quarta-feira, 30 de abril de 2025

MM de muito maravilhoso (Parte 1 de 5)

 

 

Americano autista de 1963, Marlon Mullen mantém um estúdio na Califórnia. Já fez dez mostras individuais, dez coletivas e já ganhou dois prêmios. Estourou na Bienal de 2019 do museu novaiorquino Whitney, que trata somente de arte americana. Integra dez coleções públicas de museus, inclusive a do maravilhoso MOMA de Nova York. Isso remete a uma certa artista plástica autista, na questão da inclusão social do autista. Com seus traços simples, Mullen harmoniza com a artista plástica caxiense Vívi Pasqual, da qual já falei aqui no blog – é só dar um search. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Na base temos algo como um peso, num discernimento, pesando as coisas para ver o que é mais sábio a ser feito, no caminho natural da maturidade, talvez no caminho espiritual, numa vida dura que acaba por nos fazer pessoas melhores, como uma certa pessoa, a qual era homofóbica, uma pessoa que cresceu, aprendendo, hoje, a lição do respeito, com a informação científica de que ser gay não é doença, na questão de pedir perdão por termos desrespeitado nossos irmãos, como uma certa pessoa poderosa, a qual tinha o poder para interceder por um cidadão, mas nada fez para interceder, tornando-se conivente com a insana punição a uma pessoa inofensiva, nessa pessoa poderosa que, ao desencarnar e reencontrar tal irmão, pedirá perdão, pois o poder mundano no Mundo fica, na sabedoria popular de que vão-se os anéis e ficam os dedos, na questão da simplicidade: Tudo o que tenho é eu mesmo, no voto de pobreza de um padre ou freira, na contradição de que a Igreja Católica é riquíssima, no famoso Banco do Vaticano, no caminho da esnobação, a qual, definitivamente, não é sinônimo de caridade, no modo como já tive ajuda de pessoas poderosas, as quais ajudaram-se a conquistar respeito, ao contrário de uma certa sociopata, a qual viu que eu precisava de ajuda, mas nada fez para me ajudar, no caminho do maldade pura, nessas pessoas tão diabólicas, admirando figuras como Hitler – é um horror. Na porção direita do quadro, temos uma janela, uma perspectiva, num arejamento, como uma pessoa que respeita os outros, numa pessoa que vive aberta para o Mundo, uma pessoa feliz e bem resolvida, tratando todos com bondade, ao contrário da pessoa antipática, a qual não observa de fora, não percebendo que causa tal má impressão, como uma certa senhora, uma antipática de marca maior, construindo assim tal reputação, mas uma pessoa a qual, por outro lado, faz um trabalho muito bom, competente, um trabalho o qual respeito, lamentando, eu, por tal pessoa ser tão anticarismática, mas não necessariamente uma pessoa diabólica ou manipuladora, ou maliciosa – realmente, não é isso. O azul aqui é a cor dos sonhadores, no modo como uma vida não pode ser só o dia a dia, numa pessoa que sabe que tem que almejar e sonhar um pouco: Não pode faltar lavar roupa ou limpar uma casa, mas isso não significa que sua vida tem que ser só isso, e as pessoas estão aí, ousando, almejando algo maior, nos versos de uma canção cantada por Barbra: “Não me diga para não viver, apenas sentar e produzir”, no modo com a Vida não é só pagar contas, remetendo a uma certa workaholic, uma pessoa que se fodia de tanto trabalhar, com o perdão do termo chulo, uma pessoa que aprendeu uma dura lição: Você tem que se dar ao respeito. É como num estabelecimento comercial para o qual tenho vista da janela de onde moro, um estabelecimento no qual as pessoas trabalham de madrugada, ou fins de semana ou feriados, e não dá para ser assim, meu irmão, pois o Mundo não está nem aí se você sofre de tanto trabalhar, na noção de que vida de workaholic não compensa. Mullen aqui gosta de escrever coisas nas obras, no casamento entre Letras e Artes Plásticas, no modo como as artes estão umas dentro das outras, como no casamento da Música com o Cinema, como nos bons artistas da Hollywood de antigamente, artistas completos, os quais atuavam, dançavam, etc., remetendo a uma certa atriz simplória, uma boa atriz de TV e Cinema, mas uma atriz que se caga de medo de subir num palco de Teatro, com o perdão do termo chulo, e o artista cênico tem que explorar todos os meios de expressão cênica, como disse certa vez a diva Fernandona Montenegro. O amarelo aqui é a cor de um troféu, de um prêmio, da ambição, como uma certa atriz, a qual ganhou um Globo de Ouro, mas, pelo mesmo trabalho, sequer foi indicada um Oscar – c’est la vie!

 


Acima, sem título (2). Aqui é uma explosão de cores, como na coleção da personagem de Cher no filme Chá com Mussolini, no modo como comprar Arte é um bom investimento, numa pessoa rica, que vê necessidade de investir, resultando em atos de gentileza, como doar obras a museus, remetendo à tragédia das enchentes gaúchas de 2024, com o subsolo de arquivos do Margs, o Museu de Arte do RS, todo destruído, em tragédias que nos dão o claro recado que é a Terra quem tenta imitar o Céu, havendo a plenitude do Plano Superior, longe das vicissitudes da matéria, como problemas de saúde, na metáfora do filme Elysium, no qual uma máquina tinha a capacidade de curar qualquer doença, num bando de desalmados ricos que viviam numa nave na órbita da Terra, fazendo metáfora com o Plano Superior, desalmados estes que nada se importavam com os pobres que viviam na superfície da Terra. Aqui, é como um rico recheio de xisburguer, no modo como comida boa é comida simples, só que bem feita, no modo como a Vida é boa quando é simples, como ir a um parque num domingo de tarde, abrir um tapete no gramado e conversar com amigos, talvez tomando um café ou um chimarrão, na universalidade do chá, indo do chá inglês até o chá chinês de jasmim, no modo como a bebida quente nos traz uma sensação de conforto e consolação, como fazer uma boa refeição, gozando da sensação de saciedade, como uma pessoa observando os efeitos de seu próprio trabalho, talvez ficando incrédula com tais efeitos, no termo popular: “Rala que rola!”, remetendo aos miseráveis improdutivos, levando uma vida a qual não se pode levar, no exemplo supremo de Tao, o qual está sempre criando e laborando, deixando-nos perplexos com tal perfeição, como um fãclube ávido pelo próximo trabalho do artista admirado, na capacidade de virar a página e encarar um novo momento, partindo do zero, num eterno recomeço. Aqui é uma explosão de placas e anúncios publicitários, como na famosa Times Square, numa atroz competição para ver quem mais se destaca, numa competitividade são intensa, no modo da pessoa precisar ter agressividade para sobreviver a tal âmbito, no lado macho da Vida, remetendo à divindade umbandista do Capa Preta, o deus do sucesso e do êxito, sabendo que a Vida não é só Yin, só feminilidade, na ironia taoista de que Yin traz uma pitada de Yang, e viceversa, na ironia metalinguística de que tudo traz em si sua própria contradição, e farei aqui uma explanação positiva e negativa: Num certo estádio de Futebol, a sala para receber os visitantes era de cor de rosa, feminina, querendo, assim, feminilizar e enfraquecer o oponente; por outro lado, pode dar a impressão de que o próprio anfitrião é feminino e fraco, no modo como a Vida não deixa de ser engraçada. Aqui é uma colagem, na tarefa do artista plástico em combinar coisas dissociadas e, associando-as, produz algo novo, como uma certa obra de arte que vi certa vez, numa faca que tinha um buraco na lâmina, e, neste buraco, encaixava-se um cadeado hermeticamente fechado, trancado, fortemente associado, como nos momentos introdutórios dos programas de Culinária de Rodrigo Hilbert, fabricando coisas novas, não deixando, assim, de ser artista plástico. Aqui é como um corpo todo tatuado, numa pessoa que decide perpetuar coisas na pele, uma decisão drástica, radical, no modo como um judeu não pode se tatuar, pois, se o fizer, não poderá ser enterrado num cemitério israelita, no peso das tradições. Neste quadro vibrante temos uma diversidade, no respeito democrático às liberdades, evocando homens tão excepcionais como Francisco, simples, agregador, num papado infelizmente curto, na expectativa de como será o próximo pontífice – arejado ou conservador? Aqui são como ímãs de geladeira, num quebracabeça, no desafio de se montar, num começo tão duro e árduo, num final doce e claro, no modo como o colono italiano, ao chegar na Serra Gaúcha, deparava-se com uma vida duríssima, chegando perto de passar fome.

 


Acima, sem título (3). Um jogo de Xadrez, num jogo que tanto exige de nossa mente, no impacto da inteligência artificial, num robô que vence no Xadrez até o campeão mundial, em avanços que nos deixam perplexos, principalmente para minha geração, que foi criança nos anos 1980, presenciando a era analógica, em equipamentos rústicos como a televisão de tubo, sem controle remoto e só com poucos canais da TV aberta, e ainda, assim, éramos felizes, no paradoxo de nossos tempos com a TV por assinatura, a qual nos proporciona centenas de canais, e nós, frequentemente, ficamos zapeando sem encontrar algo que nos interesse profundamente, na recomendação espírita de que TV é só para vermos algo que realmente queremos ver, nos versos de uma certa canção: “Procurando novas drogas de aluguel neste vídeo coagido”. Aqui são como as quadriculações de Mondrian, o mestre Mondrian, transgressor, moderno, fabuloso, do qual já falei no Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia – é só dar um search ali por “Piet Mondrian”. Aqui é um processo se desenrolando, em algo sendo construído, como alguém trabalhando para constituir patrimônio, em homens tão laborosos como o senhor meu pai, médico cardiologista que sempre trabalhou de Sol a Sol para prover um ótimo nível de vida a si, à esposa e aos filhos, nos pesos adultos de responsabilidade, como uma menina que vira mãe ainda na adolescência, amadurecendo na marra! Os quadrados são como o xadrez estranho e fabuloso da obra de Burton Os fantasmas se divertem, onírico, louco, bem estranho, num Burton sombrio, gótico, por assim dizer, impactando uma América tão protestante e puritana, no impacto da Arte em nossas vidas, em rompimentos como o Modernismo Brasileiro, sepultando os velhos tempos e dizendo-nos que o novo sempre vem, como no boom de Marisa Monte com o icônico álbum Mais, revelando-se a um Brasil de uma riqueza musical incrível, no modo como a Bossa Nova ganhou o Mundo, no charme do Rio de Janeiro, no sotaque carioca em dublagens de filmes, sotaque derivado diretamente do sotaque português. A candura de Mullen lembra um pouco Basquiat, do qual já falei no meu blog, em simplicidades, como na simplicidade da criança, a qual só quer se divertir, nas eternas palavras de Jesus: “Vinde a mim as criancinhas, pois delas é o Reino dos Céus!”, na ironia de que a criança, recém reencarnada, traz ainda um residual da vida no Plano Superior, num plano em que a Vida é mais simples, sem as exigências e sisos dos adultos, como no paradoxo adolescente: Não se identifica com o mundo das crianças, por achar monótono; não se identifica com o mundo dos adultos, também porque acha monótono, no termo “galeto” – nem pinto, nem frango. A pureza do branco aqui é a tal base, num jogo de contraste e expressão, como na monumental Primavera de Botticelli, do qual já falei no blog, com os deuses e deusas iluminados respaldados por um fundo escuro, na noção taoista: Quando digo que algo é escuro, é porque conheço o oposto, que é branco. É como no casal: a mulher mais baixinha faz ressaltar o marido alto, no modo patriarcal de sempre colocar a mulher numa posição inferior, enfurecendo as feministas, nossas elites que têm a força para pensar contra os fortes ventos do patriarcado, na necessidade filosófica de senso crítico, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, mas pode mudar o modo particular de uma pessoa ver o Mundo, no modo como nem Jesus Cristo, na sua majestade, soube solucionar os problemas do Mundo, o qual é um plano em que azuis estão sempre em pé de guerra contra amarelos, numa metáfora cromática aqui. Na parte inferior do quadro, códigos de barra, numa identidade, num estado em ordem, com cada cidadão com seu registro geral, gerando o filme Brazil, ou como em Matrix, num sistema que visa manter o cidadão sob controle, no paradoxo chinês: O cidadão chinês não pode se opor ao governo ditatorial; por outro lado, o cidadão chinês é totalmente livre para empreender, no termo paradoxal “socialismo de mercado”.

 


Acima, sem título (4). O preto é a cor do luto e da discrição, como a senhora minha bisavó, a qual, ao enviuvar, só usou preto até o resto da vida, naquelas senhoras digníssimas e respeitadas, sabendo do valor da discrição, como não me canso de dizer do discreto camaleão – invisível para presas, invisível para predadores. A silhueta obesa é como a famosa silhueta de Hitchcock, nesses mestres que marcam para sempre a Sétima Arte, em estilos inconfundíveis como Allen, em tiradas geniais como “subjetivo é objetivo”, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, no termo latino “a verdade é a filha do tempo”. A flor aqui luta para sobreviver, num artista que sabe que tem que virar as páginas de encarar um novo momento na carreira, na humildade de não deixar o sucesso subir à cabeça, remetendo a artistas talentosos os quais não conseguem sobreviver a uma certa década, parando no tempo, como uma certa artista, maconheira em excesso, sinto em dizer, uma artista que vive até hoje nos anos 1980, nada significando para a meninada que nasceu entre os anos 2000 e 2010, na capacidade de uma rádio em não parar no tempo e injetar mais novidades na programação, como uma certa rádio, a qual virou a “velharia FM”, nas sábias palavras de uma certa professora a um aluno: “Tens que viver no teu tempo!”, remetendo à descomunal cultura cinematográfica do falecido crítico de Cinema Rubens Ewald Filho, conhecendo a fundo as eras em que a Cinema era chamado de “tela prateada”, em menção ao brilho cinzento nas telas, no talento nato de um ator que sabe se vender tão bem, em galãs tão charmosos como Clark Gable, conquistando tietes histéricas ao redor do Mundo, no modo como não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar – isso exige um aprendizado autodidata. A data no quadro é a passagem do tempo, no inevitável envelhecimento, nas palavras de Barbra, que disse que os famosos envelhecem em público, como no ultrarroqueiro Axl Rose, com uma barriguinha atual, contrastando com o Axl do passado, magro, cheio de vitalidade, no modo como a juventude feliz é uma invenção de velhos. A rosa rubra aqui é ao galanteio, na cor do coração, nas sábias palavras de uma certa canção pop: “Rosas são muito românticas, mas o cara precisa começar pela cabeça da mulher”, como no filme As pontes de Madison, no qual um homem não soube fazer uma proposta realista e sólida a uma mulher mãe de família, a qual acaba rejeitando tal homem, fazendo a coisa racionalmente correta, apesar de doer no coração, o qual pode ser bem traiçoeiro. O homem aqui é o vilão Pinguim, como vi ontem na TV um filme recente de Batman, nas novas releituras que são surgindo, como regravações modernas dos clássicos imortais de Cole Porter, como na pujante versão de Night and Day da superbanda U2, uma banda que sabe que, se quiser sobreviver a décadas de carreira, precisa sempre injetar material novo na praça, no modo como é duro e difícil uma banda se manter coesa por décadas de carreira, como nos Guns n’ Roses, a banda que sofreu um desfalque gigantesco com a saída do megaguitarrista Slash, nesses talentos que nos deixam perplexos, como nas danças de Michael Jackson. As palavras aqui são lembretes, como ímãs em geladeiras, no poder da palavra, no ponto decisivo na Humanidade no surgimento da Escrita, trazendo então a era da civilização, ao contrário do Neolítico, no qual as tradições eram transmitidas oralmente, como nas tribos amazônicas, sem registro por escrito. As mãos aqui são ávidas, como num Nosferatu, em películas tão boas como Drácula de Bram Stoker, fazendo metáfora com o sociopata, o vampiro que suga almas, na relação doente entre sádico e masoquista – tudo o que você tem a fazer é não nem um, nem outro. A rosa aqui forma uma boca descomunal, numa sede, numa ambição, como na secretária de Uma secretária de futuro, numa moça “faminta”, batalhadora, vencendo uma vilã de má fé, interpretada pela deusa Sigourney Weaver, uma atriz na qual jogo rosas de admiração, nesses grandes, que marcam gerações, com cada geração com seus ícones – para mim, Mulhergato é  Michelle Pfeiffer.

 


Acima, sem título (5). Quase no meio vemos seios, no termo para designar o chimarrão e a cuia marrom: O seio moreno que passa de mão em mão, nessa proximidade cultural entre o RS e o Uruguai e a Argentina, como pronunciar o termo “paella” com o sotaque de Buenos Aires. Os seios aqui são como olhos que nos espreitam, desafiando o espectador, no poder da Arte em mexer conosco, em comoções de filmes como Titanic, com pessoas saindo chorando da sala de Cinema, como menininhas japonesas que se reuniam e choravam pela morte do personagem Jack, no modo da menininha em acreditar que há um príncipe perfeito, como uma pessoa equivocada que conheço, a qual está, há quase duas décadas, lânguida, esperando pelo príncipe que nunca vai chegar, uma pessoa equivocada que está sem tesão algum para lutar, imune a métodos de remédios psiquiátricos ou centros espíritas, e eu gostaria de dizer duas coisas a tal pessoa: 1) Não idealize um passado que não foi tão ideal assim; 2) Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho. E o Mundo não pertence aos que batalham pela Vida? Nas palavras sábias de Dercy: “A Vida e luta!”, na humildade de virar páginas e aceitar novos desafios e aprendizados. Aqui é esta paixão de Mullen de escrever nas obras, no modo como hoje em dia a Arte está completamente livre, com formas diversas de expressão, de imaginação, como vi certa vez numa bienal de Arte um artista plástico que fazia parte da própria obra, no artista todo pintado de branco, encabeçando um cone gigantesco, em capacidades transgressoras, como no famoso casal Christo e Jeanne-Claude, grandiosos, ambiciosos e visionários, na função do transgressor em provocar a evolução de um corpo social, em atitudes transgressoras estilísticas de Lady Gaga, uma artista, com todas as letras: ARTISTA, capaz de arrastar mais de um milhão de pessoas para as areias de Copacabana, uma artista que tem uma voz tão boa, num talento tão respeitado, explorando vários meios de expressão, angariando um farto fã clube ao redor do Mundo, numa das provas da universalidade do Ser Humano, com fãs em todas as partes do Mundo, em fenômenos de carisma e popularidade, remetendo a outra certa cantora, com uma voz monumental, negra, potente, mas uma cantora que jamais arrastará mais de milhão de pessoas para Copacabana, nos mistérios do carisma, como Pavarotti, carismático, no mesmo nível de excelência vocal de Plácido Domingo, mas brilhando mais do que este. As coisas aqui neste quadro são como um alimento sendo processado pelo intestino, num processo, como no andamento de um processo jurídico, em coisas que levam tempo, na noção dialética de que tudo é processo, no processo de crescimento de um espírito, o qual, com coragem, decidiu reencarnar na Terra num contexto miserável, com criancinhas desnutridas na África, numa vida tão dura, que ocasionará uma mortificação tremenda no espírito, na questão espírita da mortificação, no ponto da pessoa parar de pensar em bobagens e ater-se ao que é sério e importante, como me disse uma médium espírita: “Estou aqui para falar sobre coisas importantes, e não se fulana vai arranjar um namorado!”, como hoje fui abordado na Rua por uma cigana, a qual queria ler minha sorte, acho que uma cigana que me achou com cada de rico endinheirado, num povo cigano tão mal visto e discriminado, com nossas mães nos assustando em nossas infâncias: “Se você não se comportar, a cigana vai lhe levar embora!”. Vemos nesse quadro pequenos círculos, como leitura em Braille, nessa vicissitude que é ser cego, dependendo a ajuda de estranhos na Rua para atravessar num semáforo, numa passagem divertida que aconteceu comigo, quando um rapaz achou que eu fosse deficiente visual, oferecendo-se para me ajudar a atravessa uma rua! Neste quadro algo escuro se insinua, como numa escura crise chegando, nas palavras de uma certa psicóloga: As crises são positivas, pois elas assinalam um momento de superação e renovação na vida da pessoa em crise.

 


Acima, sem título (6). Aqui é como um anúncio publicitário, no modo como o Marketing e a divulgação são dedos importantes da mão do trabalho, na metáfora dos professores na academia de Propaganda: Ambas pata e galinha botam um ovo delicioso e nutritivo, mas a galinha, por gritar mais quando bota, supera em vendas a pata, no casamento entre Arte e Indústria no movimento Pop Art, no consumo e na cultura de massa virando inspirações, produzindo Arte numa “esteira industrial”, em booms massivos como o de Andy Warhol, recebendo inúmeras encomendas, virando sinônimo de fineza, criatividade e ineditismo, na felicidade de um artista reconhecido ainda em vida, ao contrário de outros homens, como Jesus, incompreendido em seu próprio tempo, mas plenamente reconhecido depois, ressuscitando na fé das pessoas, até chegar ao ponto do césar romano se converter ao Cristianismo, no modo como uma pessoa subestimada pode ir tão longe: Se as pessoas podem me ver vindo, é porque não surpreenderei. O azul aqui é paradisíaco, numa cópia fiel do Éden, em destino turísticos prestigiados, como o Caribe, como certa vez me banhei em águas límpidas caribenhas, na deliciosa sensação de simplicidade e de liberdade que a orla traz, como nadar nu no mar, no conforto uterino, no choque que é ao bebê vindo ao Mundo, saindo de tal conforto quentinho para um lugar frio e incômodo, na questão do eterno retorno ao Lar, como no feto ao fim de 2001, nos versos da canção de Annie Lennox: “Os navios vieram para levar você para casa!”, na incrível vida que nos espera lá em cima, o lugar com toda uma energia de trabalho e produtividade, de ordem, de bem estar, no reencontro com entes queridos, no modo como, sem a Vida Eterna, nada teria sentido, pois nada teria sentido se tudo acabasse com a morte do corpo físico, nas palavras taoistas: “Se o seu corpo morrer, não tem problema!”. É na questão de que as pessoas não morrem; só mudam de endereço. Como bisavós nos abençoando lá de cima, apesar de não termos conhecido em vida tais bisavós, no glorioso modo como os vínculos de família não se desfazem com o Desencarne, ao contrário dos animais, num mamífero o qual, ao desmamar, desliga-se da própria mãe. Aqui remete a uma divertida passagem da cantora Macy Gray num tapete vermelho, vestindo uma roupa a qual anunciava, cruamente, o lançamento de seu próximo álbum, e, ainda por cima, escrito nas nádegas dela: “Compre!”, no modo como precisamos ver mais jovialidade e irreverência no red carpet, como certa vez numa aparição pública de Bette Midler, com um chapéu absolutamente louco, com coisa girando, ou como Cher ao receber seu Oscar, num figurino altamente ousado e provocante, ao contrário de atrizes as quais simplesmente não se arrumam muito para ir a alguma parição num evento de premiação, na questão da autoestima, como em psicoterapeutas arrumados, dando-nos um exemplo de autoestima, como sair de casa perfumado, como Chanel dizia que estar perfumado é um luxo, pois ninguém vai morrer por não estar perfumado, remetendo a um certo senhor o qual usava perfume de senhoras, num atitude da qual discordo, pois posso ser perfumado e, ainda assim, homem. É uma coisa que não é muito sexy, como um homem num banheiro feminino, na questão complicada da inclusão social do transexual, pessoas que se deparam com a dureza do Mundo em relação a transexualidade, como tive certa vez uma vizinha transmulher, uma pessoa educada e agradável, a qual tinha um emprego normal, e não de prostituição. Aqui são informações expressas de uma placa de sinalização, como outdoors na estrada, os quais precisam ser os mais simples possíveis, pois, de carro passando, não podemos absorver todas as informações, na questão de que menos é mais: Quanto mais informações apresentadas num outdoor, menos informações serão recebidas, numa ironia, a marca registra de Tao, o Grande Comediante. As letras rústicas são a simplicidade, na simplicidade de se colocar uma travessa no centro da mesa, servindo a todos os sentados, como num Sol e seus planetas.

 

Referências bibliográficas:

 

Marlon Mullen. Disponível em: <www.adamsandollman.com/Marlon-Mullen-1>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Marlon Mullen. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Projects: Marlon Mullen. Disponível em: <www.press.moma.org/exhibitions/projects-marlon-mullen/>. Acesso em: 23 abr. 2025.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Cassatt é do cacete (Parte 6 de 6)

 

 

Falo pela sexta e última vez sobre a pintora impressionista americana Mary Cassatt. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Mulher com colar de pérolas em um sofá. Aqui remete ao primor de produção A Época da Inocência, com cena de detalhes minuciosos, numa película em que tudo é excelente – elenco, direção de arte, figurinos etc. Aqui é um pomposo evento social, imitando os elegantes compromissos do Plano Superior, com salões lindos, cheios de pessoas polidas e bonitas, na vitória do fino sobre o grosso, no discernimento taoista, que só pode ser entendido de forma instintiva: Fraco é forte; forte é fraco. Aqui é um evento aristocrático, de luxo, como num belo baile de gala, com danças embaladas por uma orquestra, num baile de debutantes, nas palavras divertidas do ator José Wilker: “Baile de debutantes é programa de índio!”, no modo de jovens galãs serem contratados para participar de bailes, na fantasia pueril do príncipe encantado, do rapaz perfeito, como nas tietes histéricas com boybands, como os Backstreet Boys, ou como no fenômeno da banda portorriquenha Menudo, nas palavras de um certo senhor: “As boybands existirão enquanto existirem menininhas”. O leque aqui é o frescor, a ventilação, como numa mente arejada, como um digníssimo senhor que conheço, professor de Filosofia, uma pessoa que sempre tem algo de interessante para dizer, na questão do interior estar acima do exterior, como num filme de Woody Allen, conversando com um casal lindo na Rua, perguntando à mulher como esta era, e ela disse: “Sou vazia e obtusa, e não falo nada de interessante”, com o rapaz dizendo: “Eu sou como ela”. É como um certo rapaz que tem uma rotina excruciante de musculação, um senhor o qual, sinto em dizer, nada mais tem a mostrar para o Mundo, numa decepção quando chegamos perto demais de tais pessoas obtusas, como um rapaz que conheci, alto, atlético e belo, mas um rapaz que nada se tornou na Vida, revelando-se tão vazio por dentro, no modo como as aparências podem enganar, como uma certa popstar, a qual, em entrevista a uma jornalista brasileira, revelou-se não muito inteligente, decepcionando a entrevistadora. O corpo da moça é revelado sensualmente, mas sem vulgaridade, na beleza do corpo feminino, remetendo à revista Playboy brasileira, num nu de bom gosto, sem ser vulgar, numa revista que era apreciada até por homens gays, tal o bom gosto, em edições avassaladoras como no debut de Adriane Galisteu, ou como na edição de Marisa Orth, ao contrário de outra certa revista, num nu de gosto mais baixo, sinto em dizer, na linha divisória entre fino e vulgar. Um pomposo lustre de cristal adorna o salão, na magia de cores variadas, no ponto marcante do musical O Fantasma da Ópera, com o lustre quase caindo sobre a plateia, nesses musicais fenômenos de popularidade, sobrevivendo a décadas na Broadway, num mercado tão competitivo, com artistas concorrendo para levar um Tony Award, o Oscar do Teatro Novaiorquino, como no Tony de Barbra por Funny Girl, ganhando, depois, um Oscar, num talento esmagador, numa mulher que começou por baixo, bem por baixo, tornando-se lanterninha em teatros da famosa urbe, lembrando que, na Broadway, medíocres não têm vez – se você quiser conseguir um papel, você tem que ser excepcional, sendo ainda mais complicado levar um Tony, sendo, assim, considerado o excepcional dentre os excepcionais, ou seja, a pontinha da pontinha do “iceberg”. A moça sorri entretida, tendo levado horas para se arrumar para o evento, na magia do luxo de vestidos pomposos, em mulheres tão fascinadas por tais roupas, como uma senhora que conheço, uma mulher fashion, cheia de estilo e bom gosto, de um bom gosto tal que seu apartamento, a qual decorou sozinha, parece ter saído das páginas de uma revista internacional de Decoração, remetendo a outra senhora inteligentíssima, mas uma senhora que nada está fazendo de seus dias na Terra, o que é uma pena e um desperdício, como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no  gato. Nesta cena podemos ouvir os aplausos esfuziantes da plateia, na dignidade do ator, como numa chuva de rosas no toureiro depois da tourada, ou como nos gladiadores em eventos romanos, no excelente filme O Gladiador, num homem que queria viver seus dias com simplicidade, em coisas gratuitas, como caminhar pelo campo e sentir nas mãos os ramos de arbustos.

 


Acima, Mulher e sua criança. Aqui a mãe está completamente retirada e discreta, na sabedoria de que há virtude na discrição, como sempre digo sobre a metáfora do camaleão – invisível para os predadores; invisível para as presas. A mãe aqui faz um sacrifício, retirando-se, num ditado que já ouvi: “O que é pouco, aparece; o que é muito, aborrece”, como maquiagem, por exemplo. A roupa rubra é o sangue em comum da mãe com o filho, na profunda intimidade, no feto tão dependente da mãe, na homenagem que fazemos no Dia das Mães, no dia em que homenageamos a pessoa sem a qual não estaríamos aqui, remetendo a um caso que conheço, de uma senhora em pleno Alzheimer, em demência, não mais podendo morar sozinha, com seu filho a colocando numa casa de acolhimento, num filho sem muito o que fazer a respeito, uma senhora que esperou demais, talvez esperando pela próxima encarnação, como eu gostaria de dizer a qualquer pessoa: A Vida é agora; o momento é agora. Força e coragem! Como no amor fracassado na supercomédia O Casamento de meu melhor amigo, numa mulher que esperou demais, perdendo o homem amado, esperando demais para dizer a este o quanto era amado, naqueles filmes de Julia Roberts nos quais saímos da sala de cinema de coração leve e alegre, numa Julia que desbrava instintivamente seu caminho, obtendo, naturalmente, este formidável efeito de nossa melhor amiga e confidente, na questão da pessoa ter o instinto para se vender bem, algo em que a pessoa tem que ser autodidata, como numa avassaladora Gisele, cheia de instinto, vendendo-se tão bem ao redor do Mundo, numa menina comum, que veio de uma família comum, de uma cidade comum; uma menina que se tornou a princesa do Brasil, incensada por veículos poderosos como a revista Veja, na noção taoista de que precisamos ser autodidatas, como um rapaz que conheci, o qual aprendeu a falar Inglês por si mesmo, sem precisar frequentar aulas devidas. O abraço aqui é o abraçar as responsabilidades, no encargo de se criar uma criancinha, numa vida tão onerosa, como disse certa vez uma mãe: “Dá trabalho, mas vale apena!”, remetendo aos orfanatos, com crianças que vieram ao Mundo sem um único sopro de família, como um rapaz paupérrimo que conheci, o qual tentara suicídio, abraçando sua religião, a Umbanda, decidindo se dedicar a esta, numa religião fascinante e vibrante, com a figura do Capa Preta, que é o Yang, o lado macho da Vida, na pessoa desbravando seus caminhos, como uma certa drag queen portoalegrense, a qual certa vez se candidatou a deputada estadual, no modo como todos temos o direito e aspirações, ambições, num indivíduo o qual já sofreu muito, muito preconceito e discriminação, dizendo sabiamente numa entrevista que vi no Youtube: “Se homossexualidade fosse opção, não haveria homossexuais, pois ninguém optaria por sofrer discriminação!”, havendo aqui a questão espírita, num espírito que planeja reencarnar como homossexual para que, assim, cresça enormemente na Terra, no caminho da mortificação, numa pessoa que para de pensar em bobagens e fica atenta somente ao que é importante e significativo, no caminho da limpeza comportamental, numa pessoa que sabe que tudo o que precisa fazer é se manter produtiva, no caminho taoista do “nada fazer”, apenas atento ao minimalismo limpo e impecável, no modo como e gênio faz parecer que nada faz, como no título do segundo álbum de Britney Spears: “Ops! Eu fiz de novo!”. O espelho aqui é a feminilidade, no mito do Narciso que se afogou, podendo haver muitas pessoas narcisistas, no caminho da arrogância, a qual precede a queda: Quem é humilde não toma no cu, com o perdão do termo chulo. Neste espelho, podemos ver a mãe, a qual se esforça para dar um tempo para se arrumar, mesmo com todo o encargo de responsabilidade, em desafios como incutir valores nobres na cabeça da criança, podendo haver lares homofóbicos, nos quais a criança é criada para crer que o heterossexual pertence a uma raça superior – é um horror. O abraço aqui é a amizade, numa mãe que nos conhece tão bem.

 


Acima, Mulher em pé com leque. Aqui temos toda uma ousadia impressionista, com pinceladas afoitas, formando tamanha moda, tamanha vogue em Paris, a cidade que nos enche de novidade e civilização. O leque é tal frescor de novidade, assim como o gótico foi suplantado pelo renascentista, o que remete a religião, o que remete ao falecimento deste grande homem que foi Papa Francisco, um homem bom, generoso, que queria unir o Mundo, construindo pontes, trazendo aqui um certo receio: O próximo Papa será mais reacionário? O leque é o garboso utensílio das mulheres elegantes, em épocas em que não havia ventilador ou ar condicionado, como nas escravas negras em ...E o vento levou, abanando leques grandes de plumas para refrescar a sesta das mulheres brancas ricas, num molde cultural semelhante ao brasileiro, com o preto pobre trabalhando para o branco rico, em sequelas sociais. A elegante dama ajeita seu vestido glamoroso, num sinal de poder e status, como nos anjos ajeitando o majestoso manto da Nossa Senhora de Caravaggio no templo de São Pelegrino, Caxias do Sul, um templo que é um museu de Arte Sacra, com o privilégio de ter uma rara réplica da Pietà de Michelangelo, na forte imagem da Via Sacra, num homem que tinha tudo para ser completamente esquecido e ignorado, no termo latino Verdade, a filha do tempo, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, num Jesus que ressuscitou na fé das pessoas, no poder do pensamento, o qual é superior à matéria, na vitória da virtude sobre a vulgaridade, pois cada um de nós tem que fazer algo de válido e produtivo de nossos dias aqui na Terra, ao contrário das pessoas que fazem do Sexo um leilão – você nada está construindo; você para lugar nenhum está indo, não desse jeito, como eu gostaria de dizer para esses rapazes que se prostituem, os michês: Vá ter um emprego decente, rapaz! É como na política gaúcha Nega Diaba, que Deus a tenha, a qual, antes de despontar na política, abraçou um fundo de poço em sua vida, tendo sido prostituta e presidiária, um espírito que veio, enfrentou a vicissitude, cumpriu sua missão e foi-se de volta ao Grande Lar Metafísico, ao qual todos pertencemos, sem uma única exceção, ou seja, príncipes filhos do mesmo Pai Supremo Rei, num Deus que tem um plano divino e inenarrável para conosco, como um pai orgulhoso na formatura do filho. O vestido é a moda e a feminilidade, na menininha que sonha em ter vestidos pomposos e elegantes, como nessas cerimônias de premiação, como o Oscar ou o Globo de Ouro, na competição para ver qual porta o vestido mais estonteante, na inevitável competitividade da Vida em Sociedade, pois desde pequeninhos, no Ensino Fundamental, os alunos competem para ver qual é o maior queridinho da professora, como uma amiga minha, a qual era esta “darling” da professora, mas uma menininha que, no fundo, não se identificava com aquilo, querendo ousar e aventurar-se pela vida, sem os encargos e obrigações de ser a melhor no boletim de notas, na saudável questão de mostrarmos o dedo do meio ao Mundo – não suporto mais não ser senhor de minha própria vida! Aqui remete aos figurinos do filmão A Época da Inocência, numa época pré Chanel, a qual libertou a mulher em uma revolução estilística, numa coragem transgressora, como a própria revolução impressionista de Cassatt, no corte de cabelo Chanel, ou no conceito das mulheres poderem usar calças, vestes antes destinadas somente a homens, no modo como uma sociedade só pode evoluir a partir da transgressão de alguns de seus membros, nos sonhadores que acordam a nação. Aqui são eras complicadas, fazendo-nos imaginar o trabalho que era uma mulher ir ao banheiro, arriar o vestido longo e fazer, assim, as necessidades fisiológicas, na evolução da Humanidade, trazendo tempos mais práticos e modernos, num galgar absurdo de tecnologia, como sofisticadas sondas espaciais enviadas para pesquisa, na prova do intelecto humano, como no início do clássico 2001, no primata usando um pedaço de osso como utensílio para abater animais, em pontos decisivos como a invenção da Roda, no valor da preguiça: Porque carregar nos braços de posso transportar numa carroça?

 


Acima, Mulher se banhando. Sinceramente, não creio que este quadro seja de Cassatt, por fugir do pincel impressionista da artista – tudo culpa da referência bibliográfica, sinto em dizer. Mas não deixa de ser um quadro interessante, ou seja, analisá-lo-ei, ok? Aqui é um momento de alta intimidade, no momento do ritual do banho, algo revigorante, como desencarnar e tomar um bom banho num banheiro bem ensolarado, na magia de uma manhã de luz, na simplicidade, a qual é o mais elevado grau de sofisticação, segundo da Vinci, o maior artista de todos os tempos, na decepção de quem vai ao Louvre e vê que a ultracélebre Monalisa é um quadro pequenino, na prova de que tamanho não é documento, como um certo senhor de alta estatura, o qual acreditava que se tornaria o impávido colosso do Mundo, um senhor um tanto metido, arrogantezinho, e a arrogância precede a queda. Aqui remete a desenhos japoneses, no fascínio exercido no Art Nouveau, com linhas de plantas, vegetais, como num vinhedo, nas forças da Natureza, na ilusão da vida material, na ideia de que tudo gira em torno do metafísico, como na existência da Medicina, a qual visa curar males, girando em torno do Plano Superior, no qual estamos livres de toda e qualquer vicissitude da Saúde, numa vida espiritual que é a glória, num lugar em que temos que nos manter ativos e operantes, um lugar onde não há o fantasma do desemprego, na inevitável pergunta que fazemos aos nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. É a seriedade da Vida, uma seriedade que se desenrola antes ou depois do Desencarne, pois até Tao está sempre trabalhando, criando, deixando-nos perplexos frente a tamanha perfeição, nos segredos do Universo que desafiam os físicos, na sede por conhecimento, num Cosmos tão, mas tão vasto, muito além da pequena compreensão humana. O espelho é a reflexão existencial: Qual é o meu caminho e quem sou? A nudez é a simplicidade, como numa inocente praia de nudismo, num lugar onde não impera a serpente da malícia, em lugares na Terra que são cópias fiéis do Éden, mas apenas cópias, como comparar flores naturais com flores de plásticos, e as conveniências mundanas do dinheiro são só cópias de tal plenitude, como uma certa senhora infeliz, a qual faz parte de uma família de realeza, uma senhora que, apesar de ser sangue azul real por meio de casamento, sente-se bebendo um vinho de mesa, de baixa qualidade, apesar de parecer que bebe vinhos finíssimos, abrindo aqui uma metáfora enológica, na questão seguinte: Você não faz ideia da miséria dentro de pessoas que são consideradas felizes na Terra, ou seja, os ganhadores da loteria, numa vida desolada, como um certo senhor ganhador na loteria, o qual começou a se cercar de pessoas interesseiras, as quais só queriam dinheiro, muito, muito além do amigo de verdade, o qual nos ama incondicionalmente, no Amor leve e desapegado, como uma certa moça já desencarnada, com a qual nunca me relacionei intensamente na Terra, mas uma pessoa a qual guardo como amiga para sempre, na sabedoria de Hebe Camargo: “Em amizade não pode haver cobrança!”, ou seja, amar pelo prazer de amar, amando nossos irmãos sofredores que vagam pelo Umbral, a dimensão da desolação, da sujeira e da escuridão. O jarro é tal receptáculo feminino, no útero fértil, nesse sumo poder que a mulher tem em trazer Vida ao Mundo, havendo então uma compensação no patriarca, dotando os homens de poderes frente ao poder biológico feminino, fazendo do patriarcado algo tão universal, como na figura do cacique amazônico, em manifestos como Papa don’t preach de Madonna, ou seja, papai cale a boca, na noção feminista de libertar a mulher dos laços tiranos patriarcais, como na figura do macho alfa, ou no Rei Leão da selva, ou na figura masculina de Tarzan, o machão que rege a floresta, nesta sede humana por poder, na sede do Anel do Poder de Tolkien, em homens que nunca estão felizes dentro de seus próprios reinos, como no imperialismo romano, ou no antigo imperialismo egípcio, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, no lema infeliz do Homem: Se não gostarem, force! É ao contrário da hierarquia espiritual, a qual gira em torno do Amor leve e incondicional, ao ponto do espírito fazer questão de obedecer seus irmãos depurados e finos.

 


Acima, No camarote. A diversão do flerte em eventos sociais, como no flerte em missas, no adolescente que deixa de ser criança para abraçar a vida social, no caminho natural da pessoa se desinteressar pelos brinquedos, como a senhora minha mãe ao me dizer num certo momento: “Vamos guardar teus brinquedos numa caixa?”, no momento da chegada à maturidade sexual, nas imponentes palavras de Marta Suplicy certa vez a uma plateia de adolescentes: “A Adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, na missão da Sexologia de neutralizar malícias sobre Sexo, na simples questão de que Deus não pode se envergonhar de algo que Ele mesmo inventou, no modo como sexo e sexualidade não deixam de ser engraçados, nas palavras de uma Elke Maravilha já na terceira idade: “Você não sente mais tesão na perereca! É uma libertação!”. O binóculo aqui é usado para tal flerte, na moça visualizando os rapazes mais bonitos no teatro, remetendo à triste história de um homem belo, o qual, na Adolescência, era o queridinho das meninas, num rapaz muito bonito e galã, um homem o qual recentemente cometeu suicídio, não conseguindo arcar com a Vida e as vicissitudes desta, havendo no Umbral o Vale dos Suicidas, no modo como o suicídio traz muitos problemas a quem desencarna deste modo violento e infeliz, pois a Vida, em sua importância de didatismo espiritual, não pode ser desvalorizada, e uma vida na Terra é tal “faculdade”, a qual, em sua dureza, faz de nós pessoas melhores, visto que o crescimento e a depuração moral são o sentido da Vida, pois o suicídio é como interromper uma faculdade muito antes da formatura, por assim dizer. A luz entra suave no quadro, no talento de Cassatt, na prova antimisógina de que o talento não tem gênero, remetendo a uma certa popstar, a qual sofre muita reprovação exatamente porque não é homem, na coragem feminista de ir contra os poderosos ventos do patriarcado, numa prisão que não pode ser vista ou cheirada. As moçoilas aqui são a juventude, na época da Vida em que não tenho lá muita sabedoria, sendo maravilhoso o momento em que o juízo entra em nossas vidas, no modo como a Vida vai nos cobrando muito no sentido da responsabilidade, e Deus do Céu: Como eu era irresponsável em minha adolescência! É a questão de não idealizar um passado que não foi tão ideal assim, como uma certa pessoa melancólica, a qual está vivendo no passado, vivendo num passado que não foi tão majestoso assim: É para frente que se anda, amigo! As luvas são a elegância, o garbo, em um momento extraordinário, social, pomposo, num baile de gala em que todos se esforçam para ter a melhor aparência possível, no fervo da juventude, numa época que tem que ser vivida e, depois, deixada par atrás, abraçando uma vida mais sossegada, remetendo a pessoas mais velhas, as quais fervem na boemia porque não o fizeram antes na Vida. As meninas aqui são a amizade e a intimidade, num nível de intimidade em que ambas passam a menstruar na mesma época, nas dores de cólicas, como não me canso de dizer: Como é duro ser mulher! O salão está cheio, numa peça ou ópera prestigiada, na magia do teatro, do palco, com a cortina sendo aberta e revelando a mente do diretor, como certa vez numa peça com Dercy Gonçalves, quando a plateia começou a cobrar o início imediato da peça, e Dercy disse, com a cabeça entre as cortinas, gritou: “Já vai, porra!”, no poder do riso e da irreverência. Podemos ouvir aqui o burburinho na plateia, em salões imponentes como numa entrega do Oscar, a estatueta que todos querem levar para casa, na questão complicada do sucesso mundano: Quando atinjo o doce momento de sucesso, tenho que saber sobreviver e continuar tocando a vida para frente, como num artista tendo que sobreviver a um doce e dourado Oscar.

 

Referências bibliográficas:

 

Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Cassatt é do cacete (Parte 5 de 6)

 

 

Falo pela quinta vez sobre a pintora impressionista americana Mary Cassatt. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Madame Gaillard e sua filha Marie-Thérèse. Aqui é a burguesia privilegiada que tinha meios para bancar os serviços de Cassatt, na ascensão burguesa pós Revolução Francesa, guilhotinando Maria Antonieta como um ato símbolo de tal rompimento, de tal golpe de estado, em golpes violentos, como na tentativa de golpe no Brasil atual, com coisas belas sendo destruídas, nesta eterna inclinação do Ser Humano em relação à violência e ao ódio, pois, para o Homem, quanto mais cruel, melhor, havendo no Umbral o espaço para os que não amam a Vida. As modelos aqui estão um tanto entediadas, talvez no tédio de uma vida improdutiva, sem trabalho, como numa vidinha de socialite rica, como na famosa Paris Hilton, uma fracassada profissionalmente, uma mulher a qual ninguém, no fundo, respeita – ninguém nutre respeito secreto pelo robert, pelo exibido que só quer aparecer, sem trazer algo de válido ou interessante, como um certo senhor participante do reality Big Brother: Rapaz, vá se dedicar à sua carreira profissional e deixe de lado esta midiatização gratuita! Aqui as modelos, é claro, arrumaram-se para o quadro, havendo na roupa tal sinal de status, tal poder aquisitivo, na noção taoista na qual nunca devemos exibir nossa riqueza como um pavão, pois a inveja corre solta por aí, e quem é discreto como um camaleão, não se incomoda, na invisibilidade do homem de Tao, nunca recomendando violência, ao contrário do Ser Humano em geral, o qual é um rei que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, sempre tendo que anexar os reinos vizinhos, numa insaciável fome napoleônica, como em Putin, um filho da puta, com o perdão do termo chulo, um senhor que está mexendo com uma inofensiva nação pacífica, tudo em nome do Anel do Poder de Tolkien, o anel qual corrompe até o mais nobre dos homens, em homens microscópicos, os quais só querem o poder pelo poder, na busca do sociopata por vantagens, sempre vantagens, um sociopata que pode até reger um estado inteiro, como Hitler ou Calígula, personagens draculescos, remetendo a uma certa pessoa insana, a qual queria doutrinar os alunos para o nazismo – é um horror. O abraço aqui é a intimidade do lar, no lugar em que estamos totalmente confortáveis, numa relação de confiança, de mulher para mulher, remetendo a uma canção de Laura Fygi, na qual uma mãe quer que a filhinha cresça para que ambas pudessem ter conversa feminina, num nível de intimidade entre mulheres que passam a menstruar na mesma época do mês, remetendo a uma certa moça lésbica, a qual gostava de beijar suas amigas no rosto, como no livrão As Horas, do mestre Michael Cunningham, num ensaio sobre homossexualidade feminina, no divertido termo “velcro”, que serve para designar o lesbianismo, em vulva em contanto com vulva, no modo popular de como rir é o melhor remédio. Neste quadro é a passagem do tempo, na sucessão de gerações, no modo como, na Vida, nada mais certo do que a morte. É como nas bonecas russas, com uma no útero da outra, na sucessão de gerações, nas palavras de uma certa indígena: “Eu sou minha mãe; eu sou minha filha; eu sou minha avó”. A pulseira na moça é o status de joia preciosa, na formidável transgressão da bijuteria, no conceito de que o que vale não é o valor financeiro do adorno, mas o efeito que tal adorno produz, como certa vez numa aparição da estrela Fran Drescher, a qual estava super exuberante, como um penteado repleto de flores exóticas, flores as quais custaram, certamente, menos do que pedras preciosas, no caminho da humildade, como no mestre Li Mu Bai em O Tigre e o Dragão, ensinando à discípula que um simples graveto, se bem guiado, pode ser mais poderoso do que uma luxuosas espada, na questão da pessoa não perder a simplicidade, os pés no chão, o discernimento. A moça aqui está um tanto embuchada, talvez grávida, nos desafios da maternidade, na responsabilidade, como incutir valores nobres na cabeça da criança, mostrando ao filho que a mentira tem “pernas curtas”, e que só a verdade é eterna, na imortalidade dos vínculos de Amor, em amizades que duram para sempre, no Amor Incondicional, leve, desapegado, com a perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos. Aqui é algo sendo passado de geração para geração.

 


Acima, Mãe e criança numa piscina. O bebê aqui remete ao Menino Jesus, no nervo natalino, nas homenagens do Mundo pelo homem que é o centro sobrenatural da História, em perfeição moral, no poder do Bem, do Amor, no conceito inédito do perdão, o qual é o caminho natural da Eternidade, pois os ressentimentos não são eternos, pois têm um prazo de validade, e os prazos chegam, cedo ou tarde. O menino é a esperança em um Mundo melhor que nos espera lá em cima, com o reencontro com nossos queridos avós, os entes que nos abençoam lá de cima, na imortalidade de tal Amor, como uma bisavó abençoando o bisneto, mesmo sem os dois estarem na Terra ao mesmo tempo, no contato metafísico que é como uma ligação telefônica, em algo estritamente espiritual, sem os sofrimentos e paixões humanos, num plano em que a Vida continua, na necessidade de se arranjar um trabalho para fazer, como uma laboriosa tia avó minha, a qual, lá em cima, é uma pessoa que ama trabalhar, nunca ficando ociosa, como nos trabalhos de Deus no Gênesis, mesmo eu não crendo que tudo foi feito desse modo, crendo eu, cientificamente, na Evolução, o processo intermitente de aprimoramento do espírito, sempre aprendendo, crescendo, remetendo a nossos irmãos depuradíssimos, os quais gozam da felicidade suprema, guiando a nós, seus irmãos pequeninos, que ainda têm muito o que aprender. O astro do quadro é o menino, pois a mãe está discreta, de perfil, na passividade da Virgem, a mulher à qual foi negado ser mundana, no mito que serve para nos explicar sobre o Metafísico, o sacrossanto, a dimensão da limpeza absoluta, como uma certa senhora de paciência, a qual varre diariamente sua casa, no modo terreno de nos aproximarmos das casas metafísicas impecavelmente limpas, eternamente limpas. A nudez do menino é totalmente inocente, como na genitália infantil do Adão de Michelangelo, no momento antes da Serpente da Malícia, a qual legou vergonha ao sexo, maliciando este, como uma amiga freira que tive como professora, a qual decidiu dar aulas de Educação Sexual aos alunos, vendo que estes estavam muito maliciosos em relação a Sexo, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Aqui temos uma quebra e um rompimento, pois a mãe é morena e o filho é loiro, numa quebra, como numa quebra de serviço no Tênis, como no menino se tornando homem, saindo de casa e tratando de ser dono de si, como num filme com o finado e amado ator River Phoenix, numa película em que ele estava farto de ser menino, querendo crescer e encarar a Vida como homem, como no filmão O Império do Sol, no rapaz que começa a guerra menino e termina a guerra homem, como no reinado de uma rainha da Festa da Uva, começando menina e acabando mulher. O pano branco é a pureza, numa casa limpa, no aspecto branco dos médicos, na cor mais limpa que existe, como em filmes espíritas em que os desencarnados vestem branco, na cor da Paz, na mensagem de esperança do Espírito Santo, na promessa de libertação, numa esperança, no eterno retorno ao Lar, como no feto ao final do filmão 2001, com o retorno ao Útero Sacrossanto, ao qual todos, sem exceção, pertencemos, no caminho da irmandade e da igualdade. O menininho aqui é inocente, e não faz ideia do que lhe espera, como no início do filme O Rei Leão, no filhotinho herdeiro sendo apresentado aos súditos, num bebê inocente, sem saber os encargos e responsabilidades que o esperam na vida de rei, no paradoxo das famílias de realeza: Por um lado, algo belo, fino, onírico e atemporal; por outro, tão obtuso, em que homem é varão e mulher é fêmea, sendo heresia tudo o que se distanciar disto. O menino está aqui cercado de todos os zelos e carinhos, num lar estável, constituído, ao contrário da pobre criança que veio ao Mundo sem qualquer família, crescendo num orfanato, como um rapaz pobre que conheci, paupérrimo, sem um único centavo no bolso, decidindo se dedicar à Umbanda, esta bela e vibrante religião, na religião dos socialmente excluídos. Este quadro é uma revelação de Feliz Natal.

 


Acima, Margot de azul. Menina rica. Pomposa. Como numa rede de lojas de luxo de roupas infantis femininas, em pais criando a menina como uma princesinha, cercada de privilégios, no pai dizendo ao nascer da filha: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja”, no preconceito patriarcal que tolhe a sexualidade feminina, encorajando a sexualidade masculina, no rapaz que começa a vida sexual em prostíbulos, na questão da galinha e do garanhão: Homem pode tudo; mulher, nada. O véu aqui é a delicadeza, a sutileza, na magia da noiva de branco, na tradição do branco ao se casar, remetendo a um certo e belo casal, com ambos se casando se vestindo de branco, numa questão de harmonia cromática, numa metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos sempre contra azuis, seja verde, pois não resolverás os problemas do Mundo, mas poderás ser uma figura em que o povo possa depositar esperanças, pois nem Jesus Cristo, em sua suprema majestade, soube sanar os problemas do Mundo, na imagem de esperança do Espírito Santo, no dia de soltura o qual certamente virá. A menina olha para o lado, distraída, sem paciência para posar, no termo “bicho carpinteiro”, na criança inquieta, querendo sempre brincar e experimentar, com crianças que tanto barulho fazem para os vizinhos do apartamento abaixo, como certa vez tive de vizinhas crianças que tocavam um tamborzinho, na noção popular de que vizinho não se escolhe; vizinho se tem. É na questão do convívio do seriado Chaves, com atritos, confusões, como num presídio: Não morro de amores por tais pessoas, mas me vejo obrigado a lidar com elas. É como em amizades fúteis, do tipo não ajuda; não atrapalha, amizades que não nos dão a sensação de acompanhamento existencial, até chegar ao ponto de discernimento de darmos valor aos amigos de verdade. A menina está relativamente comportada, na questão do bom comportamento espírita, no espírito desencarnado que se vê em tal situação, havendo no Umbral os espíritos revoltados, sem a noção de que são príncipes, filhos de nosso Rei Supremo, na atemporalidade apolínea do Plano Superior, o plano glorioso em que estamos livres de todos os problemas relativos ao corpo físico – é a glória, meu irmão! O azul é a cor do céu, dos sonhos, como uma querida professora universitária me dizendo, certa vez, que sou sonhador, e a Vida tem que ter uma pitada de sonho, pois a Vida não é só “carpir um lote” – lotes têm que ser carpidos, mas isso não significa que minha vida tenha que ser só isso, no nome do estúdio hollywoodiano Dreamworks, ou seja, “Trabalhos e Sonhos” – quando tenho um sonho, tenho que trabalhar para concretizá-lo. A menininha pomposa está com vestido de festa, e não com roupas casuais do dia a dia, como roupas de moletom, na gloriosa sensação de se estar em casa, confortável, no conforto de um pijama, como uma senhora que conheço, a qual ama dar pijamas de presente aos outros, na noção de O Mágico de Oz: Não há lugar como o lar, por mais modesto que seja. No topo do quadro, vemos objetos que parecem ser flores, em tal símbolo de delicadeza e beleza, feminilidade, ou como um garboso cavalheiro, com uma flor na lapela do terno, como vi certa vez na Rua em Porto Alegre um certo colunista social, aprumadíssimo, elegante, com uma pomposa flor na lapela, talvez dando a flor a uma moça elegante que passasse pela Rua, na questão de autoestima de uma pessoa se arrumar para sair na Rua, nos esforços de um consultório de Psicologia de nos alertar sobre a importância da autoestima. Como frequentemente nos trabalhos de Cassatt, vemos a burguesia privilegiada, ou seja, pessoas com cacife para bancar tal trabalho, como nas famosas menininhas de Renoir no MASP, o nervo cultural da urbe paulistana, como no famoso Met de Nova York, o nervo chic e elegante da cidade, e será que um dia poderei visitar o Louvre? As boas pinceladas de Cassatt nos mostram aqui um tecido sedoso, fino, na magia de tecidos gostosos ao toque, como num casaco de pele, fazendo metáfora com as boas maneiras, com as delicadezas no trato, na suavidade da polidez.

 


Acima, Maternidade. Já me disse uma senhora que, quando uma mulher vira mãe, isso muda totalmente o modo de tal mulher ver o Mundo. Aqui é o padrão comportamental mamífero, havendo no leite materno todos os nutrientes necessários, num alimento tão completo, num trabalho de dedicação materna, como uma cachorrinha que tive, a qual teve uma ninhada e, por causa de dar de mamar aos filhotes, começou a ficar desnutrida, com o pelo caindo, e tive que dar suplemento alimentar à cachorrinha -  é a dedicação materna, em figuras como a Dona Florinda do seriado Chaves, defendendo o filho até “debaixo da água”, como uma mãe superprotetora que conheci, a qual dizia aos professores do filho: “Meu filho não merece dez; meu filho merece onze!”. Aqui é na gloriosa sensação de se mamar numa caixinha de leite condensado, no gostoso pecadinho da Gula, um pecado maravilhoso, como na embalagem do chocolate em pó Nestlé, com dois frades se deliciando com uma sobremesa de chocolate, em prazeres mundanos, como no filmão O Advogado do Diabo, com o divino Al Pacino interpretando Satanás, nos prazeres mundanos, numa parte formidável do filme, em que Al molha os dedos na água benta e esta ferve, remetendo à figura do Capa Preta, da Umbanda, que é o Yang, o lado macho da Vida, da luta, da batalha, na pessoa encarando a Vida de frente, ao contrário do morador de Rua, que é uma pessoa que, definitivamente, quer fugir da Vida e esconder-se desta, e o Mundo não pertence ao guerreiros? Não é o trabalho a fonte de dignidade? Não impera, no Plano Superior, a necessidade de se manter produtivo? Aqui é como na imagem da Virgem amamentando, havendo no leite tal pureza, como na embalagem do Leite Moça, com a moça virgem, pura, como na exigência a uma moça que se inscreve para concorrer a Rainha da Festa da Uva: Não estar casada e nem ter filhos, ou seja, ser virgem. O quadro aqui traz saúde, e a criança é bem gordinha e saudável, esbanjando saúde, num lar farto, com comida na mesa, remetendo a crianças carentes, as quais cresceram em lares pobres, sem muitas condições de alimentação adequada, comprometendo, assim, o crescimento natural do corpo, no problema brasileiro da fome, como em nações paupérrimas africanas, num Mundo em que cerca de um bilhão – sim, b de bola – de pessoas passa fome todos os dias, como no ator Rodrigo Santoro fazendo campanha para a UNICEF, alertando para o problema da desnutrição africana. Aqui é como no Brasil Colonial, ou Imperial, em que escravas negras davam de mamar aos filhos ricos brancos, num gesto de dedicação, como numa gentil senhora médica, a qual fez o parto do qual nasci em 1977, uma senhora que me tem como filho! A mãe aqui é jovem, sem um único cabelo branco, remetendo a uma certa mulher, a qual foi mãe na Adolescência, encarando, desde MUITO cedo na Vida o peso de responsabilidade, no modo como tal peso traz uma maturidade incrível. A roupa branca do bebê é a cor do leite, da pureza, como num impecável jaleco de médico, remetendo à triste história de um jovem médico o qual, em acidente de carro, morreu, salvando a vida da criança que ele carregava no colo em tal momento dentro do carro, um rapaz que foi sepultado de jaleco, nessas vidas ceifadas tão precocemente, como numa Elis Regina, a qual teria alcançado renome mundial se não tivesse morrido tão cedo, nessas merdas que são as drogas, com o perdão do termo chulo. Aqui é como no hábito do egípcio antigo de exibir publicamente o seio feminino, como nas moças de topless na orla carioca, na beleza do seio feminino, como num certo transexual, desfilando num carnaval com seus neo seios, querendo, com todas as suas forças, ser mulher – temos que respeitar. Neste quadro vemos impetuosas rabiscadas de Cassatt, numa ousadia furiosa, numa vontade de trazer o novo, vivendo numa Paris tão agitada culturalmente, no nervo do Mundo civilizado, numa Paris que pode nos encher de novidade e excitação.

 


Acima, Menininha em poltrona azul. As poltronas são o conforto do lar, como num macio e confortável pijama, como uma vizinha que tive, a qual não permitia que as filhas andassem dentro de casa com roupas de sair na Rua, como roupa de moletom para atividades físicas, remetendo aos excelentes moletons da marca mundial Benetton, com campanhas publicitárias altamente controversas, como mostrar genitálias ou como mostrar um paciente com HIV nos seus últimos suspiros de vida. A menina aqui está totalmente à vontade, assim como o cachorrinho repousando, numa sala de estar confortável e aconchegante, no termo carioca “muvuca”, que serve para designar o espaço do lar, do retiro, da privacidade, o lugar onde podemos caminhar nus ou com poucas roupas, sem os pudores de se vestir para sair na Rua. Aqui é a magia impressionista, com pinceladas furiosas que moldam formas, exigindo que observemos de longe, pois, de perto, não há forma ou sentido, ao contrário das xilogravuras excelentes da artista plástica brasileira Mara de Carli, com detalhes minuciosos, exigindo que olhemos bem de perto, numa relação de intimidade, como num vínculo de amizade, como um amigo que tenho, pois temos uma intimidade tal que tal amigo pode me ligar no meio da madrugada, em vínculos de amizade em que podemos conversar por telepatia, sem palavras proferidas, sabendo o que o outro diz sem verbo algum, como no menininho superdotado de O Iluminado, sensível, percebendo que uma certa situação resultaria em terrível assassinato, num filme de terror psicológico, ao contrário dos filmes do famoso assassino Jason, com sangue jorrando gratuitamente, na recomendação de uma certa psicoterapeuta: Pessoas muito sensíveis não podem assistir a filmes de terror. O azul aqui é lindo, nobre, como num azul caribenho, em lugares terrenos que são cópias fiéis do Éden, no modo como tudo na Terra gira em torno do Céu, do Plano Superior, a dimensão de cidades limpas e bem administradas, fazendo dos desastres naturais da Terra um indicativo de que é a Terra quem tenta imitar o Céu, apesar de parecer o contrário, pois no Céu não há problemas como escoamento de esgoto, pois é uma dimensão na qual estamos livres das necessidades fisiológicas de encarnado, em apartamentos que só precisam de sala de estar, sem cozinha, banheiro ou quarto de dormir, num lugar onde não precisamos comer, nem tomar banho, nem defecar ou urinar e nem repousar, numa vida sem a inevitável fadiga terrena, na glória metafísica. A casa aqui é espaçosa e confortável, e a menininha, em sua infância inocente, não quer a quietude sisuda dos adultos, como no paradoxo adolescente: Não se interessa pelo mundo das crianças e nem pelo mundo dos adultos, achando ambos tediosos e sem sentido, no termo “galeto”, que é o frango nem pinto, nem adulto. Aqui é a inquietude natural infantil, querendo brincar, com tanta energia para gastar, no modo como a criança tem uma energia que o adulto não consegue acompanhar, em épocas simples da Vida, brincando com os amiguinhos, na triste infância de Michael Jackson, um menino ao qual não foi permitido ter uma infância normal, num pai duro e tirano, que forçava o menininho a cantar, ensaiar, apresentar-se e gravar, no modo como tais crianças prodígio têm um débito existencial, pois a criança só deve fazer duas coisas: Estudar e brincar. A menininha aqui não entende os garbos públicos da Vida em Sociedade, chegando à adolescência, a época em que a pessoa descobre a vida social, como num baile de debutantes, no momento em que a menina se desinteressa pelas bonecas, numa época em que os sexos começam a se atrair, a salvo, é claro, em casos de homossexualidade. Aqui não é um rígido retrato de monarca, solene, duro, austero, mas um retrato à vontade, numa Cassatt sabendo do valor do retiro dentro de casa, na intimidade entre os membros da família. Aqui é como num verso de uma canção da nossa querida Alanis, recomendando que andemos nus dentro de casa, como na deliciosa sensação de nadar nu no mar.

 


Acima, Mulher com bebê. A nudez é totalmente inocente, pura, como em chafarizes com menininhos urinando na fonte, como uma certa majestosa fonte que há no Parque da Redenção, em Porto Alegre, ou como na fonte em frente à prefeitura da mesma cidade, em joias públicas, enriquecendo uma cidade, como nas aulas que recebi de Realidade Brasileira, sobre o estatuário público da urbe, em aulas dadas pelo meu amigo, o professor Arnoldo Doberstein, um dos membros fundadores do ICES, o Instituto Cultural Emilio Sessa, o qual divulga o trabalho deste pintor de origem italiana, inclusive um artista sobre o qual já falei no Blog desde 2915 por Gonçalo Mascia, sob o título Sessa Sensacional – veja lá! Neste quadro, em contraste com a nudez infantil, a mãe está totalmente vestida e pudica, como em imagens de Nossa Senhora, mostrando, no máximo, os pés nus, num símbolo de simplicidade, ao contrário da sexy Iemanjá, com um lindo decote, ancas fartas e cabelos negros sobre os ombros, com uma estrela na fronte, no orixá mais pop que existe, na magia das religiões afro, remetendo a um certo padre católico, o qual, definitivamente, desrespeitava a Umbanda, numa cabeça de uma criança de cinco anos de idade; num homem microscópico, sem nobreza, ao contrário do Papa Francisco, um homem que quer unir e não segregar. Mãe e filha aqui olham para o lado, numa perspectiva, distraindo-se, parecendo que mal sabem que estão sendo retratados. Aqui é um vínculo de intimidade sendo criado, na intimidade entre mãe e filha, com conversa de mulher, em assuntos de mulher, como em reuniões de mulheres, numa gritaria sem fim, numa identidade feminina, como quando minha mãe se encontra com suas irmãs, numa gritaria quase histérica, em assuntos femininos, numa identidade tão Yin, como no televisivo Saia Justa, do canal GNT, nas mulheres conversando, num momento de pleno prazer social, como na identidade feminina do filmão O Clube das Desquitadas, com mulheres se unindo para contornar todas as durezas patriarcais que desrespeitam a mulher, no triste modo como há mulheres que são machistas, como no machismo da mulher adquirir o sobrenome do marido, algo impensável para as feministas, as quais pensam contra os ventos do patriarcado, como certa vez numa viagem ao Oriente Médio de meu primo e sua filha, com este sendo abordado na Rua por um homem que queria, simplesmente, comprar tal filha – é um horror, como na canção Woman in Chains, da banda Tears for Fears, falando de uma mulher acorrentada, tratada como mercadoria. O abraço aqui são os zelos maternos, como no momento de “desmame”, em que a pessoa sai de casa para morar sozinha, sentindo falta de tais zelos, com uma mãe para manter uma casa limpa e organizada, abastecida de supermercado, com uma mãe para deixar a roupa limpa e em ordem. Neste quadro é como o antigo brinquedo dos “agarradinhos”, que eram bonequinhos que abraçavam, como num gesto de amor, em vínculos de Amor que sobrevivem para sempre, no incrível caminho da Eternidade, a qual é Deus: Jamais, meu irmão, jamais findaremos, num pode descomunal, estonteante. O cobertor aqui traz o calor do laranja, em cores quentes, ao contrário dos deprimentes invernos escandinavos, com seis meses inteiros de neve e luz cinzenta, causando altos níveis de depressão, num escandinavo sonhando com um verão carioca, havendo, em irônica contramão, o carioca que vai a Gramado exatamente para pegar um clima frio, serrano, e o Ser Humano é assim, sempre insatisfeito – se está no campo, quer ir para a cidade, e viceversa. Mãe e filha aqui são bem coradinhas e saudáveis, como no mórmon corado na embalagem de aveia, num alimento tão perfeito, nutritivo, nos zelos de uma mãe em alimentar bem o filho, dando de comer, desde cedo, nutritivas bananas, ricas em nutrientes, remetendo aos programas de culinária de Bela Gil, no canal GNT, mas uma chef a qual, neste momento, não está fazendo mais seus programas, o que é uma pena, pois que abandona a luta, some. Aqui, a criança tem um longo caminho pela frente, ao contrário de uma certa mãe, a qual perdeu, para o Câncer, sua filha de cinco anos de idade.

 

Referências bibliográficas:

 

Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.