quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Stanley é Show (Parte 2 de 4)

 

 

Volto a falar sobre o artista inglês Stanley Chow. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). O fio é o elo, a força que nos une, na capacidade de um grande líder em unir o país e o Mundo, num líder que jamais recomendará guerra ou violência. Mas o caminho é humano, sempre optando pela ruptura, pela violência, com pessoas adultas que se comportam como crianças, numa eterna briga por territórios, como sempre na História da Humanidade, com um rei que, nunca feliz com o seu próprio território, quer sempre anexar os reinos vizinhos, na loucura ambiciosa, no parâmetro dos Dez Mandamentos: Jamais cobice a “esposa” do outro. A guitarra é a revolução promovida pelo Rock and Roll, numa febre de juventude, em rupturas saudáveis como o Modernismo Brasileiro, numa mente que, mesmo velha, mantém a jovialidade, pois conheço pessoas de terceira idade que têm a cabeça mais arejada do que muita meninada, no infeliz modo como a ignorância do Preconceito é passada de geração para geração, numa perpetuação que chega a desrespeitar até a Ciência. Aqui temos uma formidável e deliciosa simplicidade de traços, como na Arquitetura Modernista, com suas linhas retas, simples, limpas e minimalistas, na sabedoria de uma pessoa “clean”, a qual sabe que menos é mais, como num atitude viril de um homem, atendo-se somente ao que é necessário e indispensável, dispensando a sujeira das frescuras e das inutilidade, as “vacas de presépio”. Podemos ouvir aqui os acordes, como numa passagem de som antes de um concerto, nessa cultura jovial, moderna, simples, com jeans rasgados e desbotados, como se soubéssemos que a Perfeição é utópica, ou seja, devemos abraçar as imperfeições, pois, como eu já disse aqui no blog, nada de errado em errar, como numa grande professora que tive, a qual dizia aos alunos: “Não deixe o fracasso lhe subir à cabeça”, como numa pessoa talentosa qual precisa de persistência, na luta que é provar ter valor frente ao Mundo. O quadro aqui é bicromático, no charme de filmes em preto e branco, fazendo metáfora com os códigos binários, os quais têm apenas preto ou branco, ou seja, zero e um, até um espírito chegar num nível de sofisticação acima de qualquer pessoa na Terra, espíritos os quais, na sua superioridade psíquica e moral, só respondem “sim” ou “não” às perguntas que lhes fazemos. É como nas glamorosas fotos em preto e branco de estrelas hollywoodianas, nesta arte do Cinema o qual se tornou a casa e a cara do Século XX. As cordas aqui esticadas e afinadas são a disciplina, como numa rígida professora de Dança que conheci, a qual sempre primava pela disciplina e pelo bom aproveitamento do tempo de aula, ou como numa rigorosa professora de Filosofia que tive, a qual quase me reprovou, e hoje sou grato a esta mestra, a qual me apresentou Santo Agostinho, um dos pilares da Doutrina Espírita, esta doutrina que busca ver da forma mais pura possível a relação entre Inferno, Terra e Céu. O fio aqui é uma aquosa serpente sensual, como numa dança do ventre, num culto de fertilidade, sensualidade, numa sensação de prazer em estar num útero quentinho e confortável, na experiência dramática de vir ao Mundo frio e desolado, na promessa do retorno ao Grande Lar do Útero Imaculado, ao qual todos, sem exceção, pertencemos, com os incansáveis esforços de padres em púlpitos, sempre nos dizendo que somos irmãos, no modo humano cruel de Caim matando Abel... O instrumento aqui tem uma bela sinuosidade feminina e de formosura, na capacidade de uma top model em “arrasar” numa passarela, encantando o Mundo, remetendo à modelo mais bem sucedia da História, cujo nome, de tão célebre, é desnecessário mencionar! É como na letra divertida banda Mamonas Assassinas: “Mina, seu corpão violão!”. Aqui é a sensação de intimidade entre artista e instrumento, até chegar ao ponto de plena proximidade, no caminho da prática, na incrível técnica dos artistas do Cirque Du Soleil, na magia do Circo de do Showbusiness, um trabalho que, além da remuneração em si, tem o aplauso da plateia, no modo como é difícil não deixar o Ego se apoderar da mente do artista bem sucedido.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). Os discos dispostos são a organização, numa vida centrada, girando em torno de algo válido e positivo. Aqui, temos uma organização quase perfeita, no modo como uma casa só pode ter, no máximo, uma limpeza quase perfeita. Alguns discos aqui são rebeldes e transgressores, como dizia o mestre Osho: O rebelde, antes de mais nada, tem que respeitar a tradição. Os discos coloridos aqui são a diversidade, numa alegria de receber amigos em casa, recebendo estes com boa bebida e comida, na alegria que dá no coração em ver um amigão há muito não visto em carne e osso, no modo como as grandes amizades são assim – resistentes à passagem do Tempo. Os discos aqui são como uma mente organizada, lúcida, catalogando os assuntos, organizando os assuntos em sua própria mente, trazendo aqui, novamente, a necessidade de qualquer pessoa em se centrar na Vida, pois que vida é esta na qual vivo ao sabor do vento, nunca tendo o controle de meu próprio “carro”? É na ruptura da criança virando adulta, como no filmão O Império do Sol, no qual um menino americano se perde da família no Japão no início da II Grande Guerra, só reencontrando os pais no fim do conflito, num menino que, com tal dureza, virou homem muito rápido, no absurdo que é um planeta inteiro em guerra, na eterna pequenez humana frente ao Poder, ao maldito Anel do Poder de Tolkien, poderoso ao ponto de corromper boas almas. Os discos aqui são como uma coleção de experiências de Vida, nas experiências que vão moldando a mente da pessoa, como num passaporte cheio de carimbos, numa pessoa que passou por muitas experiências existenciais, tudo em nome do aperfeiçoamento moral, num espírito que, mortificando-se mentalmente, fica altamente resistente às tentações humanas, rejeitando a dança dos poderes mundanos, e não são infelizes os dedos que não querem se desfazer dos anéis? Não entram na Colônia Espiritual apenas os de mente humilde, sem soberba? Airton não sai de cena? Em oposição a esta ordem limpa dos discos, vemos um confuso emaranhado de fios, que são a Loucura, em oposição à Ordem e à Razão, no modo dialético como tudo traz em si mesmo a própria contradição. Darei um exemplo, de inúmeros exemplos: Um certo time de futebol resolveu pintar de cor de rosa o vestiário dos times visitantes, para que este time visitante se sentisse considerado um bando de mulherzinhas ou veadinhos, mas é um tiro que sai pela culatra, pois a leitura de contradição que pode ser feita é a de que quem é cor de rosa como um veadinho é o time anfitrião, recebendo o visitante em tal vestiário feminino. É o senso de humor de Tao, com uma leitura racional e a outra irracional, ou seja, uma que faz sentido e a outra que não faz, num casamento entre os opostos que formam o grande senso de humor da Inteligência Suprema que nos rege. Temos aqui um contraste entre clássico e novo, pois vemos um tocadiscos de vinil, algo impensável para a geração que nasceu nos anos 2000. Ao mesmo tempo, vemos um moderno celular acoplado, neste diálogo entre tecnologias, neste casamento entre antigo e novo, como na famosa pirâmide de vidro do Louvre, no antigo abraçando novos tempos, no modo como todos temos dois olhos – um progressista e outro conservador, ou seja, a rigidez do Patriarcado por conviver em harmonia com os sopros de renovação, desde que, evocando novamente Osho, as pessoas respeitem uma às outras, pois que família é esta na qual irmão mata irmão? Os fios desorganizados aqui são essa saudável loucura, no gesto altamente transgressor do roqueiro quebrando no palco sua própria guitarra, no modo como o Rock tradicional acabou gerando todo um leque de gêneros, como na agressiva atitude do Rock Pesado chegando a roqueiros que têm um pé na Pop Music, numa das provas dialéticas de que tudo é processo, tudo é curso, tudo é transformação, ou seja, tudo é crescimento, o motivo da Vida. Aqui é a revolução trazida pelos altofalantes, na era dos megashows, com até um milhão de espectadores nas areias da orla carioca.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). Como todas as grandes invenções da Humanidade, o Controle Remoto nasceu da Preguiça, na preguicinha de se levantar do sofá e trocar de canal ou controlar o volume, no modo como hoje, em 2021, definitivamente, não há televisores sem tal aparelho movido a pilha, ou seja, nada de mal em uma pitadinha de pecado, refutando àquele clima sombrio religioso sobre o Pecado, pois não somos todos feitos de espírito e carne, Santo Agostinho? Aqui é uma família, no modo como os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne, e a Eternidade é tempo de resolução para qualquer briga de família, pois tudo acaba bem, sob a luz da Dimensão Metafísica, nosso Lar Eterno e Imaculado. Aqui, o controle é, claro, o aspecto controlador, como certas pessoas que, em falta de Tao em suas mentes, ficam obcecadas em obter controle sobre outrem, como num líder déspota, no cidadão de Matrix, ou seja, um indivíduo que é escravo de um sistema, como na obrigação do rapaz brasileiro em se apresentar para o Exército, num resquício de ditadura, remetendo a um estado controlador, seja fascista ou comunista, gerando a contradição: os militares em golpe de estado garantiram que o tenebroso estado controlador comunista não abateria o Brasil e, ao mesmo tempo, esses mesmos militares geraram um estado controlador tal qual um sonho marxista, ou sejam, os opostos se assemelham. Aqui, o Controle Remoto é um cenário de libertação, num país em que o rapaz só se apresenta ao Exército se assim desejar. O aparelho aqui é o protagonista, tal qual o supremo disco solar Áton iluminando os sonhos religiosos de Aquenáton, o faraó louco e herege. Aqui é o endeusamento dos produtos da Sociedade de Consumo, criando bens que vendem a ilusão de que a Dimensão Material pode ser perfeita e livre de vicissitudes, na mentira consumista que quer empurrar bens e serviços para dentro da mente das pessoas, fazendo do indivíduo um escravo de tal cultura de Mercado, como numa China – na teoria, consumista; na prática, capitalista. Aqui até temos um cenário de concorrência para ver quem adquire o aparelho, num lar onde há o compartilhamento, este aspecto delicioso da Vida que reside no ato de compartilhar as coisas – de que adianta eu ter se não posso compartilhar com minha família e amigos? Aqui é um cenário futurista, como em Os Jetsons, num cenário tecnocrata em que as maravilhas evolutivas da Ciência reinam num mundo de sonho, sem as amargas vicissitudes terrenas. A família é a raiz e a proveniência, como num menor abandonado, num processo de identidade, no modo como o espírito desencarna e se depara com uma acalentadora sensação de pertencimento, de lar, no mito da Nossa Senhora acolhendo cada um de seus filhos, como na Virgem Maria acolhendo no Céu o Negrinho do Pastoreio, a lenda gaúcha do menininho negro que foi cruelmente punido por seu patrão, o qual amarrou o negrinho num feroz formigueiro, deixando a criança morrer lenta e dolorosamente, num retrato exato da crueldade humana, como queimar uma pessoa viva na fogueira, no modo como o Amor é tão subestimado. No topo do quadro, um singelo coração, que é, claro, o Amor, num lar de compreensão, dentro do qual a pessoa angaria as forças para encarar os preconceitos do Mundo lá fora. É como um crucifixo no topo do lado inferior da porta de entrada de uma casa, protegendo esta, no talento de patriarcas e matriarcas em manter o clã coeso e unido, como numa mágica noite de Natal, numa mesa farta, cheia de tesouros gastronômicos. Aqui, os membros da família estão elegantes e arrumados, talvez num casamento de alguém da família, no mágico momento de interação social elegante, imitando o garbo dos salões metafísicos, nos quais reinam a gentileza e a polidez, pois que festa é esta na qual as pessoas agridem umas às outras? Isso não é festa; isso não é Tao. Aqui, o Controle Remoto é como um novo superstar sendo revelado ao Mundo, na explosão de uma Lady Gaga, acalentando os fãs, dizendo que somos todos superestrelas, belos, no caminho da autoestima – eu nasci desse jeito.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). Aqui é como a montagem de um grande espetáculo, como num Rock in Rio ou um Planeta Atlântida, atraindo multidões enlouquecidas para ver seus ídolos no palco. É como na montagem de grandes shows internacionais, a qual pode durar dias, tal qual o circo que vai de cidade em cidade, como na ruptura de uma Dercy Gonçalves, a qual ainda muito jovem fugiu de casa para aderir à trupe de um circo, numa Dercy dizendo: “Eu sou mambembe”. Então, a magia e a beleza do circo são transitórias, pois o circo levanta a lona e vai embora, com a Vida voltando a toda a sua seriedade cinzenta. Aqui é um grande trabalho, um grande empreendimento, tudo feito para encantar, na vocação de uma cidade como Gramado, cidade empenhada e encher os sentidos do turista. Aqui o arcoíris é montado, querendo, pelo menos por algum momento, trazer cor e alegria à vida de uma pessoa, na missão do Entretenimento, que é inspirar as pessoas, o espectador. Cada cor aqui representa um determinado tipo de pessoa, de tribo, numa convivência harmônica, como numa família na qual as diferenças são respeitadas, como no televisivo infantil Teletubbies, com um personagem de cada cor e personalidade, talvez buscando abranger todos os tipos de identificação, trazendo a criança para o mágico Mundo da Televisão, esta babá eletrônica que constrói memórias afetivas, no modo como minha geração cresceu assistindo ao matutino Balão Mágico, com seus álbuns musicais e desenhos animados, numa época em que a Vida é mais simples. O arcoíris aqui é a promessa, a bonança, a fé de que a tempestade findará, trazendo as cores diversificadas de um novo dia de muita luz e alegria, num lugar em que há respeito e amizade, carinho fraternal, pois que família é esta na qual todos se odeiam? Aqui, os fragmentos do megapalco são trazidos das mais diversas formas, desde carro até helicópteros, num trabalho paciente de formiguinha, no fato de que Roma não foi construída num dia só. Aqui é um trabalho paciente e persistente, com calma, na paciência para montar tudo e, depois, deparar-se com o duro processo de desmontagem, colocando tudo em aviões fretados para a turnê ir para outros cantos do Mundo – é uma trabalheira danada, mas, como me disse um amigo baterista, apesar da trabalheira de montar e desmontar o aparato de bateria, tudo vale a pena, no modo como liso e áspero, ou seja, fácil e difícil, são parte do mesmo trabalho, pois, como diz Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Aqui é uma vida feliz no trabalho, num lugar com uma energia de labor, como disse a comunicadora portoalegrense Tânia Carvalho sobre Caxias do Sul: “Que cidade com uma energia de Trabalho!”. Aqui, é uma alma de artista, querendo fazer que as pessoas sejam felizes, pelo menos por alguns instantes, na magia de um momento de celebração, numa festa olímpica que une os povos da Terra, num momento em que o Ser Humano busca se assemelhar ao máximo à agregação inabalável metafísica, no poder da Paz em uma vizinhança amorosa, respeitosa – como é bom ter amigos! Que tesouros estes são! Aqui o dia é branco, num sonho de Jardim de Infância, diferente de um dia sisudo e cinzento. O branco é a clareza, a resolução, no mistério da Fé sendo desvendado, recompensando os que, na Terra, não abriram mão da Fé, pois esta não está sob a alçada da Ciência, pois nada de humano pode se igualar a Tao, o inimitável. Aqui é um dia de alta produtividade, num dia que valeu a pena ser vivido, um dia proveitoso, no termo latino Carpe Diem, ou seja, aproveite o dia. Podemos ouvir aqui o som do labor, de engenhos e ferramentas, na fábrica hollywoodiana de ilusões, querendo fazer com que nos aproximemos da glória dos espíritos moralmente superiores, esses arcanjos impecáveis, humildes, que recebem as ordens diretamente de Tao, o patriarca matriarca.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). O palhaço é a ludicidade, a diversão, a graça, numa memória de aniversário de criança, no divertido fato de que há pessoas que têm medo de palhaços, numa fobia. O palhaço é esta grande inclinação do Ser Humano para com o humor, a brincadeira e a piada, no modo como o próprio Tao é assim, divertido e irônico, como num anjo no filme Dogma dizendo: “Deus é engraçado; extremamente bem humorado!”. O palhaço é o apelo infantil da cadeia global Mc Donald’s, com o icônico palhaço Ronald, para a simplicidade da criança, a qual não tem todas as exigências dos adultos, como num Jamie Oliver rechaçando sanduíches de carne reconstituída. O balão são os sonhos, uma meta, algo almejado, como numa Madonna dizendo em entrevista que não achava que ela própria chegaria tão longe. E os sonhos são assim, frágeis, sensíveis e qualquer alfinetezinho, com tantos e tantos sonhos sendo frustrados todos os dias no Mundo, no clássico do Jazz Boulevard dos Sonhos Despedaçados, num momento desnorteante, pois, na frustração, a pessoa fica sem noção e não sabe para onde ir ou olhar, como num alpinista que se prostra perante uma montanha, nos terríveis sintomas de Depressão, numa pessoa que simplesmente perde o tesão pela Vida, tornando-se um pobre arremedo de si mesma. O caubói xerife é a Lei, a disciplina, no respeito às normas, como num treinador de time, tendo que ser respeitado, ou num inflexível e rigoroso juiz de Futebol, na frase: “Deus não joga, mas fiscaliza”. O xerife é a esperança do Corpo Social, querendo livrar o Mundo da falta de apuro moral dos bandidos, esses pobres diabos sofredores que, ao Desencarne, não tem outro lugar a ir se não o Umbral, a dimensão onde não temos noção de nós mesmos, com espíritos arrogantes, que não querem receber auxílio ou ajuda, como um mendigo que conheço, o qual simplesmente rechaça qualquer pessoa nobre que queira ajudá-lo. O xerife é a esperança da regra, da norma, nas noções morais norteadoras dos Dez Mandamentos, até chegar ao ponto em que a pessoa não mais se identifica com o mundanismo, com as ambições vulgares humanas, diferente de um esfomeado Napoleão Bonaparte, sempre querendo mais e mais, ou de um Hitler, almejando destruir o Mundo inteirinho, num sonho diabólico do Onze de Setembro, a amostra de até onde o Ódio humano pode chegar, na alcunha do vilão Esqueleto: “O senhor malévolo da destruição”, nas sábias palavras deste grande homem, Obama: “Você será lembrado pelo que construiu; não pelo que destruiu”. O diabo aqui tem um charme aristocrático, nos deliciosos pecadinhos capitais, pois que vida é esta na qual não aceito minha própria natureza humana? Que mal há na masturbação? Que mal há numa bela fatia de torta doce? O diabo aqui é de uma cor de calabresa forte, num bom tempero para sacudir uma receita, como uma feiticeira que conheci certa vez, uma bela mulher de vermelho, vibrante, bela, na eterna beleza de uma hera verdejante. Linda. Provocante. Segura de si. Vemos aqui dois robozinhos, que são o pensamento racional, matemático, no modo como a Mente abrevia etapas e vai direto ao ponto, como num cirurgião perspicaz e focado, ou como uma gentil psicoterapeuta que conheço, uma psicóloga capaz de fazer diagnósticos de uma precisão aguda. Os robozinhos aqui são macho e fêmea, ou seja, Yang e Yin, na beleza de um casal que se ama, que se cuida mutuamente, no jogo de sedução entre os opostos do Universo, com Tao se bipartindo e gerando Eles e Elas, no ritual social de fazer banheiros públicos separados, ou nos costumes de um colégio de padres para moços e de um colégio de freiras para moças, como na divisão egípcia entre Vale dos Reis e Vale das Rainhas, numa organização que busca sanar o Caos da existência humana. Aqui, esses bonequinhos são simpáticos e adoráveis, infantis, como desenho animado, nesta doce fase da Vida em que sonhamos ser super heróis. Aqui temos uma diversidade entre membros da mesma família, com cada agente tendo seu papel no Corpo Social, no modo como cada pessoa tem que descobrir seu próprio espaço no Mundo, num caminho autodidata.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (6). Claro que temos aqui uma neo Nefertiti, uma das figuras mais emblemáticas do Antigo Egito, fazendo do famoso busto de Nefertiti um dos dez maiores artefatos dentre todos os milhões de artefatos produzidos durante os milênios da Era dos Faraós. Nefertiti é um ícone de Beleza e Feminilidade, uma verdadeira bisavó das bonecas Barbie. Seu pescoço é fino e firme, mostrando que grosso é fraco e que fino é forte. Seu pescoço é firme como os fundamentos da Terra, numa pedra capaz de suportar tudo e todos, como num Atlas sustentando o Mundo. Aqui temos uma imposição, numa figura que exige respeito, numa figura digna de adoração, quase assustando com sua austeridade e dignidade, na mulher mais importante dentre todas as centenas de mulheres do harém do faraó, numa Nefertiti causando inveja ao ser retratada publicamente ao lado do rei, numa mulher que quer simplesmente o melhor. Aqui temos um total equilíbrio, num busto que se sustenta, num artefato que, apesar de ser uma peça barata de gesso, tem um poder simbólico esmagador e inesquecível, grande ao ponto de ser um pomo de discórdia entre Egito e Alemanha, com os egípcios querendo trazer a rainha de volta para casa e com os alemães não querendo que ela deixe sua casa atual, que é o Museu de Berlim, com legiões de visitantes que vão ver Nefertiti, a Monalisa do museu germânico. Aqui é uma imposição hierárquica, mostrando quem é que pode mandar, e, se tivermos juízo, obedeceremos piamente, nunca questionando o poder egípcio baseado no sangue divino, havendo no faraó simplesmente um descendente dos deuses, num rei que não quer “sujar” o próprio sangue ao se casar com uma plebeia, no perturbador modo como havia incesto no Antigo Egito, acarretando em enfermidades geneticamente transmitidas. Esta neo Nefertiti tem uma beleza afro, cheia de orgulho, na humilhação de negros arrancados da África para um labor imposto, na loucura que é irmão escravizando irmão, tudo em nome das ambições humanas, num rei obcecado em anexar os reinos vizinhos, no desrespeito para com o que é do outro, ou seja, desrespeitando a autoridade da pessoa sobre si mesma, pois aqui temos uma Nefertiti cheia de autoridade sobre si mesma, e ela realmente não vai gostar se quisermos nos apoderar dela, na máxima: “Ninguém manda em mim”. Esta Nefertiti manda em si mesma, autossuficiente, como uma cidade estado autossuficiente, ou fazendo metáfora com a soberania de uma nação, numa Inglaterra de reviravoltas de Elizabeth I, partindo de um país pobre e exaurido ao país mais rico e poderoso da Europa. Esta Nefertiti quer ganhar a confiança do povo, fazendo com que este se sinta orgulhoso e seguro, não temendo investidas militares de reinos vizinhos. Aqui temos uma extrema disciplina, pois o penteado da mulher ícone é impecável, sem qualquer fio de cabelo fora do lugar, numa aprumação, como numa Evita, a qual, reza a lenda, demorava mais de meia hora frente a um espelho para se arrumar, conquistando a confiança do povo mediante tal aparência irrepreensível, no modo como, na vida pública, a aparência do líder é fundamental. Aqui é a terrível Miranda de O Diabo veste Prada, numa figura amedrontadora, forçando o subalterno a ser o mais competente possível, passível de dura punição mediante incompetência. Aqui temos uma perfeita e clássica simetria, no padrão egípcio de beleza equilibrada. Os brincos de esferas são como ovos sendo colocados, numa rainha que se tornou uma extensão do próprio território do reino. Aqui, não temos o mínimo esboço de sorriso, contrastando com a Nefertiti original, a qual sorri discretamente, talvez querendo conquistar a simpatia do plebeu, como numa Elizabeth II, a qual, desde muito jovem, aprendeu que deve sempre sorrir em público. Aqui temos uma figura exigente, como num bom professor, fazendo com que o aluno mostre o melhor de si, com professores aos quais acabamos respeitando. Esta Nefertiti quer respeito – comporte-se perante ela.

 

Referência bibliográfica:

 

Stanley Chow. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 28 ago. 2021.

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