quarta-feira, 8 de maio de 2024

Depois de Desportes (Parte 7 de 7)

 

 

Falo pela sétima e última vez sobre o pintor francês Alexandre-François Desportes. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A caça ao lobo (1). Os cães aqui têm um diferencial, que é a coleira, um sinal civilizatório, ao contrário do lobo selvagem, sem coleira, nos caprichos evolutivos que transformaram lobos em dóceis cãezinhos de estimação, no modo como eu, particularmente, não tenho pets, apesar destes serem fiéis companheiros. Aqui é como um bando de leões atacando um cervo ou algum outro herbívoro de grande porte, sem chance para a presa de se defender, nas regras na Natureza, algo que parece ser cruel, mas é a lei da selva, numa memória de infância que tenho, numa ovelha sendo abatida a golpes impiedosos de facão, com o bicho agonizando até o último suspiro, como se estivesse lutando pela vida, como numa Gisele antes de se tornar monstro estelar, uma Gisele que pensava em largar tudo e voltar para pacata cidadezinha de Horizontina, mas numa Gisele que quase podia a ouvir alguém lhe falando ao ouvido: “Não desista!”, como na estrela Alanis Morissette, a qual, antes de obter um sucesso magnífico como roqueira pop nos anos 1990, fracassou retumbantemente anteriormente com um álbum fracassado, nas sábias palavras de uma professora minha, a qual dizia aos alunos: “Nunca deixe o fracasso lhe subir à cabeça!”. Neste quadro não há intervenção humana alguma, num Desportes querendo retratar a Natureza nua e crua em meios aos luxos e alienações de Versalhes, como se quisesse chocar a corte, como em filmes contundentes, fortes, pesados, como no final de O Silêncio dos Inocentes, quando saímos do cinema de coração pesado, ao pensar que o diabólico Hannibal Lecter está solto por aí, fazendo suas maldades cruéis sociopáticas, num conselho meu muito simples: Não se relacione com sociopatas; não os deixe chegar muito perto; não lhes dê informações pessoais. O fundo da cena é meio escuro, exatamente para retratar de forma clara a cena, nesta pincelada singular de Desportes, numa luminosidade incrível, até chegar à pincelada magistral de Cézanne, só que com as pinceladas “furiosas” deste, fazendo da Arte um corpo dinâmico em constante processo de transformação, nas leis dialéticas, nas quais tudo é processo, como no posicionamento de mercado do sabão Omo: Numa época ida, o sabão se vendia evocando a imagem da mãe e do lar perfeita, deixando as roupas impecáveis, no termo machista “bela, recatada e do lar”; hoje, o Omo está se reposicionando, mostrando homens e mulheres dividindo as tarefas dentro de casa, num sinal dos tempos... O feroz lobo aqui lutará até o último momento, sem sentir pena de si mesmo, como uma publicitária que conheço, a qual já passou por muitas, muitas coisas, uma guerreira, que sabe que tem que batalhar para conseguir as coisas na Vida, uma mulher forte, que não tem medo de pegar o escudo e a lança e ir à luta, ao contrário de outra pessoa que conheço, a qual se perdeu na Vida, abandonando o curso de Direito na UFRGS e nada fazendo no lugar, numa vida improdutiva e desinteressante, como um certo senhor que é o herdeiro de uma coroa imperial, o qual passou a vida “deitado eternamente em berço esplêndido”, sem fazer qualquer trabalho, e não é desinteressante a pessoa que nada faz? Aqui é a natural agressividade do Mundo, na competitividade mundana, como no famoso touro de Wall Street, com os testículos de coragem, agressivo, competitivo, como um senhor psiquiatra que conheço, o qual abriu uma clínica psiquiátrica extremamente diferenciada, entrando no mercado de forma competitiva, um senhor que me disse que eu tinha que desenvolver agressividade, e este senhor estava certo, como uma certa popstar, uma mulher que definitivamente entende a necessidade de desenvolver tal espírito competitivo, olímpico. Aqui podemos ouvir os rosnados da cena, numa fúria, na luta pelo alimento, ao contrário do pacato herbívoro, alimentando-se de folhas e ervas, remetendo à figura altamente agressiva do Tiranossauro Rex, na cena inesquecível de Parque dos Dinossauros, quando o monstro planeja devorar uma família inteira de humanos, em talentos como Spielberg, um homem dotado de genialidade, agressivo a seu próprio modo, sabendo que, se quiser obter sucesso na selva hollywoodiana, tem que fazer coisas competentemente.

 


Acima, A caça ao lobo (2). Aqui temos um movimento de perseguição, e o lobo corre para se salvar, na luta pela Vida, como uma pessoa que sabe que tem que lutar pela Vida, ao contrário de uma pessoa que conheço, uma pessoa inteligente e sofisticada, mas uma pessoa que se tornou uma mera dondoca, deitada nos louros da pensão do marido divorciado, vivendo uma vida improdutiva, sem fazer coisa alguma, e isso não é bom, pois se até Tao trabalha, por que não devo trabalhar também? É como uma pessoa improdutiva que fica dentro de casa o dia inteiro perguntando-se: “Por que será que nada acontece em minha vida?”. Nas sábias palavras de Tom Cruise: “Tenho que mostrar algo”, um astro que é uma das provas de que ninguém está por cima o tempo todo, num Tom que lançou tanto sucessos como fracassos, numa força que a pessoa tem que ter para continuar tocando a Vida para frente, no termo em Inglês move on, ou seja, siga em frente. Aqui é um Desportes competitivo, sabendo que tem que ser muito competente se quiser se destacar e obter sucesso, resultando em lugares fabulosos como o Louvre, uma museu pornograficamente grande, riquíssimo, como no slogan de um certo estúdio tradicional de Hollywood: “Um legado de excelência”, numa empresa que compreende que tem que merecer o sucesso, ao contrário de pessoas microscópicas, as quais acham que seus respectivos insucessos são culpa do Mundo, como uma certa cantora, a qual já teve muitas chances, já tendo lançado muitos álbuns, mas nunca deslanchou muito bem, uma cantora que, apesar de ter voz boa, é uma ameba, sinto em dizer, ao contrário de uma voz medíocre como a de Madonna, estrela é digna de arrastar dois milhões de pessoas para a praia de Copacabana – é um mistério. Aqui é como uma cena de assédio, como presenciei certa vez num shopping chic de Porto Alegre, quando por ali passeava, discretamente, o grande escritor Luis Fernando Verissimo – eu o respeitei e deixei-lhe passar em paz; já, outras pessoas não, assediando o pobre homem, solicitando tirar selfies com este, como se este fosse um bicho numa jaula de zoológico, como uma certa atriz estelar que conheci, a qual me disse de sua noitada numa casa noturna: “Passei a noite inteira dando autógrafos!”, no lado B da fama, a qual pode ser uma prisão. Nesta cena temos muito movimento, como se Desportes previsse o surgimento do Cinema, o qual começou como mera distração e acabou se tornando forma de Arte, fazendo da Arte algo que nos faz tão humanos, como nas pinturas rupestres, na incapacidade de um macaco em pegar uma caneta e escrever algo. Aqui são como policiais perseguindo um bandido, como num Eike Batista fugindo para o Exterior, nas sábias palavras de uma certa senhora: “Quem faz tudo certinho não fica rico!”. É como num cerco policial em busca de um infrator, num jogo de caça, de bandido versus mocinho, como num certo game da era Atari, num policial perseguindo um ladrão pelos corredores de um prédio, como uma tiete obsessiva no ídolo, na morte da cantora Selena, assassinada pela presidente do fã clube de tal cantora, em pessoas que não podem simplesmente sair na Rua, como num Michael Jackson, prisioneiro de si mesmo, sem poder sair em espaços públicos de qualquer, qualquer lugar sobre a face da Terra, uma condição que deve ter inspirado o arrebatador clipe Scream, no qual o astro vive numa espaçonave acima da Terra, num dos clipes mais caros de toda a História da Indústria Fonográfica Mundial, em luxos de certos artistas, em investimento buscando retorno numa galinha de ovos de ouro. Aqui é como fãs seguindo um artista no Twitter, como em Britney Spears na sua conta na rede social, dizendo ter ido a um lugar humilhante, que foi uma clínica psiquiátrica, no surto psicótico público que a estrela teve, sendo BS outro mistério, numa voz medíocre que brilha mais do que vozes avassaladores como a de Christina Aguilera. O pano de fundo aqui é a França silvestre, nos reinos vastos do rei sol, como nas terras majestosas da obra de Tolkien, numa Terra Média linda, vasta, cheia de altivos reinos, com reis digníssimos, num escritor britânico muito influenciado pela Monarquia Inglesa.

 


Acima, A caça ao cervo. Aqui remete a uma metáfora no filmão A Rainha, quando a monarca Elizabeth II, a sós, chora pela morte de Diana, num momento de altíssima privacidade, e, em tal cena, ao ar livre, a rainha vê um belo cervo, majestoso, ornado de seus chifres belos, lindo como a linda estrela que foi Diana, com a rainha dizendo ao cervo: “Você uma beleza!”. Aqui é como um assédio de tietes, como paparazzi, como insetos ao redor de uma lâmpada acesa, num fã clube numeroso, em píncaros de popularidade, em um certo clipe de Whitney Houston com mais de um bilhão de acessos no Youtube – isto mesmo, bilhão com B de bola, em píncaros de popularidade, como numa Gisele, mantendo-se humilde, trabalhando, como num Senna, o qual nunca deixou que o sucesso subisse à cabeça, pois se você quer conhecer alguém, dê a este um pouco de sucesso, no modo como o sucesso é um problema, pois quando o sucesso vem, tenho que saber sobreviver a ele, e os exemplos são vastos, como num Michael Jackson, passando o resto da Vida tentando sobreviver ao sucesso do megaálbum Thriller, no perigoso caminho da arrogância, a qual precede a queda, visto que os humildes não “quebram” a própria cara. Aqui vemos uma covardia, com seis contra um, como assaltantes que roubam vulneráveis e frágeis mulheres na Rua, como um assaltante abordou uma senhora que conheço, a qual foi ameaçada com uma faca, com o sociopata dizendo: “Dê-me a bolsa ou leve uma facada!”, em espíritos toscos, de pouco apuro moral, numa pessoa que sofre, numa pessoa que não tem como estar numa boa com o Mundo que o cerca, no caminho do Umbral, a dimensão da  loucura, como um prisioneiro para o qual chega o dia da soltura, e, mesmo assim, tal prisioneiro não quer sair da prisão – é a loucura. Aqui é como uma ninfa assediada, como num assédio sexual coletivo, em horríveis atos de estupro coletivo, como num filme dom Jodie Foster, numa moça que é estuprada por vários homens, neste grande talento que é tal atriz, respeitada por toda a Hollywood, no caminho da felicidade, que é obter o respeito do Mundo, numa pessoa que se deu conta de que tem que ser digna e merecedora de tal respeito, em ícones como Meryl Streep, respeitadíssima e consagradíssima, desrespeitada por Donald Trump, o homem que enraiveceu uma turba para invadir o Congresso dos EUA, em cenas de tentativa de golpe de estado, como aconteceu no Brasil, havendo uma pesquisa de opinião em que dez por cento dos brasileiro apoiam o que aconteceu no oito de janeiro, e um em cada dez é muita , muita coisa, na mensagem taoista de luz: A paz é maior do que a raiva, havendo tal paz inabalável no Plano Metafísico, muita paz, uma delícia de paz, em cidades plácidas e parques quietos e silenciosos, no personagem Neo de Matrix, querendo, acima de tudo, paz, num Jesus Cristo que sempre primou pela paz, num homem cujo pensamento dividiu a História da Humanidade entre antes e depois, no fato de que ninguém muda o Mundo, mas numa pessoa que pode ser uma figura na qual as pessoas possam depositar suas esperanças, em grandes homens como Obama, carismático, governando para todos, ao contrário dos líderes déspotas, os quais não veem outra alternativa senão a guerra, as quais deixam rastros de fome e destruição, na “beleza” das guerras, deixando rastros de máculas cruéis. Os cães aqui se destacam mais do que o cervo, como se este preferisse um papel mais discreto, coadjuvante, numa pessoa subestimada, a qual vale mais do que parece, como numa mulher baixinha ao lado do marido alto, fazendo este se sobressair, na sabedoria popular de que por trás de um grande homem existe uma grande mulher. Aqui são essas paisagens campestres de Desportes, num reino plácido e belo, saudável, com ar puro, fazendo metáfora com o que Jesus chamou de Reino dos Céus, o plano em que permanece a necessidade de nos mantermos ativos e operantes, no Éden para quem gosta de trabalhar e estudar, ou seja, produzir.

 


Acima, Alegoria da Ásia. Aqui remete a um senhor que conheço, o qual organiza decorações de festas de casamento, inclusive uma pessoa muito talentosa, de bom gosto, fazendo festas de “cair o queixo”, numa pessoa competitiva, que sabe que tem que se diferenciar e esforçar-se se quiser obter reconhecimento e respeito, no caminho que diferencia profissional de amador. Aqui é o fascínio que a exótica e distante Índia exerceu sobre a Europa, com deliciosas especiarias atravessando oceanos e chegando às mesas do ricos e monarcas, em temperos mágicos como a Canela, dando todo um tom diferente às comidas europeias, no modo como os temperos hoje estão nos quatro cantos do Mundo, em maravilhosos programas televisivos de Culinária, na universalidade da Gastronomia, no modo como a pizza italiana e o sushi japonês ganharam o Mundo, no modo como nossos estômagos nos mantém unidos, assim como o café brasileiro ganhou as mais sofisticadas cafeterias parisienses, resultando no quadro tenebroso de escravatura, nessa especialidade humana que é a crueldade, trancando seres humanos em senzalas duras como canis, tudo em nome da ganância dos barões do café, num quadro similar ao dos EUA, numa sociedade marcada por décadas de escravidão, com tensões raciais que ocorrem até hoje, em filmes contundentes como Crash, mostrando os abismos raciais em terras tão democráticas como os EUA, numa país em que, geralmente, negro tem filho com negra e branco tem filho com branca, diferentemente do Brasil, no qual existe uma profunda miscigenação, na terras dos pardos e mulatos, no modo como a miscigenação pode ser algo tão belo, como na chef americana Molly, a qual tem sangue judeu com sangue oriental. Aqui é um colorido cenário de festa, como nos coloridos e imponentes lustres de cristal do tradicional clube portoalegrense Juvenil, com as multicores deslumbrando nossos olhos, em magias como a do arco-íris, no modo como, na crença espírita, existe sobre certa região do Brasil uma colônia espiritual chamada Arcoíris, num símbolo da luta gay pela dignidade, num país tão inclemente como o Catar, no qual certos brasileiros, em dias de Copa do Mundo, foram proibidos pelos policiais de portar uma bandeira estadual brasileira, a qual continha um inocente arco-íris, num Catar onde as mulheres são seres de segunda categoria – é um horror, com irmão maltratando irmão, na ignorância de quem não tem a informação de que somos todos filhotes do mesmo ninho, nos incessantes esforços do padre no sermão para sempre renovar a mensagem de que somos irmãos, na questão dos anjos, os espíritos felizes desencarnados, batendo suas asas de liberdade deliciosa, anjos que não têm sexo, classe social, cor etc., no caminho democrático das urnas de votação, frente às quais somos iguais, extremamente iguais, no modo como hoje vivemos o auge do paradigma democrático, quando não se imagina forma de governo mais pertinente e gloriosa. As flores são a força e a beleza, decorando bosques, como nas azaleias invernais, prenunciando a Primavera, no modo como as crises são positivas, pois estas anunciam um momento de renovação na vida da pessoa em crise – não tenha medo das vicissitudes, pois só os desafios fazem com que a pessoa cresça como espírito, no caminho incessante de crescimento, no preceito dialético de que tudo é processo, na perspectiva da Vida Eterna, no poderosíssimo fato de que jamais findaremos, como um móvel de madeira nobre, resistindo à passagem do tempo, na dimensão onde não há tempo, mas juventude eterna e produtividade incessante. Aqui é o mito do europeu em relação a tais terras exóticas, com uma natureza perfeita, em harmonia, onde ninguém quer devorar ninguém, numa paz de convivência, como no mito na cabeça do imigrante italiano, o qual achava que a Serra Gaúcha era um Éden onde a vida seria facílima, num ledo engano, num colono que encarava uma vida duríssima, de labor de Sol a Sol. Aqui temos uma bela biodiversidade, colorida, num Darwin ávido por catalogar todas as formas de Vida, nos apelos de ecologistas para que não esbanjemos os limitados recursos hídricos naturais – a Terra é nossa única morada!

 


Acima, Animais, flores e frutas (1). Aqui temos um contraste entre vida e morte. O coelho caído é a rendição, numa pessoa que não resiste, seduzida, no eterno jogo de sedução entre Yin e Yang, pois tudo traz em si sua própria contradição, no casamento entre razão e loucura, na metáfora das duas faces da moeda, como no trabalho de xilogravura, no jogo barroco entre claro e escuro, no desafio para o artista, sem perder a concentração, num jogo que pode pregar peças, como numa Agatha Christie, pregando peças na cabeça do leitor, desafiando este a adivinhar quem é o assassino e o porquê do homicídio, sendo uma mulher um dos maiores escritores da História do Homo Sapiens, tudo em meio a este mundo patriarcal no qual vivemos, na imagem que temos de Deus, a de um patriarca, como nos patriarcas bíblicos, nos patriarcas que mantêm uma família unida, senhores que, ao morrer, fazem com que a família sofra uma considerável ruptura, como na matriarca de A Época da Inocência, centrando sua vida na família, numa mulher objetivada, focada, certeira, ao contrário da prima sensível, daquelas pessoas que estão perdidas, deprimidas, sem ver sentido na Vida, como no patinho feio atravessando melancolicamente o lago escuro, chegando a um ponto de conclusão e superação, entendendo que jamais fora pato, e sim um cisne belíssimo, na questão da pessoa se encontrar consigo mesma, como um amigo meu do Ensino Fundamental, o qual se tornou padre para saber qual é o seu lugar no Mundo, numa escolha de carreira, de trabalho, numa pessoa que fez uma escolha e abraça tais consequências, no modo como é difícil que uma pessoa, ainda em fins de Adolescência, tenha que fazer uma escolha de curso universitário, uma pessoa ainda imatura, com muita vida pela frente, como um amigo meu, o qual iniciou o curso de Medicina mas largou tudo para fazer Jornalismo, no caminho da felicidade, numa pessoa que não mais permite que o Mundo a diga como viver. O vaso aqui é luxuoso, digno de jardins de reis, no momento de Revolução Francesa, num contraste pornográfico entre o estilo de vida do rei e o estilo de vida do súdito plebeu. Este vaso é como num filme da franquia Indiana Jones, no qual um cálice tem que ser escolhido como o cálice de Jesus na Santa Ceia, e o cálice correto é o menos luxuoso e o mais simples de todos, o cálice de um filho de carpinteiro, no caminho sábio da simplicidade, pois a Vida é boa quando é simples, como na ruptura em Cidadão Kane, num menininho que estava feliz e contente com seu trenó Rosebud, num menino arrancado de sua vida pacata, num trauma, num homem que, no leito de morte, pronunciou o nome de seu amado trenó, na simplicidade da Infância, sem os critérios e exigências dos adultos. As frutas aqui são frescas, doces e suculentas, em frutas mágicas como o manga, da exótica Índia, seduzindo o Mundo, com mangueiras sendo plantadas no Brasil, em delícias como uma mousse de manga com leite condensado, nessa grande invenção de Tao que são as frutas, num Tao tão vasto, infinito, fazendo do Cosmos uma sopa infindável de galáxias, na máxima islâmica de que Ala é grande, como no final do filme ótimo Dogma, quando Deus, personificado em uma mulher – sim, isso mesmo, Deus como uma mulher, num aspecto antipatriarcal – , é questionado o porquê de tanta vastidão, num Ser Humano ainda aquém de compreender isto tudo, num LONGO caminho de crescimento e depuração, na força eterna da verdade, no laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao enlaçar alguém, faz com que este diga somente a verdade. O cão branco é a pureza de intenções, como num amigo transparente e autêntico, aqueles amigões irmãos que levamos para o resto de nossas vidas, amigos com os quais nos encontramos no glorioso Plano Metafísico, no eterno retorno ao Lar Primordial, no feto ao final de 2001, voltando para o Ventre Sacro de Nossa Senhora – sim, tenho um lado católico. Aqui as coisas estão jogas casualmente, ao acaso, como se Desportes soubesse que almejar a perfeição é inútil, no eterno caminho de aprendizado.

 


Acima, Animais, flores e frutas (2). Aqui é uma ironia de metalinguagem, sendo césar falando de césar, ou seja, arte falando de arte, quando na arte do pincel de Desportes retrata a arte da Música, com o instrumento musical e a partitura, remetendo às aulas de violão que tive quando criança, em talentos esmagadores como Yamandu Costa, um monstro ao violão, em talentos que não podem ser ignorados, como uma monstruosa Elis Regina, nas inevitáveis comparações com a filha Maria Rita, a qual, apesar de não ser tão monstruosa como a mãe, é uma cantora competente, afinadinha, numa voz que não pode ser jogada fora, no modo como não deve ser fácil ser de filho de tais mitos. O pavão aqui é a majestade da beleza da Natureza, em bichos tão majestosos e altivos como o cavalo, no majestoso cavalo Scadufax de Tolkien, num símbolo de elegância e força, num bicho que pode ser perigoso, como no ator Christopher Reeves, o qual ficou tetraplégico após cair de um cavalo. Um furtivo macaquinho ameaça tocar um violino, no modo como a Arte é o que nos faz tão humanos, partindo da Arte Rupestre, num momento em que o Ser Humano passou a ser diferente de outros primatas, como no filme A Guerra do Fogo, com três estágios evolutivos: em primeiro lugar, símios animalescos, com o corpo coberto de pelos, num estágio animalesco, selvagem; em segundo lugar, algo melhor, com sapiens vestindo peles de animais; em terceiro lugar, o Neolítico, como em tribos indígenas, com rituais e com a autoridade altiva de um líder no grupo, numa capacidade de se pegar barro e transformar em vasos ou urnas funerárias, no hábito depurado de se sepultar os mortos, chegando ao Homo Sapiens Sapiens, sim, repetido, num ápice de depuração e polidez, na crença de que uma vida maravilhosa nos espera após nossa passagem pela Terra, num Ser Humano resultando nos píncaros evolutivos da Tecnologia Digital. Aqui é uma cena de festa, e os animais convivem em harmonia, e podemos ouvir a gritaria, como num pulsante baile de Carnaval, no momento em que o Ser Humano busca compreender a maravilha dos desencarnados, num lugar em que não mais estamos linkados a nossos problemas de encarnados, como doenças em geral, na metáfora de um filme, o Elysium, no qual havia uma máquina capaz de curar toda e qualquer doença na pessoa, no termo: “Seus problemas acabaram!”. Na cena vemos um majestoso manto, digno de rei, como na rainha má de Branca de Neve, vestindo vestes de mendiga para enganar e envenenar a mocinha da história, num estilo decorativo que remete a uma sessão de autógrafos da famosa socialite Vera Loyola, com tapetes dependurados, numa saída criativa. O cão, com a coleira, é a propriedade, pertencendo ao rei, o qual, volto a dizer, vivia encastelado com seus luxos e não previa a turba raivosa revolucionária que invadiria Versalhes, subestimando a seriedade da situação, pois o líder que se afasta de seu próprio líder deixa de ser líder, como num Romanov deposto pelos comunistas, no brutal assassinato da Família Real Russa, fuzilando crianças, nesta eterna inclinação humana em relação à crueldade. O pavão em si já é um elemento decorativo, numa memória de infância minha, quando meus coleguinhas e eu fomos a um zoológico e observamos um pavão, o qual abriu suas penas e se exibiu em toda a sua beleza, como um macho se pavoneando para conquistar uma fêmea, num cortejo da seleção natural – os não tão sedutores acabam morrendo sem deixar descendência. Ao fundo vemos aves voando, na liberdade, na liberdade dos sistemas democráticos, num cidadão que é livre para votar em quem quiser votar, em democracias como a Coreia do Sul, em violento contraste com o tenebroso governo opressor da vizinha setentrional, num líder que investe tudo em armistício e que pouco se importa com os flagelos do povo – é um horror. Aqui são as riquezas da monarquia, como numa princesa Isabel bancando o trabalho de fotógrafos, uma novidade na época, numa Isabel que se viu forçada a se exilar na Proclamação da República do Brasil, num golpe de estado.

 

Referências bibliográficas:

 

Alexandre-François Desportes. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 20 mar. 2024.

Alexandre-François Desportes. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 20 mar. 2024.

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