quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Bom Bo (Parte 2 de 28)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Um quarto para elas. Aqui pode ser um caso de homossexualidade, como certo dia em um café, quando uma moça me apresentou outra moça, dizendo serem namoradas, e eu fiquei desconcertado, pois não imaginava que aquela fosse gay. É como no teor lésbico de As Horas, num livro tão delicioso e envolvente, tão bem escrito, com a caneta de Michael Cunningham. Os espelhos são a feminilidade, no modo como as lésbicas têm um mundinho só delas, num Clube da Luluzinha, onde homem não entra, como em religiosos de uma certa religião, onde homem não se mistura com mulher e viceversa, como na Grécia Antiga, na cisão entre os sexos, como na Ilha Paraíso, lar da heroína Mulher Maravilha, uma ilha exclusivamente de mulheres amazonas, treinando técnicas bélicas, no ícone feminista de MM: Bela e formosa, porém forte e agressiva, resistente, blindada a qualquer tiro de canhão. A cama é o romance, como em românticos lençóis de cetim, nos versos de uma certa canção pop: “Lençóis de cetim são muito românticos, mas o que acontece quando você não está na cama?”. É na questão de se ouvir a cabeça antes do coração, como num filme com Gwyneth Paltrow, em que esta interpreta uma menina rica que exige uma proposta muito sólida de um rapaz pobre, ou como em As Pontes de Madison, numa mãe de família que deixa de ouvir o coração para ouvir a cabeça, mandando seu amante à merda, com o perdão do termo chulo, um amante que não soube fazer uma proposta concreta, nem pés no chão. O azul do vestido é a cor do céu, a cor dos sonhos, numa pessoa que sabe que a Vida não é somente pagar as contas, e que a pessoa tem que sonhar um pouco, almejar algo maior, no termo “Vá carpir um lote!”: Lotes têm que ser carpidos, mas isso não significa que sua vida tenha que ser somente isso! É o sonho de uma pessoa que quer prosperar na “selva” que é Hollywood, que é a terra do sucesso e a terra do fracasso, com tantos e tantos sonhos despedaçados, em almejos frustrados, numa concorrência tão atroz, em pessoas forte como uma Gisele, sobrevivendo a um mercado tão duro e cruel, um mercado volúvel, sempre em busca do frescor de rostinhos novos, num mercado que adota e, ao mesmo tempo, descarta, como um certo senhor, o qual trabalhou por anos como modelo, mas se desiludiu com a função, decidindo se tornar médico, num caminho de identidade, de saber qual é seu próprio lugar no Mundo, no sentido da pessoa se encontrar, como um grande amigo meu, o qual sabe me enxergar por dentro, o qual me disse numa época me que eu estava perdido: “Estás perdido!”, numa pessoa íntima, que sabe pelo que passo a nível existencial, acompanhando-me de alguma forma, um senhor tão nobre e gente boa, o qual sofria estúpido bullying na escola, esse assédio moral tão desprezível, como na grosseria do trote universitário, uma enorme falta de respeito para com o cidadão, o qual tem que ser respeitado e levado a sério. As moças olham para o espectador, desafiando-o. A luz entra suave no cômodo. Elas são jovens, no modo a juventude pode trazer tanta irresponsabilidade à pessoa, numa época em que não temos juízo ou senso de consequência, fazendo da vida uma aventura adolescente, como eu, que fui quase reprovado duas vezes numa mesma série no colégio: Vamos combinar que cursar três vezes o terceiro ano do Ensino Médio é dose cavalar! As moças são belas e voluptuosas, no modo como, quando uma lésbica resolve se arrumar, não deixa pedra sobre pedra, como na grande estadista Elizabeth I, a qual levava extremamente a sério o se arrumar na hora de ir a público, conquistando, assim, a fé e a confiança do povo inglês, numa pessoa que sabe que a aparência é muito importante na vida pública, como um certo senhor sociopata, o qual recebeu muitos votos por ser um homem muito arrumado a engomado, como na impecável aparência de Hitler, o homem mais diabólico da História do Homo sapiens, um homem cujo intuito era acabar com o Mundo inteirinho, num homem tão desprovido de apuro moral, o qual é o sentido da vida, que é o crescimento e a depuração como alma. Aqui é uma cena de retiro e intimidade, no conforto da casa, nesse lugar inequiparável, pois por mais luxuoso que seja um quarto de hotel, não é nosso lar! Aqui remete a uma certa senhora gay, a qual definitivamente não tem paciência para delinear as sobrancelhas.

 


Acima, Vagalume. Aqui remete a doces lembranças de veraneio de Jurerê, SC, com os vagalumes entre os arbustos, nesse ser tão mágico, com sua luz de dentro, num ser tão exótico, como num certo belo comercial de TV de Natal da rede Zaffari de supermercados, com um pinheiro de Natal todo iluminado por vagalumes, na magia de um pinheirinho todo iluminado e colorido, numa época infantil de início de férias doces de verão, em brincadeiras na piscina ou no mar, nos versos de uma certa canção: “O verão veio como canela, tão doce, com menininhas pulando corda no concreto!”. Aqui é um limiar, nem dia, nem noite, na sexy dubiedade da luz do luar, tanto escondendo quanto revelando, na magia de um lobo uivando ao luar, em lobos ameaçadores numa mata, no arquétipo da feminilidade sexy e rubra de Chapeuzinho, como num comercial de fragrância feminina, com a agressividade do lobo, como no herói viril Wolverine, no jogo de sedução entre opostos, no discernimento de que liso e áspero são faces do mesmo trabalho: Tenho que ter a sisuda disciplina para sentar, trabalhar e produzir; por outro, lado, encontro um trabalho que me dá prazer e satisfação. É como nas palavras do deus Jô Soares, contando piadas antes de fazer a entrevista, dizendo, ao final das piadas: “Vamos trabalhar!”. O lar ao fundo é tal refúgio, tal porto seguro, no modo como, no fundo, a criança gosta de receber limites e ordens, pois estes dão à criança a sensação de proteção e invólucro, de segurança, como uma certa senhora psicóloga, mãe de três filhos, impondo regras rígidas dentro de casa, numa mãe ao fim do dia tendo que colocar ordem numa casa, mandando o filho tomar banho, por vezes gritando com os filhos, nas palavras da senhora minha mãe: “Vá abrir a porta da garagem para teu pai, que está até agora trabalhando para nos sustentar!”. É no peso de responsabilidade de um amigo meu, tendo que sustentar a si, uma esposa e duas filhas, trabalhando de Sol e Sol para prover um elevado nível de vida, como morar num belo apartamento, num belo prédio, como já ouvi: “Ser pai é sentir na carteira as dores do parto!”. A cabeça de um dos meninos está sutilmente iluminada, como o vagalume, nessas mentes que brilham, deixando-nos perplexos, como um certo senhor, um “bruxinho”, com uma inteligência emocional enorme, cheio de instinto e vida, mas um senhor que tem certas amarras psíquicas, sentindo-se uma cópia menor de outrem, quem sabe numa certa falta de autoestima, como outra certa senhora, uma pessoa de extremo bom gosto e fineza, mas uma pessoa com amarras, que ficou a vida inteira se escondendo do Mundo, nunca mostrando a este tal talento, e neste momento já é tarde demais, pois tal senhora está com demência, essa horrível doença que faz com que a pessoa se esqueça de tudo: família, cônjuge, amigos, carreira etc., como Roberto Marinho, pai das organizações Globo, o qual, nos últimos anos de vida, ligava para a Globo pedindo emprego, o que equivale ao Rei da Inglaterra pedir emprego para um cônsul. Aqui é uma cena de fazenda, campestre, no modo como o campo exerce fascínio sobre as pessoas da cidade, do concreto, do asfalto, naquele cheiro de bosta ao ar livre, cheiro de mato. Aqui é a predileção de Bo Bartlett por cenas ao ar livre, no ar livre, longe do cheiro de óleo diesel em Manhattan, esta urbe de vida artística tão pujante, como no Met, no MoMA e no Guggenheim, numa injeção intravenosa de Arte, nos versos de uma certa canção: “Em Nova York! Selva de concreto onde os sonhos são feitos! Não há o que você não possa fazer!”. O pasto aqui é como um carpete, no gado pastando de forma contínua, nessa função tão básica que é a alimentação, em restaurantes finos, fornecendo algo tão básico como alimento. O vagalume é uma das provas da riqueza biológica da Terra, numa esfera tão, mas tão rica, nos esforços científicos para se descobrir vida fora da Terra, numa busca incessante por conhecimento, num sistema solar nosso tão inóspito, frio, sem vida, num Cosmos tão vasto, infinito, na máxima islâmica: “Alá é grande!”.

 


Acima, Vashon Academy. A moça aqui está recatada, como na tímida Vênus de Botticelli, numa nudez fina, de bom gosto, como na Playboy brasileira, num nu de tão bom gosto que caia na predileção até de homens gays, numa linha divisória entre sexy e vulgar, ao contrário de outra certa revista, numa nudez mais vulgar, quase ginecológica. Aqui temos uma ironia de metalinguagem, pois é o pincel da pintura no quadro sendo retratado pelo pincel de Bartlett, no mesmo caso de uma atriz interpretar outra atriz, como Goldie Hawn em O Clube das Desquitadas, um papel que deixou a diva muito confortável. O pincel aqui é fálico como uma agulha, como no formato abrasivo de pirâmides, num recado na época: Não se meta como Egito! É como uma escova áspera e abrasiva, no lado macho da Vida, da luta, como numa dona de casa esfregando o chão com força e virilidade, nas palavras de briga entre marido e mulher, com esta dizendo, aos berros: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”. A modelo é jovem, é claro, na paciência de uma modelo, como a deusa Michelle Pfeiffer, a qual, na produção de uma certa película, ficou certa vez seis horas numa cadeira de maquiador, num trabalho pesado, sisudo, árduo, longe do glamour que costuma acompanhar a Sétima Arte, remetendo ao Festival de Cinema de Gramado, o mais importante do Brasil, em pessoas histéricas querendo ver as celebridades, num pacto silencioso: As celebridades fingem que são deuses; as pessoas comuns fingem que acreditam. São os tolos sinais auspiciosos do Mundo, desviando nossa atenção do que importa, que é a dignidade, numa pessoa austera, que sabe que tem que ter mérito, no desafio de um ator em conquistar o respeito das pessoas, no desafio de ser levado a sério, em grandes mestres como Chico Anysio, construindo uma riquíssima galeria de personagens, deixando um legado para sempre, no privilégio do Brasil ter tido aqui tal gênio impecável, arrebatador, com tantos artistas maravilhosos que a nação brasileira já teve, num Brasil de uma cultura tão rica, remetendo à Rádio Brasil FM, de São Paulo, veiculando somente música nacional, no modo como minha irmã eu crescemos ouvindo Elis Regina, a musa de meus pais, os quais já foram a três shows da deusa, em hinos sacrossantos como O Bêbado e a Equilibrista, na trilha sonora da anistia em meio ao final do governo militar, num clima de esperança e reabertura, numa época em que só obtinha problemas coma as autoridades quem partia em busca de tais problemas, pois era uma época em que os cruéis bastidores dos militares eram confidenciais. O relógio discreto é a passagem do tempo, e a modelo tem que ter paciência, como numa divertida passagem de uma atração de um parque temático da Flórida, EUA, com a Monalisa sendo pintada por Leo, com esta impaciente, carrancuda, batendo o pé em impaciência, no modo como um pai ou mãe tem que ter doses cavalares de paciência para aturar as travessuras infantis, no modo como está sempre bagunçada uma casa com criança pequena, num trabalho de arrumação que nunca acaba. A paleta de tintas é a cor variada carnavalesca, numa alegria fina, bela, cheia de verve, em salões elegantes, com pessoas polidas e agradáveis, ao contrário do espírito sofredor que vaga pelo Umbral, a dimensão da grosseria e da desnecessidade, da sujeira, num espírito resgatado de tal plano, indo a um banheiro ensolarado para tomar um bom banho, deixando para trás as sujeiras da grosseria, nesse ritual diário, como naquele país amigo chamado Bahia, no padrão cultural de se tomar dois banhos por dia, até três, se desejar. As tranças da modelo e o coque da artista são a disciplina, a arrumação, no ritual de autoestima, que é se arrumar antes de sair de casa, ao contrário da pessoa sem autoestima, saindo de casa com qualquer roupa, com o cabelo de qualquer jeito, no modo como dá gosto de se ver uma mulher elegante, arrumada, principalmente senhoras de mais idade, sabendo que idade não é pretexto para parar de se arrumar. Neste atelier, temos um profundo silêncio, num momento de paz e concentração, na disciplina para criar.

 


Acima, Vashon Ferry. Aqui é um momento de retiro, num saudável momento de solidão, no Deus do filme Dogma: Solitário, mas engraçado! Podemos sentir o frescor da beiramar, num cheiro de mar, de orla, e podemos ouvir o acalento das ondas quebrando na orla, num delicioso sonho embalado por tal “canção de ninar”, num aspecto relaxante, prazeroso, no modo como a orla nos dá uma sensação de liberdade, usando chinelos de dedo, numa simplicidade, no modo como a Vida é boa quando é simples, como sentar num gramado de parque e conversar com amigos, tomando um café ou um chimarrão – os amigos são o ouro da Vida! É como no famoso espírito Patrícia recém desencarnado, com um espírito amigo lhe dizendo: “Aqui você está entre amigos!”, nesse fenômeno de popularidade que foi o livro Violetas na Janela, dando-nos uma noção do desencarne, no vitorioso retorno ao lar superior, pois as tragédias naturais na Terra são a prova de que é a Terra o que tenta imitar o Céu, e não o contrário. O mar aqui é muito plácido, silencioso, delicioso, no “pavor” para os surfistas, prostrados perante um mar sem ondas, num surfista com tanta vontade de viver, de pegar ondas, deliciando-se com desafios, como numa faculdade, naqueles professores excelentes que desafiam o aluno, exigindo deste, como minha professora de Filosofia, a qual me pediu um trabalho sobre Santo Agostinho, no modo como todos somos prisioneiros, sem exceções, desde um mendigo na Rua até o Rei da Inglaterra, e a diferença existe no que resolvemos fazer de nossos dias de cárcere: Uns levam uma vida nobre e produtiva; outros, nem tanto. É como uma psiquiatra que conheci, já falecida, uma mulher que levou uma vida nobre, auxiliando os que tinham problemas espirituais, uma mulher que voltou de cabeça erguida ao Plano Superior, num sabor de missão cumprida, numa pessoa sem medo de lutar, nas sábias palavras de Dercy Gonçalves: “A Vida é luta!”, ao contrário dos moradores de Rua, pessoas que querem, com todas as suas forças, fugir da Vida, escondendo-se da Vida, da luta, no modo como já vimos tantas estrelas artistas aparecendo e desaparecendo, pois quem para de lutar, some – simples assim. Os olhos fechados são um sono, um torpor, numa inconsciência, nos versos de uma canção concebida pela exótica artista Björk, falando de um sono profundo, cheios de misteriosos códigos oníricos, na noção Gestalt de que os sonhos são partes de nossos selfs, nossa alma projetada, no trabalho de psicoterapeuta de decodificar tais sonhos, encontrando uma lógica em signos tão herméticos, no modo como precisamos entender as projeções da mente humana, ou seja, parar de nos projetar em outrem, fazendo com que conheçamos a nós mesmos, num ato de esclarecimento, o objetivo da psicoterapia, que é o encontrar a si mesmo, num grande desafio de identidade, nas escolhas que cada pessoa faz, como numa pessoa frustrada que resolve mudar de carreira, como um certo senhor, o qual deixou de ser contador para ser professor universitário de História, no modo como cada um de nós tem o direito de sonhar com uma vida melhor, dando guinadas na Vida, remetendo a uma senhora depressiva, a qual achou que daria uma guinada na Vida ao fazer uma cirurgia plástica, tocar uma boa reforma na casa e a construir uma bela piscina em seu pátio traseiro, só que o tempo foi passando e mostrando a esta senhora que sua vida continuara a mesma merda de sempre, com o perdão do termo chulo, uma senhora que acabou entrando numa hedionda fossa depressiva – temos que nos encontrar dentro de nós, não fora. A moça aqui é fina e discreta, talvez com um papo interessante, numa moça bem criada, nobre, discreta, no discernimento entre beleza fina e beleza óbvia, sendo esta desinteressante e tediosa, decepcionante, como na adorável personagem Betty, do seriadão Ugly Betty, na gata borralheira que se revela bela por dentro, inteligente, pois o sexy está na inteligência, nessas pessoas fascinantes, que se revelam tesouros. A barra de contenção atrás da moça é o juízo, o resguardo, a precaução sábia.

 


Acima, Vassoura queimando. Aqui é um ardor, uma inspiração forte, num desejo que arde, numa vontade de viver, ao contrário de uma certa amiga minha, há anos num mi-mi-mi sem fim, perdendo tempo, pois enquanto ela reclama da vida, sua vida está passando, e ela já não é garotinha, pois está entrando na casa dos cinquenta, e estou me perguntando se, algum dia, ela deixará essa lamurio para trás, numa pessoa apaixonada por sua própria tristeza. A vassoura é o dever do lar, numa vida de Maria, cozinhando, lavando, passando, limpando, num labor que não traz identidade à mulher, como uma certa senhora, a qual abandonou a carreira profissional para se tornar mãe, esposa e dona de casa, como no caso de Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para chupar um pau coroado, com o perdão do termo chulo, e é difícil achar vida mais enfadonha do que vida de princesa, numa pessoa que nada produz, tendo, de graça, casa, comida e roupa lavada. A vassoura é o símbolo da bruxa, no medo da criancinha, como eu, certa vez, na pré escola, com minha professora vestida de preto da cabeça aos pés, e eu disse à minha irmã: “Eu não quero ir para a aula – a professora está vestida de bruxa!”. É na mente binária da criança – ou algo é totalmente do Bem; ou do Mal. Os vilões nos ensinam sobre o Ser Humano, nos gostosos pecadinhos capitais, como uma certa sex shop, com produtos para apimentar relacionamentos, na simplicidade de uma vida com amor, em simples atos como tomar café da manhã sentando(a) no colo do(a) cônjuge, nos imortais versos de Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro – só se quer amar!”. É como me ensinou uma pessoa muito especial: Podemos ser felizes com pouco! E é isso que desejo para cada pessoa: Encontre uma pessoa especial, que toque muito fundo na alma, num amor que perdura, mesmo após o óbito, no modo como tudo se resume a amizade, esta força que nos une sob a luz de Tao, o infinito sobre o qual desenhamos nossa vida eterna, no poder imensurável da Eternidade, a força que nunca cessará. O cenário aqui é solitário, talvez num artista fazendo a catarse de tal sentimento de solidão, como uma pessoa solitária, sempre vagando sozinha, num estilo de vida insuportável, até a pessoa “pedir água” e querer deixar para trás tal vida desolada, em atos patéticos como passar sozinho uma virada de ano – não é triste não ter uma única pessoa para abraçar e dizer “Feliz Ano Novo!”? Não é triste passar um aniversário sozinho? A vassoura aqui está gasta, velha, com uma idade avançada, nos desgastes inevitáveis da Vida, num corpo que inevitavelmente envelhece, num sopro de Vida que vem e vai, como ondas na beira da praia, como modas que ascendem e descendem, pois existe algo melhor do que estar na moda, que é ser respeitado, pois o respeito é perene, e quando as pessoas me respeitam, elas me aceitam do jeito que sou, sem quererem mudar isto ou aquilo em mim – se algum namorado ou namorada quiser nos mudar, temos que mandar tal pessoa à merda, com o perdão do termo chulo, pois amar é entender e aceitar. A vassoura aqui está com anos de serviço, e está se desgastando num tempo de serviço, até chegar ao ponto de ser substituída por uma vassoura nova, como numa pessoa volúvel, que troca de namorado assim como troca de roupa, num “álbum de figurinhas”, colecionando amantes, sempre volúvel, em busca de rostinhos novos, como um certo senhor, o qual levou um “pé na bunda” de alguém, ficando obcecado por este, num amor possessivo e fixado, muito longe do Amor Incondicional, que é leve e desapegado, suave, sutil, fácil de se levar. Aqui é como uma tocha, num alarme, numa pira olímpica, ou numa pira da nação brasileira, num ardor patriota, num amor pela nação, mas sem ser chauvinista, o qual é um patriota agressivo, que diz que algo é perfeito só porque é da nação de tal chauvinista. A vassoura é o aspecto do trabalho feminino no lar, no termo machista “rainha do lar”, como dar de presente a uma mãe um ferro de passar, num trabalho de Maria, árduo, “matando-se” para manter uma casa limpa e organizada.

 


Acima, Véu fino. Aqui remete às coroas de faraós, como no maior mico que já paguei em minha vida, quando fui fantasiado de faraó a uma festa à fantasia, com eu perguntando a mim mesmo como tive coragem de sair de casa vestido daquele jeito, com um rapaz que zombou de mim na festa, com este dizendo que minha coroa parecia um chapéu de mestre cuca! Aqui remete a idas eras em que aluno mal comportado era severamente punido, sendo obrigado a usar um chapéu de “burro”, num método que hoje não mais existe, graças à sensibilidade dos psicólogos, na função do psicólogo de fazer com que nos sintamos bem, para que observemos a Vida da forma mais fria e realista possível, ou seja, ouvir a mente e não o coração, no caminho espírita da mortificação espiritual, quando deixamos de nos levar pela traiçoeiras emoções do coração, fazendo a coisa certa e levando uma vida calma, sem sofrimentos, pois já ouvi dizer que, quando nos apaixonamos, nós nos fodemos, com o perdão do termo chulo, no modo como, num relacionamento, a mente tem que vir antes, como numa sólida proposta de casamento, pés no chão, como num certo filme do mestre Woody Allen, no qual um homem acaba assassinando a própria amante, ou seja, um relacionamento absolutamente desprovido de respeito, na metáfora de entramos na vida de uma pessoa pela porta dos fundos, ou seja, não querer ser um destruidor de lares. Aqui temos uma desigualdade, pois três moças estão sentadas e uma está em pé, como num set de filmagem, na bajulação de ter uma cadeira de repouso exclusiva do astro ou da estrela, numa bajulação que dá “enjoo no estômago”, num mundo em que todos estão, o tempo todo, colocando o “pau na mesa”, com o perdão do termo chulo, num mundo desinteressante, mundano, nojento, por assim dizer, numa promiscuidade de bajulação. Uma das moças aqui tem mais elegância, pois cruza as pernas, na “regra” inglesa de que moças aristocráticas nunca cruzam as pernas em público, numa transgressora Diana, amada por suas transgressões, uma mulher que soube ser algo além do que realeza, algo inconcebível paras as rígidas tradições inglesas. A moça em pé é a atenção, no sentido de nunca podermos baixar aguarda totalmente, sempre cuidando, como num líder sob a luz de Tao, como cruzando um rio com cuidado, como se soubesse que ali tem perigo, num líder extremamente polido, ganhando a confiança do povo, ao contrário de líderes que foram depostos porque se distanciaram do próprio povo, como no caso de Romanov, executado pelos comunistas, num movimento de revolta que começou quieto e silencioso, dando corpo às aspirações de Marx, o qual rechaçava as religiões, pois nenhuma forma de radicalismo é saudável, como no divertido título de uma certa comédia: “Fé demais não cheira bem”. Aqui temos as desigualdades sociais, pois uma das moças está bem agasalhada, mais do que as outras, em esforços como a Campanha do Agasalho, no RS, num inverno que pode ser tão duro, como um certo senhor que conheci, o qual só tinha a roupa do corpo, no versos de manifesto social de uma certa canção: “De um lado, este carnaval; do outro, a fome total!”. É o contraste brasileiro no Rio de Janeiro, com os elegantes prédios à beiramar com as favelas nos morros, numa herança social da escravatura, em fortes manifestos sociais da telenovela Sinhá Moça, nos cafezais paulistas, com negros sendo jogados numa senzala como cães num canil, forçados a trabalhar duramente, tudo em nome das ambições dos barões do café, em horrores escravocratas, com irmão explorando irmão, tudo em nome do cobiçado Anel do Poder, em milhões de brasileiros querendo ganhar na loto. Todas as moças aqui estão de olhos fechados, dormentes, inconscientes, como no Mito da Caverna, no qual não temos consciência de que estamos presos a tolos auspícios, no modo como somos escravos do Capitalismo: Tenho que trabalhar arduamente para produzir capital e, assim, comprar um carrão. A moça ao fundo está retirada e coadjuvante, subestimada, como um estagiário numa agência de propaganda, sendo tratado como merda, com o perdão do termo chulo.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

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