quarta-feira, 16 de março de 2022

Viva Vívi! (Parte 2 de 3)

 

 

Volto a falar sobre a artista caxiense Viviane Pasqual. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. As imagens desta postagem foram fornecidas pela própria artista. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Aqui há uma integração entre Pasqual e o cômodo. As plantinhas são a enigmática força da Vida, num simples mistério: O que faz um coração bater? Qual é a “bateria alcalina”? Vemos aqui bichos exóticos, membros de algo onírico, nos misteriosos códigos psicológicos dos sonhos à noite, pois os sonhos, segundo a corrente Gestalt, são partes de nosso “self”, de nós mesmos, projetadas, com a função de dar à pessoa mensagens existenciais. É como no filme “Eu sou a Lenda”, numa Nova York caótica, sem qualquer sinal de vida cotidiana, numa urbe que, antes vibrante, moderna e sofisticada, está abandonada ao “Deus dará”, com a vegetação tomando conta das ruas de concreto, numa cidade sendo, de certa forma, devolvida à Natureza, com seres selvagens circulando por ruas antes civilizadas, como partes enigmáticas do Inconsciente, com seres estranhos, exóticos, sem nexo, maravilhosos, como um tio meu com uma casa em um condomínio em Gramado, num lugar bem perto do mato, com seres curiosos como bichos preguiça e tucanos. Pasqual traz esta candura infantil, na capacidade que certos adultos têm em se manter joviais por dentro, como da Vinci, um homem que se manteve jovial e brincalhão até o fim de seus dias. A cobra tortuosa é esta força natural, fluindo, na forma de tempestades derrubando postes e árvores, como em Porto Alegre há alguns anos, numa chuva que deixou a capital gaúcha um cenário de guerra, como se um pelotão tivesse passado pela cidade, arrasando-a. A cobra flui como notas de Jazz, num túnel misterioso, sempre fluindo, no modo dialético como tudo é processo, no processo intermitente de aprimoramento espiritual, em cadeiras numa faculdade, almejando chegar à perfeição dos arcanjos, os espíritos que gozam da suprema felicidade, recebendo ordens diretamente de Tao, o mistério eterno, maior que qualquer coisa – a Eternidade é o tempo para se perceber tal inesgotabilidade, na eternidade dos números, no senso de humor por trás dos números primos – por toda a eternidade numérica, haverá números que só são divisíveis por 1 e por si mesmos, na pura lógica de Tao, com as coisas se desenrolando de forma lógica, fresquinha, desapegada, desiludida: depois de 1 vem 2; depois de 2 vem 3... A aranha aqui é doce, incapaz de assustar uma pessoa aracnofóbica, no modo como todos os seres vivos carregam alguma beleza, pois Tao coloca algo de si no que cria, fazendo da Galadriel de Tolkien uma aranha clara, cristalina, terrível e bela, instigante, com mistérios resolvidos pela luz da Estrela da Manhã, na terra em que todos compreendemos que somos extremamente especiais, e que as realezas mundanas são cópias da plenitude metafísica – é como comparar uma planta artificial com uma planta de verdade, pois tudo na Terra são cópias de Tao, aquele que faz com que brilhemos como diamantes, na capacidade de certas pessoas em transcender e ver além da Dimensão Material, pois parece ser difícil de acreditar, mas os diamantes não são eternos... Vemos aqui um pássaro bicudo, incisivo, como no esforço científico em se debruçar sobre um escopo, uma meta, um foco de precisão cirúrgica. É o falo da torre do castelo que aprisiona a princesinha, a qual é salva pelo falo do príncipe, na princesa que quer sair e no príncipe que quer entrar, no jogo de sedução entre Yin e Yang, unificando o Cosmos como um confortável e delicioso mar de águas termais, nas ondas universais de Rádio e Internet. Vemos um bicho boquiaberto, com dentes afiados, ambicioso, faminto por obter reconhecimento e respeito, na luta que é uma pessoa se colocar para o Mundo, no desafio do lema “Cresça e apareça!”. Aqui é uma simples área de serviço, numa intervenção de Pasqual, enchendo de cor e graça um canto tão insosso e esquecido da casa. Os animais são a diversidade, como nas bandeiras dos países em frente ao prédio novaiorquino da ONU, na esperança de que a universalidade do Ser Humano seja a força que traga a Paz mundial, num Mundo ainda tão aguerrido.

 


Acima, sem título (2). Olhos descomunais, sábios, despertos, de lince, no termo “Miopia em Marketing”, que denota pessoas de visão curta, a qual não vai “além da esquina”, no modo como um negócio tem que ter credibilidade, pois, do contrário, tal negócio falirá – o Mundo é dos honestos e dignos de respeito. Vemos aqui a palavra “Fé”, esta força que faz com que acreditemos no Plano Metafísico sem contarmos com provas científicas de que tal plano existe, num desafio, como Oráculo no fim da trilogia Matrix: “Eu nunca soube, mas acreditei! Acreditei!” diz a personagem sorrindo. Os traços de Pasqual trazem um aspecto de artesanato, como artesanato nordestino, com coisas feitas de barro, na simplicidade maravilhosa de uma panela de barro, cozinhando um bobó com fartos camarões em leite de coco. O vermelho aqui é a força da Vida, na sedução de uma mulher de vermelho, no sangue que une os seres de uma mesma espécie, na força do cio que traz a reprodução de tais seres, na explosão de Vida e Beleza da Primavera de Botticelli ao som de Vivaldi, no salto de sofisticação no filme 2001, com toscas ferramentas pré históricas resultando em gigantescas estruturas espaciais ao redor da Terra, como na visionária franquia Guerra nas Estrelas, um filme que traz o cotidiano do Ser Humano na Terra, com rotas de comércio entre povos e com homens gananciosos, desejosos de dominar tudo e todos, no diabólico Sauron de Tolkien, num regente que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, mesmo que este seja  maior reino da Terra. Vemos uma boca carnuda, farta, em lindos lábios de Angelina Jolie, uma das maiores estrelas do Mundo, na capacidade de certas pessoas em se tornar celebridades internacionais, conquistando a apreciação por parte da universalidade humana, num Tom Cruise adorado nos quatro cantos do Mundo. Esta figura pode ser interpretada como um homem, com barba, no trabalho diário de disciplina de um homem que se barbeia todos os dias de manhã para abraçar uma nova jornada, no ato de se arrumar para o trabalho, como um ator profissional, chegando de banho tomado pontualmente no set de filmagem, à disposição do diretor. A figura aqui parece calma e plácida, satisfeita, no modo como temos que nos contentar com o que temos, pois, do contrário, como teremos Paz? É a frase máxima de Tao: Quando você precisa muito fazer algo, atenha-se só ao necessário, numa limpeza de ação, nas cidades metafísicas, limpíssimas, impecáveis, sem um único fiapinho de poeira ou poluição, em lugares maravilhosos, repletos de beleza, com cidadãos trabalhadores e plenos em beleza e jovialidade – é a glória, meu irmão. Aqui temos uma pessoa que se impõe com simplicidade, como em móveis rústicos, acolhedores, como reunir pessoas em torno de uma mesa, com uma grande tigela ou travessa de comida no centro da mesa, como um Sol agregando todos os seus filhos planetas ao redor, numa capacidade distributiva, numa pessoa que sabe ser tal centro nutritivo – como posso ter prazer em torno de uma mesa vazia, sem almoço? Aqui temos um tronco forte e firme, nutrido, numa pessoa forte, que tem a força para tocar a Vida para frente, tendo a força para se reerguer após uma queda, superando uma frustração, uma desilusão, no poder terapêutico das desilusões, das mortificações, até chegar ao ponto em que a pessoa não mais “acredita em Papai Noel”, ou seja, vê o Mundo do jeitinho que este é. Na face aqui temos algo como uma cicatriz, como numa cicatriz de cesariana, ou na inevitável cicatriz do umbigo, mostrando que nascemos na dimensão material, onde somos feitos pela ilusão da Carne, pois a Carne é finita; tem um “prazo de validade”. Este homem tem uma barba negra, fechada como uma mata no escuro da noite, nos barulhos do mato, com bichos caçando outros bichos, como num réptil comendo insetos, no modo como é cômica a Cadeia Alimentar, pois Tao coloca um pingo de ironia em tudo o que faz, no modo como é engraçado o fato que passemos por várias encarnações, como um ator com sua galeria de personagens. Aqui temos um sorriso bem brando e discreto, num contentamento – se estou feliz com o que tenho, posso ter Paz.

 


Acima, sem título (3). Esta foto traz um pouco dos bastidores do espaço de trabalho de Vívi, trazendo utensílios de desenho. A peça, o prato, traz um francês, com uma típica boina parisiense, para enfrentar dias de clima cinzento e garoento na cidade que já foi o centro do Mundo, respirando ainda ares de maravilhas, como na Arte que pulsa na urbe histórica, uma cidade maravilhosa, já ouvi dizer, na cidade mais visitada do Mundo, com levas intermináveis de turistas querendo ver a Eiffel e a Monalisa. O francês aqui ri, com dentes amarelados, longe de uma figura de galã idealizado, nesse sabor gostoso de transgressão, como a famosa pirâmide vidro do Louvre, transgredindo, chocando, dividindo opiniões, na junção da Paris arcaica com a Paris da Era Digital, no modo como minha geração acompanhou de perto a queda da Era Analógica, com filmes fotográficos e telefones de gancho. O chapéu é a proteção e o resguardo, como comprar um plano de seguro para um carro ou uma casa, na imagem de logomarca de uma companhia de seguros, na ilustração de uma pessoa usando um guardachuva aberto, numa pessoa que está aprendendo a lição do resguardo, tomando uma série de cuidados, como um leão cruzando cuidadosamente um rio caudaloso, como se soubesse que ali há perigo, como um líder ponderado, antiditatorial, sempre respeitando o cidadão, conquistando o respeito secreto de tal cidadão, na maldição de Hitler sobre sua própria família – por onde andam os Hitler? Aqui, o antigalã francês segura uma estrutura, que pode ser um pé de abajur – é a iluminação, numa pessoa que aprendeu a ver o Mundo do jeitinho que tal Mundo é, sem idealizações, sem ingenuidades, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, só mudando o modo de tal pessoa se relacionar com tal Mundo, pois nem a mente poderosíssima de Cristo soube eliminar as guerras humanas. Este abajur, esta luminária, pode ser um cetro de rei, numa responsabilidade, na metáfora da coroa pesando sobre tal cabeça, numa Elizabeth II que teve que amadurecer muito e rápido, no desafio de conquistar o respeito do súdito comum, das pessoas que pegam o metrô todos os dias, num líder que tem que manter simples, sempre em contato com o Senso Comum, nunca interferindo no pacato dia a dia do súdito. Aqui, o francês veste um manto vermelho, no divertido filme da franquia Johnny English, com um grosseiro francês querendo tomar o trono inglês, nessa antiquíssima birra entre franceses e ingleses, fazendo do Brexit tal contraste entre nações, numa Inglaterra que nunca comprou os preceitos democráticos da Revolução Francesa, sendo esta a vírgula que trouxe a Humanidade à Idade Contemporânea, fazendo da Europa tal colcha de retalhos, tão heterogênea, nos esforços diplomáticos incessantes em nome da revelação da universalidade do Ser Humano. O prato é o útero, o receptáculo passivo feminino, numa mulher sedutora, passiva, que atrai o homem até si, no mito (um tanto misógino) da femme fatale, na aranha que tece sua teia e aguarda por um inseto distraído e desavisado. O francês aqui é esse pacato modo de vida parisiense, no modo como já ouvi dizer que Paris é uma cidade provinciana, ou seja, no frigir dos ovos, o Ser Humano é provinciano, e isso é inevitável, e até engraçado. O sorriso aqui é um tanto “cara de mau”, como num predador que visualiza a presa silenciosamente, no jogo de sedução entre passividade e atividade, causando fluxo cíclico, num planeta Terra que é uma máquina perfeita, autorrenovando-se sem precisar receber água ou ar do Espaço Sideral, na perfeição de Tao, o Pai que está sempre criando, dando-nos um supremo exemplo de produtividade. O perfil da figura é um tanto egípcio, pois, apesar do rosto estar de lado, mostrando a envergadura do nariz, o olho tem design frontal, nesse paradigma estético que perdurou incólume por milênios, no momento transgressor e maravilhoso de Aquenáton, o faraó considerado herege em seu próprio tempo, compondo um dos momentos mais interessantes do Egito Antigo.

 


Acima, sem título (4). Repito: Pasqual ama placas sinalizadoras. Aqui há uma metalinguagem, com x falando de x, ou seja, pintor falando de pintor, no modo como a atriz Gloria Pires teve uma catarse no set de filmagem ao interpretar a catarse da personagem Pierina, sendo ovacionada por todos no set, numa diva que até hoje nunca pisou num palco. O bigode aqui é tal sofisticação, tal cavalheirismo no fio do bigode, num homem que honra sua própria palavra, ao contrário do homem desonesto, o qual vai assassinando sua própria vida social, no modo claro como respeito é para quem merece tal respeito – o resto são sinais auspiciosos, meu irmão. A paleta com manchas de tinta é a diversidade, como no leque de filmes diferentes que Hollywood injeta anualmente no Mercado Mundial, num esforço contínuo de uma indústria faminta, sempre buscando fisgar o gosto do espectador, o qual é bombardeado com muitos filmes cínicos, os quais foram feitos com a obsessão de se obter sucesso – Hollywood está cheia de espertalhões que julgam a si mesmos perfeitos e espertos. O bigode é tal “domesticação”, no estágio entre Animal e Homem, num homem ponderado, que cruza elegantemente as pernas e conversa com o cocidadão, sempre primando pela harmonia entre as partes, como num sofisticado psiquiatra, sempre sabendo que a Mente é o princípio de tudo, e que o Metafísico paira acima do Físico, no modo como é desinteressante aquela pessoa que é só corpo, que é obtusa e que não fala nada de interessante! Os olhos aqui são belos, num galã fazendo que donzelas suspirem, num insano assédio de tietes, fazendo com que tais galãs evitem, por exemplo, shopping centers em tardes de fins de semana, exatamente para fugir de tal assédio. O pincel aqui é o falo, a caneta, o utensílio, na frase: “A caneta é mais poderosa do que a espada!”, fazendo da Letra o que tirou o Ser Humano do Neolítico, na infinita sofisticação humana, num Ser Humano cujo máximo de exploração foi pisar na Lua, fazendo de Marte uma esfera ainda tão inacessível. O artista francês aqui ergue suas mãos numa comemoração, como num piloto de Fórmula 1 estourando (e desperdiçando) um chic espumante. É a celebração dos resultados de todo um esforço, como num laborioso Jamie Oliver, o chef empreendedor que trabalha de Sol e Sol, conquistando renome mundial, tendo que, para manter tal renome, seguir humildemente produzindo, pois a arrogância precede a queda, no modo como há tantos artistas que não sobreviveram aos anos 1980, por exemplo – é uma pena. A camisa azul aqui, da cor do Céu, é o sonho, num artista sonhador, numa pessoa que não pode esperar demais, como pessoas que passam suas vidas “fugindo” do desafio da Vida, pois, fora do Trabalho, da produtividade, não há salvação, trazendo o exemplo de Tao, aquele que sempre coloca para trabalhar sua própria cabeça – se até Ele é produtivo, como posso não ser? A paleta é a infinidade de opções, no glorioso modo como não há desemprego no Plano Metafísico, num lugar onde há múltiplas opções de trabalho à pessoa, a qual sente que, mesmo após o esperado Desencarne, segue incólume a necessidade de se laborar, na grande construção da carreira metafísica, na qual qualquer trabalhinho conta, mesmo trabalho humildes como o de gari, com nada sendo em vão. Sobre os ombros do pintor aqui vemos formas como fones de ouvido, que são a conexão, no modo como se sente “nua” a pessoa que não está conectada à Internet, fazendo de tal rede a metáfora mundana da Grande Rede Espiritual, a qual nos leva ao outro canto do Cosmos em um picar de olhos, na sensualidade da totalidade, de confins cósmicos sendo descobertos e conectados, como uma agradável piscina térmica que nos une, no acalentador Útero Imaculado, do qual todos viemos – somos todos príncipes filhos da mesma Rainha, fazendo das realezas mundanas uma mera cópia de tal Útero. Na boina vemos um inseto, que é a força da Vida, em algo tão ínfimo e tão especial, na singularidade do planeta Terra num Cosmos tão vasto e estranho. A boina dourada é a mente brilhante, numa pessoa de apuro moral, a qual não deseja poder, poder e mais poder, resistindo ao sedutor Anel de Tolkien.

 


Acima, sem título (5). O porquinho é a fartura, no sonho de um imigrante italiano na Serra Gaúcha, levando, de início, uma vida duríssima, sonhando com uma mesa farta, com muita carne, massa, polenta e vinho. O porquinho é tal mesa farta, numa mamma ou nonna generosas, no prazer de reunir as pessoas em torno de uma mesa, fazendo com que todos compartilhem, como no ritual de Comunhão na missa católica, com todos sentindo o mesmo gosto na boca, num ato de união e compartilhamento, numa união que deveria perdurar antes e depois da missa, num fiel que, a partir do momento em que coloca o pé fora da Igreja, esquece-se de tudo o que o padre disso lá dentro, nesse esforço titânico de um padre no altar, sempre querendo nos lembrar de que viemos do mesmo Útero ao centro da mesa, na capacidade distributiva de certas pessoas, pregando a união; nunca o ódio segregador. Aqui temos uma divertida boina de Che Guevara, num homem que dizia que a América Latina era um só corpo, acabando assassinado, sendo lembrado até hoje pelos simpatizantes da Revolução Comunista, num mito que tem papel principal no maravilhoso musical Evita, da Broadway, num homem que, reza a lenda, era extremamente rigoroso na hora de aceitar algum combatente, indo em contrário à imagem bonachona, simpática e carismática, gerando ardorosos seguidores como Fidel Castro, sendo este amado por Lula, o filho do Brasil, num presidente que ficou possesso e furioso com uma capa da revista Veja com a silhueta de Castro na capa, com os dizeres: “Já vai tarde”, no petista Pepe Vargas aconselhando que não se leia a revista Veja, fazendo, assim, inevitavelmente, propaganda da Veja para quem é anti PT – dois lados para cada moeda, na ironia dialética de que tudo traz em si a própria contradição, no namoro e na sedução entre Razão e Loucura, ou seja, Yang masculino com Yin feminino. A estrela aqui é a fama, num Che que foi um popstar a seu próprio modo, no sonho estelar de um artista, querendo ser uma estrela no Céu guiando a Humanidade, num nobre Obama, o presidente que mereceu todo o respeito, em contraste com um certo senhor, cujo nome não mencionarei. Os olhos aqui são como duas salamandras, com múltiplos pés, na força da Vida se esgueirando e sobrevivendo, como num artista acumulando décadas de carreira, no enorme desafio de não se repetir muito, no modo como a Vida vai exigindo que sejamos autodidatas e sobreviventes, como baratas sobrevivendo a hecatombes nucleares. O simpático porquinho aqui acena, querendo fazer amigos e aliados, num Che que foi adquirindo um verniz amedrontador, odiado por qualquer pessoa com um viés de pensamento de Direita, nos tempos de Guerra Fria, ocasionando efeitos colaterais, como a Ditadura Militar Brasileira, assim como se espalham pelo Mundo efeitos do conflito atual na Ucrânia, nuns EUA empenhados e ir com tudo para cima de Putin, numa queda de braço, como Leonel Brizola “ilhado” e acuado no episódio da Legalidade, no termo chulo “colocar o pau na mesa”, para ver quem tem o maior e mais amedrontador falo regulador, como no falo do Código de Hamurabi, na imposição masculina de poder, como nos estados paralelos nas favelas cariocas – é um horror, e tudo por causa das drogas, movendo muito dinheiro ilegal de narcotráfico. O nariz do porquinho é como dois olhos, numa sociedade tecnocrata, no pulo dos algoritmos na Internet, num Facebook que “adivinha” do que gostamos e o que queremos ver, na construção da Inteligência Artificial, na ficção científica de Matrix, com as máquinas se virando contra a Humanidade. O porquinho aqui é bem sério e não sorri, numa seriedade revolucionária, tudo a partir de Marx, o pensador que acreditava em ditaduras, com os opostos se assemelhando, na ditadura do Fascismo, mostrando a incoerência dos extremismos, longe de um caminho do meio e de um caminho ponderado.

 


Acima, sem título (6). Aqui é a formidável feiura do monumental e avassalador clipe Thriller, do mestre Michael Jackson, onde o astro se transformava em lobisomem, desfigurando-se e abrindo mão da vaidade, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que se desfiguram para seus papéis, como no assombro Coringa de Heath Ledger, que Deus o tenha. Aqui é a masculinidade, numa dose cavalar de agressividade, com gárgulas em escudos de guerra, para que o inimigo sinta medo e renda-se, no desejo de um sociopata em ser temido, mas não respeitado, como uma certa pessoa, cujo nome não mencionarei, uma pessoa que quer ser temida ao redor do mundo – é o caminho da loucura, num prisioneiro que, chegado o dia de soltura, não que sair da prisão, numa identificação com o material; com o mundano. Aqui é a sensualidade da Lua cheia, no homem virando fera, num lobo uivando numa floresta perigosa, como numa sirene de polícia cujo objetivo é causar medo no bandido, mostrando a este quem é que manda no Mundo – a Lei e o apuro moral. Aqui é um homem cru, nu, simples, ao natural, sem fazer a barba ou cortar os cabelos, numa atitude, numa imposição de forte personalidade, em algo cru e rústico, como no gênero Heavy Metal, uma vertente do Rock; um estilo agressivo, gutural, cheio de atitude impositiva, como num Conan, o herói interpretado no Cinema pelo astro Arnold S., num homem viril que, ao ser convidado para reinar ao lado de uma mulher, opta por negar o convite: Serei senhor de meu próprio reino, não importando se este é pequeno ou grande. É a figura do machão, como um sério e antipático senhor seguido por uma gueixa doce e simpática, no jogo de projeções entre Yin e Yang. Aqui, é claro que é puro Yang, como numa pessoa batalhadora, esforçando-se para ser respeitada e reconhecida, numa luta diária de labor e esforço, numa pessoa que sabe que “as coisas não caem do Céu”. Aqui é um lote devoluto, pronto para ser trabalhado e “lapidado”, como um diamante bruto, o qual tem grande potencial, como numa Patrícia Poeta, a qual, já nas aulas de Telejornalismo na faculdade, foi reconhecida pelos professores, com potencial que se desenvolveu até alçar Poeta ao plano de grande jornalista. Aqui, os dentes afiados são a luta diária pelo pão de cada dia, com um esfomeado tiranossauro estraçalhando uma presa, na básica necessidade de alimentação, no irônico modo como no Plano Metafísico há doces deliciosos para ser saboreado, no gostoso pecadinho da Gula – permita-se ser feliz! O lobisomem aqui ruge furioso, arredio, arisco, não encorajando para que cheguemos perto demais, talvez numa defesa ou num resguardo, num agressivo Eminem, o qual, basicamente, quer ser um artista altamente respeitado, num desafio da pessoa se impor ao Mundo. Este homem exige que tomemos distância, e, se não gostamos dele, este homem mal se importa, sabendo que não vai mudar por causa dos outros. É como um homem simples, que no fundo espera por alguém que seja o oposto, morando num lar com amor, numa mulher zelosa, que mantém a casa limpa e organizada, na dura vida de dona de casa, lavando as cuecas do marido, como nas esposas ressentidas em O Clube das Desquitadas, armando planos para que as mesmas se vingassem de seus respectivos maridos egoístas. Aqui é como um bicho de pelúcia, só que feio e agressivo, no impositivo árbitro Anderson Daronco, muito simples em impor respeito no gramado – se você não está gostando daqui, vá embora! É a Fera, o oposto da Bela, no jogo de sedução entre feio e bonito, com cada um trazendo algo para o relacionamento, numa Bela que passou a ver a beleza interior do príncipe amaldiçoado, como numa inesquecível Susan Boyle, subestimada por sua aparência feia, surpreendendo a todos na hora de abrir a boca e cantar esplendidamente, mostrando, assim, sua beleza interior, no sábio ditado popular: “Beleza não põe à mesa”. Aqui é uma mata virgem pronta para ser “domesticada”, desbravada por exploradores renascentistas, no Homem saindo do Animal, no caminho civilizatório, com barbas sendo feitas, unhas sendo cortadas e banhos sendo tomados.

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