Caxiense de 1966, Viviane Pasqual, ou Vívi, como gosta de ser chamada, diz-se uma outsider, ou seja, pertencente ao grupo dos artistas que transitam fora da cultura oficial. Tem um livro publicado. Estudou Arte na extinta instituição portoalegrense Torreão. Participou da Bienal do Mercosul em POA em 2011, e expôs na deslumbrante Fundação Iberê Carmago, na capital gaúcha. Ativa, vi Vívi na Rua um dia pintando um painel em Caxias. Faz parte do caxiense Núcleo de Artes Visuais, o Navi, uma instituição séria. Vencedora regional caxiense do Salão RBS Jovem Artista em 2006. Isso tudo só para delinear algo sobre uma artista tão rica. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, sem título (1). Vívi tem um certo traço de candura infantil, como em Basquiat, com formas simples, doces, rústicas, pois o rústico é formidável porque é acolhedor, sem afetações ou pretensões. É como disse uma turista em Gramado: “Aqui nós no sentimos crianças novamente”, numa época inocente da Vida em que o indivíduo traz traços da vida no Plano Metafísico. Vemos uma estrela, esta metáfora, no sonho de qualquer artista em virar tal estrela, numa referência no Céu, sem sexo, sem raça, sem classe social, numa estrela vibrando e trazendo o nervo da Arte, que é a Vida. Vemos mãos com polidactilia, numa mutação, com seis dedos por mão, como um certa miss, uma menina linda, com tal mutação, na capacidade do Ser Humano em transcender e dar a volta por cima de vicissitudes materiais, como uma atual participante do BBB 22, uma moça linda com a pele com vitiligo, numa superação, no fato de que não existe perfeição sobre a face da Terra. Aqui é como uma entidade de Umbanda, numa religião tão vibrante, cheia de tambores africanos, na religião dos socialmente desprezados, como um famoso cidadão portoalegrense transformista, o qual disse em uma entrevista na TV que chega a um ponto em que a pessoa já levou tantas “pedradas” que esta pessoa fica mortificada, e este é o objetivo da existência, a mortificação, até chegar a um ponto em que as ilusões caem por terra, ou seja, na criança que vê que os contos de fadas, com “felizes pata sempre”, não existe, pois tudo é processo e transformação, crescimento, no caminho da Eternidade – Deus é o mistério perene, maior do que tudo, tudo mesmo. Aqui vemos olhos severos, marcantes, realistas, como num agressivo Eminem, um rapper que só quer uma coisa das pessoas – respeito, num estilo musical tão rico em atitude e estilo, num estilo impositivo, viril, sendo raras as rappers mulheres, na agressividade patriarcal que busca castrar sexualmente a mulher, em figuras impositivas como Madonna, uma das maiores feministas na História, sabendo que à mulher é relegado o subalterno papel de líder de torcida, girando em torno do que importa, que é o jogo dos homens. Vívi tem tal atitude, numa personalidade que se impõe. A entidade aqui tem cornos, no mito do Diabo, algo que os espíritas sabem e falam que não existe, pois a pessoa é inimiga de si mesma, sabotando suas próprias chances de ser feliz – tu és teu próprio inimigo, meu rapaz. A cor aqui é rubra e picante, numa boa pizza pepperoni, no encanto das especiarias e temperos, trazendo picantes chefes pop ingleses em meio à pobre culinária inglesa, a qual não se iguala à francesa ou à italiana, fazendo da Gastronomia uma das várias provas da universalidade do Ser Humano, no modo como o sushi tomou o Mundo, ou como o cacau, misturado com leite e açúcar, também obteve tal sucesso esmagador, assim como a pizza. Vemos aqui um cavanhaque peludo, mal barbeado, num estilo que se impõe, na masculinidade das esferas do Poder, como se os homens quisessem se igualar ao poder das mulheres, que é trazer Vida ao Mundo, numa espécie de “compensação” da Sociedade Patriarcal, na qual a mulher – Eva, o segundo sexo – fica sempre num nível abaixo de Adão – a obra prima de Deus... Aqui as mãos cobrem a cara, numa proteção, um resguardo, numa reserva, numa pessoa que é discreta, expondo o seu próprio trabalho mas nunca expondo a si mesma, no inferno que é ser uma celebridade que não pode caminhar na Rua como um cidadão comum, como Xuxa Meneghel, sempre cercada de guardacostas.
Acima, sem título (2). O espeto é o método de consultórios de Psicologia, nos quais o terapeuta confronta o paciente com a realidade, mostrando as coisas da forma mais fria e realista possível, no modo como o olhos do terapeuta têm que ser razão livre de emoção, até a pessoa entender que, por exemplo, num relacionamento amoroso, a Cabeça, a mente tem que vir antes de tudo, na letra de uma canção pop: “Lençóis de cetim são muito românticos, mas o que acontece quando você não está na cama?”. Esta obra remete a um tio meu, o qual é assador excelente, sabendo exatamente o ponto ideal do salsichão, numa pessoa calejada por décadas de labor, sabendo, de cor e salteado, tudo relativo à receita, num chef televisivo que testa muitas vezes uma receita antes de trazer esta ao programa de TV. O espeto é a crueldade humana do empalamento, num Ser Humano que faz atrocidades dizendo agir em nome do amor de Cristo – que piada. Aqui vemos a redação de Vívi, no termo chulo “puto”, que significa ira, raiva, indignação, como num jornalista furioso com algum político, ou algum partido, no modo como a revista Veja, ao entrar na sala de Cinema para ver Lula, filho do Brasil, já entrou ali no clima de “não vi; não gostei”. Aqui, João Puto é o protagonista, numa churrascaria com décadas de atuação no Mercado, como adquirir num domingo de manhã um frango assado com polentinhas fritas, num almoço especial, como ir a uma farta galeteria e se jogar aos deliciosos braços da Gula, este pecadinho que não se dissolve com o Desencarne, pois no Plano Metafísico há confeitarias que fazem doces irresistíveis, ou seja, cada pecadinho capital tem seus encantos, desde que vividos com moderação, pois deitar na cama para descansar é bom e necessário, mas vai enlouquecer você se ficar muitas horas na cama. Aqui, JP é uma figura de credibilidade, na seriedade do Yang, sabendo que os incompetentes não se estabelecem mercadologicamente, numa lei indestrutível – aos incompetentes, o fracasso, como o mestre Tatata Pimentel (in memoriam) disse em entrevista não suportar incompetência. Aqui, há um dado dizendo que o estabelecimento fica na BR 116, só que escrito de forma propositalmente errada, na falta que faz a Cultura Erudita na construção de uma nação, na frase célebre: A caneta é mais poderosa do que a espada, num Putin que definitivamente não prima pela Paz, na inclinação humana em desrespeitar o gramado do vizinho. Aqui, JP está trabalhando, numa ironia de metalinguagem – trabalho falando de trabalho, numa Vívi trabalhando. Vívi Pasqual gosta muito de placas, de sinalizações, num estilo que namora com a simplicidade modernista, ignorando moldes rançosos conservadores, no modo como, neste ano de 2022, comemora-se o centenário de um dos principais momentos da Cultura Brasileira – a Semana de Arte Moderna, na beleza da transgressão, esses cidadãos visionários que abrem os olhos do Corpo Social inteiro, na letra de uma canção pop: “Deixe que os sonhadores acordem a nação!”. JP sorri aqui para o freguês, sabendo que um bom atendimento, seguido de um bom produto, vai fidelizar a clientela, pois como um estabelecimento pode perdurar sem clientes? O espeto é a pesquisa, o olho científico, na profundidade de uma análise, de uma resenha, como um crítico se debruçando sobre o filme ou livro, no modo como ouvi recentemente: Uma obra de Arte tem que ser absorver lenta e gradualmente, no modo como uma pessoa, dentro do riquíssimo Louvre parisiense, não tem como, em uma só visita, apreender tudo o que há no museu mais famoso do Mundo, na inesgotabilidade da Arte, que faz metáfora com a Vida Eterna, o enigma grande demais para a cabeça do Ser Humano. Aqui é como o televisivo de culinária Perto do Fogo, do chef Felipe Bronze, um chef de ouro, com tudo feito no calor da brasa e das labaredas, na revolução do uso do fogo na vida humana cotidiana. João Puto aqui é digno, trabalhador, batalhador, sabendo que os abonos não caem gratuitamente do Céu, como uma publicitária que conheci, uma mulher guerreira, sem medo de arregaçar as mangas e jogar-se ao labor.
Acima, sem título (3). As antenas remetem a um inseto, como uma barata, um inseto forte, que sobrevive às hecatombes nucleares, no modo como um artista tem que sobreviver a décadas de carreira, sempre buscando não se repetir, sabendo sobreviver às décadas, no modo como há tantos cantores talentosos que simplesmente não sobreviveram aos anos 1980, por exemplo. A barata é o anti herói mexicano Chapolin, brincando com o complexo de inferioridade latinoamericano. O inseto é a força da Vida, sempre buscando viver, expressar-se, na luta que é um artista ser visto, amado e respeitado, no modo como a Vida é dura em qualquer lugar, na letra de New York, New York: “Se posso vencer lá, posso vencer em qualquer lugar”. Os olhos aqui estão terrivelmente, claramente arregalados, numa máscara mortuária egípcia, na consciência do Desencarne, com olhos abertos, na dádiva que é uma pessoa rapidamente aceitar o próprio desencarne, não mais querendo ter algo a ver com o corpo físico putrefato, na loucura que é um espírito que, ao não aceitar a própria morte, quer voltar ao corpo físico, numa identificação mundana, materialista. Vívi adora escrever em seus quadros, com traços simples, buscando ter o estilo despojado de uma artista outsider. O verde é a cor da Natureza, na beleza arrebatadora de campos e florestas, os quais vestem roupas que, apesar de maravilhosas, são tão ignoradas pelo Ser Humano, o qual só admira os palácios, na beleza de fenômenos como a neve; na beleza simples de azaleias florescendo no fim do Inverno; na beleza de flores silvestres, as quais brotam sem qualquer esforço humano. Aqui as mãos estão rubras e quentes, como as mãos “calejadas” de uma pessoa jogada ao trabalho, adaptando-se às vicissitudes da produção, como num paciente diretor Tim Burton, o qual faz excelentes filmes de stopmotion, ou seja, bonecos cujos movimentos são feitos quadro a quadro, num trabalho paciente de “formiguinha”, como num astrônomo da Nasa, dedicando-se integralmente ao tesão de desvendar os segredos do Universo, este Cosmos tão vasto que é infinito, numa Humanidade que tem ainda tanto por vir. Vemos aqui flechas, diretrizes, como uma pessoa mandona que conheço, a qual adora desenhar setas, sempre querendo reinar sobre tudo e todos, na questão do Anel do Poder, de Tolkien: O Ser Humano, antes de tudo, quer ter poder, em obsessão mundana por dinheiro, na ilusão de que um ganhador da Loteria é alguém extremamente feliz, na questão espírita: Você não faz ideia a qual estado ficam espiritualmente reduzidos aqueles que são considerados felizes na Terra. Vemos uma boca rosa, feminina, numa mulher feminina, que adora se maquiar, no prazer do artista em se preparar para o palco ou para as câmeras, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que se desfiguram para os seus respectivos papéis, em atores que simplesmente desaparecem perante o personagem, ao contrário do ator não tão excelente, o qual acaba aparecendo mais do que o próprio personagem. Vemos aqui uma testa enrugada, calejada por décadas de vida, no modo como a passagem do Tempo vai deixando sua marca, no modo como a maturidade tem a delícia de trazer sabedoria, crescimento e ponderação à pessoa que já não mais é um adolescente. Aqui vemos um ser estranho, incompreendido, como um artista que luta para se expressar com originalidade, sabendo que não pode simplesmente copiar outros artistas, o que difere do se inspirar em outros artistas, no modo como no ato de criação publicitária há a regra de se buscar referências, por exemplo: Se vou fazer um website de uma marca de carros, devo, antes de tudo, ver o que está sendo feito no Mundo, neste momento, em relação a websites de carros, no caminho da humildade: Não sou perfeito. As mãos aqui têm dedos indicadores incisivos, delineando uma meta, uma diretriz, um escopo científico. É como no curso de Psicologia, chegando a um ponto em que o aluno tem que fazer uma escolha de corrente científica psicológica, no modo como aprendi que a Vida é feita de escolhas.
Acima, sem título (4). Uma boca esfomeada come um inseto, nas leis da cadeia alimentar, numa espécie de hierarquia, com herbívoros sendo comidos por carnívoros, na terrível figura de T-Rex, “rei” em latim, na agressividade masculina que acaba gerando tensões belicosas, num mundo de homens, no qual uma mulher não pode ter plena expressão, nos eternos preconceitos patriarcais – o Homem sempre num nível acima da Mulher, nas diferenças salariais. A boca é como na fome ambiciosa de um buraco negro, esses corpos cósmicos que trazem o terror de Napoleão à Europa, causando a fuga da Família Real Portuguesa ao Brasil, em homens como Putin, perdendo douradas chances de se primar pela Paz, num Mundo que, até o momento, parecia ter deixado para trás as chances de grandes conflitos mundiais. O cabelo curto aqui é militar, altamente disciplinado, no modo humano de se impor hierarquia por meio da força, algo muito aquém da sacra hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta por meio da força, numa hierarquia doce e inspiradora, até o espírito fazer questão de obedecer aos seus “irmãos mais velhos”. Os olhos aqui são vesgos, focados na presa, como um índio com a incumbência de trazer, às mulheres da aldeia, resultados de caça e pesca, na tarefa agressiva que se contrapõe ao trabalho de coleta, de compras – o Ser Humano é universal em seus preconceitos. A boca é uma porta sedutora, numa casa de portas abertas, talvez num lugar maravilhoso, no qual grades e chaves não são necessárias, no nome da ong “Brasil sem grades”, fundada por um senhor que perdeu de forma brutal num assalto o próprio filho Max Oderich, clamando por Paz, numa banalização que dá tão pouco valor à vida humana, numa família devastada por tal crime cruel. A boca é o receptáculo feminino, o útero o lugar mágico de onde vem a Vida, como na jarra de água da Galadriel de Tolkien, contrapondo-se aos rudes pés masculinos de Frodo, num Tolkien de apelo universal, fazendo com que sintamos saudades dos personagens deste grande escritor. O corpo aqui é negro, fechado, cheio de dúvidas e mistérios, num Cosmos profundo, com telescópios descobrindo mais e mais galáxias, na incapacidade humana em apreender o Infinito, o Eterno de Tao, o mistério para sempre indesvendável. O inseto aqui é tal vítima dos apelos da Sociedade de Consumo, a qual quer nos convencer de que a felicidade vem do acúmulo de bens de consumo, como na esfomeada caixaforte do Tio Patinhas, no pecadinho capital da Avareza. A boca é como um palco de teatro que nos chama para dentro da peça, na magia da cortina sendo aberta e revelando o sonho de um diretor, nesta coisa tão mágica e misteriosa que é a Arte, algo que nos faz tão únicos e humanos, não podendo haver no Cosmos civilizações tão parecidas com a nossa, numa esfera em um canto de esquecido de uma galáxia esquecida. O inseto aqui é a liberdade, com sonhos de alçar voos, numa pessoa que quer se expressar, jogando-se à dura luta que dá frutos doces. A boca é o receptáculo no lar, na gíria cariosa “muvuca”, neste lugar em que estamos tão à vontade, num lugar onde tudo é o jeitinho do dono da casa, no modo como é necessário que haja paciência no convívio entre duas pessoas (ou mais) dentro de suas próprias casas, como numa banda de música, que nada mais é do que um casamento sem sexo. A boca aberta é uma pessoa receptiva, que vive de coração aberto ao Mundo, como numa certa ex rainha da Festa da Uva que se elegeu vereadora, numa pessoa aberta e simpática, carismática, que merece exercer tal cargo; que mereceu ser rainha. Aqui a obra está dependurada como num varal, com o grampo de varal, no labor de uma lavadora, de uma dona de casa, dando tanto duro para manter uma casa limpa e organizada, com a responsabilidade de criar filhos e lavar as cuecas do marido. A boca é uma expressão, numa liberdade de países democráticos, em contramão a um macaco calado, o qual é reprimido por um sistema insano e sem lógica, como em ditaduras, as quais querem reduzir o cidadão a uma mera pilha alcalina, numa sociopatia política.
Acima, sem título (5). Aqui temos uma cena impactante, com uma mulher se prostituindo ao máximo, óbvia, escancarada, como numa pessoa ao fazer negócios, mostrando-se extremamente interessada na transação, no termo “abrir as pernas”, para delinear pessoas que, sem amor próprio, aceitam qualquer migalha, como num publicitário que conheci e com o qual trabalhei, um publicitário que definitivamente não tinha dignidade, abrindo as pernas da forma mais indigna possível, no termo “comer merda”, com o perdão do termo chulo, numa lição que aprendi com uma grande amiga: Ninguém pode se vender a “um e noventa e nove”. O fundo é rubro, da cor dos bordéis, ou dos tapetes das celebridades, artistas que “se prostituem” frente às famintas câmeras de fotógrafos ensandecidos, com estes artistas sendo primos distantes da profissão mais antiga do Mundo – a Prostituição, na letra de uma banda de rock: “Fica claro que Hollywood vende californicação”, como na famosa fita pornô caseira da atriz Pamela Anderson. Aqui, não vemos uma mulher, mas um animal, com orelhas talvez de cachorro, e pelos espevitados e eriçados, talvez num estágio antigo de femealidade, algo além de feminilidade, que é um ato civilizatório, com finos perfumes e elegantes vestidos, na Era de Ouro de Hollywood, com divas portando majestosamente seus vestidos, na letra de uma canção pop: “Damas com atitude; cavalheiros no clima”, e não foi Bette Davis um monstro sagrado de atitude? Aqui, esta prosti não sorri, ou seja, não está lá muito feliz, mas tem que se vender se quiser comer algo no fim do dia, talvez numa pessoa com visão psíquica limitada, leia-se “burra”, que acha que é obrigada a fazer isso, como certas celebridades que acabam se transformando em atores e atrizes pornôs, algo, vá lá, não muito inteligente, ou como pessoas que perdem a chance de se tornar artistas de verdade, longe de um pestilento submundo. Esta figura remete a uma cena de Fellini, com a “mater generosa”, ou seja, mãe generosa, na mamma italiana agregando todos à mesa, num enorme prato de polenta ou massa, na fartura de galeteria, numa mãe corpulenta, gorda e farta, no nome de um restaurante, o “Fat Mamma’s”, ou seja, “Mãe Gorda”, numa mãe atenciosa que nunca deixou faltar algo em casa, fazendo compras constantemente, na responsabilidade de prover aquilo de que uma criança precisa, no anônimo papel de dona de casa, no famoso ditado: “Ser mãe é padecer no paraíso”. Aqui é como um anúncio, em algo sendo divulgado, na metáfora da galinha, a qual coloca seu ovo da forma mais gritante e clara possível, no modo como o trabalho de Marketing é importante ao se colocar algo aos olhos do Mundo, havendo artistas que, apesar de artisticamente comprometidos, são marqueteiros exímios, divulgando ao máximo seu próprio trabalho. A forma aqui, negra com traços brancos, é a dura realidade opaca, cinzenta, realista, séria e sisuda, no dia a dia da batalha, como imigrantes africanos nas ruas de Caxias do Sul, querendo vender seus humildes produtos na calçada, em imigrantes que se deparam com uma realidade tão dura e difícil. A prosti aqui está de olhos abertos, desperta, realista, sabendo que atua numa espécie de mercado, numa pessoa que faz do Sexo um leilão, no puritanismo americano, o qual veta integralmente a prostituição. Aqui é um grito catártico de Vívi, a qual lança mão da liberdade de expressão, num vômito catártico, o qual lava a alma do artista que dá tal grito, no poder terapêutico da Arte, na infelicidade de países ditatoriais, nos quais o cidadão é impedido de assistir determinados filmes, por exemplo, na ironia de uma banda de rock brasileira em plena ditadura: “A gente somos inútil!”, ou seja, um povo que é considerado burro pelo sistema vigente. Aqui é como uma cadela no cio, contorcendo-se de luxúria, como a vida e os hormônios brotam na Primavera, numa explosão de vida e libido, nas palavras sábias de Dercy Gonçalves: “Se não houvesse tesão, ninguém faria filhos!”. A vagina é uma porta de entrada, como num túnel que nos leva a uma dimensão melhor, a qual comporta apenas pessoas de bom apuro moral – aos imorais, o Umbral. É uma lei, meu irmão.
Acima, sem título (6). Aqui temos um flerte com a Pop Art, com a Arte fazendo menção à Cultura de Massa e a ícones econômicos e mercadológicos, como na Indústria Fonográfica, a qual, apesar de depender da criatividade dos artistas, é um business, um negócio rentável, uma ação de Mercado. O Méqui é tal símbolo de supremacia americana, numa nação poderosa o suficiente para ter parte decisiva em episódios como o da Guerra na Ucrânia, nesta capacidade americana em ser o “xerifão do Mundo”, sempre em nome da Liberdade, no sonho de Adam Smith de uma economia autorregulável, no modo como, no frigir dos ovos, tudo acaba se resolvendo, havendo a necessidade da pessoa em ser autodidata – não há livro que nos ensine a viver. Aqui sentimos o cheiro de frituras, em comidas não muito apreciadas por chefs estelares como Jamie Oliver, o qual não cansa de fazer com que as crianças da Inglaterra comam de forma saudável, pois criança naturalmente come porcarias, pois não tem o discernimento adulto. Vemos aqui uma atendente simpática, receptiva, na filosofia de Mercado da bem sucedida empresária Luiza Trajano, a qual treina os funcionários para fazer com que o diferencial da rede Magazine Luiza seja o bom atendimento, no modo como uma cara de cu, desculpe o termo chulo, espanta os fregueses, como uma vendedora de vinhos num guichê que me atendeu, a qual parecia se incomodar em me dar uma provinha dos produtos – cliente mal atendido é cliente que não é fidelizado, e como posso ter sucesso, tendo quem adquira meus produtos e serviços? Aqui é a hora do almoço, neste ato tão primitivo que é o da alimentação, essencial a qualquer ser vivo, como em supermercados mal abastecidos durante conflitos bélicos, no talento humano em subestimar a conversa diplomática em nome da Paz – se cobiço o terreno do vizinho, é porque não tenho como ser feliz, e, para o infeliz, a vida é um absoluto inferno. Vívi adora placas, sinalizações, anúncios, flertando assim com a Pop Art, no modo como as ondas, as vogues, sempre vêm, causando sopros de renovação, no frescor renascentista em meio a uma Europa ainda muito medieval e gótica, na revolução que a Digitalização está causando na Humanidade, em ondas poderosas como a Agricultura e a Industrialização, dando à Inglaterra tal pioneirismo civilizatório industrial. Aqui vem a palavra “feliz”, em menção a produtos de tal marca, na promessa consumista de que só podemos ser felizes se formos escravos dos apelos sedutores de tal marketing, como no personagem Sheldon Cooper, do televisivo The Big Bang Theory, um cientista genial e de cortante inteligência, mas um rapaz que se torna vítima de marqueteiros de estúdios, adquirindo, por exemplo, uma jarra de biscoitos de Batman – você não vai morrer se não adquirir tal item. Aqui temos essa força de Mercado, numa marca absolutamente universal, como a Coca-Cola, nas garras econômicas de uma nação tão poderosa como os EUA, com crianças ianques pequenas sendo acostumadas, desde cedo, a consumir uma comida tão desprezada por chefs como J. Oliva, ligo, Oliver. Aqui é a importância de um anúncio, de uma divulgação, como uma pessoa de minha família, colocando no Mercado uma linha de produtos de limpeza, fazendo um investimento massivo em Marketing, como design de embalagem, perfume do produto em si, outdoors, busdoors, website, perfil no Facebook etc. Aqui é como lojas que colocam caixas de som em suas portas, visando assim atrair mais clientes, num talento de vendedor, como eu, ao passar em frente de um restaurante de sushi, ouvi do funcionário: “Pode entrar, pois aqui é peixe é fresquinho”, ou seja, tudo o que eu queria ouvir – vender é isso. Aqui é como uma criança querendo imitar a logomarca da rede de lanchonetes, numa Pasqual outsider como no sopro de coragem do Modernismo Brasileiro – Vívi é um tanto modernista, com a simplicidade de estilo e atitude. Um artista que expõe, está, inevitavelmente, fazendo Marketing e divulgação.
As imagens desta postagem foram fornecidas pela própria artista por e-mail. Outra referência bibliográfica:
Lagoa Bunita. Disponível em <seer.ufrgs.br/RevistaValise/search>. Acesso em: 20. dez. 2021.
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