quarta-feira, 20 de novembro de 2024

A arte de uma mulher (Parte 3 de 4)

 

 

Falo pela terceira vez sobre a artista italiana barroca Artemisia Gentileschi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Esther à frente de Ahasuerus. A mulher é fraca e vulnerável, no sonho de menininha de ser salva pelo príncipe perfeito, o qual não existe, como nas menininhas louvando as boybands, como no fenômeno dos anos 1980 que foi a banda portorriquenha Menudo, arrastando tietes histéricas, como num galã de telenovela, o qual evita passear em shoppings no fim de semana, evitando o assédio histérico de tietes, no modo como muitas eleitoras gaúchas votaram em Eduardo Leite por este ser um galã, um homem belo, o homem que cometeu a façanha de ser o primeiro governador gaúcho da História a ser reeleito, talvez votado massivamente pelas mulheres, as quais adoram os gays. O príncipe aqui está na posição de poder, num homem poderoso, atraindo mulheres, no eterno jogo de sedução entre masculino e feminino, na piada de Tao que é o Sexo, dividindo seres entre masculino e feminino, no esquema biológico de reprodução, como nos pinheiros araucárias, com pinos machos e pinos fêmeas, as quais geram o pinhão, a semente tão apreciada no Sul do Brasil. A mulher aqui quer ser salva pelo homem perfeito, sustentada, no eterno machismo social: Se é uma mulher sustentada por um homem, pode; se é o oposto, não pode. É como me disse uma grande amiga psicóloga: “É tão desinteressante uma pessoa que é somente dona de casa!”, como uma mulher que conheço, a qual abandonou a carreira para se tornar mãe, esposa e dona de casa, num trabalho tão anônimo, no mito de Maria, a mulher sem história, numa vidinha, como na vida num harém de faraó, vaga, indolente, numa vida tão monótona, numa mulher que é um mero útero reprodutor a serviço de uma coroa, como na história de Grace Kelly, uma artista altamente brilhante, uma deusa, abandonando tudo para chupar um pau coroado, com o perdão do termo chulo, entrando numa vidinha desinteressante, acabando como uma mera e anônima artesã, confeccionando arranjos de flores secas, tornando-se uma “flor seca”, sem vida, um mero útero reprodutor a serviço de uma coroa, como na atual Princesa de Gales, ou como na bela e medíocre Melania Trump, medíocre ao ponto de plagiar um discurso de Michelle Obama, acreditando que ninguém se daria conta, na sabedoria popular de que beleza não põe à mesa, no exemplo de uma certa popstar, um tribufu chupando manga de feia, numa artista extremamente bem sucedida, remetendo a um certo senhor belo, o qual acreditava que os “the looks” lhe garantiriam o estrelato. Aqui nesta obra de Gentileschi uma aia assessora a dama desmaiando, num séquito de aias em volta de uma patroa, como no filmão Elizabeth, com a deusa Cate Blanchett, com a monarca sempre cercada de pessoas e paparicos, numa bajulação tal ao ponto da pessoa paparicada crer que é de fato um ser divino, no modo nojento com a paparicada corre solta no Showbussiness, numa dúvida atroz: Quem é mais patético – quem oferece a bajulação ou quem aceita esta? O príncipe aqui parece estar interessando na donzela, nessas figuras como Maria Antonieta, a menina mimada que sempre viveu entre privilégios, como na Scarlet O’hara no início da história, uma menininha fútil e mimada a qual, ao enfrentar as dores e as vicissitudes da Guerra Civil Americana, torna-se uma mulher forte, reerguendo a destruída fazenda de Tara, adquirindo calos não mãos na colheita árdua do algodão, deixando para trás os tempos de rica, com mãos de dama, macias, sem qualquer calo, no desafio de uma pessoa de vencer a adversidade e, em missão cumprida na Terra, volta para o Céu com a sensação de dever cumprido; missão cumprida, como no ar que se respirava no funeral de minha avó Nelly Mascia, num ar de uma pessoa totalmente consciente do seu próprio desencarne, na glória de reencontrarmos lá em cima tais entes queridos, na maravilha da Imortalidade, num plano onde todos se respeitam mutuamente. Os degraus aqui são a elevação social, num sonho almejado pela mulher que quer desposar tal homem poderoso, numa mulher que quer ascender socialmente, como no homem rico e poderoso de Sex and the City, seduzindo a escritora Carrie, num jogo de flerte, com cada um trazendo algo para o relacionamento. Aqui temos essas roupas pomposas e aristocráticas de Atermisia, roupas solenes, de festa, numa artista que viveu entre esses privilégios, num serviço caro, pouco acessível.

 


Acima, Jael e Cícera. Aqui a mulher é uma vilã, como em mulheres dissimuladas, falsas e tóxicas, numa certa misoginia. O prego remete à brutal crucificação de Jesus, num momento em que Ele próprio acreditou ter sido esquecido por Deus Pai, num espírito o qual hoje sequer se lembra de sua própria brutal execução, talvez dizendo: “Todo mundo me fala disso, mas eu não lembro!”, tendo Nele nosso irmão depuradíssimo, o homem que se tornou o centro sobrenatural da História, um homem pobre e humilde, o qual nunca teve oportunidade de ter uma educação formal, um superstar do qual já falei em meu blog: Dê um search no título “Superstar” em <blogdesde2015.blogspot.com.br>. Aqui remete ao filme pesadíssimo Misery, com uma mulher louca que aprisiona um escritor e submete este a uma fratura seríssima nas pernas, como no sociopata, uma pessoa que parece ser normal e sã, mas uma pessoa cujas ações analisamos e desconstruímos e não encontramos lógica, um sociopata de marca maior, uma pessoa com a qual não podemos nos relacionar, uma pessoa que faz tudinho por merecer tal desafeto, apesar de tudo parecer um leve desentendimento entre duas pessoas boas. Aqui é como a Vênus e o Marte de Botticelli, com este em profundo sono, entorpecido, e a Vênus consciente, como numa canção da cantora Kelly Key, numa mulher reduzindo um homem a um cachorrinho de estimação, na convenção social de chamar ela de “dona” e chamar ele de “seu”, sugerindo uma posse, e, nas sábias palavras de Woody Allen, subjetivo é objetivo, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona naturalmente, no termo latino que diz que a verdade é a filha do tempo, numa lenta elucidação, num dia amanhecendo lentamente, na revelação da Estrela da Manhã, na terra sacrossanta espiritual, o local sem qualquer vicissitude material, sem doenças, sem frio, sem calor, sem fadiga, o lugar em que somos todos belos e jovens para sempre, na revelação metafísica na mente sobre a matéria, na glória de que a mente sobrevive totalmente à morte do corpo físico, havendo em Santo Agostinho um dos pilares do Espiritismo, no modo como somos todos prisioneiros, sem exceção, importando o que fazemos de nossos dias de prisão aqui na Terra, ao contrário de uma pessoa inativa e desocupada, desperdiçando seu tempo na Terra, na revelação engraçada de que, no Céu, segue imperando a necessidade de nos mantermos operantes e trabalhadores, num Céu tão sério e realista, longe da imagem de anjinhos loiros tocando harpas, na inevitável pergunta que fazemos a um ente querido lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. O prego na cabeça é a loucura, como num cérebro se necrosando, numa demência, numa doença tão deprimente, numa pessoa demente que acaba se esquecendo de tudo: família, carreira, cônjuge, amigos etc., como Roberto Marinho, o qual, nos últimos anos de vida, ligava para a Globo pedindo emprego, equivalendo ao Rei da Inglaterra pedir emprego para um cônsul, numa pessoa que desencarna e deixa para trás tal cérebro comprometido, ressuscitando em lucidez suprema, como trocar de roupa, deixando para trás uma roupa suja e vestindo uma roupa bem limpa, em rituais gloriosos como um bom banho revigorante, fazendo do Umbral um lugar tão sujo, tão cheio de desnecessidades. O homem aqui é a vulnerabilidade, numa inocência, numa vitimação, como uma pessoa vítima de um assalto, como uma amiga minha, a qual foi brutalmente assaltada por um homem que levou o carro dela, ou como uma pessoa boníssima e inocente que conheci, vítima de um latrocínio, num assassino que não faz ideia da atrocidade que cometeu, matando uma pessoa jovem, com toda uma vida pela frente, um filho amado: Pobres diabos sofredores, que causam mais mal do que imaginam. Neste quadro, numa discrição barroca, vemos um pilar forte e estável, num homem sério e centrado, provendo um lar, numa responsabilidade. Aqui temos essas mulheres vilãs de Artemisia.

 


Acima, Judite assassinando. A espada é o objeto de agressão, no símbolo masculino fálico, como no final do filmão Fargo, com o sociopata sendo detido, passando então por uma estátua de um viril lenhador com seu machado: Para as pessoas são, um instrumento de trabalho, vigor e virilidade; para o sociopata, uma imagem de agressão, matando inocentes, nesses filmes que fazem tão belas carreiras em Hollywood, em fenômenos de popularidade na Academia, na questão complicada do sucesso, o qual é um problema, pois quando o sucesso vem, a pessoa tem que saber superá-lo e encarar uma nova página em branco, num caminho de humildade e desafio, em orgasmos que não duram para sempre, não havendo na Vida um “controle remoto” capaz de pausar, retroceder ou adiantar, no caminho existencial da pessoa, com passo a passo, pois quando não é o momento para algo em específico, não há Cristo de faça ser, como eu certa vez “me quebrei” para fazer um ensaio fotográfico com uma fotógrafa badalada de Porto Alegre, um serviço que me custou os olhos da cara, uma sessão de fotos que acabou não adiantando para ABSOLUTAMENTE nada, num dinheiro jogado fora, mas nada que possa dar culpa à inocente fotógrafa, a qual estava lá somente fazendo seu trabalho – fui eu em quem a procurou, e quando o negócio é um barril de algodão molhado, nem uma tocha acesa pode detoná-lo. Aqui é uma decapitação brutal, remetendo a uma lembrança forte de infância, quando testemunhei o abate de uma ovelha, com o bicho atado gritando, dando seus últimos suspiros de agonia, algo que acontece nos abatedouros, enfurecendo os veganos, em abates brutais que resultam nas carnes à venda no supermercado, em veganos furiosos com pessoas que usam jaquetas de couro, como nos tempos antigos dos EUA, com búfalos sendo abatidos para a extração do valioso couro, no modo como temos que de certo modo ouvir os ecologistas, numa Terra que é nosso único lar, num Ser Humano que não tem para onde ir, pois o Cosmos, fora da Terra, é extremamente hostil ao Ser Humano, como em filmões como Perdido em Marte, mostrando o esforço de sobrevivência num planeta tão hostil, gelado, de atmosfera irrespirável, árido, morto, com constantes tempestades inclementes de areia. Aqui a assassina tem uma cúmplice, no sádico encontrando seu masoquista, como certa vez fui abordado na Rua por uma sociopata, uma pessoa com aparência acima de qualquer suspeita, querendo em aliciar para uma seita para lá de estranha, uma sádica respaldada por uma masoquista, numa energia atroz, dando-me a sensação de eu ter sofrido uma tentativa de assalto, no modo como devemos saber enxergar dentro das pessoas, ouvindo mais a mente do que o coração. Aqui é o modo antigo de execuções oficiais, como na prima de Elizabeth I, Mary Stuart, condenada esta à decapitação por ter conspirado contra a vida da lendária regente inglesa, numa questão dura e difícil, que é executar uma pessoa da própria família, em escolhas duríssimas, como um diretor de Cinema fazendo cortes necessários, frustrando os atores, no modo como tais “tesouradas” são comuns na Sétima Arte, como num certo filme, no qual o diretor extirpou totalmente a participação de um ator, o qual, é claro, saiu altamente frustrado, em escolhas difíceis, amargas. Aqui é como no mito da Viúva Negra, matando o macho após a cópula, como na femme fatale de Instinto Selvagem, o filme que alçou Sharon Stone ao estrelato, nessa gangorra que é Hollywood, a qual é a terra do sucesso e a terra do fracasso, com tantos e tantos sonhos despedaçados todos os dias, como um certo diretor, o qual de certo sonhou com uma carreira em Hollywood. O negror barroco do fundo é a morte, o crime, o assassinato, como no filmão O Iluminado, no elevador se abrindo e jorrando sangue, prevendo um brutal assassinato, nesse mestre Kubrick, deixando-nos perplexos com tais obras de Arte, na função do artista em nos fazer “babar”, como nas suntuosas instalações da dupla Christo e Jeanne-Claude. Aqui é como uma mutilação involuntária, na noção espírita de que devemos mortificar o espírito e não o corpo.

 


Acima, Judite e sua serva (1). Aqui são os abismos sociais, como na rica cidade de Gramado, com intermináveis levas de turistas ricos, numa cidade em que hospedar-se, comer e comprar exige muito poder aquisitivo, numa cidade que abriga alguns mendigos na calçada, pedindo esmola, na recomendação de uma instituição de assistência social: A esmola não ajuda; bem pelo contrário, a esmola só incentiva a pessoa a permanecer na mendicância, no modo como em certos países há leis antimendicância. Judite com a espada trama o assassinato, tendo a serva como cúmplice. A vela é a fragilidade, tremulando ao vento, como uma pessoa não centrada, que vive à toa, ao sabor do vento, algo que não pode acontecer, no modo como a Vida exige que tenhamos tais pés no chão, como um certo senhor, já falecido, um homem cuja vida foi uma aventura, vivendo à toa como um saco plástico ao vento na rua, um homem que até teve oportunidades de se centrar, mas nunca o fez, no sério modo como a Vida exige que tenhamos tal siso, tal responsabilidade, como colocar filhos no Mundo, como um grande amigo meu, o qual tem que trabalhar de Sol e Sol para prover para si, para a esposa e para as filhas um ótimo nível de vida, nas palavras de um certo senhor: “Se queres que tua vida continue assim como está, não tenhas filhos. Se tiveres filhos, tua vida nunca mais será a mesma”, numa conversa séria, não fútil como falar se a Fulana tem estrias ou se vai chover amanhã. Aqui é esta Artemisia mergulhando fundo no Barroco, com o jogo de claro e escuro, nas novas ondas que sempre vêm, apesar de parecer que as ondas vieram para ficar, como nos típicos quinze minutos de fama do Big Brother, parecendo que tais pessoas jamais serão esquecidas pelo povo brasileiro, mas serão, com tantas pessoas que querem aparecer ao máximo, na noção taoista de que ninguém, lá no fundo, respeita uma pessoa que quer puramente aparecer, no gigantesco desafio de conquistar o respeito das pessoas, como uma humilde Gisele, a qual sabe que, se não quiser desaparecer, não pode parar de trabalhar, tendo a humildade de dizer aos fãs num set de filmagem de um comercial: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”, numa mulher laboriosa, na vitória do trabalho e da competência, ficando, a trabalho, horas e horas em aviões entre Nova York e Porto Alegre. A serva aqui está agachada, inferior, discreta, no homem de Tao, discreto, subestimado, na noção de que quando digo que algo é algo, é porque comparo com algo não tão similar, ou seja, quando algo se sobressai grande, é porque é comparado com algo maior, como na atriz Nicole Kidman, a qual disse que, em entrevista, quando era casa como tampinha Tom Cruise, era obrigada por este a calçar sapatos de salto baixo, na tentativa de tal homem de ser alto, na prova de que tamanho não é documento, como Madonna, uma baixinha que é um colosso, no modo como nunca se é velho demais para seguir sonhando, num processo intermitente, na noção dialética de que tudo é processo, numa grande professora minha de Filosofia que me perguntou por que nós não fazemos suicídio coletivo, e eu responderia que não existe ponto de perfeição, pois tudo é aprendizado constante, não havendo ponto de perfeição, havendo este problema no suicida, o qual, em arrogância, acha que alcançou a perfeição e que nada mais tem a aprender, indo, então, para o Vale dos Suicidas no Umbral, vagando sem noção de tempo ou espaço, imundo, com fome e sede, com frio e calor, na dimensão dos que não têm a humildade para admitir que precisam de um auxílio fraternal para sair de tal dimensão infernal. A cortina é a revelação, no momento mágico teatral da cortina se abrindo, quando entramos na cabeça do diretor, ou este entra na nossa... Jesus, que pincel talentoso o de Artemisia, num efeito na textura dos tecidos, numa sofisticação, uma artista a qual foi, eu já disse, uma espécie de feminista, competindo diretamente com homens. A mão de Judite espera um tempo, uma pausa, esperando o momento oportuno de dar seu “bote”.

 


Acima, Judite e sua serva (2). Aqui o ato está consumado, e não há mais como retroceder. A cabeça jaz numa cesta, e Judite olha para ver se alguém percebeu. A espada aqui é cruel, como numa crueldade de um atentado terrorista, derrubando as Torres Gêmeas, no dia em que a Terra parou, num dia de infâmia, num Obama firme, que ordenou a execução oficial de Bin Laden, num dia de júbilo para os americanos, os quais foram às ruas para celebrar a morte do terrorista, na crença miserável de que “falem, bem ou mal, mas falem”, nas palavras de Hitler, o maior sociopata de todos os tempos, seguindo por neonazistas cruéis, num homem diabólico que quis, simplesmente, destruir o Mundo, colocando uma metade contra a outra, num infeliz que acabou se suicidando, indo, inevitavelmente, ao Umbral, a dimensão dos que não entendem o Amor Incondicional, leve, no caminho natural do perdão, como uma amiga minha, a qual resolveu me perdoar, visto que os ressentimentos não são eternos, numa vítima perdoando o assassino, no caminho da fraternidade: Claro que te perdoo, irmão! A serva aqui está bem coadjuvante, de costas para o espectador, reservada, talvez querendo não ser culpada de cumplicidade, num conchavo entre duas pessoas. Aqui temos um contraste social, vendo as roupas de cada uma das mulheres, com uma mulher rica, de roupas nobres, frente a uma mulher pobre, de vestes mais humildes, do povo, no modo como há artistas para os quais é capital escolher o que vestir na hora de vir a público, fazendo da Moda e do Estilo excelentes modos de autoexpressão, pois como me visto é como quero ser visto, no caminho do respeito, havendo no Brasil um país democrático, no qual o cidadão pode se vestir como quiser, no modo como hoje mesmo na Rua passei por dois travestis passeando tranquilamente, num Mundo que tem que ser mais inclusivo, no modo como o travesti e o transexual são nossos irmãos, nossos iguais, filhos do mesmo Rei Supremo, na loucura de Caim matando Abel, na eterna crueldade humana, como queimar pessoas vivas numa fogueira, num Ser Humano que se esforça ao máximo para ser o mais cruel possível, fazendo coisas que Jesus JAMAIS faria, havendo a maravilha da hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, com tudo girando em torno de apuro moral – os mais finos e verdadeiros regem os menos. O cabelo de Judite está ornado com uma joia, num status social, com bens de consumo inacessíveis a outrem, no início do filme icônico com a deusa Audrey Hepburn tomando café, comendo croissant e olhando vitrines da famosa grife de joias Tiffany, na diferença entre rico e chic, os quais podem ou não andar juntos, havendo no chic uma atitude que pouco ou nada custa financeiramente, em joias que emocionam o espectador, havendo na joia uma metáfora material para o imaterial, pois a joia, como rocha, como pedra, é um elemento físico, danado à ruína, no modo como nem as pedras preciosas são eternas, nas palavras de Silvio Santos: “Do Mundo não se leva nada! Vamos sorrir e cantar!”. E a Eternidade permanece como a prova de tal poder imensurável, no absurdo modo como jamais findaremos – não é poder demais? A cabeça aqui está já está com tonalidade cadavérica, e as mulheres tramam um plano de ocultação de cadáver, num espírito imoral que, no fundo, sabe que é infeliz, tendo até a consciência de que está no Inferno, mas nada fazendo para dali sair, recusando uma oferta de ajuda, no caminho da arrogância, no caminho da humildade, pois quem é humilde não se fode, com o perdão do termo chulo. Aqui são essas mulheres controversas de Artemisia. Elas olham para o lado, talvez surpreendidas por algo inesperado, e tentam ocultar o que fizeram, não percebendo que a Verdade é a filha do Tempo, e que a Verdade acabará se impondo, como na Estrela Vespertina aparecendo aos pouquinhos no céu poente, começando bem discreta e humilde, até aparecer por completo em sua majestade, no sonho de um artista em alcançar tal estrelato, num artista que soube se vender muito bem, crescendo no conceito das pessoas – respeito é tudo!

 


Acima, Lot e suas filhas. O homem aqui está escondido, discreto, contrariando a Sociedade Patriarcal, na qual o homem vem primeiro, em tal universalidade, como na figura do cacique amazônico, num poder masculino que tenta se aproximar do poder da mulher, que é trazer Vida ao Mundo, numa eterna “guerra dos sexos”, na intenção humana que compreender as forças opostas complementares que regem o Universo, na figura do rei e da rainha, do áspero e do liso, na dialética de que tudo traz em si sua própria contradição, no casamento entre razão e loucura, como num certo slogan publicitário de uma marca de comidas: “A qualidade vai te surpreender!”, em dois sentidos, num a contradição do outro: A qualidade, sendo boa, vai te agradar em surpresa; a qualidade, sendo ruim, vai te fazer odiar em surpresa. E essa contradição é natural, irônica e inevitável, na figura de comediante de Deus, o grande piadista, resultando nas comédias algo tão humano, no Ser Humano rindo de si mesmo, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio, no Deus no filme Dogma: Solitário, mas engraçado! Neste quadro não há suntuosidade de altas classes sociais, mas roupas simples, na sabedoria de que a Vida é boa quando é simples, com pessoas sendo felizes com pouco, na sabedoria de da Vinci, que disse que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, num rei líder simples, que acompanha o próprio povo, sentando-se numa poltrona para ver a mesma TV que os súditos assistem, num homem simples, como no rico e poderoso Boni da Globo, dizendo que comida boa é comida simples, mas bem feita: um feijão com arroz bem feito, um purê de batata bem feito, um pastel de carne bem feito, um xis bem feito etc., havendo em Versalhes a alienação do rei em relação ao preço do pão para o povo francês, num rei que será deposto se afastar-se do próprio povo, como na deposição da família real russa, os Romanov, pelos comunistas, num Comunismo que, depois, caiu de podre, na imperfeição das concepções humanas, na bipolarização entre o liberal Smith e o comunista Marx, havendo no meio, numa ponderação, numa sabedoria de Keynnes, trazendo o conceito conciliatório do Estado Mínimo, numa opção: Se descubro que estou com Câncer, posso me tratar na rede particular se eu tiver dinheiro; do contrário, se eu não tiver dinheiro, trato-me na rede pública. Pronto. Simples assim. A moça à esquerda também está escondida, como na obscura drag queen do clip famoso do megahit Everybody Dance Now, o qual está nesta grande invenção que é o Youtube. Só a moça da direita está explícita e destacada, num privilégio de um ator estelar protagonista, paparicado pelo diretor, o qual chega no set e pergunta: “Como vai, minha estrela?”, nesse plano nojento que é o Showbusiness, na promiscuidade da bajulação correndo solta, longe da simplicidade, num mundinho onde todos estão, o tempo todo, colocando o pau na mesa, com o perdão do termo chulo, resultando em pessoas narcisistas, que só sabem falar de si – é um horror. Os pés descalços são a simplicidade, nas imagens de Nossa Senhora de alvos pés descalços, numa imagem de pureza, numa lata de leite condensado, numa mulher doce e passiva, desprovida de qualquer agressividade, o que não é bom, como uma dama que conheço, a qual sempre será a dama que é, só faltando-lhe adquirir um pouco de agressividade, na figura do trio de super heroínas As Meninas Superpoderosas, combinando beleza feminina com agressividade e força masculinas, na figura feminista da Mulher Maravilha, a bela que dá uma surra em qualquer tanque de guerra. Uma das moças segura uma garrafa, que é o receptáculo feminino do útero, o primeiro berço de todos nós, no modo como é difícil para um pai e uma mãe admitir que têm um filho sociopata, naquela criancinha inofensiva que carregamos no colo, amamentamos e trocamos as fraldinhas. Aqui, a iluminação é um momento de evidência profissional como uma indicação ao Oscar, numa humilde Fernanda Montenegro, dizendo-se então uma fodida, algo que ela realmente não foi em tal momento, com o perdão do termo chulo.

 

Referências bibliográficas:

 

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

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