida, em flores campestres livres, gratuitas, nas flores invernais de azaleias anunciando a Primavera, na delicadeza de flores como a de cerejeira, numa Terra tão única em biodiversidade, muito rica, no desafio científico de se encontrar Vida fora da Terra. O arco ante Édipo é a curvatura, a humildade, numa pessoa que sabe que, se quiser dominar, tem que começar por baixo, no caminho da humildade, como em grandes homens que começaram humildemente, como engraxates, por exemplo, na máxima taoista: Curva-te e reinarás, no modo como pode ser insuportável uma pessoa arrogante e presunçosa, como uma certa pessoa que conheci, a qual se achava dona e senhora da Festa da Uva de Caxias, quando que a Festa, enquanto manifestação de Cultura Popular Brasileira, pertence ao povo de tal cidade, na universalidade humana de se celebrar a Vida. A esfinge é um mistério insolúvel, no costume egípcio de gerar deuses com corpos humanos e cabeças de animais, antecedendo a revolução cristã, a qual derrubou o Paganismo.

 


Acima, Encruzilhada. A tatuagem é como uma pessoa marcante, da qual jamais vamos nos esquecer, como num amigão de verdade, num relacionamento que a passagem do tempo não apaga, ao contrário do amigo fútil, o qual não faz muita falta em nossas vidas, em amizades “vaca de presépio”, por assim dizer. O mistério da esfinge é o modo como a Vida exige que sejamos autodidatas, tendo que aprender por si as lições, aprender a brilhar, no modo como foi tão feliz Lao, o idealizador do livro clássico taoista, no divertido modo como, apesar de ter sido escrito há milênios, permanece extremamente atual e contemporâneo em plena Era Digital no Século XXI, na universalidade atemporal do Ser Humano, na universalidade dos Esportes, com delegações do Mundo inteiro jogando em jogos olímpicos. Bem ao fundo no quadro, vislumbramos um gol e uma meta, num lampejo a partir do qual podemos ver bem longe, em terras longínquas, na promessa cristã do Reino dos Céus, no modo como a Terra tenta imitar ao máximo a perfeita plenitude metafísica das terras superiores, havendo muitas provas disso, como na recente tragédia das enchentes gaúchas, em cidades que, ao quererem se parecer com as cidades metafísicas perfeitas, contratam garis para a limpeza das calçadas, no trabalho de limpeza que busca se parecer com as cidades espirituais, as qual são impecavelmente limpas, perfeitas, num lugar de tal paz inabalável, longe das guerras e dos desentendimentos terrenos, a dimensão cruel cujas arestas nem Deus Jesus Supremo soube curar, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, mas pode mudar o modo do indivíduo em ver tal Mundo, na formação de nossas elites, que pensam acima de mediocridades e preconceitos. Aqui é esta paixão de Angela por Arquitetura, em estruturas, como na paixão de MC Escher por tais formas que saíram da cabeça de um bom arquiteto, no modo como é altamente depurada a arquitetura das cidades metafísicas, um lugar onde não há ambições humanas por poder, pois a real hierarquia entre irmãos reside no apuro moral – os mais amorosos regem os menos. A mulher aqui está alheia, quase oculta, numa pessoa discreta, que não quer aparecer, não querendo perder as prerrogativas do cidadão comum de ir e vir tranquilamente, remetendo a uma ultracelebrizada Gisele, tendo que se disfarçar para caminhar em paz por um parque numa cidade do Brasil, ou como certa vez vi o assédio sobre Luis Fernando Verissimo num shopping em Porto Alegre, um senhor o qual, apesar de ser famoso, é discretíssimo, não se identificando com o brilho superficial das celebridades auspiciosas, no modo como a Vida é boa quando é simples. O penteado aqui é o garbo civilizatório, impondo ordem a cabelos caóticos, numa busca estética que nos faz humanos – os macacos não se banham nem penteiam seus próprios pelos. A tatuagem aqui é como uma carreira, numa pessoa que se depurou por ter passado por muitas encarnações, na crença espírita de que uma encarnação na Terra é um item curricular espiritual muito valorizado, como uma renomada instituição de Ensino qualquer, em vestibulares tão concorridos, nas inevitáveis competitividades da Vida em Sociedade, com tal competição já ocorrendo no Ensino Fundamental, na concorrência para ver qual é o aluno mais aplicado, na hierarquia girando em torno das notas em provas, em alunos aplicados que tanto orgulho dão a um professor, como numa breve experiência minha como professor de Inglês, dando a mim um sentimento de realização ao ver um aluno aplicado. A esfinge á tal cânone ocidental, no modo como a cultura do Egito Antigo foi herdada e aprimorada pelos gregos, até chegar à Roma Antiga, no romano fazendo o culto a Ísis, nesses arquétipos femininos, no modo como os altares de deusas pagãs foram tranquilamente substituídos pelas imagens de Nossa Senhora, na tentativa de vermos a Mãe que nos gerou e por nós roga, no caminho do Amor, o qual acaba salvando tudo. Aqui temos um arejamento, numa artista feliz, produzindo, expressando-se ao Mundo, pois a Vida e o Mundo pertencem àqueles que mostram seus respectivos talentos.

 


Acima, Espiral. As aves formam tal formato de espiral, no ciclo das estações do ano, na pessoa observando as coisas indo e vindo, na Natureza sempre se renovando, no milagre do renascimento da Vida na Primavera, no frescor da Primavera de Botticelli, na busca humana que projeta coisas nos jovens, no modo como já ouvi dizer: A juventude feliz é uma invenção de velhos, visto que cada etapa da vida do indivíduo está repleta de percalços, no modo como não é bom ser jovem demais, pois o adolescente não tem juízo, responsabilidade ou sabedoria, nessa coisa gloriosa que é a chegada da maturidade na vida da pessoa, como uma pessoa que conheci, que dizia querer relacionamento amoroso com pessoas que tivessem o mínimo de maturidade, e eu concordo, como num filme de Allen, quando um homem já de terceira idade se relaciona com uma moça com idade para ser neta dele, uma moça que se revela, então imatura, com o homem dizendo a ela: “Sua criança!”. Esta cena é como um detalhe rápido e sutil no filmão O Advogado do Diabo, com lobos ferozes agredindo uns aos outros, fazendo metáfora com a acirrada competitividade do ramo de Direito, como no célebre touro de Wall Street, com seus culhões que representam a coragem e a agressividade, num mundo de homens, num mundo sempre misógino e patriarcal, como no Antigo Egito, no qual o máximo que uma mulher podia almejar era ser a líder do numeroso harém do faraó, em momentos raros de transgressão como Hatshepsut, a qual, na morte do marido faraó, impôs-se na corte e disse então que era o novo faraó do Egito, inclusive usando um cavanhaque postiço em aparições públicas, havendo no cavanhaque tal símbolo dos reis de tal era célebre, ou como a famosa Nefertiti, a qual fez um governo transitório entre a morte do marido e a chegada do enteado Tut à maioridade, nessa coisa inesgotável que é o Antigo Egito, no ponto decisivo civilizatório, com a chegada da Escrita, ao contrário de tribos neolíticas, nas quais as tradições são todas transmitidas oralmente de geração para geração, como nas tribos amazônicas, na universalidade do Ser Humano, deixando aos homens coisas mais agressivas, como lutas, algo negado às mulheres, cuja função é cuidas das crianças, em aspectos que a passagem do Tempo não apaga. Neste quadro temos essas lindas paisagens de Gram, em paisagens arejadas, livres, límpidas, como nas paisagens renascentistas, numa janela mágica para a dimensão acima, no famoso espírito Patrícia, recém desencarnada, abrindo uma janela e deparando-se com violetas, na magia das flores, essas grandes invenções de Tao, na beleza da Vida, em atos românticos como presentear o ente querido com flores, na metáfora das roseiras – flores e espinhos fazem parte do trabalho todo, ou seja, fácil e difícil são faces do mesmo trabalho. Ao fundo, no curso de um rio, vemos um barco fluindo, nos processos naturais da Vida, nos versos alienados da canção, buscando fugir da censura: “Um barquinho a deslizar no profundo azul do Mar”. As aves policromáticas são tal alegria, num cristal multicolorido nos encantando com tal beleza cristalina, na hierarquia espiritual: Os mais finos e amorosos estão acima dos mais grossos e odiosos, na importância do apuro moral, algo inexistente no sociopata, o qual só quer obter vantagens, numa mente brilhante a serviço de um coração podre – de que adianta ser inteligente e ser Hitler? Aqui é o curso cíclico das galáxias, girando em torno de um centro denso, de forte gravidade, nas forças gravitacionais que regem o Cosmos, nesse tamanho absurdo que é tal Universo, na lentidão incrível da velocidade da luz, apesar desta parecer ser rapidíssima, dando sete voltas ao redor da Terra em apenas um segundo. Aqui temos um pouquinho de Escher, com seus jogos geométricos, em seu talento tão esmagador, citado no filme cult Labirinto, com o deus David Bowie, numa sala sem centro gravitacional, sem norte, numa pessoa perdida e solitária num submundo, buscando encontrar amor verdadeiro, uma Lua de cristal, num mundo traiçoeiro, cheio de pistas falsas.

 


Acima, Evoluir. Aqui não há briga ou desavença, mas intimidade e harmonia, numa harmonia dentro de um clã, como a famosa família Barreto, do Cinema Brasileiro, uma família que sempre tanto lutou pelo Brasil, exportando ao Mundo a imagem brasileira, em grandes homens como Fabio Barreto, amando seu país, tendo orgulho deste, na construção de heróis nacionais, como Pelé, um homem que sempre se manteve humilde, nunca deixando subir à cabeça os píncaros de glória que alcançou na carreira, no homem de Tao: Visto, amado e respeitado. Nesta cena de intimidade é como em um dos filmes da franquia Alien, com a personagem de Sigourney Weaver, com um pouco de sangue alienígena, jogando-se em meios aos alienígenas, na sensação de lar e de invólucro, no modo como a criança, no fundo, gosta de receber ordens e regras, pois estas dão à criança tal sensação de segurança e pertencimento, como uma prima psicóloga que tenho, a qual me disse impor regras rígidas aos próprios filhos, pois uma vida sem regras não tem sentido, como uma pessoa aventureira, que nunca se centrou na Vida, no modo como esta exige que tenhamos tal siso e responsabilidade, nesta face séria da Vida. Os felinos aqui são tal combinação entre Yin e Yang, como na Mulhergato: a suavidade agradável do pelo macio com a agressividade ferrenha das garras, numa Michelle Pfeiffer que se agarrou com unhas e dentes a tal papel, tornando-se a única coisa realmente boa e memorável do filme Batman - O retorno, num diretor Tim Burton que não conseguiu repetir o sucesso do primeiro Batman, de 1989, neste amante tão infiel que é o sucesso, nas gangorras da Vida, como num Charlie Sheen, o qual era o ator mais bem pago da TV americana e, de um momento para o outro, botou tudo a perder. As cordilheiras ao fundo ardem num crepúsculo ou uma aurora com cores marcantes, como no por do Sol rubro cor de sangue da Santa Ceia, antevendo a execução cruel de Jesus, o homem que, a princípio, tinha tudo para ser esquecido, tornando-se o maior homem da História, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, no ditado latino de que a Verdade é filha do Tempo, como em filmes que, a princípio, fracassaram, mas, depois, foram adquirindo verniz cult, como Blade Runner, impossível de se imaginar um remake, tal a originalidade, nessa espécie de “vingança”, como Julia Roberts em Uma Linda Mulher, punindo as atendentes de loja que anteriormente a esnobaram – quem não vai se apaixonar por Julia? A língua lambendo é o zelo e o carinho, na mãe com intimidade com a prole, na diferença entre o Homem e os demais mamíferos: Nos animais, os vínculos de prole se dissolvem com a chegada do filhote à maioridade; já, no Ser Humano, os vínculos de família persistem para sempre, na noção espírita de que os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne, com nossos avós amorosos nos abençoando lá de cima, esperando-nos após o Desencarne, no glorioso reencontro com tais entes queridos, na glória metafísica, na qual nada se perde, nem mesmo o humilde trabalho de gari varrendo ruas arduamente. Um dos felinos aqui está alheio, de costas, como se não quisesse midiatização, a qual pode ser complicada, numa celebridade que simplesmente não pode caminhar em paz na Rua, como uma Xuxa Meneghel, impedida de passear num calçadão carioca, sentar e comer um açaí com granola, no lado ruim da fama, a qual pode ser uma prisão, no preço pela fama ultramidiatizada. Os picos ao fundo são tais coisas cortantes, no termo “dar murro em ponta de faca” – se eu me manter distante, não me cortarei, nessas pessoas que “cutucam o tigre com a vara curta”, expondo-se a tal perigo, como nos sociopatas, com os quais não devemos nos aproximar nem relacionar, num resguardo sábio, deixando a ponta de faca quietinha no canto dela. Aqui é um momento dúbio do dia, na sensualidade da luz do luar, a qual tanto revela quanto oculta, em sedutoras noites tropicais de lua de mel, num calor que pode murchar com o tédio do dia a dia num casamento.

 


Acima, Ícone. Aqui é esta paixão de menininhas – os unicórnios, cujo falo cortante é o Yang misturado com a beleza, que é Yin, num quarto de menininha, com bonecas e bichos de pelúcia, numa fase da Vida em que as meninas odeiam o mundo dos meninos, chegando à adolescência, a fase da Vida em que os meninos começam a se interessar pelas meninas e viceversa, a salvo casos de homossexualidade, é claro. Os cabelos estão ao vento, numa mulher vaidosa, passando horas num salão de beleza, num ambiente tão feminino, glamourizado, algo que não faz uma lésbica se sentir muito à vontade, como vi certa vez uma moça homossexual numa barbearia para homens, no caminho de identidade e identificação da pessoa, na máxima social de que devemos respeitar o jeito de cada pessoa, na arrogância que pode acometer um homofóbico, no fato de que a arrogância precede a queda. O bicho místico aqui tem um olhar doce, sem agressividade, no modo como a Barbie é um brinquedo sem agressividade, ao contrário do ícone feminista que é a Mulher Maravilha, a mulher que trabalha e constitui carreira, numa mulher independente, batalhadora, que não fica esperando em vão por um príncipe encantado que jamais vai aparecer, como numa Carrie no seriadão Sex and the City, lendo um conto de fadas para a afilhada criancinha, indagando esta: “Você não acredita nesses contos de fadas, acredita?”. O branco é a cor da paz, da saúde, no jaleco do médico ou do dentista, como em terreiros de Umbanda ou centros espíritas, na cor da limpeza, longe do negror do submundo, o lugar escuro no qual o espírito se arrasta sofrendo, no inferno de um subconjunto, no modo como nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, o qual é uma prisão para a mente, desligando a pessoa dessa coisa importantíssima que é o Senso Comum, o qual é esquecido em meio a subvalores, que fogem da realidade, no modo como pode ser difícil uma pessoa se desvencilhar de tal subesfera, no filme Alcatraz – Fuga Impossível, num fugitivo que é, infelizmente, exceção. Aqui é como no unicórnio alado da super heroína She-Ra, na liberdade dos voos do pensamento racional, na alegria das cores de tal ser majestoso de belo, fabuloso, podendo falar como um ser humano, numa heroína que também é um ícone feminista, pois, além de bela, glamorosa e formosa, She-Ra tem superforça e superpoderes, dando surras nos vilões, em ícones de emancipações feministas como Chanel, com a coragem de trazer novos conceitos e libertar as mulheres, na revolução do conceito das bijuterias – o que importa não é o valor financeiro do acessório, mas o efeito que este produz, como uma mulher com flores no cabelo, um penteado que, apesar de glamoroso, pouco centavos custou de fato, na diferença entre rico e chic. As flores ao fundo são tal candura feminina, no modo como o homem heterossexual precisa de tal mulher feminina em sua vida, como um senhor amigo meu, o qual sofreu um golpe muito contundente de sua própria esposa, a qual, ao pedir o divórcio, deixou tal homem “nu” de um momento para o outro, arrancando de tal homem o lar que este tinha, um homem que teve que “suar” para encontrar uma nova esposa, no modo como o casamento não é só amor, mas também conveniência. O ser aqui é inofensivo, no modo como há as revistas para menininhas com rapazes celebridades, rapazes não ofensivos, ao contrário de um ícone de agressão como Eminem, o homem agressivo, seríssimo, o qual nunca, nunca aparece sorrindo em público, talvez tendo as forças para sobreviver no meio do RAP, o qual pode ser machista e homofóbico, num homem construindo ao redor de dia uma espécie de defesa, numa pessoa se embrutecendo para sobreviver. O corno pontiagudo aqui é um aviso – mantenha distância! É na questão do respeito, numa pessoa que tanto quer ser levada a sério, neste grande desafio que é ganhar o respeito do Mundo, em pessoas respeitadas como a cantora Alcione, a qual sabe que um artista, com sua música, está entrando nas casas das pessoas, como no apresentador Celso Portioli, o apresentador da família brasileira.

 

Referências bibliográficas:

 

Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Não pise na Gram (Parte 1 de 3)

 

 

Falo pela primeira vez sobre a pintora Angela Gram, americana de 1985. Com paixão por animais, Angela integra diversas coleções particulares, já tendo pintado mural no museu novairoquino de História Natural. Mora em New Jersey. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Mente. O cavalo é a majestade, a elegância, a potência e o ímpeto, como um possante carro esporte, em objetos de consumo, num indivíduo que é escravo de tal sistema, um refém dos apelos da Sociedade de Consumo, na metáfora de Matrix, no indivíduo reduzido a uma bateria alcalina a serviço de um sistema, em piadas como chamar a Coreia do Norte de democracia. As crinas ao vento são a liberdade, na deliciosa sensação de liberdade à beiramar, no redentor olor de mar, do mar primordial que trouxe Vida à Terra, como na beiramar de Capão da Canoa, com a santa Iemanjá abençoando as redes pesqueiras, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, num reino farto e rico, em nações apolíneas como o Canadá, com produtos de qualidade, como o excelente Mercado Público de São Paulo, com produtos de alta qualidade, no mais delicioso morango que comi em minha vida. O azul é a cor do céu e dos sonhos, como uma menininha sonhando em ser rainha da Festa da Uva, na “carnificina” que são os concursos de beleza, com tantas moças saindo frustradas, em destruição de esperanças e expectativas, como Hollywood, a terra do sucesso e a terra do fracasso, com tantos e tantos sonhos despedaçados diariamente na capital do Cinema. O vermelho aqui traz um tempero quente, como num prato apimentado, como na Cozinha Baiana, no fascínio que as especiarias causaram na Europa na Era das Navegações, em artigos de alto luxo, dignos de rei, num plebeu que não sabia como era o sedutor sabor de canela, no modo como pode ser entretenimento um programa televisivo de Culinária, com chefs de qualidade mundial fazendo comidas excelentes, nas palavras de um certo tutor chef a um grupo de aprendizes: “Vocês não são cozinheiros de restaurante de rodoviárias; vocês são chefs de qualidade mundial!”, no modo como comida boa é comida simples bem feita, como um feijão bem feito, no modo como a Vida é boa quando é simples. Neste quadro vemos um respiro a um céu bem azul, limpo, cristalino, na promessa do Reino dos Céus, na questão da fé, pois não há frias garantias científicas de tal plano superior, exigindo fé do indivíduo, como entrar num centro espírita, crendo no banho de luz que é o passe espírita, num lugar onde podemos ouvir palavras de auxílio de um médium, no fenômeno de gigantesca popularidade que foi Chico Xavier, o qual me abençoa no mesmo momento em que redijo este texto, na imortalidade do Amor, pois os ressentimentos têm prazo de validade, e o perdão é o caminho natural da Eternidade, na noção taoista de que as coisas se resolvem por si mesmas. O quadro aqui tem liberdade, como num sistema democrático, havendo nas ditaduras tal prisão: Você tem que tratar com respeito quem está abaixo de você na hierarquia, pois respeito é para quem tem, na noção do Senso Comum de que temos que abraçar as consequências de nossos próprios atos. A corda no cavalo é a disciplina, numa energia canalizada, na pessoa encontrando uma atividade que canalize tal energia, na vida miserável que é uma pessoa descanalizada, sem norte na Vida, no hálito pestilento do submundo, no qual estou só e perdido, na necessidade da pessoa em se centrar em algo produtivo e positivo, pois até Deus trabalha, num Tao que está sempre criando, dando-nos o exemplo da produtividade, na questão bíblica do descanso no sétimo dia: Se até Ele descansou, eu, filho dele, também tenho que descansar, no modo como o workaholic, que só trabalha e não vive, vive tal vida miserável, sem ter a autoestima para se proporcionar um descanso digno e merecido, numa vida degradante, até a pessoa se dar conta de que o Mundo não me abonará por eu ser obcecado com trabalho, como um senhor que conheci, um workaholic que acabou se fodendo, com o perdão do termo chulo, tendo que fechar as portas da empresa que ele mesmo abriu, ou seja, insucesso prostrante. O cavalo nos olha, num olhar comedido e disciplinado, na noção da pessoa ter a necessidade de sentar e produzir algo de bom, ou seja, mostrar algo de nobre ao Mundo.

 


Acima, Obscura. O lobo é a esperteza, num estilo entalhado pelas durezas evolutivas da luta pela Vida, no modo como a Evolução entalhou a mulher do instinto materno de proteção, como certa vez uma fêmea quero quero quase me arrancou um olho quando me aproximei de seu ninho – os mais fortes sobrevivem, passando para frente sua genética de esperteza. A mata aqui é tropical e exuberante, longe do clima temperado dos EUA, terra da artista aqui comentada. É como na deliciosa cidade de Salvador com a amplitude térmica diária sempre entre vinte e poucos e vinte e tantos graus centígrados, num calor gostoso, longe dos calores esmagadores da cidade de Cuiabá, por exemplo, na ironia de que turistas do Norte e do Nordeste Vêm ao Sul do Brasil exatamente para passar frio, na eterna condição humana: Quem está na cidade que ir ao campo e viceversa. Aqui temos uma explosão de cores, numa explosão cromática de um prisma, no fascínio de objetos luxuosos e coruscantes, em salões elegantes, na beleza inabalável metafísica, em clubes tão chics e majestosos, no plano em que sabemos que grosso é fraco e que fino é forte, ao contrário das palavras de um certo sociopata que conheci, o qual dizia que o Mal é mais interessante do que o Bem, no modo como é simples e fácil de se detectar um sociopata, que é uma pessoa totalmente desprovida de Inteligência Emocional, não entendo Arte, a qual aborda tal inteligência no espectador, num sociopata insensível a histórias tão comoventes como Titanic, o qual é um grande manifesto contra a insensibilidade, na pequenez moral do sociopata,  qual quer puramente vantagens em relação a seus irmãos de caminhada, na miséria de um coração cruel o qual não ama nem mesmo os próprios netos – é um horror. Aqui, neste mato mágico, ouvimos o farfalhar das folhas, num fato triste que ocorreu em um certo apartamento, o qual, anteriormente, tinha uma lida vista para uma mata virgem, rica, exuberante, um mata que foi toda dizimada para a construção de um prédio, no modo como temos que, de certo modo, dar ouvidos aos ecologistas, pois o Ser Humano não tem para onde ir, visto que, fora da Terra, o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano, em esferas tão agressivamente inóspitas como Vênus, o qual só é belo de longe, no céu noturno, fazendo de Vênus um forno de quente, com uma pressão atmosférica esmagadora, na ânsia humana em explorar tal espaço, alimentando a Ufologia, na questão de curiosidade em Arquivo X, num homem ávido por civilizações extraterrenas, tolhido por uma fria e cética colega de trabalho, na relação universal entre Razão e Loucura, no jogo de sedução entre opostos, na noção dialética de que tudo traz em si sua própria contradição, na metáfora de que há dois lados para cada moeda. O canídeo aqui está completamente adaptado a tal terreno, tendo nascido e crescido ali, cheio de instintos, como um gato do mato, agressivo, longe de um gato doméstico, cercado de cuidados civilizatórios, numa pessoa que assim foi entalhada pela Vida, tendo toda uma força para mandar o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, pois não posso ser prisioneiro das expectativas de outrem, ao contrário de pessoas que deixam que o Mundo as diga como devem viver, o que não é bom. Os olhos do lobo são aguçados, afiados e precisos, como num foco científico, de escopo, no modo científico de foco, como um certo rigoroso professor de Fotografia, o qual dizia em alto e bom som aos alunos: “Foco!”. O lobo é a beleza natural, seduzindo biólogos, no amor pela Vida, fazendo das plantas e dos animais obras de Tao, numa Terra tão rica em Vida, em meio a um Cosmos tão aparentemente sem Vida, no modo como seriam igualmente assustadoras duas perspectivas: Haver Vida repleta no Cosmos ou só haver Vida na Terra. O lobo remete ao clássico Dança com Lobos, num Kevin Costner que não soube conduzir muito bem a carreira, não tendo sobrevivido ao Oscar que ganhou por tal filme, no modo como o sucesso é uma bênção e uma maldição, pois quando o sucesso vem, temos que nos desprender de tal momento delicioso para nos depararmos com uma folha em branco, nova.

 


Acima, Outra sala. A ave é a liberdade do pensamento racional, como na personagem Feiticeira do universo de He-Man, numa mulher que se transformava em águia para se comunicar telepaticamente, na sensibilidade de uma pessoa próxima a nós se comunicando telepaticamente, não precisando proferir uma só palavra, como na personagem Galadriel de Tolkien, comunicando-se desta forma, numa superioridade de sabedoria e sensibilidade, na plenitude psíquica inexistente no sociopata, o qual tem um apuro moral paupérrimo, na esperança de que a Eternidade é o tempo para qualquer evolução, na noção taoista de que a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, na noção espírita de que Deus é o Infinito, no poder imensurável de que jamais findaremos – é poder demais, meu irmão! A janela é a perspectiva, o momento de liberdade e soltura, como um presidiário mal podendo esperar pelo dia de soltura, num inferno que é um presídio, o qual é a prisão dentro da prisão, visto que estar encarnado já é uma prisão por si só, na imagem de esperança e liberdade do Espírito Santo, na capacidade de certas pessoas em se tornar figuras nas quais o povo pode depositar esperanças, e como são raras tais figuras, num Ser Humano simpatizando com forças ditatoriais, oprimindo e aterrorizando o pacato cidadão. A parede aqui é vibrante, como na sala de estar de uma certa pessoa, com uma parede toda em vibrante rubor, como uma feiticeira que vi certa vez num shopping, uma mulher bela, de vermelho, numa beleza como uma relva verde, jovem, linda, exuberante, uma feiticeira cuja pura energia me deixou extasiado, nessas raras pessoas que podem causar em nós uma deliciosa sensação de eletrização na coluna vertebral, numa energia boa, vibrante e irresistível, uma feiticeira da qual nunca me esquecerei. Ao fundo vemos uma paisagem americana, com pinheiros de perfume campestre, no olor de ar livre na madeira cortada pelo lenhador, num perfume de ar livre, como nos antigos filmes publicitários da marca de cigarro Marlboro, na liberdade ao ar livre, no modo como, hoje em dia, são proibidíssimas as campanhas publicitárias de cigarro, as quais, outrora, tinham a liberdade para linkar o cigarro à ideia de saúde, beleza, liberdade, interessância, bem estar e sensualidade – sinais dos tempos. A sala aqui é solitária, e a ave está sozinha, num breve momento de introspecção e recolhimento, nos versos de uma certa canção rock: “Todos precisamos de momentos a sós!”, como Deus no formidável filme Dogma: Solitário, mas engraçado! É o particular senso de humor humano, na capacidade do Homem em rir de si mesmo, em formidáveis palhaços como Mr. Bean, na capacidade humana de rir de tudo e todos, nas divertidas contradições entre Yin e Yang, no jogo sedutor entre Masculino e Feminino, pois os sexos são uma prova do bom humor de Tao, como já disse uma mãe famosa: “A gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres!”. Ao fundo, lá fora, vemos majestosas montanhas, como nos morros cariocas, como no Cristo Redentor, como na beleza dos recortes geológicos serranos gaúchos na estrada Rota do Sol, nesta terra tão linda como o Rio Grande do Sul, na altivez do gaúcho, cantando o Hino Gaúcho em aberturas de jogos estaduais de Futebol, no modo como há um local em Brasília que se diz: “A embaixada do Rio Grande em Brasília”. Nesta altiva ave, vemos pinceladas de dourado, como nos uniformes da Seleção Brasileira de Futebol, num país que, apesar de pobre, é ao mesmo tempo rico, com uma Cultura Popular tão vibrante, rica, num país continental, repleto de riquezas naturais, precisando de investimentos em infraestrutura. Aqui é o perfume de pinho ao ar livre, como no desinfetante Pinho Sol, trazendo frescor a uma privada suja e pestilenta, nos rituais humanos de limpeza e higiene, ao contrário do insalubre Egito Antigo, no qual a mortalidade infantil era alta e a expectativa de Vida era baixa, no caminho evolutivo do Ser Humano, ou seja, esperança.

 


Acima, Quintessência. O corno é o falo, na lança de São Jorge matando o dragão da loucura e da malícia, no modo como o pensamento racional abrevia etapas e facilita o pensamento. A lança aqui mata a serpente do Éden, o que causou a desgraça de Adão e Eva, com ambos sendo expulsos por um anjo com a espada do raciocínio. O jardim é florido, na explosão de cores primaveril, quando a Vida ressuscita e a Natureza retoma fôlego, num êxtase de acasalamento, em borboletas espalhando o pólen pelas plantas, fazendo do Sexo algo natural na Vida. O unicórnio é este fascínio que ele exerce sobre as menininhas, as quais, na sua inconsciente inocência, amam tal figura mítica, sem ter a clareza de que tal fascínio reside no falo, que é a força do Yang, na agressividade de pessoas guerreiras, batalhadoras, que não ficam “deitadas eternamente em berço esplêndido”, como um certo senhor herdeiro de uma coroa imperial, um senhor que nunca fez algo de produtivo da Vida, achando-se sexy demais para trabalhar, e a Vida sem trabalho é vazia e sem propósito, nas sábias palavras de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”. Em certas culturas, a serpente não é símbolo de maldade, mais de fertilidade e sensualidade, com seu corpo curvilíneo, na sensualidade água correndo, como uma modelo na passarela, requebrando os quadris, num ato de sensualidade feminina, como em clubes de striptease, com os homens na plateia se achando um lixo frente a tal bela mulher no palco, no modo como todos envolvidos na prostituição se sentem um lixo: A prostituta ou o prostituto se sentem um pedaço de carne, humilhados, reduzidos; já, quem os contrata também se sente um lixo em saber que tal pessoa está ali não porque amam, mas pelo dinheiro, sem eu aqui querer ser moralista, pois são pessoas que desperdiçam uma encarnação fazendo do Sexo um leilão – você não está construindo coisa alguma; você não está chegando a lugar algum. O cavalo remete ao cavalo mítico de Tolkien, o Scadufax, branco, nobre, o mais rápido de todos, disciplinado, domado, leal, no modo como os seres humanos amam animais, os quais podem ser fiéis companheiros, como uma pessoa solteirona que conheço, a qual tem dois cachorros em casa, no modo como uma vida pode, de algum modo, girar em torno de um bicho: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho. O cenário aqui é paradisíaco, idealizado, querendo se aproximar da perfeição dos lugares do Plano Metafísico, um lugar longe das vicissitudes da matéria, como vírus, bactéria e mosquitos, por exemplo, um lugar de plena saúde, metal e física, com nossos entes queridos desencarnados e abençoando-nos lá de cima, no modo como o Desencarne é só uma questão de tempo, pois ninguém está na Terra para sempre, fazendo desta um lar de passagem, um lar adotivo, por assim dizer, no modo como nós, em nossos dias de prisão, temos que encontrar algo de nobre e produtivo para fazer, na eternidade do trabalho, no modo como nunca podemos parar, tirando apenas folgas, pois não há sentido numa vida indolente e improdutiva. O falo aqui impõe respeito, numa pessoa digna e cordata, sabendo que o Mundo só pertence aos dignos de respeito, aos austeros, evitando a sedução dos sinais auspiciosos do Mundo, como tediosas alas vip de boates, havendo nestas um tédio enorme, pois a festa acontece no coração da pista de dança, numa pessoa que aproveitou muito seus dias de pós adolescência para ferver na boemia, vivendo intensamente tal fase, deixando tal fase para trás, abraçando a quietude de uma idade mais avançada, numa pessoa pacata, que vive seus dias com discrição e humildade, em pessoas pacatas e discretas como uma Meryl Streep, na recomendação taoista: Seja mais Yin dentro de si mesmo, deixando o Yang lá fora, no Mundo. Aqui é como no majestoso Aragorn de Tolkien, fincando fundo uma lança no inimigo, num trabalho de incisão, na metáfora sexual, com o pênis adentrando com tudo no corpo da mulher, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo criou? Aqui é a vitória do limpo sobre o sujo, do Bem contra o Mal, num remédio como nas drogas psiquiátricas, em avanços humanos científicos.

 


Acima, Rei Chita. Aqui é como uma guerra entre animalidade e tecnologia, como no início do clássico 2001, no contraste entre uma primitiva ferramenta óssea até a alta sofisticação de estações no espaço, na imposição do monólito, de clara intervenção alienígena, na crença ufológica de que nós estamos cercados de vida inteligente, inclusive mais inteligente do que o Homem, num Cosmos que, de tão vasto, é infinito, na máxima islâmica de que Alá é grande. A chita é a inimiga da Mulher Maravilha, na guerra entre razão e animalidade, num homem polido, diplomático, sempre buscando as coisas pelo caminho do diálogo e da concórdia, havendo na MM um ícone feminista, numa mulher independente, que trabalha, que não é perua ou dondoca, numa mulher blindada, de superforça, dando uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado, no caminho da emancipação, desafiando o patriarcado, como na canção de Madonna Papa don’t preach, ou seja, Papai não dê sermão, no preconceito patriarcal no qual a mulher é um cidadão de segunda categoria, tendo que ser representada e respaldada por um homem, seja o marido, o pai, o patrão, o presidente, o papa etc., no modo como, sinto em dizer, a própria mulher é machista, nas palavras desta mesma popstar em entrevista certa vez: “Muitas mulheres gostariam que eu me calasse e fosse embora!”. O mecanismo aqui são os avanços da robótica, no modo racional humano de imitar a Natureza, em máquinas que visam substituir algo, como em indústrias, nas quais os robôs infalíveis fazem seu trabalho, poupando o Ser Humano de tal labor, na tecnologia em serviço da Humanidade, no gostoso pecadinho capital da Preguiça: Para que me matar fazendo biscoitos à mão se posso fazê-los muito mais facilmente por meio de um robô? A luz aqui é sexy, cor de carne, cor de rosa, na cor do romantismo, ou na cor rubra de bordéis, com tudo cheirando a Sexo, no famoso reduto boêmio parisiense do Moulin Rouge, ou seja, o Moinho Vermelho, ou no glamour do tapete vermelho das celebridades, num Mundo obcecado por sucesso mundano, por fama, por dinheiro, no modo como a pessoa mal sucedida se sente um lixo, fazendo do sucesso algo tão complicado, pois, doce ou amarga, esta página terá que ser virada: O insucesso é ruim porque é depressor e prostrante, desanimador; já, o sucesso é também ruim, porque temos que saber superá-lo e tocar a vida para frente, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje pode estar comigo, mas amanhã não se sabe, no modo como um Oscar pode ser uma bênção e uma maldição, na noção taoista de que o sucesso é a aquisição de um problema, como numa queda de braço, pois quem perde se torna o homem maior, e quem ganha entra em inferno astral. A chita aqui tenta amordaçar e dizimar o robô, no instinto versus tecnologia, num homem cordato que tem a capacidade para sentar e conversar civilizadamente, em esternos esforços pela Paz, esta força tão subestimada pelo Ser Humano, que é um ser inclinado ao ódio, à raiva em relação a seu irmão de caminhada, em um Caim eternamente matando Abel, como na Guerra das Malvinas, com baixas em ambos os lados do tabuleiro, tudo em torno da vaidade de duas nações, com a Argentina reivindicando o território e a Inglaterra não abrindo mão, numa Thatcher agressiva, dura, inflexível, negando o caminho da diplomacia, num território que deveria ser o símbolo da amizade entre duas nações, na metáfora cromática de amarelos contra azuis, com o verde no meio, num canal de diálogo. A sombra do felino no fundo do quadro lembra a logomarca do famoso desenho dos Thundercats, em um clã de heróis felinos, sobrevivendo em um planeta estranho, cheio de forças malignas, na espada de Lion, o líder da trupe, com a lâmina crescendo, numa inevitável metáfora peniana. Os fios do robô são como veias e artérias, em energia viva fluindo, na seiva da planta, em vias e estradas alimentando uma urbe, em urbes frenéticas como São Paulo, com levas intermináveis de motoboys.

 


Acima, Visão noturna. Aqui remete ao tenebroso, porém maravilhoso filme O Silêncio dos Inocentes, quando no porão de um sociopata a agente Clarice está às escuras, enquanto o sociopata está com óculos de visão noturna, como na visão noturna felina. Aqui temos as cruas leis da Natureza, com carnívoros caçando herbívoros, em leis que parecem cruéis, mas que são necessárias para a Vida. A pantera negra é como na capa do disco solo de Victoria Beckham, a ex spice girl, uma capa arrebatadora, com a artista junto a uma pantera, uma capa que promete um grande álbum, mas um álbum que acaba muito aquém das expectativas, num trabalho pobre, sem canções dignas de tocar no Rádio, nesse amante infiel que é o sucesso, como na finada boyband N’Sync, a qual era carregada nas costas de Justin Timberlake, o único que soube de fato ter uma carreira solo após a dissolução de tal banda. A pantera aqui é possante e forte, como num sedutor carro esporte, em bens de consumo cobiçados, com ricos jogadores de Futebol ostentando tal luxo, no problema que é ter dinheiro demais, numa pessoa que não sabe como investir, no modo como um ganhador de loteria pode ser, ao mesmo tempo, tão miserável, numa vida desolada, cruel, mesmo tendo tanto dinheiro, na noção espírita da miséria vazia que é a vida de uma pessoa rica improdutiva, fazendo do trabalho algo que impede a pessoa de viver em um mundo que não é o real, no modo como o Mundo está repleto de trabalho, por todos os lados, com as pessoas fazendo suas coisas, desde um humilde gari até um alto executivo, no modo como a pessoa desencarna e depara-se com a necessidade de se manter produtiva, na maravilha do Plano Metafísico, no qual não há desemprego. O animal abatido aqui é tal vítima, como no insano assassinato de um nobre rapaz que conheci, um príncipe, uma pessoa boa, educada e inteligente, um rapaz qual foi brutalmente assassinado num assalto em Porto Alegre, tudo em nome das ambições mundanas do assassino, um pobre coitado sofredor que não tem ideia da tragédia que cometeu, um bandido vagando pelas terras de sofrimento do Umbral, um bandido que, definitivamente, não tem como estar ok, numa vida que é um inferno perene. As florzinhas no chão são a magia das flores silvestres, as quais não tiveram que ser plantadas para florescer, como nas flores azedinhas, com o caule para se mordiscar, no modo como as delícias da Vida estão em aspectos simples, como olhar para um céu azul, encher os pulmões de ar e agradecer a Deus por ter saúde, pois, no frigir dos ovos, saúde é tudo, seja física, seja mental, havendo na figura do médico tal dignidade, num homem que está no Mundo para trazer tal saúde, nos sonhos de uma pessoa em se tornar médico, buscando assim ser respeitado. Os olhos aqui são como faróis de carro, na grande invenção que é o Automóvel, no caminho da praticidade e da facilidade: Por que puxar um veículo com vários cavalos de posso fazê-lo mais facilmente num veículo de tração mecânica? A pantera aqui é um momento de importância, abocanhando a presa, num trabalho de precisão e persistência, na inevitável luta pela Vida, no pão de cada dia que tem que ser ganho, nas responsabilidades de um pai em prover um lar e uma família, em pais amorosos que nada deixam faltar dentro de casa, abraçando responsabilidades como arcar com a mensalidade do colégio dos filhos, como uma mulher que conheço, a qual se tornou mãe ainda adolescente, tendo que aprender “na marra” a ter juízo e responsabilidade, em certos sacrifícios que a Vida exige. A pantera se esconde na escuridão, como num esperto camaleão, trocando de cor para ficar invisível ante a presa e, assim, abocanhar esta, em aspectos tão peculiares de Biologia, em seres exóticos, na riqueza natural da Terra, algo de dar “inveja” a outros lugares do sistema solar, como em planetas mortos como Marte, num deserto gélido de atmosfera irrespirável. As garras da pantera são a tenacidade, a persistência, numa pessoa que sabe que tem que persistir se quiser obter sucesso, num espírito guerreiro, numa pessoa que não se “atira nas cordas”.

 

Referências bibliográficas:

 

Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.