Falo pela terceira vez sobre o pintor francês Alexandre Cabanel. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, O Chiaruccia. Aqui é a doce magia das vindimas italianas, em dias quentes e noites amenas, sexy, no perfume da fruta que toma conta das vinícolas, fazendo da Itália o país das vindimas, em eventos como a Festa da Uva de Caxias do Sul, na hora de celebrar o fruto do trabalho, num trabalho tão árduo, num colono que só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitiam. Podemos ouvir aqui o farfalhar sensual da brisa de verão, e o pano na cabeça da vindimista tremula como uma bandeira altiva – tal vento é a liberdade, a deliciosa liberdade, como num país democrático, na sensação de prazer na liberdade, como na figura de acalento do Espírito Santo, na promessa de que o dia de soltura chegará, numa vida gloriosa que nos espera lá em cima, pois uma das vastas provas de que o Material imita o Metafísico são as intempéries naturais, como nas recentes cheias em território gaúcho, havendo no Plano Superior tal perfeição, como comparar uma flor natural com uma flor de plástico, sendo toda uma imitação, em cidades etéreas como Gramado, empenhada em encantar o turista e dar a este a sensação de que está numa terra mágica. A moça colhe flores. As flores são a beleza da Vida, na exuberância natural, como em fascinantes terras tropicais, cópias fiéis do Éden, mas meras cópias, com todas as vicissitudes da Dimensão Material, como ratos transmitindo Leptospirose, havendo no Plano Superior saúde plena e inabalável, um lugar maravilhoso no qual não há doenças; um lugar em que sentimos a necessidade de continuar trabalhando e produzindo, na perguntinha inevitável a nossos entes queridos com os quais nos reencontramos lá em cima: “Onde você está trabalhando?”. Ao fundo temos uma cidadela medieval italiana, no modo como a Renascença Italiana encantou a Europa, nas peças de Shakespeare, numa história de Amor em Verona, numa civilização tão fascinante, com um povo que come tão bem, um povo que tantas receitas inventou, receitas que ganharam o Mundo – é só assistir a algum programa televisivo de Culinária. A cidade ao fundo é a promessa de um futuro, numa sensação de lar e de pertencimento, no termo espírita Nosso Lar, o lugar de Amor onde todos são produtivos, ao contrário de triste história de um rapaz que conheci, o qual viajou centenas de quilômetros para fazer uma faculdade em Porto Alegre, mas um rapaz que, no meio do curso, abandonou este para nada fazer no lugar, abraçando uma desinteressante vida improdutiva, passando seus dias inteiros dentro de casa e perguntando-se porque nada acontecia na vida de tal rapaz, como uma senhora rica que conheço, uma fofoqueira maliciosa que leva uma vida totalmente desinteressante, nas sábias palavras de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”. Aqui é tal magia de Verão, das férias merecidas, num momento de descanso, de praia, um momento em que nos permitimos pausar um pouco, como num intervalo no meio de um turno de trabalho, no nome de um clube tradicional caxiense, o Recreio da Juventude, que é isso, o lugar metafísico onde todos somos jovens, belos e sadios, num momento de recreio, de descanso, chegando a um ponto em que a pessoa percebe a necessidade de se aprimorar e evoluir como espírito, na coragem de encarar uma nova encarnação, talvez em um duro contexto de miséria, uma vida duríssima que causará ao espírito uma mortificação enorme, ou seja, um espírito que vai crescer a parar de pensar em bobagens, no modo como a Vida nos ensina duras lições de humildade, como o deus solar nórdico Odin, submetendo o próprio filho deus Thor a uma lição de tal humildade, pois a arrogância precede a queda, como um certo senhor, o qual, arrogante e autocrata, acabou encarando um processo de impeachment, perdendo por anos o direito de se eleger a qualquer posto político. Aqui as folhas farfalham como fidalgo veludo, em tecidos terrenos que tentam imitar os vaporosos e divinos tecidos metafísicos, como no glorioso arcanjo de Locatelli, no templo de São Pelegrino, Caxias do Sul, com tais vestes divinas, portando a espada do julgamento, na expulsão de Adão e Eva do Éden, culpando Eva por tal desgraça – é muita misoginia, meu irmão.
Acima, O monge romano. Aqui remete a um colega que tive no Ensino Fundamental, um rapaz que virou padre, para saber qual é o seu lugar no Mundo, um rapaz que contou que, de início, sua família não gostou muito quando este chegou e ela e disse que queria ser padre, num pai que sabe que o filho jamais lhe dará netos, mas uma família que foi aceitando aos poucos a liberdade de escolha do rapaz. O monge está de perfil, como numa pintura egípcia. O monge está alheio ao espectador, pensativo, pensando em perspectivas. O nó de seu traje é a rigidez da disciplina, numa vida sisuda, como no divertido filme Mudança de Hábito, quando uma rigorosa madre superiora inferniza a vida da personagem de Whoopi Goldberg, que interpreta uma mulher que tem que se refugiar num convento para fugir de um mafioso matador. A cabeça calva é de tal costume religioso. A cabeça calva é a humildade, muito distante de uma arrogante cabeleira quilométrica, num caminho de humildade, como mostra a ordenação de uma freira no filme A Nun’s Story, ou seja, A História de uma Freira, com a deusa Audrey Hepburn interpretando uma moça que decide se converter, no ritual de ordenação em que a moça tinha que se jogar no chão e implorar por perdão, no discernimento taoista: Se quero vencer, tenho que, antes de tudo, submeter-me, no sentido de que, se quero sair da merda, tenho que, antes de tudo, admitir e aceitar que estou na merda, com o perdão do termo chulo, no modo como é insuportável uma pessoa arrogante, como uma certa pessoa que conheci, a qual se achava dona e senhora da Festa da Uva, numa pessoa que tropeçou feio em sua presunção, encarando uma dura lição de humildade, pois a Festa pertence ao povo de Caxias do Sul, numa manifestação de Cultura Popular Brasileira. O homem aqui é belo, imponente, colossal, numa pessoa que soube conquistar o respeito do Mundo, numa humilde Gisele, a deusa que sabe que, se parar de trabalhar, vai virar “peça de museu”, com tantas e tantas estrelas que aparecem e desaparecem, como em ótimos programas de Televisão, em pessoas que somem e perecem exatamente porque pararam de lutar pela Vida, que se “atiram nas cordas” e desaparecem totalmente, numa lástima como talentos como Cindy Lauper, uma ótima cantora que não soube sobreviver aos anos 1980, numa incapacidade e numa ingerência na qual a pessoa simplesmente não consegue tocar a carreira para a frente, como uma outra certa cantora, uma cantora que já teve várias chances, tendo lançado vários álbuns, uma cantora que, de tão microscópica, acha que seu próprio fracasso é culpa do Mundo, quando que o Mundo não tem culpa, minha amiga – como posso progredir se fico falando mal de outros artistas? O marrom é a cor da discrição, da lama, da tragédia recente em terras gaúchas. O marrom é a terra, o lirismo telúrico, na mãe fértil que nos dá a produção, o fruto, o alimento, na figura da matriarca agregadora, unindo a família numa noite de Natal, uma pessoa que faz falta quando falece, numa família a qual, sem matriarca ou patriarca, acaba se desunindo, passando a noite de Natal em lugares diferentes. Ao fundo, a cidade é o Mundo, no lugar duro do pecado escuro, impedindo o padre de casar, na transgressão protestante, com o pastor sendo um homem casado e pai, abolindo os santos e a Virgem Maria, nas tensões religiosas na Europa, em cruéis execuções de protestantes punidos pela sanguinária Maria Tudor – existe crueldade maior do que executar uma pessoa queimando esta viva numa fogueira? Lá Jesus faria isso? Claro que não. O céu ao fundo é a necessidade da Fé, pois não há garantias científicas de que um mundo melhor nos espera, na incapacidade científica em nada ver além do óbito corpo físico, na questão taoista: Se tal corpo morrer, não tem problema! O homem aqui parece estar farto, alheio a tudo, talvez num importante momento de mortificação, atendo-se ao que realmente importa, nas palavras de uma certa médium espírita: “Não estou aqui para prever bobagens, do tipo se você vai arranjar namorado ou não!”. Aqui o monge encara a dureza, no modo como fácil e difícil são faces do mesmo trabalho.
Acima, O nascimento de Vênus. Jesus, que beleza! A Vênus parece ser feita de porcelana, fina, atraente ao toque, numa nudez de bom gosto, sem ser vulgar ou agressiva, respeitando a mulher, como na Playboy brasileira, num nu de bom gosto, observando a linha divisória entre erótico e bagaceiro. Os anjinhos abençoam a deusa, na beleza das estrelas venusianas do amanhecer e do entardecer, na estrela que guia a Humanidade, como numa excepcional pessoa que se tornou uma figura na qual o povo pode depositar suas esperanças, em carismas como o de Obama, agregador, como num Papa Francisco, agregador, uma alma boa que quer unir o Mundo, num papa que se esforça para ser revolucionário, moderno, conectado com o Mundo, numa era em que o Mundo está tão interconectado, no galgar frenético da Tecnologia Digital, em facilidades como conversar em tempo real, pelo Facebook, com uma pessoa que está do outro lado do Mundo, algo que causa perplexo a alguém de minha geração, que foi criança nos anos 1980, ainda pegando o fim da Era Analógica, na época do televisor de tubo sem controle remoto, apenas com canais de TV aberta; na época do telefone de gancho, com disco; na época da carta pelo correio. Temos aqui uma ousada releitura da majestosa e icônica Vênus de Botticelli, na deusa pudica, tapando seu sexo e um de seus seios lindos, como num ator corajoso, que topa aparecer nu, como na cena impactante inicial de um filme com a deusa Meryl Streep, ou como em uma peça teatral com Gloria Menezes, aparecendo nua ao final frente aos olhos da plateia, num ato de coragem, em que o espectador tem que respeitar o ator, no termo “oferecer a cara a tapa” – é um sacanagem desrespeitar! Aqui o mar é doce e plácido, estável, causando decepção num surfista ávido por ondas grandes e desafiadoras. Aqui o mar é cópia fiel do Éden, em destinos turísticos que tanto seduzem visitantes, como em lugares doces do Nordeste Brasileiro, em delícias tropicais encantando pessoas que vêm de lugares mais frios e cinzentos, como nos longos e deprimentes invernos escandinavos, em altos índices de depressão na população. Aqui sentimos o olor de mar, de peixe fresquinho, num bom sushi feito com peixe fresquinho, numa iguaria a qual eu particularmente amo, num prato que tanto ganhou o Mundo, invadindo terras em que peixe tem que ser cozido para ser comido, remetendo ao Gollum de Tolkien, o monstrinho que apanhava peixes e comia-os crus, ainda se retorcendo. Os anjinhos são a fertilidade, algo prolífico, como num artista prolífico, numa obra vasta e variada, lançando muitos álbuns durante a carreira, em carreiras longevas como a de uma certa popstar, sabendo que não pode parar de trabalhar, nas humildes palavras da bem sucedia Gisele aos fãs num set de filmagem: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”, no caminho da humildade e dos pés no chão – quanto mais humilde, mais longe... As melenas da deusa são descomunais, abundantes, como algas, férteis, lindas, dignas de deusa, numa mulher num salão de beleza, dedicando-se para se arrumar e ficar bonita, como numa mulher se arrumando para um baile de gala, num evento social solene e especial, ao contrário de uma certa atriz de Hollywood, a qual não se arruma, querendo, assim, ser levada como uma atriz séria, que gravita acima da frivolidade do stablishment das celebridades, num comportamento do qual discordo, pois até divas lendárias como Glenn Close se arrumam para ir a uma cerimônia de entrega do Oscar – tenha autoestima, mulher! Podemos ouvir o som acalentador do mar, num berço confortável, numa água quentinha, no prazer uterino, no trauma que é nascer e deixar tal útero gostoso, como na ruptura de Cidadão Kane, num menininho que estava feliz com seu trenó de neve Rosebud, num menino arrancado de tal paraíso infantil, num homem que, no leito de morte, renegou todos os píncaros de sucesso e dinheiro que obteve em vida, suspirando, em seu último segundo de vida, o nome do trenó – a vida é boa quando é simples!
Acima, Ofélia. Ela boia num lago plácido, leve, como uma delicada flor boiando, remetendo a uma cena do filmão As Horas, numa depressiva Virginia Woolf tentando se matar afogada num rio, colocando pedras em seus bolsos, no horror depressivo, no qual a pessoa não vê sabor algum na Vida, não vendo prazeres como tomar banho, dormir ou alimentar-se, na palavra de uma excelente professora de Filosofia que tive: Por que nós não fazemos suicídio coletivo? Porque tudo é processo; porque não existe um ponto final de perfeição; porque a Eternidade se desdobra perante nossos olhos, e o Eterno sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro Eterno, havendo em Deus tal infinitude, no presente inestimável da Vida Eterna – não é poder demais as perspectiva de que jamais findaremos? É muito poder, meu irmão! Ofélia aqui é lânguida, preguiçosa, querendo ser salva pela lança fálica de um cavaleiro, na chave fálica que penetra na vagina da fechadura e liberta a donzela pura do dragão do caos, no mito da lança de São Jorge, no poder do pensamento racional, rechaçando malícias e caminhos secundários perigosos, quando que existe apenas um caminho, uma só Vida, um só Deus, na revolução monoteísta, rejeitando os panteões pagãos, estabelecendo que há um só Senhor e que não existem deuses, mas nossos irmãos depurados, de perfeito apuro moral ou seja, os arcanjos, que gozam da Felicidade Suprema, como num espírito desencarnado, que observa a necessidade de continuar trabalhando e produzindo, pois até Tao trabalha! Podemos ouvir aqui o delicioso ruído de água circulando, viva, limpa, cheia de Vida, matando a sede, dando acalento intelectual, ao contrário das águas estagnadas do submundo, num lugar prisional no qual nada se renova, numa pessoa viciada em tal submundo – reclama deste mas não quer sair deste, conformando-se com tal vidinha improdutiva e desinteressante. As flores no cabelo são a feminilidade, a beleza de explosão primaveril, como na suprema Primavera de Botticelli, com deuses maravilhosos, na moda renascentista em despertar aspectos pagãos de outrora, numa releitura, assim como no início dos anos 1990 houve uma nostalgia dos anos 1960, como no icônico clipe de Groove is the Heart, da banda findada Deee-Lite, no poder das flores e da Paz, num clipe no qual não sabemos se estamos nos noventa ou nos sessenta, no fato de que o sucesso é tal amante infiel, num Deee-Lite que acabou perecendo e desmantelando-se. Aqui é a vida fluindo, nos processos da Vida, sempre fluindo, numa série de aprendizados, na oportunidade da Vida que é o crescimento, havendo tal hediondo pecado que é o suicídio, quando a pessoa rejeita tal áurea oportunidade de crescer e depurar-se, no pecado que é rejeitar um presente tão inestimável que é a Vida, remetendo a dois rapazes que conheci, os quais acabaram se suicidando, indo para um setor do Umbral chamado Vale dos Suicidas, num lugar desconfortável, sem noção de tempo e espaço – é um horror. Ofélia aqui desejaria estar nua, e não vestida, na sensação deliciosa de se nadar nu no mar, no conforto uterino, no modo como o grego antigo lidava com naturalidade com a nudez, pois como Ele pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? É como na inocência do Éden antes da maçã do pecado, na serpente da malícia colocando a culpa do Sexo, numa incapacidade em lidar com naturalidade com a Sexualidade, como uma brilhante professora freira que tive, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para neutralizar a malícia dos jovens em relação a Sexo. Ofélia se debruça sobre um galho, que é um percalço, um impedimento, uma dificuldade no percurso, num momento de crise, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa em crise, na ironia de que os percalços, no frigir dos ovos, vêm para ajudar. Aqui é uma doce tarde de verão, com brincadeiras com os amigos na piscina ou no mar, em lembranças doces com amigos em uma piscina de um clube, como me disse uma amigona sobre tal época: “Nós éramos felizes e sabíamos!”, no modo como os amigos são o ouro da Vida.
Acima, Pandora. Ela está extremamente séria, hesitante, não sabendo que ação tomar, como na rainha da Inglaterra ao subestimar a seriedade da morte de Diana, numa monarca que teve que voltar atrás e expressar condolências públicas. Aqui são essas mulheres deslumbrantes de Cabanel, feitas da mais fina porcelana, delicadas, com uma pele que parece macia como seda, retratando deusas, na eterna busca humana por beleza, tudo girando em torno da beleza eterna metafísica, como no icônico busto de Nefertiti, com suas sobrancelhas impecavelmente delineadas, num ato civilizatório, como na importância mundana de se limpar uma casa, girando em torno da absoluta limpeza metafísica, da pureza espiritual, como uma impecável atitude minimalista, na recomendação taoista a um rei: Quando você precisa tomar algum tipo de ação ou atitude, faça apenas o que é necessário, deixando de lado as sujas e frívolas desnecessidades, como no fascinante minimalismo japonês, em sua limpeza pura, no modo como uma pessoa só precisa tomar uma precaução: Nunca parar de trabalhar, tirando, no máximo, umas férias passageiras, como a humildade de uma Gisele, sabendo que não pode se aposentar completamente; como minha falecida e querida avó Nelly, a qual, ao se aposentar como professora de Língua Portuguesa, começou a escrever poesia, escrevendo certa vez, em relação aos dias de neblina em Caxias do Sul: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. A caixa aqui é um mistério, no mistério da Arte – o que esta é? Arte é o que nos faz humanos, pensantes, Homo sapiens sapiens, no caminho de apuro do Ser Humano, como no clássico 2001, partindo de um osso usado como arma para abater uma presa, chegando às estações especiais na mais fina música erudita, no modo como há quem creia que a Humanidade, num passado remoto, foi “colonizada” por seres alienígenas de sabedoria superior, tal qual a Europa colonizou a América, resultando em muitos mistérios, como na moderníssimas e arrojadas linhas arquitetônicas de Teotihuacán, a cidade dos deuses na América Latina, parecendo como pistas de pouso de naves alienígenas, no modo como a incrível vastidão do Cosmos nos dá quase certeza de que não estamos só no Universo, o qual é uma infindável sopa de galáxias, como na galáxia em que se passa a saga Star Wars, na ambição de um Darth Vader em se tornar senhor do Universo, um personagem que acaba se arrependendo e dando a própria vida para salvar a vida do filho Luke Skywalker, nesta saga inesgotável, altamente cult, conquistando fãs no Mundo inteiro, na universalidade da condição humana, numa galáxia em que ocorria o comércio entre planetas, na abstração da Força, que é Tao, a cola que nos une, como numa Internet intergaláctica, numa piscina uterina de prazer onde só há paz e concórdia. Pandora aqui é aristocrática, com a cabeça ornada por uma joia preciosa, como uma louca que vi certa vez em Porto Alegre, num domingo à tarde, desfilando pelas ruas ostentando uma coroa, uma pessoa em pleno surto psicótico, como no surto público de Britney Spears, a qual se sentiu humilhada ao dar entrada numa clínica psiquiátrica, no fato inoxidável de que a arrogância precede a queda, num sentimento de devastação existencial, como em casas inteiras destruídas pelas cheias atuais no RS. Pandora aqui veste o mais fino tecido, e seu seio é tanto revelado quanto escondido, na magia da luz do luar, uma luz sexy que tanto mostra quando oculta, em enamorados se beijando à luz do luar, nos versos da maravilhosa canção brega de Rosana: “A música na sombra. O ritmo no ar. Um animal que ronda no véu do luar”. A caixa é o mistério da Vida, pois de onde esta vem? Como surgiu a Vida na Terra? Qual é a “bateria” que faz o coração pulsar em Vida? Pandora está prestes a não resistir e abrir maldita caixa, na recomendação de um certo psiquiatra: Nunca desperte a fera que existe dentro de você, na inclinação humana para a raiva, com irmão derramando sangue de irmão, como um líder mandando assassinar seu próprio meio irmão.
Acima, Fedra. Fedra está exausta e prostrada, lânguida, Os tecidos aqui são esses tecidos finíssimos de Cabanel, agradáveis ao toque, como numa mulher fazendo compras em lojas de luxo, como uma cena que presenciei certa vez num shopping, com a perua fazendo suas compras em lojas finas e, atrás da perua, a empregada carregando as sacolas das compras, numa dondoca que se acha sexy demais para carregar as sacolas de suas próprias compras, no modo como é desinteressante uma pessoa improdutiva, que nada faz de válido de seus dias aqui na Terra, como uma senhora rica e abastada que conheço, a qual tem uma vida miserável, cuidando da vida dos outros, fofocando, no caminho da indolência, pois cada pessoa tem que encontrar algo de nobre e válido para fazer, havendo, no Desencarne, o fato de que a pessoa precisa continuar trabalhando. Vemos uma moça sentada no chão, adormecida, num aspecto quase cadavérico, talvez morta, como no Marte de Botticelli, em sono bem profundo, em paz, sem guerra, vigiado pelo Yin de Vênus, na recomendação taoista: Entenda e força e a necessidade do Yang, da razão, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, como curtir a vida dentro de casa, em paz com o Mundo, no termo carioca “muvuca”, que serve para expressar o prazer de se estar em casa, no conforto, numa vida pacata, sem fazer fofoca da vida dos outros, pois esta senhora da qual falei tem um semblante malicioso, e a Malícia é inimiga da Paz, em Adão e Eva sendo expulsos do Éden pela espada fálica racional do anjo que os expulsou. Fedra é privilegiada, e o banquinho aos seus pés expressa tal privilégio social, no modo como o sociopata está o tempo todo em busca de vantagens em relação a seus irmãos de caminhada, sendo INSUPORTÁVEL ao sociopata ser pobre ou homossexual, condições que trazem desvantagem social, no modo como não devemos duvidar a inteligência do sociopata; só podemos duvidar do apuro moral do sociopata, um espírito imundo, cheio de mentiras, uma pessoa que sofre, sendo uma pessoa que não tem como estar em Paz com o Mundo, e a Vida sem Paz é um inferno. No flanco direito vemos uma aia, com o peso de responsabilidade de manter uma casa em ordem, como no molho de chaves de uma governante no superseriado Dowton Abbey, um seriado que fala sobre as relações sociais na Inglaterra, numa mansão dividida em dois mundos: O acima das escadas, que são os aristocratas ingleses riquíssimos; abaixo das escadas, que é a criadagem, em moldes sociais que se repetem sempre, como no Brasil de heranças coloniais, com o negro pobre trabalhando para o rico branco, demorando até se estabelecer uma classe média em um lugar como o estado da Bahia, um lugar de fortes raízes coloniais, no ponto crucial da Lei Áurea, numa princesa Isabel que se viu forçada a abdicar e refugiar-se na Europa, numa Brasil que, até hoje, vive tal estratificação social, com favelas cheias de negros pobres. A cama de Fedra é ricamente decorada, exótica, puxando um pouco para o apelo neoclássico de Cabanel, numa escola tão tradicional como a Pintura Acadêmica, resultando, tempos depois, na transgressão modernista, na poderosa onda impressionista, nos novos modos de se fazer Arte, no modo como cada geração tem seus ídolos, como Elis Regina é ídolo da geração de meus pais, numa canção tão profunda, especial e divina como O Bêbado e a Equilibrista, o hino da Anistia, numa época de reabertura, como uma chuva após uma seca longa, com as pessoas voltando do exílio, como um Caetano Velloso se refugiando na fria e cinzenta Londres, muito longe do Brasil baiano de cores, sabores e ritmos, resultando em pessoas as quais, hoje em dia, gostariam que os militares reocupassem o poder nacional – tem gosto para tudo. Atrás no quadro, uma armadura na parede. A armadura é a blindagem, a proteção, como no busto blindado da Mulher Maravilha, rechaçando tiros de poderosos canhões, num ícone feminista contra a bestialidade da irracionalidade. A armadura é o símbolo dos guerreiros, os quais sabem que não pode faltar luta.
Referências bibliográficas:
Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.
Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 8 mai. 2024.
Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.











