Falo pela primeira vez sobre a artista italiana barroca Artemisia Gentileschi (1593 – 1656), uma mulher num mundo de Arte então dominado por homens, numa espécie de feminista. Foi incentivada pelo próprio pai pintor. Foi a primeira mulher membro da Academia de Arte de Florença. Retratava imagens femininas e bíblicas. Pintou muito para a corte inglesa. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Lucrécia. Artemisia é a prova de que talento não tem gênero, sexo. Os seios são fartos, na cornucópia de um reino farto e rico, nos famosos seios descomunais da cantora country americana Dolly Parton, numa então jovem Liz Taylor crescendo publicamente, mostrando ao Mundo seu busto maduro, no modo como seria bombástica uma Playboy da jovem atriz Maísa, no divertido modo como até os gays gostavam de ver a Playboy brasileira, uma revista de bom gosto, a qual sabia a linha divisória entre sexy e vulgar, no erótico fino, por assim dizer, ao contrário de outra certa revista, esta sim para lá de vulgar, em poses praticamente ginecológicas. Lucrécia aqui empunha uma espada, que é o falo racional da razão, no temido Código de Hamurabi, assustando o cidadão comum, como em eventos sociais brutais como queimar pessoas vivas em fogueiras: Se você não quer acabar assim, comporte-se e respeite a Coroa. Aqui é como no ato das antigas guerreiras mulheres em mutilar o seio direito para, assim, poder atirar melhor as flechas, num ato de dor inimaginável, numa época sem anestesia, como numa mulher que decidiu virar homem, tornando-se então trans homem, deitando-se numa mesa de cirurgia para extirpar seios saudáveis para, assim, masculinizar o tórax, como uma lésbica que conheci em Porto Alegre, uma pessoa de identidade e autoimagem absolutamente masculinas, sentindo-se homem, a qual, ao fazer compras numa loja de departamentos, compra roupas no departamento masculino, uma mulher que acha um saco menstruar e ter que usar absorvente, uma mulher que não gosta de tirar a roupa na frente de outrem, pois se trata de uma pessoa que definitivamente não se identifica com seu próprio corpo feminino, com seios, vulva e vagina, e cabe a nós o quê? Cabe respeitar, pois é a vida de outrem. Lucrécia olha para cima, numa contestação, consultando a figura patriarcal de Deus, na imagem do Patriarca Supremo, na obra prima que é Adão, cabendo a Eva o papel de vilão, seduzindo maliciosamente Adão, nessa misoginia bíblica incrível, atiçando homens modernos e progressistas como o formidável Papa Francisco, um homem simples, generoso, com um coração de ouro, querendo agregar as pessoas; nunca segregar. Aqui temos esse estilo barroco no jogo de sedução entre claro e escuro, num estilo tão marcante, uma vogue, uma onda poderosa na Europa de então, no inevitável advento de novos tempos, perturbando os conservadores, na transgressão deliciosa da Arte Moderna, no choque estilístico entre o tradicional Louvre e a famosa pirâmide de vidro, no fundamental papel do transgressor, que é abrir os olhos do corpo social, como na transgressão genial da dupla de artistas Christo e Jeanne-Claude, fazendo-nos “babar” com instalações ousadas, corajosas, marcantes, absolutamente antissimplórias. Lucrécia aqui está num ato escondida do Mundo, opondo a espada masculina com os seios femininos, como no contraste com o primeiro filme da franquia O Senhor dos Anéis, no receptáculo feminino da jarra de Galadriel versus os pés rústicos e masculinos de Frodo, na comédia eterna se sedução entre Yin e Yang, nos opostos cósmicos que fazem tudo funcionar. O cômodo e as vestes aqui são ricas, aristocráticas, em artistas de serviço caro, cobrando altos preços por tais pinturas, numa época em que só as cortes tinham acesso a tal serviço, numa época em que não se imaginava o advento da Fotografia, a qual libertou a Arte da função retratista, remetendo a um certo artista plástico, o que tira fotos do cliente em estúdio para depois, a partir de uma foto, fazer uma pintura a óleo, no charme retrô, como na rolha de cortiça da garrafa de vinho, numa poesia tradicionalista, louvando os velhos tempos. Aqui é a época em que a mulher gordinha era considerada sexy, ao contrário de hoje em dia, pois não canso de dizer: Padrões cruéis nos quais só é sexy uma mulher semianoréxica.
Acima, Maria Madalena. É como mito de Cinderela, como em Uma Linda Mulher, com a prostituta que se torna santa, perdoada de seus pecados, nesses carismas esmagadores como uma Julia Roberts, na construção do grande panteão hollywoodiano: Eles fingem que são deuses e nós fingimos que acreditamos, havendo em tais astros uma metáfora dos espíritos evoluídos, nossos irmãos de perfeito apuro moral, resultando na beleza inabalável e na juventude eterna, no espírito que desencarnou e, lá em cima, tem a aparência que desejar, como uma certa senhora já falecida que foi rainha da Festa da Uva de Caxias do Sul, voltando ao Lar Superior e, lá, tendo a aparência linda que teve em seu dia de coroação, como no bestseller Violetas na Janela, um lugar onde temos o cabelo como exatamente desejamos, no caminho da autoestima, do Amor próprio, havendo no Plano Superior o Mundo Real, onde somos por fora o que somos por dentro, remetendo ao Umbral, onde as máscaras caem e o sociopata, com boa aparência na Terra, tem no Umbral um aparência horrorosa, sendo nossos irmãos sofredores, que não entendem a importância do apuro moral, vivendo na Terra uma vida vazia e sem sentido, sempre querendo obter vantagens sobre os outros, na sina do sociopata, que é destruir sua própria vida social, num espírito obcecado em mentir. A santa aqui tem uma aparência fina e aristocrática, talvez numa modelo de tal charme, na tarefa do modelo, que é se parecer com os espíritos superiores, no talento de uma Gisele, a qual, em sua formidável humildade, sabendo que não pode faltar trabalho, disse: “Não sou isso tudo que pareço ser!”, numa mulher de poder monstruoso, ditando, há vários anos, paradigma capilar feminino, numa Gisele que conquistou o Mundo inteirinho, e ninguém se dá conta, no homem de Tao, o qual brilha como um diamante. A santa aqui parece estar se confessando, colocando os pecados para fora de si, na redenção do vômito catártico, que é fazer cocô metafísico em cima das pessoas, numa faxina da alma, numa pessoa expulsando de si algo ruim, que não estava fazendo bem à mesma pessoa, na capacidade de um ator em fazer uma catarse no set de filmagem, como num Leo DiCaprio se esforçando ao má-xi-mo para ganhar o Oscar que ganhou, numa Hollywood tão dura, mostrando-nos tudo o que Leo teve que ralar na carreira para chegar àquele Oscar, em pessoas que podem sofrer pressões enormes, como um jogador de Futebol, um Neymar, por exemplo, num país inteirinho pressionando o craque para este trazer um troféu para casa, no caso de uma Whitney Houston, a qual desembocou nas drogas para aguentar a pressão, tendo sua voz destruída pela Droga – é triste. As vestes aqui, vaporosas, são do mais fino tecido, tecido de dama de realeza, na cor dourada da Aurora, no momento mágico dourado em que um novo dia se anuncia, na beleza da deusa grega Eos, da Aurora, no poder da luz, da verdade, da amizade, do Amor Incondicional, leve, desapegado, com uma Eternidade inteira pela frente para nos relacionarmos com amigos, numa condição ad eternum, para sempre assim, leve, fresquinho, fácil de levar. Os cabelos da santa estão impecavelmente aprumados, como para um braile, uma ocasião especial, no tempo considerável que uma mulher vaidosa leva para se arrumar, como uma professora que tive, uma mulher repleta de autoestima, estando impecavelmente arrumada às sete e meia da manhã, fazendo-me imaginar a que horas ela acordava para se colocar de tal modo, na questão universal da autoestima, como uma gueixa se preparando impecavelmente. O rosto da santa está corado, como num pudor, num sinal de saúde, no modo como, no frigir dos ovos, tudo gira em torno de saúde, seja física ou mental, havendo no Plano Superior tal saúde eterna, sem as vicissitudes das doenças na Terra. Aqui temos um jogo erótico e provocador, como se fosse um ousado decote, numa alma sendo desnudada, como num consultório de Psicologia, no qual temos que abrir para o terapeuta toda e qualquer gaveta de nossas mentes, num depósito de confiança e confidência.
Acima, Sansão e Dalila. Aqui remete a um divertido episódio do seriado famoso do anti herói Chapolin, quando uma peruca feita com os cabelos de Sansão dava superforça e superpoderes ao usuário, neste grande mestre comediante que foi Chespirito, em bombástico carisma, um homem que teve um funeral digno de rei, no México, na pergunta de Ratinho a Chespirito numa entrevista: “O senhor tem ideia de como o senhor é importante no Brasil?”, no modo como já falei sobre Chaves no meu antigo blog Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia – é só dar ali um search no título “A chave do humor”. Aqui é o momento crucial na história, quando ele está dormindo, inconsciente, assim como o Marte sonolento ante a Vênus de Botticelli, no momento de se estar dentro de casa, deixando o Mundo lá fora, na recomendação taoista: Entenda a força e o poder do Yang, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, em pessoas pacatas, retiradas, como a mestre Meryl Streep, levando uma vida discreta e sossegada, na humildade para não deixar o sucesso subir à cabeça, em homens tão discretos como Senna, humilde, num vaidoso mundo de celebridades, com um querendo aparecer mais do que o outro, numa fogueira de vaidades, resultando na figura do Robert, aquela pessoa que só quer aparecer ao máximo, numa insana midiatização, como uma certa senhora Robert, uma pessoa a qual ninguém de fato respeita – no fundo, ninguém respeita secretamente o showman, na questão de ser importante trazer algo de válido para o Mundo, remetendo a pessoas de musculatura hipertrofiada: Eu não estou dizendo que você não pode puxar ferro; eu só estou pedindo que você faça algo além do que só puxar ferro – só isso. A tesoura aqui são essas duras escolhas de diretor de Cinema, vendo-se obrigado a fazer amargas edições, como num certo filme, no qual um ator fez uma participação, mas uma participação que ficou de fora da edição final da película, no modo como esses cortes são inevitáveis na Sétima Arte, trazendo, é claro, uma grande frustração ao ator deletado, como em outro certo filme, no qual uma atriz ficou árduas horas numa cadeira de maquiador, e tudo por nada, numa cena que acabou deletada da edição final, na mesma frustração de um artista censurado durante a Ditadura Militar Brasileira, num sistema amargo que quer manter o cidadão sob controle, como na ditadura de Matrix, em indivíduos prisioneiros de um sistema insano: Tenho que trabalhar como um escravo para produzir capital e, assim, comprar bens e serviços cobiçados do Mundo Capitalista, como uma senhora que conheci, a qual é, definitivamente, uma escrava cega da Sociedade de Consumo, numa prisão para a mente. O homem à direita está de mão dada com Dalila, num conchavo secreto, talvez amantes, nessas pessoas que levam vida dupla, como um senhor que conheço, o qual tem duas família, duas proles, duas esposas, dois lares, ficando em cima de um muro infeliz de indefinição: Não está 100% feliz aqui; não está 100% feliz ali. O homem desperto indica um caminho, numa cumplicidade, como diz a lenda que Perón teve amantes enquanto casado com Evita, e que esta, ao contrário, manteve-se fiel a ele até o fim da vida, nessa atriz de segunda categoria que se tornou um monstro político, arrastando o proletariado, travando uma guerra entre este e as classes média e alta, no modo como um líder, nas palavras de Obama, tem que governar para todos, criticando o discurso de Trump, o qual dizia que governaria para a classe média, remetendo a um certo senhor irresponsável, o qual vinha a público falar asneiras inacreditáveis, no caminho oposto à sabedoria. Este quadro é bem típico do Barroco, no jogo entre claro e escuro, como na magia das xilogravuras, em mestres tão esmagadores como Escher, no jogo de sedução entre negativo e positivo, no jogo de sedução cósmica entre os opostos, na magia das glamorosas fotos em preto e branco de astros e estrelas de Hollywood, uma leva de atores deslumbrantes, com atrizes que portavam tão majestosamente seus vestidos. Aqui temos uma traição, como um certo sociopata, o qual quis fincar em mim tal sentimento de culpa e traição.
Acima, Salomé com a cabeça de Batista. Aqui remete a uma peça teatral que vi em Porto Alegre, com a diva Christiane Torloni interpretando Salomé, numa cidade que tanto pulsa Teatro, nos zelos de Eva Sopher no Theatro São Pedro, com seu famoso molho de chaves, fechando o estabelecimento após as apresentações, numa grande dama, cheia de classe e dignidade, respeitadíssima, com Maria Bethânia, ao chegar em POA, ligar para Eva dizendo: “Estou pedindo permissão para entrar na tua cidade!”. A cabeça aqui é o sacrifício, como um certo senhor, o qual contraiu um matrimônio o qual não o faz exatamente feliz, sentindo-se forçado a casar com uma pessoa do sexo oposto, no modo como não posso deixar que o Mundo mande em mim, pois sou dono e senhor de minha própria vida, como outro certo senhor, o qual não fez algo saudável, que é mostrar o dedo do meio para o Mundo, em Neo de Matrix: “Não gosto da ideia de não estar no controle de mim mesmo”, como uma Diana, mandando um príncipe à merda, com o perdão do termo chulo. O homem que decepou a cabeça empunha a espada que usou no trabalho, na sabedoria de que a caneta é mais poderosa do que a espada, num capricho de Salomé, numa crueldade, no modo como só há o Umbral para pessoas de tal desamor, na dimensão dos que vagam infelizes, sujos, esfomeados e improdutivos, nossos irmãos sofredores, pessoas que não querem sair do Inferno, pois o primeiro passo para se sair do Inferno é admitir que se está neste, vagando por ali os suicidas, pessoas que não veem valor na Vida, como um certo rapaz que se suicidou, um homem tão bonito, o qual arrancava suspiros das moçoilas na época do Ensino Médio, na prova de que beleza é bom, mas não é tudo. A cabeça cortada é o mal cortado pela raiz, como num Obama mandando executar oficialmente Bin Laden, num Obama de pulso firme, o qual executou tal homem de forma oficial, legal, não sendo então um assassinato, mas uma execução, ao contrário da pessoa que quer fazer justiça com as próprias mãos, sujando-se de sangue, como um certo senhor sociopata famoso, o qual mandou matar outro senhor, o qual sabia demais, ou seja, queima de arquivo, na capacidade dos sociopatas em nos enganar, sociopatas de aparências impecáveis, acima de qualquer suspeita, como nos elegantes uniformes nazistas dos integrantes das tropas do cruel Darth Vader, este um homem que, ao fim, recua, rechaça o Lado Escuro da Força e dá a vida para salvar o filho Luke, num final trágico, mas redentor, na eterna vitória do Bem contra o Mal, como na resolução do caso Marielle, ou nos finais dos episódios do seriado Cold Case, com casos insolúveis sendo resolvidos, na aurora dourada que se pronuncia, na revelação de luz de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, e cada um de nós é infinitamente único e especial, num Tao que nunca faz dois filhos iguais, num Pai para o qual ninguém desmerece integral atenção, no poderoso caminho da Eternidade, no inconcebível fato de que jamais findaremos – não é poder demais? Não é Deus o infinito? Salomé olha aqui para sua própria ação, não parecendo estar muito feliz, pois uma pessoa de raso apuro moral não tem como estar bem; não tem como estar ok. É como num assassino que matou um certo amigo meu, num crime tão covarde, tudo por causa de bens de consumo cobiçados, no fetiche do produto, do material, do palpável, numa pessoa obcecada com tais objetos, como na figura do acumulador compulsivo, acumulando desnecessidades em lares insalubres, na atual Revolução Digital, na qual um catatau de vinis e CDs cabe dentro de um minúsculo pendrive, deixando para trás o produto, o palpável, sendo tudo convertido em software – é muito louco! O homem aqui é a sensação de dignidade de trabalho feito, acatando ordens superiores, na pessoa que se coloca para o Mundo, encontrando seu próprio lugar no Mundo, como um amigo meu, o qual virou padre católico, fazendo isto para se encontrar no Mundo, no caminho de identidade da pessoa.
Acima, Susanna e os anciões. Ela está aqui alheia, em nada querer saber, como num morador de rua, fugindo da vida, da lida, da luta, evitando o Mundo, nos versos sábios de uma certa canção: “A Vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir!”. Aqui temos um nu ousado, herança renascentista, no modo como o grego antigo lidava naturalmente com nudez, ao contrário da eterna culpa católica, trazendo os Sete Pecado Capitais, como a Luxúria, pecadinhos tão gostosos, no modo como a Vida não pode ser somente siso e disciplina, como eu gostaria de ter dito a um certo padre: Vá se divertir um pouco rapaz! É como vi certa vez um conhecido padre numa boate em Porto Alegre, num cidadão se divertindo um pouco, como na “fuga” temporária de freiras para um bar na supercomédia Mudança de Hábito, nesta deusa que é Whoopy Goldberg, na capacidade de certos artistas em transcender e marcar épocas, frente a outros artistas que não chegam a tanto – é assim mesmo, nesta grande sala de aula que é a Vida, nas vicissitudes que acabam por nos causar um crescimento enorme, e o crescimento e a depuração são o sentido da Vida, ou seja, tornar-se uma pessoa melhor, pois cada um de nós, numa dura, mas positiva encarnação, torna-se alguém melhor, na noção espírita de que uma encarnação na Terra é uma grande credencial espiritual, como estudar numa prestigiada instituição de Ensino. Aqui é como um interrogatório da Inquisição, como no polêmico fotógrafo Oliviero Toscani no programa de entrevistas Roda Viva, no canal Cultura, no homem zombando do formato do programa, dizendo que aquilo parecia um tribunal de Inquisição, como na famosa foto de Dilma Rousseff jovem sendo interrogada por infelizes os quais, de tão covardes, esconderam os próprios rostos no momento da foto, no modo como já ouvi dizer que, em tal época no Brasil, só adquiria problemas com as autoridades quem as criticava em público, ou seja, só se perturbava quem “cutucava o tigre com a vara curta”, numa prostrada geração de artistas censurados, neste medo que o ditador tem da liberdade de expressão, como na infeliz Coreia do Norte, um lugar que não admite escritores de blogs, ou seja, eu! Os anciãos são a sabedoria, a passagem do tempo, no modo como a pessoa jovem demais não tem responsabilidade nem juízo, vivendo perigosamente ao sabor do vento, numa idade em que ainda não aprendemos lições duras da Vida, como um rapaz que conheci, o qual ambicionava uma carreira de supermodelo internacional, acabando por fracassar, na lei máxima de que quem não tem competência, não se estabelece – é culpa minha se tal rapaz não soube conduzir bem? Aqui, a decoração neoclássica é uma herança renascentista, no divertido modo como o novo sempre vem, numa época em que parecia que a Renascença iria durar para sempre, chegando então a transgressão barroca, nos saudáveis movimentos de transgressão, numa juventude que urge, como na Nouvelle Vague do Cinema, trazendo um caráter político e crítico à Arte, na função do artista em abrir os olhos do corpo social, nos versos eternos de Cazuza: “A burguesia fede! A burguesia quer ficar rica! Se não houver boemia, não vai haver poesia!”, no autointitulado “coração rebelde” de Madonna, na sabedoria de que o rebelde, antes de tudo, tem que respeitar a tradição, como na tradição dos desfiles alegóricos da Festa da Uva de Caxias do Sul, nos quais o carro alegórico da rainha sempre fecha o desfile, havendo um desrespeito a isso na última edição da festividade, o que não é positivo. Aqui Susanna está interrogada, oprimida pelo patriarcado, na dureza de ser mulher num mundo de homens, como uma certa popstar, a qual não seria tão espinafrada se fosse homem – é um horror. Os anciões estão aqui no topo, numa posição de poder masculino, como na figura de poder do cacique, na ancestralidade da misoginia, e o patriarcado existe como uma “compensação” frente ao sumo poder que a mulher tem em trazer Vida ao Mundo, numa espécie de “inveja” que os homens têm de tal poder feminino. Susanna quer se libertar de tal tirania, em figuras feministas como a própria Artemisia o foi.
Acima, Vênus e Cupido. A corpulenta e opulenta deusa aqui remete a eras em que as gordinhas eram consideradas sexy, numa Europa em que o plebeu não tinha acesso a mesas fartas de rei, ao contrário de hoje em dia, na era fastfood, em que só é sexy uma mulher que seja pele e osso, resultando em gerações com distúrbios alimentares, ao degradante ponto de ingerir algodão molhado para preencher o estômago sem comida, em moças tão doentes as quais, simplesmente, param de menstruar – é muita crueldade, meu irmão. Aqui é uma deliciosa noite amena de Verão, como na magia das vindimas, na sensualidade da Vida brotando, em uvas perfumadas brotando, no país das vindimas que é a Itália, como no clássico Decameron, a comédia do Sexo, com a sensualidade do calor e do Verão, numa explosão de desejo e libido, como cigarras cantando em meio ao calor, em canções tocadas no Rádio, trazendo a doce trilha sonora de tal época do ano. O tecido aqui é um véu finíssimo, digno de princesa, em privilégios como em Versalhes, trazendo para a corte os finos tecidos de seda oriental, numa bolha de privilégios que acabou estourando com a Revolução Francesa, tudo por causa do desleixo do rei em relação a algo tão simples – o preço do pão, como num Romanov deposto pelos comunistas revolucionários, na execução da família real russa, escandalizando a Europa de então, dando aos comunistas a alcunha de “devoradores de criancinhas”, numa URSS sem religião, no conceito marxista de que as religiões são bobagens, e discordo disso, pois temos que respeitar as crenças de outrem, remetendo a um certo senhor, o qual veio à Televisão agredindo e soqueando uma imagem de Nossa Senhora, num gigantesco desrespeito. O cupido aqui conspira a favor do Amor, em enamorados sob o véu do luar, em coisas românticas como uma lua de mel, num calor que pode esfriar com o passar dos anos da vida de casados, como um casal que conheço: Ele frustrou as expectativas românticas dela, e ela, assim, acabou o mandando à merda, com o perdão do termo chulo, no modo como, na vida de casado, deve haver uma pequena reconquistada todos os dias, em coisas simples, que não custam um só centavo, como, por exemplo, ao ela estar do fogão cozinhando, ele chegar por trás e dar um beijinho, pois o melhor da Vida é de graça, no terreno difícil que são os relacionamentos amorosos, como numa canção de Barbra, a qual fala sobre tal esfriamento, no sexo se tornando mecânico, frio, pouco romântico. A deusa aqui está entorpecida, em profundo sono, jogada aos códigos oníricos, na noção psíquica de que os sonhos são projeções de partes de nossos próprios selfs, de nós mesmos, com a função de nos emitir mensagens existenciais, no trabalho de psicólogo de decifrar tais códigos na sessão em consultório, como uma excelente psicóloga que conheço, inteligente, captando as coisas no ar, na função de dar diagnósticos frios e precisos. O cupido, na sua inocente nudez, abana a deusa com finas penas de pavão, que é a exuberância do cortejo, do assédio instintivo de reprodução, como lascivos adolescentes na Primavera, uma época da Vida em que somos escravos de nossos próprios hormônios, na situação do adolescente trancado no quarto se masturbando, tornando-se “ratão” de sites pornôs, numa libido que vai esfriando com o passar do tempo. Os seios aqui são fartos e lactantes, no perfeito alimento que é o leite materno, trazendo tudo o que o bebê precisa, no modo como o queijo ganhou o Mundo, em variações como os queijos de cabra e búfala, na delícia de se mamar numa caixinha de leite condensado, um deleite, no gostoso pecadinho da Gula, no absurdo de ter que se confessar por ter comido uma inegável torta Marta Rocha, no modo como os pecados capitais nos fazem humanos. A cama luxuosa aqui é o merecido descanso, ao contrário de um certo publicitário que conheci, o qual não se dava ao respeito, chegando ao ponto de ficar 48 horas seguidas trabalhando, sem dormir nem descansar – é degradante. Aqui é como a Madona e o filho, no poderoso binômio mãe & filho, na imagem da Virgem que serve para nos fazer compreender o teor sacrossanto do Plano Superior, ao qual nada escapa.
Referências bibliográficas:
Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.
Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.






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