O americano Alexander Calder (1898 – 1976) ficou famoso por suas esculturas de grande porte, quase sempre ao ar livre. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, A Cidade. Jardim interno do Museu de Belas Artes de Caracas, Venezuela. As bolinhas aqui se intercomunicam, como na Internet, esta força de comunicação que nos faz o que antes era inacreditável, ou seja, falar em tempo real, de forma prática e simples, com alguém que está no outro canto do Mundo, numa velocidade que vence Tempo e Espaço, atravessando oceanos e vastas terras, derrubando por terra lembrancinhas, como cartões postais – por que mandar um cartão se posso, pelo Facebook, teclar em tempo real com alguém que está em outro continente? Nestas bolinhas há uma hierarquia, pois uma grande rege as outras pequenas, como num professor na Escola, sempre chamando a atenção dos inquietos e indisciplinados alunos, num trabalho de paciência. As bolinhas brancas são esta folha de papel, na capacidade de um grande ator em ser uma folha branca sobre a qual será “escrito” o personagem. Aqui são planetas em torno de um sol, nas forças gravitacionais, na revolução que foi a descoberta da Gravidade, na evolução cognitiva humana – como éramos tolos no passado, acreditando em uma Terra plana! Aqui, a escultura se funde com o gramado, como se fosse uma exótica planta brotando, como a imaginação brotando na mente do artista, fazendo a Arte tal irrefutável prova da sofisticação humana, tanto como sofisticação do artista quanto sofisticação do receptor. Aqui vemos agressivas formas pontiagudas – é o Pensamento Racional, preciso, incisivo, como uma agulha injetando uma vacina, numa agulha fina ao ponto de mal causar dor ao vacinado. Estas formas agudas e um tanto arredondadas lembram um pouco o desenho de Brasília, nesta arquitetura tão brasileira, pela qual podemos ouvir o som de Bossa Nova, na tarefa de cada país em adquirir uma identidade própria e inconfundível, no modo Hollywood dá tanta identidade os EUA. Aqui é como se fosse a grama um mar, e as formas pontiagudas fossem ameaçadores tubarões se insinuando para pegar vítimas, no sucesso de blockbuster que foi o filme em que um tubarão trazia pânico aos banhistas, num artista querendo ser um “tubarão do Bem”, fisgando as pessoas, no sonho de um artista em se tornar célebre e valorizado, em todos os sentidos – conceitual e financeiro. Aqui são como unhas querendo ser aparadas, nesta apara de caráter, numa pessoa que quer crescer e evoluir como espírito, no modo como cada pessoa está encarnada para enfrentar tais aparas, num caminho de aprimoramento e evolução, no modo como morremos muitos melhores de como nascemos. Aqui são como pontas de um submarino aparecendo, talvez numa operação militar secreta, como num filme, creio que “A Era do Rádio”, no qual um menino, em plena II Guerra Mundial, vê por um instantes um submarino nazista em pleno espaço marítimo americano. Aqui são como divertidas rampas de skate, este esporte urbano que tanto ganhou Mundo, e podemos ouvir os ruidosos rapazes fazendo suas manobras, como se estivessem plainando, na deliciosa sensação onírica de se plainar tal qual um pássaro. As bolinhas aqui são representantes de algo, e regem as formas negras, num trato comercial, como uma imobiliária representando o dono de um imóvel. Estas pontas cortantes exigem que mantenhamos respeitosa distância, numa pessoa que nunca em vida foi de fato respeitada, tendo a enorme missão de impor respeito a um Mundo tão exigente – é trabalho para uma vida. Estas bolinhas são como voláteis felpas de tecidos, daquelas que observamos quando a luz direta do Sol incide, num processo intermitente de transformação, na profunda incapacidade humana em apreender o Infinito, esta força que nos dá a Vida Eterna, e existe algo mais poderoso do que o fato de que jamais findaremos? É muita força. Estas bolinhas são como um móbile, captando a atenção da criança, no modo como um artista quer captar a atenção das pessoas.
Acima, Bobina. Galeria Nacional da Austrália, Canberra. Divertidamente remete às naves malévolas de Star Wars, a franquia que mostra a universalidade da capacidade humana em guerrear, tudo por causa de poder, como o Anel de Tolkien. Aqui é como os tradicionais origamis japoneses, ou como guardanapos sofisticadamente dobrados em uma ambiente chique ou festa pomposa, na capacidade de transformação plástica das mãos humanas, num artista que pega objetos dissociados e os transforma em algo novo, ou seja, em obra de Arte. Avaliar Arte é como observar nuvens – cada um vê o que lhe apetece. Este objeto se contorce, como num animal em cio, nesse tesão artístico de conquistar o Mundo, em tantos sonhos despedaçados, na beleza de sonhos que se chocam com a dureza de um Mundo tão indiferente, frio e cruel. O vermelho e o preto trazem uma cromaticidade pesada, fechada, como na capa do Capa Preta, a divindade de Umbanda, que é este foco, esta meta, agindo de forma objetiva e precisa para concretizar sonhos e projetos – respeito integralmente os umbandistas. Como qualquer escultura, observamos em três dimensões, diferentemente das pinturas ou das telas de Cinema. Aqui é um objeto em constante processo de transformação, sempre melhorando, sempre se aprimorando, como no farfalhar de folhas ao vento, anunciando uma mudança, uma renovação. Aqui é uma aranha geométrica, causando tanto medos aos aracnofóbicos, com múltiplas pernas como num multifacetado deus hindu, como alguém que acumula funções, como, ao mesmo tempo, atuar, dirigir e produzir Cinema, tudo em um só passo, numa divertida Barbra Streisand, colocando o dedo no nervo do Machismo, num Mundo que tolhe completamente a sexualidade feminina, do tipo: “Mulher pode nada; homem pode tudo”. Esta peça toma um banho de Sol, na inspiração ao ar livre de Calder, arejado, numa mente arejada, trazendo renovação e novas ideias, como receber amigos em uma sala de estar ao ar livre, no infinito prazer de se sentar e conversar, numa sala com pessoas bonitas e finas, num alto astral, algo elevado, muito além das mesquinharias mundanas. Aqui é um morcego fashion, com design, na fama ruim de um bicho que inspirou Bram Stoker a criar Drácula, o sociopata que suga as vidas alheias: se estou bem, o sociopata quer que eu fique mal, para que, assim, o sociopata fique bem – um perfeito vampiro, num coração odioso, no qual não há espaço para qualquer amor, numa miséria psíquica impensável. Esta forma frágil parece que está prestes a ser levada pelo vento, num efeito de leveza, como uma pluma ao vento. Aqui é como uma roupa sendo torcida, nas demandas diárias de labor, no termo: “Vá lavar uma pilha de roupa suja!”. Aqui é um exótico relógio de Sol, num jogo de incidências de luz, com cada hora do dia produzindo uma sombra. É um grande quimono negro, no prazer de se estar em casa da forma mais confortável possível, deixando lá fora as exigências sociais de se sair na rua garboso, elegante e bem vestido, como diz Tao: “Seja mais Yin dentro de si mesmo”, ou seja, goste mais do aconchegante do que do apoteótico. É na metáfora do alterego civil de um super herói, protegido por uma identidade secreta. Aqui é um animal exótico, ou um coral negro, fazendo de nossa esferazinha terráquea tal tesouro de diversidade, num Ser Humano que ainda tem muito aprender, como não emporcalhar a areia das praias. Aqui é como se fosse uma pluma negra, leve, ao sabor do vento, como numa pessoa que vive ao sabor do vento, fugindo da seriedade da Vida, que exige que o indivíduo se centre no trabalho, na dignificação – a Vida é algo sério, apesar de ser necessário ter senso de humor. Aqui são como veias rubras pulsando logo abaixo da pele, espraiando-se como raios de tempestade ou galhos de árvores, nas forças naturais. Aqui é um objeto procurando se assentar e se acomodar, buscando ficar confortável em sua própria pele, no caminho existencial do autoencontro, no cisne que descobriu que jamais foi pato. Aqui é alguém abrindo os braços para um abraço, no acolhimento entre irmãos, entre iguais, na Grande Família Metafísica, à qual todos pertencemos.
Acima, Dobradura com Disco Vermelho. Schlossplatz, Stuttgart. AC adora móbiles, numa arte cinética, plácida, com movimentos suaves e sutis, ao sabor de uma doce brisa, num efeito leve, como uma pluma caindo suavemente no chão, repousando em berço esplêndido, na deliciosa sensação de se sentir especial, um diamante que brilha – o homem de Tao é assim, excessivamente polido, exercendo a vitória do fino sobre o grosso. Aqui é como uma girafa geométrica, no fascínio que a África natural exerce sobre o Mundo. A girafa está em busca de seu sagrado alimento, como gado pastando, nesta necessidade tão primordial – a alimentação. O vermelho e o amarelo formam uma combinação alegre e festiva, num dia de festa, com confete “nevando”, no carisma de um rei Momo regendo todos no salão, celebrando a fartura e a harmonia, com todos pulsando num só ritmo, como num reino feliz e pacífico, cujo regente está satisfeito e contentado com seus próprios domínios, no carisma de um homem de Tao, na vitória do perfume sobre o fétido Umbral, sendo esta a dimensão infeliz, na qual sentimo-nos um lixo, arrastando-nos em lama e trajes esfarrapados. O móbile é como planetas circundando uma estrela, numa ciranda gravitacional, como num parque de diversões, havendo na criação de Tao esta ludicidade, como num carrossel, na dança da harmonia em um Universo vasto no qual as medidas terrenas de Tempo e Espaço nada significam. O móbile é a Liberdade, a calma, e cada elemento vai de acordo consigo mesmo, sem pressa, havendo respeito para com a agenda dos outros, como num médico que faz o paciente pouco esperar na sala de espera do consultório – não é arrogante eu achar que os outros devem obrigatoriamente se adequar à minha própria agenda? Aqui é como um par de pernas, num galgar, numa caminhada, na estrada da Vida, com pessoas permanecendo em nossos corações e pessoas simplesmente ficando para trás, pois um grande amigo é aquele que resiste à passagem do Tempo, podendo este amigo estar em qualquer lugar do Universo. Esta combinação cromática binária busca chamar atenção, como listras amarelas e negras numa garagem, buscando chamar a atenção para algo, num aviso expresso, importante – cuide-se sempre. Vemos aqui um grande círculo rubro, como na majestosa e simples Bandeira Nacional Japonesa, num país singular, de cidadãos tão polidos, ricos e limpos, na contradição de ser um país com altos índices de suicídio – Riqueza pode não rimar com Beleza. A esfera é um disco, remetendo uma era que ficou para trás – a era dos discos de vinil e CD, no incessante galgar das tecnologias, com carros atuais que simplesmente saem da fábrica sem o toca CDs, ou em lojas que simplesmente pararam de vender CDs, no ímpeto do novo, o qual sempre vem. Nesta obra de Calder, podemos passar por baixo dessas pernas, como numa jogada de Futebol, com a bola passando entre as pernas do goleiro, marcando um gol. É um vão, uma passagem, como nos portais laranjas de Christo e Jeanne-Claude no Central Park, contrastando com uma cidade cinzenta, como um Inverno tão desolador. Vemos aqui no móbile dois elementos com quinas, como arestas e a ser aparadas, no processo de aprendizado, sendo os subestimados exatamente aqueles que acabam surpreendendo. É a passagem, a passiva, como na Rose de Titanic boiando numa porta destroçada, que é a passagem para outra dimensão, nos inúmeros ritos de passagem humanos, como numa formatura universitária, num momento de emoção, na coroação de anos e anos na Escola. Neste móbile, então, temos uma base de comparação, pois vemos arestas presentes e arestas ausentes, pois se digo que algo é belo, é porque conheço o oposto, que é feio... Os arames de móbile são finos, discretos, numa pessoa reservada, como na monarca no filmão A Rainha, sentindo-se acuada, obrigada a tomar ação – quando você vê que precisa tomar ação, faça só o que é necessário. Calder é um artista de monumentos, altivos em espaços públicos.
Acima, Nuvens Acústicas. Aula Magna da Universidade Central da Venezuela. Pétalas de flores voando numa Primavera, num momento de renovação, na ressurreição que vence do Inverno, a privação, o momento duro. O efeito aqui é leve, e parece que tais pétalas pairam no ar, como no feito de leveza que Niemeyer obteve em Brasília, parecendo que os pilares são fracos como um graveto. Aqui é um complexo de bases de comparações, com vários planos, como galhos numa mesma árvore, no ditado: “Cada macaco no seu galho”, ou seja, cada um tem que saber de seu próprio galgar existencial, sendo que cada um tem que se encontrar consigo mesmo, visto que cada pessoa é uma história diferente. Aqui as nuvens dançam em harmonia, num baile majestoso, com pares elegantes no salão, com todos bailando a mesma valsa, no momento de interação social em que a Harmonia se revela o que mantém coeso o Corpo Social – como pode haver felicidade na Guerra? Neste belo teatro, ouvimos as palmas, em momentos solenes, como numa formatura, num salão elegante, moderno, quebrando vínculos com a decoração clássica, ou com a pintura acadêmica. Calder aqui conquista este espaço, imaginando, antes de agir: “O que posso fazer para preencher pertinentemente tal espaço? Como poderei chamar a atenção do público? Como poderei ser brilhante e respeitável?”. Aqui é um momento de glória, com pétalas caindo em júbilo, celebrando uma vitória, como na celebração do fim de uma guerra, nesses atritos que precisam ser atenuados. É como o casamento da então duquesa inglesa Fergie, com os nubentes recém casados desfilando em carro aberto por Londres, jogando quilos e quilos de pétalas de rosas brancas no trajeto, havendo nos casamentos tais ritos poderosos de passagem, buscando nos conectar, mesmo que brevemente, à glória metafísica que nos aguarda após o Desencarne, esta vírgula que ainda é tão temida pelo Ser Humano, havendo no Espiritismo uma atenuação de tal medo, encarando o óbito como algo inevitável e bom. Aqui é como uma grande placa despedaçada, desmantelada, como uma mãe parindo vários bebês de uma só vez, em casos raros de trigêmeos, por exemplo. Estas formas leves são do estilo de Calder, evitando o pesado. Parece que tais pétalas são feitas de uma fina folha de papel, pesando quase nada, e podemos imaginar o artista pegando uma folha e recortando-a. Aqui é como várias pedras que formam uma calçada, como numa rua pavimentada por paralelepípedos, num trabalho paciente, de formiguinha, numa pessoa que sabe que nada pode ser feito ao mesmo tempo. Nestas pétalas, vemos uma certa variedade cromática, mas uma variação mínima, num Calder que decidiu não fazer, neste caso, algo muito carnavalesco, talvez no siso de séries cerimônias solenes. Estas pétalas são como nuvens, passando lentamente, num Sol entre nuvens, com períodos de luz e períodos encobertos, num jogo de esconde & revela, no qual sabemos que não se pode ter tudo na Vida. Aqui são vários planos num debate, numa diversidade de pontos de vista. São como camarotes pós modernos, num Calder que gosta de usar formas simples, rejeitando formas muito complexas ou pesadas. Aqui temos uma flutuação, como nas mortíferas máquinas de Matrix, máquinas antes nocivas e, posteriormente, pairando inofensivas como peixes plácidos num aquário, no restabelecimento da Paz, esta força que traz prosperidade e felicidade, ao contrário de um estado perverso, obcecado em dominar tudo e todos, pois, não canso de dizer, a ambição é um “câncer” insano. Aqui é como um redemoinho, um ralo de pia, com os corpos gravitando harmonicamente, num movimento sutil porém incessante, como alunos em torno de um professor, na inevitável hierarquia da Vida Social – os pequenos obedecem seguem os grandes. Estas formas de Calder são polidas, com arestas atenuadas, como num atenuante de pena de prisão. Elas não ficam ferindo uma às outras, como se soubessem que a travessia de um rio pode ser perigosa, no caminho do homem sábio, o qual sabe que o perigo pode estar à espreita.
Acima, O Homem. Parc-des-Îles, Montreal, Quebec, Canadá. Remete à gigantesca flor metálica de Buenos Aires, monumento em homenagem às vidas ceifadas na Guerra das Malvinas, talvez fazendo menção a Thatcher, a Dama de Ferro, ou seja, tem o feminino, que é a flor, e tem o masculino, que é a blindagem. Muitas vezes as formas de Calder são elegantes, com pés delgados de bailarina, que tocam o chão de forma mínima, numa elegância minimalista. É como um animal de várias pernas, num jogo rítmico e complexo de caminhar. É como se suas pernas fincassem no chão como raízes fortes e profundas, na metáfora taoista, a qual o indivíduo tem que entender por si mesmo: se tenho raízes fortes, sérias e ajuizadas, não há vento ou tempestade capaz de me expulsar de onde estou. Aqui é como uma grande antena de Rádio, espraiando seu sinal, numa mídia que surpreendentemente sobreviveu ao avanço da Internet, na ironia de que há rádio em celulares... Aqui é como uma estrela caída, remetendo à sofisticada embalagem do perfume Angel, num frasco em forma de estrela, com uma das pontas sendo a tampa do recipiente. Esta obra de Calder tem um aspecto frágil, como os anjinhos da Primavera, polinizando tudo ao redor, na memória que tenho de infância, na casa onde eu morava com minha família, em cujo jardim havia vários pés de flores do tipo lantana, com as borboletas coloridas passeando alegremente pelas flores. Aqui parece um corpo dinâmico, em constante processo de reinvenção, num artista que sabe que, se não se reinventar, desaparecerá, num esforço de uma carreira de décadas, com tantos e tantos artistas talentosos que simplesmente não sobrevivem à passagem do Tempo, com talentos sumindo, como numa Carmen Miranda, a qual, depois do boom global de ser a “granada brasileira”, teve dificuldade em se reinventar, ou como uma Cindy Lauper, que não sobreviveu aos anos oitenta, ou como aquelas bandas ou artistas que só conseguiram emplacar um único sucesso, virando “fósseis” de um tempo que passou. Aqui é um arrojado sonho de arquiteto, havendo no Plano Metafísico a liberdade para se projetarem prédios que, na Terra, seriam impossíveis devido à forte Lei da Gravidade, como na grandiosidade da Festa da Uva de Caxias do Sul, mostrando o quão longe uma cidade do Interior Brasileiro pode ir. Aqui é como uma criança brincando na neve, fincando seus pés na neve alva, ou como na magia de uma manhã de geada, quando o gramado parece ter sido feito de cristal. Aqui é como um monstro, na capacidade de certos artistas em expressar de forma muito contundente, com obras que marcam época – festas, apesar de necessárias para a pessoa espairecer, não marcam épocas. Estas formas pontiagudas inspiram respeito, e exigem que mantenhamos distância, como num país que, se provocado, irá à luta. Aqui é como se este corpo estivesse o tempo todo ladeira abaixo, girando, coruscando numa estrela na noite, num enigma, sem sabermos o que é a parte de cima e o que é a parte de baixo, como no cachorrinho do Cebolinha, um animal enigmático, sem podermos dizer onde é o focinho e onde é o rabo, no mistério de Tao, o indesvendável, o mistério eterno, maravilhoso, no modo como, se confrontarmos pela frente, não veremos rosto; se confrontarmos pelos fundos, não veremos traseiro. É a dificuldade de um desencarnado em explicar e descrever como é a Vida no Plano Metafísico, o plano em que corre nas veias de todos nós o sagrado sangue estelar, num Pai que quer o melhor para nós. Aqui é como se fosse uma pessoa mancando, arrastando uma perna, no modo como um cachorro, sem os movimentos das patas traseiras, segue vivendo sem problemas, sem lamentar por si mesmo. Aqui é como um animal exótico e estranho, no fundo do Mar, fazendo de nossa esferazinha azul este organismo autossustentável e autorrenovável, na dança da águas, nas nascentes dos rios, numa biodiversidade de dar inveja a qualquer recanto do Universo. Aqui é uma armadura, impenetrável, numa pessoa que aprendeu a se proteger e a se reservar.
Acima, sem título. Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal. Um cavalo, num dos animais mais majestosos já criados por Tao, numa força, numa altivez, numa elegância respeitável. O laranja chama a atenção, no modo como um artista tem pavor de passar despercebido, como um mendigo jogado numa calçada. O laranja é um crepúsculo ou uma aurora, num momento de magia cromática, no qual parece que tudo foi pintado. As pernas aqui são a força, a sustentabilidade, numa pessoa que saiu de uma “cadeira de rodas” e foi tratar de adquirir o controle sobre sua própria vida. Aqui é um embasamento de uma boa instituição de Ensino, com cadeiras que buscam formar um indivíduo. Os pilares são a força que mantém um país unido, num governo que tem que satisfazer cada canto do país, governando para todos, ao contrário de um certo líder medíocre, o qual dizia que governaria só para a Classe Média... Aqui é um como um cão magro e elegante, na magia dos cães de raça, animais que, no frigir dos ovos, são bichos geneticamente debilitados, frágeis perante viroses veterinárias. Aqui é como um parquinho de diversões, num Michael Jackson que simplesmente foi impedido de ter infância, tudo sacrificado por causa da carreira artística – tudo tem seu preço, como um adulto que brinca com brinquedos de crianças. Aqui é como uma montanha russa com suas curvas perigosas e excitantes, no grandioso complexo americano de parques temáticos de Orlando, Flórida, num esforço para encantar ao máximo o visitante, como numa Gramado, empenhada a encantar o visitantes com toda a beleza que a Serra Gaúcha pode ter. Aqui temos arcos, como os arcos ovalados góticos, ou os inovadores arcos clássicos renascentistas, havendo na Arquitetura este sonho de demiurgo, imaginando formas, dando trabalho aos engenheiros. Aqui é como se fosse um esqueleto de animal, como se tivesse sido devorado por leões e hienas, servindo depois de banquete para aves carniceiras, só restando os ossos, num vestígio, como num arqueólogo examinando vestígios de um Egito Antigo tão remoto, tão esquecido, buscando reconstituir uma época já passada e esquecida. Aqui vemos uma passagem por baixo da escultura, num rito de passagem, numa porta, como se fosse uma porta interdimensional, levando-nos para um plano maravilhoso, no qual entendemos o maravilhoso e pleno plano divino para conosco. Aqui é um animal exótico, indecifrável, estranho, como os europeus chegando à Natureza exótica americana, com seus pássaros coloridos e plantas com frutas de sabor inédito. Aqui é como se um líquido estivesse escorrendo, num gelo se rendendo aos poucos, como uma pessoa que vai evoluindo aos poucos, com passos de bebê, sabendo que não podemos acelerar, retroceder ou pausar os intermitentes processo existenciais, fazendo deste “controle remoto” uma grande ilusão. Aqui são como pilares de um prédio aguardando um preenchimento de cimento e tijolos, produzindo moradias, talvez numa obra embargada na Justiça, virando um prédio mal assombrado, talvez abrigando infelizes consumidores de drogas. Aqui é como se fosse a vida de um viciado em drogas, numa pessoa que passa por um processo degradante, empobrecedor, tornando um espectro vagante, como nos pobres espectros do Anel de Tolkien, homens antes valorosos que se deixaram seduzir pelo mundanismo material. Aqui é como uma cracolândia degradante, com espíritos vagando pelo Umbral, tendo fome e frio, num plano em que a pessoa simplesmente não quer aceitar a morte do seu respectivo corpo físico. Aqui temos uma obra estável e equilibrada, e nenhum vento será capaz de levar a estrutura embora. Aqui é como um abrigo, um guardachuva, como uma pessoa se abrigando durante uma tormenta, fazendo do guardachuva uma metáfora para a autopreservação, do amor próprio, como num contrato de seguro. Aqui são como várias pessoas reunidas entrando em um acordo, como uma junta de psiquiatras avaliando o caso de um paciente. É um gesto de união e harmonia, de concórdia, como a maioria de um grupo elegendo um líder.
Referências bibliográficas:
Alexander Calder. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 3 mar. 2021.
Alexander Calder. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 3 mar. 2021.
Alexander Calder Obras. Disponível em: <www.google.com>. Acesso em: 3 mar. 2021.






Um comentário:
Muito bom.🙂
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