quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A arte de uma mulher (Parte 2 de 4)

 

 

Falo pela segunda vez sobre a artista italiana barroca Artemisia Gentileschi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Anunciação. Aqui remete a um belíssimo comercial natalino da rede gaúcha de supermercados Zaffari, nos versos: “Ó doce e pura Maria, o Reino dos Céus anuncia – ao Senhor darás a luz!”, na poderosa imagem da Virgem, resultando no impactante início do controverso filme A Última Tentação de Cristo, retratando uma Maria longe da imagem de perfeição religiosa, mas uma mulher do povo, simples, um tanto desprovida de sofisticação, nas divertidas palavras de uma certa intelectual, falando de Maria: “Uma puta, que teve um filho com quem não era marido dela!”, com o perdão do termo chulo, sem eu aqui querer melindrar os católicos, por favor. No topo de tudo, o Espírito Santo, na imagem de esperança, na promessa de que uma vida maravilhosa nos espera lá em cima, na dimensão em que a seriedade da Vida continua se desdobrando, na necessidade da pessoa em seguir trabalhando e sendo produtiva, como um certo ente meu querido desencarnado, uma pessoa que, na Terra, jamais ficou improdutiva, tendo, certamente, um bom emprego lá em cima, no modo como mesmo Tao é um trabalhador, remetendo ao recente falecimento acidental de um certo mendigo, uma pessoa arrogante, que não quer receber ajuda, ou seja, está neste exato momento no Umbral, a dimensão dos que não querem encarar a Vida; a dimensão do ócio e da improdutividade total, o que não é saudável. O anjo aqui é majestoso, com roupas de realeza, na metáfora das asas, as quais simbolizam a liberdade do desencarnado, apontando regimes totalitários perversos na Terra, regimes que oprimem o pacato cidadão, num déspota que jura que é um homem de Tao, uma piada, no mecanismo ditatorial de aterrorizar o cidadão, como em atos cruéis como queimar uma pessoa viva numa fogueira, num recado expresso ao cidadão comum: Comporte-se ou acabarás assim! A Virgem aqui é passiva, uma dama, aceitando sem resistência a função de Mãe de Deus, na imagem das embalagens de Leite Moça, com a moça virgem, pura e doce, como no mito de Evita, a qual, como a famosa a prostituta Bruna Surfistinha, tinha cara de lata de Leite Moça, de santa, de virgem, vendendo-se, assim, para o humilde proletariado, pessoas ignorantes, aliciadas por pastores perversos de igrejas suspeitas, no pastor se impondo, jurando que é um homem digníssimo, sendo, na verdade, um homem de má fé, sempre querendo arrancar dinheiro das pessoas ignorantes, numa certa imagem em noticiários televisivos, com homens angariando maços e maços de dinheiro, com um deles sorrindo perversamente para a câmera de TV, no termo irônico “Enriquecer em Cristo” – é um horror, fazendo coisas de baixo apuro moral as quais Jesus jamais faria. O anjo aponta falicamente para o Céu, na imagem de liberdade do pensamento racional, como num rapaz belo num quadro de da Vinci, apontando para uma direção, um objetivo, no papel do psicoterapeuta e apontar as coisas da forma mais fria possível, libertando, assim, o paciente, nas imagens de asas no Egito Antigo, com deusas como Ísis, em paradigmas universais de feminilidade, no modo como, ao fim do Paganismo Clássico, as imagens de deusas foram tranquilamente substituídas por imagens de Nossa Senhora, no arquétipo de feminilidade, passividade e pureza, transmitindo algo de bom e puro para o fiel. Maria aqui tem uma fina auréola sobre a cabeça, no indicativo de divindade, em todos os ramos religiosos que louvam a Virgem, numa certa canção pop: “Você tem que ver Maria!”. É como em concursos de beleza nos quais a moça não pode ser casada, ou seja, ter, ao menos na teoria, virgindade, no limiar da cantora Britney Spears em um certo momento da carreira, virgem, nem mulher, nem menina, num alvorecer dourado, numa revelação de luz de que somos irmãos, nos incansáveis esforços do padre na missa, sempre nos lembrando que todos fazemos parte da Grande Família Estelar, no Rei Supremo que nos ama infinitamente, na transgressão cristã: AC, olho por olho, dente por dente; DC, o perdão, no modo como o perdão é o caminho natural da Eternidade, pois os ressentimentos não são eternos, na noção taoista de que tudo se revolve naturalmente. As cabeças de anjinhos são a fertilidade, a abundância de uma vida plena, num Jesus de gênio criativo.

 


Acima, Autorretrato (1). Aqui é uma grande ironia, pois é Artemisia pintando retratada por uma Artemisia também pintando, numa ironia de metalinguagem, como ator interpretando ator, algo que deixou a deusa Goldie Hawn muito à vontade em seu papel em O Clube das Desquitadas, com diva interpretando diva, no poder dessas comédias, na capacidade do Ser Humano em rir de si mesmo, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio, como no filme A Guerra do Fogo, mostrando vários estágios de evolução humana, partindo de primatas bem primários e selvagens, passando por um estágio melhor, com homens cobertos de peles de animais, e chegando a um estágio neolítico, no domínio de fogo e na capacidade de rir das cosias da Vida, fazendo do Humor algo tão humano, tão civilizado, partindo do Teatro Grego, neste prazer que é sentar e ver uma boa comédia, em gênios teatrais como a atriz Ilana Kaplan, um tsunami do palco, numa peça em que tudo o que temos quer fazer é sentar e rir! É claro que aqui temos uma idealização, pois a pintora veste roupas majestosas de festa, de luxo, algo longe da roupa “surrada” que o artista tem que usar no atelier, para, assim, não sujar roupas boas, como usar um jaleco de médico, na roupa do labor, do dia a dia de produtividade, como no personagem Aragorn, de Tolkien, vestindo roupas surradas para encarar a Vida, o labor, como um arqueólogo se sujando em sítios arqueológicos, no vaivém das potências, num Egito que já foi uma potência militarmente temida e que, hoje, nada mais é do que um sítio arqueológico, como na Espanha na Era das Navegações, uma potência na época, hoje um país o qual, apesar de desenvolvido, deixou para trás tais templos de glória imperial, no modo como o Vaticano vai, ano a ano, perdendo fiéis para outras igrejas, no corpo dinâmico que são as religiões, na transgressão protestante, dividindo a Europa, ameaçando a hegemonia do Vaticano, o mesmo Vaticano que, nos anos 1990, tentou impedir o show de Madonna na Itália, uma artista a qual, se fosse homem, não seria tão criticada, num mundo patriarcal de homens, nos versos subjetivos de uma canção da mesma diva pop: “Papai, não dê sermão!”. Artemisia aqui usa um colar de pedras preciosas, querendo se parecer com uma mulher rica, da elite, em abismos sociais como no Antigo Egito, no qual apenas as mulheres ricas da nobreza tinham acesso a se enfeitar com perucas, num Egito que tinha piolhos endêmicos, o que força todo e qualquer cidadão a raspar e cabeça, desde o escravo ao faraó – como era dura a vida então, sem um único Tylenol para dor e febre! Os seios são fartos, opulentos, conotando fertilidade e abundância, na mãe mar provendo o nenê dos nutrientes essenciais, como em campanhas televisivas de caridade, solicitando que doemos bisnagas de nutrientes para paupérrimas crianças subnutridas na África, este continente tão pobre, com riquezas naturais roubadas pelos países ricos, na noção taoista: Como são ricos ! E roubaram tudo dos pobres! É como mendigos descendentes de indígenas, povos que um dia foram donos e senhores de tais terras, na agressividade do homem ocidental, destruindo tudo, numa imposição à força, muito, muito longe da hierarquia espiritual, a qual, irresistível, nunca é imposta à força, sendo os mais finos regendo os menos finos, na vitória da caneta sobre a espada. Artemisia aqui é bem jovem, sem um único grisalho, no modo como cabelos brancos conotam sabedoria, no hábito de uma certa senhora da Política, a qual está sempre com os cabelos impecavelmente tingidos, uma pessoa que sabe que, na vida pública, a aparência é muito importante, remetendo a um certo senhor sociopata, o qual tinha uma aparência acima de qualquer suspeita, ganhando, assim, a confiança do eleitorado, revelando-se, posteriormente, um merda, com o perdão do termo chulo. O braço erguido é o esforço e a dedicação, numa pessoa de esforçando ao máximo, sabendo que não há vitória sem luta, encarando a lida, ao contrário do morador de Rua, o qual, acima de tudo, quer se “atirar nas cordas” e fugir da seriedade da Vida.

 


Acima, Autorretrato (2). Aqui temos uma ironia de metalinguagem, pois é arte falando de arte; é o pincel de Artemisia falando da Artemisia musicista, como em multitalentos como da Vinci, explorando várias áreas do conhecimento, dissecando cadáveres por curiosidade científica, numa era anterior à Revolução Científica, nesses homens à frente de seu próprio tempo, precursores, como um Elvis Presley, trazendo o apelo pop muito antes dos anos 1980, quando pop estourou no Mundo, como num pioneirismo de David Bowie, trazendo, nos anos 1970, um estilo capilar que só se iria se popularizar na década seguinte. Aqui é como Marisa Monte, uma artista a qual, além de ter uma excelente voz cristalina e afinadíssima, é também musicista, tocando instrumentos em seus shows, nessas lendas vivas da MPB, uma artista que veio do nada e que tanto cresceu no conceito das pessoas, pois uma coisa é ter um papai poderoso na indústria; outra coisa é vir do nada, remetendo a uma certa senhora, uma pseudoatriz, sinto em dizer, uma pessoa que teve todo o respaldo de sua mãe atriz estelar, expressando posteriormente uma amarga ingratidão a tal mãe coruja, privando judicialmente esta de ver o próprio neto – você não tem vergonha de fazer isso com essa mulher que lhe carregou nas entranhas, que a alimentou com o leite materno, que trocou suas fraldas e que comprou bonequinhas para você brincar? Como o Ser Humano é cruel! Aqui, Artemisia nos fita, nos encara, como se quisesse interagir conosco, como se quisesse romper o tecido da tela e sair, no divertido episódio de Friends em que quadros de Phoebe, de gosto duvidoso, tinham ares mal assombrados, como um certo senhor ator americano que tem medo de bonecas de porcelana – cada um com suas amarras! Os seios aqui são fartos, na recomendação de Costanza Pascolatto às mulheres: “Mostre que você tem vida em dobro!”. Este busto é invejado por inúmeras mulheres siliconadas ao redor do Mundo, num padrão de beleza que tanto agride a autoestima da mulher, neste procedimento tão doloroso e invasivo que é a colocação de próteses, numa violência que a mulher faz consigo mesma, num seio siliconado o qual, sinto em dizer, não fica com aspecto natural, nas “loucuras” as quais a mulher pode fazer em nome da beleza, como na endoidecida Norma Desmond de Crepúsculo dos Deuses, recebendo em sua casa uma multidão de esteticistas para se preparar para um filme, como no supercomédia A Morte lhe cai bem, numa poção mágica que dava juventude, beleza e vida eternas ao usuário, numa metáfora com o Plano Metafísico, no qual somos todos jovens, belos e saudáveis para sempre, como no falecimento recente de uma certa rainha da Festa da Uva, a qual, tendo desencarnado idosa, está linda lá em cima, no mesmo aspecto de seu dia de coroação, num plano maravilhoso onde temos a aparência que queremos ter; num plano sem as vicissitudes do Mundo Material, como doenças – é a glória! A cabeça coberta é um certo recato, um pudor, talvez numa época em que a mulher tinha que sair assim em público, como nas burcas de mulheres islâmicas, muito longe da mulher ocidental com seus decotes e saias justas, nesses abismos culturais, no modo como já ouvi dizer que Brasília é uma cidade muito cosmopolita, com pessoas de todas as partes do Mundo, como na universalidade dos Jogos Olímpicos, fazendo do Esporte tal símbolo de união mundial, numa China comunista enviando atletas para jogos em países capitalistas, num glorioso momento em que as diferenças são deixadas de lado. Podemos ouvir aqui os acordes, no modo como eu mesmo já estudei violão, nos gloriosos versos musicais “um cantinho e um violão”, numa vida simples e pacata, na recomendação taoista para sermos tais pessoas pacatas e retiradas, numa discrição, deixando no Mundo lá fora as tempestades públicas do Yang, como Marte dormindo frente a uma Vênus desperta na obraprima de Botticelli, esses artistas que atravessam o tempo e permanecem, como um Cole Porter regravado inúmeras vezes.

 


Acima, Autorretrato como Santa Catarina da Alexandria. Artemisia adora roupas chiques e suntuosas, como na atroz competição entre as celebridades no carpete vermelho do evento novaiorquino beneficente Met Gala, para ver qual delas tem o vestido mais maravilhoso e majestoso, numa condescendência, sinto em dizer, como num certo quadro, de cujo autor não lembro, num príncipe doando vestes nobres de veludo a um mendigo nu, havendo neste príncipe um claro tom de esnobismo, quando que o verdadeiro ato de beneficência é um ato de igualdade, pois, quando amo, coloco meu irmão ao meu lado, e não acima ou abaixo de mim, no poder do Amor em nos igualar e nos manter unidos como a Grande Família Estelar, à qual todos pertencemos, fazendo das realezas mundanas cópias grotescas de tal eternidade divina. Aqui é um artista vestindo um alterego. Aqui, a santa tem uma coroa digna de rainha, majestosa, cheia de dignidade, num símbolo de poder, na dignidade de realeza, representando valores elevados e atemporais, remetendo a uma senhora que vi certa vez num domingo em Porto Alegre, com ela caminhando pela Rua com uma coroa metálica, ou seja, em pleno surto psicótico, fora da realidade, talvez num quadro de psicose ou esquizofrenia, tendo que ser imediatamente contida antes de fazer mal a si mesma ou a outrem, ou como outra doida certa vez na mesma cidade, vestindo-se de santa, numa pessoa tão, mas tão alienada da realidade, do Senso Comum, sendo este extremamente importante, visceral, o senso que nos une como sociedade, na atmosfera pestilenta de um submundo, fazendo com que a pessoa perca o contato com o Senso Comum, numa pessoa que vai se tornando mal encarada e barra pesada, perdendo contato com aspectos tão importantes como educação, discrição, polidez e cavalheirismo, como certa vez ouvi de um pai de santo, o qual, dentro de uma atroz boate escura, percebeu ali dentro espíritos sofredores, arrastando-se por tal escuridão, como no Umbral, a dimensão em que perdemos a noção de tempo e espaço, num lugar onde não estamos cercados de amigos, mas de espíritos infelizes como nós, no modo como, no submundo, não temos amigos; mas apenas conhecidos, no modo como são verdadeiras somente as amizades feitas em bases nobres de referência, como nos amigões que fiz em Porto Alegre, amizades de uma referência nobre, que é a faculdade, a PUCRS. Temos aqui uma Artemisia empenhada em passar uma imagem apolínea, nobre, chic, como numa mulher arrumada e elegante que era Tarsila do Amaral, da qual já falei aqui no blog, remetendo ao recente musical de Claudia Raia sobre tal artista icônica e poderosa, numa Claudia talentosa, atuando bem, cantando bem e dançando bem, uma Claudia que tanto ama o Brasil, numa verdadeira heroína nacional, como uma Norma Bengell, à qual, apesar de ter feito tanto, tanto pela cultura brasileira, foi negada uma inocente pensão, num juiz de Direito tão cruel, insensível e amargo, ignorando e subestimando a importância de Norma, a qual não morreu pobre, mas arruinada, na fábula da cigarra e da formiga, sendo esta insensível ao canto daquela que tanto animou o verão – o que tanto custava dar uma inocente pensão a Norma? Os autorretratos de Artemisia são de uma mulher jovem, no ápice da beleza, numa mulher talvez vaidosa, como uma diva pop se arrumando na hora de vir a público ou na hora de fazer um videoclipe, em artistas de fenomenal transgressão como Lady Gaga, deixando-nos perplexos com tal ousadia e coragem, criatividade, uma artista que sabe, para se destacar no competitivo âmbito mundial, estilo e atitude são viscerais, ao contrário de outros artistas sem atitude, sem jovialidade, sem ousadia, crendo que apenas a voz garante o estrelato, numa Celine Dion a qual, apesar de ter uma voz de anjo, jamais arrastará um milhão e meio de pessoas para as areias de Copacabana, como numa J Lo, que sabe que, se quiser obter sucesso, tem que fazer um videoclipe muito bom, marcante, cheio de verve, ousadia e frescor jovial. Artemisia aqui olha para algo elevado, para o Céu, a dimensão dos que amam estudar e trabalhar, como uma Whitney Houston olhando ao alto, elevando-se, em raízes Gospel.

 


Acima, Banho. O banho é um dos rituais civilizatórios mais básicos do Mundo, nos gloriosos dias atuais, nos quais temos água encanada e aquecida, longe da Europa Medieval, cujas condições de insalubridade potencializavam doenças, infecções e, é claro, um odor corporal inenarrável, como no Antigo Egito, com mortalidade infantil alta e perspectiva de vida baixa. O banho é a questão espírita: Quando a pessoa desencarnada está no imundo Umbral, um espírito amigo a tira de lá e, no Plano Superior, dá-lhe um banho revigorante, num banheiro bonito, ensolarado, digno de princesa. Claro que há casos de TOC, como no filmão O Aviador, num obsessivo o qual, de tanto lavar as mãos, adquiriu feridas nestas, tal a higiene exagerada. Aqui é um momento de retiro, como uma princesa com suas fiéis aias, num momento de relaxamento, deixando lá fora as obrigatoriedades de arrumação com apertados espartilhos, no modo social de oprimir ao máximo a mulher, tolhendo a sexualidade feminina, no lado negro da imagem de Nossa Senhora, a mulher sem vida sexual, idolatrada. A estrela do quadro é uma princesa, uma deusa, na beleza de corpos de Artemisia, algo herdado da nudez renascentista, resgatando o modo clássico ocidental de lidar de forma natural com o corpo humano, longe da maliciosa serpente do Éden, tapando os sexos, remetendo a uma grande professora freira que tive no Ensino Fundamental, a qual, ao ver que os jovens alunos já estavam muito maliciosos em relação a Sexo, resolveu dar aulas de Educação Sexual para, assim, neutralizar tal malícia, uma freira a qual respeito enormemente, uma amiga para sempre, na imortalidade dos vínculos de Amor, resultando no Amor Incondicional, leve, sutil, na perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tais amigos, negando, assim, o amor doente, fixado, obsessivo e possessivo, como uma pessoa que conheci, fomentando um amor para lá de fixado, precisando, urgentemente, ir a um centro espírita para desobcecar, na noção de que somos irmão, iguais, os príncipes eternos do Nosso Pai, num Tao que nos fez de forma tão única e especial, havendo aqui o lado luminoso de Nossa Senhora, servindo para nos dizer que todos pertencemos a tal Útero Divino, no modo como nada se perde, e cada um é extremamente e totalmente especial, nesse Mundo Material tão duro, o qual nos ocasiona uma evolução excepcional como pessoas, pois o sentido da Vida é a depuração e é tornar-se uma pessoa melhor – você não é bem melhor do que você era anteriormente? Aqui tudo gira em torno da deusa, pois as aias estão vestidas, numa mulher rica que se acostumou a ser cercada de aias, nas regalias do poder, como um FHC expressando a falta que sentia da luxuosa piscina da residência presidencial em Brasília, nessa eterna sede humana por poder, em milhões e milhões de pessoas apostando na Loteria, sonhando com tal poder enorme, na noção espírita: Você não faz ideia de a qual nível espiritual fica reduzida uma pessoa que, ao ganhar na Loteria, é considerada feliz no Mundo. Aqui remete ao majestoso comercial televisivo da colônia feminina J’adore de Dior, com a estrela Charlize Theron numa casa de banho, nua, maravilhosa, deusa, num retiro de exclusividade feminina, no costume social de colocar as mulheres em um banheiro e os homens em outro, ou como no costume protestante antigo de, no templo, colocar mulheres de um lado e homens do outro, no papel de representação social do casal heterossexual: Ele representa os homens; ela, as mulheres. Vemos uma grande bacia prateada, que é o receptáculo feminino, como na garrafa de Jeanie é um Gênio, da TV americana, com a gênio feminina se refugiando em sua garrafa, ou como a jarra prateada de água da Galadriel de Tolkien, na reflexão do espelho feminino, no símbolo de feminilidade, nos esforços enormes de um transexual e se parecer ao máximo com um homem ou uma mulher, na crueldade social que agride os transhomens e as transmulheres, ao ponto de gritar para estas dizendo: “Não é mulher de verdade!” – é um horror esse preconceito.

 


Acima, Cleópatra. Aqui é a trágica história da mulher faraó, uma estadista de mão cheia que tudo fez pelo Egito, resultando no filme com Liz Taylor, um filme o qual, de tão ruim, quase quebrou o estúdio na época, com uma suntuosa direção de arte que deve ter custado zilhões de dólares, num filme que fez de Liz a atriz mais bem paga na época. O suicídio é tal fim trágico, numa pessoa que acha que não tem escolha, como no suicídio de Vargas, na prova de que poder não traz felicidade, havendo no Umbral o Vale dos Suicidas, com espíritos vagando pro escuridão, sujeira e sensação extremas de frio ou calor, como um mendigo, cujo desencarne não muda muita coisa – está mal aqui; está mal ali. A rainha aqui está com aparência cadavérica, no aspecto de defunto, nesses eventos sociais difíceis que são os funerais, com aquele cafezinho bem forte, para lembrar de que não se trata de festa, na ironia de que, ao desencarnar, a pessoa volta ao Plano Superior com uma grande festa de retorno ao Lar, com entes queridos desencarnados, como aquela avó querida, recebendo-nos lá, na suprema imortalidade dos vínculos de amor e de família, vínculos que sobrevivem ao óbito do corpo físico, no conceito de Santo Agostinho, um dos pilares do Espiritismo, na concepção de que somos feitos de carne finita e alma infinita, no abraço da Eternidade, a absurda prova do poder de Tao, que é o infinito, no poder supremo de que jamais findaremos, em figuras amorosas como Chico Xavier, o maior médium de todos os tempos, nosso irmão depurado que tanto Amor deu na Terra, um homem que tanto consolo deu a mães que perderam os filhos, nessa grande ilusão que é a morte física, em rituais fúnebres que buscam delinear tal imortalidade, tal “aposentadoria”, por assim dizer, como no velório de um ente querido meu, no qual se respirava o ar de dever cumprido, num espírito absolutamente consciente do próprio desencarne, abraçando a Vida na qual há saúde plena – tanto física quanto psíquica, abrindo a metáfora do filme de ficção científica Elysium, no qual uma máquina neutralizava toda e qualquer doença, ou como no filmão Vanilla Sky, no qual a pessoa era congelada, rejuvenescia e vivia plena e jovem para sempre, na questão do ser uma máquina eterna, racional, na razão fria dos números, da lógica de Tao, mas, mesmo assim, um espírito amoroso que nunca desconsidera um só irmão, como numa certa família famosa, na qual os filhos biológicos tratam com muito amor os filhos adotados, todos da mesma mãe, em pais estéreis adotando uma criança, dando um lar a esta, dando carinho, como um rapaz pobre e negro que conheci, o qual cresceu num orfanato, privado de um ter um lar e uma família, um rapaz que encontrou na Umbanda um chão firme para se centrar na Vida, dedicando-se a tal religião, numa religião tão forte e poderosa, com suas divindades, como na divindade Capa Preta, na pessoa traçando seu Yang na Vida, visando seus sucessos e êxitos, na fome pela Vida, no apetite pela Vida, vivendo com tesão seus dias, com objetivo, meta, num esforço de construção, ou reconstrução, numa pessoa que já beijou o fundo de poço existencial. As aias aqui choram pela morte da ama, como em pomposos funerais dos membros da Família Imperial Britânica, nas pompas invejáveis de coroação britânica, obtendo o respeito do Mundo, no modo como a Academia de Hollywood ama as tradições britânicas, com seus reis e rainhas. A serpente corre livre, liquidiscente, como água escorrendo, no modo como em certas culturas a serpente não é algo malévolo, mas um símbolo de fertilidade, de fluidez, de vida, na figura da nociva naja ereta, inspirando a coroa real egípcia, na noção do antigo egípcio em projetar divindades na Natureza, com cabeças de animais habitando corpos humanos, na revolução das religiões monoteístas, abolindo os deuses, os quais ressuscitaram no panteão hollywoodiano, no mundo glamoroso das celebridades, como nos inúmeros deuses habitando, em esculturas, os arcos do Coliseu. Aqui Cleópatra está quase nua como Jesus na cruz, numa questão que carcome os arqueólogos – onde a rainha está enterrada?

 

Referências bibliográficas:

 

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

Artemisia Gentileschi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 out. 2024.

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