quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Bom Bo (Parte 5 de 28)

 

 

Falo pela quinta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Radio Flyer. A menina está sendo sustentada, guiada, como na criança no banco de trás do carro, no ritual machista no casamento, com a moça passando das mãos do pai para as mãos do marido, no machismo da mulher adotar o sobrenome do marido, na mulher sempre num nível abaixo do homem, como na figura tradicional do casal heterossexual, com ela sempre mais baixinha do que ele. O carrinho é como o trenó Rosebud em Cidadão Kane, numa época de doce infância em que a vida era mais simples, na simplicidade da vida de criança, só tendo que estudar e brincar, no modo como desde cedo a criança sente o peso da responsabilidade, de ir bem nos estudos, como minha querida irmã, sempre estudiosa, sempre indo bem nos estudos, gostando de estudar, conquistando colocação excelente no vestibular, ao contrário de mim (!), sempre indo meio mal nos estudos, tendo que ter aulas particulares de reforço, pois eu não era burro; era simplesmente indisciplinado, pois hoje, se eu pudesse voltar atrás, eu seria mais estudioso, no sentimento de realização que é passar de ano, ou como se formar numa faculdade, fechando um ciclo, pegando o valioso diploma, numa transa com orgasmo, com o perdão do termo sexual. A situação deliciosa da menina é como estudar, que é algo delicioso, num esforço para dar orgulho ao professor, fazendo muito bem feitos os trabalhos exigidos, crescendo, com professores bons, que valem cada centavo da mensalidade, ao contrário dos professores medíocres, os quais não nos marcam muito bem, num sentimento de desperdício de dinheiro, nesse périplo de esforço que é frequentar o campus, pegando inúmeras conduções para ir e voltar. A menininha é bem jovem, e ainda não tem como trabalhar, sendo sustentada pelo pai, nascendo e crescendo acostumada com tais regalias, num lar abastado, talvez num pai herói e trabalhador, como o senhor meu pai, um homem que sempre trabalhou de Sol e Sol para prover um ótimo nível de vida à família, como outro certo senhor, trabalhando muito para prover a família, num sisudo peso de responsabilidade, no desafio de manter uma casa em ordem, mostrando às crianças quem é que manda ali dentro, na questão da hierarquia dentro do lar, participando da criação da criança, incutindo valores nobres da cabecinha, no desafio de criar psiquicamente, no sentido da virtude e do bem, da dignidade, da nobreza, mostrando como é covarde aquele que bate nos mais fracos, como no sociopata, iniciando desde cedo a carreira criminosa, maltratando os coleguinhas na escola, tolhido, é claro, pelos professores, um sociopata que veste uma máscara e leva uma vida dupla, no lobo vestido de cordeiro, tornando-se um vampiro, sugando almas. As rodas são o passar do tempo, nos processos se desenrolando, no modo como tudo é processo, e a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, no descomunal presente que é a Vida Eterna, na perspectiva de que jamais findaremos. Ao fundo no quadro vemos uma casinha, que é o refúgio do lar, do lar seguro, no modo como a criança, no fundo, gosta de receber ordens e limites, pois estes dão a sensação de invólucro e proteção, como uma certa senhora psicóloga, dando rígidos limites aos filhos dentro de casa, colocando ordem na casa, nos usuais berros de mãe dentro de casa, como no fim do dia, mandando os filhos para o banho, colocando ordem no caos, no desafio enorme que é manter uma casa em ordem. Aqui são essas cenas ao ar livre tão comuns para Bartlett, na delícia do ar puro, do campo, da praia, na noção taoista de que os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, luxuriantes, incríveis, na noção ecologista de que temos que dar ouvidos aos ecologistas, pois a Terra é nosso único lar, pois, fora da Terra, o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano, como na insuportável superfície de Vênus, com calor extratórrido, pressão atmosférica esmagadora, vulcanismo e chuvas de ácido sulfúrico. O pai aqui é tal figura provedora, sustentando uma casa, deixando bem claro quem é o chefe da família, na questão da mesada, com a criança tendo que saber administrar o dinheiro, acostumando desde cedo a criança com a noção de que, se ela trabalhar, terá seu dinheiro. O carrinho é o lugar da criança no Mundo.

 


Acima, Recinto de feiras. O senhor é o garbo e a elegância, como um certo colunista social portoalegrense numa famosa via da cidade, muito elegante, com uma vistosa flor na lapela do terno, talvez dando-a à moça mais elegante que passasse pela via, nessas pessoas com autoestima, que se arrumam antes de sair de casa, como no ato de autoestima que é se perfumar, agradando os outros com o odor fino, na magia do mundo das fragrâncias, remetendo a um certo senhor malicioso, o qual usava perfume de senhoras, talvez por achar isso chic e sofisticado – o que você me diria de um senhor que cheira a Chanel número Cinco? Posso ser perfumado e, ainda assim, homem. A bicicleta é o trabalho, a ergonomia, como uma esteira de caminhar em academias, nesse ato tão monótono que é puxar ferro em academia, como disse certa vez um certo senhor fisiculturista: Vida de fisiculturista é sofrimento, pois puxar ferro é algo doloroso, numa pessoa que paga um preço alto por ter corpão – por fora, está tudo bem; vamos ver por dentro! Ao fundo a magia infantil dos parques de diversão, no complexo deslumbrante de parques temáticos de Orlando, EUA, numa experiência marcante, num lugar em que adultos viram crianças novamente, em brinquedos que mexem profundamente com nossa emoção, como num simulador de voo de Star Wars, na sensação de que estamos dentro do filme, no marketing ardiloso dos americanos, pois quando saímos emocionados do simulador, excitados com a experiência, desembocamos diretamente numa loja souvenir de Star Wars, e, no calor do momento, fazemos compras por impulso, coisas as quais, de cabeça fria, não compraríamos, como no Hard Rock Café, pois, para acessarmos o restaurante, temos que fazer um itinerário por uma gift shop, no talento capitalista de saber vender, nos apelos da sociedade de consumo: Tenho que trabalhar feito um “burro de carga” para produzir capital e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, como um celular, um carro, uma joia etc. A roda gigante é o ciclo do tempo e da vida, nos ciclos que se fecham, como no ciclo de um dia ordinário de trabalho, no retorno ao lar, remetendo a um certo senhor, o qual era um homem que tinha um lar, e sua esposa, ao querer se separar dele, arrancou dele tal lar, deixando-o “nu com a mão no bolso”, uma esposa que se mostrou uma filha da puta, com o perdão do termo chulo. O circo é a magia passageira, pois chega um ponto em que o circo levanta a lona e vai embora, como me disse a senhora minha mãe, a qual, ao ver que eu estava deslumbrado em relação a algo, ela me disse para eu não me guiar por sinais auspiciosos, pois o circo levanta a lona e vai embora. O circo é o ponto de rompimento na vida de Dercy Gonçalves, a qual, muito jovem, fugiu de casa para se juntar a uma trupe circense, num espírito mambembe, como popstars com suas turnês mundiais, na magia circense, como no deslumbrante Cirque du Soleil, e como o circo brilha! Aqui remete a um documentário que mostrava o Ônibus do Sexo, que era uma trupe que viajava pelo Brasil para fazer espetáculos pornôs, com sexo no palco, na dona do veículo dizendo ao jornalista: “Sexo é vida! Este é o Ônibus do Sexo! Este é o Ônibus da Vida!”. A cartola remete a passadas eras em que os cavalheiros eram tão garbosos, como na posse de Winston Churchill, frente a uma Elizabeth II recém entronada, uma tímida menina que tanto aprendeu com o grande e célebre estadista, num peso de responsabilidades, como na sina do filho mais velho, que é ajudar a criar os filhos mais jovens, numa criança sentindo desde cedo tal peso. O homem olha hesitante para o circo, e não sabe se vai, talvez resistindo a sinais auspiciosos. O homem é a necessidade da atividade física, na importância do desporto, estimulando uma criança a se interessar por um esporte, como me dizia a senhora minha mãe: “Quero te ver na Rua praticando esporte!”. Mas o que acontece é que alguns têm perfil atlético; outros, nem tanto. É como um menino de minha família, esportista desde pequeno, gostando de todos os tipos de esporte. O circo é um ponto de vida e oásis num campo tão desolado e solitário.

 


Acima, Refugiados. Aqui são pobres diabos sofredores que entram em embarcações perigosas, sem coletes salvavidas, para tentar entrar em território europeu, fugindo de sistemas opressores, como na recente evacuação de Gaza, na “beleza” das guerras, que é deixar rastros de fome e destruição, arrancando pessoas de suas casas, na eterna inclinação humana para a crueldade, subestimando sempre a mensagem cristã de amor para com o semelhante. Aqui, apenas a mulher tem o privilégio de colete salvavidas, segurando uma inocente criança que não faz ideia do contexto social no qual nasceu, em pais que querem um futuro melhor para os filhos. O colete é a proteção, a segurança e o resguardo, como no protetor solar ou os óculos escuros, num ato de autopreservação, como num líder de Tao, guiando seu povo, como se estivesse cruzando um rio, sabendo que ali há perigo, numa cautela sábia, sabendo que não deve subestimar a seriedade da situação. Aqui remete a um fenômeno migratório que está acontecendo em Caxias do Sul, com pessoas de várias partes do Mundo indo à cidade em busca de oportunidades e trabalho, como africanos, venezuelanos, peruanos, colombianos etc., numa cidade babilônica cheia de diversidade, pois, atualmente, apenas 30% dos moradores são descendentes de italianos, ao contrário de municípios como Antônio Prado, com mais de 90% do moradores com ascendência itálica. O azul marinho é a discrição e a elegância, na cor de ternos discretos de senhores em Brasília, na figura transgressora de um Clodovil, entrando no Congresso com seus modelitos ousados, um Clodovil que não era uma pessoa muito fácil, com uma personalidade explosiva, muitas vezes comprando indisposições, um homem que trilhou seu próprio caminho, indo de estilista a apresentador televisivo e político, muito bem votado, diga-se de passagem, no modo como as mulheres adoram os gays, como no caso da reeleição de Eduardo Leite, votado massivamente pela mulherada e, assim, cometendo a façanha de ser o primeiro governador do RS a se reeleger. Os homens viris aqui são jovens, cheios de força para trabalhar, dispostos a trabalhar, sonhando em ter casa própria, uma vida digna e decente, algo impossível em seus países de origem, remetendo à política antiimigração de Trump, tratando os imigrantes ilegais da forma mais grossa e estúpida possível – nada explica a selvageria, pois posso ser firme e, ainda assim, gentil, ou seja, nota zero para os truculentos. Podemos sentir aqui as ondulações, como no romance Moby Dick, num ponto em que sentimos a ondulação da embarcação, no talento de escritores em nos prender em suas páginas, como no formidável Luis Fernando Veríssimo, que Deus o tenha, o meu escritor preferido, genial, engraçado, um mestre no ofício, em crônicas tão engraçadas, um homem que, ao escrever, expressava-se muito bem. O barco branco é o clamor por paz, como na fita amarrada na cabeça de um dos homens, em pessoas clamando por paz, deixando para trás as guerras e os sofrimentos, como no imigrante italiano no RS, deixando para trás uma Itália de fome e dificuldades. Os homens sem camisa são a simplicidade, na sensação de liberdade de tirar a camisa ao ar livre, como fazer esporte na beira da praia, em cidades tão deslumbrantes como o Rio, numa mescla sedutora entre urbe e natureza, como já ouvi dizer que os cariocas não gostam de dias nublados, como me disse um certa senhora radicada na cidade: Fora dos meses de calor extrassenegalês do verão carioca, o Rio é uma delícia de cidade, seduzindo pessoas de todas as partes do Mundo, uma cidade bela e complicada, nos versos de Fernanda Abreu: “Rio quarenta graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos!”. É como o Brasil: Grande, majestoso e complicado. O destino aqui é incerto, e não se sabe o futuro dessas pessoas, com o risco da embarcação naufragar e matar os passageiros, inclusive o bebê, como na cena impactante de Titanic, com os cadáveres congelados boiando, inclusive com uma mãe com o bebê. O barco é pontiagudo e altivo, desbravador, com pessoas desbravando uma chance de vida.

 


Acima, Reino dos términos. O globo é a grandiosidade do Mundo, nas relações internacionais, na diplomacia, nos esforços de paz da ONU, sempre primando pela conversa cortês, no cavalheirismo no fio do bigode, como em Brasília, a cidade das embaixadas, uma cidade cosmopolita, aberta ao Mundo, com pessoas de todos os cantos do Mundo, na necessidade do respeito mútuo, remetendo à truculência de um Trump, insultando a soberania brasileira, tudo para proteger um amigo. A avô e o netinho são a passagem do tempo, nos laços de família, no modo como sentimos falta dos avós tempos depois destes se irem, nossos entes queridos que nos esperam lá em cima, na imortalidade dos laços de amor e de família, no modo como sempre teremos família, mesmo depois do Desencarne, na imortalidade do amor, a força que mantém coesas as pessoas, no modo como as amizades sobrevivem ao tempo, e uma maravilha isso significa, pois amor é paz, e a paz é eterna, sendo maior do que a raiva, pois todo e qualquer desentendimento está fadada danação, na noção taoista de que tudo acaba se resolvendo por si, como folhas de um plátano caídas, naturalmente varridas pelo vento. O globo é o ponto de guinada no conhecimento humano, ao sabermos que o Mundo é redondo, nas ambições de um Colombo em sair da Europa para chegar ao leste da Índia, não sabendo que encontraria o continente americano, na agressividade do homem europeu, dizimando os indígenas, sugando ouro e pedras preciosas, como no caso do Brasil, sugando as riquezas de Minas Gerais, como nas pedras africanas na coroa imperial britânica: Como são ricos, e roubaram tudo dos pobres! O Mundo é a totalidade, como na Indústria Fonográfica Mundial, lançando seus artistas Mundo afora, com artistas de grande popularidade, com fãs nos quatro cantos do Mundo, como numa Whitney Houston, a qual conheceu o céu e o inferno, com sua voz devastada pelas drogas, essas porcarias que devastam vidas e carreiras, como nos infelizes em aeroportos, sendo pegos com drogas, indo para a prisão em um crime inafiançável, na sofisticação do Narcotráfico para burlar a fiscalização, como esconder drogas em caminhões que aparentemente transportam somente soja ou milho. O netinho aqui tem muito o que aprender, e o senhor é a experiência e a sabedoria, sabendo que toda uma vida espera pelo menino, no porvir que este enfrentará com galhardia, nos inevitáveis percalços, os quais servem para nos desafiar e nos fazer crescer, pois o crescimento e a depuração são os sentidos da Vida, não havendo sentido numa vida sem vicissitudes, pois ninguém está no Mundo à toa. A bengala é o indicativo da idade, num apoio e num respaldo, causando controvérsia a placa indicativa para idosos, com uma pessoa curvada, com uma bengala, uma imagem considerada ofensiva, pois há muitos idosos que não usam bengala, remetendo à simpática Rainha Mãe da Inglaterra, usando duas bengalas, uma senhora amada pelo povo, uma senhora sempre sorrindo – como não gostar de uma senhora assim? O senhor aqui tem coisas a ensinar ao neto, e não tem muitos e muitos anos de vida pela frente, na inevitabilidade do óbito, e a diferença reside no que decidimos fazer de nossos dias de cárcere aqui na Terra: Uns levam uma vida nobre e produtiva; outros, nem tanto. O trabalho é sempre necessário, pois faz parte da construção da grande carreira espiritual, na necessidade de se continuar trabalhando no Plano Superior, pois até Tao trabalha sempre, nos trabalhos do Gênesis, com o descanso no sétimo dia, no incrível caminho da Eternidade, da qual não é possível se falar. O menino é a inocência, na doce idade em que cremos que de fato existem super heróis, numa época simples da Vida, em que trazemos todo um residual do Plano Superior, na inocência infantil de não se compreender as picuinhas do mundo dos adultos, como na época doce do trenó Rosebud em Cidadão Kane, remetendo ao rompimento na vida de um certo senhor, arrancado de seu lar primordial para viver com a avó, num menino que desde cedo se viu forçado a se tornar homem.

 


Acima, Ressurge e renasce. Que quadro arrebatador. Aqui é toda uma identidade feminina, numa relação de intimidade, como num grupo de lésbicas, fechadas aos homens. Os corpos são voluptuosos, belos, em modelos em ateliês de artistas, como em aulas de nu artístico, como em cursos de pinturas, com revistas de nu, na beleza do corpo feminino. Num detalhe aqui, um bebê num útero, na relação de intimidade entre mãe e filho, na comida compartilhada da mãe para o filho, no ato materno de dedicação, sempre fazendo tudo pelo filho, no termo popular de que ser mãe é padecer no paraíso! Todas aqui dormem, inconscientes, como no bebê, de olhos fechados, só os abrindo tempos depois de nascer, no conforto uterino, silencioso, quentinho, no choque que é vir ao Mundo, não mais respirando o líquido amniótico, respirando ar e dando o primeiro choro, no rompimento que é cortar o cordão umbilical, como uma pessoa saindo debaixo da asa dos pais, autossustentando-se, como num filme com o astro River Phoenix, um rapaz farto de ser menino, querendo ser homem, na diferença entre homens e meninos. Os fartos seios são a amamentação, o leite que nutre o filhote mamífero, como certa vez tive uma cachorrinha que deu ninhada, amamentando as crias, sofrendo, assim, de desnutrição, com o pelo caindo, e tive que dar suplemento alimentar à cachorra, tal e dedicação dela aos filhotes, como certa vez uma senhora mãe, dando cheques em branco ao filho, num ato de dedicação, em matriarcas como a rainha Vitória, dizendo ao filho, em filme com a deusa Judy Dench: “Eu te alimentei com meu leite, e não vou tolerar meu próprio filho conspirando contra mim!”, numa monarca que sofreu de útero caído, tal a dedicação ao parir todos os filhos. Aqui temos uma continuidade, na intimidade de irmãs numa família, como disse uma certa senhora, a qual desejava muito ter uma irmã, para compartilhar coisas com essa irmã, como roupas, acessórios, maquiagens e esmaltes, chegando ao ponto de, ainda criança, vestir de mulher o próprio irmão, dizendo a este: “Hoje você vai ser minha irmã!”. Aqui é como um tronco de árvore, fluindo com toda sua força, como em árvores em calçadas, com suas fortes raízes distorcendo a calçada, na força da Natureza, em artistas que viram forças da Natureza, arrebatando multidões, como em trabalhos premiados com o cobiçado Oscar, numa Academia que adora atores que se desfiguram para um papel, abrindo mão da vaidade, no modo como ator bom é ator que desaparece perante o personagem, como numa Meryl Streep – quando a vemos, vemos o personagem, e não a atriz. Aqui, nessa fluidez, temos toda uma sensualidade, num rio correndo naturalmente, num processo se desdobrando naturalmente, como num processo judicial, correndo naturalmente, na sabedoria dialética de que tudo é processo, como na evolução espiritual, sempre fluindo e transformando-se, em pontos de renovação na vida, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um ponto de renovação na vida da pessoa, como numa paixão, trazendo todo um refôlego a uma vida, na magia da intimidade que vemos neste quadro, como num grupo de amigas, uma patota, num grupo com suas próprias regras e normas, no caminho da identificação, pois você pode observar: Num grupo de adolescentes, todos no grupo de vestem mais ou menos da mesa maneira, punindo aquele que destoa, como eu certa vez, rejeitado por um grupo de amigos, os quais resolveram me “colocar na geladeira”, por assim dizer, e, hoje, pouco me importo, e tal grupo que vá à merda, com o perdão do termo chulo. Aqui temos uma sinuosidade e uma fertilidade de serpente, pois em certas culturas as serpentes não eram vistas como más, mas como férteis, numa Britney Spears certa vez num palco, com uma enorme cobra alva, ou como certa vez na campanha publicitária da Festa da Maçã do município gaúcho de Veranópolis, com as soberanas com uma maçã rubra e uma vistosa cobra entre elas, remetendo à serpente do Éden, o ponto de derrocada da Humanidade, numa campanha ousada e inusitada, ao contrário das campanhas de outras festas comunitárias, campanhas meio medíocres, sem verve, com clichês.

 


Acima, Saindo. Aqui, o homem pesa mais do que a mulher, no método patriarcal de tolher a sexualidade feminina, como no pai quando nasce a menina: “Esta eu vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, ao contrário de quando nasce o menino: “Esse vai ser o maior comedor de bocetas do Mundo!”, como o perdão do termo chulo. No barco vemos uma rede de pesca, no trabalho de se extraírem os frutos do mar, como na Lagoa da Conceição em Floripa, na pesca do camarão, essa iguaria tão deliciosa, porém cara. A rede é como a teia de aranha, na posição passiva de construir a teia e esperar que ali caia uma mosquinha desavisada, como na atitude do sociopata, esperando que a vítima se aproxime, no modo como um sociopata pode nos seduzir se nos deixarmos guiar pelo coração, pois quando ouvimos a cabeça, ficamos imunes ao sociopata, pois é o uso do pensamento racional, como um certo sedutor sociopata, do qual não vou me aproximar pelo Facebook, um sociopata tão belo, no termo popular: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. O homem aqui é o encargo e a responsabilidade, guiando o barco, na figura do caminhoneiro, esse trabalho tão dominado por homens, como no trabalho de taxista ou uber, no modo como certa vez, em Porto Alegre, vi uma taxista mulher, algo bem raro, no caminho feminista de igualdade de gênero, numa mulher que pode se sair tão bem quanto qualquer homem, como na figura da rainha egípcia Hatshepsut, a qual se impôs num Egito de homens, autonomeando-se o próximo faraó após a morte do próprio marido faraó, uma líder que se revelou muito competente, tocando obras ambiciosas, usando, em público, um cavanhaque trançado postiço, a marca registrada dos faraós, uma mulher que obteve tanto poder num lugar de homens, no machismo do faraó ter um harém cheio de esposas: Se é um homem com muitas mulheres, pode; se é uma mulher com vários homens, não pode. O mar aqui é escuro, misterioso, imprevisível, no modo como as coisas nunca acontecem exatamente do jeitinho que imaginávamos, pois se acontecessem, não teria graça! É como num artista sonhando em se tornar um grande astro, ambicionando, fazendo de Hollywood tal terra de sonhos e mais sonhos despedaçados, frustrados, numa terra de prostração, numa atroz competitividade, com muitos pretendentes para poucas vagas de trabalho, como vivenciei certa vez em Porto Alegre o competitivo mercado de modelos, remetendo à força de uma Gisele, sobrevivendo àquilo tudo e conseguindo se sobressair, como disse uma certa senhora: “Dos fracos, a história nada conta!”. O bote está ereto, com tesão de viver e de batalhar, num surfista desafiado por ondas grandes, prostrado perante um mar sem ondas, remetendo a uma certa senhora, deprimida, prostrada há muitos anos, há mais de década, uma pessoa que um dia teve muita produtividade, conquistando o respeito de professores exigentes, numa pessoa hoje de “pau mole”, por assim dizer, e estou me perguntando se um dia ela deixará este mimimi para trás, pois, enquanto isso, sua vida está passando, e isso é muito sério. O homem de preto é o luto e a discrição, numa pessoa que sabe do valor da discrição, como certa vez um certo senhor, punindo severamente outro senhor indiscreto, na figura da discrição do camaleão, preservando-se, assumindo a cor do ambiente, numa invisibilidade. O rosa da moça é a feminilidade, e ela se deixa levar pelo homem, seguindo este, na posição passiva de mãe, esposa e dona de casa, sem carreira, como uma certa senhora, abandonando a carreira para se tornar anônima, na sombra de um homem, e isso não é bom, pois ser dona de casa não traz identidade, como uma Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para abraçar uma enfadonha vida de princesa, aderindo a uma seita para lá de suspeita – é triste. A figura viril remete à famosa Estátua do Laçador na entrada de Porto Alegre, como um rei vislumbrando seu reino, numa figura altiva, como na altivez gaúcha nos festejos farroupilhas, a tragédia que fundou o RS.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

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