quarta-feira, 29 de maio de 2024

Os acabamentos de Cabanel (Parte 3 de 5)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor francês Alexandre Cabanel. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O Chiaruccia. Aqui é a doce magia das vindimas italianas, em dias quentes e noites amenas, sexy, no perfume da fruta que toma conta das vinícolas, fazendo da Itália o país das vindimas, em eventos como a Festa da Uva de Caxias do Sul, na hora de celebrar o fruto do trabalho, num trabalho tão árduo, num colono que só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitiam. Podemos ouvir aqui o farfalhar sensual da brisa de verão, e o pano na cabeça da vindimista tremula como uma bandeira altiva – tal vento é a liberdade, a deliciosa liberdade, como num país democrático, na sensação de prazer na liberdade, como na figura de acalento do Espírito Santo, na promessa de que o dia de soltura chegará, numa vida gloriosa que nos espera lá em cima, pois uma das vastas provas de que o Material imita o Metafísico são as intempéries naturais, como nas recentes cheias em território gaúcho, havendo no Plano Superior tal perfeição, como comparar uma flor natural com uma flor de plástico, sendo toda uma imitação, em cidades etéreas como Gramado, empenhada em encantar o turista e dar a este a sensação de que está numa terra mágica. A moça colhe flores. As flores são a beleza da Vida, na exuberância natural, como em fascinantes terras tropicais, cópias fiéis do Éden, mas meras cópias, com todas as vicissitudes da Dimensão Material, como ratos transmitindo Leptospirose, havendo no Plano Superior saúde plena e inabalável, um lugar maravilhoso no qual não há doenças; um lugar em que sentimos a necessidade de continuar trabalhando e produzindo, na perguntinha inevitável a nossos entes queridos com os quais nos reencontramos lá em cima: “Onde você está trabalhando?”. Ao fundo temos uma cidadela medieval italiana, no modo como a Renascença Italiana encantou a Europa, nas peças de Shakespeare, numa história de Amor em Verona, numa civilização tão fascinante, com um povo que come tão bem, um povo que tantas receitas inventou, receitas que ganharam o Mundo – é só assistir a algum programa  televisivo de Culinária. A cidade ao fundo é a promessa de um futuro, numa sensação de lar e de pertencimento, no termo espírita Nosso Lar, o lugar de Amor onde todos são produtivos, ao contrário de triste história de um rapaz que conheci, o qual viajou centenas de quilômetros para fazer uma faculdade em Porto Alegre, mas um rapaz que, no meio do curso, abandonou este para nada fazer no lugar, abraçando uma desinteressante vida improdutiva, passando seus dias inteiros dentro de casa e perguntando-se porque nada acontecia na vida de tal rapaz, como uma senhora rica que conheço, uma fofoqueira maliciosa que leva uma vida totalmente desinteressante, nas sábias palavras de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”. Aqui é tal magia de Verão, das férias merecidas, num momento de descanso, de praia, um momento em que nos permitimos pausar um pouco, como num intervalo no meio de um turno de trabalho, no nome de um clube tradicional caxiense, o Recreio da Juventude, que é isso, o lugar metafísico onde todos somos jovens, belos e sadios, num momento de recreio, de descanso, chegando a um ponto em que a pessoa percebe a necessidade de se aprimorar e evoluir como espírito, na coragem de encarar uma nova encarnação, talvez em um duro contexto de miséria, uma vida duríssima que causará ao espírito uma mortificação enorme, ou seja, um espírito que vai crescer a parar de pensar em bobagens, no modo como a Vida nos ensina duras lições de humildade, como o deus solar nórdico Odin, submetendo o próprio filho deus Thor a uma lição de tal humildade, pois a arrogância precede a queda, como um certo senhor, o qual, arrogante e autocrata, acabou encarando um processo de impeachment, perdendo por anos o direito de se eleger a qualquer posto político. Aqui as folhas farfalham como fidalgo veludo, em tecidos terrenos que tentam imitar os vaporosos e divinos tecidos metafísicos, como no glorioso arcanjo de Locatelli, no templo de São Pelegrino, Caxias do Sul, com tais vestes divinas, portando a espada do julgamento, na expulsão de Adão e Eva do Éden, culpando Eva por tal desgraça – é muita misoginia, meu irmão.

 


Acima, O monge romano. Aqui remete a um colega que tive no Ensino Fundamental, um rapaz que virou padre, para saber qual é o seu lugar no Mundo, um rapaz que contou que, de início, sua família não gostou muito quando este chegou e ela e disse que queria ser padre, num pai que sabe que o filho jamais lhe dará netos, mas uma família que foi aceitando aos poucos a liberdade de escolha do rapaz. O monge está de perfil, como numa pintura egípcia. O monge está alheio ao espectador, pensativo, pensando em perspectivas. O nó de seu traje é a rigidez da disciplina, numa vida sisuda, como no divertido filme Mudança de Hábito, quando uma rigorosa madre superiora inferniza a vida da personagem de Whoopi Goldberg, que interpreta uma mulher que tem que se refugiar num convento para fugir de um mafioso matador. A cabeça calva é de tal costume religioso. A cabeça calva é a humildade, muito distante de uma arrogante cabeleira quilométrica, num caminho de humildade, como mostra a ordenação de uma freira no filme A Nun’s Story, ou seja, A História de uma Freira, com a deusa Audrey Hepburn interpretando uma moça que decide se converter, no ritual de ordenação em que a moça tinha que se jogar no chão e implorar por perdão, no discernimento taoista: Se quero vencer, tenho que, antes de tudo, submeter-me, no sentido de que, se quero sair da merda, tenho que, antes de tudo, admitir e aceitar que estou na merda, com o perdão do termo chulo, no modo como é insuportável uma pessoa arrogante, como uma certa pessoa que conheci, a qual se achava dona e senhora da Festa da Uva, numa pessoa que tropeçou feio em sua presunção, encarando uma dura lição de humildade, pois a Festa pertence ao povo de Caxias do Sul, numa manifestação de Cultura Popular Brasileira. O homem aqui é belo, imponente, colossal, numa pessoa que soube conquistar o respeito do Mundo, numa humilde Gisele, a deusa que sabe que, se parar de trabalhar, vai virar “peça de museu”, com tantas e tantas estrelas que aparecem e desaparecem, como em ótimos programas de Televisão, em pessoas que somem e perecem exatamente porque pararam de lutar pela Vida, que se “atiram nas cordas” e desaparecem totalmente, numa lástima como talentos como Cindy Lauper, uma ótima cantora que não soube sobreviver aos anos 1980, numa incapacidade e numa ingerência na qual a pessoa simplesmente não consegue tocar a carreira para a frente, como uma outra certa cantora, uma cantora que já teve várias chances, tendo lançado vários álbuns, uma cantora que, de tão microscópica, acha que seu próprio fracasso é culpa do Mundo, quando que o Mundo não tem culpa, minha amiga – como posso progredir se fico falando mal de outros artistas? O marrom é a cor da discrição, da lama, da tragédia recente em terras gaúchas. O marrom é a terra, o lirismo telúrico, na mãe fértil que nos dá a produção, o fruto, o alimento, na figura da matriarca agregadora, unindo a família numa noite de Natal, uma pessoa que faz falta quando falece, numa família a qual, sem matriarca ou patriarca, acaba se desunindo, passando a noite de Natal em lugares diferentes. Ao fundo, a cidade é o Mundo, no lugar duro do pecado escuro, impedindo o padre de casar, na transgressão protestante, com o pastor sendo um homem casado e pai, abolindo os santos e a Virgem Maria, nas tensões religiosas na Europa, em cruéis execuções de protestantes punidos pela sanguinária Maria Tudor – existe crueldade maior do que executar uma pessoa queimando esta viva numa fogueira? Lá Jesus faria isso? Claro que não. O céu ao fundo é a necessidade da Fé, pois não há garantias científicas de que um mundo melhor nos espera, na incapacidade científica em nada ver além do óbito corpo físico, na questão taoista: Se tal corpo morrer, não tem problema! O homem aqui parece estar farto, alheio a tudo, talvez num importante momento de mortificação, atendo-se ao que realmente importa, nas palavras de uma certa médium espírita: “Não estou aqui para prever bobagens, do tipo se você vai arranjar namorado ou não!”. Aqui o monge encara a dureza, no modo como fácil e difícil são faces do mesmo trabalho.

 


Acima, O nascimento de Vênus. Jesus, que beleza! A Vênus parece ser feita de porcelana, fina, atraente ao toque, numa nudez de bom gosto, sem ser vulgar ou agressiva, respeitando a mulher, como na Playboy brasileira, num nu de bom gosto, observando a linha divisória entre erótico e bagaceiro. Os anjinhos abençoam a deusa, na beleza das estrelas venusianas do amanhecer e do entardecer, na estrela que guia a Humanidade, como numa excepcional pessoa que se tornou uma figura na qual o povo pode depositar suas esperanças, em carismas como o de Obama, agregador, como num Papa Francisco, agregador, uma alma boa que quer unir o Mundo, num papa que se esforça para ser revolucionário, moderno, conectado com o Mundo, numa era em que o Mundo está tão interconectado, no galgar frenético da Tecnologia Digital, em facilidades como conversar em tempo real, pelo Facebook, com uma pessoa que está do outro lado do Mundo, algo que causa perplexo a alguém de minha geração, que foi criança nos anos 1980, ainda pegando o fim da Era Analógica, na época do televisor de tubo sem controle remoto, apenas com canais de TV aberta; na época do telefone de gancho, com disco; na época da carta pelo correio. Temos aqui uma ousada releitura da majestosa e icônica Vênus de Botticelli, na deusa pudica, tapando seu sexo e um de seus seios lindos, como num ator corajoso, que topa aparecer nu, como na cena impactante inicial de um filme com a deusa Meryl Streep, ou como em uma peça teatral com Gloria Menezes, aparecendo nua ao final frente aos olhos da plateia, num ato de coragem, em que o espectador tem que respeitar o ator, no termo “oferecer a cara a tapa” – é um sacanagem desrespeitar! Aqui o mar é doce e plácido, estável, causando decepção num surfista ávido por ondas grandes e desafiadoras. Aqui o mar é cópia fiel do Éden, em destinos turísticos que tanto seduzem visitantes, como em lugares doces do Nordeste Brasileiro, em delícias tropicais encantando pessoas que vêm de lugares mais frios e cinzentos, como nos longos e deprimentes invernos escandinavos, em altos índices de depressão na população. Aqui sentimos o olor de mar, de peixe fresquinho, num bom sushi feito com peixe fresquinho, numa iguaria a qual eu particularmente amo, num prato que tanto ganhou o Mundo, invadindo terras em que peixe tem que ser cozido para ser comido, remetendo ao Gollum de Tolkien, o monstrinho que apanhava peixes e comia-os crus, ainda se retorcendo. Os anjinhos são a fertilidade, algo prolífico, como num artista prolífico, numa obra vasta e variada, lançando muitos álbuns durante a carreira, em carreiras longevas como a de uma certa popstar, sabendo que não pode parar de trabalhar, nas humildes palavras da bem sucedia Gisele aos fãs num set de filmagem: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”, no caminho da humildade e dos pés no chão – quanto mais humilde, mais longe... As melenas da deusa são descomunais, abundantes, como algas, férteis, lindas, dignas de deusa, numa mulher num salão de beleza, dedicando-se para se arrumar e ficar bonita, como numa mulher se arrumando para um baile de gala, num evento social solene e especial, ao contrário de uma certa atriz de Hollywood, a qual não se arruma, querendo, assim, ser levada como uma atriz séria, que gravita acima da frivolidade do stablishment das celebridades, num comportamento do qual discordo, pois até divas lendárias como Glenn Close se arrumam para ir a uma cerimônia de entrega do Oscar – tenha autoestima, mulher! Podemos ouvir o som acalentador do mar, num berço confortável, numa água quentinha, no prazer uterino, no trauma que é nascer e deixar tal útero gostoso, como na ruptura de Cidadão Kane, num menininho que estava feliz com seu trenó de neve Rosebud, num menino arrancado de tal paraíso infantil, num homem que, no leito de morte, renegou todos os píncaros de sucesso e dinheiro que obteve em vida, suspirando, em seu último segundo de vida, o nome do trenó – a vida é boa quando é simples!

 


Acima, Ofélia. Ela boia num lago plácido, leve, como uma delicada flor boiando, remetendo a uma cena do filmão As Horas, numa depressiva Virginia Woolf tentando se matar afogada num rio, colocando pedras em seus bolsos, no horror depressivo, no qual a pessoa não vê sabor algum na Vida, não vendo prazeres como tomar banho, dormir ou alimentar-se, na palavra de uma excelente professora de Filosofia que tive: Por que nós não fazemos suicídio coletivo? Porque tudo é processo; porque não existe um ponto final de perfeição; porque a Eternidade se desdobra perante nossos olhos, e o Eterno sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro Eterno, havendo em Deus tal infinitude, no presente inestimável da Vida Eterna – não é poder demais as perspectiva de que jamais findaremos? É muito poder, meu irmão! Ofélia aqui é lânguida, preguiçosa, querendo ser salva pela lança fálica de um cavaleiro, na chave fálica que penetra na vagina da fechadura e liberta a donzela pura do dragão do caos, no mito da lança de São Jorge, no poder do pensamento racional, rechaçando malícias e caminhos secundários perigosos, quando que existe apenas um caminho, uma só Vida, um só Deus, na revolução monoteísta, rejeitando os panteões pagãos, estabelecendo que há um só Senhor e que não existem deuses, mas nossos irmãos depurados, de perfeito apuro moral ou seja, os arcanjos, que gozam da Felicidade Suprema, como num espírito desencarnado, que observa a necessidade de continuar trabalhando e produzindo, pois até Tao trabalha! Podemos ouvir aqui o delicioso ruído de água circulando, viva, limpa, cheia de Vida, matando a sede, dando acalento intelectual, ao contrário das águas estagnadas do submundo, num lugar prisional no qual nada se renova, numa pessoa viciada em tal submundo – reclama deste mas não quer sair deste, conformando-se com tal vidinha improdutiva e desinteressante. As flores no cabelo são a feminilidade, a beleza de explosão primaveril, como na suprema Primavera de Botticelli, com deuses maravilhosos, na moda renascentista em despertar aspectos pagãos de outrora, numa releitura, assim como no início dos anos 1990 houve uma nostalgia dos anos 1960, como no icônico clipe de Groove is the Heart, da banda findada Deee-Lite, no poder das flores e da Paz, num clipe no qual não sabemos se estamos nos noventa ou nos sessenta, no fato de que o sucesso é tal amante infiel, num Deee-Lite que acabou perecendo e desmantelando-se. Aqui é a vida fluindo, nos processos da Vida, sempre fluindo, numa série de aprendizados, na oportunidade da Vida que é o crescimento, havendo tal hediondo pecado que é o suicídio, quando a pessoa rejeita tal áurea oportunidade de crescer e depurar-se, no pecado que é rejeitar um presente tão inestimável que é a Vida, remetendo a dois rapazes que conheci, os quais acabaram se suicidando, indo para um setor do Umbral chamado Vale dos Suicidas, num lugar desconfortável, sem noção de tempo e espaço – é um horror. Ofélia aqui desejaria estar nua, e não vestida, na sensação deliciosa de se nadar nu no mar, no conforto uterino, no modo como o grego antigo lidava com naturalidade com a nudez, pois como Ele pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? É como na inocência do Éden antes da maçã do pecado, na serpente da malícia colocando a culpa do Sexo, numa incapacidade em lidar com naturalidade com a Sexualidade, como uma brilhante professora freira que tive, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para neutralizar a malícia dos jovens em relação a Sexo. Ofélia se debruça sobre um galho, que é um percalço, um impedimento, uma dificuldade no percurso, num momento de crise, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa em crise, na ironia de que os percalços, no frigir dos ovos, vêm para ajudar. Aqui é uma doce tarde de verão, com brincadeiras com os amigos na piscina ou no mar, em lembranças doces com amigos em uma piscina de um clube, como me disse uma amigona sobre tal época: “Nós éramos felizes e sabíamos!”, no modo como os amigos são o ouro da Vida.

 


Acima, Pandora. Ela está extremamente séria, hesitante, não sabendo que ação tomar, como na rainha da Inglaterra ao subestimar a seriedade da morte de Diana, numa monarca que teve que voltar atrás e expressar condolências públicas. Aqui são essas mulheres deslumbrantes de Cabanel, feitas da mais fina porcelana, delicadas, com uma pele que parece macia como seda, retratando deusas, na eterna busca humana por beleza, tudo girando em torno da beleza eterna metafísica, como no icônico busto de Nefertiti, com suas sobrancelhas impecavelmente delineadas, num ato civilizatório, como na importância mundana de se limpar uma casa, girando em torno da absoluta limpeza metafísica, da pureza espiritual, como uma impecável atitude minimalista, na recomendação taoista a um rei: Quando você precisa tomar algum tipo de ação ou atitude, faça apenas o que é necessário, deixando de lado as sujas e frívolas desnecessidades, como no fascinante minimalismo japonês, em sua limpeza pura, no modo como uma pessoa só precisa tomar uma precaução: Nunca parar de trabalhar, tirando, no máximo, umas férias passageiras, como a humildade de uma Gisele, sabendo que não pode se aposentar completamente; como minha falecida e querida avó Nelly, a qual, ao se aposentar como professora de Língua Portuguesa, começou a escrever poesia, escrevendo certa vez, em relação aos dias de neblina em Caxias do Sul: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. A caixa aqui é um mistério, no mistério da Arte – o que esta é? Arte é o que nos faz humanos, pensantes, Homo sapiens sapiens, no caminho de apuro do Ser Humano, como no clássico 2001, partindo de um osso usado como arma para abater uma presa, chegando às estações especiais na mais fina música erudita, no modo como há quem creia que a Humanidade, num passado remoto, foi “colonizada” por seres alienígenas de sabedoria superior, tal qual a Europa colonizou a América, resultando em muitos mistérios, como na moderníssimas e arrojadas linhas arquitetônicas de Teotihuacán, a cidade dos deuses na América Latina, parecendo como pistas de pouso de naves alienígenas, no modo como a incrível vastidão do Cosmos nos dá quase certeza de que não estamos só no Universo, o qual é uma infindável sopa de galáxias, como na galáxia em que se passa a saga Star Wars, na ambição de um Darth Vader em se tornar senhor do Universo, um personagem que acaba se arrependendo e dando a própria vida para salvar a vida do filho Luke Skywalker, nesta saga inesgotável, altamente cult, conquistando fãs no Mundo inteiro, na universalidade da condição humana, numa galáxia em que ocorria o comércio entre planetas, na abstração da Força, que é Tao, a cola que nos une, como numa Internet intergaláctica, numa piscina uterina de prazer onde só há paz e concórdia. Pandora aqui é aristocrática, com a cabeça ornada por uma joia preciosa, como uma louca que vi certa vez em Porto Alegre, num domingo à tarde, desfilando pelas ruas ostentando uma coroa, uma pessoa em pleno surto psicótico, como no surto público de Britney Spears, a qual se sentiu humilhada ao dar entrada numa clínica psiquiátrica, no fato inoxidável de que a arrogância precede a queda, num sentimento de devastação existencial, como em casas inteiras destruídas pelas cheias atuais no RS. Pandora aqui veste o mais fino tecido, e seu seio é tanto revelado quanto escondido, na magia da luz do luar, uma luz sexy que tanto mostra quando oculta, em enamorados se beijando à luz do luar, nos versos da maravilhosa canção brega de Rosana: “A música na sombra. O ritmo no ar. Um animal que ronda no véu do luar”. A caixa é o mistério da Vida, pois de onde esta vem? Como surgiu a Vida na Terra? Qual é a “bateria” que faz o coração pulsar em Vida? Pandora está prestes a não resistir e abrir maldita caixa, na recomendação de um certo psiquiatra: Nunca desperte a fera que existe dentro de você, na inclinação humana para a raiva, com irmão derramando sangue de irmão, como um líder mandando assassinar seu próprio meio irmão.

 


Acima, Fedra. Fedra está exausta e prostrada, lânguida, Os tecidos aqui são esses tecidos finíssimos de Cabanel, agradáveis ao toque, como numa mulher fazendo compras em lojas de luxo, como uma cena que presenciei certa vez num shopping, com a perua fazendo suas compras em lojas finas e, atrás da perua, a empregada carregando as sacolas das compras, numa dondoca que se acha sexy demais para carregar as sacolas de suas próprias compras, no modo como é desinteressante uma pessoa improdutiva, que nada faz de válido de seus dias aqui na Terra, como uma senhora rica e abastada que conheço, a qual tem uma vida miserável, cuidando da vida dos outros, fofocando, no caminho da indolência, pois cada pessoa tem que encontrar algo de nobre e válido para fazer, havendo, no Desencarne, o fato de que a pessoa precisa continuar trabalhando. Vemos uma moça sentada no chão, adormecida, num aspecto quase cadavérico, talvez morta, como no Marte de Botticelli, em sono bem profundo, em paz, sem guerra, vigiado pelo Yin de Vênus, na recomendação taoista: Entenda e força e a necessidade do Yang, da razão, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, como curtir a vida dentro de casa, em paz com o Mundo, no termo carioca “muvuca”, que serve para expressar o prazer de se estar em casa, no conforto, numa vida pacata, sem fazer fofoca da vida dos outros, pois esta senhora da qual falei tem um semblante malicioso, e a Malícia é inimiga da Paz, em Adão e Eva sendo expulsos do Éden pela espada fálica racional do anjo que os expulsou. Fedra é privilegiada, e o banquinho aos seus pés expressa tal privilégio social, no modo como o sociopata está o tempo todo em busca de vantagens em relação a seus irmãos de caminhada, sendo INSUPORTÁVEL ao sociopata ser pobre ou homossexual, condições que trazem desvantagem social, no modo como não devemos duvidar a inteligência do sociopata; só podemos duvidar do apuro moral do sociopata, um espírito imundo, cheio de mentiras, uma pessoa que sofre, sendo uma pessoa que não tem como estar em Paz com o Mundo, e a Vida sem Paz é um inferno. No flanco direito vemos uma aia, com o peso de responsabilidade de manter uma casa em ordem, como no molho de chaves de uma governante no superseriado Dowton Abbey, um seriado que fala sobre as relações sociais na Inglaterra, numa mansão dividida em dois mundos: O acima das escadas, que são os aristocratas ingleses riquíssimos; abaixo das escadas, que é a criadagem, em moldes sociais que se repetem sempre, como no Brasil de heranças coloniais, com o negro pobre trabalhando para o rico branco, demorando até se estabelecer uma classe média em um lugar como o estado da Bahia, um lugar de fortes raízes coloniais, no ponto crucial da Lei Áurea, numa princesa Isabel que se viu forçada a abdicar e refugiar-se na Europa, numa Brasil que, até hoje, vive tal estratificação social, com favelas cheias de negros pobres. A cama de Fedra é ricamente decorada, exótica, puxando um pouco para o apelo neoclássico de Cabanel, numa escola tão tradicional como a Pintura Acadêmica, resultando, tempos depois, na transgressão modernista, na poderosa onda impressionista, nos novos modos de se fazer Arte, no modo como cada geração tem seus ídolos, como Elis Regina é ídolo da geração de meus pais, numa canção tão profunda, especial e divina como O Bêbado e a Equilibrista, o hino da Anistia, numa época de reabertura, como uma chuva após uma seca longa, com as pessoas voltando do exílio, como um Caetano Velloso se refugiando na fria e cinzenta Londres, muito longe do Brasil baiano de cores, sabores e ritmos, resultando em pessoas as quais, hoje em dia, gostariam que os militares reocupassem o poder nacional – tem gosto para tudo. Atrás no quadro, uma armadura na parede. A armadura é a blindagem, a proteção, como no busto blindado da Mulher Maravilha, rechaçando tiros de poderosos canhões, num ícone feminista contra a bestialidade da irracionalidade. A armadura é o símbolo dos guerreiros, os quais sabem que não pode faltar luta.

 

Referências bibliográficas:

 

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Os acabamentos de Cabanel (Parte 2 de 5)

 

 

Volto a falar sobre o pintor francês Alexandre Cabanel. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A filha de Jefté. Uma imagem digna de deusa, como no seriado televisivo Isis, no qual uma jovem arqueóloga descobrira um colar dado pela deusa à faraó feminista Hatshepsut, um colar que dava ao usuário os poderes da deusa, no modo como tal imagem feminina foi tranquilamente substituída pela imagem de Nossa Senhora na Era Cristã, na universalidade humana, havendo no xintoísmo japonês uma deusa que ocupa tal cargo, tal posição. A deusa parece empreender algum poder a partir de suas mãos levantadas, em imagens arrebatadoras da deusa grega Eos, responsável pela beleza da Aurora, preparando os céus para o advento da majestade solar, num grego pagão antigo que não entendia que as luzes da Aurora eram emitidas pelo próprio Sol, na inovação monoteísta de Aquenáton, ao maldito faraó herege que desafiou milênios de tradição pagã, instituindo o culto a um só deus, o disco solar Áton, em pessoas que creem que tal homem foi Moisés, nas noções éticas norteadoras dos Dez Mandamentos, fazendo com que houvesse aumento de apuro moral, no poder da verdade, que é eterna, em relação à mentira, que é finita, até chegar a um ponto evolutivo em que a pessoa odeie mentir, no poder do laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao enlaçar alguém, faz com que este diga somente a verdade, no modo como um dos espíritos que guiaram Alan Kardec na concepção da doutrina espírita chama-se Espírito da Verdade, em inovações como Santo Agostinho, em prenúncios de tal doutrina, dizendo que o Ser Humano é feito de carne finita e de alma infinita, no fato de que somos todos prisioneiros de um corpo de carne, na boa notícia de que ninguém será prisioneiro para sempre, no figura de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação que chegará, no imensurável poder da Vida Eterna, no fato de que tudo é processo e que jamais findaremos, no poder absurdo da Vida Eterna, na construção da grande carreira espiritual, na qual nenhum trabalho é em vão, nem mesmo no humilde trabalho de um gari varrendo ruas, nas palavras de minha querida avó materna Carmen, a qual me mostrava suas velhas mãos e dizia: “Estas mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei”, na questão da dignidade do trabalho, sendo uma miséria absoluta a vida de uma pessoa improdutiva, como uma senhora que conheço, uma fofoqueira de marca maior, cuidando da vida dos outros, uma senhora que, apesar de rica, é uma mendiga de miserável, nas palavras sábias do personagem Seu Madruga no carismático seriado Chaves: “Nada mais trabalhoso do que não trabalhar!”. A deusa aqui é revelada e misteriosa, como num trabalho de análise de obras de Arte, analisando mas, ainda assim, não tirando o encanto da obra, ao contrário de uma certa senhora sociopata, a qual até pode enganar muita gente, mas a mim não engana, neste sociopatas desprovidos de qualquer Inteligência Emocional. A cintura da deusa é delgada e elegante, como numa foto de minha avó Nelly Mascia jovem nos anos 1940, numa cintura delgada, numa moça tão linda, uma mulher muito carismática, da qual sentimos grandes saudades, nos vínculos de Amor que nunca se dissolvem, na imortalidade do Amor, a força que une todos os filhos de Tao, a cola que une o Universo em forças opostas, porém complementares, no modo como tudo traz em si sua própria contradição, no jogo sedutor binário entre 0 e 1, entre preto e branco, nas maravilhosas fotos de deuses e deusas hollywoodianos, numa era em que tais artistas tinham uma elegância ímpar, numa era que se perdeu, sem eu aqui querer ser blasé. As pedras aqui são a dureza da Vida, a qual nos faz crescer enormemente, nas intempéries inevitáveis da Natureza, da Dimensão Material, como na tragédia recente das enchentes em solo gaúcho, um acontecimento que não tem culpado ou vilão – é a Natureza, meu irmão, em tragédias que servem para quem nos solidarizemos com tais vítimas, no lembrete de que somos todos filhos do mesmo Rei Supremo, no paradigma democrático de igualdade. A deusa aqui remete às eras egípcias, em signos poderosos de civilização, como nas impecáveis sobrancelhas do busto famoso de Nefertiti, na eterna busca humana por beleza divina.

 


Acima, A glorificação de Luís. Aqui é uma alta formalidade, num evento especialíssimo, num Cabanel servindo a reis. O rei ao trono é a dignidade, numa pessoa que se comporta de forma a merecer tal respeito, no caminho da dignidade: Quem não é digno de respeito, nada tem. É no modo como respeito certos artistas, dos quais não sou necessariamente fã, como Ricky Martin, Matt Damon de Gwyneth Paltrow. A espada é a razão e o símbolo de tal poder, tal como uma pirâmide pontiaguda e agressiva, numa expressão de poder, quase causando medo, como no falo do Código de Hamurabi, num recado simples ao súdito comum: Não se meta com o rei e viva a vida da forma mais pacata possível pois, do contrário, você arranjará problemas, na recomendação taoista de que um líder não deve interferir no dia a dia pacato do cidadão. A lâmpada acesa é o esclarecimento, no poder do conhecimento, com astrônomos sedentos em desvendar os mistérios do Cosmos, numa Humanidade ainda aquém, sem poder ir além de nossa pequena Lua. Aqui é um acontecimento extraordinário, especial, como na pompa britânica na coroação de um monarca, o qual reinará sobre um terço da Humanidade, numa posição de poder, este poder que tanto pode corromper as melhores almas, no maldito Anel do Poder de Tolkien, corrompendo os mais bondosos corações, como no momento crucial em que Frodo expressa tal fraqueza ante o Poder, clamando o Anel para si, jogando fora todo o gigantesco esforço de levar o Anel para este ser destruído nas infernais lavas da Montanha da Perdição, como uma pessoa que desperdiça sua própria juventude fazendo prostituição, ou seja, fazendo do Sexo um leilão, numa vida que nada constrói, se eu pudesse falar para um desses jovens: “Vá arrumar um emprego decente, rapaz! Vá ser digno e merecedor de respeito!”. Na porção inferior do quadro, vemos pessoas do povo sofrendo, com os altos preços dos alimentos, numa mulher desmaiando de fome, sob um rei que pouco se importa com tais flagelos, num rei alienado numa bolha frívola de privilégios, ao contrário do líder sensível, que nunca usa violência, ao contrário da Ditadura, a qual é imposta de forma brutal, ao contrário da hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, sendo, assim, irresistível, ao ponto de eu fazer questão de obedecer a um espírito de maioridade moral, como um anfitrião muito polido e agradável, numa sala bela e elegante, com mágicos cristais multicoloridos, em cidades como Gramado, a qual se esforça para se parecer ao máximo com a dimensão sacra acima da nossa, no modo como as tragédias naturais como enchentes e terremotos são a prova de que tudo na Terra gira em torno da Dimensão Acima, um lugar de inabalável paz no qual somos todos amigos, no poder da paz, num Neo de Matrix sendo questionado sobre o que Neo queria, havendo este dizendo: “Paz!”. Matrix é uma metáfora de poderes esmagadores e brutais, opressores, na questão taoista; Quanto mais Tao tenho, menos quero controlar as pessoas! O rei aqui é como um deus, no modo como o egípcio antigo plebeu acreditava que o faraó era um deus encarnado em corpo de homem, num líder que era tido como um descendente dos deuses, havendo a inovação grega democrática, sem deuses, mas homens, na Revolução Francesa, sangrenta, com pescoços guilhotinados, chocando países mais tradicionais como a Inglaterra, a qual preserva toda a sua tradição de realeza, mesmo havendo a figura do Primeiro Ministro, o qual tem poder de facto, sendo o rei inglês com poder de jure. Uma mulher segura um bebê, na imagem da Madona com o filho de Deus, no modo como tal monarca diz agir em nome de Jesus, mas fazendo coisas que Jesus jamais faria. Ao lado da Madona um senhor com a Cruz de Malta, simbolizando o guerreiro cristão, nos versos da canção do filme Karatê Kid: “Eu sou um homem que lutará por sua honra!”. Todos aqui, de alguma forma, estão envolvidos na cena, como no rei coroado Aragorn de Tolkien, dizendo: “Hoje é um dia de todos!”. Aqui é o modo humano de impor ordem ao caos.

 


Acima, A rainha branca de Castela. A coroa é o poder divino, num líder que se dizia escolhido por Deus para reinar, no desafio de um rei recém coroado, tendo que conquistar o respeito das pessoas, dos súditos, numa tímida Elizabeth II jovem, uma pessoa que adquiriu majestade “na marra”, aprendendo a ter majestade, como no ato de humildade no momento da morte de Diana, tendo que voltar atrás e reconhecer a seriedade da situação. O degrau aqui elevado é tal elevação, impondo autoridade, como uma professora a qual tive, cuja autoridade eu desafiei, e espero que, hoje em dia, décadas depois, ela tenha me perdoado pelo meu desrespeito: Vá em paz, minha amiga! O cômodo aqui é ricamente decorado, como papéis de parede de luxo, como nos papéis da grife Versace, uma marca dos ricos emergentes, recém ascendidos socialmente, numa imposição de status e autoridade, no fato de que o Homem, acima de tudo, quer ter poder, numa fome incessante por dinheiro, no mundanismo material, na obsessão, como na sedutora droga que é a Cocaína, a qual dá ao usuário, no pico de euforia, a sensação de que o usuário está no topo do Mundo, como um senhor narcodependente que conheci, uma pessoa a qual, ao cheirar pó, ficava viçosa, confiante a extrovertida; uma pessoa a qual, ao não cheirar pó, ficava com um semblante abatido, como se estivesse no meio de uma violenta virose gripal, no poder destrutivo das drogas. Aqui vemos uma menininha sentada, como se estivesse recebendo uma aula da monarca, nos jovens herdeiros sendo preparados para reinar, aprendendo muitas línguas, numa atribulada rotina de aulas e educação, preparando a pessoa para tal encargo enorme, como pais matriculando filhos em instituições nobres de ensino, querendo ver o filho se tornando alguém importante e digno de respeito. Na porção inferior da cena, um rapaz lendo, absolutamente alheio a tudo e todos ao redor, num retiro, numa pessoa quieta e pacata, quieta no seu humilde cantinho, na sabedoria do Preto Velho, quieto no seu canto, só observando os egos ascendendo e descendendo, nesta fogueira de vaidades que é o Mundo, como numa coluna social, na competição para ver quem é um deus midiático – é muita frivolidade frente aos sérios problemas do Mundo, como no personagem Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba se compadecendo com as dores do Mundo, tecendo a famosa lista que tantas pessoas salvou. A rainha aqui repousa os pés sobre uma almofada – são as regalias do Poder, numa bolha de privilégios e benefícios, numa vida cheia de conveniências, nas recomendações de um certo jornalista, o qual aconselhou, ironicamente, que a então presidente Dilma tinha que tratar do câncer na rede pública, no SUS, na humildade de um rei que vive com simplicidade, num homem nobre e sem afetações, gostando de tomar um café bem comum, um café do povo, num líder o qual, em sua simplicidade, ganha o respeito do povo, nas palavras sábias de da Vinci: “A simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação”, como uma Jackie O., caminhando sozinha pelas ruas de Nova York, pois a Vida é boa quando é simples, como tomar café da manhã sentado no colo no cônjuge, pois o melhor da Vida não sem compra, que é Amor, pois é miserável tanto quem acha que pode vender Amor, quanto quem acha que pode comprar Amor. O padre aqui dá conselhos à rainha, num papel de conselheiro, pessoas de confiança da monarca, como Walsignham, o braço direito de Elizabeth I, em servos que ganham alto poder ao conquistar a confiança de um rei ou rainha. Aqui, outro padre está alheio, pouco se importando com a sorte da monarca, sabendo que o Ser Humano é por excelência um ser odioso, em irmão atacando a autoestima de irmão, na figura de Caim e Abel, em sangue derramando sangue, e é claro que Ele não gosta das guerras. Na porção direita do quadro, senhores falam entre si, sem a monarca saber, como no fim do filmão A Dama de Ferro, com os parlamentares crendo que o poder tinha subido à cabeça de Thatcher.

 


Acima, A vida de São Luís. Aqui são como oferendas feitas ao santo, no fato de que dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é Amor. É a contradição dos guerreiros cristãos, fazendo algo que Jesus jamais faria, que é a guerra. Aqui é alguém sendo aclamado e consagrado, num fenômeno de popularidade, na capacidade de certas pessoas em atingir tais níveis de carisma, marcando épocas, como nos cabelos ondulados de Gisele, há muitos anos na Moda, numa pessoa com tamanha força, transcendendo raças e cores, na universalidade do Ser Humano, com modas que se alastram pelo Mundo, como os jeans rasgados, na Moda, com Madonna em recente aparição em público, vestindo uma saia preta toda rasgada e fodida, com o perdão do termo chulo, uma moda que era impensável em tempos dos atentados do 11 de Setembro, com torres sendo estraçalhadas, havendo na época um clima pouco propício para jeans rasgados, a nível de inconsciente coletivo, num terrorista que foi a prova de que fama pode ser infâmia, como uma pessoa sendo o olho do furacão de uma polêmica, em artistas causando comoções mundiais, como um Leo DiCaprio conquistando tietes nos quatro cantos do Mundo, na universalidade humana, nas forças da Natureza engolindo um navio possante, no modo como as tragédias naturais não têm culpado ou vilão, pois são as intempéries da Natureza, as vicissitudes da Dimensão Material, em catástrofes que servem para que irmão ajude irmão, nas palavras de Barbra em um de seus concertos: “Sempre precisaremos de uma catástrofe para nos lembrar de que somos pessoas que precisam de pessoas?”. Aqui os guerreiros vestem seus elmos impenetráveis, fazendo metáfora com uma mente racional, sólida, sabendo que não pode se deixar levar por tolos sinais auspiciosos, como tediosas alas vip de boates, quando que a festa, de fato, acontece no coração da pista de dança, no modo como eu mesmo fui a uma ala vip, e, Deus Jesus do Céu, que coisa mais monótona! É como o Gollum de Tolkien, uma alma totalmente carcomida por tais auspícios do Anel, um Anel que envenenou por séculos a mente do monstrinho, no personagem mais fascinante da obra do autor, um personagem que mostra como o Ser Humano pode ser corroído por tais auspícios, num escravo do sistema capitalista: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar cobiçados bens de consumo, no modo irônico como conheço publicitários que, ao tanto anunciar bens de consumo, tornam-se escravos de tais bens. Aqui os cavaleiros templários estão blindados, na oração de São Jorge: Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar, na lança racional de São Jorge, penetrando o monstro do caos e libertando a moçoila virginal passiva, uma mulher sempre em busca de uma figura paternal, como Marilyn Monroe, sempre em busca de uma father figure, numa mulher madura que sabe que o príncipe encantado não existe e nem existirá, na transição de menina para mulher, não mais se deixando levar pelos meninos atraentes das boybands como Backstreet Boys, uma fórmula velha para conquistar menininhas tietes ao redor do Mundo, na recomendação a atores galãs, os quais, para se protegerem do assédio, não devem ir a shopping centers nos fins de semana, tal o assédio ensandecido. O senhor idoso é a passagem do tempo, com em filas prioritárias que respeitam a Terceira Idade, numa época da Vida em que vem a gloriosa sabedoria, ao contrário do gurizão, uma pessoa com corpo de homem, mas cabeça de criança, no modo como fazemos tantas merdas quando somos imaturos, com o perdão do termo chulo. O livreto é a erudição, numa pessoa quietinha no seu canto, lendo seu livro, no modo como um livro pode nos dar a sensação de companhia, como ligar um rádio, no modo como, num submundo, estamos cercados de conhecidos e, ainda assim, estamos nos sentido muito solitários, até a pessoa dar valor aos amigões de verdade, pessoas que nos conhecem profundamente. Aqui, a cortina sobre um fundo negro, em algo imprevisível, no modo como as coisas nunca acontecem no modo como esperávamos.

 


Acima, Albaydé. Aqui é um jogo totalmente erótico, com um seio quase, quase descoberto, como na famosa fotografia de Sophia Loren reprovando profundamente com o olhar o ousadíssimo decote de Jane Mansfield, no limite sutil entre sexy e vulgar, como numa saia justíssima de uma dançarina de Tango num show que vi em Buenos Aires, num momento em que a calcinha da moça era revelada ao público, no modo Dercy Gonçalves dizia que, na sua juventude, atriz era a mesma coisa do que meretriz. A vegetação é a força da Vida, sempre lutando para viver, em uma hera que cobre muros, avançando com força, com vontade de viver, nas palavras de uma médium espírita para mim: Se as tuas metas vão se concretizar, depende de ti! É numa pessoa que se mantém com “fome” de viver, com tesão pelas coisas, ao contrário do depressivo, o qual não vê sentido na Vida, mal tendo vontade de tomar um banho, num profundo esvaziamento existencial, sem ver sentido em acordar e sair da cama – é bem triste, como uma senhora que conheço, a qual mal tinha forças para dar uma caminhadinha na calçada em frente à sua casa, num paciente que fica fisicamente abatido, no modo como hoje em dia, felizmente, há medicações para enfermidades psíquicas, abreviando muito o tempo de internação de um paciente. A moça nos olha séria e monótona, blasé, numa mortificação espiritual, não mais se deixando seduzir por sinais auspiciosos, num desencantamento necessário, num Neo de Matrix, o qual se liberta ao perceber o escravo que era, libertando-se de um sistema em que o indivíduo é um escravo, um prisioneiro cego, controlado por um sistema, como nas ditaduras, pretendendo manter o cidadão sob controle, em regimes tão infelizes como a Coreia do Norte, num líder absolutamente insensível em relação aos flagelos do povo, como no Brasil ditatorial, quando o cidadão só podia falar mal do governo dentro de sua casa, silenciosamente, quando o megaclássico da MPB O Bêbado e a Equilibrista se tornou o hino da anistia, num momento de apodrecimento de tal regime, no modo como minha irmã e eu crescemos ouvindo Elis Regina, na vitória do talento sobre a brutalidade, nesta especialidade humana em relação ao ódio, em irmão odiando irmão, como um ente desencarnado, lamentando ao ver, aqui na Terra, seus parentes brigando, no fato de que a Raiva é infinitamente menor do que a Paz, havendo na Dimensão Metafísica tal Paz inabalável, um lugar onde temos tempo para tudo; um lugar onde a seriedade da Vida continua, na necessidade do desencarnado em arrumar um trabalho, pois até Tao trabalha. O cabelo da moça está arrumado para uma ocasião social, num ato de autoestima, como perfumar-se, inebriando a pessoa com nosso olor, fazendo metáfora com o “perfume” de uma pessoa agradável, como já ouvi dizer que o médium Chico Xavier tinha um perfume comportamental maravilhoso, como no ato religioso de incensar uma igreja, nos perfumes orientais que tanto fascinaram a Europa nas Navegações. O ambiente aqui é luxuoso e aristocrático, privilegiado, numa moça rica, em situação financeira agradável. A fofa almofada é uma pessoa se sentindo confortável em meio a um anfitrião agradável, no dom de receber as pessoas, como nas socialites, pessoas que, infelizmente, não trabalham, apenas dão festas, no sisudo fato de que festas não marcam época; trabalhos marcam época, meu irmão. A moça é alva e pura como leite, numa lata de Leite Moça, como numa Evita Perón, com cara de santa, uma mulher perniciosa, que fazia questão de adquirir inimigos, comprando briga com a aristocracia rural argentina, imitando o estilo das damas aristocráticas e, ainda assim, odiando estas, numa relação de amor e ódio, com dois lados para cada moeda. A moça aqui parece estar lactante, como nas amas de leite negras amamentando os filhos ricos das elites, no termo “mãe preta”, em mulheres negras que aceitaram encarnar em tal posição social vulnerável, num espírito o qual, em uma encarnação tão dura, encontra meios para passar por um crescimento espiritual enorme, pois crescer é o sentido da Vida.

 


Acima, Algas e Bonifácio. O instrumento musical traz uma ironia de metalinguagem, pois é arte falando de arte, ou seja, Pintura falando de Música. Aqui é um momento de descanso, e os dois olham para o vazio, como uma pessoa sem raízes ou metas, talvez numa vida indolente, sem propósito. O mar ao fundo é a imensidão, nas vastidões oceânicas, na água que cobre a maior parte do globo, no termo irônico de um certo programa televisivo: “Planeta Água”, mostrando aspectos de seres aquáticos. Os tecidos que cobrem a moça são finos, aristocráticos, de uma classe social privilegiada, numa vida de privilégios, como vi certa vez numa boate uma moça prostituta que se esforçava para parecer que era uma moça de tal classe social abastada, inclusive uma prosti linda, deslumbrante, mais bela do que qualquer moça da família dentro de tal boate, no paradoxo dos EUA, o qual, por um lado, é um país que dá liberdade ao cidadão, mas num país em que o cidadão não pode se prostituir, ou seja, de um certo modo, o corpo do cidadão americano pertence ao Estado. O cabelo da moça é negro como a asa da graúna, evocando aqui Iracema, com cabelos negros, profundos, misteriosos, numa imprevisibilidade, em algo que não pode ser previsto, como uma amiga minha que me tirou as cartas de tarô, prevendo coisas da minha vida, mas, é claro, sem saber exatamente como tais coisas aconteceriam, no modo como o tarô só pode ser tirado para você por alguém que conhece você profundamente, pois se o vidente for um estranho, as previsões serão abrangentes demais. O copo jogado é um acidente, um ocaso, como num brutal acidente de carro que sofri com minha família, ao ponto de acionar os airbags, num momento de ruptura violenta, numa viagem que parecia transcorrer tranquilamente, mas numa batida poderosa e súbita, foda, com o perdão do termo chulo, num momento de susto muito grande, com minha pobre mãe fraturando cinco costelas, sendo a que mais se machucou no acidente, com perda total do carro, no fato lamentável de que acidentes automobilísticos são comuns. Vemos flores jogadas, talvez num presente do rapaz apaixonado, nos versos de uma canção pop: “Rosas são o caminho para o teu coração, mas o homem precisa começar pela tua cabeça!”, no modo como o coração pode ser traiçoeiro, pregando peças em nós, como num filme romântico com Gwyneth Paltrow, em que esta interpreta uma moça rica que desafia um rapaz pobre a ser digno dela, nas recomendações sábias de uma certa psiquiatra: Não ouça o coração! É a finalidade do psicoterapeuta em nos mostrar as coisas do modo mais frio possível. Podemos aqui ouvir o som do oceano, num som tão acalentador, como eu em noites no balneário gaúcho de Capão da Canoa, indo dormir ouvindo o som do Mar, a Mãe, a Iemanjá guiando barcos pesqueiros, no orixá mais pop de todos, havendo em tal praia uma imagem da deusa, recebendo oferendas de devotos, numa roupagem de Nossa Senhora de Navegantes, na universalidade das deusas femininas, na força da mulher, do feminino, como eleger uma Rainha da Festa da Uva, uma moça a qual, para marcar muito bem o seu próprio reinado, tem que ter alma de diva, de deusa, como na Rainha Odila Zatti no ano de 1934, com ares de diva de Cinema Mudo, inspirando a comunidade a se unir em tal manifestação de Cultura Popular Brasileira que é a Festa da Uva. A moça pálida é o destaque do quadro, e o rapaz está meio obscuro, coadjuvante, como no clipe ótimo de Too Funky, de George Michael, quando este é um discreto cinegrafista que filma modelos deslumbrantes numa passarela, em modelos tão icônicas como Linda Evangelista, com ares de diva de Cinema. Aqui há um certo desencontro, pois o casal não parece estar envolvido, sem abraços, num momento monótono, de distração, talvez num relacionamento em que o sexo não é lá muito gostoso, como na personagem Dona Flor, com o homem do dinheiro e o homem do pau, com o perdão do termo chulo, como mulheres que levam vida dupla, tendo um amante, no modo como é triste uma pessoa que leva vida dupla, pois é uma pessoa que está “em cima de um muro”: Nem 100% feliz aqui, nem 100% feliz lá.

 

Referências bibliográficas:

 

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.