quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Bom Bo (Parte 5 de 28)

 

 

Falo pela quinta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Radio Flyer. A menina está sendo sustentada, guiada, como na criança no banco de trás do carro, no ritual machista no casamento, com a moça passando das mãos do pai para as mãos do marido, no machismo da mulher adotar o sobrenome do marido, na mulher sempre num nível abaixo do homem, como na figura tradicional do casal heterossexual, com ela sempre mais baixinha do que ele. O carrinho é como o trenó Rosebud em Cidadão Kane, numa época de doce infância em que a vida era mais simples, na simplicidade da vida de criança, só tendo que estudar e brincar, no modo como desde cedo a criança sente o peso da responsabilidade, de ir bem nos estudos, como minha querida irmã, sempre estudiosa, sempre indo bem nos estudos, gostando de estudar, conquistando colocação excelente no vestibular, ao contrário de mim (!), sempre indo meio mal nos estudos, tendo que ter aulas particulares de reforço, pois eu não era burro; era simplesmente indisciplinado, pois hoje, se eu pudesse voltar atrás, eu seria mais estudioso, no sentimento de realização que é passar de ano, ou como se formar numa faculdade, fechando um ciclo, pegando o valioso diploma, numa transa com orgasmo, com o perdão do termo sexual. A situação deliciosa da menina é como estudar, que é algo delicioso, num esforço para dar orgulho ao professor, fazendo muito bem feitos os trabalhos exigidos, crescendo, com professores bons, que valem cada centavo da mensalidade, ao contrário dos professores medíocres, os quais não nos marcam muito bem, num sentimento de desperdício de dinheiro, nesse périplo de esforço que é frequentar o campus, pegando inúmeras conduções para ir e voltar. A menininha é bem jovem, e ainda não tem como trabalhar, sendo sustentada pelo pai, nascendo e crescendo acostumada com tais regalias, num lar abastado, talvez num pai herói e trabalhador, como o senhor meu pai, um homem que sempre trabalhou de Sol e Sol para prover um ótimo nível de vida à família, como outro certo senhor, trabalhando muito para prover a família, num sisudo peso de responsabilidade, no desafio de manter uma casa em ordem, mostrando às crianças quem é que manda ali dentro, na questão da hierarquia dentro do lar, participando da criação da criança, incutindo valores nobres da cabecinha, no desafio de criar psiquicamente, no sentido da virtude e do bem, da dignidade, da nobreza, mostrando como é covarde aquele que bate nos mais fracos, como no sociopata, iniciando desde cedo a carreira criminosa, maltratando os coleguinhas na escola, tolhido, é claro, pelos professores, um sociopata que veste uma máscara e leva uma vida dupla, no lobo vestido de cordeiro, tornando-se um vampiro, sugando almas. As rodas são o passar do tempo, nos processos se desenrolando, no modo como tudo é processo, e a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, no descomunal presente que é a Vida Eterna, na perspectiva de que jamais findaremos. Ao fundo no quadro vemos uma casinha, que é o refúgio do lar, do lar seguro, no modo como a criança, no fundo, gosta de receber ordens e limites, pois estes dão a sensação de invólucro e proteção, como uma certa senhora psicóloga, dando rígidos limites aos filhos dentro de casa, colocando ordem na casa, nos usuais berros de mãe dentro de casa, como no fim do dia, mandando os filhos para o banho, colocando ordem no caos, no desafio enorme que é manter uma casa em ordem. Aqui são essas cenas ao ar livre tão comuns para Bartlett, na delícia do ar puro, do campo, da praia, na noção taoista de que os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, luxuriantes, incríveis, na noção ecologista de que temos que dar ouvidos aos ecologistas, pois a Terra é nosso único lar, pois, fora da Terra, o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano, como na insuportável superfície de Vênus, com calor extratórrido, pressão atmosférica esmagadora, vulcanismo e chuvas de ácido sulfúrico. O pai aqui é tal figura provedora, sustentando uma casa, deixando bem claro quem é o chefe da família, na questão da mesada, com a criança tendo que saber administrar o dinheiro, acostumando desde cedo a criança com a noção de que, se ela trabalhar, terá seu dinheiro. O carrinho é o lugar da criança no Mundo.

 


Acima, Recinto de feiras. O senhor é o garbo e a elegância, como um certo colunista social portoalegrense numa famosa via da cidade, muito elegante, com uma vistosa flor na lapela do terno, talvez dando-a à moça mais elegante que passasse pela via, nessas pessoas com autoestima, que se arrumam antes de sair de casa, como no ato de autoestima que é se perfumar, agradando os outros com o odor fino, na magia do mundo das fragrâncias, remetendo a um certo senhor malicioso, o qual usava perfume de senhoras, talvez por achar isso chic e sofisticado – o que você me diria de um senhor que cheira a Chanel número Cinco? Posso ser perfumado e, ainda assim, homem. A bicicleta é o trabalho, a ergonomia, como uma esteira de caminhar em academias, nesse ato tão monótono que é puxar ferro em academia, como disse certa vez um certo senhor fisiculturista: Vida de fisiculturista é sofrimento, pois puxar ferro é algo doloroso, numa pessoa que paga um preço alto por ter corpão – por fora, está tudo bem; vamos ver por dentro! Ao fundo a magia infantil dos parques de diversão, no complexo deslumbrante de parques temáticos de Orlando, EUA, numa experiência marcante, num lugar em que adultos viram crianças novamente, em brinquedos que mexem profundamente com nossa emoção, como num simulador de voo de Star Wars, na sensação de que estamos dentro do filme, no marketing ardiloso dos americanos, pois quando saímos emocionados do simulador, excitados com a experiência, desembocamos diretamente numa loja souvenir de Star Wars, e, no calor do momento, fazemos compras por impulso, coisas as quais, de cabeça fria, não compraríamos, como no Hard Rock Café, pois, para acessarmos o restaurante, temos que fazer um itinerário por uma gift shop, no talento capitalista de saber vender, nos apelos da sociedade de consumo: Tenho que trabalhar feito um “burro de carga” para produzir capital e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, como um celular, um carro, uma joia etc. A roda gigante é o ciclo do tempo e da vida, nos ciclos que se fecham, como no ciclo de um dia ordinário de trabalho, no retorno ao lar, remetendo a um certo senhor, o qual era um homem que tinha um lar, e sua esposa, ao querer se separar dele, arrancou dele tal lar, deixando-o “nu com a mão no bolso”, uma esposa que se mostrou uma filha da puta, com o perdão do termo chulo. O circo é a magia passageira, pois chega um ponto em que o circo levanta a lona e vai embora, como me disse a senhora minha mãe, a qual, ao ver que eu estava deslumbrado em relação a algo, ela me disse para eu não me guiar por sinais auspiciosos, pois o circo levanta a lona e vai embora. O circo é o ponto de rompimento na vida de Dercy Gonçalves, a qual, muito jovem, fugiu de casa para se juntar a uma trupe circense, num espírito mambembe, como popstars com suas turnês mundiais, na magia circense, como no deslumbrante Cirque du Soleil, e como o circo brilha! Aqui remete a um documentário que mostrava o Ônibus do Sexo, que era uma trupe que viajava pelo Brasil para fazer espetáculos pornôs, com sexo no palco, na dona do veículo dizendo ao jornalista: “Sexo é vida! Este é o Ônibus do Sexo! Este é o Ônibus da Vida!”. A cartola remete a passadas eras em que os cavalheiros eram tão garbosos, como na posse de Winston Churchill, frente a uma Elizabeth II recém entronada, uma tímida menina que tanto aprendeu com o grande e célebre estadista, num peso de responsabilidades, como na sina do filho mais velho, que é ajudar a criar os filhos mais jovens, numa criança sentindo desde cedo tal peso. O homem olha hesitante para o circo, e não sabe se vai, talvez resistindo a sinais auspiciosos. O homem é a necessidade da atividade física, na importância do desporto, estimulando uma criança a se interessar por um esporte, como me dizia a senhora minha mãe: “Quero te ver na Rua praticando esporte!”. Mas o que acontece é que alguns têm perfil atlético; outros, nem tanto. É como um menino de minha família, esportista desde pequeno, gostando de todos os tipos de esporte. O circo é um ponto de vida e oásis num campo tão desolado e solitário.

 


Acima, Refugiados. Aqui são pobres diabos sofredores que entram em embarcações perigosas, sem coletes salvavidas, para tentar entrar em território europeu, fugindo de sistemas opressores, como na recente evacuação de Gaza, na “beleza” das guerras, que é deixar rastros de fome e destruição, arrancando pessoas de suas casas, na eterna inclinação humana para a crueldade, subestimando sempre a mensagem cristã de amor para com o semelhante. Aqui, apenas a mulher tem o privilégio de colete salvavidas, segurando uma inocente criança que não faz ideia do contexto social no qual nasceu, em pais que querem um futuro melhor para os filhos. O colete é a proteção, a segurança e o resguardo, como no protetor solar ou os óculos escuros, num ato de autopreservação, como num líder de Tao, guiando seu povo, como se estivesse cruzando um rio, sabendo que ali há perigo, numa cautela sábia, sabendo que não deve subestimar a seriedade da situação. Aqui remete a um fenômeno migratório que está acontecendo em Caxias do Sul, com pessoas de várias partes do Mundo indo à cidade em busca de oportunidades e trabalho, como africanos, venezuelanos, peruanos, colombianos etc., numa cidade babilônica cheia de diversidade, pois, atualmente, apenas 30% dos moradores são descendentes de italianos, ao contrário de municípios como Antônio Prado, com mais de 90% do moradores com ascendência itálica. O azul marinho é a discrição e a elegância, na cor de ternos discretos de senhores em Brasília, na figura transgressora de um Clodovil, entrando no Congresso com seus modelitos ousados, um Clodovil que não era uma pessoa muito fácil, com uma personalidade explosiva, muitas vezes comprando indisposições, um homem que trilhou seu próprio caminho, indo de estilista a apresentador televisivo e político, muito bem votado, diga-se de passagem, no modo como as mulheres adoram os gays, como no caso da reeleição de Eduardo Leite, votado massivamente pela mulherada e, assim, cometendo a façanha de ser o primeiro governador do RS a se reeleger. Os homens viris aqui são jovens, cheios de força para trabalhar, dispostos a trabalhar, sonhando em ter casa própria, uma vida digna e decente, algo impossível em seus países de origem, remetendo à política antiimigração de Trump, tratando os imigrantes ilegais da forma mais grossa e estúpida possível – nada explica a selvageria, pois posso ser firme e, ainda assim, gentil, ou seja, nota zero para os truculentos. Podemos sentir aqui as ondulações, como no romance Moby Dick, num ponto em que sentimos a ondulação da embarcação, no talento de escritores em nos prender em suas páginas, como no formidável Luis Fernando Veríssimo, que Deus o tenha, o meu escritor preferido, genial, engraçado, um mestre no ofício, em crônicas tão engraçadas, um homem que, ao escrever, expressava-se muito bem. O barco branco é o clamor por paz, como na fita amarrada na cabeça de um dos homens, em pessoas clamando por paz, deixando para trás as guerras e os sofrimentos, como no imigrante italiano no RS, deixando para trás uma Itália de fome e dificuldades. Os homens sem camisa são a simplicidade, na sensação de liberdade de tirar a camisa ao ar livre, como fazer esporte na beira da praia, em cidades tão deslumbrantes como o Rio, numa mescla sedutora entre urbe e natureza, como já ouvi dizer que os cariocas não gostam de dias nublados, como me disse um certa senhora radicada na cidade: Fora dos meses de calor extrassenegalês do verão carioca, o Rio é uma delícia de cidade, seduzindo pessoas de todas as partes do Mundo, uma cidade bela e complicada, nos versos de Fernanda Abreu: “Rio quarenta graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos!”. É como o Brasil: Grande, majestoso e complicado. O destino aqui é incerto, e não se sabe o futuro dessas pessoas, com o risco da embarcação naufragar e matar os passageiros, inclusive o bebê, como na cena impactante de Titanic, com os cadáveres congelados boiando, inclusive com uma mãe com o bebê. O barco é pontiagudo e altivo, desbravador, com pessoas desbravando uma chance de vida.

 


Acima, Reino dos términos. O globo é a grandiosidade do Mundo, nas relações internacionais, na diplomacia, nos esforços de paz da ONU, sempre primando pela conversa cortês, no cavalheirismo no fio do bigode, como em Brasília, a cidade das embaixadas, uma cidade cosmopolita, aberta ao Mundo, com pessoas de todos os cantos do Mundo, na necessidade do respeito mútuo, remetendo à truculência de um Trump, insultando a soberania brasileira, tudo para proteger um amigo. A avô e o netinho são a passagem do tempo, nos laços de família, no modo como sentimos falta dos avós tempos depois destes se irem, nossos entes queridos que nos esperam lá em cima, na imortalidade dos laços de amor e de família, no modo como sempre teremos família, mesmo depois do Desencarne, na imortalidade do amor, a força que mantém coesas as pessoas, no modo como as amizades sobrevivem ao tempo, e uma maravilha isso significa, pois amor é paz, e a paz é eterna, sendo maior do que a raiva, pois todo e qualquer desentendimento está fadada danação, na noção taoista de que tudo acaba se resolvendo por si, como folhas de um plátano caídas, naturalmente varridas pelo vento. O globo é o ponto de guinada no conhecimento humano, ao sabermos que o Mundo é redondo, nas ambições de um Colombo em sair da Europa para chegar ao leste da Índia, não sabendo que encontraria o continente americano, na agressividade do homem europeu, dizimando os indígenas, sugando ouro e pedras preciosas, como no caso do Brasil, sugando as riquezas de Minas Gerais, como nas pedras africanas na coroa imperial britânica: Como são ricos, e roubaram tudo dos pobres! O Mundo é a totalidade, como na Indústria Fonográfica Mundial, lançando seus artistas Mundo afora, com artistas de grande popularidade, com fãs nos quatro cantos do Mundo, como numa Whitney Houston, a qual conheceu o céu e o inferno, com sua voz devastada pelas drogas, essas porcarias que devastam vidas e carreiras, como nos infelizes em aeroportos, sendo pegos com drogas, indo para a prisão em um crime inafiançável, na sofisticação do Narcotráfico para burlar a fiscalização, como esconder drogas em caminhões que aparentemente transportam somente soja ou milho. O netinho aqui tem muito o que aprender, e o senhor é a experiência e a sabedoria, sabendo que toda uma vida espera pelo menino, no porvir que este enfrentará com galhardia, nos inevitáveis percalços, os quais servem para nos desafiar e nos fazer crescer, pois o crescimento e a depuração são os sentidos da Vida, não havendo sentido numa vida sem vicissitudes, pois ninguém está no Mundo à toa. A bengala é o indicativo da idade, num apoio e num respaldo, causando controvérsia a placa indicativa para idosos, com uma pessoa curvada, com uma bengala, uma imagem considerada ofensiva, pois há muitos idosos que não usam bengala, remetendo à simpática Rainha Mãe da Inglaterra, usando duas bengalas, uma senhora amada pelo povo, uma senhora sempre sorrindo – como não gostar de uma senhora assim? O senhor aqui tem coisas a ensinar ao neto, e não tem muitos e muitos anos de vida pela frente, na inevitabilidade do óbito, e a diferença reside no que decidimos fazer de nossos dias de cárcere aqui na Terra: Uns levam uma vida nobre e produtiva; outros, nem tanto. O trabalho é sempre necessário, pois faz parte da construção da grande carreira espiritual, na necessidade de se continuar trabalhando no Plano Superior, pois até Tao trabalha sempre, nos trabalhos do Gênesis, com o descanso no sétimo dia, no incrível caminho da Eternidade, da qual não é possível se falar. O menino é a inocência, na doce idade em que cremos que de fato existem super heróis, numa época simples da Vida, em que trazemos todo um residual do Plano Superior, na inocência infantil de não se compreender as picuinhas do mundo dos adultos, como na época doce do trenó Rosebud em Cidadão Kane, remetendo ao rompimento na vida de um certo senhor, arrancado de seu lar primordial para viver com a avó, num menino que desde cedo se viu forçado a se tornar homem.

 


Acima, Ressurge e renasce. Que quadro arrebatador. Aqui é toda uma identidade feminina, numa relação de intimidade, como num grupo de lésbicas, fechadas aos homens. Os corpos são voluptuosos, belos, em modelos em ateliês de artistas, como em aulas de nu artístico, como em cursos de pinturas, com revistas de nu, na beleza do corpo feminino. Num detalhe aqui, um bebê num útero, na relação de intimidade entre mãe e filho, na comida compartilhada da mãe para o filho, no ato materno de dedicação, sempre fazendo tudo pelo filho, no termo popular de que ser mãe é padecer no paraíso! Todas aqui dormem, inconscientes, como no bebê, de olhos fechados, só os abrindo tempos depois de nascer, no conforto uterino, silencioso, quentinho, no choque que é vir ao Mundo, não mais respirando o líquido amniótico, respirando ar e dando o primeiro choro, no rompimento que é cortar o cordão umbilical, como uma pessoa saindo debaixo da asa dos pais, autossustentando-se, como num filme com o astro River Phoenix, um rapaz farto de ser menino, querendo ser homem, na diferença entre homens e meninos. Os fartos seios são a amamentação, o leite que nutre o filhote mamífero, como certa vez tive uma cachorrinha que deu ninhada, amamentando as crias, sofrendo, assim, de desnutrição, com o pelo caindo, e tive que dar suplemento alimentar à cachorra, tal e dedicação dela aos filhotes, como certa vez uma senhora mãe, dando cheques em branco ao filho, num ato de dedicação, em matriarcas como a rainha Vitória, dizendo ao filho, em filme com a deusa Judy Dench: “Eu te alimentei com meu leite, e não vou tolerar meu próprio filho conspirando contra mim!”, numa monarca que sofreu de útero caído, tal a dedicação ao parir todos os filhos. Aqui temos uma continuidade, na intimidade de irmãs numa família, como disse uma certa senhora, a qual desejava muito ter uma irmã, para compartilhar coisas com essa irmã, como roupas, acessórios, maquiagens e esmaltes, chegando ao ponto de, ainda criança, vestir de mulher o próprio irmão, dizendo a este: “Hoje você vai ser minha irmã!”. Aqui é como um tronco de árvore, fluindo com toda sua força, como em árvores em calçadas, com suas fortes raízes distorcendo a calçada, na força da Natureza, em artistas que viram forças da Natureza, arrebatando multidões, como em trabalhos premiados com o cobiçado Oscar, numa Academia que adora atores que se desfiguram para um papel, abrindo mão da vaidade, no modo como ator bom é ator que desaparece perante o personagem, como numa Meryl Streep – quando a vemos, vemos o personagem, e não a atriz. Aqui, nessa fluidez, temos toda uma sensualidade, num rio correndo naturalmente, num processo se desdobrando naturalmente, como num processo judicial, correndo naturalmente, na sabedoria dialética de que tudo é processo, como na evolução espiritual, sempre fluindo e transformando-se, em pontos de renovação na vida, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um ponto de renovação na vida da pessoa, como numa paixão, trazendo todo um refôlego a uma vida, na magia da intimidade que vemos neste quadro, como num grupo de amigas, uma patota, num grupo com suas próprias regras e normas, no caminho da identificação, pois você pode observar: Num grupo de adolescentes, todos no grupo de vestem mais ou menos da mesa maneira, punindo aquele que destoa, como eu certa vez, rejeitado por um grupo de amigos, os quais resolveram me “colocar na geladeira”, por assim dizer, e, hoje, pouco me importo, e tal grupo que vá à merda, com o perdão do termo chulo. Aqui temos uma sinuosidade e uma fertilidade de serpente, pois em certas culturas as serpentes não eram vistas como más, mas como férteis, numa Britney Spears certa vez num palco, com uma enorme cobra alva, ou como certa vez na campanha publicitária da Festa da Maçã do município gaúcho de Veranópolis, com as soberanas com uma maçã rubra e uma vistosa cobra entre elas, remetendo à serpente do Éden, o ponto de derrocada da Humanidade, numa campanha ousada e inusitada, ao contrário das campanhas de outras festas comunitárias, campanhas meio medíocres, sem verve, com clichês.

 


Acima, Saindo. Aqui, o homem pesa mais do que a mulher, no método patriarcal de tolher a sexualidade feminina, como no pai quando nasce a menina: “Esta eu vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, ao contrário de quando nasce o menino: “Esse vai ser o maior comedor de bocetas do Mundo!”, como o perdão do termo chulo. No barco vemos uma rede de pesca, no trabalho de se extraírem os frutos do mar, como na Lagoa da Conceição em Floripa, na pesca do camarão, essa iguaria tão deliciosa, porém cara. A rede é como a teia de aranha, na posição passiva de construir a teia e esperar que ali caia uma mosquinha desavisada, como na atitude do sociopata, esperando que a vítima se aproxime, no modo como um sociopata pode nos seduzir se nos deixarmos guiar pelo coração, pois quando ouvimos a cabeça, ficamos imunes ao sociopata, pois é o uso do pensamento racional, como um certo sedutor sociopata, do qual não vou me aproximar pelo Facebook, um sociopata tão belo, no termo popular: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. O homem aqui é o encargo e a responsabilidade, guiando o barco, na figura do caminhoneiro, esse trabalho tão dominado por homens, como no trabalho de taxista ou uber, no modo como certa vez, em Porto Alegre, vi uma taxista mulher, algo bem raro, no caminho feminista de igualdade de gênero, numa mulher que pode se sair tão bem quanto qualquer homem, como na figura da rainha egípcia Hatshepsut, a qual se impôs num Egito de homens, autonomeando-se o próximo faraó após a morte do próprio marido faraó, uma líder que se revelou muito competente, tocando obras ambiciosas, usando, em público, um cavanhaque trançado postiço, a marca registrada dos faraós, uma mulher que obteve tanto poder num lugar de homens, no machismo do faraó ter um harém cheio de esposas: Se é um homem com muitas mulheres, pode; se é uma mulher com vários homens, não pode. O mar aqui é escuro, misterioso, imprevisível, no modo como as coisas nunca acontecem exatamente do jeitinho que imaginávamos, pois se acontecessem, não teria graça! É como num artista sonhando em se tornar um grande astro, ambicionando, fazendo de Hollywood tal terra de sonhos e mais sonhos despedaçados, frustrados, numa terra de prostração, numa atroz competitividade, com muitos pretendentes para poucas vagas de trabalho, como vivenciei certa vez em Porto Alegre o competitivo mercado de modelos, remetendo à força de uma Gisele, sobrevivendo àquilo tudo e conseguindo se sobressair, como disse uma certa senhora: “Dos fracos, a história nada conta!”. O bote está ereto, com tesão de viver e de batalhar, num surfista desafiado por ondas grandes, prostrado perante um mar sem ondas, remetendo a uma certa senhora, deprimida, prostrada há muitos anos, há mais de década, uma pessoa que um dia teve muita produtividade, conquistando o respeito de professores exigentes, numa pessoa hoje de “pau mole”, por assim dizer, e estou me perguntando se um dia ela deixará este mimimi para trás, pois, enquanto isso, sua vida está passando, e isso é muito sério. O homem de preto é o luto e a discrição, numa pessoa que sabe do valor da discrição, como certa vez um certo senhor, punindo severamente outro senhor indiscreto, na figura da discrição do camaleão, preservando-se, assumindo a cor do ambiente, numa invisibilidade. O rosa da moça é a feminilidade, e ela se deixa levar pelo homem, seguindo este, na posição passiva de mãe, esposa e dona de casa, sem carreira, como uma certa senhora, abandonando a carreira para se tornar anônima, na sombra de um homem, e isso não é bom, pois ser dona de casa não traz identidade, como uma Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para abraçar uma enfadonha vida de princesa, aderindo a uma seita para lá de suspeita – é triste. A figura viril remete à famosa Estátua do Laçador na entrada de Porto Alegre, como um rei vislumbrando seu reino, numa figura altiva, como na altivez gaúcha nos festejos farroupilhas, a tragédia que fundou o RS.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Bom Bo (Parte 4 de 28)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Saudade. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é o pincel de Bo falando sobre o pincel do modelo no quadro, em ironias como atriz interpretando atriz, como a deusa Goldie Hawn em uma certa excelente comédia dos anos 1990, uma atriz que simplesmente reina na película, brilhando. Ao fundo vemos nuvens negras, de maldades, na cor preta do Umbral, como uma certa findada casa noturna, escura, atroz, miserável, um antro de submundo, com pessoas se arrastando por ali, sofrendo, numa cópia fiel do Umbral, um antro de vícios, como cocaína, destruindo vidas, como um certo senhor sequelado pelas drogas, condenado a viver o resto de seus anos de vida preso numa clínica psiquiátrica, ou seja, deprimente, no modo como as drogas devastaram a voz de Houston, ou como as drogas ceifaram tão cedo a vida de Elis. Ao fundo parecem cruéis explosões de ataques bélicos, no talento humano de irmão matar irmão, fugindo do aconselhamento cristão: Amai-vos uns aos outros, resultando bem pelo contrário: Devorai-vos uns aos outros, no modo como o Ser Humano pode ser tão cruel, como nas cruéis fogueiras da Contarreforma de Mary Tudor, executando pessoas da forma mais cruel possível, uma Mary infeliz, um espírito o qual, ao desencarnar, não tem outro lugar para ir senão o Umbral, a dimensão dos que não querem ter uma vida positiva e produtiva. A mulher está em pé e atenta, olhando ao longe, avistando as fumaças negras agourentas, em países mandando armas para países aliados, ou seja, alimentando ainda mais as guerras, na crueldade do serviço militar, arrancando uma pessoa do lar desta, num quartel que não é, definitivamente, uma casa, um lar, numa experiência sequelante, num rapaz que, ao voltar do serviço militar, não consegue se ressocializar completamente. Aqui é um doce dia de verão, numa delícia de liberdade ao ar livre, na paixão de Bo pela orla, pela sensação de liberdade da beiramar, na sensação gloriosa de, ao se chegar no litoral, tirar os calçados e calças simples chinelos, no modo como a Vida é boa quando é simples, em aspectos de simplicidade, gratuitos, como, por exemplo, o homem abraçando por trás a mulher que está cozinhando, dando um beijinho nela, numa reconquista diária, impedindo que o relacionamento caia na mesmice, como numa canção linda de Barbra, dizendo que o sexo se tornou frio e mecânico, longe da intimidade do fazer amor, gostoso, manso, com um olhando nos olhos do outro, com alguns recurso do gostoso pecadinho capital da luxúria, com produtos de sexshops para apimentar a relação, num relacionamento o qual, mesmo não tendo durado para sempre, foi uma eternidade enquanto durou, na vitória do amor e da simplicidade. Podemos aqui sentir a deliciosa brisa, como no delicioso Plano Superior, no qual os dias são agradáveis e as noites são amenas, numa eterna Festa da Uva, numa celebração de vida e beleza, na vitória do agradável sobre o desagradável, fazendo das tragédias naturais a clara prova de que é a Terra quem tenta imitar o Céu, num plano apolíneo no qual a beleza e a limpeza perduram para sempre, no ritual de perfumes ou incensos, dando uma sensação de limpeza e pureza, num plano em que não há uma única partícula de pó ou sujeira. Aqui remete ao deslumbrante complexo de praias da ilha de Florianópolis, SC, em praias tão ambientalmente preservadas, sendo um crime inominável jogar lixos nas areias, num respeito à Natureza, como numa certa praia de nudismo na ilha, na deliciosa sensação de nadar nu no mar, numa nudez tão inocente, natural, como Adão e Eva antes da serpente da malícia, pois como Deus pode ter vergonha do que ele mesmo inventou, que são os corpos do homem e da mulher? É nos esforços pioneiros de da Vinci, dissecando cadáveres, numa época em que ainda não havia surgido a Revolução Científica, em avanços tão formidáveis como a Anestesia, revolucionando o processo de tratamento de enfermidades, como uma mastectomia para extirpar seios com Câncer. A areia aqui é pura e limpa, deliciosa de se pisar, num lar limpo, no prazer de se entrar numa sala limpa com perfume de produto de limpeza, nas elegantes salas metafísicas, com pessoas bonitas e finas, educadas, longe da grosseria do Umbral, com nossos irmãos cá, que sofrem. Apesar das nuvens negras, é uma cena bela, numa paz que deve durar o máximo possível.

 


Acima, Sinal. Aqui é uma tentativa de contato, como um artista querendo reconhecimento, no modo como as pessoas no Brasil estão extremamente blasés em relação à artista plástica carioca Beatriz Milhazes, a qual neste ano de 20205 expôs na deslumbrante galeria novaiorquina do Guggenheim, um lugar ambicionado por dez entres dez artistas, numa BM em momento de tanta evidência profissional, num Brasil que simplesmente está ignorando o momento na carreira da artista, num Mundo duro, ignorando artistas. O branco é a cor da paz, da limpeza, da Medicina, em esforços globais por paz mundial, num Mundo tão agressivo e aguerrido, como amarelos em eterno pé de guerra com azuis, na metáfora cromática – seja verde, pois não resolverás os problemas do mundo, mas poderás ser uma figura na qual as pessoas possam depositar as esperanças de que existe um plano superior de paz e concórdia, na promessa cristã do Reino dos Céus, da fé, como ouvi num discurso de orador numa formatura do curso de Filosofia: “A Filosofia não muda o Mundo!”. Os pés descalços são a simplicidade, como estar em casa, à vontade, como num campo de capim, só que macio e agradável ao toque, no modo como a Plano Superior é o Éden para os que gostam de ter uma vida nobre e produtiva, num plano em que impera a condição da pessoa se manter ocupada, fazendo algo de nobre, na inevitável perguntinha a um ente querido que encontramos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”, pois Tao é assim, sempre criando, no mito do Gênesis, o qual não pode ser levado ao pé da letra, no lema de uma das edições da católica Campanha da Fraternidade: “Preservar a criação”, no modo como devemos dar ouvidos aos ecologistas, pois a Humanidade, fora da Terra, não tem para onde ir, num Cosmos que pode ter tão hostil à vida humana., resultando em ativismos como o de Leonardo DiCaprio, carismático, engajado na causa ambiental, em esferas tão hostis como Vênus, ficando bem difícil imaginar o dia em que o Ser Humano pisará nas severas condições da superfície venusiana. O aceno aqui é uma tentativa de humano para humano, com cidadão falando com cidadão, num trato polido entre cavalheiros, no qual a palavra de um homem vale mais do que dinheiro, resultando em ditadores que tanto mentem para se manter no poder, enganado muitas pessoas, no maldito Anel do Poder, que fala sobre este apego humano pelo poder, na metáfora de Matrix: Um homem poderoso quer, acima de tudo, mais poder, como num Putin atacando um país pacato, nas desnecessidades das guerras, na competição patética para ver quem tem o maior pau do Mundo, com o perdão do termo chulo, como na competição para ver qual país tem a torre mais alta do Mundo, como na passagem da Torre de Babel, num Ser Humano que nunca está satisfeito, num Mundo que exige que desenvolvamos agressividade, pois desde pequeninos, na escola, estamos concorrendo uns com os outros, para ver qual é o queridinho do professor, como uma certa senhora, a qual, na juventude, só tirava notas excelentes no colégio, no sonho e na ambição de gabaritar todas as disciplinas, numa mulher tão disciplinada, talvez vindo de uma encarnação anterior na qual nunca se centrou e nunca fez algo de produtivo, resolvendo assim, na encarnação posterior, partir em busca de tal tempo perdido, como eu mesmo, pois cometi o erro de abandonar os estudos na faculdade, dando-me depois conta de tal erro, reentrando na faculdade e me formando de uma vez por todas, num sentimento de realização e de fechamento de ciclo, pois, ao preenchermos um cadastro, dá gosto de se assinalar no item de escolaridade: “Superior completo”. O homem aqui é exceção, pois o Ser Humano, geralmente, não quer paz, subestimando esta, no sentimento pleno de paz no Plano Superior, numa dimensão em que fazemos as coisas com calma e placidez, numa vizinhança de amizade, em que não queremos enganar uns aos outros, na redentora canção do U2: “Onde as ruas não têm nome!”, na promessa de que uma vida fina e atemporal nos espera, no triunfo dos que cumprem nobre função na Terra.

 


Acima, Suíte da lua de mel. A luz que vem da janela remete ao Mito da Caverna, na libertação de se descartar superstições agourentas e ver o Mundo da forma mais clara possível, saudável, num trabalho de psicoterapeuta, auxiliando-nos em ver a Mundo de forma clara e realista, a questão da pessoa não mais ouvir o traiçoeiro coração, ouvindo, assim, a mente, no modo como sofremos quando fazemos escolhas ouvindo o coração, no modo como um casamento é além de amor e sexo, mas uma sociedade, no casamento certeiro entre duas pessoas centradas e pés no chão, estabelecendo uma sociedade de conveniência: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho, ao contrário da pessoa que não ouve a cabeça, sofrendo assim. A moça é formosa, com seios lindos, no sonho de muitas mulheres com próteses mamárias, as quais, sinto em dizer, não ficam naturais, num aspecto de inchaço, de pele assoberbada, remetendo à letra de uma certa canção de outrora, quando o homem feria a autoestima de mulher, querendo mudar isso e aquilo nesta, exigindo que a mulher colocasse silicone, na letra dizendo: “Você faz eu me sentir tão antibonita!”. O banco é o merecido repouso, como Deus descansando no sétimo dia da Criação, algo ignorado no degradante estilo de vida workaholic, numa pessoa que só trabalha e não vive, nos versos de um canção por Barbra: “Não diga para eu não viver e só sentar e produzir! Não se ache digno de chover na minha parada!”. A moça nos olha e nos indaga, como na Monalisa nos olhando, num mistério de obra de Arte, um quadro que, ao ser visto em pessoa, pode ser frustrante, pois, além de ser pequeno, está protegido por uma grossa camada de vidro blindado, fazendo com que o observemos a metros de distância, na sabedoria popular de que tamanho não é documento, como pode ser decepcionante um homem extremamente musculoso, revelando-se vazio e obtuso, como um certo pseudoator, com uma cabecinha do tamanho de uma ervilha, sinto em dizer, na necessidade de olharmos as pessoas por dentro. A sacola é de uma pessoa que viaja, marcada por vários carimbos, como numa pessoa eu já passou por muitas encarnações, construindo assim a grande carreira espiritual, como um ator de longa carreira, interpretando muitos e muitos personagens. A janela é tal promessa de libertação, como um detento contando os dias de cárcere, nos versos do mestre pop Freddie Mercury: “Eu quero me libertar!”. É a imagem de esperança e libertação do Espírito Santo, no glorioso dia de soltura, no qual o desencarnado ri e o Mundo chora, ao contrário do nascimento, quando choramos e o Mundo ri! O cômodo aqui é simples, limpo, sem frescuras, na simplicidade de um líder que nunca perde o contato com o próprio povo, num homem simples, que toma o mesmo tipo de café de seus súditos, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista de que a pessoa tem que aprender por si as ser simples, num caminho autodidata, num ensinamento que nenhum livro ou nenhuma faculdade pode ensinar, como em talentos autodidatas de Jesus Cristo, o qual aprendeu por si a ser a maior cabeça de todos os tempos, num espírito que encarnou numa missão tão gigantesca, seguindo para sempre por todos os ramos de Cristianismo, em palavras que ecoam até hoje, até o ponto em que o césar pagão romano se converteu a tal doutrina, numa Roma a qual antigamente queimava cristão vivos em espetáculos públicos – é um horror. Os seios aqui são a fartura, como em países fartos e ricos como o Canadá, o qual, de tão desenvolvido e bem administrado, faz parecer com que Nova York pareça terceiro mundo! Aqui é o modo cultural ocidental de exibir o corpo da mulher, ao contrário das machistas burcas, fazendo da mulher uma mera propriedade do homem, como um pai negociando sua própria filha, fazendo desta uma moeda de troca, na obsessão de Henrique VIII em colocar no Mundo um herdeiro varão, na figura feminista de Elizabeth I, provando ser tão boa como qualquer homem.

 


Acima, Tão longe. Aqui é um distanciamento, talvez num desafeto, em laços que precisaram ser quebrados, por medida de segurança existencial, como uma pessoa que se dá conta de que Fulano é sociopata, tendo que se proteger e reservar-se deste. O fogo são as tragédias de incêndios florestais, destruindo tudo e todos, na prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu, na limpeza das cidades metafísicas, limpíssimas, num sonho de administração de qualquer cidade terrena, no bravo trabalho de nossos garis, limpando nossas calçadas, no modo como nenhum trabalho é em vão, e tudo faz parte da construção da grande carreira espiritual, na dignidade dos que laboram, ao contrário do improdutivo, que leva uma vida vazia e desinteressante, como já ouvi: Uma pessoa rica só pode se manter sã se trabalhar, numa pessoa que se vê produtiva, ao contrário de pessoas que só produzem uma coisa – merda, com o perdão do termo chulo. O fogo é um desejo ardente, numa vontade de viver, em algo que arde em sonhos de alguém, como no humilde colono na Serra Gaúcha, sonhando em ter seu pedaço de terra, algo impensável na pobre Itália, um país em que a fome era um problema, nos festejos da Festa da Uva em honrar tais antepassados, tendo estes feito tais esforços heroicos, na fartura de uma mesa de galeteria, fartíssima, numa mesa de rei, abismando certa vez uma italiana que almoçara em tal restaurante: “Mas Deus, quanta comida! Como vocês comem!”. São esses países fartos e desenvolvidos, como a Suécia, em países civilizados, com cidadãos cordatos e cultos, polidos, na importância da produção de cultura erudita, civilizatória. Os meninos aqui contrastam um com o outro, como num jogo de Futebol, com camisas diferentes, nas competições que tantos índices de audiência geram na Televisão, num espaço publicitário caro, muito caro, com anunciantes investindo milhões de dólares em poucos segundos de anúncios, em eventos de tanta audiência. O espelho de água é o espelho de Narciso, olhando-se e admirando-se, na soberba da pessoa narcisista, como uma certa popstar, a qual disse, numa letra de canção, que passara algum tempo como uma narcisista, no modo da pessoa ter uma estrutura psíquica muito forte para não ficar assim, nunca deixando subir à cabeça, no caminho franciscano da humildade, das humildes sandálias, pois quem embarca numa de Narciso, acaba perecendo, no modo como já vimos tantos astros ascendendo e descendendo. O espelho remete à impecável arquitetura de Brasília, no sonho de Niemeyer, numa cidade tão primorosa, tão bem projetada, com linhas de leveza, parecendo que as estruturas são frágeis folhas de papel, na ironia de Niemeyer: Fumou avidamente a vida inteira e foi até os fartos cem anos de idade! O rapaz de preto pede por paz, segurando uma bandeira branca, nos esforços da ONU em pedir paz mundial, num Ser Humano que subestima o poder da paz, havendo no Plano Superior tal paz inabalável, onde tudo é feito com calma e placidez, longe dos grandes e violentos centros urbanos, cheios de narcotráfico e bandidos, na pessoa que definitivamente se identifica com o crime, com o estado paralelo, havendo a reincidência no crime, no modo como o sociopata inicia desde cedo sua carreira criminal, maltratando pequenos animais e maltratando os coleguinhas na escola, sendo naturalmente tolhido pela sociedade por tal, construindo, assim, uma máscara e levando vida dupla, nessas pessoas que levam vida dupla, como um certo senhor: Numa vida, é um homem heterossexual que se relaciona com uma pessoa do sexo oposto; noutra, um operador de telessexo, tendo conversa eróticas com quem ligar, inclusive homens! O fogo aqui é algo findado, destruído, num marco de definição, na revolução que foi a chegada do fogo à Humanidade, aquecendo-se e cozinhando. Apesar do fogo, aqui é um céu plácido, limpo, na predileção de Bo Bartlett por cenas ao ar livre, especialmente na praia, este lugar onde se respira ar puro e livre, na delícia do vazio da orla, deixando-nos escrever em tais linhas brancas, como numa criancinha faceira, divertindo-se em tal água deliciosa, na virtude infantil, que é se contentar com pouco.

 


Acima, Temporada de furacão. Os olhos estão fechados, submersos em sonhos, num estado de torpor e inconsciência, numa pessoa que não vê o que há ao redor. A cesta é a delícia do piquenique, numa refeição simples e maravilhosa, deliciosa, à beiramar. A mulher de preto é o luto, a discrição, como a senhora minha bisavó, a qual, ao enviuvar, só vestiu preto até o fim da vida, nessas senhoras digníssimas, respeitadas pela comunidade, e quando minha bisavó faleceu, a casa dela esvaziou, pois as pessoas iam lá exatamente para visitá-la, na imortalidade dos vínculos de família, os quais sobrevivem ao desencarne, no mesmo amor que minha mãe teria pelo filho de meu sobrinho. A pedra é a solidez, numa vida firme e sólida, centrada em algo produtivo, como um homem centrado, pés no chão, dando à esposa uma sensação de segurança e solidez, remetendo ao divórcio de um casal de amigos meus, na mulher colocando fora um homem sério e centrado, focado no trabalho, talvez um homem que se mostrou muito pouco romântico, frustrando as expectativas da mulher, talvez num sexo que começou a esfriar, ficando mecânico, longe do sexo romântico e manso. Aqui é a delícia de um banho de Sol, no consolo solar, no termo “lagartear”, fazendo menção ao lagarto tomando os raios de Sol, como certa vez no jardim da casa na qual morei por muitos anos com mina família, um lagarto super discreto, o qual se enfiava de volta na toca assim que ouvisse o mínimo ruído, num instinto de preservação, como na esperteza do camaleão, invisível, escondendo-se das presas e dos predadores. Aqui é essa predileção de Bo por moças jovens e belas, discretas, como modelos lindas num atelier, em aulas no curso de Artes Plásticas, como modelos nuas ou nus, pois como Tao pode ter vergonha dos corpos que Ele mesmo projetou? O corpo humano não é belo? O céu é livre e limpo, num glorioso dia de Céu de Brigadeiro, no modo como são raros os dias em que o Brasil todo fica ensolarado, num país de medidas tão gigantescas, como hoje mesmo ouvi uma canção de Lulu Santos: “Tudo bem! Todo mundo nu! No Brasil! Sol de norte a sul!”. Aqui é tal convívio harmônico, em paz, num país neutro como a Suíça, numa polida neutralidade, em países tão apolíneos, como me disse uma certa moça brasileira, a qual morou um tempo na Suíça: Quando voltamos para o Brasil, ficamos um tanto  revoltados, pois a Suíça é tão maravilhosa, e o Brasil é tão problemático! Aqui podemos sentir a brisa deliciosa do mar, num cenário de prazer, num ar de libertação, nas doces ondas indo e vindo, como no fim do filme Contato, no qual uma astronauta tem uma experiência metafísica, numa praia tão linda e deliciosa, reencontrando seu já falecido pai, como certa vez eu me emocionei numa mostra de decoração e arquitetura, num cômodo decorado como uma doce praia de Bali – será que fui balinês numa encarnação passada? Apesar do título do quadro, não há furacão aqui, mas uma brisa doce, em doces momentos de férias e descanso, no siso de se encerrar o veraneio e voltar para a vida rotineira, numa divertida tira do formidável cartunista Carlos Iotti, na família voltando de carro do veraneio, todos com caras emburradas, fechadas, no divertido termo “cara de tacho”. Aqui remete a um certo senhor, o qual, ao viajar para Nova York, dormiu por alguns minutos numa ensolarada pedra no Central Park, no caminho da simplicidade: O melhor de NY é de graça ou custa pouco dinheiro, como no deslumbrante museu Met, numa “injeção intravenosa” de Arte, num museu tão bem organizado, enorme, dando-me vontade de um dia ver o Louvre, o qual necessitaria de sete dias inteiro dentro para dar conta de tudo de Arte que ali existe, no modo como a Arte é um terreno muito vasto. Aqui é o delicioso pecadinho capital da preguiça, pois não canso de dizer que foi da preguiça que surgiram as grandes invenções da Humanidade: Por que “me matar” subindo e descendo escadas se posso fazê-lo comodamente dentro de um elevador? E a Roda não é uma invenção totalmente revolucionária? Ao cozinhar, posso fazê-lo em muito menos tempo numa panela de pressão!

 


Acima, Terra abastada. O homem é a virilidade do trabalho, como nos homenzarrões corpulentos do pintor italiano Aldo Locatelli – se você, leitor, algum dia visitar Caxias do Sul, não deixe de visitar a Igreja de São Pelegrino, a qual é um deslumbre com as pinturas de AL, num templo de se tirar o chapéu, e, além disso, tem uma réplica da Pietà de Michelangelo, um privilégio este que poucos templos católicos ao redor do Mundo têm. O baú com tesouros é a ambição humana, na noção taoista de que, quanto mais tesouros tenho, menos seguro estou, no sentido da pessoa ter o mínimo possível, no caminho da simplicidade. A câmera é a Sétima Arte, no ponto de reviravolta que foi a chegada do som ao Cinema, inaugurando, assim, a Academia de Hollywood, no modo como um Oscar pode ser uma maldição e um problema, pois quando beijo um doce momento de sucesso, quero em manter em tal momento, e isso não é possível, pois o dia seguinte amanhece e a vida continua em toda a sua dureza habitual, e os exemplos são vastos, como num Michael Jackson, o qual passou o resto da vida tentando superar o esmagador sucesso de Thriller, no qual o astro se transformava em lobisomem, arrebatando o Mundo, gerando o disco mais bem vendido da História da Indústria Fonográfica Mundial. A claquete é o instrumento de trabalho, num trabalho de continuista, evitando erros crassos de continuidade, numa ironia de erro crasso no final de uma película do mestre Martin Scorcese, numa cena com Leonardo DiCaprio, este astro de tão esmagador carisma, o qual costuma fazer boas escolhas de projetos, derrapando recentemente numa certa película ruim, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel – hoje, está com você; amanhã, não se sabe. O rio é o curso natural das coisas, num caminho natural de Tao, no rio que nunca cessa, na sabedoria dialética de que tudo é processo, no caminho da Eternidade, sobre a qual não é possível de se falar, pois o Tao sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro Tao. A moça aqui espera comportada, paciente, talvez na artista esperando para filmar, como me disse certa vez um maquiador: Atores profissionais, ao estarem maquiados e prontos, têm que esperar pacientemente para gravar ou filmar, num caminho de disciplina. A montanha ao fundo é o espetáculo da Natureza, numa locação especialmente escolhida para filmar, escolhendo cenários, como Peter Jackson escolheu a Nova Zelândia para filmar a saga O Senhor dos Anéis, num paciente trabalho de “formiguinha”, abraçando as etapas do labor, numa paciência. O homem de costas está alheio ao quadro, e deixa a mulher protagonizar, num gesto de discrição, como num treinador de Box num filme com Stallone, com o treinador alheio a frescuras e desnecessidades, ficando com os pés no chão, sério, centrado. O machado é a virilidade do lenhador, no trabalho de força para cortar madeira, um serviço que dá ao lenhador um grande condicionamento físico, como num vaqueiro o qual a vida inteira andou de cavalo, desenvolvendo tal condicionamento. O machado remete à metáfora no final do filmão Fargo, com o monumento do lenhador com o machado, com duas leituras: A sã, que é o valor do labor e da virilidade; a insana, que é o machado como ferramenta de assassinato. A moça aqui está pudica, com os joelhos à mostra, como me contou uma senhora que foi rainha da Festa da Uva na época da moda da minissaia, rainha que ficara constrangida por usar uma saia tão justa num evento público. O homem sem camisa é a liberdade, remetendo a um certo publicitário, o qual disse que, certa vez, na época em que os comerciais de cigarro ainda eram permitidos na TV, houve uma campanha publicitária de halterofilistas fumando sem camisa ao ar livre, uma campanha que acabou fazendo muito sucesso entre os homossexuais. Na base do quadro, um trilho, para mover a câmera, nos mecanismos de set de filmagem, no triste modo como ninguém no Brasil fica rico fazendo Cinema, assim como Teatro no Brasil.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.