quarta-feira, 27 de novembro de 2024

A arte de uma mulher (Parte 4 de 4)

 

 

Falo pela quarta e última vez sobre a artista italiana barroca Artemisia Gentileschi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A Virgem amamentando Jesus. Artemisia ama esses seios fartos, estourando de tão opulentos, nos sonhos de qualquer mulher siliconada, ambicionando seis fartos, invejando os seios da cantora americana Dolly Parton, nessa violência misógina que é enxertar tais enchimentos artificiais, atacando a autoestima da mulher, como uma certa atriz brasileira, com seios mínimos, mal exigindo o uso de sutiã, no caminho da pessoa em aceitar a si mesma, amando-se do jeito que se é, talvez num intenso trabalho de autoestima num consultório de Psicologia, na maravilha que é uma pessoa gostando de si mesma, não querendo ser outra pessoa. O menino aqui tem uma aureola, indicando sua divindade, no modo humano de compreender o sacrossanto, o metafísico, longe de sofrimentos, na metáfora de Jesus no Calvário, passando por uma dor excruciante e ressuscitando depois, sequer se lembrando do sofrimento pelo qual passou, nas palavras de um célebre pensador: “A Lei é razão livre de paixão”, ou seja, livre de sofrimento, no caminho espírita da mortificação, lançando mão da racionalidade, na libertação da mente sobre os caminhos traiçoeiros do coração, um coração que tanto pode nos enganar e iludir, na necessidade da pessoa em ouvir esta coisa maravilhosa que Deus nos deu, que é a fria razão dos números, os quais são infinitos, no modo como Deus é o infinito, na dádiva inestimável da Vida Eterna, no poder incompreensível de Tao, no poder de que jamais findaremos, fazendo metáfora com produtos de material nobre, os quais resistem à passagem do tempo. Aqui é na delícia de se mamar numa caixinha de leite condensado, no leite puro da Virgem, no milagre de uma vaca aparecendo na devastada fazenda de Tara em ...E o vento levou, com leite para as crianças, numa memória boa de infância que tenho, quando eu estava na fazenda de amigos meus, com uma vaca cujo leite fora extraído, conosco tomando o leite quentinho, recém saído da teta, remetendo a uma cachorrinha que tive, a qual, ao dar de mamar para os filhotes recém nascidos, começou a ficar desnutrida, como pêlo caindo, e tive que dar suplemento alimentar para a pobre cachorrinha – ser mãe é padecer no paraíso, diz a sabedoria popular. Os pés descalços da dama são a simplicidade, no estar dentro de casa, de pés descalços, como numa linda floresta metafísica, com chão de carpete, com almofadas de confortável estofado, com perfume de casa bem limpinha, acordando numa cama com lençóis suavemente perfumados, na sensação de lar, no glorioso Desencarne, quando vamos a um lugar onde há, acima de tudo, Paz, com todos se respeitando mutuamente, com cada um levando sua vida com produtividade, trabalhando, como nos trabalhos de Deus nos seis dias da Criação, repousando no glorioso Domingo, visto que a Vida não é só labor, ao contrário do workaholic, desrespeitando a si mesmo, obcecado em trabalho, não se permitindo viver ou descansar, e o Mundo não vai me abonar por eu ser workaholic, sinto em dizer. Aqui é uma imagem de zelo, de cuidado, e o seio da Virgem está farto, estourando de tanto leite, como comer um delicioso mingau da Farinha Láctea, num sabor de infância, na época da Vida em que a pessoa traz bastante residual do Plano Superior, tendo recém reencarnado, na pureza da criança, a qual não entende a pequenez mesquinha aguerrida do mundo dos adultos: Num aguerrido Mundo de amarelos versus azuis, seja verde, pois não resolverás tais problemas, mas poderás ser uma pessoa na qual as pessoas possam depositar esperanças de um amanhã melhor, visto que nem a Suprema Divindade de Jesus soube resolver as guerras no Mundo. Neste quadro temos saúde, como na saúde de uma pessoa que come bem, come certo, como comer aveia, um dos alimentos mais perfeitos que existem, na sabedoria popular de que você é o que você come, como uma pessoa que decide virar vegana, sentindo efeitos imediatos, como a melhoria do fluxo intestinal. Aqui, Maria está sentada em seu trono metafísico, assumindo seu decisivo papel bíblico, sendo a Mãe de Deus, numa enorme responsabilidade, como uma jovem Diana, recém casada com um príncipe, encarando a perspectiva de ocupar um trono que reina sobre um terço da Humanidade, transcendendo, depois, o título oficial de princesa, tornando-se a Rainha do Povo.

 


Acima, Adoração dos Magos. Esta imagem remete aos mágicos fins de ano, quando estamos de férias da escola e temos decorações natalinas para fazer, como montar um pinheiro e fazer um presépio, na magia colorida de bolas na árvore, na magia das cores, como lustres de cristal emitindo um arcoíris de cores. Os reis magos são altivos, cheios de classe e dignidade. Um deles usa uma coroa, num símbolo de poder e respeito, no desafio de uma pessoa em obter o respeito do Mundo, no caminho do autoencontro, numa pessoa com autoestima, não querendo ser outra pessoa, ao contrário do quadro depressivo, quando a pessoa odeia ser ela mesma, numa autoestima lá em baixo, no fundo do poço, remetendo ao Umbral, o lugar das almas perdidas, como no controverso filme Calígula, num homem o qual, em frente a tanto poder, perdeu-se de si mesmo, como uma agulha se perdendo em meio à palha, como em clínicas psiquiátricas, com internos perdidos, no fundo do poço, enfrentando um momento tão humilhante, no qual estamos nas mãos de um psiquiatra, e de lá só sairemos se o médico assim permitir, num sentido de responsabilidade, como no filme cult Labirinto, com a menina que vira mulher, assumindo a responsabilidade de livrar seu irmão bebê Toby das garras do malévolo rei dos duendes, interpretado pelo deus David Bowie, num filme frente ao qual, de tão sui generis, fica difícil de se imaginar um remake, nesses fenômenos como Bowie, pioneiro, trazendo nos anos 1970 um estilo de cabelo que só se populizaria uma década depois, em artistas à frente de seu próprio tempo, como Elvis, trazendo os primórdios dos astros pop rock, no gênero pop que só se solidificou nos anos 1980, em monstros sagrados como Jackson, abrindo a mão da vaidade e arrebatando o Mundo como lobisomem no clipe célebre de Thriller. Maria aqui exibe com orgulho e carinho o rebento, no mito do Útero Imaculado, do qual todos viemos, numa forma de se fazer o Ser Humano entender nossa natureza sacrossanta, numa imaculada conceição, num Deus que nos fez de forma tão única e especial, no caminho da autoestima – gosto de ser eu mesmo! Na porção inferior do quadro, um dos reis se ajoelha perante a majestade sagrada do menino, tendo em Jesus a maior mente do todos os tempos, num homem que, apesar disso, nunca teve educação formal, no modo como educação formal é uma ferramenta – tudo depende de como usamos tal ferramenta, no modo como a mão e a cabeça precisam do intermédio de um coração bom, e Jesus não é o coração mais bondoso de todos os tempos? De que adianta eu ser inteligente e ser um sociopata de marca maior? As vestes aqui são essas vestes nobres que Artemisia tanto ama retratar, talvez numa mulher estilosa, uma mulher a qual, se vivesse em nossos tempos, seria uma designer de Moda, no modo como estilo e atitude são importantes e capitais, como uma certa pessoa, cujo nome não mencionarei, uma pessoa que esbanja estilo e atitude, ao contrário de outros artista sem estilo, os quais creem que só a voz garante o estrelato – discordo respeitosamente. Ao alto no quadro, um fálico raio de luz desce dos Céus abençoando Jesus, numa revelação de divindade, apontando a natureza divina do pensamento, o qual se sobrepõe à matéria, no glorioso modo como a mente sobrevive à morte do corpo físico, na noção taoista: Se seu corpo morrer, não tem problema! O raio de luz é a mensagem de esperança do Espírito Santo, num mundo fabuloso que nos espera, no irônico modo como, no Céu, segue imperando a necessidade de termos algum trabalho nobre para fazer, na eternidade do trabalho, a força que nos faz dignos de felicidade e respeito. Aqui temos tal moda barroca, com contrastes de iluminação, ao contrário da Renascença, onde tudo era iluminado, nos versos imortais de Elis: O novo sempre vem! É como na decadência da Era Analógica, sepultando o televisor de tubo e o telefone de gancho, no modo absurdo como, hoje em dia, é tudo software.

 


Acima, Autorretrato. A pena é o ditado de que a caneta é mais poderosa do que a espada, na revolução humana que foi a chegada da Escrita, da Letra, da civilização, sepultando a era da transmissão oral de tradição, ao contrário das tribos neolíticas amazônicas, sem escrita, na suma importância da Pedra da Roseta, permitindo ressuscitar uma língua morta, que é o egípcio antigo. O autorretrato é uma reflexão sobre si mesmo, sem narcisismos, numa pessoa se debruçando sobre sua própria vida, vendo a que estado está sua existência, numa pessoa assumindo o controle sobre si mesma, nessa espécie de feminista que foi Artemisia, adquirindo luz própria num mundo de homens, competindo de igual para igual com homens, ao contrário da icônica Monroe, a qual passou a vida em busca de figuras paternas, numa mulher vulnerável, frágil, que acabou nas drogas, malditas sejam estas, provocando a morte prematura de grandes estrelas como Elis, Eller e Houston, no caminho do sofrimento vicioso – é muito fácil dizer a uma pessoa viciada em heroína que é só parar de usar heroína, em drogas tão destrutivas como o crack, remetendo a um rapaz que conheci, já falecido, viciado em crack, numa vida toda destruída, impedindo de namorar, estudar e divertir-se com os amigos, ou seja, impedido de viver – é deprimente. Artemisia aqui nos olha plácida sem nos desafiar, nesse talento de artistas em penetrar poderosamente nas mentes das pessoas, no enigmático sorriso da Monalisa, protegida por uma grossa camada de vidro indestrutível, decepcionando quem vai vê-la, revelando-se um quadro pequeno, longe de épicas cenas de quadros gigantescos, na sabedoria popular de que tamanho não é documento. Artemisia aqui é jovem, bem jovem, talvez querendo se retratar mais jovem do que realmente era em tal momento, como numa pessoa coloca fotos de si no Facebook mais jovens, com tudo girando em torno da eterna juventude metafísica, no plano divino em que temos a aparência que queremos ter, no caminho delicioso da liberdade, em regimes democráticos que visam libertar o cidadão, ao contrário do Brasil, no qual o cidadão é obrigado a votar, ou seja, é obrigado a ser livre – temos um paradoxo aqui, assim como no paradoxo americano, no qual o cidadão não precisa votar, mas não pode se prostituir. Os dedos da artista são delicados, como na delicadeza de dama dos dedos da jazzista canadense Diana Krall, na vitória do sutil sobre o grosso, na vitória do bom gosto sobre a vulgaridade, na vitória da cabeça sobre a bunda, com o perdão do termo chulo. O cabelo de Artemisia está coberto e recatado, numa norma social de decência e discrição, talvez em parâmetros misóginos que oprimem a mulher, como nos cruéis espartilhos, sempre oprimindo a mulher, castrando a sexualidade feminina, no absurdo modo como tenho que me confessar se eu me masturbar, na sexualidade que nos faz humanos, nos deliciosos pecadinhos capitais, como na delícia da Preguiça, da qual se geraram grandes invenções – porque tenho que levar horas cozinhando algo na panela convencional se posso fazê-lo por muito menos tempo numa penal de pressão e, assim, gastar menos gás? Na artista não vemos um mínimo cabelo branco, no modo como já ouvi uma colocação um tanto machista, que é: Cabelo branco, no homem, é sabedoria; na mulher, desleixo. Não é machista? O pescoço aqui revela uma Artemisia bem nutrida, forte, numa época em que a mulher obesa era considerada sexy, no modo como não me canso de dizer que hoje em dia, numa crueldade misógina, só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia, em meninas as quais, de tão subnutridas, simplesmente param de menstruar – é um horror. Aqui temos a prova de tal talento, de tal pincel, na textura das roupas e nos fios de cabelos, numa artista que teve que evoluir muito numa academia, vivendo, repito, num mundo dominado por homens, no título de uma famosa escritora feminista americana: Contra o vento, ou seja, desafiando os “tufões” da sociedade patriarcal, a qual existe desde sempre. As unhas da modelo aqui são impecáveis, lindas, aparadas propriamente, no ato de autoestima de uma mulher em frequentar o salão de beleza.

 


Acima, Maria Madalena penitente. A caveira é o inevitável fim, como no Tango, na morte inevitável que se aproxima, na cena emblemática de Shakespeare, como o “ser ou não ser”, ou seja, Yin e Yang, as forças opostas que geraram o Universo, no jogo de sedução entre positivo e negativo no carimbo da xilogravura, no jogo binário entre zero e um, na foto em preto e branco dos astros de Hollywood, imitando os espíritos elevados, perfeitos em apuro moral, nossos irmãos superiores, que nos amam profundamente, como numa família saudável, que é unida, reunindo-se em datas, como na família de meu cunhado falecido, uma família unida, que faz brincadeiras, uma família nobre que me acolheu, ao contrário de outras famílias disfuncionais e complicadas, com irmãos que simplesmente não se relacionam, num irmão que se sequer telefona para o outro irmão no aniversário deste, no modo como os vínculos de família não se desfazem com o Desencarne, na eternidade do Amor, na imortalidade do nobre, de Tao, na nobreza da Virgem Santíssima, na imortalidade do que importa, que é o espírito, na noção taoista: Matéria é nada; pensamento, tudo. Madalena aqui apalpa a si mesma, como num exame de mama para detectar um câncer, remetendo a épocas em que o Câncer não tinha tratamento, ou seja, era tomar morfina para abrandar a dor e esperar a morte, como no fim trágico de Evita, sofrendo de um câncer uterino originado por um brutal procedimento de aborto, num dano tal que simplesmente impedia a líder de fazer sexo vaginal com o marido, tendo Perón dado umas puladinhas de cerca, tendo amantes em Buenos Aires, mas uma Evita que se manteve fiel ao marido até o final, numa mulher a qual, definitivamente, não governou para todos, bem pelo contrário, dividiu a Argentina em duas: De um lado, o proletário; do outro, a classe média e a aristocracia rural, contradizendo Obama, o qual disse que um líder tem que governar para todos, como num Getúlio Vargas, o qual governou para os ricos e para os pobres, num homem infeliz, matando-se, na prova de que poder não traz felicidade, no absurdo de uma pessoa em crer que tem que se matar, que não tem escolha, no caminho da loucura, no modo como a morte física não quer dizer muita coisa: Está infeliz encarnado, está infeliz desencarnado – simples assim. A santa aqui tem cabelos opulentos, soltos, livres, numa mulher livre, vivendo sua sexualidade, rejeitando os preconceitos rançosos do patriarcado, em figuras libertárias como a Mulher Maravilha, dando uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado. Aqui é este pincel barroco tão talentoso de Artemisia, com a luz natural entrando, tanto revelando quanto escondendo, no jogo barroco entre claro e escuro, num contraste, nessa moda tão imponente e avassaladora que foi o Barroco, nas inevitáveis ondas de renovação, como no momento em que o Cinema se tornou uma ferramenta de manifesto político, de cabeças pensantes, na frustração para um artista que é ser censurado, como no Brasil Ditatorial Militar, em manifestos tão finos e sutis como Águas de Março, passando despercebidos pelas mentes vazias e obtusas dos censores, na vitória do fino sobre o grosso. A santa fita profundamente a caveira, antevendo o futuro, numa mulher que fez do Sexo um leilão, arrependendo-se depois, acolhendo Cristo na cruz, colocando Ele no colo da Virgem da imagem poderosa da Pietà, num retorno ao útero, como no fim de 2001, no feto, no filho retornando ao lar, no glorioso retorno às origens, numa Humanidade tão jovem, que ainda tem muito pela frente, em humildes e curiosas sondas espaciais mandadas sistema solar afora, numa fome humana em conhecer o que há lá fora, alimentando e excitando os ufologistas, na desafiadora crença de que o Homo sapiens recebeu, no passado, ajuda civilizatória extraterrestre, maculando, assim, a vaidade humana, ferindo a crença de que o Ser Humano veio do nada e que construiu a sim mesmo. Aqui, a pessoa se debruça sobre sua própria vida, tendo consciência de si mesma, talvez se deparando com um deprimente vazio existencial, uma pobreza, num choque, como levar um choque na tomada elétrica.

 


Acima, Santa Catariana de Alexandria. Airbag duplo. Deus Jesus do Céu, o que é a opulência dos seios aqui, quase estourando e rasgando a roupa, dando inveja a milhões de mulheres que usam silicone. Aqui é como na famosa foto com as atrizes Jane Mansfield e Sophia Loren, com Jane com um decote ousadíssimo e provocante, escandaloso, com os seios de Jane quase revelados, e, ao lado, o claro olhar de reprovação de Sophia, a qual usava um decote sexy, mas não vulgar, nessa linha divisória entre sexy e vulgar, como na Playboy brasileira, num nu de extremo bom gosto, sexy sem ser vulgar, numa revista de que até os homens homossexuais gostavam, tal o bom gosto, como na emblemática Playboy de Maitê Proença na Itália, num nu antimisógino, que não agride a dignidade da mulher, no modo grego clássico de lidar de forma natural com a nudez, nos inúmeros clubes de striptease ao redor do Mundo, como uma pessoa que conheci, a qual levava vida dupla: De dia, era uma pacata estudante universitária; de noite, um stripper numa casa de shows. A santa olha para cima, elevando-se ao metafísico, ao Céu, ao prometido Reino dos Céus, como numa altiva Whitney Houston numa edição do Grammy, numa época em que a voz da diva ainda não tinha destroçada pelas drogas, na artista, de raízes Gospel, cantando e olhando para o alto em elevação, elevando-se ao metafísico, como orar e olhar para cima, no revolucionário conceito cristão do Reino dos Céus, o lar metafísico ao qual todos pertencemos, havendo no Umbral os que não querem sair da prisão, ou seja, o caminho da loucura, num prisioneiro que simplesmente não quer sair da prisão, querendo voltar ao físico, ao mundano, como um sociopata que conheci, mundano, materialista, que só queria saber de boas roupas e bons vinhos, como no playboy Oscar Schindler, o qual cresce e acaba se compadecendo com as dores do Mundo, tecendo a famosa lista que salvou muitas vidas, num filme que causou comoção, no poder da Arte em arrebatar nossas mentes e corações, na característica da grande obra de Arte, que é nos deixar perplexos e comovidos, em filmes que têm algo de interessante para nos dizer, ao contrário de filmes pretensiosos e desinteressantes, vazios, que ganham o prêmio deboche Framboesa de Ouro, na prova de que ninguém está por cima o tempo todo – Tom Hanks, que por duas vezes consecutivas foi considerado a nata da nata hollywoodiana, esteve recentemente no rol do infame troféu, na divertida liquidiscência aquosa da Vida, nos altos e baixos ondulantes inevitáveis, como ondas indo e vindo sensualmente, respirando, num fato que não deixa de ser engraçado, com lições sendo aprendidas, pois todos estamos no Mundo para um enorme depuração. A santa está bela, arrumada, enjoiada, com um belo par de brincos aristocráticos, na magia das bijuterias, na revolução de Chanel, trazendo a noção de que o que importa não e ó preço do objeto, mas o efeito que o objeto causa, em cabelos majestosamente arrumados com flores silvestres, as quais não custam um só centavo, como no filmão O Tigre e o Dragão, com o mestre Li Mu Bai ensinando uma lição de humildade à aluna, pegando um ínfimo graveto e mostrando que o poder não está no instrumento, mas na mão que o guia, num graveto mais poderoso do que uma aristocrática, preciosa e cara espada, pois o graveto foi guiado pelo grande mestre Li, no caminho viril da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação. Os seios aqui são a vida, a exuberância, como na artista Gabi Amarantos, exuberante, linda, apesar de não ser magérrima, na prova de que magreza não é sinônimo de beleza, remetendo a moças anoréxicas, que sofrem. As mãos da santa aqui sugerem um momento de prece, num recolhimento, numa reflexão, como numa sessão de Psicoterapia, debruçando-se sobre assuntos importantes na existência do paciente, no divertido modo como já ouvi que um psicoterapeuta é uma comadre bem paga!

 

Referências bibliográficas:

 

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

A arte de uma mulher (Parte 3 de 4)

 

 

Falo pela terceira vez sobre a artista italiana barroca Artemisia Gentileschi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Esther à frente de Ahasuerus. A mulher é fraca e vulnerável, no sonho de menininha de ser salva pelo príncipe perfeito, o qual não existe, como nas menininhas louvando as boybands, como no fenômeno dos anos 1980 que foi a banda portorriquenha Menudo, arrastando tietes histéricas, como num galã de telenovela, o qual evita passear em shoppings no fim de semana, evitando o assédio histérico de tietes, no modo como muitas eleitoras gaúchas votaram em Eduardo Leite por este ser um galã, um homem belo, o homem que cometeu a façanha de ser o primeiro governador gaúcho da História a ser reeleito, talvez votado massivamente pelas mulheres, as quais adoram os gays. O príncipe aqui está na posição de poder, num homem poderoso, atraindo mulheres, no eterno jogo de sedução entre masculino e feminino, na piada de Tao que é o Sexo, dividindo seres entre masculino e feminino, no esquema biológico de reprodução, como nos pinheiros araucárias, com pinos machos e pinos fêmeas, as quais geram o pinhão, a semente tão apreciada no Sul do Brasil. A mulher aqui quer ser salva pelo homem perfeito, sustentada, no eterno machismo social: Se é uma mulher sustentada por um homem, pode; se é o oposto, não pode. É como me disse uma grande amiga psicóloga: “É tão desinteressante uma pessoa que é somente dona de casa!”, como uma mulher que conheço, a qual abandonou a carreira para se tornar mãe, esposa e dona de casa, num trabalho tão anônimo, no mito de Maria, a mulher sem história, numa vidinha, como na vida num harém de faraó, vaga, indolente, numa vida tão monótona, numa mulher que é um mero útero reprodutor a serviço de uma coroa, como na história de Grace Kelly, uma artista altamente brilhante, uma deusa, abandonando tudo para chupar um pau coroado, com o perdão do termo chulo, entrando numa vidinha desinteressante, acabando como uma mera e anônima artesã, confeccionando arranjos de flores secas, tornando-se uma “flor seca”, sem vida, um mero útero reprodutor a serviço de uma coroa, como na atual Princesa de Gales, ou como na bela e medíocre Melania Trump, medíocre ao ponto de plagiar um discurso de Michelle Obama, acreditando que ninguém se daria conta, na sabedoria popular de que beleza não põe à mesa, no exemplo de uma certa popstar, um tribufu chupando manga de feia, numa artista extremamente bem sucedida, remetendo a um certo senhor belo, o qual acreditava que os “the looks” lhe garantiriam o estrelato. Aqui nesta obra de Gentileschi uma aia assessora a dama desmaiando, num séquito de aias em volta de uma patroa, como no filmão Elizabeth, com a deusa Cate Blanchett, com a monarca sempre cercada de pessoas e paparicos, numa bajulação tal ao ponto da pessoa paparicada crer que é de fato um ser divino, no modo nojento com a paparicada corre solta no Showbussiness, numa dúvida atroz: Quem é mais patético – quem oferece a bajulação ou quem aceita esta? O príncipe aqui parece estar interessando na donzela, nessas figuras como Maria Antonieta, a menina mimada que sempre viveu entre privilégios, como na Scarlet O’hara no início da história, uma menininha fútil e mimada a qual, ao enfrentar as dores e as vicissitudes da Guerra Civil Americana, torna-se uma mulher forte, reerguendo a destruída fazenda de Tara, adquirindo calos não mãos na colheita árdua do algodão, deixando para trás os tempos de rica, com mãos de dama, macias, sem qualquer calo, no desafio de uma pessoa de vencer a adversidade e, em missão cumprida na Terra, volta para o Céu com a sensação de dever cumprido; missão cumprida, como no ar que se respirava no funeral de minha avó Nelly Mascia, num ar de uma pessoa totalmente consciente do seu próprio desencarne, na glória de reencontrarmos lá em cima tais entes queridos, na maravilha da Imortalidade, num plano onde todos se respeitam mutuamente. Os degraus aqui são a elevação social, num sonho almejado pela mulher que quer desposar tal homem poderoso, numa mulher que quer ascender socialmente, como no homem rico e poderoso de Sex and the City, seduzindo a escritora Carrie, num jogo de flerte, com cada um trazendo algo para o relacionamento. Aqui temos essas roupas pomposas e aristocráticas de Atermisia, roupas solenes, de festa, numa artista que viveu entre esses privilégios, num serviço caro, pouco acessível.

 


Acima, Jael e Cícera. Aqui a mulher é uma vilã, como em mulheres dissimuladas, falsas e tóxicas, numa certa misoginia. O prego remete à brutal crucificação de Jesus, num momento em que Ele próprio acreditou ter sido esquecido por Deus Pai, num espírito o qual hoje sequer se lembra de sua própria brutal execução, talvez dizendo: “Todo mundo me fala disso, mas eu não lembro!”, tendo Nele nosso irmão depuradíssimo, o homem que se tornou o centro sobrenatural da História, um homem pobre e humilde, o qual nunca teve oportunidade de ter uma educação formal, um superstar do qual já falei em meu blog: Dê um search no título “Superstar” em <blogdesde2015.blogspot.com.br>. Aqui remete ao filme pesadíssimo Misery, com uma mulher louca que aprisiona um escritor e submete este a uma fratura seríssima nas pernas, como no sociopata, uma pessoa que parece ser normal e sã, mas uma pessoa cujas ações analisamos e desconstruímos e não encontramos lógica, um sociopata de marca maior, uma pessoa com a qual não podemos nos relacionar, uma pessoa que faz tudinho por merecer tal desafeto, apesar de tudo parecer um leve desentendimento entre duas pessoas boas. Aqui é como a Vênus e o Marte de Botticelli, com este em profundo sono, entorpecido, e a Vênus consciente, como numa canção da cantora Kelly Key, numa mulher reduzindo um homem a um cachorrinho de estimação, na convenção social de chamar ela de “dona” e chamar ele de “seu”, sugerindo uma posse, e, nas sábias palavras de Woody Allen, subjetivo é objetivo, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona naturalmente, no termo latino que diz que a verdade é a filha do tempo, numa lenta elucidação, num dia amanhecendo lentamente, na revelação da Estrela da Manhã, na terra sacrossanta espiritual, o local sem qualquer vicissitude material, sem doenças, sem frio, sem calor, sem fadiga, o lugar em que somos todos belos e jovens para sempre, na revelação metafísica na mente sobre a matéria, na glória de que a mente sobrevive totalmente à morte do corpo físico, havendo em Santo Agostinho um dos pilares do Espiritismo, no modo como somos todos prisioneiros, sem exceção, importando o que fazemos de nossos dias de prisão aqui na Terra, ao contrário de uma pessoa inativa e desocupada, desperdiçando seu tempo na Terra, na revelação engraçada de que, no Céu, segue imperando a necessidade de nos mantermos operantes e trabalhadores, num Céu tão sério e realista, longe da imagem de anjinhos loiros tocando harpas, na inevitável pergunta que fazemos a um ente querido lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. O prego na cabeça é a loucura, como num cérebro se necrosando, numa demência, numa doença tão deprimente, numa pessoa demente que acaba se esquecendo de tudo: família, carreira, cônjuge, amigos etc., como Roberto Marinho, o qual, nos últimos anos de vida, ligava para a Globo pedindo emprego, equivalendo ao Rei da Inglaterra pedir emprego para um cônsul, numa pessoa que desencarna e deixa para trás tal cérebro comprometido, ressuscitando em lucidez suprema, como trocar de roupa, deixando para trás uma roupa suja e vestindo uma roupa bem limpa, em rituais gloriosos como um bom banho revigorante, fazendo do Umbral um lugar tão sujo, tão cheio de desnecessidades. O homem aqui é a vulnerabilidade, numa inocência, numa vitimação, como uma pessoa vítima de um assalto, como uma amiga minha, a qual foi brutalmente assaltada por um homem que levou o carro dela, ou como uma pessoa boníssima e inocente que conheci, vítima de um latrocínio, num assassino que não faz ideia da atrocidade que cometeu, matando uma pessoa jovem, com toda uma vida pela frente, um filho amado: Pobres diabos sofredores, que causam mais mal do que imaginam. Neste quadro, numa discrição barroca, vemos um pilar forte e estável, num homem sério e centrado, provendo um lar, numa responsabilidade. Aqui temos essas mulheres vilãs de Artemisia.

 


Acima, Judite assassinando. A espada é o objeto de agressão, no símbolo masculino fálico, como no final do filmão Fargo, com o sociopata sendo detido, passando então por uma estátua de um viril lenhador com seu machado: Para as pessoas são, um instrumento de trabalho, vigor e virilidade; para o sociopata, uma imagem de agressão, matando inocentes, nesses filmes que fazem tão belas carreiras em Hollywood, em fenômenos de popularidade na Academia, na questão complicada do sucesso, o qual é um problema, pois quando o sucesso vem, a pessoa tem que saber superá-lo e encarar uma nova página em branco, num caminho de humildade e desafio, em orgasmos que não duram para sempre, não havendo na Vida um “controle remoto” capaz de pausar, retroceder ou adiantar, no caminho existencial da pessoa, com passo a passo, pois quando não é o momento para algo em específico, não há Cristo de faça ser, como eu certa vez “me quebrei” para fazer um ensaio fotográfico com uma fotógrafa badalada de Porto Alegre, um serviço que me custou os olhos da cara, uma sessão de fotos que acabou não adiantando para ABSOLUTAMENTE nada, num dinheiro jogado fora, mas nada que possa dar culpa à inocente fotógrafa, a qual estava lá somente fazendo seu trabalho – fui eu em quem a procurou, e quando o negócio é um barril de algodão molhado, nem uma tocha acesa pode detoná-lo. Aqui é uma decapitação brutal, remetendo a uma lembrança forte de infância, quando testemunhei o abate de uma ovelha, com o bicho atado gritando, dando seus últimos suspiros de agonia, algo que acontece nos abatedouros, enfurecendo os veganos, em abates brutais que resultam nas carnes à venda no supermercado, em veganos furiosos com pessoas que usam jaquetas de couro, como nos tempos antigos dos EUA, com búfalos sendo abatidos para a extração do valioso couro, no modo como temos que de certo modo ouvir os ecologistas, numa Terra que é nosso único lar, num Ser Humano que não tem para onde ir, pois o Cosmos, fora da Terra, é extremamente hostil ao Ser Humano, como em filmões como Perdido em Marte, mostrando o esforço de sobrevivência num planeta tão hostil, gelado, de atmosfera irrespirável, árido, morto, com constantes tempestades inclementes de areia. Aqui a assassina tem uma cúmplice, no sádico encontrando seu masoquista, como certa vez fui abordado na Rua por uma sociopata, uma pessoa com aparência acima de qualquer suspeita, querendo em aliciar para uma seita para lá de estranha, uma sádica respaldada por uma masoquista, numa energia atroz, dando-me a sensação de eu ter sofrido uma tentativa de assalto, no modo como devemos saber enxergar dentro das pessoas, ouvindo mais a mente do que o coração. Aqui é o modo antigo de execuções oficiais, como na prima de Elizabeth I, Mary Stuart, condenada esta à decapitação por ter conspirado contra a vida da lendária regente inglesa, numa questão dura e difícil, que é executar uma pessoa da própria família, em escolhas duríssimas, como um diretor de Cinema fazendo cortes necessários, frustrando os atores, no modo como tais “tesouradas” são comuns na Sétima Arte, como num certo filme, no qual o diretor extirpou totalmente a participação de um ator, o qual, é claro, saiu altamente frustrado, em escolhas difíceis, amargas. Aqui é como no mito da Viúva Negra, matando o macho após a cópula, como na femme fatale de Instinto Selvagem, o filme que alçou Sharon Stone ao estrelato, nessa gangorra que é Hollywood, a qual é a terra do sucesso e a terra do fracasso, com tantos e tantos sonhos despedaçados todos os dias, como um certo diretor, o qual de certo sonhou com uma carreira em Hollywood. O negror barroco do fundo é a morte, o crime, o assassinato, como no filmão O Iluminado, no elevador se abrindo e jorrando sangue, prevendo um brutal assassinato, nesse mestre Kubrick, deixando-nos perplexos com tais obras de Arte, na função do artista em nos fazer “babar”, como nas suntuosas instalações da dupla Christo e Jeanne-Claude. Aqui é como uma mutilação involuntária, na noção espírita de que devemos mortificar o espírito e não o corpo.

 


Acima, Judite e sua serva (1). Aqui são os abismos sociais, como na rica cidade de Gramado, com intermináveis levas de turistas ricos, numa cidade em que hospedar-se, comer e comprar exige muito poder aquisitivo, numa cidade que abriga alguns mendigos na calçada, pedindo esmola, na recomendação de uma instituição de assistência social: A esmola não ajuda; bem pelo contrário, a esmola só incentiva a pessoa a permanecer na mendicância, no modo como em certos países há leis antimendicância. Judite com a espada trama o assassinato, tendo a serva como cúmplice. A vela é a fragilidade, tremulando ao vento, como uma pessoa não centrada, que vive à toa, ao sabor do vento, algo que não pode acontecer, no modo como a Vida exige que tenhamos tais pés no chão, como um certo senhor, já falecido, um homem cuja vida foi uma aventura, vivendo à toa como um saco plástico ao vento na rua, um homem que até teve oportunidades de se centrar, mas nunca o fez, no sério modo como a Vida exige que tenhamos tal siso, tal responsabilidade, como colocar filhos no Mundo, como um grande amigo meu, o qual tem que trabalhar de Sol e Sol para prover para si, para a esposa e para as filhas um ótimo nível de vida, nas palavras de um certo senhor: “Se queres que tua vida continue assim como está, não tenhas filhos. Se tiveres filhos, tua vida nunca mais será a mesma”, numa conversa séria, não fútil como falar se a Fulana tem estrias ou se vai chover amanhã. Aqui é esta Artemisia mergulhando fundo no Barroco, com o jogo de claro e escuro, nas novas ondas que sempre vêm, apesar de parecer que as ondas vieram para ficar, como nos típicos quinze minutos de fama do Big Brother, parecendo que tais pessoas jamais serão esquecidas pelo povo brasileiro, mas serão, com tantas pessoas que querem aparecer ao máximo, na noção taoista de que ninguém, lá no fundo, respeita uma pessoa que quer puramente aparecer, no gigantesco desafio de conquistar o respeito das pessoas, como uma humilde Gisele, a qual sabe que, se não quiser desaparecer, não pode parar de trabalhar, tendo a humildade de dizer aos fãs num set de filmagem de um comercial: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”, numa mulher laboriosa, na vitória do trabalho e da competência, ficando, a trabalho, horas e horas em aviões entre Nova York e Porto Alegre. A serva aqui está agachada, inferior, discreta, no homem de Tao, discreto, subestimado, na noção de que quando digo que algo é algo, é porque comparo com algo não tão similar, ou seja, quando algo se sobressai grande, é porque é comparado com algo maior, como na atriz Nicole Kidman, a qual disse que, em entrevista, quando era casa como tampinha Tom Cruise, era obrigada por este a calçar sapatos de salto baixo, na tentativa de tal homem de ser alto, na prova de que tamanho não é documento, como Madonna, uma baixinha que é um colosso, no modo como nunca se é velho demais para seguir sonhando, num processo intermitente, na noção dialética de que tudo é processo, numa grande professora minha de Filosofia que me perguntou por que nós não fazemos suicídio coletivo, e eu responderia que não existe ponto de perfeição, pois tudo é aprendizado constante, não havendo ponto de perfeição, havendo este problema no suicida, o qual, em arrogância, acha que alcançou a perfeição e que nada mais tem a aprender, indo, então, para o Vale dos Suicidas no Umbral, vagando sem noção de tempo ou espaço, imundo, com fome e sede, com frio e calor, na dimensão dos que não têm a humildade para admitir que precisam de um auxílio fraternal para sair de tal dimensão infernal. A cortina é a revelação, no momento mágico teatral da cortina se abrindo, quando entramos na cabeça do diretor, ou este entra na nossa... Jesus, que pincel talentoso o de Artemisia, num efeito na textura dos tecidos, numa sofisticação, uma artista a qual foi, eu já disse, uma espécie de feminista, competindo diretamente com homens. A mão de Judite espera um tempo, uma pausa, esperando o momento oportuno de dar seu “bote”.

 


Acima, Judite e sua serva (2). Aqui o ato está consumado, e não há mais como retroceder. A cabeça jaz numa cesta, e Judite olha para ver se alguém percebeu. A espada aqui é cruel, como numa crueldade de um atentado terrorista, derrubando as Torres Gêmeas, no dia em que a Terra parou, num dia de infâmia, num Obama firme, que ordenou a execução oficial de Bin Laden, num dia de júbilo para os americanos, os quais foram às ruas para celebrar a morte do terrorista, na crença miserável de que “falem, bem ou mal, mas falem”, nas palavras de Hitler, o maior sociopata de todos os tempos, seguindo por neonazistas cruéis, num homem diabólico que quis, simplesmente, destruir o Mundo, colocando uma metade contra a outra, num infeliz que acabou se suicidando, indo, inevitavelmente, ao Umbral, a dimensão dos que não entendem o Amor Incondicional, leve, no caminho natural do perdão, como uma amiga minha, a qual resolveu me perdoar, visto que os ressentimentos não são eternos, numa vítima perdoando o assassino, no caminho da fraternidade: Claro que te perdoo, irmão! A serva aqui está bem coadjuvante, de costas para o espectador, reservada, talvez querendo não ser culpada de cumplicidade, num conchavo entre duas pessoas. Aqui temos um contraste social, vendo as roupas de cada uma das mulheres, com uma mulher rica, de roupas nobres, frente a uma mulher pobre, de vestes mais humildes, do povo, no modo como há artistas para os quais é capital escolher o que vestir na hora de vir a público, fazendo da Moda e do Estilo excelentes modos de autoexpressão, pois como me visto é como quero ser visto, no caminho do respeito, havendo no Brasil um país democrático, no qual o cidadão pode se vestir como quiser, no modo como hoje mesmo na Rua passei por dois travestis passeando tranquilamente, num Mundo que tem que ser mais inclusivo, no modo como o travesti e o transexual são nossos irmãos, nossos iguais, filhos do mesmo Rei Supremo, na loucura de Caim matando Abel, na eterna crueldade humana, como queimar pessoas vivas numa fogueira, num Ser Humano que se esforça ao máximo para ser o mais cruel possível, fazendo coisas que Jesus JAMAIS faria, havendo a maravilha da hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, com tudo girando em torno de apuro moral – os mais finos e verdadeiros regem os menos. O cabelo de Judite está ornado com uma joia, num status social, com bens de consumo inacessíveis a outrem, no início do filme icônico com a deusa Audrey Hepburn tomando café, comendo croissant e olhando vitrines da famosa grife de joias Tiffany, na diferença entre rico e chic, os quais podem ou não andar juntos, havendo no chic uma atitude que pouco ou nada custa financeiramente, em joias que emocionam o espectador, havendo na joia uma metáfora material para o imaterial, pois a joia, como rocha, como pedra, é um elemento físico, danado à ruína, no modo como nem as pedras preciosas são eternas, nas palavras de Silvio Santos: “Do Mundo não se leva nada! Vamos sorrir e cantar!”. E a Eternidade permanece como a prova de tal poder imensurável, no absurdo modo como jamais findaremos – não é poder demais? A cabeça aqui está já está com tonalidade cadavérica, e as mulheres tramam um plano de ocultação de cadáver, num espírito imoral que, no fundo, sabe que é infeliz, tendo até a consciência de que está no Inferno, mas nada fazendo para dali sair, recusando uma oferta de ajuda, no caminho da arrogância, no caminho da humildade, pois quem é humilde não se fode, com o perdão do termo chulo. Aqui são essas mulheres controversas de Artemisia. Elas olham para o lado, talvez surpreendidas por algo inesperado, e tentam ocultar o que fizeram, não percebendo que a Verdade é a filha do Tempo, e que a Verdade acabará se impondo, como na Estrela Vespertina aparecendo aos pouquinhos no céu poente, começando bem discreta e humilde, até aparecer por completo em sua majestade, no sonho de um artista em alcançar tal estrelato, num artista que soube se vender muito bem, crescendo no conceito das pessoas – respeito é tudo!

 


Acima, Lot e suas filhas. O homem aqui está escondido, discreto, contrariando a Sociedade Patriarcal, na qual o homem vem primeiro, em tal universalidade, como na figura do cacique amazônico, num poder masculino que tenta se aproximar do poder da mulher, que é trazer Vida ao Mundo, numa eterna “guerra dos sexos”, na intenção humana que compreender as forças opostas complementares que regem o Universo, na figura do rei e da rainha, do áspero e do liso, na dialética de que tudo traz em si sua própria contradição, no casamento entre razão e loucura, como num certo slogan publicitário de uma marca de comidas: “A qualidade vai te surpreender!”, em dois sentidos, num a contradição do outro: A qualidade, sendo boa, vai te agradar em surpresa; a qualidade, sendo ruim, vai te fazer odiar em surpresa. E essa contradição é natural, irônica e inevitável, na figura de comediante de Deus, o grande piadista, resultando nas comédias algo tão humano, no Ser Humano rindo de si mesmo, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio, no Deus no filme Dogma: Solitário, mas engraçado! Neste quadro não há suntuosidade de altas classes sociais, mas roupas simples, na sabedoria de que a Vida é boa quando é simples, com pessoas sendo felizes com pouco, na sabedoria de da Vinci, que disse que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, num rei líder simples, que acompanha o próprio povo, sentando-se numa poltrona para ver a mesma TV que os súditos assistem, num homem simples, como no rico e poderoso Boni da Globo, dizendo que comida boa é comida simples, mas bem feita: um feijão com arroz bem feito, um purê de batata bem feito, um pastel de carne bem feito, um xis bem feito etc., havendo em Versalhes a alienação do rei em relação ao preço do pão para o povo francês, num rei que será deposto se afastar-se do próprio povo, como na deposição da família real russa, os Romanov, pelos comunistas, num Comunismo que, depois, caiu de podre, na imperfeição das concepções humanas, na bipolarização entre o liberal Smith e o comunista Marx, havendo no meio, numa ponderação, numa sabedoria de Keynnes, trazendo o conceito conciliatório do Estado Mínimo, numa opção: Se descubro que estou com Câncer, posso me tratar na rede particular se eu tiver dinheiro; do contrário, se eu não tiver dinheiro, trato-me na rede pública. Pronto. Simples assim. A moça à esquerda também está escondida, como na obscura drag queen do clip famoso do megahit Everybody Dance Now, o qual está nesta grande invenção que é o Youtube. Só a moça da direita está explícita e destacada, num privilégio de um ator estelar protagonista, paparicado pelo diretor, o qual chega no set e pergunta: “Como vai, minha estrela?”, nesse plano nojento que é o Showbusiness, na promiscuidade da bajulação correndo solta, longe da simplicidade, num mundinho onde todos estão, o tempo todo, colocando o pau na mesa, com o perdão do termo chulo, resultando em pessoas narcisistas, que só sabem falar de si – é um horror. Os pés descalços são a simplicidade, nas imagens de Nossa Senhora de alvos pés descalços, numa imagem de pureza, numa lata de leite condensado, numa mulher doce e passiva, desprovida de qualquer agressividade, o que não é bom, como uma dama que conheço, a qual sempre será a dama que é, só faltando-lhe adquirir um pouco de agressividade, na figura do trio de super heroínas As Meninas Superpoderosas, combinando beleza feminina com agressividade e força masculinas, na figura feminista da Mulher Maravilha, a bela que dá uma surra em qualquer tanque de guerra. Uma das moças segura uma garrafa, que é o receptáculo feminino do útero, o primeiro berço de todos nós, no modo como é difícil para um pai e uma mãe admitir que têm um filho sociopata, naquela criancinha inofensiva que carregamos no colo, amamentamos e trocamos as fraldinhas. Aqui, a iluminação é um momento de evidência profissional como uma indicação ao Oscar, numa humilde Fernanda Montenegro, dizendo-se então uma fodida, algo que ela realmente não foi em tal momento, com o perdão do termo chulo.

 

Referências bibliográficas:

 

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A arte de uma mulher (Parte 2 de 4)

 

 

Falo pela segunda vez sobre a artista italiana barroca Artemisia Gentileschi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Anunciação. Aqui remete a um belíssimo comercial natalino da rede gaúcha de supermercados Zaffari, nos versos: “Ó doce e pura Maria, o Reino dos Céus anuncia – ao Senhor darás a luz!”, na poderosa imagem da Virgem, resultando no impactante início do controverso filme A Última Tentação de Cristo, retratando uma Maria longe da imagem de perfeição religiosa, mas uma mulher do povo, simples, um tanto desprovida de sofisticação, nas divertidas palavras de uma certa intelectual, falando de Maria: “Uma puta, que teve um filho com quem não era marido dela!”, com o perdão do termo chulo, sem eu aqui querer melindrar os católicos, por favor. No topo de tudo, o Espírito Santo, na imagem de esperança, na promessa de que uma vida maravilhosa nos espera lá em cima, na dimensão em que a seriedade da Vida continua se desdobrando, na necessidade da pessoa em seguir trabalhando e sendo produtiva, como um certo ente meu querido desencarnado, uma pessoa que, na Terra, jamais ficou improdutiva, tendo, certamente, um bom emprego lá em cima, no modo como mesmo Tao é um trabalhador, remetendo ao recente falecimento acidental de um certo mendigo, uma pessoa arrogante, que não quer receber ajuda, ou seja, está neste exato momento no Umbral, a dimensão dos que não querem encarar a Vida; a dimensão do ócio e da improdutividade total, o que não é saudável. O anjo aqui é majestoso, com roupas de realeza, na metáfora das asas, as quais simbolizam a liberdade do desencarnado, apontando regimes totalitários perversos na Terra, regimes que oprimem o pacato cidadão, num déspota que jura que é um homem de Tao, uma piada, no mecanismo ditatorial de aterrorizar o cidadão, como em atos cruéis como queimar uma pessoa viva numa fogueira, num recado expresso ao cidadão comum: Comporte-se ou acabarás assim! A Virgem aqui é passiva, uma dama, aceitando sem resistência a função de Mãe de Deus, na imagem das embalagens de Leite Moça, com a moça virgem, pura e doce, como no mito de Evita, a qual, como a famosa a prostituta Bruna Surfistinha, tinha cara de lata de Leite Moça, de santa, de virgem, vendendo-se, assim, para o humilde proletariado, pessoas ignorantes, aliciadas por pastores perversos de igrejas suspeitas, no pastor se impondo, jurando que é um homem digníssimo, sendo, na verdade, um homem de má fé, sempre querendo arrancar dinheiro das pessoas ignorantes, numa certa imagem em noticiários televisivos, com homens angariando maços e maços de dinheiro, com um deles sorrindo perversamente para a câmera de TV, no termo irônico “Enriquecer em Cristo” – é um horror, fazendo coisas de baixo apuro moral as quais Jesus jamais faria. O anjo aponta falicamente para o Céu, na imagem de liberdade do pensamento racional, como num rapaz belo num quadro de da Vinci, apontando para uma direção, um objetivo, no papel do psicoterapeuta e apontar as coisas da forma mais fria possível, libertando, assim, o paciente, nas imagens de asas no Egito Antigo, com deusas como Ísis, em paradigmas universais de feminilidade, no modo como, ao fim do Paganismo Clássico, as imagens de deusas foram tranquilamente substituídas por imagens de Nossa Senhora, no arquétipo de feminilidade, passividade e pureza, transmitindo algo de bom e puro para o fiel. Maria aqui tem uma fina auréola sobre a cabeça, no indicativo de divindade, em todos os ramos religiosos que louvam a Virgem, numa certa canção pop: “Você tem que ver Maria!”. É como em concursos de beleza nos quais a moça não pode ser casada, ou seja, ter, ao menos na teoria, virgindade, no limiar da cantora Britney Spears em um certo momento da carreira, virgem, nem mulher, nem menina, num alvorecer dourado, numa revelação de luz de que somos irmãos, nos incansáveis esforços do padre na missa, sempre nos lembrando que todos fazemos parte da Grande Família Estelar, no Rei Supremo que nos ama infinitamente, na transgressão cristã: AC, olho por olho, dente por dente; DC, o perdão, no modo como o perdão é o caminho natural da Eternidade, pois os ressentimentos não são eternos, na noção taoista de que tudo se revolve naturalmente. As cabeças de anjinhos são a fertilidade, a abundância de uma vida plena, num Jesus de gênio criativo.

 


Acima, Autorretrato (1). Aqui é uma grande ironia, pois é Artemisia pintando retratada por uma Artemisia também pintando, numa ironia de metalinguagem, como ator interpretando ator, algo que deixou a deusa Goldie Hawn muito à vontade em seu papel em O Clube das Desquitadas, com diva interpretando diva, no poder dessas comédias, na capacidade do Ser Humano em rir de si mesmo, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio, como no filme A Guerra do Fogo, mostrando vários estágios de evolução humana, partindo de primatas bem primários e selvagens, passando por um estágio melhor, com homens cobertos de peles de animais, e chegando a um estágio neolítico, no domínio de fogo e na capacidade de rir das cosias da Vida, fazendo do Humor algo tão humano, tão civilizado, partindo do Teatro Grego, neste prazer que é sentar e ver uma boa comédia, em gênios teatrais como a atriz Ilana Kaplan, um tsunami do palco, numa peça em que tudo o que temos quer fazer é sentar e rir! É claro que aqui temos uma idealização, pois a pintora veste roupas majestosas de festa, de luxo, algo longe da roupa “surrada” que o artista tem que usar no atelier, para, assim, não sujar roupas boas, como usar um jaleco de médico, na roupa do labor, do dia a dia de produtividade, como no personagem Aragorn, de Tolkien, vestindo roupas surradas para encarar a Vida, o labor, como um arqueólogo se sujando em sítios arqueológicos, no vaivém das potências, num Egito que já foi uma potência militarmente temida e que, hoje, nada mais é do que um sítio arqueológico, como na Espanha na Era das Navegações, uma potência na época, hoje um país o qual, apesar de desenvolvido, deixou para trás tais templos de glória imperial, no modo como o Vaticano vai, ano a ano, perdendo fiéis para outras igrejas, no corpo dinâmico que são as religiões, na transgressão protestante, dividindo a Europa, ameaçando a hegemonia do Vaticano, o mesmo Vaticano que, nos anos 1990, tentou impedir o show de Madonna na Itália, uma artista a qual, se fosse homem, não seria tão criticada, num mundo patriarcal de homens, nos versos subjetivos de uma canção da mesma diva pop: “Papai, não dê sermão!”. Artemisia aqui usa um colar de pedras preciosas, querendo se parecer com uma mulher rica, da elite, em abismos sociais como no Antigo Egito, no qual apenas as mulheres ricas da nobreza tinham acesso a se enfeitar com perucas, num Egito que tinha piolhos endêmicos, o que força todo e qualquer cidadão a raspar e cabeça, desde o escravo ao faraó – como era dura a vida então, sem um único Tylenol para dor e febre! Os seios são fartos, opulentos, conotando fertilidade e abundância, na mãe mar provendo o nenê dos nutrientes essenciais, como em campanhas televisivas de caridade, solicitando que doemos bisnagas de nutrientes para paupérrimas crianças subnutridas na África, este continente tão pobre, com riquezas naturais roubadas pelos países ricos, na noção taoista: Como são ricos ! E roubaram tudo dos pobres! É como mendigos descendentes de indígenas, povos que um dia foram donos e senhores de tais terras, na agressividade do homem ocidental, destruindo tudo, numa imposição à força, muito, muito longe da hierarquia espiritual, a qual, irresistível, nunca é imposta à força, sendo os mais finos regendo os menos finos, na vitória da caneta sobre a espada. Artemisia aqui é bem jovem, sem um único grisalho, no modo como cabelos brancos conotam sabedoria, no hábito de uma certa senhora da Política, a qual está sempre com os cabelos impecavelmente tingidos, uma pessoa que sabe que, na vida pública, a aparência é muito importante, remetendo a um certo senhor sociopata, o qual tinha uma aparência acima de qualquer suspeita, ganhando, assim, a confiança do eleitorado, revelando-se, posteriormente, um merda, com o perdão do termo chulo. O braço erguido é o esforço e a dedicação, numa pessoa de esforçando ao máximo, sabendo que não há vitória sem luta, encarando a lida, ao contrário do morador de Rua, o qual, acima de tudo, quer se “atirar nas cordas” e fugir da seriedade da Vida.

 


Acima, Autorretrato (2). Aqui temos uma ironia de metalinguagem, pois é arte falando de arte; é o pincel de Artemisia falando da Artemisia musicista, como em multitalentos como da Vinci, explorando várias áreas do conhecimento, dissecando cadáveres por curiosidade científica, numa era anterior à Revolução Científica, nesses homens à frente de seu próprio tempo, precursores, como um Elvis Presley, trazendo o apelo pop muito antes dos anos 1980, quando pop estourou no Mundo, como num pioneirismo de David Bowie, trazendo, nos anos 1970, um estilo capilar que só se iria se popularizar na década seguinte. Aqui é como Marisa Monte, uma artista a qual, além de ter uma excelente voz cristalina e afinadíssima, é também musicista, tocando instrumentos em seus shows, nessas lendas vivas da MPB, uma artista que veio do nada e que tanto cresceu no conceito das pessoas, pois uma coisa é ter um papai poderoso na indústria; outra coisa é vir do nada, remetendo a uma certa senhora, uma pseudoatriz, sinto em dizer, uma pessoa que teve todo o respaldo de sua mãe atriz estelar, expressando posteriormente uma amarga ingratidão a tal mãe coruja, privando judicialmente esta de ver o próprio neto – você não tem vergonha de fazer isso com essa mulher que lhe carregou nas entranhas, que a alimentou com o leite materno, que trocou suas fraldas e que comprou bonequinhas para você brincar? Como o Ser Humano é cruel! Aqui, Artemisia nos fita, nos encara, como se quisesse interagir conosco, como se quisesse romper o tecido da tela e sair, no divertido episódio de Friends em que quadros de Phoebe, de gosto duvidoso, tinham ares mal assombrados, como um certo senhor ator americano que tem medo de bonecas de porcelana – cada um com suas amarras! Os seios aqui são fartos, na recomendação de Costanza Pascolatto às mulheres: “Mostre que você tem vida em dobro!”. Este busto é invejado por inúmeras mulheres siliconadas ao redor do Mundo, num padrão de beleza que tanto agride a autoestima da mulher, neste procedimento tão doloroso e invasivo que é a colocação de próteses, numa violência que a mulher faz consigo mesma, num seio siliconado o qual, sinto em dizer, não fica com aspecto natural, nas “loucuras” as quais a mulher pode fazer em nome da beleza, como na endoidecida Norma Desmond de Crepúsculo dos Deuses, recebendo em sua casa uma multidão de esteticistas para se preparar para um filme, como no supercomédia A Morte lhe cai bem, numa poção mágica que dava juventude, beleza e vida eternas ao usuário, numa metáfora com o Plano Metafísico, no qual somos todos jovens, belos e saudáveis para sempre, como no falecimento recente de uma certa rainha da Festa da Uva, a qual, tendo desencarnado idosa, está linda lá em cima, no mesmo aspecto de seu dia de coroação, num plano maravilhoso onde temos a aparência que queremos ter; num plano sem as vicissitudes do Mundo Material, como doenças – é a glória! A cabeça coberta é um certo recato, um pudor, talvez numa época em que a mulher tinha que sair assim em público, como nas burcas de mulheres islâmicas, muito longe da mulher ocidental com seus decotes e saias justas, nesses abismos culturais, no modo como já ouvi dizer que Brasília é uma cidade muito cosmopolita, com pessoas de todas as partes do Mundo, como na universalidade dos Jogos Olímpicos, fazendo do Esporte tal símbolo de união mundial, numa China comunista enviando atletas para jogos em países capitalistas, num glorioso momento em que as diferenças são deixadas de lado. Podemos ouvir aqui os acordes, no modo como eu mesmo já estudei violão, nos gloriosos versos musicais “um cantinho e um violão”, numa vida simples e pacata, na recomendação taoista para sermos tais pessoas pacatas e retiradas, numa discrição, deixando no Mundo lá fora as tempestades públicas do Yang, como Marte dormindo frente a uma Vênus desperta na obraprima de Botticelli, esses artistas que atravessam o tempo e permanecem, como um Cole Porter regravado inúmeras vezes.

 


Acima, Autorretrato como Santa Catarina da Alexandria. Artemisia adora roupas chiques e suntuosas, como na atroz competição entre as celebridades no carpete vermelho do evento novaiorquino beneficente Met Gala, para ver qual delas tem o vestido mais maravilhoso e majestoso, numa condescendência, sinto em dizer, como num certo quadro, de cujo autor não lembro, num príncipe doando vestes nobres de veludo a um mendigo nu, havendo neste príncipe um claro tom de esnobismo, quando que o verdadeiro ato de beneficência é um ato de igualdade, pois, quando amo, coloco meu irmão ao meu lado, e não acima ou abaixo de mim, no poder do Amor em nos igualar e nos manter unidos como a Grande Família Estelar, à qual todos pertencemos, fazendo das realezas mundanas cópias grotescas de tal eternidade divina. Aqui é um artista vestindo um alterego. Aqui, a santa tem uma coroa digna de rainha, majestosa, cheia de dignidade, num símbolo de poder, na dignidade de realeza, representando valores elevados e atemporais, remetendo a uma senhora que vi certa vez num domingo em Porto Alegre, com ela caminhando pela Rua com uma coroa metálica, ou seja, em pleno surto psicótico, fora da realidade, talvez num quadro de psicose ou esquizofrenia, tendo que ser imediatamente contida antes de fazer mal a si mesma ou a outrem, ou como outra doida certa vez na mesma cidade, vestindo-se de santa, numa pessoa tão, mas tão alienada da realidade, do Senso Comum, sendo este extremamente importante, visceral, o senso que nos une como sociedade, na atmosfera pestilenta de um submundo, fazendo com que a pessoa perca o contato com o Senso Comum, numa pessoa que vai se tornando mal encarada e barra pesada, perdendo contato com aspectos tão importantes como educação, discrição, polidez e cavalheirismo, como certa vez ouvi de um pai de santo, o qual, dentro de uma atroz boate escura, percebeu ali dentro espíritos sofredores, arrastando-se por tal escuridão, como no Umbral, a dimensão em que perdemos a noção de tempo e espaço, num lugar onde não estamos cercados de amigos, mas de espíritos infelizes como nós, no modo como, no submundo, não temos amigos; mas apenas conhecidos, no modo como são verdadeiras somente as amizades feitas em bases nobres de referência, como nos amigões que fiz em Porto Alegre, amizades de uma referência nobre, que é a faculdade, a PUCRS. Temos aqui uma Artemisia empenhada em passar uma imagem apolínea, nobre, chic, como numa mulher arrumada e elegante que era Tarsila do Amaral, da qual já falei aqui no blog, remetendo ao recente musical de Claudia Raia sobre tal artista icônica e poderosa, numa Claudia talentosa, atuando bem, cantando bem e dançando bem, uma Claudia que tanto ama o Brasil, numa verdadeira heroína nacional, como uma Norma Bengell, à qual, apesar de ter feito tanto, tanto pela cultura brasileira, foi negada uma inocente pensão, num juiz de Direito tão cruel, insensível e amargo, ignorando e subestimando a importância de Norma, a qual não morreu pobre, mas arruinada, na fábula da cigarra e da formiga, sendo esta insensível ao canto daquela que tanto animou o verão – o que tanto custava dar uma inocente pensão a Norma? Os autorretratos de Artemisia são de uma mulher jovem, no ápice da beleza, numa mulher talvez vaidosa, como uma diva pop se arrumando na hora de vir a público ou na hora de fazer um videoclipe, em artistas de fenomenal transgressão como Lady Gaga, deixando-nos perplexos com tal ousadia e coragem, criatividade, uma artista que sabe, para se destacar no competitivo âmbito mundial, estilo e atitude são viscerais, ao contrário de outros artistas sem atitude, sem jovialidade, sem ousadia, crendo que apenas a voz garante o estrelato, numa Celine Dion a qual, apesar de ter uma voz de anjo, jamais arrastará um milhão e meio de pessoas para as areias de Copacabana, como numa J Lo, que sabe que, se quiser obter sucesso, tem que fazer um videoclipe muito bom, marcante, cheio de verve, ousadia e frescor jovial. Artemisia aqui olha para algo elevado, para o Céu, a dimensão dos que amam estudar e trabalhar, como uma Whitney Houston olhando ao alto, elevando-se, em raízes Gospel.

 


Acima, Banho. O banho é um dos rituais civilizatórios mais básicos do Mundo, nos gloriosos dias atuais, nos quais temos água encanada e aquecida, longe da Europa Medieval, cujas condições de insalubridade potencializavam doenças, infecções e, é claro, um odor corporal inenarrável, como no Antigo Egito, com mortalidade infantil alta e perspectiva de vida baixa. O banho é a questão espírita: Quando a pessoa desencarnada está no imundo Umbral, um espírito amigo a tira de lá e, no Plano Superior, dá-lhe um banho revigorante, num banheiro bonito, ensolarado, digno de princesa. Claro que há casos de TOC, como no filmão O Aviador, num obsessivo o qual, de tanto lavar as mãos, adquiriu feridas nestas, tal a higiene exagerada. Aqui é um momento de retiro, como uma princesa com suas fiéis aias, num momento de relaxamento, deixando lá fora as obrigatoriedades de arrumação com apertados espartilhos, no modo social de oprimir ao máximo a mulher, tolhendo a sexualidade feminina, no lado negro da imagem de Nossa Senhora, a mulher sem vida sexual, idolatrada. A estrela do quadro é uma princesa, uma deusa, na beleza de corpos de Artemisia, algo herdado da nudez renascentista, resgatando o modo clássico ocidental de lidar de forma natural com o corpo humano, longe da maliciosa serpente do Éden, tapando os sexos, remetendo a uma grande professora freira que tive no Ensino Fundamental, a qual, ao ver que os jovens alunos já estavam muito maliciosos em relação a Sexo, resolveu dar aulas de Educação Sexual para, assim, neutralizar tal malícia, uma freira a qual respeito enormemente, uma amiga para sempre, na imortalidade dos vínculos de Amor, resultando no Amor Incondicional, leve, sutil, na perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tais amigos, negando, assim, o amor doente, fixado, obsessivo e possessivo, como uma pessoa que conheci, fomentando um amor para lá de fixado, precisando, urgentemente, ir a um centro espírita para desobcecar, na noção de que somos irmão, iguais, os príncipes eternos do Nosso Pai, num Tao que nos fez de forma tão única e especial, havendo aqui o lado luminoso de Nossa Senhora, servindo para nos dizer que todos pertencemos a tal Útero Divino, no modo como nada se perde, e cada um é extremamente e totalmente especial, nesse Mundo Material tão duro, o qual nos ocasiona uma evolução excepcional como pessoas, pois o sentido da Vida é a depuração e é tornar-se uma pessoa melhor – você não é bem melhor do que você era anteriormente? Aqui tudo gira em torno da deusa, pois as aias estão vestidas, numa mulher rica que se acostumou a ser cercada de aias, nas regalias do poder, como um FHC expressando a falta que sentia da luxuosa piscina da residência presidencial em Brasília, nessa eterna sede humana por poder, em milhões e milhões de pessoas apostando na Loteria, sonhando com tal poder enorme, na noção espírita: Você não faz ideia de a qual nível espiritual fica reduzida uma pessoa que, ao ganhar na Loteria, é considerada feliz no Mundo. Aqui remete ao majestoso comercial televisivo da colônia feminina J’adore de Dior, com a estrela Charlize Theron numa casa de banho, nua, maravilhosa, deusa, num retiro de exclusividade feminina, no costume social de colocar as mulheres em um banheiro e os homens em outro, ou como no costume protestante antigo de, no templo, colocar mulheres de um lado e homens do outro, no papel de representação social do casal heterossexual: Ele representa os homens; ela, as mulheres. Vemos uma grande bacia prateada, que é o receptáculo feminino, como na garrafa de Jeanie é um Gênio, da TV americana, com a gênio feminina se refugiando em sua garrafa, ou como a jarra prateada de água da Galadriel de Tolkien, na reflexão do espelho feminino, no símbolo de feminilidade, nos esforços enormes de um transexual e se parecer ao máximo com um homem ou uma mulher, na crueldade social que agride os transhomens e as transmulheres, ao ponto de gritar para estas dizendo: “Não é mulher de verdade!” – é um horror esse preconceito.

 


Acima, Cleópatra. Aqui é a trágica história da mulher faraó, uma estadista de mão cheia que tudo fez pelo Egito, resultando no filme com Liz Taylor, um filme o qual, de tão ruim, quase quebrou o estúdio na época, com uma suntuosa direção de arte que deve ter custado zilhões de dólares, num filme que fez de Liz a atriz mais bem paga na época. O suicídio é tal fim trágico, numa pessoa que acha que não tem escolha, como no suicídio de Vargas, na prova de que poder não traz felicidade, havendo no Umbral o Vale dos Suicidas, com espíritos vagando pro escuridão, sujeira e sensação extremas de frio ou calor, como um mendigo, cujo desencarne não muda muita coisa – está mal aqui; está mal ali. A rainha aqui está com aparência cadavérica, no aspecto de defunto, nesses eventos sociais difíceis que são os funerais, com aquele cafezinho bem forte, para lembrar de que não se trata de festa, na ironia de que, ao desencarnar, a pessoa volta ao Plano Superior com uma grande festa de retorno ao Lar, com entes queridos desencarnados, como aquela avó querida, recebendo-nos lá, na suprema imortalidade dos vínculos de amor e de família, vínculos que sobrevivem ao óbito do corpo físico, no conceito de Santo Agostinho, um dos pilares do Espiritismo, na concepção de que somos feitos de carne finita e alma infinita, no abraço da Eternidade, a absurda prova do poder de Tao, que é o infinito, no poder supremo de que jamais findaremos, em figuras amorosas como Chico Xavier, o maior médium de todos os tempos, nosso irmão depurado que tanto Amor deu na Terra, um homem que tanto consolo deu a mães que perderam os filhos, nessa grande ilusão que é a morte física, em rituais fúnebres que buscam delinear tal imortalidade, tal “aposentadoria”, por assim dizer, como no velório de um ente querido meu, no qual se respirava o ar de dever cumprido, num espírito absolutamente consciente do próprio desencarne, abraçando a Vida na qual há saúde plena – tanto física quanto psíquica, abrindo a metáfora do filme de ficção científica Elysium, no qual uma máquina neutralizava toda e qualquer doença, ou como no filmão Vanilla Sky, no qual a pessoa era congelada, rejuvenescia e vivia plena e jovem para sempre, na questão do ser uma máquina eterna, racional, na razão fria dos números, da lógica de Tao, mas, mesmo assim, um espírito amoroso que nunca desconsidera um só irmão, como numa certa família famosa, na qual os filhos biológicos tratam com muito amor os filhos adotados, todos da mesma mãe, em pais estéreis adotando uma criança, dando um lar a esta, dando carinho, como um rapaz pobre e negro que conheci, o qual cresceu num orfanato, privado de um ter um lar e uma família, um rapaz que encontrou na Umbanda um chão firme para se centrar na Vida, dedicando-se a tal religião, numa religião tão forte e poderosa, com suas divindades, como na divindade Capa Preta, na pessoa traçando seu Yang na Vida, visando seus sucessos e êxitos, na fome pela Vida, no apetite pela Vida, vivendo com tesão seus dias, com objetivo, meta, num esforço de construção, ou reconstrução, numa pessoa que já beijou o fundo de poço existencial. As aias aqui choram pela morte da ama, como em pomposos funerais dos membros da Família Imperial Britânica, nas pompas invejáveis de coroação britânica, obtendo o respeito do Mundo, no modo como a Academia de Hollywood ama as tradições britânicas, com seus reis e rainhas. A serpente corre livre, liquidiscente, como água escorrendo, no modo como em certas culturas a serpente não é algo malévolo, mas um símbolo de fertilidade, de fluidez, de vida, na figura da nociva naja ereta, inspirando a coroa real egípcia, na noção do antigo egípcio em projetar divindades na Natureza, com cabeças de animais habitando corpos humanos, na revolução das religiões monoteístas, abolindo os deuses, os quais ressuscitaram no panteão hollywoodiano, no mundo glamoroso das celebridades, como nos inúmeros deuses habitando, em esculturas, os arcos do Coliseu. Aqui Cleópatra está quase nua como Jesus na cruz, numa questão que carcome os arqueólogos – onde a rainha está enterrada?

 

Referências bibliográficas:

 

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.