quarta-feira, 2 de março de 2022

Do Cacildo

 

 

Carioca de 1948, Cildo Meireles é um escultor e pintor conhecido por suntuosas instalações, que proporcionam uma experiência sensorial. Tem fama internacional e já foi premiado na Espanha e Inglaterra. Cildo foi grande contestador da Ditadura Militar Brasileira. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Babel. É de babar, falando em ironia verbal. Aqui é a sociedade da comunicação, com tantos aparelhos de TV, Rádio, celulares com wifi, enfim, o modo como o Ser Humano está cada vez mais conectado a tais tecnologias, numa revolução técnica, algo que causa perplexidade à minha geração, uma geração que ainda pegou o fim da Era Analógica, com cartas sendo mandadas pelos Correios e televisores de tubo, sem controle remoto, no modo como as grandes invenções da Humanidade nasceram do gostoso pecadinho capital da Preguiça, como a Roda, a qual surgiu para facilitar transportes, uma invenção tão simples e tão formidável – de quem será que é a autoria? Nunca saberemos. Aqui é uma torre de diversidade, como numa Caxias do Sul, a qual, havia várias décadas, deixou de ser uma cidade exclusivamente italiana, com pessoas de várias etnias formando a identidade do próspero município da Serra Gaúcha. Aqui é uma variedade de rádios, de emissoras, numa acirrada competição para ver quem tem mais ouvintes, numa competição fálica, para ver quem tem o maior pau, com o perdão do termo chulo. É como a ambição das vertiginosas torres em Balneário Camboriú, SC, como, por exemplo, torres gêmeas de oitenta andares cada, numa orla em que, a partir no início da tarde, já não há incidência de luz solar direta na beira da praia, num Ser Humano tão ambicioso, como na construção de Brasília, no famoso slogan Cinquenta anos em cinco. Aqui são tantos e tantos artistas querendo conquistar o respeito das pessoas, cada um emitindo seu talento, num Mundo talvez tão frio e indiferente, ignorando os artistas de rua em semáforos, pedindo trocos aos condutores, numa vida tão dura, com sonhos e mais sonhos sendo frustrados ao redor do Mundo, todos os dias, no sabor amargo da frustração, a qual, no fim das contas, chega para ajudar, colocando os “pés” da pessoa no “chão”, e o Mundo não é dos realistas? A Vida não é um remédio amargo que surte doces efeitos? Não vamos evoluindo espiritualmente durante uma árdua encarnação? A Vida faz de nós pessoas melhores. Imagina-se aqui a trabalheira que Cildo Meireles teve para reunir todos esses equipamentos antigos, talvez em inúmeros antiquários, num trabalho lento e paciente, de formiguinha, de persistência, nunca desanimando perante os percalços, no espírito de surfista, sempre com tesão pelas ondas, e o Mundo não pertence aos batalhadores? Não é vazia e desinteressante a vida de uma pessoa que desperdiça seu tempo ao nada fazer da Vida? Aqui são fósseis de eras passadas, nessa corrida “louca” de desenvolvimento tecnológico, com dispositivos móveis democratizados, ao alcance de quase todos, na democratização da tecnologia, fazendo de um minúsculo pendrive um dispositivo capaz de arquivar uma “insana” quantidade de dados e informações, com reunir em um só pendrive uma extensa coleção de CDs, esta tecnologia que tanto foi a cara dos anos 1990, década em que um celular era privilégio de poucos e ricos, num desenvolvimento tecnológico que fará com que no futuro (não muito distante) sejam enviadas expedições tripuladas a Marte, garantindo a volta segura dos astronautas, nessa sede humana por conhecimento – o que é o Universo? Aqui são várias vozes querendo ser ouvidas, como filhotes chutando a barriga da mãe, querendo nascer e viver, mostrando ao Mundo seu talento, numa sociedade que tanto glorifica o sucesso mundano – ambição e apuro moral andam juntos? Aqui é como os famosos Transformers, a febre infantil de carros que se transformavam em robôs colossais, fazendo metáfora com a fria construção racional do espírito, sem sofrimento, na máxima: A Lei é razão fria sem sofrimento.

 


Acima, Glove Totter. Como uma superfície lunar, cheia de “cicatrizes” de choques de meteoros, contando uma história, uma trajetória, numa “penteadeira de puta”, com o perdão do termo chulo, numa carreira, sendo patriarcalmente proibido a uma mulher ter história, carreira ou sexualidade, no mito de Nossa Senhora, a mulher sem sexualidade, proibida, reprimida e vetada pelo “cacique” da tribo em que vive, como certa vez ouvi um rapaz chamar de “cachorras” meninas que falavam alto na Rua, ou como reprimir qualquer insinuação de sexualidade numa menina pré adolescente, como em certas (infelizes) culturas em que a mulher é literalmente castrada, como com um cinto de castidade, reduzida a um bem, a uma propriedade de um homem – é um horror, visto que o espírito, em pureza, não tem sexo, como os anjos. Aqui são como gotas de chuva caindo numa poça, numa interferência, como ondas de rádio sendo propagadas, emitindo ao espaço suas músicas e notícias, talvez com tais ondas sendo interceptadas por civilizações extraterrestres, as quais tanto querem nos observar – não tem razão que a vastidão do Universo não tenha Vida, pois seria assustador que só na Terra houvesse Vida. Aqui é um complexo de montes, de colinas, em terrenos acidentados, sensuais, na força do seio feminino, em terras devolutas esperando para ser desvirginadas pelo explorador, havendo no falo do obelisco, da espada, tal símbolo viril de coragem, na agressividade de bandidos que regem morros em estado paralelos, onde tudo é resolvido pelo meio de armas e de violência, nesta imutável tendência humana em estabelecer hierarquias de modo bruto, muito longe da hierarquia irresistível espiritual, a qual acontece por meio de elevação, beleza, inspiração, estímulo e apuro moral, até chegar a um ponto em que eu faça questão de obedecer a tal espírito elevado, a tal “irmão maior”. Aqui é como um véu acobertando algo, talvez preservando do acúmulo de poeira, num cuidado, numa cautela, como num rei cauteloso, hesitante em fazer uso da violência, como se soubesse que há perigos na travessia de um córrego violento, no modo como a cautela vai se revelando uma sucursal do Amor, esta força que mantém unida a Grande Família Metafísica, a qual todos pertencemos de forma eterna e divina, não como nas excludentes realezas mundanas. O céu negro aqui é incerto e denso, talvez carregado com muita chuva, com calamidades climáticas que nos mostram de forma nítida que o Mundo Material é cópia do Metafísico, em vicissitudes mundanas como o descarte do lixo plástico ou o sistema de esgotos e fornecimento de água pronta para consumo humano. Aqui são como espinhas ou furúnculos, numa condição, numa doença que desafia os cientistas, como na interminável corrida de se descobrir a cura do Câncer, em feitos gloriosos como as vacinas anticovid, da qual, hoje mesmo, tomei a dose de reforço – vida longa às nossas brilhantes elites intelectuais! Aqui é como um cenário estatístico, com linhas ascendentes e descendentes, revelando os planos do eleitor brasileiro, na fascinante cadeira de Estatística que tive em minha faculdade, nessa situação deliciosa que é estudar e fazer bons trabalhos para encher o professor de orgulho. Aqui são como pessoas levantando o dedo numa votação, talvez no STF, talvez numa banca de psiquiatras avaliando o caso de um paciente, talvez um pobre coitado viciado em Cocaína ou Crack, destruindo sua própria encarnação, como na devastação vocal que as drogas causaram em Whitney, a diva que tudo teve e tudo perdeu, como no tombo do ator americano Charlie Sheen, colocando tudo a perder. Aqui é como a ereção de prédios, numa cidade sendo construída, como já me disse uma intelectual: A Imigração Italiana no interior do RS foi uma reforma agrária que deu certo. Aqui são como pessoas despertando, como numa cena de ficção científica, com astronautas acordando de uma longa hibernação para chegar a pontos longínquos do Espaço. Aqui é como o início de um levante, como a deposição do czar Romanov.

 


Acima, Inmensa. Como uma família, em ordem de crescimento – os mais depurados regem os menos. É como na rígida pirâmide social egípcia, sem mobilidade social em geral – plebeu morria plebeu. É o ponto de vista marxista da exploração do Homem pelo Homem, com escravos oprimidos aos quais só restava concordar em construir túmulos descomunais para seus monarcas, na incrível estupidez da Escravatura, com irmão escravizando irmão, na eterna cena de Caim matando Abel, nessa inegável inclinação humana para com a crueldade, pois é claro que nosso Pai não gosta de ver filho matando filho, sempre persistindo em nos mostrar que somos todos filhotes da mesma ninhada. Aqui é uma evolução, como na hierarquia militar, com a pessoa subindo na carreira, adquirindo mais poder de mando, como nos espíritos perfeitos, de apuro moral supremo, os arcanjos, que gozam da felicidade suprema, na deliciosa construção da Grande Carreira Metafísica, a qual nos mostra que tem dignidade até o menor e mais humilde trabalho, como um gari varrendo as ruas de uma cidade – todo trabalho conta, pois que esperança há para aqueles que passam suas encarnações produzindo absolutamente nada? Quando desencarna, o espírito, depois de um breve período de descanso, depara-se com a necessidade da continuidade do labor, como uma querida tia avó falecida minha, a qual, definitivamente, não está ociosa no Plano Metafísico, no título do filme espírita: “E a vida continua”. Aqui é como numa escadaria de elevação, talvez num acesso a uma igreja, num esforço olímpico, como num disciplinado fisiculturista, encarnado uma massiva rotina de exercícios e de dieta espartana, num puro exercício de disciplina, como uma pessoa que sabe que de seis a oito horas são o suficiente para o descanso – deitar para dormir e descansar é bom e necessário, mas vai enlouquecer você se você passar tempo demais sobre a cama! É como na canção redentora de Morissette: “Que tal parar de comer quando estou de barriga já cheia?”. Aqui as cadeirinhas humildes sustentam a instalação, como numa pessoa numa empresa, começando por baixo, subindo lenta e pacientemente na hierarquia, como na progressão cromática das faixas de Judô, indo do branco, que é o principiante, ao preto, que é o topo de sofisticação na arte marcial. As mesas são a pausa para a sagrada alimentação, na pausa para um almoço, ao contrário de pedintes miseráveis, os quais não sabem se vão comer naquele dia, na ironia de que as esmolas não ajudam, mas só incentivam a pessoa a permanecer na situação degradante de pedinte – caridade é dar um empurrãozinho a quem precisa, e não manter a pessoa na situação de mendicância, como eu observei certa vez, em Buenos Aires, um mendigo sendo abordado pela polícia. Os pés aqui são como aranhas, com seus múltiplos pés, como deuses hindus, com vários atributos os quais os fazem sobre humanos, como no modo de se referir a alguém com respeito, chamando-o de Vossa Excelência. Aqui o marrom dos móveis mescla-se com a paisagem de jardim, num continuum, num contraste entre madeira selvagem e madeira “domesticada”, no poder transformador das mãos de um artista plástico, produzindo coisas novas e inusitadas, na infinitude criativa da Mente Humana, sempre surpreendendo o Mundo, como Tao, nos causando perplexidade, vestindo os campos de roupas majestosas, uma majestade tão almejada por qualquer rei ou rainha, fazendo do homem sábio um representante de Tao na Terra, no modo como o faraó era tido como sangue divino, herdeiro dos deuses. Aqui é como uma ameba se bipartindo, ou como bactérias em processo de infecção, crescendo como plantações em terras férteis. É como um número sendo fracionado, desmontado e desconstruído, como uma casa sendo desmontada tijolo a tijolo, num processo de análise científica, como observar o Aparelho Digestivo Humano e designar órgãos em separado, nomeando cada um em individual, como “estômago” e “fígado”. Aqui é como as pirâmides são rampas de depuração e crescimento, numa ida ao Reino dos Céus, a terra prometida na qual temos a forte e inabalável noção de que somos príncipes muito preciosos, únicos e especiais, e de que somos eternos, belos e jovens para sempre – é o Mundo Real.

 


Acima, Marulho. Aqui remete ao filme O Show de Truman, na parte em que o protagonista atinge um limite, notando de que se tratava de um mar falso, ou seja, passando por uma desilusão e uma mortificação, num personagem que cresce, atingindo maturidade e adquirindo nobreza e realismo, tornando-se imune aos apelos tentadores da Sociedade de Consumo, esta força cruel que faz com que meninas belas se achem feias e gordas. Aqui é como uma plataforma de pesca, num mar ideal e farto, de azul profundo, na Iemanjá brindando com fartura as redes dos pescadores, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, num reino farto e organizado, regido por um líder que não tem a ambição de anexar os reinos vizinhos, no infeliz episódio recente da Rússia invadir a Ucrânia, num Putin ditador disfarçado de apolíneo e fidalgo líder democrático – conta outra. Aqui é um convite a um mergulho, na coragem dos navegadores renascentistas em cruzar um vasto oceano para chegar às devolutas terras selvagens americanas, na estupidez escravocrata de arrancar seres humanos de seus lares na África, tudo em nome da ambição humana, na qual nada é o suficiente, na sede perene do monstro Laracna de Tolkien, sempre querendo mais e mais, num Napoleão insano, louco, querendo ser o dono da Terra, espalhando terror pela Europa, na corte de Dom João VI fugindo para o Brasil. Aqui é um mar plácido e idealizado, com doces sereias, numa praia paradisíaca, num lugar digno de descanso, na sedução libertadora que só a beiramar pode fornecer, numa pessoa que quer fugir da Vida e ser ratão de praia, vendo o Verão se ir e vendo a inclemência invernal chegando, no fato de que não se pode fugir da seriedade da Vida – os dias vão ficando mais curtos, frios e cinzentos; as pessoas passeando na orla começam a sumir; surfistas pegam cada vez menos ondas, na canção recente do A-Ha: O Verão de foi. A plataforma é a elevação, numa sublimação transcendental, numa pessoa que sabe fugir da Matéria e viver do modo mais metafísico possível, numa capacidade de viver da forma mais desapegada possível, sem ter ambições consumistas, como já ouvi dizer que os shoppings são os templos do consumismo, em marqueteiros que nos dão a ilusão de que precisamos desesperadamente de um bem de consumo, na ilusão do cartão de crédito, com o qual não percebemos nosso próprio impulso de compras, num marqueteiro que descobriu uma forma de excitar a mente do consumidor – é um canto da sereia. A plataforma proporciona uma imersão, um aprofundamento, como num estudante de Medicina escolhendo alguma especialidade médica, escolhendo um caminho. Podemos quase sentir o cheiro da orla, do mar, de peixes, com entrar num restaurante de sushi e ser brindado com o olor de peixe fresquinho, na sedução da culinária japonesa, a qual ganhou o Mundo frente à universalidade do Ser Humano, nos esforços diplomáticos em torno da união das nações e dos povos, como irmãos que nascem tão diferentes uns dos outros e, ainda assim, sendo irmãos. A plataforma é um espaço de observação e pensamento, como num microscópio observando seres minúsculos, na revolução que a Ciência causou numa Humanidade que foi tão supersticiosa em tempos medievais, não compreendendo a razão científica da Peste Negra. O mar é o berço da Humanidade, nossa origem, de onde veio toda a Vida hoje conhecida. É o olor de peixe fresco numa feira pré Páscoa, com o animal sendo vendido ainda vivo, pulsante, remetendo ao carismático monstrinho Gollum de Tolkien, devorando peixes crus ainda vivos e pulsantes – viu como gosto de Tolkien? Este mar plácido é uma frustração para um surfista, num atleta que adora os desafios, encarando tudo com ímpeto olímpico, numa pessoa batalhadora, que sabe que as coisas não “caem do Céu”. Aqui é um trabalho de formiguinha, persistente, num Cildo paciente, compondo este mar pedaço a pedaço, no áureo objetivo de qualquer trabalho – ganhar o respeito das pessoas.

 


Acima, Missão/Missões (como construir catedrais). As moedinhas inevitavelmente remetem à caixaforte do personagem de Disney, o Tio Patinhas, uma tradução do pecadinho capital da Avareza, ou seja, uma pessoa que guarda dinheiro “debaixo do colchão”. É o acúmulo de riqueza, na capacidade de estadistas como Elizabeth I, assumindo um país falido e fazendo deste a nação mais rica e poderosa da Europa. É o risco de ser rico, pois quanto mais tesouros tenho, menos seguro estou, como um casal de amigos meus, os quais acumularam por décadas joias preciosas, sendo brutalmente assaltados dentro de casa, sendo atados pelos bandidos enquanto estes concluíam o assalto – foi um horror. É como no tesouro imensurável do dragão monstruoso de Tolkien, nesta inegável sede humana por grana e poder, ou seja, esta inclinação mundana, que é a inimiga da depuração espiritual, numa pessoa se esforçando para ser nobre, encontrando uma cédula de dinheiro perdida na Rua, mas não catando tal cédula, numa pessoa que fica imune às tentações mundanas, como num senhor sociopata que conheci, já falecido, o qual era obcecado por roupas de grife e vinhos caros, num espírito que não consegue enxergar além da Dimensão Material, num espírito que não aceita o seu próprio desencarne, como na loucura de um presidiário que não quer sair do presídio – não faz sentido algum. Aqui vemos um frágil pilar, vulnerável, insuficiente, como num magro pilar que sustenta a avareza de alguém. Esta riqueza toda me remete a uma prima que tenho, uma mulher riquíssima, gozando de casarões luxuosos e finamente decorados em condomínios fechados na orla gaúcha, com deslumbrantes lustres de cristal, numa casa digna de mostras da Casa Cor, numa prima que não é escrava de tanta riqueza – ela tem o ouro mais o ouro não a tem, e isso é uma dádiva e uma bênção. Aqui é como na escadaria de ouro em que Liz Taylor, como Cleópatra, chega triunfante a Roma, curvando-se perante o césar, num momento em que a rainha conquista todo o carinho e amor do povo de Roma, na beleza dos atos de humildade e classe, como num Obama certa vez curvando-se à moda japonesa em uma viagem diplomática – curva-te e reinarás, pois não é de uma venenosa arrogância um rei que quer invadir os pacíficos vizinhos? Não é patética esta fome insaciável por poder e anexação de territórios vizinhos? Em torno dessa riqueza toda há um breu profundo, talvez num Umbral que acolhe os que não podem ser acolhidos, num espírito mundano que definitivamente não se sente especial, ou seja, é uma dimensão na qual todos se sentem um lixo sem eira nem beira, ao contrário da Colônia Espiritual, o lugar abençoado em que temos toda a noção e impressão de que somos especiais, príncipes vindos do útero da mesma Rainha Imaculada, no lar comum a todos, na Grande Família Metafísica, o lugar onde estamos entre amigos, grandes amigos, como uma bisavó que, apesar de não ter conhecido os bisnetos na Terra, ama e ilumina estes do Céu, na imensidão do Amor, o qual não conhece fronteiras – só o Amor é eterno, este tão subestimado Amor. Aqui é o glamoroso vestido de Julia Roberts no final de Onze Homens e um Segredo, no fascínio de uma mulher elegante e glamorosa, numa Jackie Kennedy conquistando o Mundo, fazendo escola para qualquer primeira dama dos EUA que queira brilhar. Aqui é como um sanduíche, na psique que fica entre claro e escuro, entre bem e mal, na questão de que o ensinamento tem que partir da própria pessoa, numa Vida que exige que sejamos autodidatas. Aqui são como flores silvestres, as quais não precisaram ser plantadas para a floração, nesta grande e maravilhosa invenção de Tao que são as flores, no título espírita Violetas na Janela, num lugar onde temos a forte noção de que nossa carreira espiritual está nos trilhos, e de que definitivamente não estamos andando em círculo ou perdendo tempo – é uma caminhada, como um ator que vai construindo uma galeria de personagens, como num genial Chico Anysio. Aqui é o astro rei dourado, emanando energia a todos os filhos num sistema solar, sem se esquecer de filho algum.

 


Acima, Red Shift: impregnation (detail). Uma harmonia cromática que prima pela harmonia, pela unificação, na qualidade de um grande líder em unificar uma nação, como na unificação da Itália, um país tão heterogêneo e diversificado, como no Brasil, fazendo do estado da Bahia um país à parte, particular, específico e único. O vermelho é picante e vibrante, como num ardoroso sexo entre amantes apaixonados, fechados entre quatro paredes, deixando do lado de fora as durezas e vicissitudes do Mundo, um mundo tão insensível para com a felicidade da pessoa, num mundo que pouco se importa se estou feliz ou deixo de estar feliz, ou seja, sendo necessário que o indivíduo mostre o próprio dedo do meio para o Mundo, no sentido da pessoa não se tornar escrava das expectativas de outrem – é o caminho da libertação. O vermelho é um batom vermelho e sedutor, em lábios pulsantes, latejantes, vivos, num sexo tão tórrido, na cor do pecado, como no bordel Casa da Luz Vermelha, num abajur cor de carne, ou no francês Moinho Vermelho, num cabaré que cheira a Sexo. Aqui é um ambiente da cabeça talentosa de um bom arquiteto ou decorador, com critério, buscando fazer algo de bom gosto, conquistando o respeito de outrem, fazendo da harmonia esta linha de salão de Carnaval, com todos pulsando no mesmo ritmo, num líder com o talento em unificar um povo, como no longevo reinado de Elizabeth II, em plena atividade em meio à casa dos noventa anos de idade – é um fenômeno. Aqui é algo quente que busca “secar”, como no claustrofóbico banheiro rubro de O Iluminado, fazendo com que o hotel se torne um retrato das gavetas da mente de um homem em surto psicótico, num traiçoeiro labirinto cheio de perigos, num Minotauro pronto para aprisionar e devorar vítimas perdidas, como numa pessoa perdida num contexto de submundo, num submundo com regras próprias, que destoam do Senso Comum, do convívio comum, como na traiçoeira toca da Laracna de Tolkien, ou como na inteligente mente de Agatha Christie, trazendo o leitor por pistas falsas, sempre surpreendendo ao final da trama, com a luz nascendo e o mistério sendo elucidado, sendo poucos os leitores que conseguem, antes de terminar o livro, saber que é o assassino, num divertido jogo de adivinhações, numa mulher que foi mais longe do que muitos, muitos homens, na prova de que a Mente Humana não tem gênero, na igualdade espírita da assexualidade dos anjos, os seres de luz livres e desencarnados, gravitando acima das vicissitudes materiais que giram em torno do Sexo. Aqui é uma sala de estar e gabinete, numa pessoa com critério, que sabe bem mobiliar uma casa, no divertido fato de um amigo meu ter se frustrado com a descriteriosa decoração da casa de uma prima deste amigo, com móveis dispostos assim assim, de qualquer maneira, sem sinais de critérios mentais de imaginação e diagramação, no talento de certas pessoas em não precisar da mão de um profissional para bem decorar uma casa com bom gosto. Aqui é um perfume doce e feminino, na magia da rede Victoria’s Secret, atiçando a imaginação de homens heterossexuais, no eterno jogo de sedução entre Yin e Yang, nas forças opostas que valsam pelos Cosmos, unificando este num só caminho, que é Tao, a atitude limpa e minimalista – quando você precisar tomar ação, faça só o que é necessário, pois num mundo em que há tanto falatório, é melhor ficar calado. Aqui é o interior, a casa, o lar, o Yin, deixando lá fora os movimentos de credibilidade do Yang, ou seja, do escritório, do labor, da dignidade do labor. As almofadas são tal conforto, tal receptividade, num anfitrião generoso, que sabe bem receber, sempre fazendo as honras da casa, oferecendo ao visitante um café ou algo do gênero. Aqui é a prova de que só há força na Paz e na Unidade, fazendo da guerra tal horrível evento desnecessário, com Caim matando Abel e derramando sangue desnecessariamente. Aqui o sangue lateja pelo organismo inteiro, alimentando cada célula, num pai atencioso, nunca deixando de lado qualquer filho em uma extensa ninhada.

 

Referências bibliográficas:

 

Cildo Meireles. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 17 nov. 2021.

Cildo Meireles Babel. Disponível em: <www.google.com>. Acesso em: 17 nov. 2021.

Cildo Meireles Obras. Disponível em: <www.google.com>. Acesso em: 17 nov. 2021.

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