Falo pela quinta vez sobre a pintora impressionista americana Mary Cassatt. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Madame Gaillard e sua filha Marie-Thérèse. Aqui é a burguesia privilegiada que tinha meios para bancar os serviços de Cassatt, na ascensão burguesa pós Revolução Francesa, guilhotinando Maria Antonieta como um ato símbolo de tal rompimento, de tal golpe de estado, em golpes violentos, como na tentativa de golpe no Brasil atual, com coisas belas sendo destruídas, nesta eterna inclinação do Ser Humano em relação à violência e ao ódio, pois, para o Homem, quanto mais cruel, melhor, havendo no Umbral o espaço para os que não amam a Vida. As modelos aqui estão um tanto entediadas, talvez no tédio de uma vida improdutiva, sem trabalho, como numa vidinha de socialite rica, como na famosa Paris Hilton, uma fracassada profissionalmente, uma mulher a qual ninguém, no fundo, respeita – ninguém nutre respeito secreto pelo robert, pelo exibido que só quer aparecer, sem trazer algo de válido ou interessante, como um certo senhor participante do reality Big Brother: Rapaz, vá se dedicar à sua carreira profissional e deixe de lado esta midiatização gratuita! Aqui as modelos, é claro, arrumaram-se para o quadro, havendo na roupa tal sinal de status, tal poder aquisitivo, na noção taoista na qual nunca devemos exibir nossa riqueza como um pavão, pois a inveja corre solta por aí, e quem é discreto como um camaleão, não se incomoda, na invisibilidade do homem de Tao, nunca recomendando violência, ao contrário do Ser Humano em geral, o qual é um rei que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, sempre tendo que anexar os reinos vizinhos, numa insaciável fome napoleônica, como em Putin, um filho da puta, com o perdão do termo chulo, um senhor que está mexendo com uma inofensiva nação pacífica, tudo em nome do Anel do Poder de Tolkien, o anel qual corrompe até o mais nobre dos homens, em homens microscópicos, os quais só querem o poder pelo poder, na busca do sociopata por vantagens, sempre vantagens, um sociopata que pode até reger um estado inteiro, como Hitler ou Calígula, personagens draculescos, remetendo a uma certa pessoa insana, a qual queria doutrinar os alunos para o nazismo – é um horror. O abraço aqui é a intimidade do lar, no lugar em que estamos totalmente confortáveis, numa relação de confiança, de mulher para mulher, remetendo a uma canção de Laura Fygi, na qual uma mãe quer que a filhinha cresça para que ambas pudessem ter conversa feminina, num nível de intimidade entre mulheres que passam a menstruar na mesma época do mês, remetendo a uma certa moça lésbica, a qual gostava de beijar suas amigas no rosto, como no livrão As Horas, do mestre Michael Cunningham, num ensaio sobre homossexualidade feminina, no divertido termo “velcro”, que serve para designar o lesbianismo, em vulva em contanto com vulva, no modo popular de como rir é o melhor remédio. Neste quadro é a passagem do tempo, na sucessão de gerações, no modo como, na Vida, nada mais certo do que a morte. É como nas bonecas russas, com uma no útero da outra, na sucessão de gerações, nas palavras de uma certa indígena: “Eu sou minha mãe; eu sou minha filha; eu sou minha avó”. A pulseira na moça é o status de joia preciosa, na formidável transgressão da bijuteria, no conceito de que o que vale não é o valor financeiro do adorno, mas o efeito que tal adorno produz, como certa vez numa aparição da estrela Fran Drescher, a qual estava super exuberante, como um penteado repleto de flores exóticas, flores as quais custaram, certamente, menos do que pedras preciosas, no caminho da humildade, como no mestre Li Mu Bai em O Tigre e o Dragão, ensinando à discípula que um simples graveto, se bem guiado, pode ser mais poderoso do que uma luxuosas espada, na questão da pessoa não perder a simplicidade, os pés no chão, o discernimento. A moça aqui está um tanto embuchada, talvez grávida, nos desafios da maternidade, na responsabilidade, como incutir valores nobres na cabeça da criança, mostrando ao filho que a mentira tem “pernas curtas”, e que só a verdade é eterna, na imortalidade dos vínculos de Amor, em amizades que duram para sempre, no Amor Incondicional, leve, desapegado, com a perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos. Aqui é algo sendo passado de geração para geração.
Acima, Mãe e criança numa piscina. O bebê aqui remete ao Menino Jesus, no nervo natalino, nas homenagens do Mundo pelo homem que é o centro sobrenatural da História, em perfeição moral, no poder do Bem, do Amor, no conceito inédito do perdão, o qual é o caminho natural da Eternidade, pois os ressentimentos não são eternos, pois têm um prazo de validade, e os prazos chegam, cedo ou tarde. O menino é a esperança em um Mundo melhor que nos espera lá em cima, com o reencontro com nossos queridos avós, os entes que nos abençoam lá de cima, na imortalidade de tal Amor, como uma bisavó abençoando o bisneto, mesmo sem os dois estarem na Terra ao mesmo tempo, no contato metafísico que é como uma ligação telefônica, em algo estritamente espiritual, sem os sofrimentos e paixões humanos, num plano em que a Vida continua, na necessidade de se arranjar um trabalho para fazer, como uma laboriosa tia avó minha, a qual, lá em cima, é uma pessoa que ama trabalhar, nunca ficando ociosa, como nos trabalhos de Deus no Gênesis, mesmo eu não crendo que tudo foi feito desse modo, crendo eu, cientificamente, na Evolução, o processo intermitente de aprimoramento do espírito, sempre aprendendo, crescendo, remetendo a nossos irmãos depuradíssimos, os quais gozam da felicidade suprema, guiando a nós, seus irmãos pequeninos, que ainda têm muito o que aprender. O astro do quadro é o menino, pois a mãe está discreta, de perfil, na passividade da Virgem, a mulher à qual foi negado ser mundana, no mito que serve para nos explicar sobre o Metafísico, o sacrossanto, a dimensão da limpeza absoluta, como uma certa senhora de paciência, a qual varre diariamente sua casa, no modo terreno de nos aproximarmos das casas metafísicas impecavelmente limpas, eternamente limpas. A nudez do menino é totalmente inocente, como na genitália infantil do Adão de Michelangelo, no momento antes da Serpente da Malícia, a qual legou vergonha ao sexo, maliciando este, como uma amiga freira que tive como professora, a qual decidiu dar aulas de Educação Sexual aos alunos, vendo que estes estavam muito maliciosos em relação a Sexo, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Aqui temos uma quebra e um rompimento, pois a mãe é morena e o filho é loiro, numa quebra, como numa quebra de serviço no Tênis, como no menino se tornando homem, saindo de casa e tratando de ser dono de si, como num filme com o finado e amado ator River Phoenix, numa película em que ele estava farto de ser menino, querendo crescer e encarar a Vida como homem, como no filmão O Império do Sol, no rapaz que começa a guerra menino e termina a guerra homem, como no reinado de uma rainha da Festa da Uva, começando menina e acabando mulher. O pano branco é a pureza, numa casa limpa, no aspecto branco dos médicos, na cor mais limpa que existe, como em filmes espíritas em que os desencarnados vestem branco, na cor da Paz, na mensagem de esperança do Espírito Santo, na promessa de libertação, numa esperança, no eterno retorno ao Lar, como no feto ao final do filmão 2001, com o retorno ao Útero Sacrossanto, ao qual todos, sem exceção, pertencemos, no caminho da irmandade e da igualdade. O menininho aqui é inocente, e não faz ideia do que lhe espera, como no início do filme O Rei Leão, no filhotinho herdeiro sendo apresentado aos súditos, num bebê inocente, sem saber os encargos e responsabilidades que o esperam na vida de rei, no paradoxo das famílias de realeza: Por um lado, algo belo, fino, onírico e atemporal; por outro, tão obtuso, em que homem é varão e mulher é fêmea, sendo heresia tudo o que se distanciar disto. O menino está aqui cercado de todos os zelos e carinhos, num lar estável, constituído, ao contrário da pobre criança que veio ao Mundo sem qualquer família, crescendo num orfanato, como um rapaz pobre que conheci, paupérrimo, sem um único centavo no bolso, decidindo se dedicar à Umbanda, esta bela e vibrante religião, na religião dos socialmente excluídos. Este quadro é uma revelação de Feliz Natal.
Acima, Margot de azul. Menina rica. Pomposa. Como numa rede de lojas de luxo de roupas infantis femininas, em pais criando a menina como uma princesinha, cercada de privilégios, no pai dizendo ao nascer da filha: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja”, no preconceito patriarcal que tolhe a sexualidade feminina, encorajando a sexualidade masculina, no rapaz que começa a vida sexual em prostíbulos, na questão da galinha e do garanhão: Homem pode tudo; mulher, nada. O véu aqui é a delicadeza, a sutileza, na magia da noiva de branco, na tradição do branco ao se casar, remetendo a um certo e belo casal, com ambos se casando se vestindo de branco, numa questão de harmonia cromática, numa metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos sempre contra azuis, seja verde, pois não resolverás os problemas do Mundo, mas poderás ser uma figura em que o povo possa depositar esperanças, pois nem Jesus Cristo, em sua suprema majestade, soube sanar os problemas do Mundo, na imagem de esperança do Espírito Santo, no dia de soltura o qual certamente virá. A menina olha para o lado, distraída, sem paciência para posar, no termo “bicho carpinteiro”, na criança inquieta, querendo sempre brincar e experimentar, com crianças que tanto barulho fazem para os vizinhos do apartamento abaixo, como certa vez tive de vizinhas crianças que tocavam um tamborzinho, na noção popular de que vizinho não se escolhe; vizinho se tem. É na questão do convívio do seriado Chaves, com atritos, confusões, como num presídio: Não morro de amores por tais pessoas, mas me vejo obrigado a lidar com elas. É como em amizades fúteis, do tipo não ajuda; não atrapalha, amizades que não nos dão a sensação de acompanhamento existencial, até chegar ao ponto de discernimento de darmos valor aos amigos de verdade. A menina está relativamente comportada, na questão do bom comportamento espírita, no espírito desencarnado que se vê em tal situação, havendo no Umbral os espíritos revoltados, sem a noção de que são príncipes, filhos de nosso Rei Supremo, na atemporalidade apolínea do Plano Superior, o plano glorioso em que estamos livres de todos os problemas relativos ao corpo físico – é a glória, meu irmão! O azul é a cor do céu, dos sonhos, como uma querida professora universitária me dizendo, certa vez, que sou sonhador, e a Vida tem que ter uma pitada de sonho, pois a Vida não é só “carpir um lote” – lotes têm que ser carpidos, mas isso não significa que minha vida tenha que ser só isso, no nome do estúdio hollywoodiano Dreamworks, ou seja, “Trabalhos e Sonhos” – quando tenho um sonho, tenho que trabalhar para concretizá-lo. A menininha pomposa está com vestido de festa, e não com roupas casuais do dia a dia, como roupas de moletom, na gloriosa sensação de se estar em casa, confortável, no conforto de um pijama, como uma senhora que conheço, a qual ama dar pijamas de presente aos outros, na noção de O Mágico de Oz: Não há lugar como o lar, por mais modesto que seja. No topo do quadro, vemos objetos que parecem ser flores, em tal símbolo de delicadeza e beleza, feminilidade, ou como um garboso cavalheiro, com uma flor na lapela do terno, como vi certa vez na Rua em Porto Alegre um certo colunista social, aprumadíssimo, elegante, com uma pomposa flor na lapela, talvez dando a flor a uma moça elegante que passasse pela Rua, na questão de autoestima de uma pessoa se arrumar para sair na Rua, nos esforços de um consultório de Psicologia de nos alertar sobre a importância da autoestima. Como frequentemente nos trabalhos de Cassatt, vemos a burguesia privilegiada, ou seja, pessoas com cacife para bancar tal trabalho, como nas famosas menininhas de Renoir no MASP, o nervo cultural da urbe paulistana, como no famoso Met de Nova York, o nervo chic e elegante da cidade, e será que um dia poderei visitar o Louvre? As boas pinceladas de Cassatt nos mostram aqui um tecido sedoso, fino, na magia de tecidos gostosos ao toque, como num casaco de pele, fazendo metáfora com as boas maneiras, com as delicadezas no trato, na suavidade da polidez.
Acima, Maternidade. Já me disse uma senhora que, quando uma mulher vira mãe, isso muda totalmente o modo de tal mulher ver o Mundo. Aqui é o padrão comportamental mamífero, havendo no leite materno todos os nutrientes necessários, num alimento tão completo, num trabalho de dedicação materna, como uma cachorrinha que tive, a qual teve uma ninhada e, por causa de dar de mamar aos filhotes, começou a ficar desnutrida, com o pelo caindo, e tive que dar suplemento alimentar à cachorrinha - é a dedicação materna, em figuras como a Dona Florinda do seriado Chaves, defendendo o filho até “debaixo da água”, como uma mãe superprotetora que conheci, a qual dizia aos professores do filho: “Meu filho não merece dez; meu filho merece onze!”. Aqui é na gloriosa sensação de se mamar numa caixinha de leite condensado, no gostoso pecadinho da Gula, um pecado maravilhoso, como na embalagem do chocolate em pó Nestlé, com dois frades se deliciando com uma sobremesa de chocolate, em prazeres mundanos, como no filmão O Advogado do Diabo, com o divino Al Pacino interpretando Satanás, nos prazeres mundanos, numa parte formidável do filme, em que Al molha os dedos na água benta e esta ferve, remetendo à figura do Capa Preta, da Umbanda, que é o Yang, o lado macho da Vida, da luta, da batalha, na pessoa encarando a Vida de frente, ao contrário do morador de Rua, que é uma pessoa que, definitivamente, quer fugir da Vida e esconder-se desta, e o Mundo não pertence ao guerreiros? Não é o trabalho a fonte de dignidade? Não impera, no Plano Superior, a necessidade de se manter produtivo? Aqui é como na imagem da Virgem amamentando, havendo no leite tal pureza, como na embalagem do Leite Moça, com a moça virgem, pura, como na exigência a uma moça que se inscreve para concorrer a Rainha da Festa da Uva: Não estar casada e nem ter filhos, ou seja, ser virgem. O quadro aqui traz saúde, e a criança é bem gordinha e saudável, esbanjando saúde, num lar farto, com comida na mesa, remetendo a crianças carentes, as quais cresceram em lares pobres, sem muitas condições de alimentação adequada, comprometendo, assim, o crescimento natural do corpo, no problema brasileiro da fome, como em nações paupérrimas africanas, num Mundo em que cerca de um bilhão – sim, b de bola – de pessoas passa fome todos os dias, como no ator Rodrigo Santoro fazendo campanha para a UNICEF, alertando para o problema da desnutrição africana. Aqui é como no Brasil Colonial, ou Imperial, em que escravas negras davam de mamar aos filhos ricos brancos, num gesto de dedicação, como numa gentil senhora médica, a qual fez o parto do qual nasci em 1977, uma senhora que me tem como filho! A mãe aqui é jovem, sem um único cabelo branco, remetendo a uma certa mulher, a qual foi mãe na Adolescência, encarando, desde MUITO cedo na Vida o peso de responsabilidade, no modo como tal peso traz uma maturidade incrível. A roupa branca do bebê é a cor do leite, da pureza, como num impecável jaleco de médico, remetendo à triste história de um jovem médico o qual, em acidente de carro, morreu, salvando a vida da criança que ele carregava no colo em tal momento dentro do carro, um rapaz que foi sepultado de jaleco, nessas vidas ceifadas tão precocemente, como numa Elis Regina, a qual teria alcançado renome mundial se não tivesse morrido tão cedo, nessas merdas que são as drogas, com o perdão do termo chulo. Aqui é como no hábito do egípcio antigo de exibir publicamente o seio feminino, como nas moças de topless na orla carioca, na beleza do seio feminino, como num certo transexual, desfilando num carnaval com seus neo seios, querendo, com todas as suas forças, ser mulher – temos que respeitar. Neste quadro vemos impetuosas rabiscadas de Cassatt, numa ousadia furiosa, numa vontade de trazer o novo, vivendo numa Paris tão agitada culturalmente, no nervo do Mundo civilizado, numa Paris que pode nos encher de novidade e excitação.
Acima, Menininha em poltrona azul. As poltronas são o conforto do lar, como num macio e confortável pijama, como uma vizinha que tive, a qual não permitia que as filhas andassem dentro de casa com roupas de sair na Rua, como roupa de moletom para atividades físicas, remetendo aos excelentes moletons da marca mundial Benetton, com campanhas publicitárias altamente controversas, como mostrar genitálias ou como mostrar um paciente com HIV nos seus últimos suspiros de vida. A menina aqui está totalmente à vontade, assim como o cachorrinho repousando, numa sala de estar confortável e aconchegante, no termo carioca “muvuca”, que serve para designar o espaço do lar, do retiro, da privacidade, o lugar onde podemos caminhar nus ou com poucas roupas, sem os pudores de se vestir para sair na Rua. Aqui é a magia impressionista, com pinceladas furiosas que moldam formas, exigindo que observemos de longe, pois, de perto, não há forma ou sentido, ao contrário das xilogravuras excelentes da artista plástica brasileira Mara de Carli, com detalhes minuciosos, exigindo que olhemos bem de perto, numa relação de intimidade, como num vínculo de amizade, como um amigo que tenho, pois temos uma intimidade tal que tal amigo pode me ligar no meio da madrugada, em vínculos de amizade em que podemos conversar por telepatia, sem palavras proferidas, sabendo o que o outro diz sem verbo algum, como no menininho superdotado de O Iluminado, sensível, percebendo que uma certa situação resultaria em terrível assassinato, num filme de terror psicológico, ao contrário dos filmes do famoso assassino Jason, com sangue jorrando gratuitamente, na recomendação de uma certa psicoterapeuta: Pessoas muito sensíveis não podem assistir a filmes de terror. O azul aqui é lindo, nobre, como num azul caribenho, em lugares terrenos que são cópias fiéis do Éden, no modo como tudo na Terra gira em torno do Céu, do Plano Superior, a dimensão de cidades limpas e bem administradas, fazendo dos desastres naturais da Terra um indicativo de que é a Terra quem tenta imitar o Céu, apesar de parecer o contrário, pois no Céu não há problemas como escoamento de esgoto, pois é uma dimensão na qual estamos livres das necessidades fisiológicas de encarnado, em apartamentos que só precisam de sala de estar, sem cozinha, banheiro ou quarto de dormir, num lugar onde não precisamos comer, nem tomar banho, nem defecar ou urinar e nem repousar, numa vida sem a inevitável fadiga terrena, na glória metafísica. A casa aqui é espaçosa e confortável, e a menininha, em sua infância inocente, não quer a quietude sisuda dos adultos, como no paradoxo adolescente: Não se interessa pelo mundo das crianças e nem pelo mundo dos adultos, achando ambos tediosos e sem sentido, no termo “galeto”, que é o frango nem pinto, nem adulto. Aqui é a inquietude natural infantil, querendo brincar, com tanta energia para gastar, no modo como a criança tem uma energia que o adulto não consegue acompanhar, em épocas simples da Vida, brincando com os amiguinhos, na triste infância de Michael Jackson, um menino ao qual não foi permitido ter uma infância normal, num pai duro e tirano, que forçava o menininho a cantar, ensaiar, apresentar-se e gravar, no modo como tais crianças prodígio têm um débito existencial, pois a criança só deve fazer duas coisas: Estudar e brincar. A menininha aqui não entende os garbos públicos da Vida em Sociedade, chegando à adolescência, a época em que a pessoa descobre a vida social, como num baile de debutantes, no momento em que a menina se desinteressa pelas bonecas, numa época em que os sexos começam a se atrair, a salvo, é claro, em casos de homossexualidade. Aqui não é um rígido retrato de monarca, solene, duro, austero, mas um retrato à vontade, numa Cassatt sabendo do valor do retiro dentro de casa, na intimidade entre os membros da família. Aqui é como num verso de uma canção da nossa querida Alanis, recomendando que andemos nus dentro de casa, como na deliciosa sensação de nadar nu no mar.
Acima, Mulher com bebê. A nudez é totalmente inocente, pura, como em chafarizes com menininhos urinando na fonte, como uma certa majestosa fonte que há no Parque da Redenção, em Porto Alegre, ou como na fonte em frente à prefeitura da mesma cidade, em joias públicas, enriquecendo uma cidade, como nas aulas que recebi de Realidade Brasileira, sobre o estatuário público da urbe, em aulas dadas pelo meu amigo, o professor Arnoldo Doberstein, um dos membros fundadores do ICES, o Instituto Cultural Emilio Sessa, o qual divulga o trabalho deste pintor de origem italiana, inclusive um artista sobre o qual já falei no Blog desde 2915 por Gonçalo Mascia, sob o título Sessa Sensacional – veja lá! Neste quadro, em contraste com a nudez infantil, a mãe está totalmente vestida e pudica, como em imagens de Nossa Senhora, mostrando, no máximo, os pés nus, num símbolo de simplicidade, ao contrário da sexy Iemanjá, com um lindo decote, ancas fartas e cabelos negros sobre os ombros, com uma estrela na fronte, no orixá mais pop que existe, na magia das religiões afro, remetendo a um certo padre católico, o qual, definitivamente, desrespeitava a Umbanda, numa cabeça de uma criança de cinco anos de idade; num homem microscópico, sem nobreza, ao contrário do Papa Francisco, um homem que quer unir e não segregar. Mãe e filha aqui olham para o lado, numa perspectiva, distraindo-se, parecendo que mal sabem que estão sendo retratados. Aqui é um vínculo de intimidade sendo criado, na intimidade entre mãe e filha, com conversa de mulher, em assuntos de mulher, como em reuniões de mulheres, numa gritaria sem fim, numa identidade feminina, como quando minha mãe se encontra com suas irmãs, numa gritaria quase histérica, em assuntos femininos, numa identidade tão Yin, como no televisivo Saia Justa, do canal GNT, nas mulheres conversando, num momento de pleno prazer social, como na identidade feminina do filmão O Clube das Desquitadas, com mulheres se unindo para contornar todas as durezas patriarcais que desrespeitam a mulher, no triste modo como há mulheres que são machistas, como no machismo da mulher adquirir o sobrenome do marido, algo impensável para as feministas, as quais pensam contra os ventos do patriarcado, como certa vez numa viagem ao Oriente Médio de meu primo e sua filha, com este sendo abordado na Rua por um homem que queria, simplesmente, comprar tal filha – é um horror, como na canção Woman in Chains, da banda Tears for Fears, falando de uma mulher acorrentada, tratada como mercadoria. O abraço aqui são os zelos maternos, como no momento de “desmame”, em que a pessoa sai de casa para morar sozinha, sentindo falta de tais zelos, com uma mãe para manter uma casa limpa e organizada, abastecida de supermercado, com uma mãe para deixar a roupa limpa e em ordem. Neste quadro é como o antigo brinquedo dos “agarradinhos”, que eram bonequinhos que abraçavam, como num gesto de amor, em vínculos de Amor que sobrevivem para sempre, no incrível caminho da Eternidade, a qual é Deus: Jamais, meu irmão, jamais findaremos, num pode descomunal, estonteante. O cobertor aqui traz o calor do laranja, em cores quentes, ao contrário dos deprimentes invernos escandinavos, com seis meses inteiros de neve e luz cinzenta, causando altos níveis de depressão, num escandinavo sonhando com um verão carioca, havendo, em irônica contramão, o carioca que vai a Gramado exatamente para pegar um clima frio, serrano, e o Ser Humano é assim, sempre insatisfeito – se está no campo, quer ir para a cidade, e viceversa. Mãe e filha aqui são bem coradinhas e saudáveis, como no mórmon corado na embalagem de aveia, num alimento tão perfeito, nutritivo, nos zelos de uma mãe em alimentar bem o filho, dando de comer, desde cedo, nutritivas bananas, ricas em nutrientes, remetendo aos programas de culinária de Bela Gil, no canal GNT, mas uma chef a qual, neste momento, não está fazendo mais seus programas, o que é uma pena, pois que abandona a luta, some. Aqui, a criança tem um longo caminho pela frente, ao contrário de uma certa mãe, a qual perdeu, para o Câncer, sua filha de cinco anos de idade.
Referências bibliográficas:
Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.
Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.






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