Falo pela quarta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Saudade. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é o pincel de Bo falando sobre o pincel do modelo no quadro, em ironias como atriz interpretando atriz, como a deusa Goldie Hawn em uma certa excelente comédia dos anos 1990, uma atriz que simplesmente reina na película, brilhando. Ao fundo vemos nuvens negras, de maldades, na cor preta do Umbral, como uma certa findada casa noturna, escura, atroz, miserável, um antro de submundo, com pessoas se arrastando por ali, sofrendo, numa cópia fiel do Umbral, um antro de vícios, como cocaína, destruindo vidas, como um certo senhor sequelado pelas drogas, condenado a viver o resto de seus anos de vida preso numa clínica psiquiátrica, ou seja, deprimente, no modo como as drogas devastaram a voz de Houston, ou como as drogas ceifaram tão cedo a vida de Elis. Ao fundo parecem cruéis explosões de ataques bélicos, no talento humano de irmão matar irmão, fugindo do aconselhamento cristão: Amai-vos uns aos outros, resultando bem pelo contrário: Devorai-vos uns aos outros, no modo como o Ser Humano pode ser tão cruel, como nas cruéis fogueiras da Contarreforma de Mary Tudor, executando pessoas da forma mais cruel possível, uma Mary infeliz, um espírito o qual, ao desencarnar, não tem outro lugar para ir senão o Umbral, a dimensão dos que não querem ter uma vida positiva e produtiva. A mulher está em pé e atenta, olhando ao longe, avistando as fumaças negras agourentas, em países mandando armas para países aliados, ou seja, alimentando ainda mais as guerras, na crueldade do serviço militar, arrancando uma pessoa do lar desta, num quartel que não é, definitivamente, uma casa, um lar, numa experiência sequelante, num rapaz que, ao voltar do serviço militar, não consegue se ressocializar completamente. Aqui é um doce dia de verão, numa delícia de liberdade ao ar livre, na paixão de Bo pela orla, pela sensação de liberdade da beiramar, na sensação gloriosa de, ao se chegar no litoral, tirar os calçados e calças simples chinelos, no modo como a Vida é boa quando é simples, em aspectos de simplicidade, gratuitos, como, por exemplo, o homem abraçando por trás a mulher que está cozinhando, dando um beijinho nela, numa reconquista diária, impedindo que o relacionamento caia na mesmice, como numa canção linda de Barbra, dizendo que o sexo se tornou frio e mecânico, longe da intimidade do fazer amor, gostoso, manso, com um olhando nos olhos do outro, com alguns recurso do gostoso pecadinho capital da luxúria, com produtos de sexshops para apimentar a relação, num relacionamento o qual, mesmo não tendo durado para sempre, foi uma eternidade enquanto durou, na vitória do amor e da simplicidade. Podemos aqui sentir a deliciosa brisa, como no delicioso Plano Superior, no qual os dias são agradáveis e as noites são amenas, numa eterna Festa da Uva, numa celebração de vida e beleza, na vitória do agradável sobre o desagradável, fazendo das tragédias naturais a clara prova de que é a Terra quem tenta imitar o Céu, num plano apolíneo no qual a beleza e a limpeza perduram para sempre, no ritual de perfumes ou incensos, dando uma sensação de limpeza e pureza, num plano em que não há uma única partícula de pó ou sujeira. Aqui remete ao deslumbrante complexo de praias da ilha de Florianópolis, SC, em praias tão ambientalmente preservadas, sendo um crime inominável jogar lixos nas areias, num respeito à Natureza, como numa certa praia de nudismo na ilha, na deliciosa sensação de nadar nu no mar, numa nudez tão inocente, natural, como Adão e Eva antes da serpente da malícia, pois como Deus pode ter vergonha do que ele mesmo inventou, que são os corpos do homem e da mulher? É nos esforços pioneiros de da Vinci, dissecando cadáveres, numa época em que ainda não havia surgido a Revolução Científica, em avanços tão formidáveis como a Anestesia, revolucionando o processo de tratamento de enfermidades, como uma mastectomia para extirpar seios com Câncer. A areia aqui é pura e limpa, deliciosa de se pisar, num lar limpo, no prazer de se entrar numa sala limpa com perfume de produto de limpeza, nas elegantes salas metafísicas, com pessoas bonitas e finas, educadas, longe da grosseria do Umbral, com nossos irmãos cá, que sofrem. Apesar das nuvens negras, é uma cena bela, numa paz que deve durar o máximo possível.
Acima, Sinal. Aqui é uma tentativa de contato, como um artista querendo reconhecimento, no modo como as pessoas no Brasil estão extremamente blasés em relação à artista plástica carioca Beatriz Milhazes, a qual neste ano de 20205 expôs na deslumbrante galeria novaiorquina do Guggenheim, um lugar ambicionado por dez entres dez artistas, numa BM em momento de tanta evidência profissional, num Brasil que simplesmente está ignorando o momento na carreira da artista, num Mundo duro, ignorando artistas. O branco é a cor da paz, da limpeza, da Medicina, em esforços globais por paz mundial, num Mundo tão agressivo e aguerrido, como amarelos em eterno pé de guerra com azuis, na metáfora cromática – seja verde, pois não resolverás os problemas do mundo, mas poderás ser uma figura na qual as pessoas possam depositar as esperanças de que existe um plano superior de paz e concórdia, na promessa cristã do Reino dos Céus, da fé, como ouvi num discurso de orador numa formatura do curso de Filosofia: “A Filosofia não muda o Mundo!”. Os pés descalços são a simplicidade, como estar em casa, à vontade, como num campo de capim, só que macio e agradável ao toque, no modo como a Plano Superior é o Éden para os que gostam de ter uma vida nobre e produtiva, num plano em que impera a condição da pessoa se manter ocupada, fazendo algo de nobre, na inevitável perguntinha a um ente querido que encontramos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”, pois Tao é assim, sempre criando, no mito do Gênesis, o qual não pode ser levado ao pé da letra, no lema de uma das edições da católica Campanha da Fraternidade: “Preservar a criação”, no modo como devemos dar ouvidos aos ecologistas, pois a Humanidade, fora da Terra, não tem para onde ir, num Cosmos que pode ter tão hostil à vida humana., resultando em ativismos como o de Leonardo DiCaprio, carismático, engajado na causa ambiental, em esferas tão hostis como Vênus, ficando bem difícil imaginar o dia em que o Ser Humano pisará nas severas condições da superfície venusiana. O aceno aqui é uma tentativa de humano para humano, com cidadão falando com cidadão, num trato polido entre cavalheiros, no qual a palavra de um homem vale mais do que dinheiro, resultando em ditadores que tanto mentem para se manter no poder, enganado muitas pessoas, no maldito Anel do Poder, que fala sobre este apego humano pelo poder, na metáfora de Matrix: Um homem poderoso quer, acima de tudo, mais poder, como num Putin atacando um país pacato, nas desnecessidades das guerras, na competição patética para ver quem tem o maior pau do Mundo, com o perdão do termo chulo, como na competição para ver qual país tem a torre mais alta do Mundo, como na passagem da Torre de Babel, num Ser Humano que nunca está satisfeito, num Mundo que exige que desenvolvamos agressividade, pois desde pequeninos, na escola, estamos concorrendo uns com os outros, para ver qual é o queridinho do professor, como uma certa senhora, a qual, na juventude, só tirava notas excelentes no colégio, no sonho e na ambição de gabaritar todas as disciplinas, numa mulher tão disciplinada, talvez vindo de uma encarnação anterior na qual nunca se centrou e nunca fez algo de produtivo, resolvendo assim, na encarnação posterior, partir em busca de tal tempo perdido, como eu mesmo, pois cometi o erro de abandonar os estudos na faculdade, dando-me depois conta de tal erro, reentrando na faculdade e me formando de uma vez por todas, num sentimento de realização e de fechamento de ciclo, pois, ao preenchermos um cadastro, dá gosto de se assinalar no item de escolaridade: “Superior completo”. O homem aqui é exceção, pois o Ser Humano, geralmente, não quer paz, subestimando esta, no sentimento pleno de paz no Plano Superior, numa dimensão em que fazemos as coisas com calma e placidez, numa vizinhança de amizade, em que não queremos enganar uns aos outros, na redentora canção do U2: “Onde as ruas não têm nome!”, na promessa de que uma vida fina e atemporal nos espera, no triunfo dos que cumprem nobre função na Terra.
Acima, Suíte da lua de mel. A luz que vem da janela remete ao Mito da Caverna, na libertação de se descartar superstições agourentas e ver o Mundo da forma mais clara possível, saudável, num trabalho de psicoterapeuta, auxiliando-nos em ver a Mundo de forma clara e realista, a questão da pessoa não mais ouvir o traiçoeiro coração, ouvindo, assim, a mente, no modo como sofremos quando fazemos escolhas ouvindo o coração, no modo como um casamento é além de amor e sexo, mas uma sociedade, no casamento certeiro entre duas pessoas centradas e pés no chão, estabelecendo uma sociedade de conveniência: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho, ao contrário da pessoa que não ouve a cabeça, sofrendo assim. A moça é formosa, com seios lindos, no sonho de muitas mulheres com próteses mamárias, as quais, sinto em dizer, não ficam naturais, num aspecto de inchaço, de pele assoberbada, remetendo à letra de uma certa canção de outrora, quando o homem feria a autoestima de mulher, querendo mudar isso e aquilo nesta, exigindo que a mulher colocasse silicone, na letra dizendo: “Você faz eu me sentir tão antibonita!”. O banco é o merecido repouso, como Deus descansando no sétimo dia da Criação, algo ignorado no degradante estilo de vida workaholic, numa pessoa que só trabalha e não vive, nos versos de um canção por Barbra: “Não diga para eu não viver e só sentar e produzir! Não se ache digno de chover na minha parada!”. A moça nos olha e nos indaga, como na Monalisa nos olhando, num mistério de obra de Arte, um quadro que, ao ser visto em pessoa, pode ser frustrante, pois, além de ser pequeno, está protegido por uma grossa camada de vidro blindado, fazendo com que o observemos a metros de distância, na sabedoria popular de que tamanho não é documento, como pode ser decepcionante um homem extremamente musculoso, revelando-se vazio e obtuso, como um certo pseudoator, com uma cabecinha do tamanho de uma ervilha, sinto em dizer, na necessidade de olharmos as pessoas por dentro. A sacola é de uma pessoa que viaja, marcada por vários carimbos, como numa pessoa eu já passou por muitas encarnações, construindo assim a grande carreira espiritual, como um ator de longa carreira, interpretando muitos e muitos personagens. A janela é tal promessa de libertação, como um detento contando os dias de cárcere, nos versos do mestre pop Freddie Mercury: “Eu quero me libertar!”. É a imagem de esperança e libertação do Espírito Santo, no glorioso dia de soltura, no qual o desencarnado ri e o Mundo chora, ao contrário do nascimento, quando choramos e o Mundo ri! O cômodo aqui é simples, limpo, sem frescuras, na simplicidade de um líder que nunca perde o contato com o próprio povo, num homem simples, que toma o mesmo tipo de café de seus súditos, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista de que a pessoa tem que aprender por si as ser simples, num caminho autodidata, num ensinamento que nenhum livro ou nenhuma faculdade pode ensinar, como em talentos autodidatas de Jesus Cristo, o qual aprendeu por si a ser a maior cabeça de todos os tempos, num espírito que encarnou numa missão tão gigantesca, seguindo para sempre por todos os ramos de Cristianismo, em palavras que ecoam até hoje, até o ponto em que o césar pagão romano se converteu a tal doutrina, numa Roma a qual antigamente queimava cristão vivos em espetáculos públicos – é um horror. Os seios aqui são a fartura, como em países fartos e ricos como o Canadá, o qual, de tão desenvolvido e bem administrado, faz parecer com que Nova York pareça terceiro mundo! Aqui é o modo cultural ocidental de exibir o corpo da mulher, ao contrário das machistas burcas, fazendo da mulher uma mera propriedade do homem, como um pai negociando sua própria filha, fazendo desta uma moeda de troca, na obsessão de Henrique VIII em colocar no Mundo um herdeiro varão, na figura feminista de Elizabeth I, provando ser tão boa como qualquer homem.
Acima, Tão longe. Aqui é um distanciamento, talvez num desafeto, em laços que precisaram ser quebrados, por medida de segurança existencial, como uma pessoa que se dá conta de que Fulano é sociopata, tendo que se proteger e reservar-se deste. O fogo são as tragédias de incêndios florestais, destruindo tudo e todos, na prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu, na limpeza das cidades metafísicas, limpíssimas, num sonho de administração de qualquer cidade terrena, no bravo trabalho de nossos garis, limpando nossas calçadas, no modo como nenhum trabalho é em vão, e tudo faz parte da construção da grande carreira espiritual, na dignidade dos que laboram, ao contrário do improdutivo, que leva uma vida vazia e desinteressante, como já ouvi: Uma pessoa rica só pode se manter sã se trabalhar, numa pessoa que se vê produtiva, ao contrário de pessoas que só produzem uma coisa – merda, com o perdão do termo chulo. O fogo é um desejo ardente, numa vontade de viver, em algo que arde em sonhos de alguém, como no humilde colono na Serra Gaúcha, sonhando em ter seu pedaço de terra, algo impensável na pobre Itália, um país em que a fome era um problema, nos festejos da Festa da Uva em honrar tais antepassados, tendo estes feito tais esforços heroicos, na fartura de uma mesa de galeteria, fartíssima, numa mesa de rei, abismando certa vez uma italiana que almoçara em tal restaurante: “Mas Deus, quanta comida! Como vocês comem!”. São esses países fartos e desenvolvidos, como a Suécia, em países civilizados, com cidadãos cordatos e cultos, polidos, na importância da produção de cultura erudita, civilizatória. Os meninos aqui contrastam um com o outro, como num jogo de Futebol, com camisas diferentes, nas competições que tantos índices de audiência geram na Televisão, num espaço publicitário caro, muito caro, com anunciantes investindo milhões de dólares em poucos segundos de anúncios, em eventos de tanta audiência. O espelho de água é o espelho de Narciso, olhando-se e admirando-se, na soberba da pessoa narcisista, como uma certa popstar, a qual disse, numa letra de canção, que passara algum tempo como uma narcisista, no modo da pessoa ter uma estrutura psíquica muito forte para não ficar assim, nunca deixando subir à cabeça, no caminho franciscano da humildade, das humildes sandálias, pois quem embarca numa de Narciso, acaba perecendo, no modo como já vimos tantos astros ascendendo e descendendo. O espelho remete à impecável arquitetura de Brasília, no sonho de Niemeyer, numa cidade tão primorosa, tão bem projetada, com linhas de leveza, parecendo que as estruturas são frágeis folhas de papel, na ironia de Niemeyer: Fumou avidamente a vida inteira e foi até os fartos cem anos de idade! O rapaz de preto pede por paz, segurando uma bandeira branca, nos esforços da ONU em pedir paz mundial, num Ser Humano que subestima o poder da paz, havendo no Plano Superior tal paz inabalável, onde tudo é feito com calma e placidez, longe dos grandes e violentos centros urbanos, cheios de narcotráfico e bandidos, na pessoa que definitivamente se identifica com o crime, com o estado paralelo, havendo a reincidência no crime, no modo como o sociopata inicia desde cedo sua carreira criminal, maltratando pequenos animais e maltratando os coleguinhas na escola, sendo naturalmente tolhido pela sociedade por tal, construindo, assim, uma máscara e levando vida dupla, nessas pessoas que levam vida dupla, como um certo senhor: Numa vida, é um homem heterossexual que se relaciona com uma pessoa do sexo oposto; noutra, um operador de telessexo, tendo conversa eróticas com quem ligar, inclusive homens! O fogo aqui é algo findado, destruído, num marco de definição, na revolução que foi a chegada do fogo à Humanidade, aquecendo-se e cozinhando. Apesar do fogo, aqui é um céu plácido, limpo, na predileção de Bo Bartlett por cenas ao ar livre, especialmente na praia, este lugar onde se respira ar puro e livre, na delícia do vazio da orla, deixando-nos escrever em tais linhas brancas, como numa criancinha faceira, divertindo-se em tal água deliciosa, na virtude infantil, que é se contentar com pouco.
Acima, Temporada de furacão. Os olhos estão fechados, submersos em sonhos, num estado de torpor e inconsciência, numa pessoa que não vê o que há ao redor. A cesta é a delícia do piquenique, numa refeição simples e maravilhosa, deliciosa, à beiramar. A mulher de preto é o luto, a discrição, como a senhora minha bisavó, a qual, ao enviuvar, só vestiu preto até o fim da vida, nessas senhoras digníssimas, respeitadas pela comunidade, e quando minha bisavó faleceu, a casa dela esvaziou, pois as pessoas iam lá exatamente para visitá-la, na imortalidade dos vínculos de família, os quais sobrevivem ao desencarne, no mesmo amor que minha mãe teria pelo filho de meu sobrinho. A pedra é a solidez, numa vida firme e sólida, centrada em algo produtivo, como um homem centrado, pés no chão, dando à esposa uma sensação de segurança e solidez, remetendo ao divórcio de um casal de amigos meus, na mulher colocando fora um homem sério e centrado, focado no trabalho, talvez um homem que se mostrou muito pouco romântico, frustrando as expectativas da mulher, talvez num sexo que começou a esfriar, ficando mecânico, longe do sexo romântico e manso. Aqui é a delícia de um banho de Sol, no consolo solar, no termo “lagartear”, fazendo menção ao lagarto tomando os raios de Sol, como certa vez no jardim da casa na qual morei por muitos anos com mina família, um lagarto super discreto, o qual se enfiava de volta na toca assim que ouvisse o mínimo ruído, num instinto de preservação, como na esperteza do camaleão, invisível, escondendo-se das presas e dos predadores. Aqui é essa predileção de Bo por moças jovens e belas, discretas, como modelos lindas num atelier, em aulas no curso de Artes Plásticas, como modelos nuas ou nus, pois como Tao pode ter vergonha dos corpos que Ele mesmo projetou? O corpo humano não é belo? O céu é livre e limpo, num glorioso dia de Céu de Brigadeiro, no modo como são raros os dias em que o Brasil todo fica ensolarado, num país de medidas tão gigantescas, como hoje mesmo ouvi uma canção de Lulu Santos: “Tudo bem! Todo mundo nu! No Brasil! Sol de norte a sul!”. Aqui é tal convívio harmônico, em paz, num país neutro como a Suíça, numa polida neutralidade, em países tão apolíneos, como me disse uma certa moça brasileira, a qual morou um tempo na Suíça: Quando voltamos para o Brasil, ficamos um tanto revoltados, pois a Suíça é tão maravilhosa, e o Brasil é tão problemático! Aqui podemos sentir a brisa deliciosa do mar, num cenário de prazer, num ar de libertação, nas doces ondas indo e vindo, como no fim do filme Contato, no qual uma astronauta tem uma experiência metafísica, numa praia tão linda e deliciosa, reencontrando seu já falecido pai, como certa vez eu me emocionei numa mostra de decoração e arquitetura, num cômodo decorado como uma doce praia de Bali – será que fui balinês numa encarnação passada? Apesar do título do quadro, não há furacão aqui, mas uma brisa doce, em doces momentos de férias e descanso, no siso de se encerrar o veraneio e voltar para a vida rotineira, numa divertida tira do formidável cartunista Carlos Iotti, na família voltando de carro do veraneio, todos com caras emburradas, fechadas, no divertido termo “cara de tacho”. Aqui remete a um certo senhor, o qual, ao viajar para Nova York, dormiu por alguns minutos numa ensolarada pedra no Central Park, no caminho da simplicidade: O melhor de NY é de graça ou custa pouco dinheiro, como no deslumbrante museu Met, numa “injeção intravenosa” de Arte, num museu tão bem organizado, enorme, dando-me vontade de um dia ver o Louvre, o qual necessitaria de sete dias inteiro dentro para dar conta de tudo de Arte que ali existe, no modo como a Arte é um terreno muito vasto. Aqui é o delicioso pecadinho capital da preguiça, pois não canso de dizer que foi da preguiça que surgiram as grandes invenções da Humanidade: Por que “me matar” subindo e descendo escadas se posso fazê-lo comodamente dentro de um elevador? E a Roda não é uma invenção totalmente revolucionária? Ao cozinhar, posso fazê-lo em muito menos tempo numa panela de pressão!
Acima, Terra abastada. O homem é a virilidade do trabalho, como nos homenzarrões corpulentos do pintor italiano Aldo Locatelli – se você, leitor, algum dia visitar Caxias do Sul, não deixe de visitar a Igreja de São Pelegrino, a qual é um deslumbre com as pinturas de AL, num templo de se tirar o chapéu, e, além disso, tem uma réplica da Pietà de Michelangelo, um privilégio este que poucos templos católicos ao redor do Mundo têm. O baú com tesouros é a ambição humana, na noção taoista de que, quanto mais tesouros tenho, menos seguro estou, no sentido da pessoa ter o mínimo possível, no caminho da simplicidade. A câmera é a Sétima Arte, no ponto de reviravolta que foi a chegada do som ao Cinema, inaugurando, assim, a Academia de Hollywood, no modo como um Oscar pode ser uma maldição e um problema, pois quando beijo um doce momento de sucesso, quero em manter em tal momento, e isso não é possível, pois o dia seguinte amanhece e a vida continua em toda a sua dureza habitual, e os exemplos são vastos, como num Michael Jackson, o qual passou o resto da vida tentando superar o esmagador sucesso de Thriller, no qual o astro se transformava em lobisomem, arrebatando o Mundo, gerando o disco mais bem vendido da História da Indústria Fonográfica Mundial. A claquete é o instrumento de trabalho, num trabalho de continuista, evitando erros crassos de continuidade, numa ironia de erro crasso no final de uma película do mestre Martin Scorcese, numa cena com Leonardo DiCaprio, este astro de tão esmagador carisma, o qual costuma fazer boas escolhas de projetos, derrapando recentemente numa certa película ruim, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel – hoje, está com você; amanhã, não se sabe. O rio é o curso natural das coisas, num caminho natural de Tao, no rio que nunca cessa, na sabedoria dialética de que tudo é processo, no caminho da Eternidade, sobre a qual não é possível de se falar, pois o Tao sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro Tao. A moça aqui espera comportada, paciente, talvez na artista esperando para filmar, como me disse certa vez um maquiador: Atores profissionais, ao estarem maquiados e prontos, têm que esperar pacientemente para gravar ou filmar, num caminho de disciplina. A montanha ao fundo é o espetáculo da Natureza, numa locação especialmente escolhida para filmar, escolhendo cenários, como Peter Jackson escolheu a Nova Zelândia para filmar a saga O Senhor dos Anéis, num paciente trabalho de “formiguinha”, abraçando as etapas do labor, numa paciência. O homem de costas está alheio ao quadro, e deixa a mulher protagonizar, num gesto de discrição, como num treinador de Box num filme com Stallone, com o treinador alheio a frescuras e desnecessidades, ficando com os pés no chão, sério, centrado. O machado é a virilidade do lenhador, no trabalho de força para cortar madeira, um serviço que dá ao lenhador um grande condicionamento físico, como num vaqueiro o qual a vida inteira andou de cavalo, desenvolvendo tal condicionamento. O machado remete à metáfora no final do filmão Fargo, com o monumento do lenhador com o machado, com duas leituras: A sã, que é o valor do labor e da virilidade; a insana, que é o machado como ferramenta de assassinato. A moça aqui está pudica, com os joelhos à mostra, como me contou uma senhora que foi rainha da Festa da Uva na época da moda da minissaia, rainha que ficara constrangida por usar uma saia tão justa num evento público. O homem sem camisa é a liberdade, remetendo a um certo publicitário, o qual disse que, certa vez, na época em que os comerciais de cigarro ainda eram permitidos na TV, houve uma campanha publicitária de halterofilistas fumando sem camisa ao ar livre, uma campanha que acabou fazendo muito sucesso entre os homossexuais. Na base do quadro, um trilho, para mover a câmera, nos mecanismos de set de filmagem, no triste modo como ninguém no Brasil fica rico fazendo Cinema, assim como Teatro no Brasil.
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.






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