quarta-feira, 1 de setembro de 2021

O Andy Warhol Britânico (Parte 4)

 

 

Falo pela quarta e última vez sobre o artista britânico Sir Peter Blake. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). A silhueta da garrafa de Coca Cola é todo esse ícone pop mercadológico, confundindo-se com a memória afetiva de bilhões de seres humanos, remetendo a doces lembranças de Infância. A garrafa explode esfusiantemente como um espumante numa virada de ano, como na explosão do Big Bang, o início do que gerou todo o Universo que conhecemos – o que veio antes e o que virá depois? Blake gosta dessas festas, dessas celebrações e dessas reuniões alegres, simbolizadas pelo arco-íris, símbolo de alegria e diversidade. Blake gosta de uma pomposa festa. Vemos confetes ao ar, remetendo a uma onírica queda de neve, um fenômeno tão raro no Brasil, tornando-se notícia nacional quando acontece. A garrafa é rubra como um rubi, numa preciosidade, na cor de sangue, numa memória de Infância minha, quando testemunhei o abate de uma ovelha – pobres bichinhos, apesar de eu comer carne e vestir couro. A garrafa pulsa, numa pujança de Mercado, rendendo um império global, sendo exceção os países nos quais não há o tal refrigerante para beber. A garrafa é embasada por ouro, nas montanhas de dinheiro geradas por tal personagem de Mercado, nos sonhos mundanos de se acumular uma fortuna, no pecadinho capital da Avareza, no Complexo de Tio Patinhas, nadando no mar de dinheiro em sua caixaforte, no modo como Dinheiro compra tudo, menos Amor, Paz e Felicidade, também no modo como, no Desencarne, tudo de mundano fica para trás, e aí se inclui Dinheiro – para quem não quer se desfazer dos anéis de sucesso mundano, o Umbral, infernal como o Presídio Central de Porto Alegre, que é uma sucursal do Inferno. Os confetes explodem em Amor, num lugar em que temos a certeza de estarmos cercados de amigos, como no famoso espírito Patrícia, o qual, ao perguntar onde estava ao estar desencarnado, um espírito amoroso lhe disse: “Você está entre amigos”. E não são os entes queridos o maior bem que podemos ter? Não são o Amor e a Amizade o ouro da Vida? Parte deste quadro já foi analisada na postagem anterior aqui no blog, só que a peça aqui, nesta postagem, traz um quadro mais abrangente, total do quadro, ou seja, é uma releitura. Podemos dizer que a Lolita, na porção mais inferior do quadro, tem um papel um tanto protagonista, como uma darling, uma queridinha, e seu pé se encaixa perfeitamente na garrafa, como no boom de uma Monroe, essas supernovas que explodem em orgasmo intergaláctico, no modo taoista como a pessoa tem que aprender, sozinha, a brilhar, e, apesar de todos precisarmos de ajuda para ter êxito, precisamos ter “autonomia de voo”, controlar sua própria Vida e aprender por si como ser uma estrela – é uma universidade na qual temos que aprender sozinhos. Podemos ouvir aqui o rompante da explosão da garrafa de espumante, numa ocasião especial, remetendo-me ao divertido episódio em que meu cunhado – que Deus o tenha – pegou uma garrafa de Veuve Clicquot, o espumante mais caro e chic do Mundo, e colocou a garrafa no compartimento do congelador, na geladeira, esquecendo-se da garrafa, a qual explodiu dentro do eletrodoméstico! Ou como vizinhos meus que esqueceram de uma panela de pressão acesa no fogão, numa explosão que chegou a achatar um tanto a mesa de inox do fogão! É como num momento de colapso na vida de alguém, quando a pessoa, de um momento para o outro, assume a direção de sua própria vida, deparando-se com um cenário de devastação existencial que se desenrolou silenciosamente no espaço de anos. É como na introdução do show de Whitney Houston no Brasil, no momento em que um som terrível e poderoso de granada “explodiu” no palco, assustando o espectador e anunciando a entrada no palco deste talento explosivo – que Deus a tenha. Num carnaval, as pessoas expõem suas fantasias psíquicas, numa catarse, num momento de euforia em que a sisudez da Vida é deixada momentaneamente para trás, como numa pista de dança de clube noturno, num momento em que parece que somos inabalavelmente felizes.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). A Lua são os enigmas cíclicos da Natureza, da menstruação, das marés, do homem que vira lobisomem e assedia Chapeuzinho Vermelho, a qual cheira a Chanel n. 5, no jogo de Eros de sedução entre os opostos do Universo – o Pai e a Mãe que geraram tudo. A Lua é a dubiedade, pois não revela nem esconde, na etapa dúbia do dia, na qual não sabemos está meio claro ou meio escuro. O prédio ao fundo é o modo como a Antiguidade Clássica Ocidental dita padrões estéticos até hoje, na imponência de um prédio em estilo Neoclássico, no poder e na beleza das tradições, num paradigma de Arquitetura que perdura incólume, inabalado. É como a Casa Branca, a casa mais famosa do Mundo, numa cidade de Washington tão neoclássica, no poder que a Tradição tem em nos dar a impressão de que o Tempo não passa, fazendo então metáfora com a Dimensão Metafísica, a qual, sendo atemporal, não faz com que envelheçamos, na genialidade de um Einstein em linkar Gravidade com a passagem do Tempo. É como um sóbrio tribunal, sério, sisudo, buscando impor respeito ao cidadão comum – se você não quer ser preso ou executado, respeite a Lei. Remete a um ator que conheci, o qual virou advogado, no direito que cada um tem em partir em busca da Felicidade. Vemos um homem, um militar em uniforme, em serviço ou numa ocasião solene. É a Disciplina Militar, impondo ordem ao caos, como numa senhora que conheci, uma diretora de colégio que se esforçava ao máximo para manter tantas crianças e adolescentes na linha, revelando-se terrível e respeitada, num cargo de responsabilidade, numa incumbência, como na Sarah do filmão clássico Labirinto, no qual uma moça tem que desenvolver senso de consequência e de responsabilidade para libertar seu irmão bebê Tobby das garras do malévolo Rei dos Duendes, vivido pelo insubstituível David Bowie, que Deus o tenha. O homem aqui parece fazer uma continência, uma saudação formal, na obrigação que um militar tem em cumprimentar na Rua um militar que esteja acima na hierarquia, fazendo da rígida hierarquia militar uma cópia grotesca da hierarquia metafísica, a qual é deliciosa e nunca imposta com a tradicional brutalidade humana, na questão confortante da Liberdade, até chegar a um ponto em que eu faço questão de obedecer às ordens de espíritos superiores, pois somos todos filhos do mesmo Útero Divino. O homem carrega uma mala, que é a carreira, o acúmulo de vivência e experiências, no charme de um homem vivido, com claras marcas de expressão no rosto, no modo patriarcal em que o Homem tem que ser vivido e a Mulher tem que ser recatada e inexperiente, no jogo de sedução dentro de uma instituição de Ensino Médio, na qual as meninas mais jovens acham mais interessantes os meninos mais velhos, no charme de um Tarcisão, repleto de marcas de experiência, conquistando suspiros das donzelas virginais e imaculadas – as feministas têm pavor de tal preconceito. Vemos aqui letras garrafais, celebrando a Letra, que foi o que tirou o Ser Humano da Pré História, havendo ainda hoje fósseis vivos de Neolítico, como nas tribos amazônicas, numa forma de organização humana que, apesar de não ter a Letra, tem a figura patriarcal do cacique, provavelmente porque as mulheres, com sua capacidade de trazer Vida ao Mundo, já têm poder demais – é como se fosse uma troca ou uma compensação, uma equiparação de poderes, relegando a Mulher ao papel tradicional de útero reprodutor, como numa Grace Kelly, a qual abandonou uma carreira brilhante para ser um útero reprodutor a serviço de uma coroa. Aqui, o homem ou está partindo ou está chegando, num trânsito, como espíritos encarnando e desencarnando todos os dias na Terra, num fluxo laborioso constante, fazendo da Terra tal insubstituível universidade, na qual a pessoa tem que ser autodidata – a Educação terrena é só um instrumento, pois o que importa é como usarei tal instrumento. Aqui temos alguém indo ou voltando de um maravilhoso lar, na letra da canção: “Estou na volta pro meu aconchego, trazendo na mala bastante saudade”.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). Claro que temos aqui a alusão claríssima ao agente secreto mais famoso do Mundo, um ícone da sofisticação inglesa, no modo como a própria rainha Elizabeth II nunca perde uma première de um filme de Bond. A pistola é a agressividade, o falo, a espada, símbolo de um guerreiro a serviço de uma coroa, como no peito do guerreiro He-Man, ostentando uma Cruz de Malta, como nas Guerras Santas, as Cruzadas, com um Ser Humano que, dizendo agir em nome de Cristo, fazia atrocidades que Ele jamais faria. Bond é a combinação de dois fatores: elegância e agressividade. Quem entendeu isto muito bem foi Pierce Brosnan, e quem melhor entendeu foi o imortal Sean Connery. Há uma cena em um filme em que Bond, antes de ir a uma festa, coloca as roupas sobre a cama, para ter a certeza de que será elegante a combinação entre as peças, na questão do estilo, da caneta, da classe da pessoa, pois estilo vem de dentro – se tenho estilo, não sou escravo de lojas caras, pois eu até posso me vestir nestas, mas se eu tiver estilo, posso me vestir numa loja barata e, ainda assim, estar bonito e elegante. O coração aqui é o lado de Bond sempre às voltas com alguma bela mulher, num homem charmoso que conquista as moçoilas, num homem de sangue frio, frio ao ponto de executar qualquer um que seja inimigo da Coroa Inglesa. O criador de Bond, Ian Fleming, é tal flama, tal ardor, num Bond excitante, cheio de cenas de ação, empolgante, num quarentão que, apesar de não ser mais um garotão, está no auge da força e da virilidade, como me explicou a excelente doutora em Comunicação, Kenia Pozenato: James Bond causou uma revolução, pois mostrou que um homem quarentão definitivamente não é velho. É como no rei Aragorn, de Tolkien, um personagem que, apesar de ser um homem grisalho de 47 anos de idade, nada deixa a dever para um garotão de 18. Bond nasceu nesse contexto de Guerra Fria, atiçando a imaginação do espectador que ia ao Cinema. É uma teoria vibrante de espionagem e terrorismo, sempre com vilões que conspiram para o fim da Humanidade, causando a divertidíssima paródia de Austin Powers, vivido pelo genial Mike Myers, num espião inglês para lá de mulherengo, na explosão da Revolução Sexual dos anos 1960, numa Londres cinzenta que foi invadida pelas cores da Pop Art, no divertido videoclipe em que Madonna joga todo o seu perigoso charme para seduzir Powers, como diz o subtítulo: “O agente Bond cama”, como power é poder, em Inglês. A pistola aqui remete ao nome da banda Sex Pistols, ou seja, Pistolas do Sexo, talvez para escandalizar uma Inglaterra tão sisuda e tradicional, na transgressão do Rock, esta forma de Arte tão jovial e inédita, com tietes enlouquecidas, como o príncipe William, uma época, arrancava suspiros de mocinhas ao redor do Mundo. O número 007 é uma fria distinção, como num registro de carteira de identidade, como nas cruéis tatuagens em campos de concentração, tratando seres humanos como nem se trata um cachorro, nesta crueldade pura e absoluta do Nazifascismo, uma força de ignorância e brutalidade que infelizmente ainda tem seguidores ao redor do Mundo, como no movimento americano de Supremacia Branca, logo nos EUA, que se dizem o paladino baluarte democrático da Igualdade. Bond é imortal, uma figura pop, com gerações de atores renovando tal paixão, no modo como já ouvi rumores de que o próximo Bond será vivido por um ator negro, o que é bom, remetendo ao triste fato recente de que, na China, o pôster de um recente filme da franquia Star Wars foi alterado, tirando de evidência um ator negro, ou como Hitler se recusava, em jogos olímpicos, a aplaudir atletas negros, como num senhor sociopata e manipulador que conheço, o qual apresentava clara simpatia a Hitler. Jesus do Céu. O Preconceito é a contramão da Sabedoria. A pistola aqui é legalizada, e Bond está sob uma hierarquia, a serviço de algo maior. Bond é um agente, um cidadão colaborador, com dignidade em esta em serviço.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). Foi da Preguiça que nasceram as grandes invenções da Humanidade, como ter preguiça de sair de casa para conversar com alguém, ou seja, o Telefone, cuja sofisticação nos trouxe a imprescindível Internet. O telefone aqui é o elo, o link entre as pessoas, remetendo à saudosa Era Analógica de Comunicação, com o disco, remetendo à minha Infância, numa época em que a Vida era mais simples; numa época em que contentávamos com alguns canais de TV aberta. O telefone é este símbolo de união, no sensual modo como o Universo está todo conectado, numa espécie de Internet Metafísica, na canção da diva Sade, Smooth Operator, ou seja, Operador Suave, numa telefonista sexy e relaxante, deixando-nos à vontade num útero bem quentinho e confortável, como numa casa confortável, num lugar que chamamos de lar; num lugar onde reside nosso coração, nossa vontade, nosso porto seguro, pois nosso lar está junto às pessoas que amamos. O homem aqui está hesitante, e não sabe se vai atender, como em desagradáveis chamadas de Telemarketing, evitadas pela maioria das pessoas. Aqui temos um quase toque, como no Adão e Deus de Michelangelo, quase se tocando, numa metáfora do vínculo espiritual, o qual é todo espiritual, psíquico, com nada a ver com Matéria. Então, o telefone entra como metáfora desse link espiritual, puramente espiritual, e tudo de mundano não sobrevive à morte do corpo físico, como numa relação libidinosa de luxúria – só sobrevive o que traz Amor e Respeito, pois o resto fica pelo caminho... Podemos ouvir aqui o som do telefone analógico, enchendo a casa de alarde, numa pessoa que, num momento de introspecção, desliga o telefone para não ser incomodada, num momento individual, numa saudável pitada de solidão, no modo como todos precisamos de algum momento de isolamento, como num casal que conheço, o qual não fica o tempo todo grudado, pois cada um deles fica alguns dias por semana sozinho, e isto é bom e saudável. Foi uma revolução na Humanidade eu discar para alguém em outra cidade ou país, nessa missão tecnológica de encurtar distâncias, numa sofisticação frenética e vertiginosa, no fato de eu poder conversar em tempo real, no Facebook, com um amigo que está em Tóquio, dando a impressão de que este nosso gigantesco planeta é uma pequena vizinhança, na sofisticação dos satélites, gerando tanto lixo espacial nas camadas superiores da atmosfera terrestre, nas vicissitudes da Vida em Sociedade, no modo como é complicada a questão do descarte de esgoto cloacal, como dizia a divertida Fernanda Young na beira da praia no Rio de Janeiro: “Vamos tomar um banho de esgoto?”. O telefone aqui tem uma cor discreta e sisuda, como a Família Real Inglesa. Mas por trás do equipamento está este fundo colorido e vibrante, como uma pizza de calabresa apimentada, como na casa de uma pessoa que conheci, com uma parede pintada toda de um vermelho bem vibrante, gerando um ambiente provocador e excitante. A mão aqui é uma figura masculina, patriarcal, num homem em seu escritório, o sério local de labor e responsabilidade, na incumbência de prover um lar. Podemos sentir aqui o cheiro deste terno de um homem fumante, numa época me que fumar era glamoroso, longe da política atual de restrições aos fumantes. Esta mão é Tao, o ente supremo cuja face ou nome desconhecemos, pois Tao é o infinito, ou seja, Ele é tão grandioso que passaremos a Eternidade tentando desvendá-lo, neste presente supremo que é a Vida Eterna, pois quando perguntamos a um espírita o que é Deus, aquele responderá: “Deus é o infinito”. Esta mão tem um desenho de comic book, de gibi, no clima da Pop Arte, num namoro com o universo das Histórias em Quadrinhos, nesta explosão de Cultura de Massa da Pop Art, remetendo ao seriado televisivo de Batman, com o imortal Adam West, nas cenas de lutas com os vilões, com onomatopeias coloridas de golpes de luta, como uma pipoca, uma pop corn estourando, num artista sendo revelado ao Mundo, como uma doce debutante.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). Aqui é a glória da vitória, numa ironia rímica. Podemos ouvir os foguetes estourados por torcedores ardorosos, e o som da torcida num rugido só, feroz, vibrante, extasiado. É a excitação de, ao ver dois times competindo, ver um duelo de titãs com índices estratosféricos não só de torcedores nos estádios, como também de torcedores acompanhando pela TV. Vemos uma etiqueta de roupa, vangloriando o Chelsea. A etiqueta é este link da Pop Art com Mercado, num Mundo tão capitalista como o nosso, numa certa vitória liberal de Adam Smith, mas com estados, governos federais que influenciam na Economia, numa discreta pitada de Marx, o intelectual que acreditada no Estado Supremo, impedindo soviéticos de rezar ou de ter a mínima crença espiritual – Jesus do Céu, quanta opressão. Aqui vemos uma grande colagem de momentos de glória do time, talvez num Blake torcedor de tal clube, colocando muita paixão nesta obra, numa colcha de retalhos, como numa galeria, num museu do time, ostentando taças e títulos, como no orgulho do Internacional de Porto Alegre, dizendo em alto e bom tom na fachada do estádio Beira Rio: “Campeão de tudo”. É a glória metafísica da vitória, num espírito que desencarnou cumprindo sua missão na Terra, no modo como, após o Desencarne, a Vida segue em toda a sua seriedade, e realmente não existe aposentadoria. Aqui é a disciplina espartana dos atletas, com uma rotina de exercícios e uma dieta para lá de balanceada, ao contrário de uma marca de batata frita ultraprocessada que trazia Messi no pacote – jura para mim que um atleta profissional vai comer tais produtos industrializados... Aqui é a glória que coroa após um longo caminho de luta, começando nas eliminatórias da Copa do Mundo, no modo como a Vida é luta, ao contrário de uma amiga que tenho, a qual, deprimida, está esperando que as coisas “caiam do Céu” – nunca ouvimos falar que Deus ajuda a quem ajuda a si mesmo? Aqui entra o patrocinador Adidas, como num apadrinhamento, uma ajuda, como um guru inspirador, neste casamento entre Arte e Mercado, um casamento complicado, no doloroso modo como Propaganda não é Arte; é técnica de Venda. Então raramente surgem estes artistas com um certo tino comercial, marqueteiro, com uma pitada de alma de publicitário, de vendedor, com um tino comercial num exemplo simples: quando começa a chover,  lojas e bazares colocam na porta da loja um balde cheio de guardachuvas, aproveitando o momento para vender. Aqui são como as memórias de alguma pessoa, cheias de momentos. As taças são exibidas orgulhosamente. O patrocínio é esta “mão na roda”, como nos áureos tempos do Esporte Clube Juventude, campeão do Brasil, patrocinado pela poderosa Parmalat, ou seja, dinheiro para contratar jogadores bons. É como um apadrinhamento, uma adoção, uma pessoa que quer ajudar e fazer um ato de caridade, diferente da esmola, a qual só atrapalha, incentivando a pessoas em situação de Rua a permanecer assim. Este quadro todo é como se fosse um museu comprimido, nesta paixão dos clubes de futebol, no divertido modo como meu falecido avô, do Internacional, “competia” com meu pai, do Juventude, para me trazer para o time colorado!            Entram em cena as chearleaders, as líderes de torcida, num show no meio do jogo, girando em torno do que interessa, que é o jogo dos homens, num machismo, infelizmente, inevitável, sendo quebrados por fatos como mulheres estreando como narradoras de jogo – eu sou amigo das feministas, pois como é horrenda a Misoginia! Aqui há uma certa predominância do tom azul, como no Grêmio, numa identidade cromática, como no vermelho do Internacional, no divertido modo como as farmácias gaúchas Panvel – patrocinadoras da dupla Gre-Nal –, cuja logomarca original é em azul e branco, é obrigada pelo Internacional a colocar placas de patrocínio em vermelho e branco no Beira Rio, com o receio das cores primordiais da logomarca remeterem ao Grêmio! É uma rivalidade saudável, desde que com cavalheirismo. Seja gentil, rapaz.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (6). Aqui é uma reunião natalina, com a família reunida na noite de celebração. A árvore de Natal é a Vida, são os frutos do empenho, numa recompensa, talvez numa pessoa que fez algum sacrifício para obter algo em troca, nesta eterna tendência humana em sacrificar a própria felicidade, tudo em nome da imagem – o problema é que a pessoa não quer ser feliz; a pessoa quer parecer ser feliz. E não é a Vida a consequência de nossas escolhas? Cada um não é responsável por sua própria escolha? Temos aqui o indestrutível mito do Papai Noel, um símbolo gordo de fartura, de muita comida na ceia, de fartos presentes numa árvore cheia de frutos coloridos, no enriquecimento de um panetone, num pão especial, para uma ocasião especial, com suas frutas que são como um tesouro, saindo um pouco do aspecto rotineiro do dia a dia, do pão puro, sem frutas doces. É a noite das crianças, pois é a noite da criança que se tornaria o centro sobrenatural da História – tudo é antes ou depois de Cristo, no conceito inédito de Amor, num pai não enérgico é desconfiado, mas num Pai amoroso, cuidadoso, no modo como nada ou ninguém e pequeno demais para desmerecer Sua total atenção. É a noite infante deliciosa de brinquedos, com os presentes mágicos em papéis coloridos, numa noite em que a criança se sente um rei, como nos frutos existenciais de uma pessoa que decidiu viver verdadeiramente consigo mesma, pois como posso ser feliz se coloco a Felicidade em último lugar? É como uma grande amiga minha, a qual mandou “para o Inferno” as expectativas do Mundo e foi ser feliz com o marido em uma pequena cidade – de que adianta ser infeliz num palácio de ouro maciço? Aqui as crianças estão em êxtase, enfeitiçadas, encantadas, de fato acreditando no bom velhinho, na doce fase de inocência, com pais que sabem que, cedo ou tarde, o siso adulto tem que chegar, mas nunca querendo sacrificar uma infância, no triste caso de Michael Jackson, um homem que simplesmente não teve infância, nos sacrifícios da Vida. Aparentemente aqui temos exclusivamente menininhas, e nenhum menino, talvez numa identidade feminina. O adulto, apesar do inevitável siso e juízo, tem que conservar dentro de si uma porção criança, pois que vida é esta na qual me tornei amargo e empedernido? Tudo bem que você não precisa acreditar em Papai Noel, mas não seja tão duro! Vemos aqui um ursinho de pelúcia, que é a afetividade, no modo carinhoso de chamar uma pessoa pelo diminutivo, como “Carlinhos”. É como um espírito amoroso que conheci, um de meus melhores amigos no Mundo, um espírito com a capacidade divina de fazer com que as pessoas ao seu redor se sintam amadas e seguras. Vemos um naviozinho, que é a travessia da existência, numa ponte, numa estrada, numa carreira, talvez com algum naufrágio no meio do caminho – quem tem certeza? O saco do Papai Noel é esta fartura, como num reino próspero, cheio de cidadãos ricos e felizes, numa terra de fascínio, no modo como a cidade de Gramado se esforça tanto para encantar o turista. A cor vermelha é este calor numa noite fria de Inverno, na cor do sangue metafísico que nos une, o sangue estelar que nos diz que somos todos do mais nobre e puro sangue, o único sangue que existe. Os pais das crianças têm aqui um papel discreto, coadjuvante, como se soubessem que tal noite é das crianças, na magia tão inacessível para crianças pobres, que sequer ganham algo no Natal. Os pais aqui abrangem o lar, e são o zelo, no juízo dos mais velhos, na carga de responsabilidade em ajudar a criar os irmãos mais novos, no modo como o primogênito de uma família se vê, desde cedo, com esta tarefa sobre os ombros, amadurecendo mais rapidamente. Ouvimos os sininhos aqui, anunciando a chegada de Noel. É a magia do trenó voador, nunca se esquecendo de alguém, no modo como Tao é este Papai Noel, amando infinitamente cada um de seus filhos, querendo o melhor para estes. O tamborzinho é o poder pulsante da Vida. O palhaço saindo da caixa é a surpresa, numa criança que quer saber avidamente o que ganhou de presente.

 

Referência bibliográfica:

 

Sir Peter Blake. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 21 jul. 2021.

Nenhum comentário: