quarta-feira, 26 de junho de 2024

Alma de Almeida (Parte 2 de 4)

 

 

Volto a falar sobre o pintor brasileiro Almeida Júnior. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Apertar a sela. A delgada árvore ao centro é uma sustentação, como uma pessoa que está por um fio, vulnerável, mal tendo noção de sua situação, talvez subestimando a seriedade da situação. É uma magreza, um minimalismo, como nos cruéis padrões de beleza feminina, forçando a mulher as ser subnutrida, atacando em cheio a autoestima de uma mulher cuja beleza não se encaixa em padrões, como uma menina adolescente que conheci, uma vítima, sequer bebendo água, por achar que isso a inchava, tendo que se urgentemente internada numa clínica psiquiátrica para receber soro na veia – o que mais um pai ou uma mãe pode fazer num caso desses senão internar urgentemente? O cavalo aqui é a fidelidade, como um cão, num companheiro fiel, como uma pessoa solteirona que conheço, tendo dois cães, em busca de uma companhia, no modo como um rádio ligado nos dá a sensação de companhia, tudo para aplacar o doloroso sentimento de solidão, no modo como há pessoas solitárias, num estilo de vida difícil, desenvolvendo, assim, uma carência afetiva enorme, sobrecarregando relacionamentos amorosos, pois a carência destrói relacionamentos, até chegar a um ponto da pessoa não mais suportar tal penúria, como nos versos de canções de uma certa popstar, falando sobre o impacto existencial de ter se tornado mãe e matriarca, na capacidade de manter uma família coesa, como em noites de Natal – quando os patriarcas ou as matriarcas morrem, as família se desintegram, com flancos da mesma família passando a noite de Natal em lugares diferentes, o que é uma lástima, remetendo à família de meu finado cunhado, uma família muito unida, reunindo-se em ocasiões especiais. Aqui são essas cenas pacatas rurais caipiras de Almeida, deixando um pouco de lado os luxos burgueses e os cenários finos e aristocráticos, retratando pessoas simples, entalhadas na dureza da Vida, levando uma vida tão árdua, como um rapaz caminhoneiro que conheci, um homem que levava uma vida bem árdua, viajando o Brasil do Oiapoque ao Chuí, tudo para receber uns trocados no fim do mês, só podendo pagar as contas e sem poder acumular muito dinheiro, uma pessoa usava um pingente em forma de cédulas de dinheiro, com tantos e tantos milhões de brasileiros apostando na Loteria, no modo como pode ser infeliz um ganhador da Loteria, por incrível que pareça, como numa personagem do filmão O Advogado do Diabo, na personagem dizendo: “Eu achava que ter muito dinheiro era bom, mas não é!”. A casinha aqui é bem humilde, porém acolhedora, como numa casinha bem humilde de uma certa família de Capão da Canoa, num nível social em que as pessoas vivem com o mínimo de recursos, na ilusão das classes sociais, pois a nível espiritual a divisão de classes é a partir do apuro moral: Os mais depurados, finos e verdadeiros regem os menos, até chegar ao ponto de uma pessoa de bem, honesta, que quer ganhar a vida trabalhando e não roubando, como uma certa sociopata que conheci, a qual enganou muita, muita gente, num apego incrível ao mundano, ao material, em espírito infeliz que vaga pelas terras inóspitas do Umbral, a dimensão dos que não amam. Aqui remete a um documentário que vi sobre uma anônima e paupérrima localidade da zona rural de Caxias do Sul, com pessoas bem simples, vivendo com o mínimo, ou como no documentário do célebre Eduardo Coutinho, mostrando pessoas que viviam num lixão no Rio de Janeiro, num Mundo tão desigual: Uns com tanto; outros com tão pouco! Aqui é algo plácido e pacato, longe das loucuras de cidades desenvolvidas, na magia rural exercida sobre quem está acostumado com as loucuras diárias de uma cidade, como São Paulo, frenética, com levas intermináveis de motoboys indo e vindo, nas demandas de uma urbe tão desenvolvida. Aqui podemos ouvir o canto dos pássaros, que são um bálsamo para os ouvidos, e podemos ouvir o sensual farfalhar aveludado das árvores, na lástima de florestas sendo destruídas por incêndios, com o Mundo voltando os olhos para o Brasil, no problema dos garimpos ilegais, na interminável sede humana por poder, riqueza e dinheiro, na ancestral fraqueza humana perante o sedutor Anel do Poder, destruindo homens de bom caráter.

 


Acima, Paisagem no rio das pedras. Aqui é como no túnel de uma vagina, no caminho que leva ao útero de onde viemos, como no final do clássico 2001, no feto voltando ao lar primordial, no cheiro libertador de mar, no retorno que nos aguarda, no fato de que ninguém está na Terra para sempre, na imagem de libertação e esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de soltura, na ironia de que, depois de desencarnada, a pessoa se depara com o fato de que não pode ficar parada e improdutiva, tendo que arranjar algum emprego no Plano Superior, o plano maravilhoso no qual não há desemprego, na orientação que dou a qualquer pessoa desencarnada: O vida metafísica não tem enigma - vá trabalhar, meu irmão! É a pergunta que fazemos a qualquer irmão nosso lá em cima: Onde estás trabalhando? Pois até Tao trabalha! Aqui é um túnel, no termo esperançoso de “luz no fim do túnel”, numa travessia, como no Livro dos Mortos do Antigo Egito, com a pessoa passando pelo mundo dos mortos, num livro cheio de encantamentos para auxiliar o passante desencarnado, algo diferente do costume espírita, sem superstições, no hábito espírita de se rezarem orações católicas, no link que existe entre Espiritismo e Catolicismo, também num casamento com a Ciência, que é o desenvolvimento do pensamento lógico, na beleza fria dos números, o Yang, no modo como o pensamento racional serve para deixar o coração tranquilo, como num consultório de Psicoterapia, na missão do terapeuta em nos mostrar a Vida do modo mais frio possível, na imagem da águia voando alto, num símbolo da liberdade do cidadão americano, nos EUA, na contradição ianque, num país que, apesar de se dizer o paladino baluarte democrático da liberdade, proíbe o cidadão de se prostituir, ou seja, o corpo do cidadão pertence a um estado – não é um paradoxo? Aqui o córrego corre naturalmente, em processos existenciais se desenvolvendo naturalmente, no caminho natural do crescimento e da depuração, no modo como as indiscutíveis durezas da Vida vão nos fazendo pessoas melhores, com os pés no chão, vendo o Mundo sem expectativas ou filtros de idealizações, como em personagens como Oscar Schindler, crescendo, iniciando o filme como um playboyzinho fútil e acabando se compadecendo com os sofrimento do Mundo, tecendo a célebre lista que salvou vidas, num filme que tanta comoção causou no Mundo, num merecidíssimo Oscar de Melhor Filme, num trauma bélico para sempre como cicatriz da Humanidade, numa Hollywood na qual não podemos mexer com os judeus, como no caso de Mel Gibson, o qual está até hoje pagando por ter acusado os judeus de assassinar Jesus, na frivolidade do antissemitismo. As árvores aqui nos envolvem e seduzem, como na floresta mágica Lórien de Tolkien, regido pela estranha, bela e amedrontadora Galadriel, o ser mais depurado da lendária Terra Média do autor, uma personagem interpretada pela talentosa Cate Blanchet, uma atriz que nos deslumbra ao desaparecer perante os personagens que interpreta, sendo assim um bom ator, fazendo com que vejamos, na tela, somente o personagem, nunca o ator em si. Aqui sentimos aquele cheiro de mato, de natureza, num perfume rural, na sensação de liberdade de se estar na praia, um lugar tão inspirador, no sedutor e magnético vazio da orla, uma página em branco na qual podemos escrever, e assim é Tao, a folha em branco da Eternidade, este presente incrível, no fato esmagador de que jamais findaremos, uma prova do poder imensurável de Tao, na perspectiva eterna, como na eternidade dos números, na ironia de que sempre existirão números primos, não importando o quanto avancemos na escala numérica, fazendo de Tao tal senso de humor, no modo como já ouvi dizer: a gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres. Aqui é uma passagem de vida, num percurso, numa espécie de agenda programada, num percurso cujo fim é o Desencarne, fazendo com que o encarnado improdutivo se dê conta da vida vazia e desinteressante que viveu, abraçando o trabalho, talvez reencarnado num contexto mais produtivo.

 


Acima, Camponeses chamarizes. Aqui é a universalidade das divisões de trabalho, fazendo do casamento uma sociedade, numa divisão de tarefas, como em tribos amazônicas, nas quais aos homens cabe a tarefa de caça, numa atividade mais agressiva, deixando às mulheres tarefas menos agressivas, como cuidar de crianças e fazer coletas na floresta, numa tarefa análoga às compras em supermercado, na incumbência da mulher, mãe e esposa em manter a casa abastecida com compras, na responsabilidade de nada deixar faltar em casa, nas palavras de minha querida avó Carmen, mostrando-me suas velhas mãos e dizendo: “Essas mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei!”. Aqui é como na tarefa do policial militar em caçar bandidos, detectando quadrilhas e fazendo operações de busca e apreensão, numa imposição de autoridade policial, no modo como não podemos desacatar um policial, o que enquadra crime, nas hierarquias necessárias para a manutenção da ordem, havendo punições para os que desafiam tal ordem, numa ameaça: Se você não quer perder a preciosa liberdade, comporte-se! Aqui os homens estão absolutamente atentos, tensos, fazendo o mínimo de barulho para não afugentar os animais caçados, em caçadores com experiência, sabendo como caçar, sussurrando discretamente um para o outro, como atravessar um rio cautelosamente, sabendo que ali pode haver perigo. Na cena há um contraste, pois os caçadores em destaque esclarecido fazem contraste com a floresta negra, num ambiente sem luz artificial, num caçador que poucos recursos têm para saber onde pode estar o animal, como na tarefa de pesca, num pescador que tem que estar o mais quieto possível, para que, assim, a falta de trepidações na água não afugente os peixes, num trabalho de paciência e persistência. Aqui são homens simples, sem calçados nos pés, numa pobreza que Almeida tanto retrata, fascinando-se pelo povo brasileiro. Aqui os pés descalços são tal indicador de status social, com tênis sendo cobiçados bens de consumo, nos sedutores e auspiciosos apelos da Sociedade de Consumo, da qual somos escravos: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e poder adquirir um carro último tipo, como na metáfora de Matrix, um sistema opressor do qual somos escravos e prisioneiros, na Arte imitando a Vida. Aqui, o homem agachado é mais jovem, sendo o outro mais experiente e sábio. O velho pede cautela ao jovem, pois o velho já foi jovem, sabendo como a pouca idade pode trazer percalços à pessoa, na experiência da idade, na época da sabedoria do juízo e da responsabilidade, no modo como pode crescer rápido um primogênito, ajudando os pais a criar os irmãos mais novos, em pesos de responsabilidade, como um senhor que conheço, um drogado de marca maior, sinto em dizer, sem as responsabilidades de se livrar o álcool, da maconha e da cocaína, este pó maldito que tantas vidas destroça, como um senhor que conheço, o qual, por causa do pó, está condenado a passar o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica – é um horror. O idoso está pedindo cautela, como se soubesse dos ímpetos imaturos do jovem, como numa pessoa que, de tão imatura, acha que seu próprio insucesso é culpa do Mundo, trazendo aqui o lema católico da pessoa assumindo responsabilidades sobre si mesma: Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa! As mangas arregaçadas são tal dedicação ao labor, no termo “arregaçar as mangas”, como no marketing de um certo Ministro do Trabalho, o qual aparecia em público com as mangas arregaçadas de sua camisa, numa gestão federal que tanto pavor causou ao povo brasileiro. Aqui podemos ouvir os sons furtivos da mata, como grilos, e cada passo dos homens faz o mínimo de barulho, querendo, assim, não afugentar o animal caçado. Aqui é um momento máximo de dedicação e concentração, numa pessoa se doando ao labor, concentrando-se, no fato taoista de que fácil e difícil são faces do mesmo trabalho. As armas são o falo bélico, com canhões penianos destrutivos, como no déspota nortecoreano, investindo tudo em armas.

 


Acima, Cascata de Votorantin. Podemos ouvir o som poderoso da queda de água, nas forças da natureza, num surfista excitado por um mar cheio de ondas, prostrado perante um mar sem ondas, na questão do desafio, num espírito olímpico, aceitando tais desafios, querendo quebrar recordes, no modo como o Esporte produz tais ídolos, em píncaros de popularidade, como um Pelé, com um funeral digno de rei, no modo como o gênio dá a impressão de que as coisas são fáceis. Aqui é este pincel tão talentoso de Almeida, num quadro que quase é uma fotografia, num quadro cinético, com movimento, dando-nos a impressão de que estamos vendo um filme. Podemos sentir as gotículas de água batendo em nossas faces, nessa paixão de Almeida pela natureza e pelo ar livre, no cheiro de bosta campestre ao ar livre, numa deliciosa sensação de liberdade, longe das vicissitudes urbanas, trazendo uma cidade tão única como a do Rio de Janeiro, numa sedutora mescla de urbe com natureza, no estilo de vida carioca, como uma amiga carioca minha, a qual virou surfista, numa cidade digna de sediar jogos olímpicos e de receber megashows, seduzindo o Mundo com tal beleza e sensualidade, fazendo com que nós, no topo do Cristo, observemos a cidade com a sensação de que tudo está perfeito, quando o Rio é uma cidade material, ou seja, cheia de vicissitudes como criminalidade, narcotráfico, pobreza, abismos sociais, racismo etc., ou seja, fica claro que são as cidades materiais que buscam imitar a plenitude inabalável das cidades espirituais, metafísicas, e a maior prova disso são os desastres naturais que flagelam tais cidades materiais, em momentos de união e solidariedade, compadecimento, como heroicos voluntários distribuindo roupas e comida, ou ajudando a limpar casas repletas de lama residual da catástrofe gaúcha recente. A água aqui é deliciosa, e convida-nos para um mergulho, num Brasil tão repleto de belezas naturais, fascinando o Mundo com tais locais exóticos, fascinando, por exemplo, os povos escandinavos, os quais sofrem com longos e deprimentes invernos, no modo como dias ensolarados são um tanto raros na cinzenta e úmida Londres, fazendo com que o cidadão londrino seja pálido, em contraste com o Rio, com corpos bronzeados à beiramar. As águas aqui caindo são resultados, consequências, na questão de causa e efeito, de resultado. As pedras são a dureza da Vida, num Mundo duro, que acaba por ocasionar no indivíduo um crescimento espiritual enorme, e este é o sentido da Vida, depuração, tornar-se uma pessoa melhor, mais iluminada, mais caridosa e mais amorosa, no modo como o Amor é tão subestimado, quando que o Amor é a força que nos liga, fazendo de nós todos filhos do mesmo Pai, do mesmo Tao, no caminho da Eternidade, no presente perene da Vida Eterna, pois a Eternidade é a explicação lógica – nada teria sentido se a Vida acabasse no óbito do corpo físico. O dia aqui é majestoso e esplêndido, num Céu de Brigadeiro, banhando a nação brasileira com muito Sol, numa cópia do Plano Superior, onde os dias são agradáveis e as noites são amenas, sem chuva, frio ou calor extremo, num lugar tão delicioso, até chegar ao ponto da pessoa desencarnada, lá em cima, ser emoldurada por uma luz, na alegria dos que se mantém ocupados e produtivos, pois a Vida é uma miséria para os que não trabalham nem estudam, como um senhor que conheci, o qual abandonou o curso superior que cursava para nada fazer no lugar de tal faculdade, abraçando uma vida miserável e improdutiva, um senhor que se perguntava: “Por que será que nada acontece em minha vida?”. É como me disse uma sábia médium espírita: Eu até posso obter a ajuda e o respaldo de outrem, mas eu sou o protagonista de minha própria vida, e tudo em minha vida depende de mim, no caminho da responsabilidade, numa pessoa que cuida de sua própria vida. Aqui é um quadro ermo, solitário, reservado, no modo como toda pessoa precisa de alguns momentos de solidão e reserva, num caminho solitário, porém maravilhoso, como o glorioso fato de que teremos a Eternidade inteira para nos relacionarmos com nossos irmãos amigos.

 


Acima, Cena da família Adolfo Pintos. Aqui pode ter sido uma encomenda de uma família rica, num artista que teve que fazer tal trabalho para ser pago e pagar suas contas. Aqui destoa dos quadros pobres, humildes e caipiras de Almeida, e vemos uma família muito abastada, vivendo com conforto e regalias. A porta aberta é um respiro saudável, uma liberdade, uma opção, em priscas eras em que as portas de entrada das casas podiam ficar abertas e receptivas, numa cópia da sagrada vizinhança metafísica, onde há paz e respeito, sem as obsessões mundanas por dinheiro e poder, pois a hierarquia metafísica é baseada em apuro moral – os mais respeitáveis regem os menos. Os instrumentos musicais são a Arte, cujo nervo é a Vida, e temos aqui uma ironia de metalinguagem, com césar falando de césar, ou seja, a arte do pincel de Almeida falando sobre a arte musical. Aqui a prole é vasta, em épocas sem televisão, ou seja, fazendo do sexo a diversão, como nas famílias de antigamente, com muitos rebentos, ao contrário de hoje em dia, época em que os casais têm poucos filhos, muitas vezes apenas um, numa mudança cultural de comportamento. A prole aqui dos Pintos são a obra de um artista prolífico, com vasto repertório, em artistas tão prolíficos como Woody Allen, numa filmografia vasta, num gênio de um brilho muito próprio, inconfundível, tendo uma mãe que não aprova a carreira do cineasta, dizendo a este que este teria que ser farmacêutico, no espectro freudiano da figura materna, como em um certo filme de Allen, com uma mãe autoritária, que pouca opção dá ao filho, no poder catártico terapêutico da Arte, num artista que vê no labor uma válvula de escape para se expressar ao Mundo. A cena aqui é idealizada, plácida e organizada, muito, muito longe de uma casa de verdade com tantas crianças, num lar que, na realidade, era uma loucura de bagunça infantil, com crianças berrando, chorando e fazendo malcriações, bagunças, divertindo e estressando os adultos, no termo “arteiro”, para falar de crianças sapecas e indisciplinadas. Os vasos com plantas são a Vida, a força da Vida lutando para sobreviver, num Deus que quer nos ver lutando e batalhando, no modo como a pessoa desencarnada observa que o Céu não são anjinhos dourados tocando harpas de louvor, na divertida crônica do genial Luis Fernando Verissimo: “Imagine você morrer, ir ao Céu e só ver louva-a-deus, pisar em louva-a-deus, respirar louva-a-deus”, num escritor que é uma pessoa tão discreta e pacata, numa caneta talentosa, que se expressa com extrema clareza, como num pincel de Botticelli, mostrando cenas da forma mais clara possível, simples, limpo, nas palavras sábias de da Vinci: “A simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação”, como uma Jackie O., passeando sozinha pelas ruas de Nova York, uma mulher chic, simples, com sua bolsa e seus óculos escuros, no arquétipo insuperável de primeira dama americana, deixando no chinelo uma certa senhora, cujo nome não mencionarei. Nesta cena tão plácida e irreal, o patriarca faz uma tranquila leitura, concentrado em tal silêncio apolíneo, num silêncio de biblioteca, no divertido episódio em que Mr. Bean entra numa biblioteca, nesse talento tão único como Rowan Atkinson, um maravilhoso palhaço, imitado por um artista cômico do emblemático e deslumbrante Cirque Du Soleil, cuja apresentação tive o privilégio de ver em Porto Alegre, numa técnica impecável dos artistas, no caminho disciplinado do treino, remetendo a uma professor de balé que conheci, duríssima em relação a disciplina. A mãe aqui é zelosa e paciente, ensinando a filhinha a costurar, num trabalho machista, da mulher condenada aos trabalhos domésticos, num preconceito que começa muito cedo, com a menininha ganhando de brinquedo um bebê boneco, treinando a mulher para o trabalho machista de bela, recatada e do lar, enfurecendo as feministas, as quais pensam contra o vento da sociedade patriarcal, na imagem que temos de Deus, um patriarca de brancas barbas. Aqui, um filho mais velho cuida do irmão bebê, num peso de responsabilidade.

 


Acima, Estudo para a partida. Podemos ouvir o burburinho, numa cena de comoção, nos homens se despedindo de suas famílias, como no naufrágio do Titanic, com os homens deixando que mulheres e crianças embarcassem nos botes salva vidas, no modo como Jack deu a vida para salvar a de Rose, num filme que tanta comoção causou, emocionante, num manifesto antiinsesibilidade burguesa. Os barcos são como o corpo físico é um barco habitado por um espírito, num momento de libertação quando o barco fica para trás e só a mente sobrevive, fazendo metáfora com o Telefone, num vínculo limpo, espiritual, sem algo de físico, no modo como tudo se resume ao psíquico, e tudo se converte em amizade, quando um casal, ao desencarnar, perde o vínculo matrimonial mundano, ficando amigos um do outro, nas famosas palavras do padre ao púlpito: “Até que a morte os separe!”. Aqui é um mundo de homens, com os homens assumindo as responsabilidades e as importâncias, num mundo de homens, no homem sempre num nível acima das mulheres, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas, numa mulher que faz questão de viver na sombra de um homem, como se fosse um instinto evolutivo, no modo como a Evolução entalhou a mulher do instinto materno protetivo, no instinto de proteção que qualquer mulher tem com o filho, no instinto de fêmea, como certa vez uma ave quero quero fêmea quase me arrancou os olhos por eu me aproximar do ninho com os filhotes, no modo como eu mesmo já provoquei mães no instinto destas, resultando numa história triste que conheço, numa filha que simplesmente proibiu, por meio judicial, que a senhora sua mãe pudesse ver o neto desta, numa mãe cujas puras intenções são proteger, nas palavras de uma certa matriarca: “Não sei do que sou capaz para proteger um filho meu!”. A areia é uma divisão, uma separação e um abismo, como no abismo psíquico que existe uma pessoa de bem e um sociopata, no modo como uma pessoa de bom coração, quando erra, não o faz propositalmente, na sabedoria popular de que o caminho para o Inferno é pautado de boas intenções, no ponto da pessoa aprender a ouvir mais a cabeça do que o coração, pois este pode ser traiçoeiro, enganador, ilusório, como eu em meu último ano de faculdade, num momento em que eu estava farto de aulas, professores e trabalhos, com o meu coração me dizendo para dar um tempo e me formar um tempo depois, mas com minha mente me dizendo para me formar de uma vez, e ouvi a mente, endurecendo o coração, como numa proposta de casamento, a qual tem que ser sólida e pés no chão, pois lençóis de cetim são muito românticos, mas a Vida não é só cama. O mar aqui é a vastidão do Cosmos, numa sopa infindável de galáxias, num Universo que, de tão grande, é infinito, na máxima islâmica de que Alá é grande, na intercomunicação entre diferentes religiões, na universalidade do Ser Humano e da condição humana encarnando na Terra, no modo como os japoneses podem ser tão parecidos conosco, os ocidentais. Aqui é como a partida de imigrantes italianos rumo ao Brasil, em sonhos de sucesso e fortuna, num colono que se deparava com uma vida tão árdua, em mãos calejadas pelo árduo trabalho rural, como no célebre quadro do pintor Pedro Weingärtner, com o casal de colonos num descanso do exaustivo trabalho rural, na mulher olhando para os próprios calos, querendo ter mãos de dama, sem calos, como nos sonhos da sensível Teresa em O Quatrilho, sonhando com uma vida urbana, agitada e sofisticada, com ruas movimentadas, teatros e cafés, numa Teresa que pouco se identificava com a árdua vida campesina que levava, apaixonando-se por um homem sofisticado que simbolizava e vida que Teresa queria ter. Aqui é o ímpeto europeu embarcando em naus e desbravando as Américas, como na corrida armamentista da Guerra Fria, numa época em que o Comunismo assustava o mundo capitalista, resultando num inevitável golpe de estado no Brasil, numa Casa Branca que se tranquilizou com tal golpe, na garantia de que o Brasil não se tornaria uma república socialista.

 

Referências bibliográficas:

 

Almeida Júnior. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 12 jun. 2024.

Almeida Júnior. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 jun. 2024.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Alma de Almeida (Parte 1 de 4)

 

 

Almeida Júnior (1850 – 1899) retratou a vida regionalista e caipira, sendo pintor reconhecido ainda em vida. É homenageado pelo Dia do Artista Plástico Brasileiro, comemorado no mesmo dia do aniversário de Almeida – 8 de maio. Teve um fim de vida trágico – morreu em crime passional. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Judas se arrepende. Aqui é o peso da culpa, no termo católico na missa: Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa! Na questão de que cada um está em controle de sua própria vida, no ponto em que não posso deixar que o Mundo mande em minha vida, pois que vida é esta na qual sou prisioneiro das expectativas de outrem? Não devo mostrar ao Mundo o dedo do meio? É como um amigo meu, o qual se viu pressionado a cursar Medicina, num ponto em que este amigo largou o curso e foi ser feliz, ingressando no curso de Jornalismo – vá se foder, com o perdão do termo chulo. As sandálias aqui são a humildade, pois quanto mais arrogante eu for, mais eu vou cair e tombar, no fato de que a arrogância precede a queda, pois os humildes não quebram a própria cara e vão longe, fazendo-me lembrar de um certo rapaz, um ator comediante de claro talento, mas o qual acabou perecendo por não ter sido muito humilde, na humildade de um gênio como Chico Anysio, o qual trabalhou até o fim da vida, construindo uma monumental galeria de personagens, remetendo a um certo cantor americano, o qual, com uma poderosa e talentosa voz, pereceu, provavelmente porque embarcou numas de “sou perfeito, sou o magistral, sou o fodão”, com o perdão do termo chulo. O dinheiro jogado no chão é a infelicidade de quem só quer ganhar dinheiro, na figura do traficante de drogas, o qual só quer ganhar dinheiro, pouquíssimo se importando com as vidas, famílias e casamentos destruídos pela droga, num espírito infeliz, o qual, ao desencarnar, deparar-se-á com o vazio da vida que levou na Terra, desejando reencarnar para reparar os erros, na eterna paciência de Deus, o qual sempre nos dará uma nova oportunidade, no caminho lógico da Eternidade, pois, sem esta, a vida não teria sentido, no modo como os cientistas não entendem a questão da fé, havendo na Ciência este ponto final da morte do corpo físico, no discernimento taoista: Se o seu corpo físico morrer, não tem problema, num livro o qual, apesar de ter sido escrito há milênios, permanece, em pleno século XXI, extremamente atual e contemporâneo, num escritor que foi tão feliz, gerando todo um ramo religioso filosofal, na universalidade da espiritualidade humana, no modo como eu mesmo faço meu próprio amálgama, misturando Catolicismo, Psiquiatria, Taoismo e Espiritismo, no modo como não preciso viajar pelo Mundo inteiro para conhecer o Ser Humano. Neste quadro de prostração, o dinheiro está jogado fora, pois pouco vale frente à traição de Judas, na tentação do Anel do Poder de Tolkien, destroçando caráteres e almas, transformando em infeliz um homem basicamente bom, como no fascinante personagem Gollum, um ser que era primordialmente bom, mas que foi definitivamente seduzido pelo Anel, como uma pessoa seduzida pelos ares pestilentos de um submundo, perdendo contato com algo importantíssimo, que é o Senso Comum. Ao fundo no quadro vemos as infames cruzes de crucificação, num Judas se dando conta do que fez, tendo que encarar tal culpa, pois o importante é que a pessoa se arrependa e tenha a vontade de reparar o erro, pois quando tenho a vontade de passar uma borracha em meus erros, é porque aprendi a lição. A luz entra no quadro esclarecendo a cabeça de Judas, num estado de consciência, de lucidez, rejeitando o dinheiro mundano e atendo-se ao espiritual, ao essencial, escondendo-se do Mundo numa pudica reclusão, num pudor, carregando para sempre tal peso de culpa. Aqui é uma pessoa que sabe que não está tudo bem, bem pelo contrário, está tudo mal, num homem que entra para a História como a fraqueza do Ser Humano perante poder e dinheiro, na obsessão mundana de se obter dinheiro, no desesperado tráfico de drogas, como um senhor que conheço, o qual se perdeu nas drogas, condenado a passar o resto de suas décadas de vida numa clínica psiquiatra, ou seja, prisão perpétua, numa vida destroçada sem qualquer perspectiva de reconstrução.

 


Acima, Paisagem fluvial. Aqui é o curso natural das coisas, da vida, no processo de crescimento, na criança se tornando adulta, nesta coisa maravilhosa que é a chegada da maturidade e da sabedoria, da responsabilidade, do juízo, no modo como não é bom ser jovem demais, num jovem irresponsável e inconsequente, guiando um veículo automotor sem ter uma habilitação de motorista, nas palavras de um certa popstar, a qual, na casa do 40, diz-se muito tola na casa dos 20. Aqui é uma cena rural tão quieta e plácida, e podemos ouvir o som dos pássaros, neste bálsamo para os ouvidos que é um canto de pássaro, no modo como a exótica biodiversidade das Américas fascinou a Europa Renascentista, num momento em que a Humanidade experimentava progressos, como nas Navegações, com potências competindo pelo poder sobre tais terras devolutas cheias de indígenas canibais, em choques de civilizações, como a Coroa Espanhola destroçando os povos pré colombianos, como na exploração inglesa sobre as riquezas naturais africanas: Como são ricos, e roubaram tudo dos pobres! O rio aqui é um espelho, como na Ana Terra de Verissimo, olhando-se na água como um espelho, na história sexy de Ana apaixonando-se por um indígena gaúcho, com o pai da moça indo matar o pai da criança no ventre da filha, num ícone tão poderoso como Verissimo, remetendo à majestosa série televisiva de O Tempo e o Vento, na abertura da série com a canção Passarinho de Tom Jobim, na nata da Cultura Brasileira, num Brasil tão rico nesse sentido, tão peculiar, como nos tesouros da MPB, em deuses sagrados como Elis e Marisa, marcando gerações, na vitória da sutileza fina e inteligente sobe as sombras grosseiras do mundano, como na sutileza do manifesto político em Águas de Março e O Bêbado e a Equilibrista, num Brasil se reabrindo com exilados repatriados, no modo como minha geração pouca noção tem de como tais tempos foram complicados no Brasil. Podemos ouvir aqui o delicioso barulho de água fluindo, numa vida fluindo, progredindo, no nome de uma certa urbe italiana: Água Vida da Fonte. Aqui remete a deliciosos passeios com minha família por terras de mato, virgens, com os girinos nadando na água, algo muito exótico e inusitado para crianças da cidade como minha irmã e eu, nesta incrível diversidade ameaçada, no modo ecológico como temos que cuidar de nossa casa, pois a Humanidade não tem para onde ir, pois o Cosmos, fora da Terra, é absolutamente hostil ao Ser Humano, como no início do impecavelmente técnico filme Gravidade: A vida é impossível no Espaço. Aqui é um momento de relaxamento, num artista que se isolou em tal local rural, talvez querendo fugir um pouco das loucuras urbanas, como tráfego congestionado e poluição automotora, no cheiro de óleo diesel que sentimos em Nova York, uma cidade que, apesar de bela e culturalmente rica, pode ser um lugar bem duro e cruel, num lugar onde tudo é dinheiro, em locais tão pretensiosos como o célebre Plaza Hotel, num local que cobra três vezes mais o valor novaiorquino comum de se deixar um casaco na chapelaria. Aqui é uma delícia de contato com a Natureza, num acontecimento que é uma lástima, pois ao lado de um certo apartamento em Gramado, havia, anteriormente, uma deliciosa vista para uma mata virgem atlântica, mas uma mata que foi recentemente devastada para a construção de um prédio, no modo como nada substituí a Natureza, como o delicioso farfalhar de folhas ao vento, num barulho sutil, acetinado, numa delícia relaxante para os ouvidos, mais interessante do que uma televisão. Aqui é o momento de luto da rainha da Inglaterra no filmão A Rainha, chorando pela morte da rosa inglesa Diana, no modo como, de vez em quando, a pessoa tem que se desligar um pouco, como num momento pós-traumático de luto, na sabedoria popular: Ninguém é de ferro! Aqui é a fertilidade da mente de um artista prolífico, construindo uma vasta obra, na vitória do trabalho e do talento, na vitória de uma Gisele, conquistando tudo com trabalho e suor.

 


Acima, sem título. Aqui é um negror e uma incerteza, no contraste chiaro oscuro entre a modelo e o fundo. Ela está nua, ao menos do peito para cima, numa nudez revelada, como num momento de rendição, quando uma pessoa se abre completamente para outra, numa mágica troca de intimidade, de rendição existencial, quando coloco para outra pessoa todas as minhas tristezas e inseguranças, na linha divisória entre fazer sexo e fazer amor, pois este último é com intimidade, manso e gostoso, ao contrário de uma pessoa que tem medo de se entregar, temendo “machucar o próprio pescoço”, rechaçando, assim, oportunidades de intimidade, talvez num coração endurecido, amargo, como uma pessoa que conheço, a qual está ficando amarga, dura, uma pessoa a qual, desde cedo na vida, apresentava dentro de si tal “semente” de amargura e insensibilidade, só sendo uma questão de tempo até desenvolver tal inclinação amarga. A moça está alheia e deprimida, prostrada perante a Vida, como numa apática pessoa depressiva, a qual sequer quer conversar com alguém, decepcionada com a Vida, não vendo sentido na Vida, não vendo sentido em coisas tão deliciosas como tomar um banho ou sair de casa para ver um filme no Cinema, como uma senhora depressiva que conheço, num momento tão grave de fundo de poço, mal tendo forças para passear na calçada em frente à sua casa, num quadro depressivo em que a pessoa fica fisicamente abatida, parecendo estar no meio de uma grave crise gripal, numa voz de esperança que dia dentro de nós: Vai passar! Como nas palavras de uma certa senhora: Depois da noite mais escura vem o dia mais belo. É como em figuras como Jesus, na qual as pessoas podem depositar suas esperanças, num aguerrido Mundo – as guerras não vão cessar e Caim não vai deixar de matar Abel, mas alguém pode ser uma figura na qual o povo possa depositar as esperanças de que um Mundo melhor nos espera lá em cima, na dimensão onde não há cocôs de pombos ou enchentes de rios, pois, tudo, tudo na Terra tenta imitar a perfeição e a saúde do Plano Superior, o lar sacrossanto que nos espera depois de uma encarnação tão dura e difícil, no descanso merecido dos que cumpriram sua árdua missão na Terra. O brinco aqui é discreto e singelo, como uma pessoa discretíssima que conheço, discreta no modo de se vestir e de falar, num espírito que já reencarnou com a sabedoria de que a discrição é importante, pois se sou subestimado posso surpreender; se sou exibidinho, pouco terei a mostrar, como um homem que conheço, um homem alto e belo, aparentemente um deus colossal, mas um homem que, no frigir dos ovos, nada de importante de revelou, como outro rapaz que conheço, absolutamente superprotegido pela própria mãe, um rapaz que se achava o maior popstar de todos os tempos, tornando-se uma pessoa sem fama ou renome, chocando-se com a dureza do Mundo, o qual é duro sem pedir a nós permissão para tal. A moça aqui é bem jovem, sem um único fio de cabelo branco, numa época em que não havia tintura de cabelo, como numa mulher com autoestima, sempre se arrumando, saindo elegante de casa, perfumada, com autoestima, ao contrário de uma certa senhora que conheço, a qual perdeu toda a autoestima, saindo de casa com qualquer roupa, com o cabelo de qualquer jeito, aposentada, talvez amarga por ser solteirona, num coração que se esfriou, como uma pessoa dura, sem deixar que seu coração derreta um pouco com uma netinha pequena, nos versos de uma certa canção americana: Os homens ficam frios! Portanto, é capital não permitir que esfriemos tanto, como num Leo da Vinci, o qual, apesar de ter sido longevo e morrido com muita idade, manteve-se sempre muito jovial e brincalhão, na necessidade de se ter senso de humor, pois a Vida, em seus altos e baixos, não deixa de ser engraçada no plano geral, com tudo errado acontecendo, num grande filme de comédia, nessa capacidade do Ser Humano de rir de si mesmo, fazendo do senso de humor algo tão humano e peculiar, no talento de um palhaço maravilhoso, como na grande atriz gaúcha Ilana Kaplan – recomendo a você que pesquise no Youtube os vários vídeos de pocketshows da artista. Vale a pena!

 


Acima, Suspensão interrompida. O espectador aqui é saudado pelo modelo, num gesto de empatia e amizade, na origem de tal aceno, para mostrar que sou amigo e que não tenho uma arma nas mãos, em esforços diplomáticos sempre em nome da paz, num diplomata polido, que sabe que a paz é maior do que a raiva, nesta eterna inclinação do Ser Humano em brigar e guerrear, num rei que nunca está feliz dentro de seu próprio território, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, como nas ambições imperiais do Antigo Egito, uma potência militarmente temida, em reinos vizinhos que não ousavam contradizer as vontades do faraó, nessa agressividade destrutiva, no modo como os europeus dizimaram as civilizações pré-colombianas, pois, para a Humanidade, quanto mais cruel, melhor. A água parada é a estagnação, numa água pestilenta e insalubre, como num submundo, com seus próprios subvalores, destoando do Senso Comum, o qual serve para nos manter unidos, no modo como existe um Tao só, um só caminho, uma só Eternidade, no poder imensurável da Eternidade, na força de que nunca findaremos, algo muito, muito além da compreensão humana, a qual vê no óbito físico um ponto final, quando que pontos finais não existem, pois tudo é processo e crescimento, depuração, como num espírito desencarnado que topa um grande desafio, como reencarnar numa situação paupérrima para, assim, evoluir enormemente como espírito, pois os solavancos da Vida vão nos fazendo pessoas melhores, e não somos melhores em relação a como éramos anos atrás? A Vida não é como uma grande faculdade onde temos que ser autodidatas? É como numa capacidade, um instinto de saber surfar numa onda, como no astro Orlando Bloom, o qual soube usar como trampolim sua marcante participação em O Senhor dos Anéis, no modo como não há livro ou faculdade que nos ensine, ao contrário de um outro ator bonitão na mesma franquia, o qual infelizmente não soube surfar tão bem, numa pessoa que tem a sabedoria da atitude limpa e minimalista, fazendo algo perto de nada, só tomando ação quando é estritamente necessário, como numa esmagadora Gisele, sabendo que não pode parar de trabalhar; sabendo que isso a fará estrela, brilhando em sua atitude minimalista, negando o desnecessário, a sujeira comportamental. O machado é a força do Yang, num homem forte, digno, útil ao Mundo, ao contrário de um rapaz mendigo que vi hoje mesmo, um rapaz forte, jovem, saudável e bonito, vivendo na Rua como um rato de esgoto, fugindo da Vida e da luta, num Deus que quer nos ver lutando, nas palavras sábias de Dercy Gonçalves: A Vida é luta! A casa ao fundo é o refúgio, numa casa simples, na sabedoria de que não precisamos ser riquíssimos para sermos felizes, pois a Vida é boa quando é simples. O chão de terra é a simplicidade, como nas ruas antigas de Caxias do Sul, com ruas de chão de terra, nos primeiros desfiles alegóricos da Festa da Uva nos anos 1930, com carros alegóricos decorados com uvas de verdade, puxados por juntas de bois, na fase heroica da Festa, numa manifestação de Cultura Popular Brasileira, em algo que vem do povo e a este pertence, remetendo a uma pessoa arrogante que conheci, a qual se achava dona e senhora da Festa, numa arrogância que pereceu, pois a arrogância precede a queda, numa pessoa para a qual eu não tiro o chapéu, sinto em dizer, assim como não tiro o chapéu para déspotas que castigam o Mundo com guerras, fome e destruição, em irmão derramando sangue de irmão, nas trapalhadas humanas em busca de poder, poder e poder, tentando imitar Tao, o inimitável. O homem aqui é entalhado pela dureza do labor, encarando a lida, como num imigrante italiano, deparando-se com um lote de mata devoluta, abraçando uma vida altamente árdua, observando que a Vida é dura e difícil em qualquer lugar, no modo como não é possível fugir, numa Vida que cobra sério. O caminhozinho no quadro é o curso da Vida, num caminho fluindo, numa pessoa que tem a sabedoria de “deixar rolar”, sabendo que tudo o que tem que fazer é não fugir do labor e da luta.

 


Acima, Tabaco de corte caipira. O tabagismo é um pequeno prazer da Vida, como tomar um vinhozinho, numa pessoa que vive seus dias com paz e discrição, como Meryl Streep, uma pessoa que se manteve humilde e pacata mesmo tendo alcançado píncaros de glória na carreira, na recomendação taoista: Entenda o poder e a força do Yang, mas seja mais Yin, mais pacato dentro de si mesmo. É na metáfora do Super Homem, quando o pacato e discreto jornalista Clark Kent se transforma em tal herói de inimagináveis superpoderes – seja pacato e serás um colosso. Em tristes casos de suicídio, a pessoa não soube viver seus dias com simplicidade, deixando-se levar pelas glórias mundanas, como num infeliz Getúlio Vargas, o qual chegou à conclusão de que não tinha escolha e que tinha que dar um tiro em seu próprio coração, na prova de que píncaros de poder não trazem felicidade, sendo deprimente o ponto da pessoa achar que o suicídio é o único caminho, indo para um setor do Umbral, que é o Vale dos Suicidas, num local onde o miserável espírito não tem noção de tempo ou espaço, como um ladrão ou um assassino, uma pessoa que não tem condições de estar feliz e estar de bem consigo mesmo e com o Mundo, nas palavras sábias de um professor que tive: O inferno é aqui! O quadro aqui traz uma vida simples, pobre, mas não miserável, simplesmente uma casa humilde, abrigando pessoas, no modo como não preciso estar numa gigantesca mansão para ser feliz, no modo como pode ser miserável uma pessoa rica, porém improdutiva, pois só o Labor traz à pessoa os pés no chão, vivendo o ocioso em uma dimensão miserável, na qual a pessoa não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo. O homem aqui está quieto e pacato, numa pessoa inofensiva, vivendo seus dias com simplicidade, encontrando prazer em pequenas coisas. Os pés descalços são tal simplicidade, numa pessoa com poucas condições de ter um calçado, fazendo de tênis de grife objetos cobiçados por ladrões, a chegar a um ponto de um sociopata dar cabo da vida de alguém só porque este não lhe deus os tênis. É como no hábito de um vendedor de loja, observando o cliente que entra na loja, observando os calçados deste, sabendo se este é rico ou pobre, na estupidez de tratar mal uma pessoa só porque esta é pobre, como uma pessoa que se recusa a andar de elevador com uma pessoa mais pobre e subserviente, havendo o preconceito dos elevadores de serviço, separando as pessoas por causa da situação social. O homem aqui é bem moreno, queimado de Sol, fazendo do Brasil tal terra de mestiçagem, ao contrário dos EUA, nos quais, via de regra, negro tem filho com negra e  branco tem filho com branca, remetendo a um certo país latinoamericano, no qual as pessoas negras e mulatas sofrem extremo preconceito, fazendo das raças uma ilusão, nos versos de uma canção da deusa Tina Turner: Realmente não há diferença quando você olha debaixo da pele. Aqui é uma pessoa acostumada com tal vida simples, talvez sonhando com fortuna, como pessoas apostando na loteria, no modo como já ouvi dizer: Você não tem ideia a que nível ficam reduzidas as pessoas consideradas felizes na Terra, ou seja, os vencedores da loteria, numa pessoa que vive numa estratosfera incômoda, dura e cruel, impedida de curtir os simples prazeres da Vida, os quais pouco ou nada custam, no fato de que dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é Amor, como num filme que vi certa vez, num gênio da lâmpada que podia dar tudo, menos proporcionar Amor, fazendo do Amor algo tão subestimando pela bestialidade humana. Nesta pacata cena, podemos ouvir o som dos pássaros, num bálsamo para os ouvidos, num lugar pacato, como numa casa numa zona rural, como em zonas herdeiras do colono italiano na Serra Gaúcha, num cheiro característico de casas coloniais, como uma senhora maravilhosa amiga de minha família, uma senhora altamente generosa, que sempre presenteava os vizinhos com frutos de seu pomar, como chuchus, figos e caquis, no caminho da generosidade, ao contrário de uma pessoa rica, a qual pouca generosidade tem – é um paradoxo.

 


Acima, Uma tarefa difícil. Aqui é uma incumbência, numa criança que desde cedo sentiu o peso da responsabilidade, como na sina do irmão mais velho, do primogênito, que tem que ajudar os pais a criar os filhos mais jovens, como na ruptura precoce na vida infantil de Cidadão Kane, num menininho que estava feliz e contente com seu trenó Rosebud na neve, deslizando pelos montes de neve, na magia de uma infância feliz, mas sendo tão precocemente arrancado de sua infância, rumando caminhos impostos pelo duro Mundo, como um senhor que conheci, o qual foi obrigado a sair de casa para estudar numa instituição tradicional de ensino, não tendo poder de autonomia, tendo que aceitar tal imposição, como no menino no filmão Império do Sol, num menino de dez anos de idade, filho de um embaixador americano no Japão, bem no estopim da II Guerra Mundial, um menino que foi arrancado de sua própria família, amargando uma vida altamente dura no cenário bélico, tendo que crescer à força, chegando ao redentor final e reencontrando a família, mas num menino que, passado tudo de sofrimento, virou homem, nos versos de uma canção cantada pela deusa Diana Krall: “Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho!”. O menino aqui está repreendido, na carga de responsabilidade de criar uma criança, incutindo valores na cabeça de tal infante, nas palavras emblemáticas da senhora minha mãe, a qual, ao me ver mentindo, dizia-me: “A mentira tem pernas curtas!”. Ou seja, a mentira perece pelo caminho, e só a verdade é eterna, no modo como, no Desencarne, as mentiras mundanas perecem e a verdade vem à tona, no modo como é impossível para um ladrão ou assassino ir para o Céu, o grande plano metafísico no qual as mentiras se dissipam, como num episódio do desenho animado da Pantera Cor de Rosa, no qual a pantera entrou num castelo mal assombrado à noite, num lugar cheio de fantasmas, vampiros e assombrações, mas o dia amanhece e as assombrações se dissipam, num processo de esclarecimento, no fato de que a Aurora vence, causando pavor aos vampiros sociopatas, que são espíritos que estão MUITO aquém na fila de aquisição de apuro moral, o qual é tudo, no Espírito da Verdade, um dos espíritos que guiaram Alan Kardec na concepção da Doutrina Espírita, a qual é respeitada pelos católicos, como no hábito de se rezar num centro espírita, havendo na palestra do médium um formato semelhante ao de um templo católico ou protestante, com o pastor falando para fileiras de bancos com fiéis, assim como uma igreja. O menino aqui recebe ordens expressas, como num professor primando pelo silêncio e pela disciplina em sala de aula, havendo punições para os mal comportados, no modo como eu, ao me comportar mal num dia do final do Ensino Fundamental, fui suspenso do colégio por três dias, no modo como a Vida em Sociedade tem seus próprios mecanismos para manter a ordem e a harmonia, a paz, como no herói Neo de Matrix, querendo, acima de tudo, paz, fazendo da paz algo tão subestimando pelo Ser Humano, havendo a paz inabalável do Plano Superior, o qual é copiado e imitado pelo Plano Material, na ilusão da Matéria, a qual está fadada à danação, pois, sinto em dizer, nem os diamantes são eternos; só o espiritual é eterno, no modo como as pessoas são eternas e únicas, pois Tao colocou alta distinção entre seus filhos queridos, num Pai que tanto nos ama, fazendo de nós príncipes altamente especiais, num sangue azul metafísico que corre em nossas veias, fazendo das realezas mundanas uma cópia de tal sangue estelar, no final do show de uma certa popstar dizendo: “Todos somos estrelas!”. O menino sem chapéu é a humildade, como demonstração de respeito ao entrar num lugar e tirar o chapéu, como entrar na casa de outra pessoa, ao contrário de um deselegante sociopata, o qual não tem o mínimo respeito pela casa de outrem, num ser altamente arrogante, que simplesmente se acha Deus – é um horror. A mulher aqui é uma dura ordem, numa mãe que às vezes se vê tendo que ser dura com o filho.

 

Referências bibliográficas:

 

Almeida Júnior. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 12 jun. 2024.

Almeida Júnior. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 jun. 2024.