Falo novamente sobre o artista inglês Stanley Chow. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). A paixão das mulheres por sapatos. O sapato é o Yang, o respaldo, a garantia, como num homem de palavra, macho em sua autenticidade, simples em sua honestidade, num homem bom e ético. Na letra de uma canção pop: “Você precisa de uma mão grande e forte para erguer você a um patamar mais alto”. É num homem “negociando” o casamento com uma mulher, no fato de que, além de afeição e carinho, é preciso que haja cabeça, pés no chão, numa proposta consistente, palpável, de dar orgulho ao sogro e à sogra, ganhando a confiança destes, num homem que tem que se revelar centrado no trabalho, sério, digno de ser devidamente acompanhado por uma moça que foi tão bem criada pelos pais, uma moça que merece o melhor, fazendo da mulher não uma cadela, mas uma rainha. É a cena icônica de O Diabo veste Prada, com a assustadora Miranda chegando calçando pelos sapatos de salto alto para mais um dia de labor e “terror” no escritório. É universal a obsessão feminina por Beleza, com mulheres que, apesar de sofrer de dores com tal calçado, aguentam firmes como bons machos, sabendo que toda existência tem dores psíquicas – o que muda é se nos permitimos ou não a sofrer por tais dores inevitáveis. Podemos ouvir aqui o toctoc dos sapatos, como disse uma certa modelo, a qual disse que a modelo, ao entrar triunfante numa passarela, tem estar com o próprio coração nos sapatos, até a menina aprender a levar majestosamente tais calçados tão difíceis de ser “domados”. O sapato é o status numa mulher que se sente poderosa com tais calçados, remetendo-me às peruas – desculpe pelo termo vulgar e coloquial – batendo perna em Gramado de salto alto, dando-me o desejo de lhes dizer: “Salto alto não foi feito para se bater perna. Se for bater perna, calce um tênis ou um sapato de salto baixinho. Depois, ao sair de noite para jantar nos restaurantes maravilhosos da cidade serrana, aí sim coloque salto alto”. O salto aqui é como um pilar, numa mulher que se sente importante e respaldada, protegida por um marido grande e forte, no envolvimento erótico entre defensor e defendido, como num trabalho de guardacostas, ou um Aragorn prometendo proteger o portador do Anel do Poder, num juramento, uma garantia, na garantia de que o Sol sempre renascerá no outro dia, na garantia do Yang, assegurando algo, no modo como um homem sem palavra vai se destruindo socialmente, até acabar ignorado, rejeitado e desprezado, no triste caminho do sociopata, o qual, no Desencarne, só tem um lugar para ir – o Umbral, e, acredite em mim, você não vai gostar de ir para lá, numa situação infernal como estar no mal falado Presídio Central de Porto Alegre. O salto aqui é um príncipe dando garantias à mulher que quer desposar, na figura do Príncipe Encantado, o qual personifica este Yang, esta garantia, numa menininha inexperiente a qual, ainda não sendo mulher madura, grita histérica pelos rapazes das boybands como Backstreet Boys, até a mulher chegar à conclusão de que os príncipes perfeitos não existem, pois a história não conta como foram as coisas depois da Cinderela desposar o seu príncipe. É como numa Grace Kelly, a qual, ao receber uma proposta inegável de casamento, abandonou uma carreira brilhante para se tornar, no frigir dos ovos, uma dona de casa de luxo, nas palavras de uma pessoa cuja inteligência respeito: “Mulher quer mesmo é casar! Se tiver carreira ou filhos, melhor. Se não, está casada”. É o sapatinho da Cinderela sendo legado como uma pista ao príncipe, calçando o pé da menina oprimida e alçando esta ao status de Alteza, deixando rastros de inominável inveja a outras moças. É o fascínio do Feminino, como perfume deixado no ar, num menino que, enquanto criança, rechaçava o Mundo das Mulheres e, ao virar adolescente, acaba considerando este mesmo mundo extremamente sexy. O salto é o momento de interação social, numa festa, num baile, longe das pantufas ou chinelos de dentro de casa. O sapato é a Gata Borralheira que se revela princesa, numa Gisele trabalhadora e batalhadora abocanhando o Mundo inteirinho.
Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). A gueixa aglutina todos os encantos femininos, como doçura e delicadeza, na origem do desenho animado das Meninas Superpoderosas, quando, num caldeirão de coisas femininas agradáveis – corações, arco-íris, flores etc. – é mesclado com uma gota o componente X, que é a Agressividade, resultando em super heroínas que, apesar de belas, têm superforça, num ícone feminista de libertação, impedindo que a Mulher seja vítima da Sociedade Patriarcal. Aqui, a gueixa e a Natureza formam um continuum, e a Vida se revela com esta força tão feminina e, ao mesmo tempo, delicada. Os galhos da árvore explodem como raios de trovoada, como artérias e veias no corpo, e a Vida pulsa em toda a sua força, no poder implacável da Beleza, brotando de forma irrefreável. A gueixa é este padrão de beleza tão almejado pelas mulheres, formando gerações de mulheres de baixa autoestima, buscando padrões semianoréxicos de beleza, numa sociedade cruel, na qual uma mulher de mais peso não pode se sentir sexy ou atraente, fabricando gerações de mulheres que só se acham belas se simplesmente não tiverem qualquer prazer gastronômico. A gueixa aqui acaba de sair de um salão de beleza, num local que seria para a mulher ter autoestima, mas num tiro que sai pela culatra, em mitos de beleza que acreditam no impossível, que é existir corpos perfeitos. A gueixa aqui se enfeita de flores no cabelo, como na prenda das tradições gaúchas, na mulher que personifica a beleza da Natureza, como flores, esses símbolos de feminilidade e delicadeza. A gueixa é feita para encantar os homens, os quais, em sua masculinidade, sentem-se tão longe desses valores delicados e femininos. O cabelo da gueixa, perfeitamente arrumado, é essa disciplina frente ao espelho, numa mulher que passa muito, muito tempo cuidando de si mesma, com todo um ritual de aprumação, desde a entrada no banho até a aprumação de cabelo e maquiagem, num verdadeiro ritual de beleza. As flores são a libido da Vida, como gatas em cio, loucas para o acasalamento, na estação de reprodução, quando a libido da Vida brota em toda a sua força, como borboletas ensandecidas em meios às flores, polinizando, como salmões que, ao fim da cópula na nascente de rios, morrem cumprindo o seu papel reprodutor sem sentido. Esta gueixa é jovem tal qual a Primavera, na explosão das delicadas flores de sakuras no Japão, e seu cabelo sequer tem um fio de cabelo branco, na capacidade da Natureza em se renovar e rejuvenescer a cada novo fôlego de estação. Seu decote é generoso e provocante, como strippers num palco, protegidas pelos seguranças, para garantir que nenhum homem abusadinho as apalpará impropriamente. É o jogo de sedução entre Dinheiro – o Yang – e a Beleza – o Yin –, evocando um colega de faculdade que tive, o qual disse: “Quem gosta de homem é veado! Mulher gosta mesmo é de dinheiro!”. É como uma Marilyn Monroe escandalosa, obcecada por diamantes, os melhores amigos de uma mulher, como diz a canção. São homens num palco com tesão contido, vendo a stripper tirando a roupa lentamente. Os dedos desta gueixa são delgados, finos, com frágil toque, como na delicadeza de Tao, num homem que jamais recomendará violência, havendo no encanto feminino esta promessa de um mundo melhor, sem todas as vicissitudes violentas do Mundo. Aqui podemos ouvir o som de música japonesa, delicada, minimalista, num povo tão polido e discreto, na bandeira nacional mais simples bela do Mundo, com um sol rubro nascendo em meio a brumas brancas. Esta gueixa não chegou aqui de um momento para o outro, mas passou por um longo processo de preparação e aprumação, como numa mulher de harém se preparando par uma noite de sexo com o faraó, na obrigação de trazer ao Mundo um herdeiro varão. A gueixa nasce triunfante como uma Vênus anunciando um novo dia, como a deusa grega Eos, trazendo o ouro da Aurora, na promessa do renascer em uma dimensão mais bela e pacífica. Aqui é um ato teatral, no qual o palco e a diva são o centro do Universo.
Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). O laço é a virtude da Verdade, pois quem com ele é enlaçado fica forçado a falar apenas a Verdade, sofrendo se mentir. É como um laçador laçando um animal feroz e agitado, no ícone gaúcho da Estátua do Laçador, no modo humano e viril de domar a Natureza, exigindo que o rapazote se faça homem feito. Esta imagem é este poderoso ícone pop da Mulher Maravilha. Criada por um psicólogo, MM tem beleza feminina e superforça viril, dando uma surra em qualquer marmanjo fortão, num ícone feminista de libertação, numa mulher que não se deixa aprisionar pelos preconceitos machistas patriarcais, como no machismo de Hitler, o maior sociopata de todos os tempos, o qual dizia que a vida de uma mulher só pode girar em torno de igreja, cozinha e filhos – Jesus do Céu, o vilão assim PEDE para levar uma surra de MM. A heroína é o princípio americano de Liberdade, libertando os EUA do jugo europeu, como num filho crescidinho, que não mais quer viver sob a asa dos pais. O busto de MM é blindado, à prova de qualquer tiro de canhão ou de qualquer impacto de bomba atômica. MM não é uma mulher humana com sentimentos humanos, mas um ser divino criado por Zeus, numa menininha que, ao nascer e crescer entre as destemidas amazonas da mítica Ilha Paraíso, decidiu ser útil ao Mundo e lutar contra qualquer atentando contra a Liberdade. Gal Gadot está muito bem como a MM dos anos 2020, mas sou muito fã da MM de Lynda Carter, numa MM que, apesar de aparência frágil, é um colosso desmedido, inspirando ser subestimada para, assim, triunfar sobre o cruel mundo machista, inspirando as mulheres à libertação. Esta imagem elegante de Chow me remete a uma memória afetiva, quando eu era bem criancinha e vi, no vidro da janela do quarto de prima, um adesivo de MM, com seu poderoso laço dourado, terrível como raios de tempestade, como numa rainha da Festa da Uva, poderosa em seu papel simbólico, aglutinando beleza com força, na força da mulher imigrante, numa soberana com as mãos sobre a cintura, dona de si, numa mulher que resolveu adquirir o controle sobre da própria vida, não mais ficando abaixo hierarquicamente, como uma certa popstar feminista, a qual é absolutamente dona de si mesma – nem mesmo o Papa manda nela. Aqui temos uma MM delgada e elegante, com corpinho de menininha adolescente, num espírito que, apesar de desencarnar velho, vai, desencarnado, rejuvenescendo aos poucos, até adquirir a aparência que quiser e assim viver por toda a Eternidade, no poder da escolha, da Liberdade, pois não é privilegiado um país no qual a liberdade do cidadão é amplamente respeitada? Não são infelizes os regimes opressores? Não é glorioso o dia de soltura, depois da pessoa cumprir toda uma missão na Terra? Não é insano o suicídio, este interrupção de algo sério? É como largar uma faculdade no meio, como numa cópula sem orgasmo. Aqui, temos a feminilidade do salto alto, num ser livre, desencarnado, com superpoderes, remetendo à doce Infância, a época em que todos queremos ter superpoderes, como na arrebatadora canção recente de Robbie Williams: “Eu amo minha vida! Sou belo, poderoso, mágico e livre! Eu sou eu!”. Não são felizes nossos entes queridos desencarnados? Um futuro glorioso não nos espera após esta travessia cinzenta da Encarnação? A tiara da MM é aristocrática, na beleza das mulheres finas, educadas, elegantes. Um filme da Liga da Justiça, sem MM, é como uma torta de maçã sem canela – perde o it. Seu “biquíni” estrelado é o desejo humano de contemplar as estrelas e perguntar-se dos segredos do Universo, neste planetinha tão ínfimo e maravilhoso como a Terra. É a herança pagã de cultuar deuses e superheróis, espíritos evoluídos, nossos “irmãos mais velhos”, superiores em apuro moral, os quais, apesar de tão superiores, nos amam incondicionalmente, pois que família é esta na qual os membros não se amam nem cuidam uns dos outros? A MM é uma guerreira, com tesão de cumprir tarefas e missões, num surfista com tesão pela onda.
Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). A maçã é a tentação dos sinais auspiciosos, nas ilusões que são refutadas e desprezadas pelos espíritos mortificados, realistas, imunes aos apelos da Sociedade de Consumo. Aqui é o pomo da discórdia do Éden, num divisor de águas na Humanidade, do antes e depois de alguma tragédia, como no incremento de medidas de seguranças nos aeroportos após o Onze de Setembro. A Branca de Neve aqui é pura e até ingênua, e ficou com pena da mendiga, que nada mais era do que a rainha má disfarçada, uma rainha que aglutina todos os defeitos humanos, como orgulho, vaidade e inveja, no modo como é a falta de Humildade o que tanto flagela o Ser Humano, ao contrário da humildade de um Chico Xavier, o qual teve um desencarne tranquilíssimo, indo diretinho para o Céu. A rainha é a ambição de ser a mais bela do Mundo, nas ambições humanas na dança de cadeiras do Poder, como num Trump, que mostra como é difícil “desencarnar” do Poder; como num FHC, o qual disse sentir muita falta da majestosa piscina da residência presidencial em Brasília, nos doces privilégios do Poder, num ator que, após um Oscar, fica frustrado em não mais ganhar outro Oscar. Desta infame maçã diabólica caem gotas de sangue, no sangue das guerras, esses terríveis eventos que trazem sequelas inapagáveis aos rapazes e homens em combate, sequelas que só podem ser neutralizadas após o Desencarne, o dia glorioso que nos diz que está findada nossa missão na Terra, missão esta adquirida pela vontade própria do indivíduo ainda desencarnado – cada um faz sua própria “faculdade”, e os percalços que enfrento são os que eu mesmo selecionei previamente. Portanto, não se deve reclamar da Vida! O sangue são as gotas de sangue na cabeça de Cristo, na transubstanciação da missa, no momento em que o vinho é o sangue Dele, num jantar simples e maravilhoso, como um bom pão e vinho, na beleza da simplicidade, longe de vidas sobrecarregadas de pretensão e vaidades fúteis – simples é sofisticado; pretensioso é pobre. Branca de Neve aqui está hesitante, tentada frente a um fruto tão belo e aparentemente irresistível, talvez numa inocência de juventude, num jovem que ainda não passou por muitas vicissitudes, no glorioso modo como a idade vai trazendo sabedoria e libertação, nas palavras da diva imortal Fernandona Montenegro: “A idade vai nos libertando”. Nesse veneno malicioso todo, num submundo escuro, fétido e sem sentido, vem o Amor Verdadeiro, do príncipe que ama e respeita Branca, querendo tratá-la muito bem, como uma rainha. E lá dentro deste labirinto, onde a pessoa se sente perdida e solitária, virá uma Lua de Cristal, maravilhosa, no poder de cura do Amor, a única força que perdura por toda a Eternidade, pois a Mentira tem “pernas curtas”, ou seja, não é eterna. Aqui é o esmagador apelo mercadológico das princesas de Disney, encantando menininhas ao redor do Mundo, com talentosos marqueteiros, sempre vendendo produtos para encantar o público infantil, nesta idade em que a menininha não vê sentido nas brincadeiras dos meninos, na inevitável cisão entre o “Clube do Bolinha” e o “Clube da Luluzinha”. A palidez de Branca é sua inocência, sua ausência de malícia, na arrebatadora imagem dos alvos pés de Nossa Senhora esmagando a Serpente da Malícia, no modo como o Mal traz em si a própria ruína, como todos os sociopatas que vamos conhecendo durante a Vida, os quais, ao desencarnarmos, visitaremos no Umbral, estendendo-lhes a mão para os tirarmos de lá – mas como posso ajudar uma pessoa que não tem a humildade para pedir ajuda? Como posso ser feliz se não quero amar meus irmãos? Os anões são a afetividade, no modo de nos dirigirmos às pessoas de forma carinhosa diminutiva, como chamar “Zé” de “Zezinho”. Este conto de fadas tem a intenção de alertar as crianças sobre os perigos do Mundo, sempre na noção de que a Bondade prevalece e que a Carne perece. Aqui é a inocência, como num inocente rapaz que conheci, o qual foi estupidamente assassinado em um assalto, no milagre da ressurreição do desencarnado – a Vida é vitoriosa.
Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). A Monalisa é uma das maiores provas do mistério que é a Arte, desse algo que nos faz tão humanos – a Arte, algo que “persegue” o ser humano desde a Pré História, como no artesanato de tribos amazônicas. A grande obra de Arte é assim, rendendo inúmeras interpretações, na máxima: “O algo de que pode ser falado não é o algo verdadeiro”, havendo nas interpretações um “pano” que limpa a obra, para esta ser vista da forma mais clara e pura possível. A própria Monalisa foi um objeto de grande estima de da Vinci, o qual não queria ficar longe do quadro, talvez num Édipo renascentista, como um Dalí retratando a própria mãe, no poderoso mito de Nossa Senhora, o Útero Imaculado que nos criou da forma mais pura possível, pois, como diz a grande diva Gaga, “Deus não comete erros”, numa figura pop muito impositiva, cheia de atitude, calando a boca dos miseráveis preconceituosos, pois, não canso de dizer, qualquer preconceito é burro, na imagem dos cachorros latindo enquanto a carruagem segue incólume, voltando a parafrasear a cantora: “Sou linda ao meu próprio modo”. Aqui é uma releitura, pois a Monalisa está de perfil, como uma deusa egípcia, no modo humano de ver divindades nas forças da Natureza, como o deus nórdico do trovão, com um poderoso martelo cheio de atitude, na imposição poderosa de uma grande obra de Arte. A Monalisa é este mistério calmo e estável, e simplesmente não sabemos o que a modelo pensa, num sorriso arrebatador, parecendo que está testando nossa percepção e nossa inteligência. Seus dedos são finos, delgados e aristocráticos, na beleza de mãos de uma mulher bem cuidada, que tem autoestima, na primordial questão psicológica da autoestima – como posso ser amado pelo Mundo se não amo a mim mesmo? É a questão da cautela, na imagem do homem de Tao, que atravessa o rio cuidadosamente, como se soubesse que há perigo abaixo da misteriosa água. A Monalisa é a grande queridinha do Louvre, com multidões diárias de turistas querendo ver a Grande Mãe da Arte, a deusa poderosa cuja influência dificilmente nos deixará, dando inveja a outras raças alienígenas – será que há Arte nessas civilizações alienígenas? Seria a Arte algo exclusivamente humano? Aqui temos uma pitada de Cubismo, com módulos compondo o quadro, mas não com as linhas tensas cubistas, mas curvas sensuais e aquosas, fluindo junto com as montanhas e vales na paisagem atrás, no continuum entre Monalisa e a Natureza, a força de fluidez de um passe espírita, no momento em que sentimos o calor fraternal de alguém que está ali para nos ajudar e nos libertas de maus fluídos, pois que família é esta na qual não nos amamos? Esta Monalisa está alheia ao público e ao espectador, distraída com outra coisa, testando o artista na hora de tal feliz concepção, na lenda de um Aldo Locatelli, o qual fumava um cigarro atrás do outro – além da igreja caxiense de São Pelegrino, que é a obraprima de Aldo, confira um painel deste artista no subsolo do Museu do Ipiranga, SP. O véu sobre a cabeça da modelo é muito, muito fino, esvoaçante, de uma sofisticação sublime, vaporosa, no fascínio de uma mulher elegante e arrumada, como numa Eva Perón, a qual levava mais de meia hora aprumando-se na frente de um espelho, numa espécie de ritual de preparação para o momento da interação social. O nariz da modelo é suave, nas inúmeras mulheres ao redor do Mundo que até hoje fizeram cirurgia plástica no nariz, nessa busca insana por uma perfeição que não existe. As cores aqui são sóbrias e discretas, de marrom sofisticado, como numa médica que conheço, uma pessoa discretíssima, tanto no modo de se vestir como no modo de falar, e não é a discrição o que dá força a um camaleão, o qual vence passando despercebido? A pele da Monalisa aqui é alva como a Lua, como na obraprima de Pedro Américo, da Noite emoldurada pelo véu do luar, no mistério sexy da marca Victoria’s Secret, excitando homens ao redor do Mundo, no fascínio de uma fragrância fina no ar – o Bem é sempre agradável; o Mal, desagradável.
Acima, título não informado na referência bibliográfica (6). Em meio à dureza de uma selva de pedra, com tantos sonhos despedaçados a cada dia, uma mulher lépida e faceira dança com a delicadeza de uma bailarina de balé. A mulher carrega uma sacola de compras, no modo como compras podem levantar o astral de qualquer menina, na universalidade do Ser Humano, como numa certa indígena ianomâmi, a qual, ao se mudar para o Mundo Civilizado com o marido civilizado, via nas compras uma atividade que lhe dava muito prazer, assemelhando-se à função da mulher na tribo, que é o trabalho de Coleta na mata, deixando aos homens as tarefas que exigem mais agressividade, como Caça e Pesca, no modo universal de homens e mulheres dividirem tarefas, como a mulher que cuida da casa enquanto o marido sai para trabalhar. Aqui é como o bem sucedido seriado Sex and the City, com quatro mulheres femininas e belas enfrentando as vicissitudes deste terreno instável que são os relacionamentos amorosos, na paixão feminina pro sapatos, roupas etc., querendo dar um toque de feminilidade a um mundo tão duro e competitivo como é o Mundo dos Homens. Esta moça segue os fascistas padrões de Beleza, nos quais uma mulher só é considerada bela se for semianoréxica, em padrões que atingem em cheio a autoestima da Mulher, numa sociedade misógina na qual uma mulher não pode ser ver livre de tais “espartilhos”. É um dia ameno de meia estação, e podemos sentir no ar o delicioso perfume que esta moça deixa no ar, como numa gata no cio, enlouquecendo parceiros em tal inebriante aroma de reprodução, como na explosão de Vida na Primavera, com adolescentes ensandecidos, desejando Sexo, na força dos hormônios no jovem, numa Elke Maravilha, a qual disse que, com a velhice, há uma libertação, pois o idoso já não é tão libidinoso como o foi na adolescência. Uma nuvem fina e feminina, com curvas, cruza os céus, como num véu fino e elegante, nos maravilhosos tecido vaporosos metafísicos, roupas as quais fazem com que a mais fina roupa na Terra seja um arremedo desinteressante. Podemos ouvir aqui o barulho do tráfego, nas demandas diárias de uma cidade vibrante. Neste cenário temos uma amostra das cidades metafísicas perfeitas, longe das vicissitudes terrenas, como arranjar o meio de descarte de lixo e de esgoto, ou como resolver o problema dos cocôs de pombos no chão. Aqui é uma cidade onde há depuração moral, ou seja, somos todos uma família perfeita, na qual nos respeitamos mutuamente, como no famoso espírito Patrícia, o qual, ao desencarnar, perguntou: “Onde estou?”, e um espírito amoroso lhe disse: “Entre amigos”. E os amigos não são a maior delícia da Vida? Não sentimos saudades daqueles grandes amigões? Não é maravilhoso o fato de que a Eternidade é tempo para qualquer reencontro? Não é saudável o Amor desapegado, leve, “fresquinho”, por assim dizer? A cabeça da moça aqui é emoldurada por uma aureola, como na retratação de divindades, de mentes iluminadas, cheias e apuro moral, na elucidação de mistérios, como num abajur sendo ligado, na iluminação dos espíritos que não se deixam seduzir por sinais auspiciosos. É como um capacete de astronauta, nas ambições humanas e explorar o Cosmos. Aqui, a urbe funciona perfeitamente, com uma boa prefeitura amorosa, num lugar onde não há ladrões de bustos de bronze em praças públicas, no termo italiano “Tutti buona gente”, ou seja, “Só gente boa”. E não é maravilhoso o lugar onde não há as vulgares ambições mundanas, nessa obsessão humana em obter o sucesso mundano, finito? Ayrton não saiu de cena? Na cena vemos postes iluminados – são a luz própria, numa pessoa que nasceu autodidata, aprendendo Tao por si mesma, na capacidade de certas pessoas em desenvolver atitude, como numa Gisele avassaladora numa passarela – ninguém ensinou Gisele a ser Gisele. Aqui é o fim do dia de labor e produtividade, num lugar maravilhoso, onde não há desemprego, e, realmente, há esperança fora do Trabalho? Não é Tao um trabalhador?
Referência bibliográfica:
Stanley Chow. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 28 ago. 2021.






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