quarta-feira, 22 de maio de 2024

Os acabamentos de Cabanel (Parte 2 de 5)

 

 

Volto a falar sobre o pintor francês Alexandre Cabanel. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A filha de Jefté. Uma imagem digna de deusa, como no seriado televisivo Isis, no qual uma jovem arqueóloga descobrira um colar dado pela deusa à faraó feminista Hatshepsut, um colar que dava ao usuário os poderes da deusa, no modo como tal imagem feminina foi tranquilamente substituída pela imagem de Nossa Senhora na Era Cristã, na universalidade humana, havendo no xintoísmo japonês uma deusa que ocupa tal cargo, tal posição. A deusa parece empreender algum poder a partir de suas mãos levantadas, em imagens arrebatadoras da deusa grega Eos, responsável pela beleza da Aurora, preparando os céus para o advento da majestade solar, num grego pagão antigo que não entendia que as luzes da Aurora eram emitidas pelo próprio Sol, na inovação monoteísta de Aquenáton, ao maldito faraó herege que desafiou milênios de tradição pagã, instituindo o culto a um só deus, o disco solar Áton, em pessoas que creem que tal homem foi Moisés, nas noções éticas norteadoras dos Dez Mandamentos, fazendo com que houvesse aumento de apuro moral, no poder da verdade, que é eterna, em relação à mentira, que é finita, até chegar a um ponto evolutivo em que a pessoa odeie mentir, no poder do laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao enlaçar alguém, faz com que este diga somente a verdade, no modo como um dos espíritos que guiaram Alan Kardec na concepção da doutrina espírita chama-se Espírito da Verdade, em inovações como Santo Agostinho, em prenúncios de tal doutrina, dizendo que o Ser Humano é feito de carne finita e de alma infinita, no fato de que somos todos prisioneiros de um corpo de carne, na boa notícia de que ninguém será prisioneiro para sempre, no figura de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação que chegará, no imensurável poder da Vida Eterna, no fato de que tudo é processo e que jamais findaremos, no poder absurdo da Vida Eterna, na construção da grande carreira espiritual, na qual nenhum trabalho é em vão, nem mesmo no humilde trabalho de um gari varrendo ruas, nas palavras de minha querida avó materna Carmen, a qual me mostrava suas velhas mãos e dizia: “Estas mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei”, na questão da dignidade do trabalho, sendo uma miséria absoluta a vida de uma pessoa improdutiva, como uma senhora que conheço, uma fofoqueira de marca maior, cuidando da vida dos outros, uma senhora que, apesar de rica, é uma mendiga de miserável, nas palavras sábias do personagem Seu Madruga no carismático seriado Chaves: “Nada mais trabalhoso do que não trabalhar!”. A deusa aqui é revelada e misteriosa, como num trabalho de análise de obras de Arte, analisando mas, ainda assim, não tirando o encanto da obra, ao contrário de uma certa senhora sociopata, a qual até pode enganar muita gente, mas a mim não engana, neste sociopatas desprovidos de qualquer Inteligência Emocional. A cintura da deusa é delgada e elegante, como numa foto de minha avó Nelly Mascia jovem nos anos 1940, numa cintura delgada, numa moça tão linda, uma mulher muito carismática, da qual sentimos grandes saudades, nos vínculos de Amor que nunca se dissolvem, na imortalidade do Amor, a força que une todos os filhos de Tao, a cola que une o Universo em forças opostas, porém complementares, no modo como tudo traz em si sua própria contradição, no jogo sedutor binário entre 0 e 1, entre preto e branco, nas maravilhosas fotos de deuses e deusas hollywoodianos, numa era em que tais artistas tinham uma elegância ímpar, numa era que se perdeu, sem eu aqui querer ser blasé. As pedras aqui são a dureza da Vida, a qual nos faz crescer enormemente, nas intempéries inevitáveis da Natureza, da Dimensão Material, como na tragédia recente das enchentes em solo gaúcho, um acontecimento que não tem culpado ou vilão – é a Natureza, meu irmão, em tragédias que servem para quem nos solidarizemos com tais vítimas, no lembrete de que somos todos filhos do mesmo Rei Supremo, no paradigma democrático de igualdade. A deusa aqui remete às eras egípcias, em signos poderosos de civilização, como nas impecáveis sobrancelhas do busto famoso de Nefertiti, na eterna busca humana por beleza divina.

 


Acima, A glorificação de Luís. Aqui é uma alta formalidade, num evento especialíssimo, num Cabanel servindo a reis. O rei ao trono é a dignidade, numa pessoa que se comporta de forma a merecer tal respeito, no caminho da dignidade: Quem não é digno de respeito, nada tem. É no modo como respeito certos artistas, dos quais não sou necessariamente fã, como Ricky Martin, Matt Damon de Gwyneth Paltrow. A espada é a razão e o símbolo de tal poder, tal como uma pirâmide pontiaguda e agressiva, numa expressão de poder, quase causando medo, como no falo do Código de Hamurabi, num recado simples ao súdito comum: Não se meta com o rei e viva a vida da forma mais pacata possível pois, do contrário, você arranjará problemas, na recomendação taoista de que um líder não deve interferir no dia a dia pacato do cidadão. A lâmpada acesa é o esclarecimento, no poder do conhecimento, com astrônomos sedentos em desvendar os mistérios do Cosmos, numa Humanidade ainda aquém, sem poder ir além de nossa pequena Lua. Aqui é um acontecimento extraordinário, especial, como na pompa britânica na coroação de um monarca, o qual reinará sobre um terço da Humanidade, numa posição de poder, este poder que tanto pode corromper as melhores almas, no maldito Anel do Poder de Tolkien, corrompendo os mais bondosos corações, como no momento crucial em que Frodo expressa tal fraqueza ante o Poder, clamando o Anel para si, jogando fora todo o gigantesco esforço de levar o Anel para este ser destruído nas infernais lavas da Montanha da Perdição, como uma pessoa que desperdiça sua própria juventude fazendo prostituição, ou seja, fazendo do Sexo um leilão, numa vida que nada constrói, se eu pudesse falar para um desses jovens: “Vá arrumar um emprego decente, rapaz! Vá ser digno e merecedor de respeito!”. Na porção inferior do quadro, vemos pessoas do povo sofrendo, com os altos preços dos alimentos, numa mulher desmaiando de fome, sob um rei que pouco se importa com tais flagelos, num rei alienado numa bolha frívola de privilégios, ao contrário do líder sensível, que nunca usa violência, ao contrário da Ditadura, a qual é imposta de forma brutal, ao contrário da hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, sendo, assim, irresistível, ao ponto de eu fazer questão de obedecer a um espírito de maioridade moral, como um anfitrião muito polido e agradável, numa sala bela e elegante, com mágicos cristais multicoloridos, em cidades como Gramado, a qual se esforça para se parecer ao máximo com a dimensão sacra acima da nossa, no modo como as tragédias naturais como enchentes e terremotos são a prova de que tudo na Terra gira em torno da Dimensão Acima, um lugar de inabalável paz no qual somos todos amigos, no poder da paz, num Neo de Matrix sendo questionado sobre o que Neo queria, havendo este dizendo: “Paz!”. Matrix é uma metáfora de poderes esmagadores e brutais, opressores, na questão taoista; Quanto mais Tao tenho, menos quero controlar as pessoas! O rei aqui é como um deus, no modo como o egípcio antigo plebeu acreditava que o faraó era um deus encarnado em corpo de homem, num líder que era tido como um descendente dos deuses, havendo a inovação grega democrática, sem deuses, mas homens, na Revolução Francesa, sangrenta, com pescoços guilhotinados, chocando países mais tradicionais como a Inglaterra, a qual preserva toda a sua tradição de realeza, mesmo havendo a figura do Primeiro Ministro, o qual tem poder de facto, sendo o rei inglês com poder de jure. Uma mulher segura um bebê, na imagem da Madona com o filho de Deus, no modo como tal monarca diz agir em nome de Jesus, mas fazendo coisas que Jesus jamais faria. Ao lado da Madona um senhor com a Cruz de Malta, simbolizando o guerreiro cristão, nos versos da canção do filme Karatê Kid: “Eu sou um homem que lutará por sua honra!”. Todos aqui, de alguma forma, estão envolvidos na cena, como no rei coroado Aragorn de Tolkien, dizendo: “Hoje é um dia de todos!”. Aqui é o modo humano de impor ordem ao caos.

 


Acima, A rainha branca de Castela. A coroa é o poder divino, num líder que se dizia escolhido por Deus para reinar, no desafio de um rei recém coroado, tendo que conquistar o respeito das pessoas, dos súditos, numa tímida Elizabeth II jovem, uma pessoa que adquiriu majestade “na marra”, aprendendo a ter majestade, como no ato de humildade no momento da morte de Diana, tendo que voltar atrás e reconhecer a seriedade da situação. O degrau aqui elevado é tal elevação, impondo autoridade, como uma professora a qual tive, cuja autoridade eu desafiei, e espero que, hoje em dia, décadas depois, ela tenha me perdoado pelo meu desrespeito: Vá em paz, minha amiga! O cômodo aqui é ricamente decorado, como papéis de parede de luxo, como nos papéis da grife Versace, uma marca dos ricos emergentes, recém ascendidos socialmente, numa imposição de status e autoridade, no fato de que o Homem, acima de tudo, quer ter poder, numa fome incessante por dinheiro, no mundanismo material, na obsessão, como na sedutora droga que é a Cocaína, a qual dá ao usuário, no pico de euforia, a sensação de que o usuário está no topo do Mundo, como um senhor narcodependente que conheci, uma pessoa a qual, ao cheirar pó, ficava viçosa, confiante a extrovertida; uma pessoa a qual, ao não cheirar pó, ficava com um semblante abatido, como se estivesse no meio de uma violenta virose gripal, no poder destrutivo das drogas. Aqui vemos uma menininha sentada, como se estivesse recebendo uma aula da monarca, nos jovens herdeiros sendo preparados para reinar, aprendendo muitas línguas, numa atribulada rotina de aulas e educação, preparando a pessoa para tal encargo enorme, como pais matriculando filhos em instituições nobres de ensino, querendo ver o filho se tornando alguém importante e digno de respeito. Na porção inferior da cena, um rapaz lendo, absolutamente alheio a tudo e todos ao redor, num retiro, numa pessoa quieta e pacata, quieta no seu humilde cantinho, na sabedoria do Preto Velho, quieto no seu canto, só observando os egos ascendendo e descendendo, nesta fogueira de vaidades que é o Mundo, como numa coluna social, na competição para ver quem é um deus midiático – é muita frivolidade frente aos sérios problemas do Mundo, como no personagem Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba se compadecendo com as dores do Mundo, tecendo a famosa lista que tantas pessoas salvou. A rainha aqui repousa os pés sobre uma almofada – são as regalias do Poder, numa bolha de privilégios e benefícios, numa vida cheia de conveniências, nas recomendações de um certo jornalista, o qual aconselhou, ironicamente, que a então presidente Dilma tinha que tratar do câncer na rede pública, no SUS, na humildade de um rei que vive com simplicidade, num homem nobre e sem afetações, gostando de tomar um café bem comum, um café do povo, num líder o qual, em sua simplicidade, ganha o respeito do povo, nas palavras sábias de da Vinci: “A simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação”, como uma Jackie O., caminhando sozinha pelas ruas de Nova York, pois a Vida é boa quando é simples, como tomar café da manhã sentado no colo no cônjuge, pois o melhor da Vida não sem compra, que é Amor, pois é miserável tanto quem acha que pode vender Amor, quanto quem acha que pode comprar Amor. O padre aqui dá conselhos à rainha, num papel de conselheiro, pessoas de confiança da monarca, como Walsignham, o braço direito de Elizabeth I, em servos que ganham alto poder ao conquistar a confiança de um rei ou rainha. Aqui, outro padre está alheio, pouco se importando com a sorte da monarca, sabendo que o Ser Humano é por excelência um ser odioso, em irmão atacando a autoestima de irmão, na figura de Caim e Abel, em sangue derramando sangue, e é claro que Ele não gosta das guerras. Na porção direita do quadro, senhores falam entre si, sem a monarca saber, como no fim do filmão A Dama de Ferro, com os parlamentares crendo que o poder tinha subido à cabeça de Thatcher.

 


Acima, A vida de São Luís. Aqui são como oferendas feitas ao santo, no fato de que dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é Amor. É a contradição dos guerreiros cristãos, fazendo algo que Jesus jamais faria, que é a guerra. Aqui é alguém sendo aclamado e consagrado, num fenômeno de popularidade, na capacidade de certas pessoas em atingir tais níveis de carisma, marcando épocas, como nos cabelos ondulados de Gisele, há muitos anos na Moda, numa pessoa com tamanha força, transcendendo raças e cores, na universalidade do Ser Humano, com modas que se alastram pelo Mundo, como os jeans rasgados, na Moda, com Madonna em recente aparição em público, vestindo uma saia preta toda rasgada e fodida, com o perdão do termo chulo, uma moda que era impensável em tempos dos atentados do 11 de Setembro, com torres sendo estraçalhadas, havendo na época um clima pouco propício para jeans rasgados, a nível de inconsciente coletivo, num terrorista que foi a prova de que fama pode ser infâmia, como uma pessoa sendo o olho do furacão de uma polêmica, em artistas causando comoções mundiais, como um Leo DiCaprio conquistando tietes nos quatro cantos do Mundo, na universalidade humana, nas forças da Natureza engolindo um navio possante, no modo como as tragédias naturais não têm culpado ou vilão, pois são as intempéries da Natureza, as vicissitudes da Dimensão Material, em catástrofes que servem para que irmão ajude irmão, nas palavras de Barbra em um de seus concertos: “Sempre precisaremos de uma catástrofe para nos lembrar de que somos pessoas que precisam de pessoas?”. Aqui os guerreiros vestem seus elmos impenetráveis, fazendo metáfora com uma mente racional, sólida, sabendo que não pode se deixar levar por tolos sinais auspiciosos, como tediosas alas vip de boates, quando que a festa, de fato, acontece no coração da pista de dança, no modo como eu mesmo fui a uma ala vip, e, Deus Jesus do Céu, que coisa mais monótona! É como o Gollum de Tolkien, uma alma totalmente carcomida por tais auspícios do Anel, um Anel que envenenou por séculos a mente do monstrinho, no personagem mais fascinante da obra do autor, um personagem que mostra como o Ser Humano pode ser corroído por tais auspícios, num escravo do sistema capitalista: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar cobiçados bens de consumo, no modo irônico como conheço publicitários que, ao tanto anunciar bens de consumo, tornam-se escravos de tais bens. Aqui os cavaleiros templários estão blindados, na oração de São Jorge: Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar, na lança racional de São Jorge, penetrando o monstro do caos e libertando a moçoila virginal passiva, uma mulher sempre em busca de uma figura paternal, como Marilyn Monroe, sempre em busca de uma father figure, numa mulher madura que sabe que o príncipe encantado não existe e nem existirá, na transição de menina para mulher, não mais se deixando levar pelos meninos atraentes das boybands como Backstreet Boys, uma fórmula velha para conquistar menininhas tietes ao redor do Mundo, na recomendação a atores galãs, os quais, para se protegerem do assédio, não devem ir a shopping centers nos fins de semana, tal o assédio ensandecido. O senhor idoso é a passagem do tempo, com em filas prioritárias que respeitam a Terceira Idade, numa época da Vida em que vem a gloriosa sabedoria, ao contrário do gurizão, uma pessoa com corpo de homem, mas cabeça de criança, no modo como fazemos tantas merdas quando somos imaturos, com o perdão do termo chulo. O livreto é a erudição, numa pessoa quietinha no seu canto, lendo seu livro, no modo como um livro pode nos dar a sensação de companhia, como ligar um rádio, no modo como, num submundo, estamos cercados de conhecidos e, ainda assim, estamos nos sentido muito solitários, até a pessoa dar valor aos amigões de verdade, pessoas que nos conhecem profundamente. Aqui, a cortina sobre um fundo negro, em algo imprevisível, no modo como as coisas nunca acontecem no modo como esperávamos.

 


Acima, Albaydé. Aqui é um jogo totalmente erótico, com um seio quase, quase descoberto, como na famosa fotografia de Sophia Loren reprovando profundamente com o olhar o ousadíssimo decote de Jane Mansfield, no limite sutil entre sexy e vulgar, como numa saia justíssima de uma dançarina de Tango num show que vi em Buenos Aires, num momento em que a calcinha da moça era revelada ao público, no modo Dercy Gonçalves dizia que, na sua juventude, atriz era a mesma coisa do que meretriz. A vegetação é a força da Vida, sempre lutando para viver, em uma hera que cobre muros, avançando com força, com vontade de viver, nas palavras de uma médium espírita para mim: Se as tuas metas vão se concretizar, depende de ti! É numa pessoa que se mantém com “fome” de viver, com tesão pelas coisas, ao contrário do depressivo, o qual não vê sentido na Vida, mal tendo vontade de tomar um banho, num profundo esvaziamento existencial, sem ver sentido em acordar e sair da cama – é bem triste, como uma senhora que conheço, a qual mal tinha forças para dar uma caminhadinha na calçada em frente à sua casa, num paciente que fica fisicamente abatido, no modo como hoje em dia, felizmente, há medicações para enfermidades psíquicas, abreviando muito o tempo de internação de um paciente. A moça nos olha séria e monótona, blasé, numa mortificação espiritual, não mais se deixando seduzir por sinais auspiciosos, num desencantamento necessário, num Neo de Matrix, o qual se liberta ao perceber o escravo que era, libertando-se de um sistema em que o indivíduo é um escravo, um prisioneiro cego, controlado por um sistema, como nas ditaduras, pretendendo manter o cidadão sob controle, em regimes tão infelizes como a Coreia do Norte, num líder absolutamente insensível em relação aos flagelos do povo, como no Brasil ditatorial, quando o cidadão só podia falar mal do governo dentro de sua casa, silenciosamente, quando o megaclássico da MPB O Bêbado e a Equilibrista se tornou o hino da anistia, num momento de apodrecimento de tal regime, no modo como minha irmã e eu crescemos ouvindo Elis Regina, na vitória do talento sobre a brutalidade, nesta especialidade humana em relação ao ódio, em irmão odiando irmão, como um ente desencarnado, lamentando ao ver, aqui na Terra, seus parentes brigando, no fato de que a Raiva é infinitamente menor do que a Paz, havendo na Dimensão Metafísica tal Paz inabalável, um lugar onde temos tempo para tudo; um lugar onde a seriedade da Vida continua, na necessidade do desencarnado em arrumar um trabalho, pois até Tao trabalha. O cabelo da moça está arrumado para uma ocasião social, num ato de autoestima, como perfumar-se, inebriando a pessoa com nosso olor, fazendo metáfora com o “perfume” de uma pessoa agradável, como já ouvi dizer que o médium Chico Xavier tinha um perfume comportamental maravilhoso, como no ato religioso de incensar uma igreja, nos perfumes orientais que tanto fascinaram a Europa nas Navegações. O ambiente aqui é luxuoso e aristocrático, privilegiado, numa moça rica, em situação financeira agradável. A fofa almofada é uma pessoa se sentindo confortável em meio a um anfitrião agradável, no dom de receber as pessoas, como nas socialites, pessoas que, infelizmente, não trabalham, apenas dão festas, no sisudo fato de que festas não marcam época; trabalhos marcam época, meu irmão. A moça é alva e pura como leite, numa lata de Leite Moça, como numa Evita Perón, com cara de santa, uma mulher perniciosa, que fazia questão de adquirir inimigos, comprando briga com a aristocracia rural argentina, imitando o estilo das damas aristocráticas e, ainda assim, odiando estas, numa relação de amor e ódio, com dois lados para cada moeda. A moça aqui parece estar lactante, como nas amas de leite negras amamentando os filhos ricos das elites, no termo “mãe preta”, em mulheres negras que aceitaram encarnar em tal posição social vulnerável, num espírito o qual, em uma encarnação tão dura, encontra meios para passar por um crescimento espiritual enorme, pois crescer é o sentido da Vida.

 


Acima, Algas e Bonifácio. O instrumento musical traz uma ironia de metalinguagem, pois é arte falando de arte, ou seja, Pintura falando de Música. Aqui é um momento de descanso, e os dois olham para o vazio, como uma pessoa sem raízes ou metas, talvez numa vida indolente, sem propósito. O mar ao fundo é a imensidão, nas vastidões oceânicas, na água que cobre a maior parte do globo, no termo irônico de um certo programa televisivo: “Planeta Água”, mostrando aspectos de seres aquáticos. Os tecidos que cobrem a moça são finos, aristocráticos, de uma classe social privilegiada, numa vida de privilégios, como vi certa vez numa boate uma moça prostituta que se esforçava para parecer que era uma moça de tal classe social abastada, inclusive uma prosti linda, deslumbrante, mais bela do que qualquer moça da família dentro de tal boate, no paradoxo dos EUA, o qual, por um lado, é um país que dá liberdade ao cidadão, mas num país em que o cidadão não pode se prostituir, ou seja, de um certo modo, o corpo do cidadão americano pertence ao Estado. O cabelo da moça é negro como a asa da graúna, evocando aqui Iracema, com cabelos negros, profundos, misteriosos, numa imprevisibilidade, em algo que não pode ser previsto, como uma amiga minha que me tirou as cartas de tarô, prevendo coisas da minha vida, mas, é claro, sem saber exatamente como tais coisas aconteceriam, no modo como o tarô só pode ser tirado para você por alguém que conhece você profundamente, pois se o vidente for um estranho, as previsões serão abrangentes demais. O copo jogado é um acidente, um ocaso, como num brutal acidente de carro que sofri com minha família, ao ponto de acionar os airbags, num momento de ruptura violenta, numa viagem que parecia transcorrer tranquilamente, mas numa batida poderosa e súbita, foda, com o perdão do termo chulo, num momento de susto muito grande, com minha pobre mãe fraturando cinco costelas, sendo a que mais se machucou no acidente, com perda total do carro, no fato lamentável de que acidentes automobilísticos são comuns. Vemos flores jogadas, talvez num presente do rapaz apaixonado, nos versos de uma canção pop: “Rosas são o caminho para o teu coração, mas o homem precisa começar pela tua cabeça!”, no modo como o coração pode ser traiçoeiro, pregando peças em nós, como num filme romântico com Gwyneth Paltrow, em que esta interpreta uma moça rica que desafia um rapaz pobre a ser digno dela, nas recomendações sábias de uma certa psiquiatra: Não ouça o coração! É a finalidade do psicoterapeuta em nos mostrar as coisas do modo mais frio possível. Podemos aqui ouvir o som do oceano, num som tão acalentador, como eu em noites no balneário gaúcho de Capão da Canoa, indo dormir ouvindo o som do Mar, a Mãe, a Iemanjá guiando barcos pesqueiros, no orixá mais pop de todos, havendo em tal praia uma imagem da deusa, recebendo oferendas de devotos, numa roupagem de Nossa Senhora de Navegantes, na universalidade das deusas femininas, na força da mulher, do feminino, como eleger uma Rainha da Festa da Uva, uma moça a qual, para marcar muito bem o seu próprio reinado, tem que ter alma de diva, de deusa, como na Rainha Odila Zatti no ano de 1934, com ares de diva de Cinema Mudo, inspirando a comunidade a se unir em tal manifestação de Cultura Popular Brasileira que é a Festa da Uva. A moça pálida é o destaque do quadro, e o rapaz está meio obscuro, coadjuvante, como no clipe ótimo de Too Funky, de George Michael, quando este é um discreto cinegrafista que filma modelos deslumbrantes numa passarela, em modelos tão icônicas como Linda Evangelista, com ares de diva de Cinema. Aqui há um certo desencontro, pois o casal não parece estar envolvido, sem abraços, num momento monótono, de distração, talvez num relacionamento em que o sexo não é lá muito gostoso, como na personagem Dona Flor, com o homem do dinheiro e o homem do pau, com o perdão do termo chulo, como mulheres que levam vida dupla, tendo um amante, no modo como é triste uma pessoa que leva vida dupla, pois é uma pessoa que está “em cima de um muro”: Nem 100% feliz aqui, nem 100% feliz lá.

 

Referências bibliográficas:

 

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.

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