Falo pela sexta e última vez sobre a pintora impressionista americana Mary Cassatt. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Mulher com colar de pérolas em um sofá. Aqui remete ao primor de produção A Época da Inocência, com cena de detalhes minuciosos, numa película em que tudo é excelente – elenco, direção de arte, figurinos etc. Aqui é um pomposo evento social, imitando os elegantes compromissos do Plano Superior, com salões lindos, cheios de pessoas polidas e bonitas, na vitória do fino sobre o grosso, no discernimento taoista, que só pode ser entendido de forma instintiva: Fraco é forte; forte é fraco. Aqui é um evento aristocrático, de luxo, como num belo baile de gala, com danças embaladas por uma orquestra, num baile de debutantes, nas palavras divertidas do ator José Wilker: “Baile de debutantes é programa de índio!”, no modo de jovens galãs serem contratados para participar de bailes, na fantasia pueril do príncipe encantado, do rapaz perfeito, como nas tietes histéricas com boybands, como os Backstreet Boys, ou como no fenômeno da banda portorriquenha Menudo, nas palavras de um certo senhor: “As boybands existirão enquanto existirem menininhas”. O leque aqui é o frescor, a ventilação, como numa mente arejada, como um digníssimo senhor que conheço, professor de Filosofia, uma pessoa que sempre tem algo de interessante para dizer, na questão do interior estar acima do exterior, como num filme de Woody Allen, conversando com um casal lindo na Rua, perguntando à mulher como esta era, e ela disse: “Sou vazia e obtusa, e não falo nada de interessante”, com o rapaz dizendo: “Eu sou como ela”. É como um certo rapaz que tem uma rotina excruciante de musculação, um senhor o qual, sinto em dizer, nada mais tem a mostrar para o Mundo, numa decepção quando chegamos perto demais de tais pessoas obtusas, como um rapaz que conheci, alto, atlético e belo, mas um rapaz que nada se tornou na Vida, revelando-se tão vazio por dentro, no modo como as aparências podem enganar, como uma certa popstar, a qual, em entrevista a uma jornalista brasileira, revelou-se não muito inteligente, decepcionando a entrevistadora. O corpo da moça é revelado sensualmente, mas sem vulgaridade, na beleza do corpo feminino, remetendo à revista Playboy brasileira, num nu de bom gosto, sem ser vulgar, numa revista que era apreciada até por homens gays, tal o bom gosto, em edições avassaladoras como no debut de Adriane Galisteu, ou como na edição de Marisa Orth, ao contrário de outra certa revista, num nu de gosto mais baixo, sinto em dizer, na linha divisória entre fino e vulgar. Um pomposo lustre de cristal adorna o salão, na magia de cores variadas, no ponto marcante do musical O Fantasma da Ópera, com o lustre quase caindo sobre a plateia, nesses musicais fenômenos de popularidade, sobrevivendo a décadas na Broadway, num mercado tão competitivo, com artistas concorrendo para levar um Tony Award, o Oscar do Teatro Novaiorquino, como no Tony de Barbra por Funny Girl, ganhando, depois, um Oscar, num talento esmagador, numa mulher que começou por baixo, bem por baixo, tornando-se lanterninha em teatros da famosa urbe, lembrando que, na Broadway, medíocres não têm vez – se você quiser conseguir um papel, você tem que ser excepcional, sendo ainda mais complicado levar um Tony, sendo, assim, considerado o excepcional dentre os excepcionais, ou seja, a pontinha da pontinha do “iceberg”. A moça sorri entretida, tendo levado horas para se arrumar para o evento, na magia do luxo de vestidos pomposos, em mulheres tão fascinadas por tais roupas, como uma senhora que conheço, uma mulher fashion, cheia de estilo e bom gosto, de um bom gosto tal que seu apartamento, a qual decorou sozinha, parece ter saído das páginas de uma revista internacional de Decoração, remetendo a outra senhora inteligentíssima, mas uma senhora que nada está fazendo de seus dias na Terra, o que é uma pena e um desperdício, como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no gato. Nesta cena podemos ouvir os aplausos esfuziantes da plateia, na dignidade do ator, como numa chuva de rosas no toureiro depois da tourada, ou como nos gladiadores em eventos romanos, no excelente filme O Gladiador, num homem que queria viver seus dias com simplicidade, em coisas gratuitas, como caminhar pelo campo e sentir nas mãos os ramos de arbustos.
Acima, Mulher e sua criança. Aqui a mãe está completamente retirada e discreta, na sabedoria de que há virtude na discrição, como sempre digo sobre a metáfora do camaleão – invisível para os predadores; invisível para as presas. A mãe aqui faz um sacrifício, retirando-se, num ditado que já ouvi: “O que é pouco, aparece; o que é muito, aborrece”, como maquiagem, por exemplo. A roupa rubra é o sangue em comum da mãe com o filho, na profunda intimidade, no feto tão dependente da mãe, na homenagem que fazemos no Dia das Mães, no dia em que homenageamos a pessoa sem a qual não estaríamos aqui, remetendo a um caso que conheço, de uma senhora em pleno Alzheimer, em demência, não mais podendo morar sozinha, com seu filho a colocando numa casa de acolhimento, num filho sem muito o que fazer a respeito, uma senhora que esperou demais, talvez esperando pela próxima encarnação, como eu gostaria de dizer a qualquer pessoa: A Vida é agora; o momento é agora. Força e coragem! Como no amor fracassado na supercomédia O Casamento de meu melhor amigo, numa mulher que esperou demais, perdendo o homem amado, esperando demais para dizer a este o quanto era amado, naqueles filmes de Julia Roberts nos quais saímos da sala de cinema de coração leve e alegre, numa Julia que desbrava instintivamente seu caminho, obtendo, naturalmente, este formidável efeito de nossa melhor amiga e confidente, na questão da pessoa ter o instinto para se vender bem, algo em que a pessoa tem que ser autodidata, como numa avassaladora Gisele, cheia de instinto, vendendo-se tão bem ao redor do Mundo, numa menina comum, que veio de uma família comum, de uma cidade comum; uma menina que se tornou a princesa do Brasil, incensada por veículos poderosos como a revista Veja, na noção taoista de que precisamos ser autodidatas, como um rapaz que conheci, o qual aprendeu a falar Inglês por si mesmo, sem precisar frequentar aulas devidas. O abraço aqui é o abraçar as responsabilidades, no encargo de se criar uma criancinha, numa vida tão onerosa, como disse certa vez uma mãe: “Dá trabalho, mas vale apena!”, remetendo aos orfanatos, com crianças que vieram ao Mundo sem um único sopro de família, como um rapaz paupérrimo que conheci, o qual tentara suicídio, abraçando sua religião, a Umbanda, decidindo se dedicar a esta, numa religião fascinante e vibrante, com a figura do Capa Preta, que é o Yang, o lado macho da Vida, na pessoa desbravando seus caminhos, como uma certa drag queen portoalegrense, a qual certa vez se candidatou a deputada estadual, no modo como todos temos o direito e aspirações, ambições, num indivíduo o qual já sofreu muito, muito preconceito e discriminação, dizendo sabiamente numa entrevista que vi no Youtube: “Se homossexualidade fosse opção, não haveria homossexuais, pois ninguém optaria por sofrer discriminação!”, havendo aqui a questão espírita, num espírito que planeja reencarnar como homossexual para que, assim, cresça enormemente na Terra, no caminho da mortificação, numa pessoa que para de pensar em bobagens e fica atenta somente ao que é importante e significativo, no caminho da limpeza comportamental, numa pessoa que sabe que tudo o que precisa fazer é se manter produtiva, no caminho taoista do “nada fazer”, apenas atento ao minimalismo limpo e impecável, no modo como e gênio faz parecer que nada faz, como no título do segundo álbum de Britney Spears: “Ops! Eu fiz de novo!”. O espelho aqui é a feminilidade, no mito do Narciso que se afogou, podendo haver muitas pessoas narcisistas, no caminho da arrogância, a qual precede a queda: Quem é humilde não toma no cu, com o perdão do termo chulo. Neste espelho, podemos ver a mãe, a qual se esforça para dar um tempo para se arrumar, mesmo com todo o encargo de responsabilidade, em desafios como incutir valores nobres na cabeça da criança, podendo haver lares homofóbicos, nos quais a criança é criada para crer que o heterossexual pertence a uma raça superior – é um horror. O abraço aqui é a amizade, numa mãe que nos conhece tão bem.
Acima, Mulher em pé com leque. Aqui temos toda uma ousadia impressionista, com pinceladas afoitas, formando tamanha moda, tamanha vogue em Paris, a cidade que nos enche de novidade e civilização. O leque é tal frescor de novidade, assim como o gótico foi suplantado pelo renascentista, o que remete a religião, o que remete ao falecimento deste grande homem que foi Papa Francisco, um homem bom, generoso, que queria unir o Mundo, construindo pontes, trazendo aqui um certo receio: O próximo Papa será mais reacionário? O leque é o garboso utensílio das mulheres elegantes, em épocas em que não havia ventilador ou ar condicionado, como nas escravas negras em ...E o vento levou, abanando leques grandes de plumas para refrescar a sesta das mulheres brancas ricas, num molde cultural semelhante ao brasileiro, com o preto pobre trabalhando para o branco rico, em sequelas sociais. A elegante dama ajeita seu vestido glamoroso, num sinal de poder e status, como nos anjos ajeitando o majestoso manto da Nossa Senhora de Caravaggio no templo de São Pelegrino, Caxias do Sul, um templo que é um museu de Arte Sacra, com o privilégio de ter uma rara réplica da Pietà de Michelangelo, na forte imagem da Via Sacra, num homem que tinha tudo para ser completamente esquecido e ignorado, no termo latino Verdade, a filha do tempo, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, num Jesus que ressuscitou na fé das pessoas, no poder do pensamento, o qual é superior à matéria, na vitória da virtude sobre a vulgaridade, pois cada um de nós tem que fazer algo de válido e produtivo de nossos dias aqui na Terra, ao contrário das pessoas que fazem do Sexo um leilão – você nada está construindo; você para lugar nenhum está indo, não desse jeito, como eu gostaria de dizer para esses rapazes que se prostituem, os michês: Vá ter um emprego decente, rapaz! É como na política gaúcha Nega Diaba, que Deus a tenha, a qual, antes de despontar na política, abraçou um fundo de poço em sua vida, tendo sido prostituta e presidiária, um espírito que veio, enfrentou a vicissitude, cumpriu sua missão e foi-se de volta ao Grande Lar Metafísico, ao qual todos pertencemos, sem uma única exceção, ou seja, príncipes filhos do mesmo Pai Supremo Rei, num Deus que tem um plano divino e inenarrável para conosco, como um pai orgulhoso na formatura do filho. O vestido é a moda e a feminilidade, na menininha que sonha em ter vestidos pomposos e elegantes, como nessas cerimônias de premiação, como o Oscar ou o Globo de Ouro, na competição para ver qual porta o vestido mais estonteante, na inevitável competitividade da Vida em Sociedade, pois desde pequeninhos, no Ensino Fundamental, os alunos competem para ver qual é o maior queridinho da professora, como uma amiga minha, a qual era esta “darling” da professora, mas uma menininha que, no fundo, não se identificava com aquilo, querendo ousar e aventurar-se pela vida, sem os encargos e obrigações de ser a melhor no boletim de notas, na saudável questão de mostrarmos o dedo do meio ao Mundo – não suporto mais não ser senhor de minha própria vida! Aqui remete aos figurinos do filmão A Época da Inocência, numa época pré Chanel, a qual libertou a mulher em uma revolução estilística, numa coragem transgressora, como a própria revolução impressionista de Cassatt, no corte de cabelo Chanel, ou no conceito das mulheres poderem usar calças, vestes antes destinadas somente a homens, no modo como uma sociedade só pode evoluir a partir da transgressão de alguns de seus membros, nos sonhadores que acordam a nação. Aqui são eras complicadas, fazendo-nos imaginar o trabalho que era uma mulher ir ao banheiro, arriar o vestido longo e fazer, assim, as necessidades fisiológicas, na evolução da Humanidade, trazendo tempos mais práticos e modernos, num galgar absurdo de tecnologia, como sofisticadas sondas espaciais enviadas para pesquisa, na prova do intelecto humano, como no início do clássico 2001, no primata usando um pedaço de osso como utensílio para abater animais, em pontos decisivos como a invenção da Roda, no valor da preguiça: Porque carregar nos braços de posso transportar numa carroça?
Acima, Mulher se banhando. Sinceramente, não creio que este quadro seja de Cassatt, por fugir do pincel impressionista da artista – tudo culpa da referência bibliográfica, sinto em dizer. Mas não deixa de ser um quadro interessante, ou seja, analisá-lo-ei, ok? Aqui é um momento de alta intimidade, no momento do ritual do banho, algo revigorante, como desencarnar e tomar um bom banho num banheiro bem ensolarado, na magia de uma manhã de luz, na simplicidade, a qual é o mais elevado grau de sofisticação, segundo da Vinci, o maior artista de todos os tempos, na decepção de quem vai ao Louvre e vê que a ultracélebre Monalisa é um quadro pequenino, na prova de que tamanho não é documento, como um certo senhor de alta estatura, o qual acreditava que se tornaria o impávido colosso do Mundo, um senhor um tanto metido, arrogantezinho, e a arrogância precede a queda. Aqui remete a desenhos japoneses, no fascínio exercido no Art Nouveau, com linhas de plantas, vegetais, como num vinhedo, nas forças da Natureza, na ilusão da vida material, na ideia de que tudo gira em torno do metafísico, como na existência da Medicina, a qual visa curar males, girando em torno do Plano Superior, no qual estamos livres de toda e qualquer vicissitude da Saúde, numa vida espiritual que é a glória, num lugar em que temos que nos manter ativos e operantes, um lugar onde não há o fantasma do desemprego, na inevitável pergunta que fazemos aos nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. É a seriedade da Vida, uma seriedade que se desenrola antes ou depois do Desencarne, pois até Tao está sempre trabalhando, criando, deixando-nos perplexos frente a tamanha perfeição, nos segredos do Universo que desafiam os físicos, na sede por conhecimento, num Cosmos tão, mas tão vasto, muito além da pequena compreensão humana. O espelho é a reflexão existencial: Qual é o meu caminho e quem sou? A nudez é a simplicidade, como numa inocente praia de nudismo, num lugar onde não impera a serpente da malícia, em lugares na Terra que são cópias fiéis do Éden, mas apenas cópias, como comparar flores naturais com flores de plásticos, e as conveniências mundanas do dinheiro são só cópias de tal plenitude, como uma certa senhora infeliz, a qual faz parte de uma família de realeza, uma senhora que, apesar de ser sangue azul real por meio de casamento, sente-se bebendo um vinho de mesa, de baixa qualidade, apesar de parecer que bebe vinhos finíssimos, abrindo aqui uma metáfora enológica, na questão seguinte: Você não faz ideia da miséria dentro de pessoas que são consideradas felizes na Terra, ou seja, os ganhadores da loteria, numa vida desolada, como um certo senhor ganhador na loteria, o qual começou a se cercar de pessoas interesseiras, as quais só queriam dinheiro, muito, muito além do amigo de verdade, o qual nos ama incondicionalmente, no Amor leve e desapegado, como uma certa moça já desencarnada, com a qual nunca me relacionei intensamente na Terra, mas uma pessoa a qual guardo como amiga para sempre, na sabedoria de Hebe Camargo: “Em amizade não pode haver cobrança!”, ou seja, amar pelo prazer de amar, amando nossos irmãos sofredores que vagam pelo Umbral, a dimensão da desolação, da sujeira e da escuridão. O jarro é tal receptáculo feminino, no útero fértil, nesse sumo poder que a mulher tem em trazer Vida ao Mundo, havendo então uma compensação no patriarca, dotando os homens de poderes frente ao poder biológico feminino, fazendo do patriarcado algo tão universal, como na figura do cacique amazônico, em manifestos como Papa don’t preach de Madonna, ou seja, papai cale a boca, na noção feminista de libertar a mulher dos laços tiranos patriarcais, como na figura do macho alfa, ou no Rei Leão da selva, ou na figura masculina de Tarzan, o machão que rege a floresta, nesta sede humana por poder, na sede do Anel do Poder de Tolkien, em homens que nunca estão felizes dentro de seus próprios reinos, como no imperialismo romano, ou no antigo imperialismo egípcio, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, no lema infeliz do Homem: Se não gostarem, force! É ao contrário da hierarquia espiritual, a qual gira em torno do Amor leve e incondicional, ao ponto do espírito fazer questão de obedecer seus irmãos depurados e finos.
Acima, No camarote. A diversão do flerte em eventos sociais, como no flerte em missas, no adolescente que deixa de ser criança para abraçar a vida social, no caminho natural da pessoa se desinteressar pelos brinquedos, como a senhora minha mãe ao me dizer num certo momento: “Vamos guardar teus brinquedos numa caixa?”, no momento da chegada à maturidade sexual, nas imponentes palavras de Marta Suplicy certa vez a uma plateia de adolescentes: “A Adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, na missão da Sexologia de neutralizar malícias sobre Sexo, na simples questão de que Deus não pode se envergonhar de algo que Ele mesmo inventou, no modo como sexo e sexualidade não deixam de ser engraçados, nas palavras de uma Elke Maravilha já na terceira idade: “Você não sente mais tesão na perereca! É uma libertação!”. O binóculo aqui é usado para tal flerte, na moça visualizando os rapazes mais bonitos no teatro, remetendo à triste história de um homem belo, o qual, na Adolescência, era o queridinho das meninas, num rapaz muito bonito e galã, um homem o qual recentemente cometeu suicídio, não conseguindo arcar com a Vida e as vicissitudes desta, havendo no Umbral o Vale dos Suicidas, no modo como o suicídio traz muitos problemas a quem desencarna deste modo violento e infeliz, pois a Vida, em sua importância de didatismo espiritual, não pode ser desvalorizada, e uma vida na Terra é tal “faculdade”, a qual, em sua dureza, faz de nós pessoas melhores, visto que o crescimento e a depuração moral são o sentido da Vida, pois o suicídio é como interromper uma faculdade muito antes da formatura, por assim dizer. A luz entra suave no quadro, no talento de Cassatt, na prova antimisógina de que o talento não tem gênero, remetendo a uma certa popstar, a qual sofre muita reprovação exatamente porque não é homem, na coragem feminista de ir contra os poderosos ventos do patriarcado, numa prisão que não pode ser vista ou cheirada. As moçoilas aqui são a juventude, na época da Vida em que não tenho lá muita sabedoria, sendo maravilhoso o momento em que o juízo entra em nossas vidas, no modo como a Vida vai nos cobrando muito no sentido da responsabilidade, e Deus do Céu: Como eu era irresponsável em minha adolescência! É a questão de não idealizar um passado que não foi tão ideal assim, como uma certa pessoa melancólica, a qual está vivendo no passado, vivendo num passado que não foi tão majestoso assim: É para frente que se anda, amigo! As luvas são a elegância, o garbo, em um momento extraordinário, social, pomposo, num baile de gala em que todos se esforçam para ter a melhor aparência possível, no fervo da juventude, numa época que tem que ser vivida e, depois, deixada par atrás, abraçando uma vida mais sossegada, remetendo a pessoas mais velhas, as quais fervem na boemia porque não o fizeram antes na Vida. As meninas aqui são a amizade e a intimidade, num nível de intimidade em que ambas passam a menstruar na mesma época, nas dores de cólicas, como não me canso de dizer: Como é duro ser mulher! O salão está cheio, numa peça ou ópera prestigiada, na magia do teatro, do palco, com a cortina sendo aberta e revelando a mente do diretor, como certa vez numa peça com Dercy Gonçalves, quando a plateia começou a cobrar o início imediato da peça, e Dercy disse, com a cabeça entre as cortinas, gritou: “Já vai, porra!”, no poder do riso e da irreverência. Podemos ouvir aqui o burburinho na plateia, em salões imponentes como numa entrega do Oscar, a estatueta que todos querem levar para casa, na questão complicada do sucesso mundano: Quando atinjo o doce momento de sucesso, tenho que saber sobreviver e continuar tocando a vida para frente, como num artista tendo que sobreviver a um doce e dourado Oscar.
Referências bibliográficas:
Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.
Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.





Nenhum comentário:
Postar um comentário