Americano autista de 1963, Marlon Mullen mantém um estúdio na Califórnia. Já fez dez mostras individuais, dez coletivas e já ganhou dois prêmios. Estourou na Bienal de 2019 do museu novaiorquino Whitney, que trata somente de arte americana. Integra dez coleções públicas de museus, inclusive a do maravilhoso MOMA de Nova York. Isso remete a uma certa artista plástica autista, na questão da inclusão social do autista. Com seus traços simples, Mullen harmoniza com a artista plástica caxiense Vívi Pasqual, da qual já falei aqui no blog – é só dar um search. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, sem título (1). Na base temos algo como um peso, num discernimento, pesando as coisas para ver o que é mais sábio a ser feito, no caminho natural da maturidade, talvez no caminho espiritual, numa vida dura que acaba por nos fazer pessoas melhores, como uma certa pessoa, a qual era homofóbica, uma pessoa que cresceu, aprendendo, hoje, a lição do respeito, com a informação científica de que ser gay não é doença, na questão de pedir perdão por termos desrespeitado nossos irmãos, como uma certa pessoa poderosa, a qual tinha o poder para interceder por um cidadão, mas nada fez para interceder, tornando-se conivente com a insana punição a uma pessoa inofensiva, nessa pessoa poderosa que, ao desencarnar e reencontrar tal irmão, pedirá perdão, pois o poder mundano no Mundo fica, na sabedoria popular de que vão-se os anéis e ficam os dedos, na questão da simplicidade: Tudo o que tenho é eu mesmo, no voto de pobreza de um padre ou freira, na contradição de que a Igreja Católica é riquíssima, no famoso Banco do Vaticano, no caminho da esnobação, a qual, definitivamente, não é sinônimo de caridade, no modo como já tive ajuda de pessoas poderosas, as quais ajudaram-se a conquistar respeito, ao contrário de uma certa sociopata, a qual viu que eu precisava de ajuda, mas nada fez para me ajudar, no caminho do maldade pura, nessas pessoas tão diabólicas, admirando figuras como Hitler – é um horror. Na porção direita do quadro, temos uma janela, uma perspectiva, num arejamento, como uma pessoa que respeita os outros, numa pessoa que vive aberta para o Mundo, uma pessoa feliz e bem resolvida, tratando todos com bondade, ao contrário da pessoa antipática, a qual não observa de fora, não percebendo que causa tal má impressão, como uma certa senhora, uma antipática de marca maior, construindo assim tal reputação, mas uma pessoa a qual, por outro lado, faz um trabalho muito bom, competente, um trabalho o qual respeito, lamentando, eu, por tal pessoa ser tão anticarismática, mas não necessariamente uma pessoa diabólica ou manipuladora, ou maliciosa – realmente, não é isso. O azul aqui é a cor dos sonhadores, no modo como uma vida não pode ser só o dia a dia, numa pessoa que sabe que tem que almejar e sonhar um pouco: Não pode faltar lavar roupa ou limpar uma casa, mas isso não significa que sua vida tem que ser só isso, e as pessoas estão aí, ousando, almejando algo maior, nos versos de uma canção cantada por Barbra: “Não me diga para não viver, apenas sentar e produzir”, no modo com a Vida não é só pagar contas, remetendo a uma certa workaholic, uma pessoa que se fodia de tanto trabalhar, com o perdão do termo chulo, uma pessoa que aprendeu uma dura lição: Você tem que se dar ao respeito. É como num estabelecimento comercial para o qual tenho vista da janela de onde moro, um estabelecimento no qual as pessoas trabalham de madrugada, ou fins de semana ou feriados, e não dá para ser assim, meu irmão, pois o Mundo não está nem aí se você sofre de tanto trabalhar, na noção de que vida de workaholic não compensa. Mullen aqui gosta de escrever coisas nas obras, no casamento entre Letras e Artes Plásticas, no modo como as artes estão umas dentro das outras, como no casamento da Música com o Cinema, como nos bons artistas da Hollywood de antigamente, artistas completos, os quais atuavam, dançavam, etc., remetendo a uma certa atriz simplória, uma boa atriz de TV e Cinema, mas uma atriz que se caga de medo de subir num palco de Teatro, com o perdão do termo chulo, e o artista cênico tem que explorar todos os meios de expressão cênica, como disse certa vez a diva Fernandona Montenegro. O amarelo aqui é a cor de um troféu, de um prêmio, da ambição, como uma certa atriz, a qual ganhou um Globo de Ouro, mas, pelo mesmo trabalho, sequer foi indicada um Oscar – c’est la vie!
Acima, sem título (2). Aqui é uma explosão de cores, como na coleção da personagem de Cher no filme Chá com Mussolini, no modo como comprar Arte é um bom investimento, numa pessoa rica, que vê necessidade de investir, resultando em atos de gentileza, como doar obras a museus, remetendo à tragédia das enchentes gaúchas de 2024, com o subsolo de arquivos do Margs, o Museu de Arte do RS, todo destruído, em tragédias que nos dão o claro recado que é a Terra quem tenta imitar o Céu, havendo a plenitude do Plano Superior, longe das vicissitudes da matéria, como problemas de saúde, na metáfora do filme Elysium, no qual uma máquina tinha a capacidade de curar qualquer doença, num bando de desalmados ricos que viviam numa nave na órbita da Terra, fazendo metáfora com o Plano Superior, desalmados estes que nada se importavam com os pobres que viviam na superfície da Terra. Aqui, é como um rico recheio de xisburguer, no modo como comida boa é comida simples, só que bem feita, no modo como a Vida é boa quando é simples, como ir a um parque num domingo de tarde, abrir um tapete no gramado e conversar com amigos, talvez tomando um café ou um chimarrão, na universalidade do chá, indo do chá inglês até o chá chinês de jasmim, no modo como a bebida quente nos traz uma sensação de conforto e consolação, como fazer uma boa refeição, gozando da sensação de saciedade, como uma pessoa observando os efeitos de seu próprio trabalho, talvez ficando incrédula com tais efeitos, no termo popular: “Rala que rola!”, remetendo aos miseráveis improdutivos, levando uma vida a qual não se pode levar, no exemplo supremo de Tao, o qual está sempre criando e laborando, deixando-nos perplexos com tal perfeição, como um fãclube ávido pelo próximo trabalho do artista admirado, na capacidade de virar a página e encarar um novo momento, partindo do zero, num eterno recomeço. Aqui é uma explosão de placas e anúncios publicitários, como na famosa Times Square, numa atroz competição para ver quem mais se destaca, numa competitividade são intensa, no modo da pessoa precisar ter agressividade para sobreviver a tal âmbito, no lado macho da Vida, remetendo à divindade umbandista do Capa Preta, o deus do sucesso e do êxito, sabendo que a Vida não é só Yin, só feminilidade, na ironia taoista de que Yin traz uma pitada de Yang, e viceversa, na ironia metalinguística de que tudo traz em si sua própria contradição, e farei aqui uma explanação positiva e negativa: Num certo estádio de Futebol, a sala para receber os visitantes era de cor de rosa, feminina, querendo, assim, feminilizar e enfraquecer o oponente; por outro lado, pode dar a impressão de que o próprio anfitrião é feminino e fraco, no modo como a Vida não deixa de ser engraçada. Aqui é uma colagem, na tarefa do artista plástico em combinar coisas dissociadas e, associando-as, produz algo novo, como uma certa obra de arte que vi certa vez, numa faca que tinha um buraco na lâmina, e, neste buraco, encaixava-se um cadeado hermeticamente fechado, trancado, fortemente associado, como nos momentos introdutórios dos programas de Culinária de Rodrigo Hilbert, fabricando coisas novas, não deixando, assim, de ser artista plástico. Aqui é como um corpo todo tatuado, numa pessoa que decide perpetuar coisas na pele, uma decisão drástica, radical, no modo como um judeu não pode se tatuar, pois, se o fizer, não poderá ser enterrado num cemitério israelita, no peso das tradições. Neste quadro vibrante temos uma diversidade, no respeito democrático às liberdades, evocando homens tão excepcionais como Francisco, simples, agregador, num papado infelizmente curto, na expectativa de como será o próximo pontífice – arejado ou conservador? Aqui são como ímãs de geladeira, num quebracabeça, no desafio de se montar, num começo tão duro e árduo, num final doce e claro, no modo como o colono italiano, ao chegar na Serra Gaúcha, deparava-se com uma vida duríssima, chegando perto de passar fome.
Acima, sem título (3). Um jogo de Xadrez, num jogo que tanto exige de nossa mente, no impacto da inteligência artificial, num robô que vence no Xadrez até o campeão mundial, em avanços que nos deixam perplexos, principalmente para minha geração, que foi criança nos anos 1980, presenciando a era analógica, em equipamentos rústicos como a televisão de tubo, sem controle remoto e só com poucos canais da TV aberta, e ainda, assim, éramos felizes, no paradoxo de nossos tempos com a TV por assinatura, a qual nos proporciona centenas de canais, e nós, frequentemente, ficamos zapeando sem encontrar algo que nos interesse profundamente, na recomendação espírita de que TV é só para vermos algo que realmente queremos ver, nos versos de uma certa canção: “Procurando novas drogas de aluguel neste vídeo coagido”. Aqui são como as quadriculações de Mondrian, o mestre Mondrian, transgressor, moderno, fabuloso, do qual já falei no Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia – é só dar um search ali por “Piet Mondrian”. Aqui é um processo se desenrolando, em algo sendo construído, como alguém trabalhando para constituir patrimônio, em homens tão laborosos como o senhor meu pai, médico cardiologista que sempre trabalhou de Sol a Sol para prover um ótimo nível de vida a si, à esposa e aos filhos, nos pesos adultos de responsabilidade, como uma menina que vira mãe ainda na adolescência, amadurecendo na marra! Os quadrados são como o xadrez estranho e fabuloso da obra de Burton Os fantasmas se divertem, onírico, louco, bem estranho, num Burton sombrio, gótico, por assim dizer, impactando uma América tão protestante e puritana, no impacto da Arte em nossas vidas, em rompimentos como o Modernismo Brasileiro, sepultando os velhos tempos e dizendo-nos que o novo sempre vem, como no boom de Marisa Monte com o icônico álbum Mais, revelando-se a um Brasil de uma riqueza musical incrível, no modo como a Bossa Nova ganhou o Mundo, no charme do Rio de Janeiro, no sotaque carioca em dublagens de filmes, sotaque derivado diretamente do sotaque português. A candura de Mullen lembra um pouco Basquiat, do qual já falei no meu blog, em simplicidades, como na simplicidade da criança, a qual só quer se divertir, nas eternas palavras de Jesus: “Vinde a mim as criancinhas, pois delas é o Reino dos Céus!”, na ironia de que a criança, recém reencarnada, traz ainda um residual da vida no Plano Superior, num plano em que a Vida é mais simples, sem as exigências e sisos dos adultos, como no paradoxo adolescente: Não se identifica com o mundo das crianças, por achar monótono; não se identifica com o mundo dos adultos, também porque acha monótono, no termo “galeto” – nem pinto, nem frango. A pureza do branco aqui é a tal base, num jogo de contraste e expressão, como na monumental Primavera de Botticelli, do qual já falei no blog, com os deuses e deusas iluminados respaldados por um fundo escuro, na noção taoista: Quando digo que algo é escuro, é porque conheço o oposto, que é branco. É como no casal: a mulher mais baixinha faz ressaltar o marido alto, no modo patriarcal de sempre colocar a mulher numa posição inferior, enfurecendo as feministas, nossas elites que têm a força para pensar contra os fortes ventos do patriarcado, na necessidade filosófica de senso crítico, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, mas pode mudar o modo particular de uma pessoa ver o Mundo, no modo como nem Jesus Cristo, na sua majestade, soube solucionar os problemas do Mundo, o qual é um plano em que azuis estão sempre em pé de guerra contra amarelos, numa metáfora cromática aqui. Na parte inferior do quadro, códigos de barra, numa identidade, num estado em ordem, com cada cidadão com seu registro geral, gerando o filme Brazil, ou como em Matrix, num sistema que visa manter o cidadão sob controle, no paradoxo chinês: O cidadão chinês não pode se opor ao governo ditatorial; por outro lado, o cidadão chinês é totalmente livre para empreender, no termo paradoxal “socialismo de mercado”.
Acima, sem título (4). O preto é a cor do luto e da discrição, como a senhora minha bisavó, a qual, ao enviuvar, só usou preto até o resto da vida, naquelas senhoras digníssimas e respeitadas, sabendo do valor da discrição, como não me canso de dizer do discreto camaleão – invisível para presas, invisível para predadores. A silhueta obesa é como a famosa silhueta de Hitchcock, nesses mestres que marcam para sempre a Sétima Arte, em estilos inconfundíveis como Allen, em tiradas geniais como “subjetivo é objetivo”, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, no termo latino “a verdade é a filha do tempo”. A flor aqui luta para sobreviver, num artista que sabe que tem que virar as páginas de encarar um novo momento na carreira, na humildade de não deixar o sucesso subir à cabeça, remetendo a artistas talentosos os quais não conseguem sobreviver a uma certa década, parando no tempo, como uma certa artista, maconheira em excesso, sinto em dizer, uma artista que vive até hoje nos anos 1980, nada significando para a meninada que nasceu entre os anos 2000 e 2010, na capacidade de uma rádio em não parar no tempo e injetar mais novidades na programação, como uma certa rádio, a qual virou a “velharia FM”, nas sábias palavras de uma certa professora a um aluno: “Tens que viver no teu tempo!”, remetendo à descomunal cultura cinematográfica do falecido crítico de Cinema Rubens Ewald Filho, conhecendo a fundo as eras em que a Cinema era chamado de “tela prateada”, em menção ao brilho cinzento nas telas, no talento nato de um ator que sabe se vender tão bem, em galãs tão charmosos como Clark Gable, conquistando tietes histéricas ao redor do Mundo, no modo como não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar – isso exige um aprendizado autodidata. A data no quadro é a passagem do tempo, no inevitável envelhecimento, nas palavras de Barbra, que disse que os famosos envelhecem em público, como no ultrarroqueiro Axl Rose, com uma barriguinha atual, contrastando com o Axl do passado, magro, cheio de vitalidade, no modo como a juventude feliz é uma invenção de velhos. A rosa rubra aqui é ao galanteio, na cor do coração, nas sábias palavras de uma certa canção pop: “Rosas são muito românticas, mas o cara precisa começar pela cabeça da mulher”, como no filme As pontes de Madison, no qual um homem não soube fazer uma proposta realista e sólida a uma mulher mãe de família, a qual acaba rejeitando tal homem, fazendo a coisa racionalmente correta, apesar de doer no coração, o qual pode ser bem traiçoeiro. O homem aqui é o vilão Pinguim, como vi ontem na TV um filme recente de Batman, nas novas releituras que são surgindo, como regravações modernas dos clássicos imortais de Cole Porter, como na pujante versão de Night and Day da superbanda U2, uma banda que sabe que, se quiser sobreviver a décadas de carreira, precisa sempre injetar material novo na praça, no modo como é duro e difícil uma banda se manter coesa por décadas de carreira, como nos Guns n’ Roses, a banda que sofreu um desfalque gigantesco com a saída do megaguitarrista Slash, nesses talentos que nos deixam perplexos, como nas danças de Michael Jackson. As palavras aqui são lembretes, como ímãs em geladeiras, no poder da palavra, no ponto decisivo na Humanidade no surgimento da Escrita, trazendo então a era da civilização, ao contrário do Neolítico, no qual as tradições eram transmitidas oralmente, como nas tribos amazônicas, sem registro por escrito. As mãos aqui são ávidas, como num Nosferatu, em películas tão boas como Drácula de Bram Stoker, fazendo metáfora com o sociopata, o vampiro que suga almas, na relação doente entre sádico e masoquista – tudo o que você tem a fazer é não nem um, nem outro. A rosa aqui forma uma boca descomunal, numa sede, numa ambição, como na secretária de Uma secretária de futuro, numa moça “faminta”, batalhadora, vencendo uma vilã de má fé, interpretada pela deusa Sigourney Weaver, uma atriz na qual jogo rosas de admiração, nesses grandes, que marcam gerações, com cada geração com seus ícones – para mim, Mulhergato é Michelle Pfeiffer.
Acima, sem título (5). Quase no meio vemos seios, no termo para designar o chimarrão e a cuia marrom: O seio moreno que passa de mão em mão, nessa proximidade cultural entre o RS e o Uruguai e a Argentina, como pronunciar o termo “paella” com o sotaque de Buenos Aires. Os seios aqui são como olhos que nos espreitam, desafiando o espectador, no poder da Arte em mexer conosco, em comoções de filmes como Titanic, com pessoas saindo chorando da sala de Cinema, como menininhas japonesas que se reuniam e choravam pela morte do personagem Jack, no modo da menininha em acreditar que há um príncipe perfeito, como uma pessoa equivocada que conheço, a qual está, há quase duas décadas, lânguida, esperando pelo príncipe que nunca vai chegar, uma pessoa equivocada que está sem tesão algum para lutar, imune a métodos de remédios psiquiátricos ou centros espíritas, e eu gostaria de dizer duas coisas a tal pessoa: 1) Não idealize um passado que não foi tão ideal assim; 2) Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho. E o Mundo não pertence aos que batalham pela Vida? Nas palavras sábias de Dercy: “A Vida e luta!”, na humildade de virar páginas e aceitar novos desafios e aprendizados. Aqui é esta paixão de Mullen de escrever nas obras, no modo como hoje em dia a Arte está completamente livre, com formas diversas de expressão, de imaginação, como vi certa vez numa bienal de Arte um artista plástico que fazia parte da própria obra, no artista todo pintado de branco, encabeçando um cone gigantesco, em capacidades transgressoras, como no famoso casal Christo e Jeanne-Claude, grandiosos, ambiciosos e visionários, na função do transgressor em provocar a evolução de um corpo social, em atitudes transgressoras estilísticas de Lady Gaga, uma artista, com todas as letras: ARTISTA, capaz de arrastar mais de um milhão de pessoas para as areias de Copacabana, uma artista que tem uma voz tão boa, num talento tão respeitado, explorando vários meios de expressão, angariando um farto fã clube ao redor do Mundo, numa das provas da universalidade do Ser Humano, com fãs em todas as partes do Mundo, em fenômenos de carisma e popularidade, remetendo a outra certa cantora, com uma voz monumental, negra, potente, mas uma cantora que jamais arrastará mais de milhão de pessoas para Copacabana, nos mistérios do carisma, como Pavarotti, carismático, no mesmo nível de excelência vocal de Plácido Domingo, mas brilhando mais do que este. As coisas aqui neste quadro são como um alimento sendo processado pelo intestino, num processo, como no andamento de um processo jurídico, em coisas que levam tempo, na noção dialética de que tudo é processo, no processo de crescimento de um espírito, o qual, com coragem, decidiu reencarnar na Terra num contexto miserável, com criancinhas desnutridas na África, numa vida tão dura, que ocasionará uma mortificação tremenda no espírito, na questão espírita da mortificação, no ponto da pessoa parar de pensar em bobagens e ater-se ao que é sério e importante, como me disse uma médium espírita: “Estou aqui para falar sobre coisas importantes, e não se fulana vai arranjar um namorado!”, como hoje fui abordado na Rua por uma cigana, a qual queria ler minha sorte, acho que uma cigana que me achou com cada de rico endinheirado, num povo cigano tão mal visto e discriminado, com nossas mães nos assustando em nossas infâncias: “Se você não se comportar, a cigana vai lhe levar embora!”. Vemos nesse quadro pequenos círculos, como leitura em Braille, nessa vicissitude que é ser cego, dependendo a ajuda de estranhos na Rua para atravessar num semáforo, numa passagem divertida que aconteceu comigo, quando um rapaz achou que eu fosse deficiente visual, oferecendo-se para me ajudar a atravessa uma rua! Neste quadro algo escuro se insinua, como numa escura crise chegando, nas palavras de uma certa psicóloga: As crises são positivas, pois elas assinalam um momento de superação e renovação na vida da pessoa em crise.
Acima, sem título (6). Aqui é como um anúncio publicitário, no modo como o Marketing e a divulgação são dedos importantes da mão do trabalho, na metáfora dos professores na academia de Propaganda: Ambas pata e galinha botam um ovo delicioso e nutritivo, mas a galinha, por gritar mais quando bota, supera em vendas a pata, no casamento entre Arte e Indústria no movimento Pop Art, no consumo e na cultura de massa virando inspirações, produzindo Arte numa “esteira industrial”, em booms massivos como o de Andy Warhol, recebendo inúmeras encomendas, virando sinônimo de fineza, criatividade e ineditismo, na felicidade de um artista reconhecido ainda em vida, ao contrário de outros homens, como Jesus, incompreendido em seu próprio tempo, mas plenamente reconhecido depois, ressuscitando na fé das pessoas, até chegar ao ponto do césar romano se converter ao Cristianismo, no modo como uma pessoa subestimada pode ir tão longe: Se as pessoas podem me ver vindo, é porque não surpreenderei. O azul aqui é paradisíaco, numa cópia fiel do Éden, em destino turísticos prestigiados, como o Caribe, como certa vez me banhei em águas límpidas caribenhas, na deliciosa sensação de simplicidade e de liberdade que a orla traz, como nadar nu no mar, no conforto uterino, no choque que é ao bebê vindo ao Mundo, saindo de tal conforto quentinho para um lugar frio e incômodo, na questão do eterno retorno ao Lar, como no feto ao fim de 2001, nos versos da canção de Annie Lennox: “Os navios vieram para levar você para casa!”, na incrível vida que nos espera lá em cima, o lugar com toda uma energia de trabalho e produtividade, de ordem, de bem estar, no reencontro com entes queridos, no modo como, sem a Vida Eterna, nada teria sentido, pois nada teria sentido se tudo acabasse com a morte do corpo físico, nas palavras taoistas: “Se o seu corpo morrer, não tem problema!”. É na questão de que as pessoas não morrem; só mudam de endereço. Como bisavós nos abençoando lá de cima, apesar de não termos conhecido em vida tais bisavós, no glorioso modo como os vínculos de família não se desfazem com o Desencarne, ao contrário dos animais, num mamífero o qual, ao desmamar, desliga-se da própria mãe. Aqui remete a uma divertida passagem da cantora Macy Gray num tapete vermelho, vestindo uma roupa a qual anunciava, cruamente, o lançamento de seu próximo álbum, e, ainda por cima, escrito nas nádegas dela: “Compre!”, no modo como precisamos ver mais jovialidade e irreverência no red carpet, como certa vez numa aparição pública de Bette Midler, com um chapéu absolutamente louco, com coisa girando, ou como Cher ao receber seu Oscar, num figurino altamente ousado e provocante, ao contrário de atrizes as quais simplesmente não se arrumam muito para ir a alguma parição num evento de premiação, na questão da autoestima, como em psicoterapeutas arrumados, dando-nos um exemplo de autoestima, como sair de casa perfumado, como Chanel dizia que estar perfumado é um luxo, pois ninguém vai morrer por não estar perfumado, remetendo a um certo senhor o qual usava perfume de senhoras, num atitude da qual discordo, pois posso ser perfumado e, ainda assim, homem. É uma coisa que não é muito sexy, como um homem num banheiro feminino, na questão complicada da inclusão social do transexual, pessoas que se deparam com a dureza do Mundo em relação a transexualidade, como tive certa vez uma vizinha transmulher, uma pessoa educada e agradável, a qual tinha um emprego normal, e não de prostituição. Aqui são informações expressas de uma placa de sinalização, como outdoors na estrada, os quais precisam ser os mais simples possíveis, pois, de carro passando, não podemos absorver todas as informações, na questão de que menos é mais: Quanto mais informações apresentadas num outdoor, menos informações serão recebidas, numa ironia, a marca registra de Tao, o Grande Comediante. As letras rústicas são a simplicidade, na simplicidade de se colocar uma travessa no centro da mesa, servindo a todos os sentados, como num Sol e seus planetas.
Referências bibliográficas:
Marlon Mullen. Disponível em: <www.adamsandollman.com/Marlon-Mullen-1>. Acesso em: 23 abr. 2025.
Marlon Mullen. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 23 abr. 2025.
Projects: Marlon Mullen. Disponível em: <www.press.moma.org/exhibitions/projects-marlon-mullen/>. Acesso em: 23 abr. 2025.
















