Falo pela primeira vez sobre a pintora Angela Gram, americana de 1985. Com paixão por animais, Angela integra diversas coleções particulares, já tendo pintado mural no museu novairoquino de História Natural. Mora em New Jersey. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Mente. O cavalo é a majestade, a elegância, a potência e o ímpeto, como um possante carro esporte, em objetos de consumo, num indivíduo que é escravo de tal sistema, um refém dos apelos da Sociedade de Consumo, na metáfora de Matrix, no indivíduo reduzido a uma bateria alcalina a serviço de um sistema, em piadas como chamar a Coreia do Norte de democracia. As crinas ao vento são a liberdade, na deliciosa sensação de liberdade à beiramar, no redentor olor de mar, do mar primordial que trouxe Vida à Terra, como na beiramar de Capão da Canoa, com a santa Iemanjá abençoando as redes pesqueiras, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, num reino farto e rico, em nações apolíneas como o Canadá, com produtos de qualidade, como o excelente Mercado Público de São Paulo, com produtos de alta qualidade, no mais delicioso morango que comi em minha vida. O azul é a cor do céu e dos sonhos, como uma menininha sonhando em ser rainha da Festa da Uva, na “carnificina” que são os concursos de beleza, com tantas moças saindo frustradas, em destruição de esperanças e expectativas, como Hollywood, a terra do sucesso e a terra do fracasso, com tantos e tantos sonhos despedaçados diariamente na capital do Cinema. O vermelho aqui traz um tempero quente, como num prato apimentado, como na Cozinha Baiana, no fascínio que as especiarias causaram na Europa na Era das Navegações, em artigos de alto luxo, dignos de rei, num plebeu que não sabia como era o sedutor sabor de canela, no modo como pode ser entretenimento um programa televisivo de Culinária, com chefs de qualidade mundial fazendo comidas excelentes, nas palavras de um certo tutor chef a um grupo de aprendizes: “Vocês não são cozinheiros de restaurante de rodoviárias; vocês são chefs de qualidade mundial!”, no modo como comida boa é comida simples bem feita, como um feijão bem feito, no modo como a Vida é boa quando é simples. Neste quadro vemos um respiro a um céu bem azul, limpo, cristalino, na promessa do Reino dos Céus, na questão da fé, pois não há frias garantias científicas de tal plano superior, exigindo fé do indivíduo, como entrar num centro espírita, crendo no banho de luz que é o passe espírita, num lugar onde podemos ouvir palavras de auxílio de um médium, no fenômeno de gigantesca popularidade que foi Chico Xavier, o qual me abençoa no mesmo momento em que redijo este texto, na imortalidade do Amor, pois os ressentimentos têm prazo de validade, e o perdão é o caminho natural da Eternidade, na noção taoista de que as coisas se resolvem por si mesmas. O quadro aqui tem liberdade, como num sistema democrático, havendo nas ditaduras tal prisão: Você tem que tratar com respeito quem está abaixo de você na hierarquia, pois respeito é para quem tem, na noção do Senso Comum de que temos que abraçar as consequências de nossos próprios atos. A corda no cavalo é a disciplina, numa energia canalizada, na pessoa encontrando uma atividade que canalize tal energia, na vida miserável que é uma pessoa descanalizada, sem norte na Vida, no hálito pestilento do submundo, no qual estou só e perdido, na necessidade da pessoa em se centrar em algo produtivo e positivo, pois até Deus trabalha, num Tao que está sempre criando, dando-nos o exemplo da produtividade, na questão bíblica do descanso no sétimo dia: Se até Ele descansou, eu, filho dele, também tenho que descansar, no modo como o workaholic, que só trabalha e não vive, vive tal vida miserável, sem ter a autoestima para se proporcionar um descanso digno e merecido, numa vida degradante, até a pessoa se dar conta de que o Mundo não me abonará por eu ser obcecado com trabalho, como um senhor que conheci, um workaholic que acabou se fodendo, com o perdão do termo chulo, tendo que fechar as portas da empresa que ele mesmo abriu, ou seja, insucesso prostrante. O cavalo nos olha, num olhar comedido e disciplinado, na noção da pessoa ter a necessidade de sentar e produzir algo de bom, ou seja, mostrar algo de nobre ao Mundo.
Acima, Obscura. O lobo é a esperteza, num estilo entalhado pelas durezas evolutivas da luta pela Vida, no modo como a Evolução entalhou a mulher do instinto materno de proteção, como certa vez uma fêmea quero quero quase me arrancou um olho quando me aproximei de seu ninho – os mais fortes sobrevivem, passando para frente sua genética de esperteza. A mata aqui é tropical e exuberante, longe do clima temperado dos EUA, terra da artista aqui comentada. É como na deliciosa cidade de Salvador com a amplitude térmica diária sempre entre vinte e poucos e vinte e tantos graus centígrados, num calor gostoso, longe dos calores esmagadores da cidade de Cuiabá, por exemplo, na ironia de que turistas do Norte e do Nordeste Vêm ao Sul do Brasil exatamente para passar frio, na eterna condição humana: Quem está na cidade que ir ao campo e viceversa. Aqui temos uma explosão de cores, numa explosão cromática de um prisma, no fascínio de objetos luxuosos e coruscantes, em salões elegantes, na beleza inabalável metafísica, em clubes tão chics e majestosos, no plano em que sabemos que grosso é fraco e que fino é forte, ao contrário das palavras de um certo sociopata que conheci, o qual dizia que o Mal é mais interessante do que o Bem, no modo como é simples e fácil de se detectar um sociopata, que é uma pessoa totalmente desprovida de Inteligência Emocional, não entendo Arte, a qual aborda tal inteligência no espectador, num sociopata insensível a histórias tão comoventes como Titanic, o qual é um grande manifesto contra a insensibilidade, na pequenez moral do sociopata, qual quer puramente vantagens em relação a seus irmãos de caminhada, na miséria de um coração cruel o qual não ama nem mesmo os próprios netos – é um horror. Aqui, neste mato mágico, ouvimos o farfalhar das folhas, num fato triste que ocorreu em um certo apartamento, o qual, anteriormente, tinha uma lida vista para uma mata virgem, rica, exuberante, um mata que foi toda dizimada para a construção de um prédio, no modo como temos que, de certo modo, dar ouvidos aos ecologistas, pois o Ser Humano não tem para onde ir, visto que, fora da Terra, o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano, em esferas tão agressivamente inóspitas como Vênus, o qual só é belo de longe, no céu noturno, fazendo de Vênus um forno de quente, com uma pressão atmosférica esmagadora, na ânsia humana em explorar tal espaço, alimentando a Ufologia, na questão de curiosidade em Arquivo X, num homem ávido por civilizações extraterrenas, tolhido por uma fria e cética colega de trabalho, na relação universal entre Razão e Loucura, no jogo de sedução entre opostos, na noção dialética de que tudo traz em si sua própria contradição, na metáfora de que há dois lados para cada moeda. O canídeo aqui está completamente adaptado a tal terreno, tendo nascido e crescido ali, cheio de instintos, como um gato do mato, agressivo, longe de um gato doméstico, cercado de cuidados civilizatórios, numa pessoa que assim foi entalhada pela Vida, tendo toda uma força para mandar o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, pois não posso ser prisioneiro das expectativas de outrem, ao contrário de pessoas que deixam que o Mundo as diga como devem viver, o que não é bom. Os olhos do lobo são aguçados, afiados e precisos, como num foco científico, de escopo, no modo científico de foco, como um certo rigoroso professor de Fotografia, o qual dizia em alto e bom som aos alunos: “Foco!”. O lobo é a beleza natural, seduzindo biólogos, no amor pela Vida, fazendo das plantas e dos animais obras de Tao, numa Terra tão rica em Vida, em meio a um Cosmos tão aparentemente sem Vida, no modo como seriam igualmente assustadoras duas perspectivas: Haver Vida repleta no Cosmos ou só haver Vida na Terra. O lobo remete ao clássico Dança com Lobos, num Kevin Costner que não soube conduzir muito bem a carreira, não tendo sobrevivido ao Oscar que ganhou por tal filme, no modo como o sucesso é uma bênção e uma maldição, pois quando o sucesso vem, temos que nos desprender de tal momento delicioso para nos depararmos com uma folha em branco, nova.
Acima, Outra sala. A ave é a liberdade do pensamento racional, como na personagem Feiticeira do universo de He-Man, numa mulher que se transformava em águia para se comunicar telepaticamente, na sensibilidade de uma pessoa próxima a nós se comunicando telepaticamente, não precisando proferir uma só palavra, como na personagem Galadriel de Tolkien, comunicando-se desta forma, numa superioridade de sabedoria e sensibilidade, na plenitude psíquica inexistente no sociopata, o qual tem um apuro moral paupérrimo, na esperança de que a Eternidade é o tempo para qualquer evolução, na noção taoista de que a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, na noção espírita de que Deus é o Infinito, no poder imensurável de que jamais findaremos – é poder demais, meu irmão! A janela é a perspectiva, o momento de liberdade e soltura, como um presidiário mal podendo esperar pelo dia de soltura, num inferno que é um presídio, o qual é a prisão dentro da prisão, visto que estar encarnado já é uma prisão por si só, na imagem de esperança e liberdade do Espírito Santo, na capacidade de certas pessoas em se tornar figuras nas quais o povo pode depositar esperanças, e como são raras tais figuras, num Ser Humano simpatizando com forças ditatoriais, oprimindo e aterrorizando o pacato cidadão. A parede aqui é vibrante, como na sala de estar de uma certa pessoa, com uma parede toda em vibrante rubor, como uma feiticeira que vi certa vez num shopping, uma mulher bela, de vermelho, numa beleza como uma relva verde, jovem, linda, exuberante, uma feiticeira cuja pura energia me deixou extasiado, nessas raras pessoas que podem causar em nós uma deliciosa sensação de eletrização na coluna vertebral, numa energia boa, vibrante e irresistível, uma feiticeira da qual nunca me esquecerei. Ao fundo vemos uma paisagem americana, com pinheiros de perfume campestre, no olor de ar livre na madeira cortada pelo lenhador, num perfume de ar livre, como nos antigos filmes publicitários da marca de cigarro Marlboro, na liberdade ao ar livre, no modo como, hoje em dia, são proibidíssimas as campanhas publicitárias de cigarro, as quais, outrora, tinham a liberdade para linkar o cigarro à ideia de saúde, beleza, liberdade, interessância, bem estar e sensualidade – sinais dos tempos. A sala aqui é solitária, e a ave está sozinha, num breve momento de introspecção e recolhimento, nos versos de uma certa canção rock: “Todos precisamos de momentos a sós!”, como Deus no formidável filme Dogma: Solitário, mas engraçado! É o particular senso de humor humano, na capacidade do Homem em rir de si mesmo, em formidáveis palhaços como Mr. Bean, na capacidade humana de rir de tudo e todos, nas divertidas contradições entre Yin e Yang, no jogo sedutor entre Masculino e Feminino, pois os sexos são uma prova do bom humor de Tao, como já disse uma mãe famosa: “A gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres!”. Ao fundo, lá fora, vemos majestosas montanhas, como nos morros cariocas, como no Cristo Redentor, como na beleza dos recortes geológicos serranos gaúchos na estrada Rota do Sol, nesta terra tão linda como o Rio Grande do Sul, na altivez do gaúcho, cantando o Hino Gaúcho em aberturas de jogos estaduais de Futebol, no modo como há um local em Brasília que se diz: “A embaixada do Rio Grande em Brasília”. Nesta altiva ave, vemos pinceladas de dourado, como nos uniformes da Seleção Brasileira de Futebol, num país que, apesar de pobre, é ao mesmo tempo rico, com uma Cultura Popular tão vibrante, rica, num país continental, repleto de riquezas naturais, precisando de investimentos em infraestrutura. Aqui é o perfume de pinho ao ar livre, como no desinfetante Pinho Sol, trazendo frescor a uma privada suja e pestilenta, nos rituais humanos de limpeza e higiene, ao contrário do insalubre Egito Antigo, no qual a mortalidade infantil era alta e a expectativa de Vida era baixa, no caminho evolutivo do Ser Humano, ou seja, esperança.
Acima, Quintessência. O corno é o falo, na lança de São Jorge matando o dragão da loucura e da malícia, no modo como o pensamento racional abrevia etapas e facilita o pensamento. A lança aqui mata a serpente do Éden, o que causou a desgraça de Adão e Eva, com ambos sendo expulsos por um anjo com a espada do raciocínio. O jardim é florido, na explosão de cores primaveril, quando a Vida ressuscita e a Natureza retoma fôlego, num êxtase de acasalamento, em borboletas espalhando o pólen pelas plantas, fazendo do Sexo algo natural na Vida. O unicórnio é este fascínio que ele exerce sobre as menininhas, as quais, na sua inconsciente inocência, amam tal figura mítica, sem ter a clareza de que tal fascínio reside no falo, que é a força do Yang, na agressividade de pessoas guerreiras, batalhadoras, que não ficam “deitadas eternamente em berço esplêndido”, como um certo senhor herdeiro de uma coroa imperial, um senhor que nunca fez algo de produtivo da Vida, achando-se sexy demais para trabalhar, e a Vida sem trabalho é vazia e sem propósito, nas sábias palavras de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”. Em certas culturas, a serpente não é símbolo de maldade, mais de fertilidade e sensualidade, com seu corpo curvilíneo, na sensualidade água correndo, como uma modelo na passarela, requebrando os quadris, num ato de sensualidade feminina, como em clubes de striptease, com os homens na plateia se achando um lixo frente a tal bela mulher no palco, no modo como todos envolvidos na prostituição se sentem um lixo: A prostituta ou o prostituto se sentem um pedaço de carne, humilhados, reduzidos; já, quem os contrata também se sente um lixo em saber que tal pessoa está ali não porque amam, mas pelo dinheiro, sem eu aqui querer ser moralista, pois são pessoas que desperdiçam uma encarnação fazendo do Sexo um leilão – você não está construindo coisa alguma; você não está chegando a lugar algum. O cavalo remete ao cavalo mítico de Tolkien, o Scadufax, branco, nobre, o mais rápido de todos, disciplinado, domado, leal, no modo como os seres humanos amam animais, os quais podem ser fiéis companheiros, como uma pessoa solteirona que conheço, a qual tem dois cachorros em casa, no modo como uma vida pode, de algum modo, girar em torno de um bicho: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho. O cenário aqui é paradisíaco, idealizado, querendo se aproximar da perfeição dos lugares do Plano Metafísico, um lugar longe das vicissitudes da matéria, como vírus, bactéria e mosquitos, por exemplo, um lugar de plena saúde, metal e física, com nossos entes queridos desencarnados e abençoando-nos lá de cima, no modo como o Desencarne é só uma questão de tempo, pois ninguém está na Terra para sempre, fazendo desta um lar de passagem, um lar adotivo, por assim dizer, no modo como nós, em nossos dias de prisão, temos que encontrar algo de nobre e produtivo para fazer, na eternidade do trabalho, no modo como nunca podemos parar, tirando apenas folgas, pois não há sentido numa vida indolente e improdutiva. O falo aqui impõe respeito, numa pessoa digna e cordata, sabendo que o Mundo só pertence aos dignos de respeito, aos austeros, evitando a sedução dos sinais auspiciosos do Mundo, como tediosas alas vip de boates, havendo nestas um tédio enorme, pois a festa acontece no coração da pista de dança, numa pessoa que aproveitou muito seus dias de pós adolescência para ferver na boemia, vivendo intensamente tal fase, deixando tal fase para trás, abraçando a quietude de uma idade mais avançada, numa pessoa pacata, que vive seus dias com discrição e humildade, em pessoas pacatas e discretas como uma Meryl Streep, na recomendação taoista: Seja mais Yin dentro de si mesmo, deixando o Yang lá fora, no Mundo. Aqui é como no majestoso Aragorn de Tolkien, fincando fundo uma lança no inimigo, num trabalho de incisão, na metáfora sexual, com o pênis adentrando com tudo no corpo da mulher, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo criou? Aqui é a vitória do limpo sobre o sujo, do Bem contra o Mal, num remédio como nas drogas psiquiátricas, em avanços humanos científicos.
Acima, Rei Chita. Aqui é como uma guerra entre animalidade e tecnologia, como no início do clássico 2001, no contraste entre uma primitiva ferramenta óssea até a alta sofisticação de estações no espaço, na imposição do monólito, de clara intervenção alienígena, na crença ufológica de que nós estamos cercados de vida inteligente, inclusive mais inteligente do que o Homem, num Cosmos que, de tão vasto, é infinito, na máxima islâmica de que Alá é grande. A chita é a inimiga da Mulher Maravilha, na guerra entre razão e animalidade, num homem polido, diplomático, sempre buscando as coisas pelo caminho do diálogo e da concórdia, havendo na MM um ícone feminista, numa mulher independente, que trabalha, que não é perua ou dondoca, numa mulher blindada, de superforça, dando uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado, no caminho da emancipação, desafiando o patriarcado, como na canção de Madonna Papa don’t preach, ou seja, Papai não dê sermão, no preconceito patriarcal no qual a mulher é um cidadão de segunda categoria, tendo que ser representada e respaldada por um homem, seja o marido, o pai, o patrão, o presidente, o papa etc., no modo como, sinto em dizer, a própria mulher é machista, nas palavras desta mesma popstar em entrevista certa vez: “Muitas mulheres gostariam que eu me calasse e fosse embora!”. O mecanismo aqui são os avanços da robótica, no modo racional humano de imitar a Natureza, em máquinas que visam substituir algo, como em indústrias, nas quais os robôs infalíveis fazem seu trabalho, poupando o Ser Humano de tal labor, na tecnologia em serviço da Humanidade, no gostoso pecadinho capital da Preguiça: Para que me matar fazendo biscoitos à mão se posso fazê-los muito mais facilmente por meio de um robô? A luz aqui é sexy, cor de carne, cor de rosa, na cor do romantismo, ou na cor rubra de bordéis, com tudo cheirando a Sexo, no famoso reduto boêmio parisiense do Moulin Rouge, ou seja, o Moinho Vermelho, ou no glamour do tapete vermelho das celebridades, num Mundo obcecado por sucesso mundano, por fama, por dinheiro, no modo como a pessoa mal sucedida se sente um lixo, fazendo do sucesso algo tão complicado, pois, doce ou amarga, esta página terá que ser virada: O insucesso é ruim porque é depressor e prostrante, desanimador; já, o sucesso é também ruim, porque temos que saber superá-lo e tocar a vida para frente, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje pode estar comigo, mas amanhã não se sabe, no modo como um Oscar pode ser uma bênção e uma maldição, na noção taoista de que o sucesso é a aquisição de um problema, como numa queda de braço, pois quem perde se torna o homem maior, e quem ganha entra em inferno astral. A chita aqui tenta amordaçar e dizimar o robô, no instinto versus tecnologia, num homem cordato que tem a capacidade para sentar e conversar civilizadamente, em esternos esforços pela Paz, esta força tão subestimada pelo Ser Humano, que é um ser inclinado ao ódio, à raiva em relação a seu irmão de caminhada, em um Caim eternamente matando Abel, como na Guerra das Malvinas, com baixas em ambos os lados do tabuleiro, tudo em torno da vaidade de duas nações, com a Argentina reivindicando o território e a Inglaterra não abrindo mão, numa Thatcher agressiva, dura, inflexível, negando o caminho da diplomacia, num território que deveria ser o símbolo da amizade entre duas nações, na metáfora cromática de amarelos contra azuis, com o verde no meio, num canal de diálogo. A sombra do felino no fundo do quadro lembra a logomarca do famoso desenho dos Thundercats, em um clã de heróis felinos, sobrevivendo em um planeta estranho, cheio de forças malignas, na espada de Lion, o líder da trupe, com a lâmina crescendo, numa inevitável metáfora peniana. Os fios do robô são como veias e artérias, em energia viva fluindo, na seiva da planta, em vias e estradas alimentando uma urbe, em urbes frenéticas como São Paulo, com levas intermináveis de motoboys.
Acima, Visão noturna. Aqui remete ao tenebroso, porém maravilhoso filme O Silêncio dos Inocentes, quando no porão de um sociopata a agente Clarice está às escuras, enquanto o sociopata está com óculos de visão noturna, como na visão noturna felina. Aqui temos as cruas leis da Natureza, com carnívoros caçando herbívoros, em leis que parecem cruéis, mas que são necessárias para a Vida. A pantera negra é como na capa do disco solo de Victoria Beckham, a ex spice girl, uma capa arrebatadora, com a artista junto a uma pantera, uma capa que promete um grande álbum, mas um álbum que acaba muito aquém das expectativas, num trabalho pobre, sem canções dignas de tocar no Rádio, nesse amante infiel que é o sucesso, como na finada boyband N’Sync, a qual era carregada nas costas de Justin Timberlake, o único que soube de fato ter uma carreira solo após a dissolução de tal banda. A pantera aqui é possante e forte, como num sedutor carro esporte, em bens de consumo cobiçados, com ricos jogadores de Futebol ostentando tal luxo, no problema que é ter dinheiro demais, numa pessoa que não sabe como investir, no modo como um ganhador de loteria pode ser, ao mesmo tempo, tão miserável, numa vida desolada, cruel, mesmo tendo tanto dinheiro, na noção espírita da miséria vazia que é a vida de uma pessoa rica improdutiva, fazendo do trabalho algo que impede a pessoa de viver em um mundo que não é o real, no modo como o Mundo está repleto de trabalho, por todos os lados, com as pessoas fazendo suas coisas, desde um humilde gari até um alto executivo, no modo como a pessoa desencarna e depara-se com a necessidade de se manter produtiva, na maravilha do Plano Metafísico, no qual não há desemprego. O animal abatido aqui é tal vítima, como no insano assassinato de um nobre rapaz que conheci, um príncipe, uma pessoa boa, educada e inteligente, um rapaz qual foi brutalmente assassinado num assalto em Porto Alegre, tudo em nome das ambições mundanas do assassino, um pobre coitado sofredor que não tem ideia da tragédia que cometeu, um bandido vagando pelas terras de sofrimento do Umbral, um bandido que, definitivamente, não tem como estar ok, numa vida que é um inferno perene. As florzinhas no chão são a magia das flores silvestres, as quais não tiveram que ser plantadas para florescer, como nas flores azedinhas, com o caule para se mordiscar, no modo como as delícias da Vida estão em aspectos simples, como olhar para um céu azul, encher os pulmões de ar e agradecer a Deus por ter saúde, pois, no frigir dos ovos, saúde é tudo, seja física, seja mental, havendo na figura do médico tal dignidade, num homem que está no Mundo para trazer tal saúde, nos sonhos de uma pessoa em se tornar médico, buscando assim ser respeitado. Os olhos aqui são como faróis de carro, na grande invenção que é o Automóvel, no caminho da praticidade e da facilidade: Por que puxar um veículo com vários cavalos de posso fazê-lo mais facilmente num veículo de tração mecânica? A pantera aqui é um momento de importância, abocanhando a presa, num trabalho de precisão e persistência, na inevitável luta pela Vida, no pão de cada dia que tem que ser ganho, nas responsabilidades de um pai em prover um lar e uma família, em pais amorosos que nada deixam faltar dentro de casa, abraçando responsabilidades como arcar com a mensalidade do colégio dos filhos, como uma mulher que conheço, a qual se tornou mãe ainda adolescente, tendo que aprender “na marra” a ter juízo e responsabilidade, em certos sacrifícios que a Vida exige. A pantera se esconde na escuridão, como num esperto camaleão, trocando de cor para ficar invisível ante a presa e, assim, abocanhar esta, em aspectos tão peculiares de Biologia, em seres exóticos, na riqueza natural da Terra, algo de dar “inveja” a outros lugares do sistema solar, como em planetas mortos como Marte, num deserto gélido de atmosfera irrespirável. As garras da pantera são a tenacidade, a persistência, numa pessoa que sabe que tem que persistir se quiser obter sucesso, num espírito guerreiro, numa pessoa que não se “atira nas cordas”.
Referências bibliográficas:
Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.
Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.
Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.






Nenhum comentário:
Postar um comentário