quarta-feira, 5 de junho de 2024

Os acabamentos de Cabanel (Parte 4 de 5)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor francês Alexandre Cabanel. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Expulsão de Adão e Eva. Aqui é a chegada da malícia, evocando a revolução renascentista, quando o nu clássico passou a ser aceito por uma Europa ainda respirando ares góticos, nos quais a nudez é absolutamente vetada. Adão está envergonhado, constrangido, como um Trump infantil, agredindo o juiz que o condenou recentemente, nas palavras de um jornalista da CNN ao entrevistar tal homem, deparando-se com um argumento deste: “Isso é uma resposta de uma criança de cinco anos de idade!”. O tronco da árvore retorcida é como numa sensualidade de serpente de colunas barrocas, na serpente escolhida para ser símbolo de tal malícia, ao contrário de outras culturas, nas quais a serpente é símbolo de vida e fertilidade, numa serpente forte, sobrevivente, atravessando imensidões de areia desértica, no modo como o indígena, recém colonizado pelo europeu, não entendia a imagem de Nossa Senhora esmagando com seus puros e alvos pés a serpente da malícia, numa imagem tão poderosa, que serve para nos dar uma ideia da Mãe de todos nós, numa dimensão tão sacra, da qual nada escapa, na solicitação da sanguinária católica Maria Tudor a sua irmã protestante Elizabeth, a qual estava prestes a se tornar regente: “Não tire do povo a consolação da Virgem Abençoada, a Mãe Sagrada deles!”, numa Elizabeth que tanto lutou pela autonomia da Inglaterra, rejeitando o papado, lançando o caminho conciliador do meio, equilibrado: a Igreja Anglicana, a qual não era nem católica, nem protestante, numa rainha que honrou o legado do pai Henrique VIII, o qual teve a coragem de contradizer o Papa, numa época em que nem a toda poderosa Espanha ousava contradizer o todo poderoso Vaticano, numa Elizabeth que levava extremamente séria a necessidade de se arrumar na hora de vir a público, conquistando os corações do povo, no modo como, na vida pública, a aparência da pessoa é muito, muito importante, remetendo a uma certa senhora, a qual não está indo muito longe exatamente porque subestima a necessidade de se arrumar, achando que, se arrumar-se, não será levada a sério; será levada como uma dondoca, uma perua fútil, em estrelas esmagadoras como Lady Gaga, a qual leva extremamente a sério o que vestir na hora de vir sob o olho público, conquistando corações de fãs, dando-nos uma mensagem: Nunca deixe o Mundo atacar tua autoestima, pois és belo em teu próprio modo! A espada do anjo aqui está retorcida, talvez influenciada pela serpente tortuosa, no namoro eterno de razão e loucura, nos versos de uma certa canção do gênio Chico Buarque, falando de um homem sisudo que está saindo para trabalhar, um homem perturbado pelas curvas sinuosas de uma mulher bela, a qual mexe a ancas para lá e para cá, como num sinuosa modelo numa passarela, em talentos como uma Gisele, seduzindo o olhar de um certo ator, havendo na passarela o pilar masculino que ergue a mulher e faz desta uma rainha, numa mulher em busca de um homenzarrão sólido, que dê à mulher a sensação de segurança e estabilidade, nas divertidas palavras de um antigo colega meu de faculdade: “Quem gosta de homem é veado! Mulher gosta mesmo é de dinheiro!”. Eva está tombada, abalada, rendida, mal crendo que está sendo expulsa de um lugar tão agradável, no modo como o Plano Metafísico é um Éden para os que gostam de estudar e trabalhar, num espírito o qual, ao desencarnar, sente a necessidade de ter algo de nobre e produtivo para fazer, na construção da grande carreira espiritual, na qual nenhum trabalho é em vão, nem mesmo o humilde trabalho de um anônimo gari, varrendo ruas de cidades, num trabalho essencial para que o Mundo Físico se pareça ao máximo com o Metafísico, o qual é extremamente limpo e organizado, em cidades bem administradas. Neste quadro não vemos a serpente em si, mas, no canto inferior esquerdo, vemos a figura do demônio, o qual é uma mentira, pois não existe demônio; não existe bipolaridade entre Bem e Mal, pois só o Bem existe, como uma referência de luz, como um sol, havendo a escolha do espírito, o qual decide a qual distância ficará de tal sol, havendo no Umbral o plano em que há o mínimo de luz, numa luzinha de esperança, no dia de soltura que chegará – ninguém está no Umbral para sempre.

 


Acima, Morte de Francisca de Rímini e Paolo Malatesta. Aqui é como o espiritismo lida com naturalidade com o Desencarne, como no clássico espírita Violetas na Janela, no qual os pais espíritas da finada Patrícia lidam com naturalidade com a morte repentina da filha, ao contrário de certos rituais fúnebres, horrorosos, os quais nos dão a sensação de que jamais, jamais voltaremos a ver tal pessoa, remetendo a uma querida amiga minha, a qual, em vida na Terra, presenciou a brutal morte da própria netinha, numa senhora que desencarnou e foi para o Céu, reencontrando-se com a neta, no milagre da Ressurreição de Cristo, na vitória da luz sobre a sombra, vendo que a neta está viva, linda, lépida e feliz, produtiva, como num pesadelo que chega ao fim, como no final redentor catártico de um filme, fazendo com que saiamos da sala livres, leves e soltos, como uma gaivota à beiramar, ao contrário de filmes fortes como O Silêncio dos Inocentes, um filme que faz com saiamos da sala de coração pesado, com a ideia de que diabólico Hannibal Lecter está solto, entre nós, no fato de que estamos cercados de sociopatas, apesar deles serem minoria, numa questão simples: Não vale a pena se relacionar com um sociopata, ou seja, ignore este. Aqui é um cenário bem rico e luxuoso, num Cabanel que gosta de coisas finas e chiques, caras, o que acaba evocando a pobreza, inevitavelmente, pois quando digo que algo é rico, é porque conheço o oposto, que é pobre, como um amigo meu, o qual disse ter se encontrado no sentido A, que é o profissional, sabendo o oposto, que é não se encontrar no sentido B, que é o sexual – cada um com suas questões existenciais, no modo como não me meterei nas vidas dos outros, pois já tenho minha própria vida para cuidar. Aqui é como na tragédia de Romeu e Julieta, trágico, com o Amor causando dor e morte, na mentalidade de que temos que sofrer se quisermos algo, num caminho masoquista, num masoquista em busca de um sádico, como certa vez duas mulheres me abordaram na Rua, querendo me aliciar para uma seita altamente duvidosa, sendo a pregadora a sádica e a assistente a masoquista, no modo como a pessoa tem que se assegurar de que não é nem sádica, nem masoquista. Aqui não é um quadro iluminadíssimo, e o fundo negro serve para destacar a cena de morte e danação, no discernimento de que os opostos realçam um ao outro, e aqui remete às pinturas barrocas, no jogo “bipolar” entre claro e escuro, como na técnica de xilogravura, como um carimbo, evocando aqui uma artista plástica altamente talentosa que conheço, uma senhora respeitada, seríssima, competente no que faz, uma artista caxiense reconhecida pelo suntuoso Museu de Arte do RS, o Margs, uma instituição altamente prejudicada pela cheias gaúchas recentes, no modo como nas forças da Natureza não há culpado ou vilão, como num terremoto, o qual é um acontecimento em que as forças da Natureza nos dão o recado de que estamos no Plano Material, o qual é cheio de vicissitudes, pois no Sacro Plano Metafísico não há abalos sísmicos, num lugar de plena saúde; num lugar em que estamos livres das doenças que tanto nos flagelam na Terra – tenha fé no Divino! Aqui é uma cena de companheirismo, no casal se acompanhando até no momento da morte, como numa relação de cumplicidade, como num casal experimentando maconha, guardando tal segredo, num caminho gostoso de intimidade e cumplicidade, num companheirismo, nas palavras dos padres: “Até que a morte os separe!”, pois, no Desencarne, perde-se a necessidade do casamento, o qual é uma conveniência terrena: Vamos no enlaçar e cada um faz uma parte do trabalho, na necessidade do Sexo para perpetuar a Vida na Terra. Neste quadro, temos uma das provas da competência de Cabanel, trabalhando tão bem com luzes, remetendo a um quadro chamado Reunião dos Cardeais, do mestre italiano Aldo Locatelli, na luz entrando no cômodo e iluminando as suntuosas vestes dos religiosos, na linha divisória entre caridade e condescendência – uma coisa é dar pão para quem tem fome; outra coisa é se achar superior.

 


Acima, Napoleão III. Aqui é uma tentativa de imitar os reis sóis, na eterna ambição humana de mandar no Mundo, nas palavras do Oráculo em Matrix: Homens poderosos querem o quê? Querem mais poder. É como na tentativa de Dom Pedro I do Brasil num retrato, tentando imitar os reis sóis, na arrogância monárquica: O estado sou eu! Aqui há, é claro, majestade, e a coroa é símbolo de tal poder, em fogueiras de vaidades e ambições, como no controverso filme Calígula, no qual os herdeiros do trono de Roma acabam assassinando seu próprio antecessor, com o césar louco Calígula sendo morto numa trama tecida por seu próprio tio, havendo em Calígula um dos sociopatas mais famosos da História, num quadro perturbador de execuções cruéis, incesto e zoofilia. O manto aqui é como uma proteção, numa pessoa que não pode sair na Rua desacompanhado, tendo que ser escoltado por um guardacostas, nas palavras da finada Elizabeth II: “Meus netos não irão a lugar algum sem guardacostas!”, como pessoas prisioneiras da própria fama, como num Michael Jackson, absolutamente privado de ter uma vida normal e saudável, impedido de sair na Rua em absolutamente qualquer lugar no globo terrestre, no modo como é delicioso poder caminhar na Rua sem ser assediado, sendo impossível para uma Gisele caminhar num shopping, no preço que pode ter a fama, a qual pode ser uma prisão, como uma Xuxa, escoltada por vários seguranças, numa mulher que não pode curtir as delícias da Cidade Maravilhosa, como caminhar num calçadão, sentar num bar e tomar um suco de acerola – a Vida é boa quando é simples. Aqui é uma imposição de poder, num rei amigo de Cabanel, em apadrinhamentos, como receber o auxílio e a ajuda de uma pessoa poderosa e respeitada, no modo como qualquer pessoa precisa de uma ajuda, de um auxílio, ao contrário do caminho da arrogância, no qual perece a pessoa que acha que pode fazer tudo sozinha, como um certo cantor americano, dono de uma poderosa voz, mas um artista que acabou perecendo exatamente porque embarcou na onda da arrogância, e a arrogância não precede a queda? Quem é humilde não se dá mal. O cenário aqui é tal privilégio, tal luxo, em ambientes suntuosos como o Palácio Piratini, sede do governo estadual gaúcho, imponente, com memoráveis pinturas do mestre Aldo Locatelli, o italiano que acabou patriado no Brasil, numa espécie de “dupla cidadania”, com obras que foram ignoradas por um certo senhor, um grossão de marca maior, um homem que debochou da classe dos professores gaúchos, um senhor que pouquíssimo se importava com o acervo artístico do Piratini, no incrível modo como um homem tão tosco pode ter obtido tanto poder. Neste cômodo, temos um silêncio arrebatador, calmo, na paz do Plano Metafísico, como numa praça bonita cheia de paz, num lugar onde ninguém quer enganar ninguém, na importância do desenvolvimento de apuro moral, ao contrário de pessoas que, recentemente, obtiveram roupas doadas na tragédia hídrica gaúcha para revender as peças, privando pessoas necessitadas de obter tais peças – é muita descaração e muita miséria moral, num espírito que muito tem a galgar no caminho do bem e da fraternidade, nos eternos esforços do padre ao púlpito para nos dizer que somos todos filhos sagrados do Útero Divino de Nossa Senhora, no modo como o Plano Superior é um lugar onde temos a sólida sensação de estarmos cercados e amigos, pois a vida sem amigos é um inferno desolador, como na miséria que é a vida de um sociopata: Ninguém o ama; ele ama ninguém. O senhor aqui se esforça para ser o mais altivo possível, numa imposição cortês, no modo como tantas e tantas ambições vigoraram e pereceram, permanecendo a figura de Jesus Cristo, o homem que jamais se deixou levar pelas tolices auspiciosas do Mundo, permanecendo como o maior pensador da História e o espírito mais depurado que já encarnou na Terra. Aqui é uma tentativa de ganhar a admiração e o respeito do Mundo.

 


Acima, O anjo caído. Este é um dos quadros mais belos e majestosos de toda a carreira de Cabanel.  O anjo caído é tal rejeição, como Adão e Eva expulsos do Paraíso. É como uma pessoa execrada do corpo social, tendo que se refugiar num submundo, convivendo com pessoas que, assim como ela, foram execradas. Aqui é tal beleza arrebatadora, como no Davi de Michelangelo, lidando de forma natural com a nudez clássica, como em aulas de pintura e desenho com modelo nu. As asas são a liberdade do espírito, o qual vai par aonde viver: Se queres ir ao Umbral, vá, pois a vida é tua! Aqui o anjo sofre uma castração, um impedimento, como num aluno indisciplinado sendo expulso do colégio, como no genial cartunista Carlos Iotti, o pai do personagem Radicci, num Iotti que, quando adolescente, muitas dores de cabeça deu aos padres que dirigiam o tradicional colégio caxiense católico do Carmo, sendo convidado por estes a se retirar da instituição, num homem que acabou tomando jeito na Vida, pai de um legado inestimável, traduzindo com muito, muito bom humor os anseios de um povo, no divertido modo como um vizinho grossão meu foi apelidado pelos amigos de Radicci! O anjo aqui está envergonhado, constrangido, como uma pessoa que conheço, uma pessoa constrangida com o fato de seu próprio pai dirigir uma casa noturna gay, no modo como sempre haverá pessoas dispostas a transitar por tal submundo, um plano de valores fúteis, nos quais corpo é tudo e cabeça é nada, num indivíduo de baixa autoestima, chegando à conclusão de que merece tal vidinha inútil de submundo – é um horror. O anjo caído aqui é como bandidos escondendo a face de câmeras, como na notória sociopata brasileira Suzane, escondendo o rosto dos fotógrafos, como na cena do Juízo Final de Aldo Locatelli, com as pessoas arrastadas ao inferno escondendo o rosto de vergonha, ao contrário da pessoa digna de respeito, a qual trabalha, é produtiva e é digna de respeito, como um certo rapaz que conheço, um guri decente a trabalhador, que ergue a cabeça e vai ser digno merecedor de respeito, sendo digno até o menor trabalho de gari varrendo ruas, no caminho de construção da Grande Carreira Espiritual, na qual qualquer trabalho produtivo vale muito. No fundo do quadro, os anjos dignos, felizes, livres, num Plano Metafísico de perfeição moral, no modo como a Vida em Sociedade se encarrega de execrar os mentirosos, os quais acabam desprezados e rejeitados, no caminho degradante de um sociopata, como um sociopata que conheço, com o qual nunca mais vou me relacionar em Vida, apesar de tal sopciopata ser meu irmão de espírito, o qual, é claro, perdoo, num espírito o qual passará por um longo processo de depuração moral e tornar-se-á um espírito de luz e amizade – é o caminho lógico da Vida Eterna, no modo como não há um sociopata que o é eternamente. Aqui é como os “mulas”, as pessoas aliciadas pelo Narcotráfico para transportar drogas pelo Brasil e pelo Mundo, pessoas que o fazem por uma inocente necessidade financeira, sendo os mulas o elo mais frágil na cadeia do tráfico, pobres infelizes que acabam presos e condenados, entrando no ambiente pernicioso que é o ambiente de presídio, penando anos e anos em tal cárcere, no modo como nada compra a liberdade, como em nações democráticas, sem querer oprimir o cidadão num sistema esmagador, como num certo país infeliz, com um líder cruel que pouco se importa com o próprio povo – é um horror. Aos pés do anjo, uma vegetação lutando para prosperar, na Vida sobrevivendo, lutando para sobreviver, numa pessoa batalhadora, que sabe que na Vida não pode faltar luta, no verso do Hino do Brasil: Verás que filho teu não foge à luta, como nas palavras de uma certa médium espírita, a qual disse que Deus quer nos ver lutando, pois até mesmo Ele trabalha e produz, na única coisa que podemos dizer a um espírito desencarnado: Vá arranjar um emprego aí em cima, num plano maravilhoso no qual não existe desemprego. O anjo aqui é o espírito corrompido pelo Anel do Poder, na malícia que fez tal anjo cair, como num sistema antivírus de computador, o qual detecta qualquer insinuação de códigos maliciosos, protegendo o equipamento. O belíssimo anjo remete ao famoso ditado popular: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”.

 


Acima, O assédio de Cristo. Jesus é a prova de que a verdade é filha do tempo, num homem que, em vida, deu-se muito mal, sendo cruelmente crucificado, processado formalmente pelo Código Penal Romano, um homem que só foi devidamente reconhecido séculos depois, permanecendo como o centro sobrenatural da História, como me disse uma senhora católica, dizendo que um dos sentidos da ressurreição de Jesus é o fato deste ter renascido na fé das pessoas, numa pessoa na qual podemos depositar nossas esperanças, pois ninguém, nem a perfeição de Jesus, foi capaz de sanar os problemas do Mundo, no modo duro como a Filosofia não muda o Mundo. Jesus aqui é o alvo de tal agressão, ocupando o protagonismo no quadro, num Jesus iluminado em contraste com os homens cruéis escurecidos, na básica noção taoista: Quando digo que algo é claro, é porque conhecemos o oposto, que é escuro, no marco do Gênesis: Faça-se a luz! É como no Big Bang, o estopim que deu origem ao Universo, chegando ao ponto em que temos que crer numa Inteligência Suprema, numa dúvida imortal: Por que o Cosmos é tão, mas tão vasto? É na máxima islâmica de que Alá é grande. A corda que prende o pulso de Jesus é o “cordão umbilical” encarnatório, no indivíduo preso a um corpo carnal, degustando das condições terrenas, na básica noção de Santo Agostinho, no conceito de que somos prisioneiros, mas nunca prisioneiros para sempre, na imagem de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de soltura que chegará, pois, para morrer, basta estar vivo, e o dia chegará, meu irmão, na metáfora dos anjos, que são os espíritos felizes e desencarnados, na noção democrática de liberdade e igualdade, no sopro de renovação da Revolução Francesa, negando a auspiciosa sucessão de sangue, no conceito de que o presidente é um dos nossos, o qual elegemos livremente, na igualdade em frente à urna eletrônica, não importando sexo, idade, cor, raça, classe social, sexualidade etc. Aqui os corpulentos soldados são as cercanias de condenação, num Jesus indefeso, sem alguém poderoso para interceder em sua soltura, como num grande equívoco da finada Elizabeth II, a qual foi negligente a não interceder em favor de um súdito, o qual foi cruelmente condenado por homossexualidade, numa geração complicada, para a qual homossexualidade era um retrato do Inferno, no processo de identidade do homossexual, para saber qual é o seu lugar no Mundo. Jesus aqui está nu e extremamente humilhado, no caminho da humildade, como num Chico Xavier, iluminando-nos no Brasil, um homem que se manteve sempre altamente humilde, dizendo ser apenas um carteiro, dando mensagens de esperanças às pessoas, principalmente mães que perderam seus filhos, nas famosas cartas psicografadas, gerando muitos livros que nos dão tal esperança, na esperança de que nada se perde, fazendo de Chico um link entre divino e terreno, no caminho de evolução espiritual, de mortificação, até a pessoa ficar desiludida e imune aos apelos da sociedade mundana de consumo, na metáfora de Matrix, num indivíduo que é um escravo cego de um sistema, no modo como somos escravos do Capitalismo: Tenho que acordar, trabalhar e ganhar dinheiro para comprar um computador último tipo, um celular último tipo, uma TV último tipo e roupas de grifes caras e pretensiosas, no modo como somos vítimas das sedutoras vitrines do shoppings, num personagem Neo que se dá conta de tal prisão e se liberta. Aqui temos então tal assédio, tais maus tratos em relação ao Messias, no modo como os judeus não celebram o Natal, mas numa formidável Barbra Streisand, judia, cantando lindas canções de Natal em seus concertos, numa artista tão livre, tão autônoma, tão dona de si mesma, altamente psicoanalisada. Jesus aqui sabe que vai se dar mal, e reza a Deus para que não seja muito cruel, num Jesus na cruz, questionando Deus, num homem se sentindo tão abandonado.

 


Acima, O atelier de Alexandre Cabanel. Aqui é um momento de dedicação e crescimento, disciplina, num artista com a oportunidade de estudar Arte, como um Pedro Américo apadrinhado por um homem poderoso, num aliado poderoso, que pode abrir algumas portas, como no saudoso diretor Fabio Barreto, o qual apadrinhou certa vez uma atriz, numa nobre intenção de ajudar alguém, no caminho da caridade, num ato de amor, no título de um centro espírita caxiense: Fora da caridade não há salvação! O modelo nu aqui é tal dignidade, servindo de modelo aos jovens pintores, como vi certa vez num documentário sobre o Mundo da Moda, com modelos como Naomi Campbell num pedestal, completamente nua, experimentando as roupas, com os costureiros verificando os últimos ajustes antes do grande dia do desfile, numa Paris que é, de certo modo, o centro do Mundo Civilizado, num lugar tão inigualável como o Louvre, no qual precisaríamos de um ano inteiro ali dentro para apreendermos tudo o que ali existe. Em primeiro plano, provavelmente, temos o próprio Cabanel, num autorretrato, remetendo às seflies contemporâneas, na democratização das tecnologias, aposentando as máquinas fotográficas de filme e as filmadoras de homevideo, num galgar insano de avanços, nessa meninada que está vindo aí, sequer tendo a mínima noção do que foi a Era Analógica, com o televisor de tubo sem controle remoto e só com canais de TV aberta e com o Telefone de gancho e disco, no modo como as grandes invenções nasceram do gostoso pecadinho capital da Preguiça, como a Roda: Para que eu me matar carregando coisas se posso fazê-lo mais facilmente numa carroça? Para que pegar as escadas se posso ir de elevador? É como no gostoso pecadinho da Ira, como numa doce vingancinha, como no filmão Uma Linda Mulher, na personagem prostituta que se vinga de dondocas que a maltrataram – quem não vai se apaixonar por Julia Roberts e o carisma esmagador desta? E Hollywood é assim: Uns se tornam grandes estrelões; outros, nem tanto. A luz natural entra pela janela. A luz é o esclarecimento da Humanidade, da liberdade do Pensamento Racional, deixando de lado superstições e magias auspiciosas para observar o Mundo da força mais racional e fria possível, no esforço num consultório de Psicoterapia, no qual a função do terapeuta é mostrar ao paciente o Mundo da forma mais fria possível, indicando portas para a saída de problemas, num terapeuta que tem que ser o mais frio possível, como num certo filme, mostrando um terapeuta encontrando casualmente um paciente num evento social: “Eu não me relaciono socialmente com meus pacientes!”, tal a frieza, e é por isso que o terapeuta não pode ser amigo do paciente, pois, do contrário, afetará a frieza necessária da Psicoterapia. O modelo aqui pode estar sentindo um tanto de frio, no olho frio do artista, em ícones como Cézanne, em pinceladas de luz, num domínio técnico, no modo como é comum artistas inspirarem artistas, em artistas que fazem escola, como Madonna, a mulher cuja morte “virará o Mundo de cabeça para baixo”, uma artista que deixará no Mundo um legado imortal, numa das mulheres mais notórias da Humanidade. A luz aqui penetra na cabeça do artista e do espectador, na função do transgressor em acordar o Mundo para certas questões, nos versos de uma certa canção pop: “Deixe que os sonhadores acordem a nação!”. Como numa transgressora Diana, amada pelo povo, transcendendo e crescendo tanto no conceito das pessoas, numa adoração quase religiosa num santuário de Aparecida, como o povo brasileiro tem tal adoração quase religiosa pelo famoso cantor Leonardo, entrando nos lares brasileiros, como se estivesse numa dessas casas do povo, tomando um café, em artistas tão sérios como Alcione, a qual sabe que o artista, de algum modo, está entrando nas casas das pessoas. A luz aqui é a era das luzes, do Iluminismo, no conceito espírita da lógica fria matemática, numa mente fria que serve para proteger as frágeis paredes do coração, dos sentimentos, como um guardacostas protegendo alguém.

 

Referências bibliográficas:

 

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.meisterdruke.pt>. Acesso em: 8 mai. 2024.

Alexandre Cabanel. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 mai. 2024.

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