Volto a falar sobre o escultor americano Alexander Calder. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Peixe Diabo. Um corpo se contorcendo, talvez incômodo, talvez num processo de transformação e crescimento. É como uma gata no cio, contorcendo-se, louca para transar, a sensação de um adolescente, “arranhando as paredes” dentro de casa, querendo sair, beijar, transar e viver. Aqui é um entrevero, com várias placas, cada uma apontando para uma direção diferente, deixando a pessoa ficar indecisa, incapaz de fazer escolhas existenciais, como uma pessoa querendo se encontrar, não sabendo quem ela mesma é, na história falsa (mas bela) da princesa russa Anastácia, sobrevivendo à execução da família real russa e, mais tarde, adulta, descobrindo quem é, no patinho feio que descobriu que, na verdade, nunca foi pato, mas um belo e nobre cisne, naquilo que a pessoa é, sempre foi e sempre será, num momento atemporal, no qual a pessoa enxerga através de Tempo e Espaço – eu sou, independente de onde ou quando estou, ao contrário de uma pessoa que se nega a enxergar dentro de si mesma, numa pessoa numa etapa triste, querendo ser outra pessoa; querendo estar em outro lugar, pois como posso ser feliz se não gosto de mim mesmo nem de onde estou? É o caminho essencial da autoestima, esta força que faz com que a pessoa, em paz consigo mesma, seja vista, amada e respeitada, como num feiticeiro numa tribo, unindo em torno de si o Corpo Social, como num Sol banhando todos os seus filhos planetas e satélites, na capacidade de uma pessoa em distribuir, atingindo a todos no Mundo. O preto é esta discrição, numa cor que passou a ser moda nos anos 1990, deixando de ser uma cor que remete ao Mal ou à Morte, nos absurdos momentos fashion, como andar por aí com jeans rasgados e detonados, como num sobrevivente de uma hecatombe nuclear, nesta força de um artista em sobreviver a décadas de carreira, como em estilos inconfundíveis, como nos círculos e bolas de Yayoi Kusama ou as multifaces multicoloridas de Andy Warhol – o grande caminho, a avenida de Tao, é fácil, mas as pessoas estão o tempo todo seduzidas por atalhozinhos que fogem da simplicidade, numa pessoa severa demais consigo mesma, expondo-se ao degradante modo de vida workaholic, sem obter sucesso frente a tal imensurável e masoquista sacrifício. Aqui é como um exótico peixe na água, absolutamente confortável em seu ambiente, numa pessoa confortável dentro de si mesma. O peixe vai indo assim, instintivo, numa sabedoria que ninguém lhe ensinou, já tendo nascido assim, numa pessoa de instinto, que vai trilhando seu caminho inconscientemente, deixando o Mundo admirado com tal destreza espontânea, como na personalidade de feiticeiro, de bruxo tribal, deixando as pessoas perplexas com tal força de união e concórdia, com índios dançando em torno da fogueira, que é o Sol, que é Tao, o Grande Pai que quer que amemos uns aos outros e, é claro, amemos a nós mesmos, pois falo algo aqui sem pieguice ou sentimentalismo: sem Amor, não há esperança, não há sentido, não há Vida. Este peixe negro de Calder tem uns furinhos, como se tivesse sido alvejado, sobrevivendo, na força do termo: “Sou como bolo – quanto mais me batem, mais cresço”. Os furos são como poros, proporcionando que respiremos, como num tecido que permite a transpiração, pois Tao nunca sufoca os próprios filhos, ao contrário do ditador, o qual oprime o cidadão, num ditador que morre de medo da liberdade de expressão, pois a contestação intelectual questiona o poder, numa divertida metáfora de um mouse de computador aterrorizando tais líderes sufocantes, numa menção à fobia por ratos. Aqui, este corpo está de braços abertos, receptivo, e quer nos abraçar, num acolhimento, numa família, nas heróicas tentativas constantes dos padres em nos dizer que somos todos irmãos, um recado completamente esquecido na hora do belicismo.
Acima, Saurien. Encanamentos que vivem abaixo e acima do solo, nas demandas de uma grande cidade, com muito gasto de água e energia, ou nas infindáveis demandas de aterros sanitários. Esta cor vibrante contraste com uma cidade cinzenta, como São Paulo, a cidade cinzenta dos negócios. Aqui, a estrutura está muito sólida, muito presa ao chão, como numa pessoa realista, que sabe que não deve idealizar nem o Mundo, nem a pessoas. Vemos guampas, pontas de faca apontando ao céu, como pessoas avistando o Super-Homem. É como uma cerca de segurança, num fila de guardas com as espadas em punho, no falo da faca, tendo a intenção de impor respeito. São como duras escamas, como numa armadura, num tanque de guerra, na armadura da Mulher Maravilha, rechaçando duros tiros de metralhadora, numa mulher completa, com Yin e Yang, num símbolo feminista que encoraja as mulheres em ter uma carreira além da vida de dona de casa. Aqui é como um penteado de rapaz, com “facas” moldando o cabelo com gel, como num tradicional cabelo punk, como uma crista agressiva, seca, dura, remetendo à área punk na via portoalegrense Oswaldo Aranha, numa cidade com tantas opções culturais, na qual tomo “banhos” de Cultura, como na deslumbrante Fundação Iberê Camargo. Aqui é uma imposição, uma atitude, numa pessoa decidida a impor respeito, buscando representar, em dignidade, todo um povo, erguendo a cabeça altivamente, sendo digno de tão almejado respeito. Falando em Oswaldo Aranha, aqui é como uma aranha bem exótica, fugindo dos tradicionais tons pretos e marrons para aracnídeos. É uma releitura, numa aranha pós moderna, talvez menos terrível aos olhos do aracnofóbico, como na estranha Galadriel de Tolkien, uma espécie de aranha branca, cristalina, iluminada, revelada em seus mistérios, no poder da Estrela da Manhã, este corpo celeste que nos inspira a um mundo melhor, onde tudo está em ordem e harmonia, no desencarne de um humano virando anjo, livre em suas asas de Amor e Bondade, no poder de Glenda, a Fada Boa do Leste, no modo como no Plano Metafísico só há espaço para o Bem, para o apuro moral. Aqui são arcos de passagem, muito frequentes em Calder, como nos arcos de ilusão ótica de Escher, fazendo que um artista se torne, simplesmente, um mágico, um feiticeiro de obras magníficas, no poder da Arte em deixar o espectador “de boca aberta”, em comoções de blockbusters como Parque dos Dinossauros, com intermináveis filas nos cinemas, nesta arte tão jovem e poderosa como o Cinema. Esta estrutura nos inspira a imaginar raízes, sem as quais a estrutura não poderia ficar em pé, no modo como devemos observar uma árvore não só acima do solo, mas abaixo, havendo, deste modo, duas árvores, uma nutrindo a outra. Aqui é como um átrio, um vaso que leva a diversos outros, como num movimentado prédio comercial, num infindável vaivém de trabalhadores indo e vindo de suas árduas jornadas, na vibrante ilha de Manhattan, com seu formigueiro de novaiorquinos indo e vindo com seus sonhos em conquistar a “cidade que nunca dorme”, numa cidade que pulsa bela Arte e feio endurecimento, num lugar que, como qualquer outro, pode seu bem cruel, ou seja, de nada adianta eu me mudar de cidade se minha cabeça permanece a mesma... Aqui é como as terríveis máquinas assassinas de Matrix, empenhadas em escravizar e dizimar o Ser Humano, com terríveis máquinas buscando avidamente por pessoas para matar, na ficção apocalíptica que mostra a Máquina escravizando o Homem. Aqui é como um recanto de proteção, talvez de uma pessoa surpreendida por uma tempestade repentina, numa pessoa um tanto carente, triste e solitária, não mais aguentando tal vida sem sentido, como o patinho feio, o qual, antes de se encontrar, cruzou tristemente um lago escuro. Esta obra entra aqui de forma competitiva, querendo se destacar numa urbe tão pujante e grandiosa, no desafio da pessoa em obter destaque em meio a um mundo tão indiferente e frio.
Acima, Peixe de Aço. Os móbiles são fascinantes por sua suavidade, sua calma, feitos para acalmar os bebês, como nas suaves cortinas abaladas pela tórrida brisa do Verão italiano no filme Il Gatopardo, na sequência inicial da película. Aqui temos uma fragilidade, uma vulnerabilidade, como numa pessoa sensível, sensitiva, percebendo coisas que os menos sensíveis não perceberiam. É como uma pessoa que ouve o coração e não a cabeça, sofrendo pela montanha russa das paixões, pois, já me disseram, quando você se apaixona, você se f... Aqui temos elos, ligações entre partes, como em setores de uma empresa, com cada um fazendo sua parte em nome do corpo total. É como um intrincado sistema de ruas e ruelas, quase num labirinto, como numa pessoa em uma cidade estranha, perdendo-se e tendo que pedir informações aos locais, como num labirinto existencial, numa pessoa que cruza as alamedas traiçoeiras de um labirinto, caminhando tristemente, vagando, como o patinho feio antes de se “tornar” cisne. Aqui é como uma bijuteria exótica, numa revolucionária Coco Chanel, libertando as mulheres do uso de joias caras, numa estilista que percebeu que o que importa é o efeito, e não o valor da peça em si. Aqui é como o esqueleto de um ser exótico, como num fóssil de dinossauro, nos mistérios evolutivos que colocam e retiram seres da Terra, no fato de que tudo é processo, e as evoluções e as mutações, também, no fato de que Tao está sempre funcionando e criando, nunca achando que atingiu a perfeição, ao contrário da arrogância humana, a qual se acha Deus, havendo, então, o fato da Vida Eterna, proporcionando que a pessoa ganhe o prêmio de jamais acabar – não há presente maior. Aqui é como um organismo móvel funcionando, como comida sendo processada por um aparelho digestivo, ou como uma linha de produção, e podemos ouvir os sons de coisas sendo fabricadas, com seus produtos indo a mercados e parando nas mesas dos consumidores. Aqui temos um minimalismo, e os fios são altamente delgados, quase invisíveis, na discrição de Tao, como num artista discreto, o qual nunca quer aparecer mais do que o próprio trabalho, pois se o que tenho acho que não é o suficiente, então nunca terei o suficiente, pois, realmente, menos é mais, ao contrário de uma pessoa materialmente apegada, passando os dias catando tranqueiras nas latas de lixo seco da vizinhança – é o fetiche da Matéria, esta ilusão de que não há Vida Metafísica. Aqui temos uma delicadeza, uma polidez, numa hierarquia nunca imposta força, mas com polidez, irresistível, até a pessoa se dar conta da importância do aprimoramento, abandonando uma certa estagnação, numa pessoa querendo ser algo melhor, mais elevado, fazendo do sábio, do homem de Tao, este príncipe com P maiúsculo, pois de nada adianta um título se não faço este valer de fato – o que você quer: ser um príncipe só na teoria ou um príncipe na prática, amado e respeitado? Neste equilíbrio vemos uma equação, na função da Matemática em nos atiçar o Pensamento Racional, a fria inteligência, na beleza da mais pura lógica de Tao, numa sofisticação que parte do simples fato de que, depois de um, vêm dois. Aqui é uma árvore pós moderna, com seus frutos estranhos, como a deliciosa manga, vinda das entranhas do misterioso Oriente. Com aparência frágil, este esqueleto é forte e mantém unido o Corpo Social, num líder que não desconsidera qualquer cidadão, como numa pessoa que cumprimenta todos – desde o prefeito até o gari. Aqui temos elementos unidos por algo, tendo algo em comum, como numa família, pois, apesar de não serem gêmeos siameses, mantêm-se unidos, como no talento de um patriarca em unir a família em ocasiões especiais. Vemos uma forma negra em forma de peixe, vagando em busca de sexo e comida, como nos salmões interceptados por ursos famintos, no senso de humor que existe por trás da Cadeia Alimentar. Vemos um semicírculo rubro, que é a limitação, num sonho podado pela dureza da Vida. Vemos dois círculos negros gêmeos, com cada um em busca da própria identidade e diferenciação. E vemos um círculo que é o Sol, como Tao, o provedor pulsando no meio de tudo e todos, como receber amigos com uma lareira no Inverno.
Acima, A Estrela. Um elegante esqueleto de peixe nadando em elegância majestosa, pois Tao coloca um pouco de si em tudo o que cria, como um filho parecido com o pai. Aqui é como um ramalhete de flores, todas unidas num só pulso, com a seiva fluindo igualitariamente, como numa cadela amamentando cada um dos filhotes, nunca fazendo diferença entre os filhos, sabendo que cada um deles é único e especial, pois Tao nunca faz dois filhos iguais... Vemos uma flor em forma de estrela, no sangue estelar metafísico que nos une, na grande Família Imperial Metafísica, fazendo das dinastias mundanas uma mera e grotesca cópia da plenitude imaterial que nos aguarda após o inevitável Desencarne. A estrela é a promessa de que somos todos especiais. A estrela é o destaque, numa pessoa única. A estrela é o sonho de alguém que se descobriu um príncipe, algo que sempre foi e sempre será. A estrela é como um boom de uma supernova, atraindo as atenções e causando comoções, em algo sendo revelado. Aqui são como folhas de outono, prestes a cair, douradas, assinalando o incessante baile das estações do ano, na sabedoria de Tao em trazer um calorzinho para o Inverno e um frescor para o Verão, no senso de humor de Tao: enquanto um hemisfério está na estação quente, o hemisfério oposto está na fria. A estrela é a excepcionalidade, algo inconfundível, como num Andy Warhol, adquirindo um estilo próprio, ao contrário de um certo artista, cujo nome não mencionarei, um artista que plagia descaradamente Romero Britto – é o caminho da mediocridade. Uma das folhinhas aqui tem um furo, como se tivesse sido alvejada, sobrevivendo a algum acidente, a alguma hecatombe nuclear, no modo como é necessário que sobrevivamos às provações existenciais, numa cicatriz que conta uma história, uma trajetória, como numa tatuagem, como numa mala com vários selos de viagens, fazendo das encarnações tal itinerário espiritual, tudo em prol de um diamante a ser polido, brilhando como a estrela aqui, no caminho da humildade, pois a arrogância é o oposto do brilho – como posso brilhar se me acho Deus? O buraquinho da folha é uma porta de passagem para uma nova fase, uma nova vida, como no excitante retorno às aulas, encarando novos professores e novas matérias, no modo como é feliz a pessoa que não abandona os estudos. O furo é esta mácula, como num furo de reportagem, numa pessoa se esforçando para merecer o respeito das pessoas. A estrela guia e ilumina aqui, como numa pessoa de carisma, chegando numa sala cheia de amigos e dizendo em alto em bom tom: “Salve!”. A estrela é como uma torneira aberta, provendo o Mundo com água e alimento, como alimento espiritual, longe do niilismo de sociopatas disfarçados de intelectuais, na vida dupla de um lobo disfarçado de cordeiro – tome cuidado... Aqui é como o esqueleto sumário de algum trabalho, com capítulos sendo metas, as quais vão sendo depois preenchidas pela “carne” do desenvolvimento temático. É como um universitário apresentando algum trabalho, colocando tópicos no PowerPoint e desenvolvendo oralmente tais tópicos, na delícia que é estudar e se esforçar para fazer muito bem feitos os trabalhos exigidos pelos professores, como me disse uma certa amiga, a qual largou os estudos anteriormente: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. Aqui temos uma diferenciação quantitativa, pois uma das folhas é a maior de todas, como numa prioridade, como no harém de um faraó, no qual havia a grande esposa real, a prioritária, que aparecia publicamente ao lado do rei, nas inevitáveis hierarquias, pois, entre os espíritos, os mais depurados regem os menos. Aqui temos uma base de comparação, pois há relatividade de tamanhos, pois quando digo que algo é mau, é porque conheço o oposto, que é bom, fazendo do coração odioso este vácuo, esta carência, esta ausência, fazendo do coração do sociopata esta miséria tão longe de Tao, o amoroso incondicional – como posso estar feliz se não amo o Mundo?
Acima, A Orelha Rodopiante. Um corpo se contorcendo, talvez num incômodo, numa dor, talvez alguém num momento de “fundo de poço”, com a autoestima “fuzilada”, ao ponto de não gostar de seus próprios predicados, como inteligência e intelectualidade – como posso estar bem se não me curto? Aqui a água completa a composição, na Vida sempre fluindo, viva, renovando, lavando e purificando, numa pessoa que está ingressando numa nova e maravilhosa fase de Vida, numa pessoa que está se encontrando, e não me canso de trazer a metáfora do patinho feio, o qual viu que jamais foi o que tanto queria ser, encontrando a autoestima para ver que sempre foi um belo cisne, numa revelação existencial, como um mistério de Agatha Christie sendo desvendado, no dia que vai amanhecendo, fazendo da crise uma vírgula que traz renovação a alguém. Esta forma rodopiante parece uma bandeira tremulando, só que negra, misteriosa, como se fosse um país desconhecido, exótico, como mundos alienígenas, num Universo tão vasto, num peixe que foi feito para a água; como um pássaro que foi feito para o ar. É um corpo ao sabor do vento, passivo, como se surfando ondas, numa pessoa que aprendeu a “surfar” existencialmente, entendendo a simplicidade e o minimalismo, atendo-se somente ao essencial, fazendo da Preguiça esta fonte de pureza e limpeza, numa pessoa que está atenta ao que importa, como um homem viril, sem frescuras ou afetações desnecessárias, como num limpo útero imaculado, o mundo metafísico que nos gerou com o amor imaculado de um Pai que quer tudo de melhor para seus filhos – pode ser difícil de entender, mas temos que entender que tudo na Terra gira em torno da dimensão acima – o Reino dos Céus. Aqui temos um nó, uma interrupção, como numa vasectomia, ou como numa estrada bloqueada por uma queda de rochas num morro ao lado. É uma separação, no modo como numa vida de casado cada pessoa tem que ter sua vida, pois que vida é essa na qual vivo na sombra de outrem, vivendo a vida de outra pessoa? Aqui temos um cenário de fragilidade, numa forma que parece que vai romper a qualquer momento, como na concentração e na responsabilidade de um cirurgião, sabendo que o menor deslize pode matar o paciente em anestesia geral. Este nó é uma demarcação entre antes e depois, como Jesus, o centro sobrenatural da História, num homem de pensamento poderoso, que nasceu e morreu pobre, ensinando o que é elegância, a qual vem de dentro; a qual não está numa roupa cara ou em joias, como diz o Espiritismo: Matéria é nada; Pensamento é tudo. O espelho de água aqui impõe respeito, e exige que fiquemos remotos, impedidos de tocar na obra, num resguardo, exigindo respeito, fazendo do homem de Tao este sábio respeitado, uma pessoa que, na sua humildade, é um líder agradável e benevolente, sempre primando pela Paz no seu reino, nunca tentando colocar o cidadão sob controle, ao contrário de países infelizes, nos quais o cidadão é um prisioneiro... Aqui é como uma delgada cintura feminina, na crueldade dos padrões de beleza, os quais escravizam a mulher e atacam em cheio a autoestima desta, como nos sufocantes espartilhos, colocando a mulher numa senzala, num mundo misógino, no qual a mulher é um cidadão de segunda categoria, como Eva, um mero arremedo da obraprima de Deus, que é Adão – eu, hein. Aqui é como um canal artificial que liga oceanos separados por um continente, ou como no Estreito de Gibraltar, na lenda de que ele foi aberto pelos ombros poderosos de Hércules. É um momento de reviravolta, como numa trama que revela o assassino do romance policial, como numa pessoa “virando a mesa”, dando a volta por cima e assumindo o controle de sua própria vida – como é importante ser dono de si mesmo! Este nó é uma sala diplomática de diálogo, nos esforços em nome da Paz, uma Paz tão frágil, com estados totalitários roubando dinheiro para fazer armas nucleares.
Acima, Os Quatro Elementos. Um parque de diversões, na canção de John Mayer: “Teu corpo é um país de maravilhas”. É como no caótico parque de diversões da pintura tríptica Jardim das Delícias, remetendo-me ao fabuloso parque de piscinas e tobogãs Typhoon Lagoon, ou seja, Lagoa Tufão, na Flórida, EUA. É um parquinho de crianças, brincando em alvoroço com os amiguinhos no colégio, num melancólico Michael Jackson criança, sacrificando sua própria infância em nome da carreira – tudo tem seu preço. Podemos ouvir o alvoroço dos gritos das crianças, num delicioso caos, na energia que a criança tem, uma energia que o adulto não pode acompanhar. Vemos um grande círculo azul, como uma esfera, no inconcebível terraplanismo, com pessoas ignorantes que traem séculos de avanços científicos. Parece uma placa de trânsito, sucinta, chamativa, impondo Ordem ao Caos natural, como num zeloso jardineiro, sempre mantendo o gramado aparado e disciplinado, num trabalho incessante, como na carreira do espírito, abraçando a Vida Eterna, a dádiva muito, muito poderosa, inconcebível para as limitações humanas. O círculo azul é um olho, como num Big Brother, numa criança que tem que ser mantida sob controle, para o bem desta mesma criança. Vemos aqui um disco, apontado para o Céu, como uma placa de energia solar, ou como um girassol, lagarteando pelo ciclo solar durante o dia ensolarado, como na flor metálica dinâmica em Buenos Aires, movendo-se lentamente, como um organismo vivo. Vemos aqui um totem de semicírculos, como um exótico pinheiro de Natal, com suas bolas, seus ricos frutos de panetone, numa época especial do ano, num momento em que o Ser Humano reflete sobre si mesmo, seguindo os ensinamentos de um homem que, em vida, foi absolutamente mal compreendido, renascendo séculos depois na Fé. É como um parafuso em movimento, sempre girando, vivendo, em constante processo de transformação, de aprimoramento, como numa água que não pode ficar parada, pois, do contrário, acumulará bactérias pestilentas. Este pinheirinho é de cores vibrantes, tropicais, querendo trazer cor e alegria para um Mundo tão triste e cinzento, como numa opaca Londres, equipada com vibrantes cabines de telefone vermelhas, ou como nos anos 1960 na mesma cidade, numa época em que a Moda estourou em cores vibrantes e psicodélicas, numa contracultura, nesta capacidade da Juventude em sempre trazer o novo. Vemos aqui uma espécie de y vermelho, como artérias bombeando o líquido da Vida, com sociopatas vampiros, interessados em sugar tudo e todos, no caminho odioso que leva o espírito ao Umbral, a dimensão do lixo. Este y tem um rompimento, um estupro, como num trombadinha arrancando um colar de uma indefesa mulher na Rua. Este y é uma dissociação, uma quebra de relações, como duas nações entrando em guerra, como na das Malvinas, ceifando vidas de rapazes no início de suas vidas – não há crueldade maior, tudo a serviço das vaidades humanas. Este y traz uma bifurcação, um divisor de águas, num momento em que a pessoa tem que fazer uma escolha, tendo que estar feliz com quem é e com onde está, como água, fluindo para baixo, precisando aceitar onde está – eu SOU independente de onde ESTOU, fazendo de minha cidade um lugar de moradia como qualquer outro, pois o Ser Humano é o mesmo em qualquer cidade. Este y é como guampas de Satanás, na inverdade de que existe um Satanás de fato – o que existe, isto sim, é o Inferno, sendo cada pessoa responsável por seu próprio prazer e seu próprio sofrimento. Este disco inclinado é como uma bandeja, nos áureos tempos da aviação civil, da Varig, quando voar era glamoroso, com aquela aeromoça entregando uma bandeja de delicioso almoço. Esta bandeja está instável, prestes a se desequilibrar e cair, na necessidade da pessoa adquirir tal equilíbrio existencial, centrando a Vida no trabalho, no labor mental, pois, disse-me uma psicóloga, é tão desinteressante uma pessoa que simplesmente não sonha em algo mais na Vida.
Referências bibliográficas:
Alexander Calder. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 3 mar. 2021.
Alexander Calder. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 3 mar. 2021.
Alexander Calder Obras. Disponível em: <www.google.com>. Acesso em: 3 mar. 2021.






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