Falo pela quarta vez sobre a pintora impressionista americana Mary Cassatt. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Jovem mulher com chapéu preto. A moça está reclusa, implícita, escondida, como envergonhada, como uma pessoa que conheço, a qual tem um pai que é dono de uma boate gay, sentindo um pouco de vergonha deste pai, num constrangimento, no modo como os submundos são ilusões, pois o Mundo é um só, e nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, como um certo pai de santo que conheci em Porto Alegre, o qual, numa escura boate de submundo, sentiu ali espíritos se arrastando e sofrendo naquela escuridão fétida, num retrato fiel do Umbral, como na toca do monstro Laracna de Tolkien, num breu em que a pessoa está perdida, como num labirinto, num vício – é muito fácil dizer para uma pessoa viciada em heroína que é só parar de usar heroína. Aqui temos esses maravilhosos traços furiosos de Cassatt, numa paixão, em artistas privilegiados, reconhecidos ainda em vida, em casos tristes como Van Gogh, morrendo miserável, como no triste fim de vida de Norma Bengell, arruinada, paupérrima, na frieza de um juiz de Direito que negou a Norma uma pensãozinha, numa Norma que foi uma heroína da Cultura Nacional Brasileira; uma Norma que sempre fez todo e mais um pouco pelo amado Brasil, na crueldade do Ser Humano, como queimar pessoas vivas em fogueiras, na sanguinária Maria Tudor, na tensão europeia entre católicos e protestantes, como hoje cresce vertiginosamente a Igreja Evangélica, aproveitando-se da mamata de que instituições religiosas brasileiras não precisam pagar imposto, como nos padres, que são riquíssimos, pregando que devemos doar aos pobres, na máxima popular: Faça o que digo; não faça o que faço. O preto é a discrição do luto, como numa enviuvada Hebe Camargo, aparecendo de preto em seu programa de TV por duas ou três semanas, reaparecendo depois toda colorida, ou seja, deixando para trás o período de luto, como na cena do filmão A Rainha, na monarca sozinha, reservada, em momento de choro e luto por Diana, deparando-se com um belo cervo, belo como Diana, na rainha que, depois, superou tal momento, voltando à vida e enxugando as lágrimas, no modo como as pessoas precisam de um tempo para superar as coisas, como uma mãe com um filho recém nascido com Síndrome de Down, ou como uma família que tem que superar que um filho quer ser padre, num filho que nunca mais passará o Natal com a família; num filho que nunca dará netos. A moça aqui descansa, num tempo para si mesma, nos versos de uma certa canção: “Calma! A Vida precisa de pausa!”. É como num intervalo de férias, num desligamento temporário, na merecida folga depois de um ano inteiro de siso e labor, ou estudo, enfim, de disciplina, como no senhor meu pai, médico cardiologista, um homem que sempre trabalhou de Sol a Sol, provendo para sua respectiva família um excelente nível de Vida, nas responsabilidades de um chefe de família, nos gritos da senhora minha mãe quando eu era criança: “Vá abrir a porta da garagem para teu pai, que está trabalhando até agora para nos sustentar!”. A moça aqui não gosta de aparecer muito, num retiro, no paradoxo de Diana, a qual, por um lado, adorava aparecer midiaticamente; a qual, por outro lado, não gostava do assédio desrespeitoso da Mídia. Aqui, quanto menos aparecer, melhor, na sabedoria instintiva de reserva, em mulheres tão discretas e pacatas como Meryl Streep, reservada em sua vida mansa, na noção taoista: Entenda o lado macho da Vida, mas, ao mesmo tempo, seja mais reservado e Yin dentro de si mesmo, na sabedoria de que a Vida é boa quando é simples, e de que não precisamos ter muito dinheiro para sermos felizes. Do pouco que podemos ver da moça aqui, ela é jovem e bela, e não sorri muito. O chapéu é o garbo, o enfeite, o adorno, em mulheres arrumadas, que se arrumam para sair na Rua, como na famosa via portoalegrense Rua da Praia, a qual, nos anos 1940, era um endereço muito chic e elegante, com pessoas garbosas sendo fotografadas pelos fotógrafos de rua, como numa foto lá de minha avó Nelly Mascia, bem jovem, bela, com uma elegante cintura fina, no modo como, no Desencarne, a pessoa escolhe a aparência que quer ter um tal plano superior, como na falecida Zila Turra Pieruccini, rainha da Festa da Uva de 1958, uma mulher que está linda lá em cima, com a aparência de quando foi coroada, na vitória da beleza.
Acima, Jovem numa janela. O cachorro é a fidelidade e a amizade, como uma solteirona empedernida que conheço, a qual tem dois cães, numa questão complicada, numa vida a qual, de certo modo, gira em torno de um bicho: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho, no modo como não tenho bicho, e sequer tenho paciência para ter uma planta: Ir todos os dias molhar o vegetal. O traje aqui é decente e recatadíssimo, como nas vestes de uma Virgem Maria, diferente de uma Iemanjá, com um sexy decote, ancas voluptuosas e lindos cabelos negros sobre os ombros, na magia das divindades de Umbanda e Candomblé, como na figura curiosa do Capa Preta, que é o lado macho da Vida, da carreira, no modo como a Vida não é somente Yin, na necessidade da pessoa desenvolver agressividade, algo imprescindível num mundo tão competitivo no qual vivemos, como nas divas musicais, concorrendo pela atenção do público, em divas agressivas como Madonna, no poder da transgressão, como na transgressão impressionista, à qual aderiu Cassatt, numa Paris estopim do Mundo civilizado, numa Paris a qual, apesar de tão cosmopolita, guarda traços de cidade provinciana, já ouvi dizer, ou seja, o Ser Humano, de forma geral, é provinciano. Ao fundo temos uma paisagem parisiense, numa cidade tão maravilhosa, um ímã poderoso que atrai zilhões de turistas todos os anos, remetendo a um certo televisivo de culinária, chamado Pequena Cozinha em Paris, na simplicidade do pequeno, do minimalista, no poder da humildade de um Papa Francisco, o qual, ao falecer, fará falta e deixará saudades, um homem tão simples e pacato, humilde, querendo agregar as pessoas, nunca segregar, ao contrário de outro senhor, um segregador de marca maior – é um horror. O traje branco aqui é a pureza, na cor tradicional das noivas, na virgindade, na culpa católica em relação a Sexo, na dificuldade de um indígena em entender a imagem virgem de Nossa Senhora esmagando a serpente da Malícia, rejeitando o mundano e abraçando o metafísico, o elevado, no modo como cada um de nós possui esses extremos, com dois olhos – um materialista e outro espiritual, como uma certa diva, a qual, apesar de ser espiritual e careta, tem um lado mundano, adorando as regalias mundanas de vida de estrela. O cachorro quietinho é a disciplina, nas obrigações de um diretor de escola em manter na linha as crianças, como uma enérgica diretora que conheci, dura, amedrontadora, terrível como um raio de trovão, beirando a grosseria, na paciência necessária para se educar uma criança, como um certo rapaz órfão que conheci, o qual dizia sofrer tapas e agressões no orfanato em que cresceu, num rapaz paupérrimo, vindo ao Mundo sem um único familiar, num espírito corajoso, que resolver reencarnar em tal contexto paupérrimo, no modo como não há sentido numa vida sem vicissitudes, como um surfista prostrado em frente a um mar sem ondas. A moça aqui, definitivamente, não está com roupas de ficar dentro de casa, mas com roupas de sair na Rua, num ritual de arrumação, como numa menina se preparando para ir a uma festa, passando um longo tempo em frente a um espelho, no modo como, para a mulher, a diversão não começa só ao chegar na festa, mas começa no próprio ritual de arrumação, ao contrário da mulher lésbica, a qual odeia ter que se arrumar, numa mulher masculina, simples, viril, sem saco para brincar de bonequinhas, as quais são extremamente desinteressantes para a menina gay, a qual quer brincar de filme de ação e pancadaria – devo respeitar a constituição original de cada um. A luz entra branda na cena, em pinceladas talentosas que marcam tal luminosidade no vestido luxuoso da moça rica e privilegiada, numa moça que nasceu em tal contexto privilegiado, acostumada com tal vida de luxos e confortos.
Acima, Leitora. Aqui é o hábito de ler, como um senhor intelectual que conheço, um ratão de bibliotecas, sebos e livrarias, num hábito que tem que ser encorajado já no momento em que a criança aprende a ler e escrever, como um senhor que foi meu professor de Literatura no Ensino Médio, um professor que me introduziu a Luis Fernando Verissimo, meu ídolo, um homem este o qual, quando escreve, coloca-se perfeitamente para o Mundo, em talentos natos, no modo como ninguém pode nos ensinar a brilhar – a pessoa, neste sentido, tem que ser autodidata, como um rapaz que conheci, o qual nunca frequentou aulas de Inglês, tendo que aprender, por si, tal língua. A poltrona é tal sensação de prazer e conforto, no conforto do lar, este lugar sem igual, sendo excruciante o sentimento numa prisão, por exemplo, um lugar o qual, definitivamente, não podemos chamar de lar, na máxima em O Mágico de Oz: Não há lugar como o lar. É como na sensação incômoda de se estar num hospital, um lugar o qual, apesar de todos os cuidados, não possui o hálito de lar, como me disse um certo psiquiatra que respeito: “Quem gosta de ficar em hospital?”. A moça aqui é jovem e bela, polida, discreta, inteligente, naquela beleza sutil, discreta e implícita, em contraste com a beleza mais óbvia, vulgar, vazia e obtusa, como num filme do mestre Woody Allen, o qual, ao abordar um casal lindo na Rua, perguntou à mulher como esta era, e ela se disse vazia e obtusa, nunca falando algo interessante, quando após isso o homem disse ser como ela, no modo de termos a capacidade para ver as pessoas por dentro, no modo como as aparências podem enganar, como uma certa senhora, a qual se equivocou ao trazer para o âmago de sua vida um rapaz belo, porém um rapaz sociopata, sem um pingo de apuro moral, e tudo gira em torno de apuro moral, o qual é o sentido da Vida – evolução moral. É a malícia de um sociopata em se aproveitar de pessoas um tanto carentes, ou com pouca autoestima, nesses filmes pesados como os do sociopata famoso do Cinema, o Hannibal Lecter, em filmes contundentes, dos quais saímos da sala de Cinema de coração pesado, com a perspectiva de que Lecter está solto por aí, operando suas maldades, espírito andarilho do Umbral, a dimensão dos que não têm um pingo de apuro moral. Nesta cena temos um silêncio acalentador, no farfalhar sedoso do vestido com as roupas e o virar das páginas do livro, como no sutil farfalhar aveludado de árvores à brisa, num processo sexy intermitente, na noção dialética de que tudo é processo, num processo de aprimoramento, como uma infinita faculdade, até chegar ao ponto de arcanjo, nossos irmãos depurados que possuem impecável apuro moral, gozando da suprema felicidade, numa luz que emoldura os espíritos felizes, na luz metafísica da felicidade, da simplicidade, numa pessoa que sabe que não precisa ser dona de meio Mundo para ser feliz, na ilusão do dinheiro, o qual traz tudo de conveniente, menos o que importa, que é felicidade, como uma grande amiga minha, a qual faz escolhas de Vida visando a felicidade, tendo se casado com um homem que a faz muito feliz, no caminho da paz, a qual é tudo, havendo no Plano Superior tal sensação inabalável de paz, ao contrário das guerras, as quais nada mais fazem do que deixar rastros de fome e destruição – é um horror. Na moça aqui temos um recato, pois os cabelos estão disciplinados e a roupa é pudica, cobrindo o pescoço, nas imagens de recato da Virgem Santíssima, o mito que tolhe a sexualidade feminina, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas, como uma certa senhora professora de Ensino Médio, a qual se tornou mal vista por ter sido vista entrando em um motel com um homem, havendo assim certas pessoas dizendo para ser jogado milho, chamando esta, então, de galinha, este termo pejorativo, talvez também no sentido de jogar o milho para esta senhora se ajoelhar e cumprir penitência – que machismo, meu irmão. O retiro da moça aqui está alheio ao espectador, mal percebendo a presença deste. Aqui é um momento nobre, pois é produtivo, ao contrário da pessoa ociosa, desinteressante.
Acima, Lidia. Uma explosão de cor e luz, neste pincel tão talentoso de Cassat. A luz entra etérea. O decote aqui é ousado e exuberante, como na moda atual de vestidos, com uma fenda bem atrevida, na sensualidade de esconder e, ao mesmo tempo, mostrar, como na luz erótica do luar, a luz dos enamorados, como no striptease, remetendo a um divertido caso que conheci, numa moça que levava vida dupla: De dia, era uma pacata estudante na PUC de Porto Alegre; de noite, uma stripper numa casa de shows da cidade, naquelas mulheres que querem, acima de tudo, um marido bem rico, em mulheres mundanas, num comportamento moralmente mal visto pela sociedade, havendo na imagem de Nossa Senhora tal rejeição ao mundano, numa mulher de alta pureza moral e espiritual, abrindo mão de ter sexualidade, no mito que serve para nos explicar que somos todos frutos de Imaculada Conceição, num Deus Pai que nos fez de forma absolutamente especial, no modo como não há duas pessoas iguais, como no mito do deus supremo grego Zeus, o qual concebeu a Mulher Maravilha, a mulher com dignidade, força e propósito, num mito feminista, na mulher que trabalha fora de casa, rejeitando os rótulos misóginos de pacata e anônima dona de casa, remetendo a uma certa senhora, a qual largou a carreira para se tornar dondoca, ou outra certa senhora, a qual estudou e se formou na faculdade para, tempos depois, tornar-se dondoca, no modo como não há sentido numa vida sem aspirações, remetendo à frase: “Vá carpir um lote!”, ou seja, só trabalhe e não sonhe, o que é um equívoco: Lotes precisam ser carpidos, mas isso não significa que sua vida tenha que ser somente isso, ou seja, a vida não é só pagar as contas. Vemos ao fundo um luxuoso lustre de cristal, na magia das cores, remetendo aos suntuosos lustres de cristal do clube portoalegrense Juvenil, em salões tão elegantes, na vida social bela e apolínea do Plano Superior, remetendo a uma certa senhora fina caxiense, autora de livros de etiqueta, no modo como os espíritos são eternos, únicos e indivisíveis, no conceito espírita de que não deve acreditar em termos como “alma gêmea”, pois os vínculos de amor existem e são eternos, mas cada um é uma pessoa diferente, na formidável imortalidade dos vínculos de amor e amizade, como uma amiga minha já desencarnada, com a qual faço contanto metafísico diário para ela abençoar meu dia, na eternidade do Amor, como uma madeira nobre, que vive para sempre, sem focos de cupins – tudo na Terra gira em torno do Plano Metafísico, como, por exemplo, a Saúde, pois no plano acima não estamos mais vinculados a todos os problemas de saúde relativos ao corpo carnal, no conceito de Santo Agostinho de que somos todos prisioneiros na Terra, na boa notícia de que o dia de soltura vai chegar, sendo só questão de tempo, na imagem de esperança do Espírito Santo, na gloriosa libertação, como no último dia de aula do ano, na libertação merecida depois de um ano inteiro de esforço e disciplina. A moça aqui ri suavemente, polida, na necessidade de termos senso de humor, algo tão humano que é rir de si mesmo, em talentos cômicos notáveis, como o grande mestre Chico Anysio, construindo uma monumental galeria de personagens distintos, no privilégio do Brasil em ter tido aqui tal gênio cômico, um senhor que, definitivamente, aproveitou seu tempo aqui na Terra, trabalhando e conquistando o respeito dos brasileiros – respeito é tudo! A recatada moça aqui senta e repousa, como numa moça esperando para ser tirada por um rapaz para dançar, numa regra social um tanto machista, incentivando a passividade na mulher, tolhendo a mulher feminista, a qual tem a coragem de ir contra os ventos do patriarcado – será que dia teremos uma papiza no Vaticano? A moça aqui é simples em sua elegância, sem um único colar, na simplicidade da nudez, na beleza do corpo humano, pois como Tao pode ter vergonha de algo que Ele mesmo concebeu? O vestido aqui é tal suntuosidade luxuosa, num traje que custou muito dinheiro, numa moça indo ao baile, sentindo-se uma princesa em tal traje.
Acima, Lidia e tapeçaria. Aqui temos uma certa ironia de metalinguagem, pois é césar falando de césar, ou seja, o labor da pintura de Cassatt frente ao labor de Lidia ao tecer. Aqui é o momento ordinário de labor, nos dias da semana, como numa louca São Paulo – um Éden nos sábados, domingos e feriados e, por outro lado, um inferno em dias úteis, no modo como o trabalho está por todos os lados, remetendo a um morador de Rua pelo qual passei hoje, um homem que quer, com todas as suas forças, fugir da luta e da Vida, numa pessoa que não quer nada com nada, e quando a pessoa quer fugir assim, não tem Papa Francisco que possa interceder, nos versos solenes do nosso hino nacional: “Verás que filho teu não foge à luta!”. A luz entra majestosa, iluminando o labor do tear, como em consultórios de dentistas, nos quais a poltrona do paciente fica virada para a luz natural da janela, ou seja, nada melhor do que a luz natural, na busca de uma pessoa por luz, por clareza, tendo passado por um tenebroso submundo escuro e labiríntico, numa conclusão à qual se pode chegar: Os submundos são ilusões; são piadas, pois o Mundo é um só, e somos todos da mesma família, no título da famosa colônia espiritual Nosso Lar, num ambiente de casa, numa sala bem limpinha e suavemente perfumada, como no espírito Patrícia em Violetas na Janela, acordando desencarnada numa cama com lençóis suavemente perfumados, num cuidado e zelo de mãe, no “choque térmico” que é a pessoa ir morar sozinha, acostumada com os zelos maternos em casa, pois só damos valor a algo quando perdemos tal algo, no modo como podemos subestimar a seriedade de uma situação, como uma pessoa subestimada, sempre parecendo estar aquém, em pulos do gato como atores os quais, anteriormente subestimados e desvalorizados, arrebatam nada menos do que um Oscar, no gostoso pecadinho capital da Ira, da vingança, ensinando uma lição para outrem. Lidia aqui está concentradíssima e focada, séria, como uma estudiosa colega que tive no Ensino Médio, a qual tinha um semblante seríssimo ao receber uma prova corrigida e não tirava conceito máximo: “O que foi que aconteceu para eu não ter tirado nota dez?”, numa colega cujo sonho era simplesmente gabaritar todas as disciplinas, tanto humanas quanto exatas, numa mulher discreta, inteligente, séria, numa vida de responsabilidades, naquele tipo de beleza sutil, discreta, implícita, interessante. Podemos aqui ouvir o ruído do aparelho, em obras que transcendem o visual e invadem de outros modos de nossa percepção, como ter medo num filme de terror, na capacidade do Cinema em penetrar em nossas mentes, num diretor se relacionando conosco, em filmes poderosos como Titanic, no final arrebatador dos espíritos desencarnados, com o icônico relógio ao fim, que é a passagem do tempo, como um rio fluindo, nos tempos indo e vindo como ondas no mar. Lidia aqui tem dignidade, e não é uma dondoca improdutiva, ao contrário de uma dondoca fofoqueira que conheço, sendo muito importante, sendo capital que escolhamos algo de nobre para fazer de nossos dias de cárcere na Terra, na ironia de que, no Plano Superior, segue imperando a necessidade de nos mantermos produtivos, não sendo o Céu um lugar indolente de anjinhos loiros tocando harpas. Aqui Lidia está de perfil, alheia ao espectador, mergulhada na seriedade do labor, como numa foto recente que vi de uma amiga minha médica fazendo uma cesariana, numa médica absolutamente séria e concentrada, no peso enorme de responsabilidade, como num leão cruzando cuidadosamente um rio, sabendo que ali pode haver perigo. Aqui é como um hábil fotógrafo fazendo uso da luz, em grandes nomes como Sebastião Salgado, aventurando-se ao redor do Mundo, como num belo livro decorativo que tenho de SS, numa maestria clara de ser apreciada, num fotógrafo “calejado”, com toda uma expertise. Aqui remete às palavras de minha querida avó Carmem, a qual me mostrava suas velhas mãos dizendo: “Esta mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei!”.
Acima, Lilases numa janela. A flor é a beleza, como na flor de lis dos reis sóis franceses, ou no lótus dos faraós, no modo como já ouvi dizer num excelente texto: “A Vida é o nervo da Arte”, como tambores reverenciando as batidas do coração, da Vida, num mistério infindável: O que faz o coração bater? Não é a Vida um milagre? Aqui é uma doce tarde de Sol, talvez num dia de verão, em doces brincadeiras com os amigos na piscina, em épocas em que a Vida era mais simples, e a Vida é boa quando é simples, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como nas linhas simples da Brasília de Niemeyer, em decorações clean, minimalistas, como no formidável minimalismo japonês, no caminho da discrição, no modo de vida britânico, com silêncio e discrição, no slogan famoso “Keep calm”, ou seja, mantenha-se calmo. Aqui pode ser uma bela ruela parisiense, com os turistas sendo brindados na Rua com La Vie em Rose, na sofisticação de Paris, o nervo do Mundo civilizado, pulsando modas e tendências, perfumes, no modo como já tive a oportunidade de estudar um pouco de francês, e é uma língua fascinante, bem diferente no inglês, o qual é um idioma também bonito, na capacidade de grandes inteligências de serem polilíngues, como um senhor inteligente que conheço, um brasileiro que domina o inglês e o italiano, podendo ser um espírito que já passou por encarnações em outros idiomas, vindo, daí, a facilidade intelectual, no modo como é sempre bom estudar uma língua, como um certo senhor, o qual, aposentado, estuda italiano pelo dispositivo móvel, no incrível modo como a digitalização tomou o Mundo, sepultando os livros em papel, como dicionários e enciclopédias, deixando minha geração perplexa, a qual foi criança nos anos 1980, pegando o fim da Era Analógica, pois as gerações mais recentes estão totalmente adaptadas a tais avanços, numa geração digital, extremamente digital, achando o CD e o DVD coisas “pré históricas”, tecnologias que já foram o chuá de tecnologia de ponta, no avanço intermitente das tecnologias, até ser uma questão de pura tecnologia para levar o Homem a Marte, na sede humana científica de explorar, mandando sondas sistema solar afora, num Cosmos tão absurdamente vasto, vastíssimo, incompreensível para o pequeno Ser Humano. Neste quadro podemos ouvir o som da Rua, com carros passando, mas numa rua plácida assim mesmo, numa doce tarde de Sol, e podemos notar as flores tremulando na doce brisa da Rua, talvez podendo sentir o perfume, no fascínio do perfume, em bens de consumo cobiçados, no luxo de cheirar bem, um luxo, pois ninguém vai morrer por não estar perfumado. O vaso com água é a Vida fluindo, no rio doce desembocando no mar salgado, nos sistema de Vida na Terra, com enigmáticas entranhas – o que faz uma nascente de rio? Aqui é o jarro feminino de Galadriel de Tolkien, no espelho mágico que mostra passado, presente e futuro, fazendo do espelho tal símbolo de feminilidade, como uma jovem mulher que conheço, a qual adora ficar horas na frente do espelho se maquiando, no modo como, para a mulher, a diversão não é só na hora da festa, mas no ritual todo de arrumação e maquiagem, como uma doce senhora que conheci, a qual levava um tempão para se arrumar para sair, numa mulher se esforçando para estar a mais estonteante possível, numa competição em cerimônias de premiação, para ver qual delas tem o vestido mais maravilhoso, no modo como a Vida em Sociedade é repleta de competitividade, como nos esportes, em comoções de audiência como jogos de Copa do Mundo, na noção taoista de que, quando sou único, ninguém pode competir comigo, no caminho da identidade da pessoa, como no processo de identidade da Mulan de Disney, encarando uma guerra, num caminho da pessoa gostar de ser ela mesma, sem querer ser outra pessoa. Este vaso é uma coisa de lar, de casa, numa vida pacata, pois tudo se resume a tal calma de vida pacata, na recomendação para um rei: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão.
Referências bibliográficas:
Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.
Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.






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