quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Stanley é Show (Parte 1 de 4)

 

 

Inglês de 1974, Stanley Chow começou a carreira em 1997, indo para diversas áreas como Design de Moda, Storyboard, Embalagem, Game, Animação, Propaganda, Ilustração de livros infantis e Caricatura. Uma de suas peças de Design chegou a concorrer a um Grammy. Stanley Chow é filho de pais que vieram para a Inglaterra de Hong Kong. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). Metalinguagem, pois é artista falando de artista, numa ironia. Trata-se de um pobre artista de Rua, um artista ignorado e desvalorizado, tendo que tocar em metrôs para ter o que comer no fim do dia. É um senhor já idoso, com uma vasta experiência de Vida, tendo sobrevivido a tudo, no modo como o Mundo pertence aos sobreviventes, como baratas sobrevivendo em Chernobyl. Podemos ouvir o belo som musical ecoando pelo subsolo do metrô, remetendo ao formidável Festival de Música de Rua, iniciado em Caxias do Sul por um grupo de jovens músicos. É belo e triste, num artista tão subvalorizado, subestimado, ignorado pela frieza corriqueira do vaivém frenético de cidadãos por ônibus e metrôs, e aqui temos um quadro solitário, numa pessoa que se sente tão desvalorizada, arrependendo-se de suas escolhas de Vida. O senhor aqui está garboso e elegante, remetendo à sua própria juventude, com os rapazes garbosos cortejando as moças bonitas numa praça florida – saudades de tempos idos, muitas vezes idealizados pelo peso da idade. Este senhor remete a uma figura famosa da noite portoalegrense, um senhor negro simpático e elegante, calçando sapatos impecáveis, vendendo flores para homens que queiram ser românticos com suas parceiras. Aqui remete à cena de Matrix em que vilão e herói lutam num metrô vazio, num clima de Faroeste. Remete-me à vez que eu, em viagem para Nova York, resolvi pegar um metrô para ter um momento de “novaiorquino da gema”. Mas, ao chegar lá em baixo, as pessoas tinham um aspecto tão ruim e assustador que desisti de pegar o metrô, no conselho sábio: “Jamais fale com estranhos no metrô”. Como no episódio de Seinfeld em que George Costanza, ao falar com uma bela mulher no metrô, é ludibriado por esta, com a bela moça revelando-se uma golpista ladrona, deixando George na pior! É o pioneirismo inglês, havendo em Londres o primeiro metrô do Mundo, numa cena de filme em que Winston Churchill resolve pegar o metrô e papear com os cidadãos comuns, querendo saber da opinião destes, no valor de um líder em ter a humildade e a virilidade para se sentir como mais um de muitos cidadãos que merecem total respeito das autoridades, pois que rei é este que mal se importa com o próprio povo; que mal se importa com o preço do pão? Aqui temos a persistência, numa pessoa batalhadora, talvez teimosa, pois a persistência só rende frutos se por trás existir talento e potencial. Do contrário, sem talento para algo, a espera é em vão. Aqui é a fábula da Cigarra e da Formiga. O trompetista aqui enche o metrô de perfume musical, de beleza para os ouvidos, e é tão ignorado! Então, a Cigarra fica o Verão todo tocando, e, ao chegar do Inverno, vê-se de mãos vazias, sendo acolhida pela laboriosa e sisuda Formiga, que foi muito alegrada durante o Verão com o som da Cigarra. É a questão do reconhecimento; de uma pessoa saber qual é o seu lugar no Mundo, num caminho intrincado e duro, num processo de identidade. É como Cristo na Cruz: Que rei sou eu? O vão do trem aqui é o vão existencial, numa lacuna, numa dúvida, no enigmático vazio de Tao, pois é exatamente o vazio aqui o que dá serventia à estação de metrô, no modo como todos temos que entender a sensualidade do vazio, do útil, num copo vazio sendo útil. Então, o artista de rua aqui quer se sentir útil e parte do Mundo, sendo levado a sério como fazedor de Arte, nesta força artística tão enigmática e tão humanamente essencial que é a Arte. Aqui é como um agradável lobby de hotel, com algum pianista tocando na hora do happy hour, num ambiente agradável. Este homem não desiste, e a beleza dos sonhos sobrevive à dureza da Vida. A Beleza vence a Morte. O espírito vive para sempre, na ilusão enorme que é a morte do Corpo Físico – se este morrer, tudo bem. O importante é que as mãos se desfaçam dos anéis...

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). A bola é o objetivo, numa pessoa que se encontrou, deparando-se com o duro e divertido fato de que o Mundo continuará sempre a mesma merda, com o perdão do termo chulo. A bola é o foco, a dedicação, numa pessoa que centrou a Vida no Trabalho, sendo este a locomotiva do trem – o resto vem engatado atrás. É uma pessoa se dedicando à carreira, sabendo que fora do Labor não há salvação, no irônico modo como, depois do Desencarne, a pessoa de depara com o fato de que ninguém pode ficar inativo e inoperante, muito longe da imagem idealizada de Paraíso, com anjinhos loiros tocando harpas delicadas. O jogador aqui é a seriedade, os pés no chão, sabendo que não pode entrar em campo “de salto alto”, pois se acho que tudo será facílimo, acabarei achando tudo extremamente difícil, na lição do discernimento – o que quero dominar, preciso que antes me domine. O vermelho aqui é a atenção, como numa caneta vermelha de professor, chamando a atenção para os erros numa prova, na dura tarefa docente de manter na linha rebeldes crianças ou adolescentes em explosão hormonal. Na camisa do jogador forte como ferro há o termo em inglês “sharp”, que significa “nítido”, ou “afiado”. É uma faca forte para cortar a carne do churrasco, pois que espeto é este o qual não consegue espetar a carne na churrasqueira? É como na definição de um escopo para um trabalho acadêmico, científico, como nas especialidades médicas, dividindo a Vida em tomos, como no ramo de Psiquiatria, cuidando da Mente e do Comportamento. Aqui é uma estratégia fria de técnico de Futebol, convivendo com as constantes e esmagadoras pressões, como um país inteiro pressionando você para que você traga um troféu para casa – como a pessoa precisa ser forte para aturar tudo isso! Aqui, o jogador é homem, sem qualquer glamour de metrossexual, num plano frio, sem glamour, na frieza matemática, na face macho, na face Yang da Vida, na construção técnica do espírito, um espírito que, apesar de ter Amor por seus irmãos e por Tao, tem a afiada faca do Pensamento Racional, como no majestoso arcanjo no teto da igreja caxiense de São Pelegrino, num anjo arrebatador, digno de adoração por parte do povo, e é nisso que Tao quer que nos tornemos – espíritos que gozam da Felicidade Suprema, no orgulho de um pai em ver o filho se formando na Faculdade, havendo todo um plano divino para conosco, os príncipes do mesmo Rei. O homem aqui tem um condicionamento físico fruto de uma disciplina enorme – muito treino físico e muita alimentação saudável, espartana, como um certo ator americano atlético, o qual consome diariamente muita clara de ovo, por causa do teor proteico. O corte de cabelo aqui é de disciplina militar, lavado com sabonete comum, sequer com xampu, na humildade de um rei que, apesar de ser um regente, tem que manter, dentro de si, sempre uma parte comum, pés no chão, pois nenhum rei mundano está acima de Tao, o Rei verdadeiro, Pai da Vida Eterna, o dom de que nunca perecermos – é um dom supremo e incompreensível para os humanos. O condicionamento do jogador aqui remete ao halterofilista árbitro de Futebol Anderson Daronco, o juiz com o qual “não tem choro nem vela”: se você se comportar mal, cartão para você. E não é este senso prático o que facilita a Vida e faz com que enxerguemos através de um vidro limpo e translúcido? Não é o Pensamento Racional aquilo que abrevia e facilita? Aqui, o jogador tem noção da autoridade respeitável do árbitro, e espera pelo apito para o início da partida, quieto como uma cão esperando pela ordem do dono. A bola é como o Mundo, no êxtase de uma seleção conquistando a Copa do Mundo. O fundo é cinzento e incerto, dúbio, e é um dia carrancudo e cinzento, frio, inóspito, num jogador que entra em campo sob quaisquer condições climáticas, no valor da Disciplina, como o Sol, o qual, em qualquer fase da Lua, nasce com certeza todos os dias. É a credibilidade do Yang, garantindo a Vida, como num homem íntegro e honesto, que se realiza por meio do Trabalho e do Respeito ao próximo.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). Aqui temos um namoro e um encontro, como enamorados bebendo da mesma garrafa, cada um com um canudinho, na delícia do compartilhamento, pois só temos prazer com as coisas se compartilhamos estas, na questão de que, quanto mais presentes dou, mais rico me sinto, como uma pessoa generosa, o que é um dom. Aqui é como na famosa cena do desenho da Disney A Dama e o Vagabundo, com os cãezinhos comendo macarrão até puxarem o mesmo fio e se darem um beijo involuntário na boca. São os arquétipos universais: o Vagabundo viralata, o Yang, é a humildade de um frio número de carteira de identidade, da pessoa ter a noção de que ela própria não é o centro do Universo, mas Tao é o centro do Universo, no centro do infinito, este poder de nos fazer cair o queixo; a Dama é o Yin, numa pessoa amada, que se sente especial num lar de Amor, no Amor de Tao por todos os seus filhos, pois como Tao diz, temos que entender o poder da humildade, mas sermos mais Yin dentro de nós mesmos, encontrando Paz em nossos dias na Terra, muito longe de violentos golpes de estado, golpes totalitários que, definitivamente, faltam com qualquer Tao, qualquer tato diplomático, pois um homem de Tao jamais recomendará violência, como queimar uma pessoa viva numa fogueira. Aqui é o clamor pop de grandes marcas mundiais, como numa Nike, com uma logomarca difundida nos quatro cantos do Globo, no modo como a Pop Art busca fazer entre complicado casamento entre Arte e Mercado. Aqui são as monumentais campanhas natalinas de Coca Cola em época de Natal, com um gordo Papai Noel tomando o refrigerante, nesta época mágica de inocência em que imaginamos o Bom Velhinho colocando presentes abaixo do pinheirinho em nossas casas, no triste fato de que há tantas crianças miseráveis que sequer ganham algo na data. Este quadro não é perfeitamente simétrico, pois uma garrafa está mais vazia do que a outra, num quadro que clama por um equilíbrio, uma equalização, uma justiça social, nos sonhos de Marx em eliminar as classes sociais, em harmonia com o Plano Metafísico, no qual a Vida não gira em torno de Dinheiro, mas de apuro moral – os mais nobres regem os mais mundanos e vulgares. Aqui temos uma diferença, remetendo novamente ao desenho da Disney – o Vagabundo é pobre e a Dama é rica, e há uma troca, com cada um trazendo algo para o relacionamento. O fundo vermelho é luxuoso, no tapete das celebridades, estas pessoas que fingem ser espíritos perfeitos, do mais puro apuro moral, e as pessoas comuns fingem que acreditam em tal lorota. A Coca Cola é um dos maiores símbolos da penetração econômica, social e política dos EUA no âmbito mundial, esta potência que, há poucos séculos, era uma terra selvagem de indígenas neolíticos, que sequer tinham sistema de Escrita, numa nação muito jovem em comparação a outras mais antigas, como a colonizadora Inglaterra, nesta dança de cadeiras da História, como num Egito, o qual, que já foi uma potência rica e militarmente temida, é hoje um mero sítio arqueológico que conta sobre uma era que, definitivamente, ficou para trás. Os canudinhos aqui são estes vilões atuais do Meio Ambiente, com campanhas ao redor do Mundo para encerrar a fabricação e o uso de tais instrumentos de consumo, nas tristes cenas de descarte incorreto de lixo em mares e oceanos, no arrebatador fato de que, fora da Terra, não há esperança para a Humanidade, fazendo das outras esferas de nosso sistema solar um conjunto de planetas hostis ao Homem, como Vênus, a bela estrela matutina e vespertina que, na prática, em sua superfície, tem um calor digno de derreter chumbo, uma pressão atmosférica esmagadora e chuvas constantes de ácido. O refrigerante aqui é aquele ambiente mágico de lanchonete, jovial, remetendo às reuniões de espíritos bonitos e polidos nos salões metafísicos, nos quais reina a fineza e a educação – infelizmente, nada mais humano do que ser grosso.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). O Sol é a certeza do dia que sempre renascerá, na esperança de uma volta por cima, numa pessoa que tem que empreender um esforço gigantesco para trazer a estabilidade de volta à sua própria vida, no modo como a pessoa tem que aprender a centrar a vida no Trabalho. Os amigos aqui compartilham uma motocicleta – é uma amizade, como num bom anfitrião recebendo pessoas em casa, garantindo bebida e diversão, como em O Grande Gatsby, um homem riquíssimo que dispunha tais festas pomposas a inúmeros convidados, restando, ao fim da vida de Gatsby, somente um amigo de verdade – são poucas as pessoas com as quais temos profunda intimidade. Podemos ouvir o som do veículo aqui, remetendo ao divertido acidente de moto que meu pai, ainda rapazote, sofreu com seu amigo numa motocicleta, quando eles estavam na estrada atrás de um caminhão, o qual desviou de um buraco na estrada, deixando este à “disposição” dos rapazes na moto. A moto é a sensação de independência, nos motoboys, esses trabalhadores que passam os dias de suas vidas nos trânsitos caóticos como o de São Paulo, com legiões intermináveis de motoboys em dias úteis fazendo suas entregas e recolhimentos, no triste modo como há tantos acidentes de motos todos os dias. O motoboy representa a demanda de grandes centros urbanos, disputando espaço com veículos maiores, com muito estresse, barulho e poluição. O cenário aqui é dourado, num fim de tarde ou início de manhã, num momento mágico que parece que o Mundo é feito de ouro, na terra da Estrela da Manhã, para a qual somos guiados por um anjo em nosso desencarne, na terra da Beleza Imortal, no lugar em que a beleza dos sonhos sobrevive e prospera, num reino mais belo do que qualquer reino material, físico, numa espécie de Terra Prometida. As palmeiras são a sensualidade tropical, talvez na sedução das palmeiras de Los Angeles, a terra da ilusão cinematográfica, numa terra cheia de glamour e feiura, com tantos sonhos naufragando todos os dias, nas decepções da Vida, numa alameda de sonhos despedaçados. O rapaz na carona ergue um objeto, talvez um taco de algum esporte, na figura patriarcal do falo, no temido Código de Hamurabi, com a intenção de amedrontar o cidadão comum, ou como num sistema sociopático, no qual o cidadão, o ser humano, é reduzido a uma bateria alcalina a serviço de um estado sem sentido – fora da Liberdade, que sentido há? Os rapazes aqui sorriem, talvez indo a alguma festa ou encontro de amigos, na época de inocência em que as deliciosas amizades imaturas ainda não se transformaram nos desapegados relacionamentos adultos, pois se a Eternidade é palco para qualquer reencontro, temos que ter relacionamentos leves, desapegados, pois temos toda a Eternidade para nos relacionarmos com tais pessoas, opondo-se aqui ao relacionamento doente, obcecado e apegado, o qual foge dos moldes de Fraternidade e Igualdade perante Tao, o governante perfeito e indecifrável. A moto deixa um rastro de fumaça, como numa pessoa fazendo uma carreira, trabalhando em diversas firmas, construindo um currículo e sendo uma pessoa digna e trabalhadora, como um rapaz garçom que conheci, um rapaz batalhador, digno de respeito. Aqui é um doce dia de Verão, de férias, como num jovem que já tem toda uma galera de amigos na praia, reencontrando-se em cada veraneio. A pista aqui é um declive, na força gravitacional de Tao, como Água, que vai fluindo ao ponto mais inferior, numa Água que tem que aceitar onde está, pois como posso ser feliz em minha cidade se odeio esta? Aqui temos uma silhueta, um contorno, com um majestoso plano dourado ao fundo, evocando aqui novamente a Califórnia, o estado mais rico dos EUA, com seu clima agradável e suas vinícolas, com um por do Sol avermelhado que anuncia que um dia seco virá amanhã, na magia das cores no Céu, como no programa portoalegrense de ver o Sol se pondo atrás das águas do Lago Guaíba, em prazeres simples, que nada tiram da carteira da pessoa, como num guia de Viagem que li: “O melhor de Nova York é grátis ou custa bem pouco”.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). O arcoíris é a beleza de sonhos de Infância, numa época em que a Vida é mais simples, como na inocência de amizades, relacionamentos sem qualquer interesse, pois não disse Ele que o Reino dos Céus é das criancinhas? Aqui é um doce jardim de Infância, com as “tias”, as doces professoras as quais nos carregam para sempre em seus próprios corações, como numa homenagem que ex coleguinhas e eu fizemos no ano passado à nossa professora Inês na Pré Escola do ano de 1983 – o que seria do Ser Humano sem a Cultura Erudita? O gramado é como um gostoso carpete, numa espécie de sala a céu aberto, na beleza arrebatadora das salas metafísicas, com anfitriões mais finos do que qualquer lustre luxuoso de cristal na Terra, e a força não reside nas pessoas finas e materialmente desapegadas? O parquinho aqui está deserto, numa melancólica infância de Michael Jackson, o qual não pôde ser criança, pagando um preço alto por ter sido tal megaastro. O parquinho aqui está em recesso, talvez com as crianças em sala de aula. Esta obra remete àqueles sons de gritaria de criançada, com o barulho dos engenhos dos balanços indo e vindo, no momento mágico do recreio, do descanso, em metáfora com o espírito que, desencarnado, reserva a si mesmo um período de “férias”, antes de buscar alguma coisa para fazer, pois não é triste a vida de uma pessoa que simplesmente não produz? Não é vazia a pessoa que passa seus dias fazendo fofocas maliciosas e inúteis? O cenário aqui remete ao televisivo Teletubbies, um sucesso tremendo entre as crianças, na bênção que é uma casa com crianças que crescem e aprendem. Vemos aqui uma escadinha. A escadinha é o esforço, numa pessoa querendo se reerguer, talvez numa pessoa que, já tendo beijado o fundo de poço existencial, depara-se com um gigantesco trabalho de reconstrução, como me disse uma gentil médium num centro espírita certa vez, nessa doutrina fascinante que é o Espiritismo, com precursores como Santo Agostinho, o qual dizia que o Ser Humano é feito de Carne – o finito – e de Alma – o infinito. Bem ao fundinho no quadro vemos duas casinhas, talvez uma escolinha, no esforço do professor em impor às crianças a suma importância da Disciplina, pois uma vida indisciplinada, ao sabor do vento, de nada vale, talvez num espírito que, numa encarnação anterior, tenha vivido dessa forma desregrada, encarando, na encarnação posterior, uma vida altamente regrada, talvez nascendo de pais extremamente exigentes em relação a Ordem e Disciplina, como numa colega que tive no Ensino Médio, a aluna mais aplicada que já vi em toda minha vida, numa menina que simplesmente não tirava notas abaixo de nove vírgula cinco, nessa delícia que é para um professor em ter um aluno tão aplicado. O Céu aqui é de Brigadeiro, perfeito, nos céus metafísicos os quais nunca têm dias de dúvida cinzenta. O Sol irradia majestoso, chamando o cidadão para mais uma jornada de trabalho e realização, no verso famoso do Hino do Brasil: “Verás que filho teu não foge à luta”. A Disciplina aqui também está nas árvores, devidamente podadas, ordenadas, apolíneas, numa Natureza doce e gentil, sem desastres naturais que tanto afligem na Terra, num lugar doce, como uma bela torta de chocolate, nas irresistíveis confeitarias metafísicas, com delícias que não engordam. As casinhas são o porto seguro do Lar, num lugar de proveniência, no modo como a Terra é este lar de passagem, prometendo um retorno triunfante ao verdadeiro lar, ao Lar Metafísico, com camas de lençóis suavemente perfumados, naquele carinho de mãe, sempre mantendo a casa na ordem devida. O arcoíris é o milagre da Beleza, na beleza, por exemplo, de delicadas flores de cerejeira, femininas, belas. O arco-íris é a alegria, remetendo a uma época em que o termo “gay” nada mais era do que sinônimo de alegria. Aqui é uma vida simples e maravilhosa, no paraíso para quem quer construir sua carreira espiritual, até chegar ao ponto de Arcanjo, um espírito que goza da Felicidade Suprema.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (6). O fascínio da Culinária Oriental, com seus exóticos palitos que refutam os talheres ocidentais. Cozinhar é humano e universal – qual animal, além do Homem, que cozinha? A Alimentação é essa necessidade tão primeva, relacionada às primeiras formas de Vida no Planeta Terra. Os palitos retinhos são a objetividade, num espírito que rejeita atalhos traiçoeiros e trilha o caminho uno de Tao, o único, o Pai que dota de extrema individualidade cada um de seus filhos, seus príncipes que pertencem ao Grande Reino Imortal da Espiritualidade, até chegar a um ponto em que a pessoa passa a ficar farta dos apelos mundanos da Sociedade de Consumo – quanto menos quero, mais Paz posso ter. É como passear por um shopping e ficar bloqueado às futilidades consumistas, numa resistência. Os palitos magros são esse padrão cruel de Beleza Feminina, no qual uma mulher só é considerada sexy se for semianoréxica, como em manequins de butiques chiques, naquela magreza extrema que faz com que os ossos superiores das costelas fiquem saltados e nítidos – é um horror, pois isso acerta em cheio a autoestima de uma menina ou mulher, remetendo a uma triste menina que conheci, a qual nada comia e parara de tomar Água, achando que esta engordava, tendo que ser levada à UTI de uma clínica psiquiátrica. O vapor aqui sobre sensualmente, elegantemente, na curvatura de uma supermodelo que sabe “devorar” as lentes das câmeras, pois Fotogenia é um mistério – o que faz uma pessoa feia ter fotogenia de um deus grego? O vapor é algo sendo consumido lentamente, como num meteoro de gelo soltando uma cauda de vapor, como num artista que vai se desdobrando lentamente, rendendo durante décadas de carreira, sempre com o cuidado para não se repetir e, ao mesmo tempo, ter um estilo próprio, na capacidade de reinvenção, como Yayoi Kusama, com seus inconfundíveis círculos e bolas, ou no estilo próprio de monstros como Warhol, no modo como os grandes são tão imitados, até o pequeno imitador adquirir “autonomia de voo”, pois a Vida exige que sejamos autodidatas. A comida oriental aqui remete ao hábito americano de tostar marshmallows no fogo, ou como no modo gaúcho de cozinhar pinhão numa fogueira campestre, na revolução que foi o Homem controlar o Fogo, na relação do Homem com a Natureza, esta Mãe que pode ser tão bela e tão inclemente. Aqui temos essa delicadeza oriental, com frágeis recipientes, no modo como o Sushi se tornou essa vogue, essa onda gastronômica pelo Mundo, mais uma prova da universalidade humana. O calor vaporoso aqui é o acalento de um lar, como observo com frequência homens pobres e famintos pedindo uma quentinha com comida em restaurantes – Deus Jesus, quanta privação neste Mundo; quanta miséria. As porções de comida aqui são como nuvens, como os sonhos, nessa lacuna profunda entre inspiração e execução, numa pessoa que tem que encontrar uma forma de se expressar para o Mundo, no desafio que é conquistar o respeito da inteligência de outrem, e, assim, colocar sua própria cabeça para funcionar, pois nunca ouvimos que cabeça vazia é oficina do Diabo? A fumaça sobe como Incenso, perfumando o ambiente, no “casamento” entre Oriente e Ocidente na Era das Navegações, quando a Europa se apaixonou pelos sabores do Cravo e da Canela, por exemplo, na universalidade do bom gosto, em museus deslumbrantes que reúnem Arte de diversas civilizações, no meu adorado Met novaiorquino, o lugar mais nobre dos Estados Unidos da América – quando o Euro baixar, será que poderei ir ao Louvre? Aqui, a sopa quente é tal acalento, no acalento de ter amigos verdadeiros no Mundo, pessoas que fazem com que não nos sintamos tão solitários, ao contrário das amizades fúteis, as quais pouco acalento nos dão. A comida, tão básica, pode ser artigo de Luxo, pois a ONU estima que há muita, muita Fome na Terra nos dias de hoje. É como no ato de meus avós, na noite de Natal, de levar um prato de comida para o porteiro do prédio – que bom se fôssemos generosos assim nos 365 dias do ano!

 

Referências bibliográficas:

 

Stanley Chow. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 28 ago. 2021.

Stanley Chow. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 28 ago. 2021.

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