O uruguaio Lincoln Presno (1917 – 1991) foi um abstracionista que participou de três bienais de São Paulo. Foi docente de Arte na Universidade do Trabalho do Uruguai e conservador artístico no Palácio Legislativo do Uruguai. Presno foi premiado no Uruguai e na Argentina e integrou o Grupo 8, de artistas afins. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Composição. Temos aqui sobreposições, num certo jogo de transparências. Um grande ponto negro se revela, como um grande problema, um grande percalço a ser contornado, pois é necessário ter paciência para, passo a passo, contornar tal vicissitude, numa pessoa que tem que fazer um esforço ENORME para reconstruir a própria vida, na esperança de que há uma saída para tal “labirinto”. O ponto negro é a mente acima de tudo, no modo como é o espírito que tem que mandar na carne, e não o oposto – não ouça só o seu coração, pois, assim o ouvindo, este coração vai ludibriar você. Aqui é como uma lua nova, negra e profunda, deixando que as estrelas no céu brilhem ao máximo sem a interferência do luar. O ponto negro é como o fundo de um poço, numa pessoa que enfrenta tal percalço, vendo sua própria vida ficar miserável existencialmente, num episódio depressivo, profundo, no qual a pessoa tem extrema dificuldade em colocar os pés no chão e ver a Vida no jeitinho que esta é – é como uma miopia. O círculo aqui, absolutamente sem arestas, “compete” com as formas quadradas e retangulares, no sentido da polidez, como é o homem de Tao, um homem excessivamente polido, que cumprimenta tudo e todos, vivendo de coração aberto para o Mundo. A polidez é como as quinas de mesas de vidro, polidas para que não machuquem os outros, pois quando sou inofensivo, inofensivo me sinto, como uma espada sem fio; quando sou arrogante, sinto-me como um terrível bisturi. Esta obra nos traz cores discretas, escuras, sofisticadas, sem um arcoíris vibrante como todo um leque de cores carnavalescas. O fundo é um azul metálico, quase negro, como numa densa nuvem de tempestade se aproximando com ruidosos trovões, como uma terrível crise chegando, envolvendo a pessoa em trevas como nunca antes na vida desta pessoa, nas palavras de uma excelente psicoterapeuta que conheço: “As crises são positivas”, pois as crises apontam um ponto de renovação na vida da pessoa, numa vida nova, fresquinha, no eterno recomeço, nesta missão que o espírito encarnado tem para cumprir na Terra. Aqui é como um jogo infantil, com pecinhas tendo que ser encaixadas, ensinando à criança o discernimento e o indispensável Pensamento Racional, este raciocínio que tanto nos diferencia dos animais, havendo na fria lógica matemática esta mortificação, esta falta de expectativas, pois quanto mais tenho expectativas, mais me frustro – é o caminho da falta de ilusões, havendo na dor desilusória este aprendizado, como na canção de Bossa Nova: “Quando a ilusão se desfaz, dói no coração de quem sonhou demais”. Aqui temos subconjuntos mais claros, na luz científica sobre o funcionamento do Corpo Humano, em desafios como a cura do Câncer, no modo como a Humanidade tem que ser assim, autodidata, e no modo como cada pessoa tem que ser autodidata para ir rumo ao autoencontro existencial – cada pessoa é uma história diferente, pois cada um tem que se encontrar consigo mesmo, pois como é bom ver uma rara pessoa que vive aberta ao Mundo! Vemos aqui um retângulo cor de tijolo, no paciente trabalho de formiga, construindo os indecifráveis labirintos do formigueiro. É como no negócio de construção civil, numa obra que leva anos para ser concluída, num trabalho persistente de paciência, como disse o grande líder Obama: “Você será lembrado pelo que você construiu, não pelo que você destruiu”, alfinetando, aqui, os terroristas, como no título de Esqueleto, arquinimigo do herói He-Man: “O senhor malévolo da destruição”. Aqui temos o poder da simplicidade, modernista, como numa casa modernista, ou nas linhas arquitetônicas de Brasília, simples, limpas, numa simples rampa substituindo uma escadaria mais complicada, como na simples rampa do famoso templo erguido pela faraó Hatshepsut – menos é mais, realmente.
Acima, Estrutura Urbana. Elegantes prédios se erguem, em sonhos apolíneos de Arquitetura, num lugar de apuro visual, de sofisticação, na elegância de uma aristocrática camisa listrada, na tentativa humana em apreender o nobre, o impecável e o eterno, no milagre da Vida Eterna, esta dádiva que faz com que jamais findaremos, na prova do poder imenso de Tao, o subestimado – se sou subestimado, poderei surpreender o Mundo. Aqui podemos ver um pouco de Mondrian, este grande mestre que trouxe os novos ares arejados de arte pós acadêmica, no poder limpo, matemático e minimalista de simples retas, como uma publicitária que conheci, a qual gostava de usar fontes de letras mais simples, como a Arial, sem arestas nem frescuras desnecessárias, como numa cidade limpa e bem administrada, num lugar divino onde não há lugar para nenhum fiapinho de sujeira ou pó, no prazer de se entrar numa sala de visitas limpa, num anfitrião fino e agradável. Nas cidades, há uma certa competição fálica, como em âmbito mundial, com nações competindo para ver quem tem o prédio mais alto do Mundo, como na pujança imobiliária de Balneário Camboriú, SC, como as recentes torres gêmeas de oitenta andares cada. Aqui, o céu noturno, e os cidadãos dormem lidando com seus próprios códigos oníricos, talvez com pesadelos, como vilões combatidos por super-heróis, na Racionalidade limpa combatendo as sujeiras das ambições mundanas – quanto menos quero, mais tenho. Aqui há tensão, e não há espaços para linhas orgânicas fluidias, aquosas, como na vinheta do televisivo Viva o Gordo, da Globo, com as letras gorduchas acumulando-se como gordura abdominal, no carisma de palhaços gorduchos, como um rei Momo, celebrando a fartura e a prosperidade, na riqueza de um salão regido por um só ritmo. Aqui, vemos uma certa tensão entre estes dois prédios, num relacionamento, numa tratativa, como numa intrincada negociação, como um jornalista entrando em árduas negociações para entrevistar um grande popstar, nos eternos joguinhos medíocres de Ego humano, na arrogância do lema: “Não nasci para esperar; nasci para ser esperado”, num Woody Allen expressando desprezo pelo stablishment das celebridades. Aqui é um disciplinado trabalho de régua, como um arquiteto bolando um novo prédio. É como o retilíneo mapa norteamericano na divisão dos estados, com divisões feitas com régua, muito diferente das subdivisões do Brasil ou da Itália. Aqui as retas vão em todos os sentidos: horizontal (Cultura de Massa), diagonal (Cultura Popular) e vertical (Cultura Erudita). Um grande retângulo rubro se revela no pé do quadro, como numa ferida aberta, ardendo, num hemofílico perdendo sangue. É como uma pimenta, dando graça a um prato, na missão da Arte em se tornar tal prazer ao espectador, como multidões vendo uma grande película, na capacidade em se promoverem comoções em massa, como na mensagem antiburguesa de Titanic. Vemos aqui uma discreta listra em azul marinho, numa cor de discrição, nos modos humanos em ver toda a nobreza de Tao, fazendo do aristocrata elegante um representante de tal classe, de tal nobreza, de tal pertinência positiva. Nesta competição fálica, um prédio está ligeiramente acima do outro, como uma partida de Futebol vencida com apenas um gol de vantagem, fazendo das competições este entretenimento em escala universal, como dois titãs competindo no Tênis, por exemplo. Este é um quadro de disciplina, numa pessoa acordando e deixando de ouvir aos sedutores apelos de Morfeu, saindo da cama para iniciar uma nova lida, um novo dia de interação social. As linhas aqui fazem uma dança para delinear algo que faça sentido, como placas tectônicas se acomodando e reacomodando, no poder artístico em imitar tais forças da Natureza, pois se alguma obra de Arte não mexe comigo de algum modo, como poder ser algo válido? É o pavor do artista em se ver ignorado.
Acima, Evasão de Planos. Uma ponta de faca se pronuncia, como no facão do MST, na eterna tendência humana em obter as coisas da forma mais brutal e cruel possível, num reino infeliz, descontentado, que sempre quer anexar mais e mais territórios, pois se o que tenho acho que não é o suficiente, então nunca terei o suficiente, numa sede incessante, afastando, assim, a Paz, esta força tão subestimada pela paixão bélica humana. O quadro aqui tem uma textura, como numa parede rústica, no modo como o rústico é acolhedor, sem pretensões, acolhendo de forma simples, igualando todos, na deliciosa sensação de saber que estamos ente irmãos, longe das prisões encarnatórias, pois não é a Carne esta prisão que tanto nos ensina e que tento nos faz evoluir como seres humanos? Presno gosta de linhas racionais e disciplinadas, como se estivesse com uma régua na mão, este falo que faz com que o aluno se assuste e respeite o professor, na intrincada tarefa de se impor disciplina a crianças e adolescentes inquietos, no inevitável modo de que, sempre, numa classe de alunos, há os excelentes, os medíocres e os insuficientes, num inevitável degradê, num gradiente, fazendo da escola o primeiro plano de competição entre os seres humanos, na eterna sedução de jogos e campeonatos, ou em concursos de beleza. Podemos ouvir aqui o discreto som do lápis retilíneo cortando o quadro. O branco é a base, na indestrutível tradição da noiva vestida de branco, nos preconceitos patriarcais de se entregar no púlpito uma filha pura e casta, a qual sempre foi guardada debaixo de sete chaves pela autoridade patriarcal, num mundo machista no qual não é permitido que a mulher tenha prazer sexual, havendo no mundo artistas mulheres tão transgressoras, que colocam o dedo neste nervo preconceituoso, pois, já ouvi dizer, uma sociedade só evolui a partir da transgressão de alguns de seus membros, na missão do transgressor em abrir os olhos do corpo social. Aqui, a retidão dos raios solares incidem, como nos braços retilíneos de Aton, o transgressor deus monoteísta egípcio, e a retidão é este apuro de caráter, esta dignidade, esta honestidade, com linhas aristocráticas de clareza e disciplina, na função do aristocrata em representar tais valores de Tao, desta classe impecável, como Jesus Cristo oferecendo a outra face, ou seja, deixe de ser bagaceiro e torne-se nobre! Neste prédio pós-moderno de Presno, temos uma lacuna na parte inferior, como escavações na rocha, como no Vale dos Reis, no Egito, com suas covas escavadas no ventre das colinas pedregosas, no incrível trabalho empreendido e supervisionado por líderes vaidosos, os quais não chegam aos pés dos líderes clemente que agem sob Tao, o fino, o emblemático, o arrebatador. A base aqui é cor vinho, no fascínio que os vinhos exercem, fazendo da birita algo tão universal, surgindo de formas diversas Mundo afora, trazendo, aqui, novamente, o preconceito patriarcal milenar, pois na Roma Antiga uma mulher não podia tomar vinho em público, numa misoginia que vai a extremos, como castrar uma menina puberscente, fazendo de Eva a eterna serva de Adão e atriz da queda do Ser Humano. Já, na porção mais superior, vemos uma boa porção dourada, na universalidade do Ouro, dos materiais valiosos e preciosos, tudo girando em torno da dimensão acima, a dimensão em que nos descobrimos absolutamente especiais, como príncipes que pulsam no sagrado sangue azul metafísico – somos todos iguais perante o amor de Tao, o Pai de tudo. Este prédio em trapézio é recatado, reservado, tímido, pois está recolhido, deixando o fundo branco ter um papel mais protagonista, no recato de uma pessoa que, apesar de cujo trabalho ser reconhecido socialmente, é, ainda assim, uma pessoa reservada, como se soubesse que bom mesmo é se sentir, dentro de si mesmo, tão especial e único, como no patinho feio que “virou” cisne – você sempre foi e sempre será um príncipe, fazendo com que você precise trilhar tal caminho de autoencontro, e isto é nítido, pois cada um tem que encontrar a si mesmo, sozinho, num caminho autodidata.
Acima, Geometria. Uma entrada de igreja, na universalidade das religiões, tentando desvendar o indesvendável, que é Tao, o eterno e excitante enigma. É como o sexo feminino, na entrada de uma vagina, numa Madonna que se sentiu muito invadida por um jornalista inglês que sugeriu que a diva tirasse fotos de seu próprio interior uterino, aborrecendo a cantora com tal indiscrição – respeito é bom e todo mundo gosta. Aqui, Presno foge um pouco da retilinidade e traz formas ovais, como em arcos góticos, na arte que antecedeu a explosão renascentista, no modo como o novo sempre vem, nas novidades brotando e excitando o Mundo, na vogue impressionista, desafiando séculos de arte acadêmica, na delícia que é o sabor da transgressão, esta força que nos faz mais avançados e modernos, numa encarnação que, com suas turbulências, vai fazendo de nós pessoas melhores, fazendo com que nos tornemos menos egoístas e menos grosseiros, pois nunca ouvimos falar que é para frente que se anda? Aqui é um quadro um tanto sombrio, com tons fechados, na culpa do pecado, como num Oscar Niemeyer, o qual projetou a catedral brasiliense com claridade, evitando a culpa lúgubre do pecado, no modo como o Ser Humano foi feito para pecar e aprender a não mais pecar, como um bom aluno que vai trilhando brilhantemente sua carreira escolar, ganhando a admiração dos professores. Aqui é uma porta de entrada para algo, num lugar que nos chama e acolhe, no prazer de se entrar num restaurante de hotel para tomar um belo café da manhã, na fartura de uma mesa com tantas opções, como num adolescente, que se vê tendo que fazer escolhas universitárias, a escolha de sua vida, no modo como é comum uma pessoa abandonar algo para abraçar algo novo, como num ator frustrado que mudou de profissão, buscando, assim, ter uma vida melhor – todos temos o direito de sonhar com uma vida melhor. O interior desta igreja é alaranjado, vibrante, provocante, numa fruta subestimada, a qual é feia por fora e deliciosa por dentro, ensinando-nos a lição de que nunca devemos subestimar as pessoas, pois é exatamente a pessoa subestimada a qual acaba nos surpreendendo. Tudo aqui se rende ao formato oval, como um ovo de Páscoa dentro de outro ovo, como bonecas russas, como numa família, com neta, filha, mãe, avó, bisavó etc. É o modo de sucessão monárquica, remetendo a uma época em que o paradigma democrático ainda não tinha ganhado toda a força que tem hoje, como numa Elizabeth II, a qual reina mas não governa. Aqui é como se fosse um quadro com linhas retas o qual foi subvertido, abalado, liquidificado, afetado, sofrendo assim uma influência forte a arrebatadora, como numa pessoa mudando de opinião e crescendo, aprendendo que é insuportável uma pessoa arrogante, pois a arrogância precede a queda, como num político encarando um amargo impeachment. Esta porta e estes arcos acolhem o fiel, no espetáculo de uma missa gospel, na riqueza afroamericana de cantores negros com vozes avassaladoras, gerando uma cultura pop tão rica, num país que se esforça para ser o mais democrático possível. Algo de vibrante e interessante está acontecendo dentro desta igreja, como no divertido filme com Whoopi Goldberg, uma cantora que acaba se encontrando com freiras cantando em missas. Estamos aqui do lado de fora da missa, mas podemos ouvir o movimento lá dentro, num templo que nos convida a entrar, como membros de uma religião, interpelando as pessoas na Rua, dizendo-lhes: “Jesus te ama!”, num Brasil que simplesmente não cobra impostos de instituições religiosas. Aqui é uma ogiva nuclear sendo detonada, no sentimento perene de culpa que persegue um soldado detonador, sabendo este, no fundo, a cruel estupidez que fez, num caminho de inferno consciente, fazendo da Guerra uma experiência que deixa sequelas inapagáveis – como posso ter Paz pensando em crianças as quais matei? É como no assassinato grupal da família real russa – desculpe-me, mas não é ok matar crianças. Aqui é uma estampa meio psicodélica, como uma fatia de torta revelando várias camadas geológicas formada em bilhões de anos – à Matéria vem a danação.
Acima, título não informado na referência bibliográfica. Vemos aqui um diálogo truncado, tenso, com negociações árduas, como nas complicadas relações diplomáticas, sempre primando pela harmonia, havendo na Guerra a perda total de tal tato, com o assassinato de Abel, na incapacidade humana em entender que viemos todos do mesmo Imaculado Útero. Aqui é um vaivém, como carros transitando em direções opostas, ou como pessoas passando umas pela vida das outras, na construção de relacionamentos, nas grandes amizades que resistem ao tempo, na eternidade dos grandes vínculos, relegados à infinitude de Tao, o inacreditável, pois, como eu já disse, há maior poder do que o Infinito? Aqui são como janelas sendo abertas, numa casa sendo arejada num feliz momento de limpeza, no prazer de se estar num lugar limpo, como na limpeza impecável do Plano Metafísico, um lugar onde há lugar sequer para uma única bactéria, fazendo do banho esse ritual que tenta nos dar uma amostra da plenitude limpa e perfumada dos desencarnados, num lugar onde os egos humanos e as bajulações caem por terra, pois as massagens de ego são desnecessárias num plano em que sabemos, com muita certeza, de que somos muito, muito especiais, fazendo do homem sábio este representante de Tao na Terra, no talento dos grandes líderes amorosos, pessoas imunes à sede de poder, numa espécie de imunidade psíquica, bloqueando a dantesca energia do Umbral, a dimensão miserável habitada por quem realmente não se sente especial. Aqui são como hélices de ventilador ventilando um ambiente, no modo como água parada fica podre, ou seja, quem não labora, não é feliz, sendo o Trabalho esta força que traz dignidade e preenchimento existencial, pois, já me disse uma amiga psicóloga, é tão desinteressante uma pessoa que é apenas dona de casa... Aqui, as linhas em diagonal buscam quebrar um pouco tal sisudez, numa rainha tão sisuda como Elizabeth II, sentindo-se acuada a tomar ação no momento da morte de uma das maiores personalidades de toda a História da Inglaterra – Diana, num país em que, na teoria, ninguém pode ser mais importante do que a Realeza. Aqui são janelas que se abrem para uma majestosa aurora, num momento que parece que o Mundo é feito de ouro, como na beleza intimidante da Galadriel de Tolkien, uma feiticeira de olhos penetrantes, que veem os homens por dentro, num personagem sábio, de elevada depuração moral, uma deusa da Estrela da Manhã, no momento em que, ainda em noite escura, uma estrela nos avisa do novo dia, da nova chance, do novo momento, no prazer de se tomar café da manhã à luz de um dia fresquinho e novo, numa página que tem que ser virada todas as manhãs. Aqui vemos um contraste com as cores das “janelas” em meio a um fundo tão denso, discreto, fazendo da discrição algo tão importante, pois a pessoa discreta é subestimada, ou seja, pode agir e surpreender a todos, ao contrário do exibidinho, o qual pouco tem a mostrar. Aqui, Presno assina sublinhado, num realce, algo para chamar nossa atenção, na intenção artística do artista se tornar algo importante, algo maravilhoso, cheio de dignidade, sendo respeitado, amado, num patinho feio que se descobriu cisne, num processo cognitivo esclarecedor, num dia que vai amanhecendo aos poucos, num processo gradual, que leva um certo tempo para se desenrolar. Aqui são como leques sendo abanados, como damas antigas em bailes, abanando-se, na grande invenção que foi o Ar Condicionado. Aqui são como elevadores indo e vindo, na demanda de um grande prédio, na preguiça humana em tomar as escadas, pois, eu já disse outras vezes, foi da Preguiça que vieram grandes invenções da Humanidade. Essa predisposição diagonal é como a revolução da perspectiva geométrica renascentista, num momento em que a poderosa vogue do momento era derrubar a limitada arte medieval e trazer o frescor de novos ventos para a Europa, na febre das Navegações, num momento em que a Humanidade descobriu a si mesma, na dúvida de que se há ou não Vida, e Vida Inteligente, fora da Terra. Uma linha corta do quadro de norte a sul, como numa linha divisória, dividindo reinos amigos.
Acima, Tríptico. O prazer violador de se olhar para janelas, dentro da casa de alguém. É no genial sistema Windows, ou seja, Janelas, simplificando para o usuário o uso de computadores, longe de códigos e padrões de pouca estética, não fazendo com que o usuário precise ser um nerd brilhante para acessar tal tecnologia.
Quadro 1: Cacos de vidro, num coração despedaçado, no momento doloroso em que a ilusão se desfaz, dando choques de realidade na pessoa, como na desconfortável sensação de se levar um choque elétrico. São quinas agressivas, perigosas, e exigem que tomemos distância respeitosa, como num reino pacífico, que irá à Guerra se provocado. Aqui é como uma dança de baile, com o flerte, as paqueras, as expectativas amorosas, na dor de se levar um chute, ou seja, um rechaço amoroso, fazendo da expectativa a irmã siamesa da dor de desilusão, como na letra de Marisa Monte: “Desilusão. Dança eu, dança você, na dança da solidão”. São as carências afetivas, que fazem com que uma pessoa se derreta frente a qualquer demonstração de carinho, numa vida solitária e triste. Aqui é como um beijo impossível, complicado, com duas pessoas que estão tendo dificuldade em se entender, talvez numa pessoa arredia e temerosa, temendo muito se machucar com estas quinas traiçoeiras. Aqui há um desencontro, com idealizações que foram sendo frustradas e desiludidas, como numa pessoa que troca de namorado como troca de roupa, sabendo o que é Sexo; não sabendo o que é Amor. É um beijo de despedida, com cada pessoa rumando para um lado, no modo como as grandes amizades resistem tanto à passagem do Tempo.
Quadro 2: Aqui há arestas mas há também linhas orgânicas e arredondadas. Vemos uma vírgula negra, num pedido de pausa, de calma, no modo como o Desencarne é uma mera vírgula, numa pessoa que desencarnou e percebeu que precisa continuar trabalhando em produtividade. Vemos um retângulo arredondado, gordinho, querendo se posicionar no centro do quadro, querendo ser importante, querendo ser algo, talvez um artista respeitado, ou um príncipe, no modo como o homem de Tao é assim, excessivamente polido, cuidadoso, como se soubesse que há perigo na travessia de um “rio”. É como se um córrego de sangue saísse desse retângulo, nas dores mensais menstruais, no modo como a mulher é mais tolerante à dor que o homem o é – quem é mesmo o sexo frágil? Vemos aqui uma ponta de faca cortando alguém, como rejeitar alguém, rejeitar um namorado, mandando esta pessoa rechaçada ir vagar pela rua dos sonhos despedaçados, numa pessoa que não mais suporta levar tal vida de lobo solitário. É como um dente de vampiro, este ser fantástico que faz certíssima metáfora com o sociopata, este sugador de almas, este manipulador ardiloso que acha que é Deus, simplesmente Deus – existe arrogância maior? Aqueles que mentem acabam sendo rejeitados e desprezados. O fundo branco é como os pálidos personagens góticos do diretor Tim Burton, na palidez dos ingleses, numa terra na qual o Sol luta tanto para acalentar dias de neblina cinzenta.
Quadro 3: Aqui dá para se observar uma inspiração no grande mestre Piet Mondrian, no modo como é inevitável que os artistas influenciem uns aos outros, fazendo com que os grandes artistas célebres se tornem “escola” para os artistas ainda não tão célebres. Assim como em PM, vemos linhas retas racionais e elegantes, na magia do equilíbrio assimétrico, no equilíbrio de uma equação, fazendo da Matemática esta clara prova da mente suprema de Tao, o lógico, como se cada um de nós fosse um computador, uma máquina, no caminho da construção técnica do espírito, nunca perdendo, é claro, o Amor e a afetividade por seus irmãos, seus iguais. O traço negro aqui é marcante, sério, delineador. São como folhas sobrepostas, numa assemblagem, numa reunião de vinhos, numa salada de fruta, num corpo social diversificado, no qual as diferenças têm que ser altamente respeitadas.
Referências bibliográficas:
Lincoln Presno. Disponível em: <www.aplicacoes.fcc.sc.gov.br>. Acesso em: 21 fev. 2021.
Lincoln Presno. Disponível em: <www.arteinformado.com>. Acesso em: 21 fev. 2021.
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Lincoln Presno. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 21 fev. 2021.






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