quarta-feira, 23 de março de 2022

Viva Vívi! (Parte 3 de 3)

 

 

Falo pela terceira e última vez sobre a artista caxiense Viviane Pasqual. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. As imagens desta postagem foram fornecidas pela própria artista. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). O cálice é a universalidade da birita, do Álcool, num advogado na formidável e redentora happy hour, afrouxando a gravata e tomando algo para amenizar a inevitável dureza do dia de labor, no maravilhoso termo “sextou”, quando chega o momento de descanso, pois até Deus descansou no sétimo dia, num imigrante italiano laborioso, que só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitam, como uma pessoa workaholic, a qual simplesmente não vive – é uma tristeza. O sorriso aqui é descontraído – é esta coisa maravilhosa que é o senso de humor, num Tao irônico, que faz com que Yin e Yang façam o contraponto um do outro, remetendo à unidade de Tao, a cola que mantém o Cosmos unido numa grande família, no talento de certos homens em ser patriarcas, que agregam a família num almoço de Domingo. O nariz aqui é saliente e agressivo, como um presente que ganhei certa vez, uma máscara do Carnaval de Veneza com um nariz bem saliente, pontudo, fálico e agressivo, num nariz pênis que exige que as pessoas mantenham distância, numa imposição de respeito – não é um inferno a vida de uma pessoa desrespeitada? Que esperança existencial há sem respeito? Não é uma missão e um desafio conquistar tal respeito? É como um artista lutando para ser reconhecido, numa pitadinha de Marketing, como uma certa diva marqueteira, cujo nome não mencionarei. Aqui vemos um crucifixo, no símbolo dos guerreiros cristãos, os quais fazem atrocidades dizendo agir em nome do Amor de Jesus, com homens fazendo coisas que Jesus JAMAIS faria, como queimar uma pessoa viva numa fogueira – não é a crueldade uma especialidade humana? A cruz é pendurada em um colar de pérolas, como nas mãos fartas e generosas de Iemanjá, trazendo abundância às redes pesqueiras, enchendo barcos de pesca farta, como em países ricos e organizados como o Canadá, com produtos de alta qualidade, num país tão nobre, com cidadãos tão finos e civilizados, num país tão pacífico, nunca se envolvendo em tretas globais – é um país de Tao, o governante da Paz. A cruz é a passagem, numa “cobra trocando de pele”, num desencarne, com a pessoa deixando para trás o corpo físico, como um ator se despedindo de um personagem, numa nova página – doce ou amarga, esta página tem que ser virada, numa pessoa guerreira, que sabe que, se parar, virará “peça de museu”, no modo como há tantos artistas talentosos que não sobreviveram a uma determinada década. Esta obra de Pasqual traz cabelos rasta, afro, no caminho da identidade afro, com uma majestosa seção africana no novaiorquino Met, com elementos de magia tribais, intimidadores, avassaladores, com um negro novaiorquino passeando por tal seção, sentindo orgulho de suas ascendências africanas, no caminho da identidade, de saber quem sou, como um príncipe se sentindo confortável entre seu próprio povo, representando e honrando este. Vemos uma boina com outra cruz, como pessoas que, a partir de um certo momento de suas vidas, passam a se apegar bastante à religião, como um rapaz pobre e negro que conheci, o qual decidiu se dedicar à Umbanda, esta bela religião afro que agrega os socialmente segregados. Aqui temos um momento de alegria e descontração, nesta capacidade majestosamente humana em relação ao senso de humor, esta força que traz contradições que namoram uma com a outra, como num casal, no qual cada uma das partes traz algo ao relacionamento, no jogo entre a donzela inexperiente com o cavalheiro experiente, no mito de Maria, a mulher sem história, ao contrário de um rei, cheio de estrada, carreira e história. O rosto vermelho é tal vibração latejante, numa pizza pepperoni bem apimentada, no modo como artistas latinos são vendidos em Hollywood como estrelas de tal calor latino, como um certo ex-ator americano de origem brasileira, o qual nunca conseguiu se desvencilhar do rótulo de latino exótico. Aqui é um momento de celebração, para desligarmos um pouco da batalha diária.

 


Acima, sem título (2). O ditado aqui tem uma hilária contradição, fazendo das contradições algo natural, numa prova de senso de humor de Tao. Aqui vemos um bigode grisalho, num homem experiente, sábio e adulto, fazendo de cabelos grisalhos um charme em um homem, numa frase que ouvi: “No homem, cabelos brancos são sabedoria; na mulher, desleixo”, uma frase um tanto machista, concordo, afinal cada um é livre para fazer o que quiser com seus próprios cabelos. O bigode cortado e aparado é a disciplina, nos rituais da vida em sociedade, em regras gerais como um banho diário e apara de unhas, num homem que faz a barba todos os dias para ir trabalhar, fazendo do fim de semana, da folga, um momento em que não se faz a barba, num intervalo de descanso, ao contrário de um certo senhor, o qual fora expulso da Brigada Militar e, após, ao trabalhar em uma humilde função, não fazia  barba para ir trabalhar, num senhor de caráter duvidoso, servindo de exemplo de má conduta, numa pessoa que, mesmo tomando tal tombo na vida, segue arrogante – o que mais terá que acontecer de amargo na vida de uma pessoa arrogante? A vida não nos ensina duras lições de humildade? Aqui vemos olhos ardentes, em brasa, nos olhos do Aragorn de Tolkien, num homem de aparência suspeita, mas de nobre coração, no desafio de uma pessoa em ser vista além do aspecto físico, transcendendo. Os olhos são este desejo ardoroso, numa pessoa que quer muito, muito ser respeitada, trilhando o duro caminho da evolução espiritual, fazendo dos sociopatas pessoas que estão, definitivamente, muito longe de atingir tal ponto de depuração moral – o Mundo não respeita os imorais, ladrões, assassinos e mentirosos, como um certo senhor sociopata, o qual chegou a liderar uma nação inteira, nesta capacidade dos sociopatas em enganar “meio Mundo”. Os olhos aqui são o calor da brasa, numa lareira acalentadora em um dia úmido e frio, com uma família em torno de uma mesa na ceia de Natal, agradecendo a Deus por estarem com saúde e financeiramente tranquilos, no ato da oração antes da refeição. Aqui vemos dentes pontudos, agressivos, cheios de vontade de vencer, num tenista que entra em quadra para liquidar o oponente, no sorriso escancarado de um Kuerten segurando um troféu, no prazer de se conquistar algo, fazendo da Vida tal luta, pois qual é a esperança que existe para alguém que nada faz? Como pode ser um campeão um tenista que entra apático na quadra? É como um artista com décadas de carreira, lutando para manter acesa tal chama, tal “fome”, tal vontade de viver. Este ser parece ser um animal, talvez um lobo uivando para a Lua, nas regras da selva, do mato, nas regras da cadeia alimentar, a qual não deixa de ser engraçada, pois Tao coloca humor em tudo o que faz, sendo Tao o mistério eterno – jamais, jamais iremos defini-lo, sendo algo maior do que tudo; maior do que qualquer coisa. Aqui o bicho range os dentes, como num animal arisco, do mato, não querendo que nos aproximemos muito, como num cachorro recém adotado, o qual precisa de um certo tempo até se entrosar com o novo dono, no modo como ninguém pode ter as expectativas de ir, num piscar de olhos, de zero e cem, como eu disse recentemente a um amigão: Passos de bebê, meu amigo, sempre devagar, sempre caminhando. Vemos aqui um narigão, com narinas enormes, no prazer de se encontrar com uma pessoa perfumada, fazendo com que os perfumes mundanos girem em torno do que interessa, que é o perfume espiritual, pois do que vale uma sociopata cheirando a Chanel número cinco? É como reza a lenda de que o grande Chico Xavier tinha um delicioso perfume metafísico, fazendo do perfume físico uma mera moldura do perfume metafísico. Aqui vemos orelhas eriçadas, atentas, num cão de guarda, com o instinto de proteger a casa, na dignidade de defensor do lar, no caminho da dignidade, numa pessoa que percebe que tem que merecer tal respeito, no modo como o Mundo não respeita aqueles que nada de interessante têm a mostrar. O vermelho aqui é o sangue, o vínculo de família, um vínculo que não se dissolve com o Desencarne – as famílias são eternas.

 


Acima, sem título (3). Aqui a personagem faz um flerte com o espectador, como numa imagem de Jesus Cristo, flertando ludicamente com o fiel na Igreja, num homem de inteligência absolutamente avassaladora, digna de ser o centro sobrenatural da História – tudo o que precisas mostrar é tua inteligência, meu irmão. Aqui é o hábito inglês do chá, no equivalente gaúcho do chimarrão, nos chás indianos conquistando o Mundo, em tal universalidade, pois o tradicional chá inglês Twinnings é feito na China, este gigante que é teoricamente comunista e praticamente capitalista, numa contradição que marca nosso tempo, no sonho liberalista de Smith numa Economia Global autorregulável, sem qualquer interferência estatal. O chá é quente, acolhedor e acalentador, numa deliciosa sensação morna na boca, como se fosse uma companhia, um amigo consolador, caindo muito bem em meio a uma Inglaterra de clima tão frio e úmido, na latitude canadense, com garoas e chuviscos que fazem que os londrinos sejam tão pálidos, sendo raridade em Londres um dia de Sol potente. Esta obra traz tal identidade inglesa, na terra das cabines rubras de telefone, no modo como a moda vibrante e colorida dos anos 1960 fez tal choque e contraste com uma Inglaterra tão cinzenta e melancólica, como na canção California Dreaming, sonhando com o Sol californiano em meio a folhas marrons e mortas de outono e inverno. A moça aqui é loira, nórdica, na diversidade racial na Terra, trazendo muito racismo, no modo como dizer que negro não é gente equivale a dizer que cocker spaniel não é cachorro. A moça aqui tem um charme aristocrático, com discretas pérolas ao redor do pescoço, numa rainha tão quieta e discreta, primando pelo hábito inglês de discrição, na febre recente das camisetas dizendo, sob uma coroa britânica, “keep calm”, ou seja, “fique calmo”, e não é um prazer encontrar paz em nossos dias aqui na Terra? O chá é a Vida, no nervo da Arte, como percussões africanas de Samba retratam o pulsar do coração, este órgão tão enigmático, no milagre da Vida na Terra, no enigma de como surgiu tal força, em contraste com um planeta Marte tão árido e inóspito, assim como no tórrido Vênus, fazendo da Terra tal raridade de biodiversidade, na distância ideal do Sol. A mulher aqui segue a tradição inglesa dos exóticos chapéus para damas, com flores criativas e festivas, no poder feminino de “quebrar o gelo” com tal alegria de feminilidade, como na gueixa contrastando com o marido sério e carrancudo, no jogo de sedução entre masculino e feminino, no termo “Guerra dos Sexos”, num homem dizendo ter desistido de TENTAR entender as mulheres, nas palavras de uma personagem pragmática de Pozenato: “Homem é uma coisa; mulher é outra. Cada um ficando no seu canto, tudo se resolve!”. É o pesadelo da segregação da Humanidade entre macho e fêmea, numa avalanche de preconceitos atinge a todos do mesmo modo. O fundo aqui é tórrido e vibrante, picante, apimentado, no termo da girl band inglesa Spice Girls, ou seja, “meninas apimentadas”, num criativo e talentoso Jamie Oliver trazendo receitas cheias de ginga e charme, com sabores mágicos, deliciosos, na universalidade da Gastronomia, com o Sushi ganhando o Mundo, ou como o chocolate fazendo estrondoso sucesso ao redor do planetinha Terra. O chapéu é tal elegância, tal charme, no costume das mulheres inglesas de só tirar o chapéu quando é noite, como no garbo das mulheres da família real inglesa, almoçando no domingo e indo à famosa sacada saudar os súditos que fazem aglomeração para bradar um dos símbolos do Império Britânico, numa rainha que reina – mas não governa – acima de um terço da Humanidade, na contradição de tal posto, representando uma tradição milenar, num trono poderoso, sendo este uma mera cópia da maravilhosa Vida Metafísica que espera a todos. O pescoço da dama aqui é delgado, fino, elegante, minimalista, num sedutor minimalismo japonês, na universalidade da limpeza, da preservação do essencial, do indispensável, na sensação gloriosa de se tomar um bom banho.

 


Acima, sem título (4). Os cabelos são a rebeldia, num rapaz contestador e enfrentador, na força da juventude em abraçar o novo, o moderno, o irreverente, nos versos de Elis: “Já faz tempo eu vi você na Rua. Cabelo ao vento, gente jovem reunida”. É na moda grunge dos anos 1990, à qual eu pessoalmente aderi, com longas melenas, na rebeldia de um componente de banda de Heavy Metal, balançando sua caótica cabeleira ao som agressivo de guitarras e batera. É como num comercial de xampu, prometendo enganosamente que tal produto é sobrenatural e maravilhoso, e que tal produto resolverá todos os nossos problemas, nas mentiras da Sociedade de Consumo, na “magia” por trás de um cartão de crédito, fazendo com que nos sintamos uma elite, um darling, alguém especial, com o poder de adquirir todos os tentadores produtos em sedutoras vitrines de shopping, como eu já ouvi alguém dizendo: “Os shoppings são templos do consumismo”. É no discernimento: Se o que você tem você acha que não é o suficiente, então você nuca terá o suficiente, pois se você não está o tempo todo querendo, você pode ter paz, e a vida não é uma delícia quando se tem paz? Na camiseta deste jovem rebelde vemos um ser dentuço e agressivo, numa pessoa Yang, que sabe o valor e a pertinência de se ter agressividade, no sentido da pessoa ser “guerreira” e batalhar pelas coisas na Vida. É como um javali esfomeado, numa praga biológica, estraçalhando plantações de milhos, num bicho que, de tão agressivo, tem a caça liberada, numa carne que, já ouvi dizer, é deliciosa como carne de porco. É a fome da ambição, numa sociedade mundana que endeusa tal sucesso, fazendo com que a pessoa mal sucedida se sinta um lixo, no traiçoeiro modo como o sucesso traz um problema, pois precisamos saber sobreviver a tal sucesso, como num Oscar, sendo uma maldição para a carreira da atriz Marisa Tomei, a qual tomou um tufo ao abraçar tal troféu. Aqui temos atitude, personalidade, num rapaz peludo, cabeludo e barbado, como um rapaz que conheci, o qual, definitivamente, contrastava terrivelmente com o próprio pai, que era um homem discreto e centrado, seríssimo. Aqui vemos um processo de identidade, numa pessoa se impondo ao Mundo, no discernimento de Osho, no qual o rebelde, antes de tudo, tem que respeitar a tradição, num rebelde que, apesar de tanta atitude contestadora, tem muito amor por eventos como a caxiense Festa Nacional da Uva, acenando para a rainha que está num glamoroso carro alegórico – quem não ama nem respeita o Mundo pode ser feliz e ter paz? O fundo aqui é dourado, num tesouro metafísico, num lugar onde não há a avidez humana por poder mundano, nas intermináveis levas de pessoas fazendo suas apostas na loteria, na frase de uma personagem do filmão O Advogado do Diabo: “Eu achava que ter tanta grana era legal, mas não é legal!”, na questão espírita: Você não faz ideia de como ficam reduzidos os ganhadores da loto! É como no irônico modo de chamar de “miseráveis” os que habitam um prédio de luxo supremo, na questão de Tolkien, num ser humano seduzido pela perspectiva de ter poder mundano, material, num Getúlio seduzido e corrompido pelo próprio poder, suicidando-se e indo a um lugar onde não há paz – é um horror. O rapaz rebelde aqui é bem sério, impositivo, como uma ninhada dando chutes da barriga da cadela, querendo nascer, sair e viver, neste grande desafio que é uma pessoa conquistar o respeito do Mundo, das pessoas, nas sábias palavras de uma amiga minha: O Mal não tem como prosperar, pois, diz o ditado, a mentira tem pernas curtas, pois os mentirosos acabam rejeitados e desprezados. Aqui é uma verdade nua e crua, numa Gal Costa no palco, com os seios à mostra, cantando os versos emblemáticos de Cazuza: “Brasil, mostra tua cara! Quero ver quem paga para a gente ficar assim!”. É a imposição de um rapper tão incisivo como Eminem, no modo como a pessoa nunca poder abandonar o senso crítico, na frase: “Em semiótica não existe ingenuidade”.

 


Acima, sem título (5). Aqui é a atividade de um publicitário, o qual nada mais é do que um vendedor, apesar do ramo da Propaganda ser tão aparentemente glamoroso, divertido e artístico, nas palavras de uma grande publicitária que foi minha professora na faculdade: Propaganda não é arte; é técnica de venda. A flecha é o objetivo, a meta de venda, numa pessoa pés no chão, a qual observa o Mundo da forma mais realista e fria possível, como no olho frio de um psicoterapeuta, vendo tudo da forma mais clara possível, sem sentimentos ou coração, na frase célebre: Lei é razão fria sem paixão, ou seja, sem sofrimento. E este é o objetivo da Psicoterapia – fazer com que o paciente pare de sofrer e pare de reclamar da Vida, encarando esta e “entrando no ringue” da Vida, tornando-se uma pessoa batalhadora. A flecha é a direção, o pênis regulador, num mundo de homens, machista, misógino, como numa Margareth Thatcher no início da carreira, confrontada pela sociedade patriarcal, a qual vê com maus olhos uma mulher independente, que não é uma dona de casa zelosa, perfeita, passiva e sem opiniões, no mito da Virgem Santíssima, a mulher sem história, na impactante cena inicial de A Última Tentação de Cristo, com uma Maria briguenta, humana, longe de idealizações, numa mulher cheia de atitude e opinião, num filme que tanta controvérsia gerou, no poder da Arte em atiçar as pessoas e causar comoções catárticas, como num sensível Leonardo DiCaprio, tendo catarses no set de filmagem, neste talento em vestir um personagem, num esforço digno de Oscar, no sofrimento ao redor de ambições mundanas, num indicado ao troféu construindo ambiciosas expectativas antes da premiação, numa Lauren Bacall perdendo um Oscar, fazendo cara de cu, com o perdão do termo chulo. Aqui vemos umas notinhas musicais, como em um pôster de um filme com Carmen Miranda, em plena II Guerra Mundial, fazendo do Cinema, na época, uma válvula de escape para que o espectador, com alegria e música, pudesse se desligar um pouco dos cinzentos horrores da guerra, no modo como, em Caxias do Sul, em tempos bélicos, não havia clima para celebrar a tradicional Festa da Uva, nas colônias italiana, japonesa e alemã sofrendo tanto preconceito em solo brasileiro em tempos bélicos. Aqui é um baile da terceira idade, num momento do idoso relembrar seus bailes de juventude, idealizando tais tempos, num erro, pois cada época da Vida é cheia de vicissitudes, fazendo da “juventude feliz” uma invenção de velhos. Aqui vemos a inscrição BR 101, remetendo-me a uma passagem divertida, pois ao pedir informações a um nativo da ilha de Florianópolis, este dizia: “O senhor tem que pegar a Briói”. Mas o que era Briói? Era o jeito do pobre nativo ignorante de se referir à BR 101! Aqui é uma placa que sinaliza referências de localização, no desafio de um publicitário em chamar a atenção do consumidor potencial, na sabedoria do bom publicitário, que sabe, por exemplo, que num anúncio outdoor numa estrada a mensagem tem que ser a mais simples, limpa e sucinta possível, pois, se houver muito elementos gráficos e textuais, a mensagem não será plenamente absorvida pelo consumidor, fazendo com que tal outdoor seja um investimento sem retorno, e quem gosta de rasgar dinheiro? É a limpeza de Tao, fazendo uma ironia, fazendo com que seja limpo um anúncio de produtos de limpeza! O vermelho aqui busca tal atenção, tal captação, como num anúncio em jornal, pois quanto mais limpo for tal anúncio, mais fará contraste com a inevitável saturação gráfica de um jornal, no qual onde não há texto, há foto, ou seja, o contraste tem tal papel de captação de atenção do consumidor. Aqui é a proposital simplicidade de Pasqual, a qual, como eu já disse anteriormente, traz uma candura de Basquiat, em desenhos infantis, ou numa caligrafia infantil, no esforço da criança em aprender e se tornar um cidadão letrado, consciente de seu próprio papel de cidadão honesto e íntegro, fazendo metáfora com as cidades metafísicas, as quais só os honestos e bons podem acessar – Papai do Céu está vendo direitinho quando faltamos com o apuro moral.

 


Acima, sem título (6). A esquina marca um encontro, numa divertida passagem de uma pessoa que conheço, a qual bateu de frente com Jô Soares numa esquina no Rio de Janeiro, a cidade das celebridades, como vi certa vez, em um shopping carioca, ninguém menos do que Regina Duarte. As esquinas são surpresas, entroncamentos. Na porção direita, vemos um “bicho papão”, numa criança com medo de escuro, acordando de um pesadelo infantil, acordando com seu choro tudo e todos na casa. O bicho aqui sorri esfomeado, numa sede, numa busca, num tesão pela Vida, no modo como a pessoa não pode deixar morrer tal tesão no trabalho, nunca caindo na mesmice, sempre encontrando direção e propósito, ao contrário de uma pessoa que se deprime, não mais encontrando sabor na Vida – é muito triste. È como num casamento, no qual o cônjuge tem que ser reconquistado todos os dias, pois, do contrário, o relacionamento cai na fria e tediosa mesmice. O bicho aqui é dúbio, como num dragão chinês, e não sabemos se é simpático ou se é amedrontador, pois tudo depende do receptor, pois sou meu próprio inimigo, tendo que resolver, dentro de mim, tais questões, e parar de fazer inimigos fora de mim, na frase do Oráculo de Matrix: “Conhece a ti mesmo”. O bicho abre um abraço. É a receptividade, em carismas esmagadores com Lady Diana, com um marido príncipe que nunca foi de grandes índices de carisma ou popularidade, nesta capacidade empática, como uma certa rainha da Festa da Uva que se tornou vereadora, uma pessoa acessível e simpática, a qual mereceu tal posto na Festa. O bicho aqui é um ser das profundezas tectônicas, subterrâneo, inconsciente, no demônio Balrog de Tolkien, numa combinação de chamas e sombras, no terror de O Iluminado, num local claustrofóbico, fechado, num labirinto traiçoeiro, sem saída, no ponto em que pode chegar a psique humana, nos terrenos horríveis do Umbral, o labirinto de escuridão no qual perdemos a noção de tempo e espaço, como num livro que, por mais páginas de viremos, nunca chegamos ao fim, numa cilada, num submundo com subvalores – é uma prisão para a cabeça. Ao lado esquerdo neste painel de Pasqual, vemos uma figura mais humana, parecida com um robô, que é a Mente acima do Corpo, numa pessoa que aprendeu que o coração pode ser traiçoeiro, pois só pode ser feliz uma pessoa que ouve, além do coração, a cabeça, pois o coração, por si, já nos enganou e enganar-nos-á novamente, no poder libertador do Pensamento Racional, na águia Zoar de He-Man, na liberdade da mente que está livre dos sofrimentos mundanos, visto que o Plano Metafísico é feito de pensamento, ou seja, é invisível aos olhos dos encarnados, na máxima espírita: Matéria é nada; pensamento é tudo. E o poder da passagem de Jesus pela Terra não reside nos conceitos e pensamentos que tal grande homem propagou? O homem aqui parece ser um policial, em ronda, mantendo tudo em ordem, no poder de autoridade, podendo prender alguém por desacato, no modo como sempre cumprimento os policiais na Rua, pois estes são os que zelam por nossa vida, integridade e segurança, havendo tanta infelicidade e distorção nos estados paralelos regidos por criminosos – o Mundo é um só; Tao é um só; eu sou um só; você é um só. No capacete, que é senso de proteção e precaução, vemos uma estrela, como na embalagem do perfume Angel, em forma de estrela, no consolador modo como cada um de nós é sempre acompanhado de um anjo da guarda, no modo como a Rainha da Inglaterra não permite que seus netos viagem sem guardacostas, pois ninguém é pequeno o suficiente para desmerecer a total atenção de Tao, o Pai que nos carrega no colo quando mais precisamos, como numa pessoa em fossa depressiva. O uniforme do policial é dourado, na obsessão do Egito Antigo em relação ao Ouro, no Ouro maciço da famosa máscara mortuária do rei Tut, numa época em que o todo poderoso Egito Faraônico não fazia ideia de que o divino Vale dos Reis se tornaria um simples sítio arqueológico, pois impérios ascendem e descendem, enquanto o infinito Tao segue soberano.

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