quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Bom Bo (Parte 10 de 28)

 

 

Falo pela décima vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O inconsciente. O tubarão é o perigo à espreita, num predador feroz, capaz de devorar violentamente, como nas leis naturais da cadeia alimentar, em posicionamentos como os dos veganos, negando-se a comer qualquer coisa de origem animal, nos altos e baixos da vida, como Mel Gibson, o qual, com Coração Valente, esteve no topo da cadeia alimentar hollywoodiana, mas num MG que se enterrou com um filme no qual culpou os judeus ela morte de Jesus, numa lei na Meca do Cinema : Não mexa com os judeus, nos altos e baixos, como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje está comigo; amanhã, não sei. O enorme aquário remete ao formidável Sea World, parque temático de Orlando, EUA, com os animais como atrações turísticas, em aquário enormes, com as baleias, ao nadar, jogando banhos de água nos espectadores que estão mais perto da água, na magia de zoos, com animais que ficam ali protegidos, remetendo a um certo pai, provavelmente sociopata, expondo o filho ao risco, permitindo que o filho pulasse uma cerca e tocasse de fato nos animais selvagens, no completo oposto do pai zeloso e carinhoso, no modo como sofrem os filhos de sociopatas, como um certo senhor, o qual já me fez sofrer quando eu era criança – vá tomar no cu, com o perdão do termo chulo. O homem é a contemplação, no modo como a vida pede um pouco de contemplação, pois a vida não é só produtividade, mas descanso também, na sabedoria popular de que Roma não foi erguida num dia só, nos versos de uma canção de Barbra: “Não me diga para não viver e só sentar e produzir!”, remetendo aos workaholics, os quais não respeitam a si mesmos, num estilo de vida degradante, martirizando-se, num Mundo que pouco se importa se sou workaholic ou não; num Mundo que não vai me abonar por eu trabalhar demais, no caminho da pessoa respeitar a si mesma, num caminho de dignidade e amor próprio, como um certo senhor, o qual chegou ao degradante ponto de tocar duas jornadas de trabalho sem descansar no meio – é um horror. O vidro redondo é o Mundo, a esfera que habitamos, num planeta tão ínfimo e fascinante, cheio de Vida, dando “inveja” às esferas mortas de nosso sistema solar, numa incessante busca por Vida fora da Terra, na busca por conhecimento, num Ser Humano ainda tão aquém de encontrar tal Vida, havendo a Arte, a qual é uma celebração da Vida, como tambores imitando a fluidez das batidas cardíacas, em artistas com suas turnês, numa celebração da Vida, de estarmos vivos, em artistas um tanto mal compreendidos como Madonna, a qual paga um preço alto por ser uma mulher num mundo de homens, no método patriarcal de tolher a mulher, oprimindo esta, no mito de Maria, a Virgem, à qual foi proibido ter vida sexual, enfurecendo as feministas, em mulheres lésbicas que criticam energicamente tais preconceitos, no infeliz modo como as próprias mulheres podem ser machistas, como no filme A Letra Escarlate, no qual parte de uma mulher a iniciativa de punir moralmente uma mulher na comunidade, como uma certa professora, a qual ficou mal vista pelos alunos por ir a motéis com namorados, numa imposição de penitência, como jogar grãos de milho no chão para punir tal mulher, como em países opressores, nos quais a mulher é uma moeda de troca, com um pai vendendo a própria filha, a qual tem que aceitar tudo passivamente, como nos haréns dos faraós, mulheres que simplesmente pertencem a uma homem, como na sensível canção Woman in Chains da banda Tears for Fears, numa mulher acorrentada, vendida como um produto mero. O homem aqui é o garbo e a elegância, como hoje mesmo na Rua vi uma pessoa estilosa, elegante, no modo como dá gosto de se ver uma mulher elegante, como certa vez vi Marta Suplicy nos anos 1990 em Caxias do Sul, dando uma palestra sobre sexo para adolescentes, uma senhora muito elegante, com um tailleur impecável, uma pessoa que sabe que, na vida pública, a aparência da pessoa é muito importante, como um certo babaca sociopata, o qual se elegeu exatamente porque tinha uma aparência acima de qualquer suspeita, ganhando os votos do povo. Aqui é a civilização frente à animalidade, numa Natureza sendo domesticada e domada, no Homo sapiens, como a espécie dominante no planeta.

 


Acima, O mágico. A moça quase nua remete a um show de Tango que vi em Buenos Aires, com as moças com fendas provocantes em seus vestidos, num momento em que foi possível de se observar a calcinha da dançarina, no modo como antigamente as artistas eram vistas com maus olhos, consideradas vulgares, protis, em pais proibindo a filha de trilhar tal carreira, remetendo a atrizes como Natália do Vale, uma mulher muito fina e discreta, como na majestade de uma respeitada Fernanda Montenegro, no modo como as unanimidades não existem, pois conheço quem não goste de FM, no modo como há dois tipos de pessoas – as que nos amam e as que têm que nos engolir, no gostoso pecadinho capital da ira e da vingança, mandando uma penca de gente “chupar uma manga”, ensinando uma boa lição aos que nos subestimaram, na metáfora da pedra de ametista, subestimada por ser feia por fora, mas um tesouro de beleza por dentro, no modo como temos que saber ver dentro das pessoas, e não só fora, como uma pessoa de bela estampa, pois por fora está tudo bem – vamos ver por dentro! Aqui são os truques de mágicos que nos deixam perplexos, no escândalo dos programas televisivos do infame Mr. M, revelando os truques de mágicos, enfurecendo, é claro, qualquer ilusionista sobre a face da Terra, num caminho rebelde de transgressão, no papel do transgressor, que é trazer evolução a um determinado corpo social, como casais de moças homossexuais na Rua, de mãos dadas, pessoas que podem contar com meu integral respeito. A moça é a beleza feminina, em seios belos, no formato de cuia de chimarrão, no seio moreno que passa de mão em mão, na beleza do seio feminino, remetendo a uma amiga minha, a qual teve que passar por mastectomia, por causa de câncer de mama, num golpe o qual, é claro, atinge em cheio a autoestima da mulher, perdendo a constituição original de seus seios, remetendo às mulheres siliconadas, num seio que não fica com aparência natural, nessas mulheres de beleza óbvia, quiçá vulgar, como numa comédia adolescente dos anos 1980, num rapaz que cresce, decepcionando-se com uma loira de beleza óbvia e descobrindo o tesouro de beleza que era uma moça morena, de beleza mais fina, sutil e discreta, com um papo muito mais interessante do que o papo da loira, em personagens que crescem, no modo como se tornar uma pessoa melhor é o sentido da Vida, no valor das vicissitudes, as quais parecem que nos atrapalham, mas só nos ajudam, pois se morre melhor do que quando se nasce. O homem de preto é o mistério dos truques, em ilusionistas famosos como David Copperfield, mundial, deixando-nos perplexos ao atravessar uma muralha, como se desafiasse as leis da Física, entretendo ávidas crianças, fascinadas pelos truques. A mulher aqui flutua e desafia a Lei da Gravidade, nas forças gravitacionais que regem o Cosmos, como planetas em torno de estrelas, numa hierarquia física, em galáxias que se atraem, em rotas de colisão que duram uma infinidade de anos, no modo como tudo é processo, e o Universo está em constante processo de transformação, no caminho da Eternidade, o plano infinito no qual nos desenvolvemos, nesse presente de poder imenso, num Deus de mistério infinito, o qual sempre esteve aqui e sempre estará, e não é poder demais a perspectiva de que jamais findaremos? Não é a Eternidade o caminho natural? Nada teria sentido se a Vida cessasse com a morte do corpo físico, na noção taoista de que, se o seu corpo físico morrer, não tem problema, na sobrevivência da mente frente ao óbito físico. A mulher bela aqui é passiva, e aceita o homem, num homem que dá à mulher a sensação de segurança e estabilidade, num homem sério e centrado, sustentando uma casa e uma família, como um certo senhor, com o enorme encargo de sustentar a si, a esposa e as duas filhas, no siso do dia a dia de tal senhor, trabalhando de Sol a Sol para prover tal nível de vida abastado, em recomendações sábias que recebi certa vez: Se você tiver filhos, sua vida nunca mais será a mesma, ou seja, pense duas vezes antes de ter filhos! A moça repousa, sustentada pelo homem, como dondocas sendo sustentadas pelos maridos divorciados, numa vida inativa e desinteressante.

 


Acima, O mensageiro. A bicicleta é a ergonomia, o esforço, como em “ratões” de academias, puxando ferro o tempo todo, num fisiculturista certa vez entrevistado por Fernando Gabeira, dizendo: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”, numa pessoa que paga um preço alto por ter tal condicionamento físico, sendo um escravo de uma academia, pessoas para as quais tal condicionamento é capital, numa atividade que pouco exige de nossa cabeça. A bici aqui descansa, numa pausa, num intervalo, como na hora do recreio na escola, num momento de desligamento temporário, nas lembranças que tenho da sala de professores de meu colégio, com os mestres fumando de um a dois cigarros no intervalo, com a nuvem de fumaça vindo de dentro de tal sala, remetendo à admirável paciência de uma certa senhora não fumante, a qual aturou, por mais de meio século, um marido fumante, no questão do vício – nunca é o suficiente, e sempre é necessário acender um novo cigarro, nos esforços do Ministério da Saúde nas carteiras de cigarro, recomendando a interrupção imediata do uso de tal substância, como dizer que cigarro causa impotência sexual, no divertido modo como há homens fumantes que evitam comprar carteiras de cigarro que falam do risco de impotência, numa certa superstição, como, ao usar sal para cozinhar, jogar uma pitada de sal sobre o ombro, para ter sorte! Aqui são essas cenas ao ar livre que tanto aprazem Bo Bartlett, na sensação de ar puro e liberdade, longe do cheiro de óleo diesel de Nova York, na sedução que o campo exerce sobre pessoas da cidade, no cheiro de bosta ao ar livre, no cheiro de mato, de ervas selvagens, como observar girinos num rio, na força da Vida e da Natureza, sempre lutando para sobreviver, como vi certa vez na Rua uma árvore a qual, ao lado de uma cerca de ferro, simplesmente, com o passar dos anos, começou a envolver e “engolir” tal grade, penetrando nesta, na força da Vida que nos cerca, como raízes de árvores distorcendo as calçadas, como um ser vivo selvagem que luta até o último momento, nas palavras de Hemingway, em que este diz nunca ter visto um ser silvestre tendo pena de si mesmo. A casa ao fundo é o lar, o refúgio, o porto seguro, no tombo inicial que se leva ao se sair de casa e ir morar sozinho, fazendo com que sintamos tanta falta dos zelos maternos, em mães heroínas que arrumam camas, limpam a casa, lavam a roupa e a louça e fazem comida, como me disse minha falecida e querida avó Carmen: “Aprendeste a morar sozinho!”. Num detalhe no quadro vemos um corrimão, numa escada, que leva à areia na orla, na deliciosa sensação de se caminhar descalço por tal areia, remetendo ao infeliz modo como muitas praias são sujas na areia, com dejetos jogados de forma irresponsável, na heresia inominável que é jogar lixo na famosa Praia do Rosa, SC, um santuário de preservação ambiental, um lugar altamente respeitado pelos seus frequentadores, remetendo ao lixo plástico nas águas da Baía da Guanabara, RJ, nesse problema que é o descarte de lixo plástico. O capim aqui tremula gentilmente na prazerosa brisa da beiramar, como se fosse um carpete dentro de casa, na liberdade de se estar em casa, à vontade, no hábito de certas pessoas em ficar completamente nuas dentro de casa, deixando do lado de fora os encargos no Yang, que é o lado macho da Vida, na figura umbandista do Capa Preta, no foco para se obter o sucesso mundano, no modo como temos que entender o força do Yang, mas que temos também que entender que, dentro de nós mesmos, devemos ser mais Yin, num refúgio e num retiro, como estar em casa assando um bolo no forno, num momento gostoso de reserva e paz. A bicicleta aqui são estas grandes invenções, como a roda, no caminho delicioso da preguicinha – por que lavar lençóis a mão de posso fazê-lo numa máquina que lava e centrifuga? São os avanços da Humanidade, sempre primando pela praticidade, a qual fala mais alto sempre. A bicicleta é a doce lembrança de infância, como no trenó Rosebud em Cidadão Kane, numa época em que a vida era mais simples.

 


Acima, O rebelde. Aqui remete à moda atual dos jeans rasgados, numa transgressão de estilo, jovial, como nas modas nos anos 1980, com a juventude com seu estilo, numa década de tamanha sinergia entre moda, cinema e música, minha época de infância, como no boom da AIDS em tal década, fazendo com que minha geração chegasse à maturidade sexual já alertada sobre a necessidade de se usarem preservativos, remetendo às gerações mais velhas do que eu, sendo pegas de surpresa pela AIDS. O vento aqui batendo é a liberdade, como nos EUA, num cidadão que não é obrigado a votar, mas num cidadão que não pode se prostituir, ou seja, com seu corpo pertencendo a um estado, num paradoxo americano, no oposto brasileiro, num cidadão que pode se prostituir, mas que é obrigado a votar. O homem aqui é jovem, com uma vida pela frente, remetendo a um certo rapaz que conheci, viciado em crack, um rapaz alto e bonito, sorrindo para mim e me dando bom dia, falecendo brutalmente ao tentar fugir de casa, onde era prisioneiro, na capacidade da droga de destruir vidas, nessas drogas pesadas, como me relatou uma psicóloga, sobre uma moça viciada em heroína, totalmente fora de controle, tendo que se atada por enfermeiros, uma moça que ficou 48 horas ininterruptas atada gritando, num retrato de puro e absoluto sofrimento, nas drogas que ceifam vidas jovens, como na praça dos drogados em Amsterdã, com uma juventude se drogando, num antiponto turístico, um lugar que nos deixa de coração pesado, como no memorial em Nova York em homenagem às vítimas do infame 11 de setembro, ou como no Museu do Holocausto, deixando-nos de coração pesado, numa porrada na mente, como na peça Masterclass com Marília Pêra, uma peça que começa leve e acaba pesada, como no filme A Bruxa de Blair, no modo como me disse uma psicóloga: “Pessoas muito sensíveis não podem ver filmes de terror”. O rapaz aqui posa firme, sólido, forte, como uma pessoa se autossustentando, farto de ser um menino que depende de outrem, como num filme com o mito River Phoenix, farto de ser menino, querendo ser homem, evocando novamente aqui o poder dantesco das drogas, as quais ceifaram a vida do astro, num rapaz lindo, que ia indo muito bem na carreira, num ídolo da juventude, com tietes histéricas assediando o galã. Aqui remete aos farrapos na Revolução Farroupilha, na tragédia fundadora do RS, nos rebeldes esmagados pelas forças imperiais brasileiras, nas guerras que nada mais são do que fogueiras de vaidades, com um querendo ter o pau maior do que o outro, com o perdão do termo chulo, como na competição fálica para ver qual país tem a maior torre do Mundo, nas inevitáveis competições da vida em sociedade, como no âmbito do showbusiness, com almas narcisistas, desinteressantes, sem papo inteligente, pessoas que só sabem falar de si mesmas, eternamente dando uma entrevista, no modo como, de perto, o mundo das celebridades é desinteressante, sinto em dizer, nessa midiatização sempre para ver quem brilha mais, como em eventos como o baile da revista Vogue Brasil, para ver qual tem o vestido mais maravilhoso, no modo como, em tais eventos midiáticos, dá de tudo em relação a trajes, com trajes elegantes e trajes não tão elegantes, remetendo a uma certa atriz, a qual, talvez a nível inconsciente, quer agredir, pouco se arrumando para premiações solenes de gala, no modo como o se arrumar é uma questão de autoestima e amor próprio, como sair de casa perfumado, no fascínio das fragrâncias, objetos de cobiça, de luxo, como em pessoas em freeshops em aeroportos, tentando burlar a vigilância e levar de graça tais bens de consumo, na noção de Coco Chanel de que estar perfumado é um luxo, pois ninguém vai passar sérias privações por não estar perfumado, na coragem transgressora de CC, libertando a mulher, no conceito de simplicidade de que o que vale não é o valor financeiro do adorno, mas o efeito que este traz, como usar no cabelo flores, num penteado lindo, que pouco custou no bolso, na noção taoista de que cada um tem que aprender por si o que é simplicidade.

 


Acima, O retorno das três graciosas do exílio. O exílio remete ao Brasil ditatorial, com pessoas anistiadas, voltando do exílio ao som do hino sacrossanto da MPB O Bêbado e a Equilibrista, no modo como minha geração cresceu ouvindo Elis, como meus pais, os quais já foram a diversos shows da diva, mas minha geração acabou sendo a geração Marisa Monte, na noção de que o novo sempre vem. Aqui é uma produção de cinema ou TV, no advento da sétima arte, na revolução que foi a chegada do som ao cinema, inaugurando a Academia de Hollywood, num troféu tão cobiçado, na noção taoista de que o sucesso é um problema, como o diretor Walter Salles, o qual terá que “sambar” para superar o Oscar que ganhou recentemente, fazendo do sucesso tal prisão, como na atriz Marisa Tomei, a qual, definitivamente, não sobreviveu ao Oscar que ganhou cedo na carreira, muito cedo. A casa ao fundo, queimando, é o ardor do artista, no poder dos sonhos, numa pessoa sonhando alto, como disse certa uma mãe a uma certa pessoa: “Você sonha alto demais”, enfurecendo tal filha, a qual mandava a própria mãe à merda, como perdão do termo chulo, remetendo a uma certa pessoa, a qual está há quase vinte anos num mimimi sem fim, perdendo tempo, com sua própria vida passando enquanto isso, no modo como o Mundo pertence aos guerreiros, aos que lutam pela vida, nunca sentindo pena de si mesmos, no verso do hino nacional brasileiro: “Vera que filho teu não foge à luta!”, no modo como os que param de lutar, desaparecem, no modo como todos já vimos tantos astros e estrelas aparecendo e desaparecendo, na força para se sobreviver por décadas no mercado, como num Tom Cruise, um sobrevivente, com décadas de luta na carreira, com filmes memoráveis e filmes nem tão memoráveis – é assim mesmo, meu irmão, pois ninguém está por cima o tempo todo, fazendo do sucesso tal amante infiel. As moças aqui tremulam de branco, na cor da paz, do apelo por paz, no poder da delicada flor sobre a grossa arma, no conceito de que a paz é maior do que a raiva, havendo no divino Plano Superior tal plano de paz, de ruas plácidas, com tudo sendo com calma, num lugar de respeito, onde ninguém quer nos enganar, remetendo a um certo senhor que me enganou, numa falta de apuro moral, e eu sempre digo que a palavra de um homem vale mais do que dinheiro, com pessoas cuja visão não vai além da “esquina”, numa pequenez moral, resultando em homens microscópicos, ínfimos, nunca dignos de respeito. A moça de vermelho que ergue o microfone é o labor, o trabalho, a labuta, no modo como não há esperança aos que não lutam, remetendo a uma certa dondoca fofoqueira, maliciosa, uma pessoa para lá de desinteressante, uma pessoa que nada mais produz do que fezes na privada, havendo no Plano Superior a necessidade de seguirmos com uma vida produtiva, no poder do trabalho, na inevitável pergunta que fazemos aos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”, num Céu que, definitivamente, não é cheio de anjinhos tocando harpas, na imortal seriedade da vida, na imortalidade dos vínculos de família, na saudades que nos dá os nosso avós já falecidos, entes que nos esperam lá em cima, na suprema inevitabilidade do óbito carnal, fazendo de nossos corpos algo com prazo de validade, por assim dizer. O chão aqui é íngreme, na diagonal, numa rampa, na força da gravidade, remetendo aos ignorantes que, em pleno Século XXI, creem que a Terra é plana, no modo como faz falta num país a produção de cultura erudita, nos bancos escolares, em países pobres como o Brasil, com uma frágil rede de ensino, fazendo das escolas tais instrumentos de cidadania, formando cidadão cultos e cordatos, em nações tão apolíneas como a Suécia ou Suíça. A filmadora é o galgar das tecnologias, sendo só questão de tempo para que o Homem mande astronautas para Marte, garantindo o retorno a salvo destes, numa questão de evolução de tecnologias. Ao fundo no quadro, picos nevados altivos, na frieza do pensamento racional, o qual serve para deixar o coração tranquilo, livre de sofrimentos – ouça a cabeça!

 


Acima, O sonhador. É claro que aqui é o merecido repouso, como em férias, um momento para nos desplugar dos sisos da vida, no modo como na vida tem que haver uma certa contemplação, no sentido da pessoa apreciar um pouco a vida, como fazer uma viagem, ou como ir à praia, na sensação de férias, de vazio, de vadiagem, sem produzir coisa alguma. Aqui é como na posição de repouso em Matrix, num sono, remetendo ao personagem Morfeu, o deus do sono, numa conexão com o mundo de simulação, na ficção que mostra a inteligência artificial subjugando a Humanidade, numa guerra entre homens e máquinas, no final conclusivo de Matrix Revolutions, com a Humanidade vencendo tal guerra, com o herói Neo dando a própria vida para salvar os seres humanos, remetendo ao filme seguinte Matrix Resurections, um filme sem sentido, nas merdas que Hollywood é capaz de inventar para arrancar dinheiro do espectador, com o perdão do termo chulo, fazendo de tal indústria o hino da presunção: “Eu pego qualquer roteiro ruim e transformo em filmão!”, quando que não é bem assim, num paradigma indestrutível: Um bom filme nasce de um bom argumento, de boas letras no papel. Aqui é a paz inabalável de Deus, na santa paz divina, no verso no hino do Brasil: “Deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar, à luz do céu profundo”, na canção de ninar do barulho do mar, da orla, do cheiro de mar, de peixe fresco, no fascínio dos frutos do mar, no advento mundial do peixe cru no sushi, superando os padrões ocidentais, que é cozinhar o peixe, remetendo a uma divertida telenovela, numa mulher simples, do povo, num restaurante de comida japonesa, dizendo: “Mas não tem uma mísera colher de óleo para fritar este peixe?”. Aqui remete a queimões de Sol que já tomei na vida, subestimando a importância do uso de protetor solar, numa pele queimada e dolorida, pois neste quadro será que este senhor está protegido contra tais raios nocivos? Aqui é um redentor momento de retiro e solidão, de introspecção, de reserva, no modo como cada um de nós precisa de tais momentos de reclusão, a sós consigo mesmo, deixando de lado, por um momento, o Mundo lá fora, no hábito de se colocar o celular no modo não perturbe, ou como deixar na porta do quarto do hotel o aviso de não perturbe, remetendo a uma transgressão que cometi certa vez, quando, ao me deparar com tal aviso na porta, ignorei, e bati na porta, como nos atos de transgressão de Diana, a qual brilhou num país em que ninguém pode ser mais do que realeza, num ídolo amado pelo povo, numa mulher que só queria ser feliz, conquistando-nos com tal simplicidade, no sentido da pessoa mandar o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, partindo assim em busca da felicidade, como uma grande amiga minha, a qual faz escolhas visando a felicidade, tendo se casado com alguém que a faz muito feliz. Aqui é como na aposentadoria, a qual, sinto em dizer, é uma piada, pois ninguém pode parar totalmente, como na senhora minha avó, a qual, depois de se aposentar como professora, passou a ser escritora, inclusive unindo os intelectuais da comunidade numa academia de letras, nessas pessoas de carisma, respeitadas pelas pessoas. A toalha branca é tal clamor por paz, como desejar que uma guerra acabe, num Mundo tão aguerrido, em guerras que nem a majestade de Jesus soube resolver, mas um homem que segue sendo poderosa figura na qual podemos depositar esperanças, na figura de redenção do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação, de desencarne, quando deixamos para trás TODOS os problemas relativos ao corpo carnal, como doenças – é a glória, meu irmão! Aqui é um quadro de paz, num homem que não quer subjugar outrem, num homem de paz, pacato, vivendo sua vida com discrição e produtividade, no modo como a vida é boa quando é simples, como sentar num gramado num parque e papear com amigos, os quais são o ouro da vida. Aqui é o desejo por horizontalização, num homem que sabe que a vida sem paz é um inferno, remetendo a uma certa senhora, cheia de raiva, sofrendo assim.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Bom Bo (Parte 9 de 28)

 

 

Falo pela nona vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O surfista. A prancha é a agressividade rasgando a onda, num dos esportes mais belos que existem, um esporte extremamente conectado à natureza. O desafio são as ondas, no modo como pode ser prostrante um mar sem ondas para o surfista, no sabor do desafio, ao contrário do depressivo, frustrado perante a vida, sem vontade de viver, no feliz modo científico de como hoje em dia existem medicações para muitas enfermidades psíquicas, na Revolução Científica, desrespeitada por um certo pseudointelectual, o qual não respeita os benefícios da Ciência, como medicamentos, como avanços como a anestesia, remetendo a eras em que não havia um simples Tylenol para dores e febre, em eras em que um câncer avançava pelo organismo, sem chance alguma de recuperação, no absurdo de criticar os astrônomos, os cientistas de foguetes, enviando sondas para desvendar os muitos mistérios do Universo, numa Humanidade ainda aquém, sem provas de que existe vida fora da Terra. O surfista é a virilidade, num esporte de verão, ou de cidades quentes como o Rio, como uma amiga minha carioca, tornando-se surfista, num estilo de vida saudável, numa moça que outrora envolveu-se com drogas, optando por tal vida com saúde, no malefício das drogas, escravizando pessoas e ceifando vidas, como no deprimente caso de um certo senhor, o qual se perdeu nas drogas, condenado a apodrecer o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica, no modo como só damos valor à liberdade quando a perdemos, pois posso estar preso num castelo de ouro maciço cravejado de diamantes e, ainda assim, estar totalmente infeliz, no modo como o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do inferno, com 100% dos detentos com verminose, no modo da sociedade punir os de raso apuro moral, remetendo a um certo odioso senhor, o qual está se insinuando como um ditador, na metáfora de Matrix: Um homem poderoso quer mais poder, num sede napoleônica, remetendo ao recente roubo de joias de Napoleão no Louvre, num episódio de Cinema, num museu tão bem guardado e vigiado, na sede humana por riquezas mundanas, fugindo, assim, da simplicidade, como na coroa imperial britânica, a qual, de tão valiosa, sequer pode sair do cofre, com o monarca, no dia da coroação, usando uma cópia, uma bijuteria, em países ricos explorando países pobres, sugando as riquezas da África, ou como as riquezas minerais brasileiras foram sugadas pela coroa portuguesa, pois onde há riqueza, há pobreza. Ao fundo no quadro, de forma sutil, vemos uma cortina de fumaça, num sinal, talvez num pedido de socorro, ou como num sinistro destrutivo, em incêndios que podem acontecer, na sabedoria popular de que acidentes acontecem. Aqui remete à linda ilha de Florianópolis, SC, com suas praias sedutoras, num lugar particular, mas só desfrutado nos meses de verão, fazendo de Floripa, em outras épocas do ano, uma terra fria e cinzenta, remetendo a um senhor que foi meu professor na faculdade, o qual, ainda jovem, quis ser ratão de praia em Floripa, mas, quando o verão foi embora, este senhor viu que estava perseguindo a ilusão de que dá para se esconder da vida, nos versos de uma certa canção: “A vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir!”. É o lado sisudo da vida, da seriedade, da cabeça acima do coração, no glorioso modo como a mente sobrevive à morte do corpo físico, no modo como o coração pode ser traiçoeiro e nos levar para infernos, até a pessoa aprender que a cabeça vem antes de tudo, sem as paixões que nos fazem sofrer. Aqui, na beiramar, é a simplicidade, de pés descalços, num olor de mar, de oceano, na Mãe Mar que trouxe vida à Terra, como na figura de Iemanjá, a Mãe dos Mares, numa releitura da figura de Maria, o Útero Sacrossanto do qual todos viemos, como nunca canso de dizer que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, mostrando serem cópias disto as família mundanas de realeza, algo que nos serve como metáfora, remetendo a uma dimensão atemporal, fina, onírica, na qual nenhum trabalho se perde, mesmo o humilde trabalho de gari varrendo ruas, na dignificação do trabalho, o qual, realmente, não pode faltar, pois não há esperanças numa vida ociosa, sem produtividade. Aqui remete à cidade do Rio, numa mescla de urbe e natureza, numa cidade que pulsa vida.

 


Acima, O tolo. Aqui é o método antigo escolar de humilhar o aluno, algo que a Psicologia podou depois, no árduo trabalho que é impor disciplina a crianças e adolescentes, remetendo a uma truculenta diretora de colégio, uma pessoa beirando a grosseria, num clima de ditadura, como certa vez em tal colégio, no qual, no dia de aniversário de tal diretora, o colégio parou as atividades para celebrar tal data, no modo como as ditaduras são cópias toscas do homem de Tao, o qual é visto, amado e respeitado, num homem que nunca quer impor as coisas à força, na hierarquia espiritual, na qual nada é imposto, numa hierarquia irresistível, ao ponto de fazermos questão de obedecer ao nosso irmão depurado, em cópias toscas como a hierarquia militar, imposta à força, no modo como o rapaz que presta serviço fica sequelado, arrancado de seu lar para um lugar o qual, definitivamente, não é um lar, numa insana imposição de disciplina que foge dos gostosos pecadinhos capitais, no modo não existe sentido numa vida sem prazeres, como comer um doce ou ficar mais um pouco na cama, como no gostoso pecadinho da ira, mandando à merda os que nos subestimávamos, com o perdão do termo chulo. O homem aqui está inclinado, submetido, levado por alguma força, sem resistir, em delícias uterinas como nadar nu no mar, numa sensação deliciosa de liberdade, no trauma que é vir ao Mundo, saindo do conforto uterino para um mundo frio e incômodo, na glória do desencarne, que é deixar para trás todos os problemas relativos a nossos corpos carnais – qualquer doença. Ao fundo vemos cruéis montanhas cortantes e inóspitas, numa pessoa perdida num labirinto existencial, sem norte, não sabendo se faz isso ou aquilo, no modo como o submundo é tal labirinto, numa pessoa condenada a vagar por tal Umbral, a dimensão dos que não gostam de se manter produtivos, como em espíritos revoltados, zombando dos espíritos produtivos, que se mantêm limpos e operantes, no poder revigorante de um bom banho, numa renovação merecida, como um espírito amigo nos tirando do Umbral, levando-nos a um banheiro ensolarado para um bom banho perfumado, no advento do incenso à Europa das Navegações, no ritual católico de incensar um templo, numa sensação de pureza e limpeza, no fascínio das fragrâncias, remetendo a um certo senhor malicioso, o qual usava perfumes de mulheres, talvez considerando isto algo sofisticado e fino – o que você diria sobre um senhor que cheira a Chanel número cinco? As nuvens aqui no céu estão em movimento, sempre se movendo, na sabedoria dialética de que tudo é processo, com a pessoa em ininterrupto processo de aprendizagem e crescimento, resultando nos arcanjos, nossos irmãos depurados que gozam da suprema felicidade, na imbatível perspectiva da Eternidade, no imensurável poder de que nunca findaremos, fazendo metáfora com madeiras nobres, que resistem a muito tempo sem perder a integridade, no modo humano de projetar nas joias mundanas tal poder de Eternidade, em joias cobiçadas por um Ser Humano que não vê o poder do infinito, que é Deus. No chão vemos bolinhas jogadas, talvez jogadas contra o homem, num martírio, como nas flechas alvejando São Sebastião, numa pessoa criticada muito, como num controverso Michael Jackson, com excentricidades pouco compreendidas, num homem que não teve infância, construindo para si um parque de diversões particular, acusado de pedofilia, algo que nunca foi provado, num senhor escravo de sua própria fama global, simplesmente impedido de sair na Rua como um cidadão comum, no modo como a cobiçada fama cobra seu preço, numa pessoa impedida de passear em paz por um shopping ou um parque, nas palavras de uma certa popstar: “A fama é uma prisão!”. O homem aqui sofre chacota e não é respeitado, amargando a dor de não ser levado a sério, num grande desafio de impor respeito ao Mundo, num processo de reviravolta, que é uma pessoa desrespeitada ser respeitada.

 


Acima, O triunfo do romance. O dia de glória da mulher, que é ser a noiva do casamento, num dia de rainha, sonhado pela mãe da moça, como nas palavras de satisfação de uma certa matriarca falando das três filhas: “Todas casadas!”. A moça de modelo aqui é a mesma de outros quadros de Bartlett, como num diretor de cinema que faz alterego com um determinado ator. A lua é a magia dos ciclos, numa pérola de feminilidade, linda e “louca”, com suas próprias regras, como na Mulhergato, nem vilã, nem heroína, com suas motivações, como no filme com a inesquecível Pfeiffer, passando de pata choca a mulher sexérrima, em atos como bater num estuprador, punindo a mulher a qual salvara: “Você facilita tanto, não? Sempre esperando por um Batman para salvar você!”. É como uma certa pessoa, esperando por um príncipe num cavalo branco, um príncipe encantado que jamais virá, numa pessoa a qual está perdendo tempo, pois, enquanto isso, sua vida está passado, numa pessoa perdendo tempo, evitando a luta, e quem abandona a luta, desaparece, como disse eu a um amigo caro na Rua recentemente: “Na luta! Na luta sempre!”. A mulher de branco e a lua formam um continuum, numa magia, na magia do branco. A noiva está sobre uma firme rocha, que é um homem firme, sólido, sério, capaz de fazer uma consistente proposta de casamento, colocando a fria cabeça acima do volúvel coração, no modo como homem pragmático tem que se casar com mulher pragmática, ao contrário de alguns casamentos, com homem pragmático casado com mulher sensível, um casamento ruindo por fim, como eu gostaria muito de dizer para um amigo meu, já rechaçado por mulheres: “Encontre uma mulher que seja pés no chão como você, rapaz!”. O homem de violino é, claro, a música da noiva entrando no casamento, e temos aqui uma ironia de metalinguagem, que é a arte do pincel de Bo falando da arte musical do instrumento. Podemos ouvir aqui a melodia, que preenche a cena como perfume, como num bom artista de rua, perfumando a rua, uma pessoa que está trabalhando, e não pedindo esmola, no modo como não nego pão aos que têm fome; nem nego água aos que têm sede; eu nego esmola, dinheiro, pois a esmola sustenta uma pessoa que quer, com todas as suas forças, fugir da vida, não se importando de dormir numa calçada fria, suja, dura e úmida, tal a vontade de fugir. O homem aqui é coadjuvante, como no cartaz da ótima comédia romântica Um lugar chamado Notting Hill, com o personagem de Hugh Grant discreto, embasado pela figura avassaladora de Julia Robert, como uma linda lua cheia, na magia do luar, numa luz sexy, a qual tanto revela quanto esconde, nos versos da canção tema do filme: “Ela pode ser o banquete; ela pode ser a fome”. Aqui remete à transgressão de uma personagem de uma certa telenovela da Globo, com a noiva simplesmente de preto, agredindo a tradição, no papel do transgressor em trazer evolução a uma sociedade, nas sábias palavras do grande diretor Fabio Barreto: “Uma sociedade só evolui a partir da transgressão de alguns de seus membros”. O branco é o mito da Virgem Santa, a mulher à qual foi negado ter sexualidade, na mulher sem história, sem rugas, no sonho de cirurgias plásticas, remetendo ao grave distúrbio de imagem de uma certa socialite americana, toda desfigurada por muitas cirurgias plásticas, num retrato de um completo pesadelo, na falta de ética do cirurgião plástico o qual, por dinheiro, topa operar tal mulher, mesmo sabendo que uma nova cirurgia só a deixará ainda mais desfigurada – o apuro moral é de suma importância, e a dignidade de um homem vale mais do que dinheiro. O violino é a imposição do fino sobre o grosso, como numa escola de música, com os sons tomando conta do lugar, como um templo anglicano em frente ao prédio onde moro, com seus cânticos perfumando a vizinhança, no caminho da pessoa ficar contente com o que tem, na noção taoista de que, se não estou o tempo todo querendo e querendo, posso ter paz. A noiva é a beleza, num evento social importante.

 


Acima, Onde toda vida vai. Aqui é a fúria dos veganos e ecologistas, num forte posicionamento político e social. O peixe é a inevitabilidade da cadeia alimentar, com uns devorando os outros, contrariando Jesus, que disse que devemos amar uns aos outros, e nem a majestade Dele soube consertar os problemas do Mundo, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, na metáfora cromática que não me canso de dizer: Num aguerrido Mundo de amarelos versus azuis, seja verde, pois não resolverás os problemas mundanos, mas poderás ser uma figura na qual a pessoa pode depositar esperanças, em grandes homens como Obama, amado e respeitado, ao contrário de Trump, um senhor que está se insinuando um ditador, por meio da opressão, no modo como as ditaduras são cópias toscas do homem de Tao, o qual nunca recomenda violência, no modo como posso ser firme, mas cortês, como num firme Obama mandando executar oficialmente Bin Laden, num momento em que os americanos foram às ruas para comemorar tal execução, no delicioso pecadinho capital da vingança, como mandar tomar no cu os que nos subestimaram, com o perdão do termo chulo, pois a vida não tem sentido sem alguns inocentes prazeres mundanos, como um bom vinhozinho, ou um bom brigadeiro de panela, ainda quentinho, recém saído do fogo, como na ilustração da embalagem do chocolate em pó Nestlé, com dois frades se esbaldando num bom doce achocolatado, em delícias como ignorar o despertador e ficar mais tempo na cama. O corte aqui é a agressividade, numa lembrança de infância que tenho, quando assisti o abate de um animal, com um homem dando fortes golpes de facão na garganta do bicho, até o animal dar seus últimos suspiros e por fim morrer, uma cena de abatedouros, algo que não percebemos quando comemos um bom filé mignon, no fascínio das carnes, como um bom salmão bem feito, tenro, delicioso, como ursos acordando da hibernação, famintos, abocanhando salmões que sobem rio acima para a copulação, no ritmo da vida, como num bicho numa selva, em busca de comida e sexo, no pecadinho capital da luxúria, como numa inocente sexshop, com artigos para apimentar relacionamentos, como passar talco no bumbum do cônjuge, em brincadeiras tão inocentes, em casais que se mantêm felizes por décadas de relacionamento, no amor manso, com intimidade, nos versos de uma canção romântica de Barbra: “Não estamos mais fazendo amor! Não estamos mais fazendo amor como antes!”, como em casamentos em que esfria o calor, e, em relacionamentos amorosos, todo dia tem que haver um pequeno gesto de reconquista, em coisas simples, que não custam um só centavo, como ele abraçar ela por trás enquanto esta cozinha no fogão, ou como dar flores à esposa sem ser alguma data em especial, no modo como falta persistência a muitos casais, em casais que se separam com uma mínima desavença ou desentendimento, no modo como os relacionamentos amorosos são difíceis, não importando se é hétero ou homo. Aqui é a lida do dia, o jantar merecido ao final de uma jornada, em pratos deliciosos por quem sabe cozinhar bem, nas palavras do todo poderoso Boni da Globo num programa de culinária: “Comida boa é comida simples, só que bem feita”, ou seja, um feijão com arroz bem feito, num homem que se manteve simples, não importando o sucesso ou o dinheiro, como numa cena em Titanic, num jantar fino em que um homem se revela homem, simples, na simplicidade de um rei que toma o mesmo café do que os súditos no reino, na noção taoista de que temos que ser autodidatas para sabermos o que é simplicidade, numa lição que nenhum livro é capaz de ensinar, pois, se pudesse ensinar, seria óbvio demais! A mesa é o suporte, o lugar da refeição, na ironia de uma pessoa que sempre faz as refeições em frente da TV, e nunca numa mesa de jantar, na praticidade que vai se impondo. O peixe aqui é fresquinho, como num bom restaurante de comida japonesa, no modo como o sushi tomou o Mundo, na universalidade da gastronomia.

 


Acima, Oradoras. Aqui é como a formação de um trio, uma banda, como nas famosas Spice Girls, numa fórmula mágica, em sucessos globais de popularidade, no poder do gênero pop, estourando nas rádios do Mundo inteiro, em fenômenos de popularidade, como no blockbuster Parque dos Dinossauros, com filas de espectadores ávidos para ver o espetáculo, na inesquecível cena do Tiranossauro Rex querendo devorar uma família que estava dentro de um carro, no poder da sátira, nas palavras de uma Whoopi Goldberg numa cerimônia do Oscar: “E não podemos nos esquecer de Parque dos Dinossauros, sobre a história em que um fabuloso parque é construído, e tudo dá errado – o título original do filme era Eurodisney!”, na necessidade do Ser Humano de rir de si mesmo e não levar-se tão a sério, fazendo da sátira algo tão humano, na comédia que é, no fundo, uma declaração de amor, ao contrário de um certo programa de TV, no qual sátira é confundida com desrespeito. Aqui é como na intimidade entre três irmãs, nas palavras de uma certa senhora, a qual só teve irmãos homens: “Meu sonho era ter uma irmã para compartilhar as coisas, como maquiagens, roupas e adereços!”. Aqui é como nos livros de Jane Austen, nas irmãs criadas debaixo do mesmo teto, na particularidade dos espíritos, como numa certa família, na qual duas filhas foram criadas debaixo do mesmo teto, sob os mesmos valores, e uma saiu bem diferente da outra, ou seja, o espírito assim nasce. Uma moça usa louros na cabeça, no símbolo da vitória, do doce sabor da vitória, fazendo do sucesso um problema, pois quando o ambicionado sucesso vem, temos que saber sobreviver a tal sucesso, tendo a força para virar a página e encarar um novo desafio, novo em folha, pois quando uma pessoa atinge tal louro de sucesso doce, a tendência é permanecer para sempre em tal “orgasmo”, algo impossível, pois a Vida é momento após momento, seja doce ou amargo. Uma moça repousa, talvez cansada, ou sabendo do poder da preguiça, na atitude limpa, clean, como não me canso de dizer que grandes invenções nasceram da preguiça: Por que me “matar” lavando roupas se posso fazê-lo numa máquina apropriada? Há povos práticos como os americanos, trazendo o conceito da caneca, sem pires, contrariando a tradição britânica, na qual uma bebida quente tem que ser respaldada por um pires. Uma moça ao centro reina plena, no famoso quadro da coroação de Elizabeth I, jovem, de cabelos longos, na dignidade de realeza, numa pessoa que sabe que está representando algo importante, como em famílias tradicionais. As tranças são o garbo e a disciplina, numa mulher com autoestima, que não sai de casa se não estiver totalmente arrumada, como uma certa senhora caxiense, arrumadíssima sempre, mesmo se for só para ir a uma padaria para fazer compras! O sofá é o conforto do lar, num lugar em que ficamos à vontade, de pés descalços, deixando lá fora as exigências do Mundo, da vida social, como na simplicidade de se estar na praia, de chinelos Havaianas, num lugar de deliciosa sensação de liberdade, como num casamento ao qual fui em Salvador, BA, na beira da praia, lindo, com os convidados presenteados com chinelos, para tirar seus sapatos formais e vestir tal calçados confortáveis, em particularidades da herança afro dos tambores em Salvador, com uma banda similar à Olodum, tocando em tal casório. Num detalhe na cena, uma xícara, no prazer de se tomar um café ou chá, dentro de casa, no ato social de servir café a convidados, num talento de anfitrião, no prazer em receber, como eu certa vez, sentindo-se muito grato por receber convidados, nessas socialites que recebem pessoas, mas pessoas que não são lá muito respeitadas, como na desvairada Narcisa – rica, mas não muito respeitada, na noção taoista de que ninguém no fundo respeita o robert, ou seja,  a pessoa que só quer puramente aparecer. Aqui é o conforto do lar, na tragédia de guerras, arrancando pessoas de seus lares, destruindo casas, deixando rastros patéticos de fome, na “beleza” das guerras, no modo como a paz é maior do que a raiva.

 


Acima, Os anos leves. Aqui é a aceitação social de mulher dançando com mulher, como vi certa vez num minipalco numa boate portoalegrense, com duas meninas se beijando, ostentando, talvez com a intenção de excitar os rapazes, no modo como certos homens adoram assistir a filmes pornôs de mulher com mulher, crendo que o único sexo interessante é o feminino, interessante ao ponto de mulher ter prazer com mulher, rechaçando homens, nas palavras de um colega meu de faculdade: “Quem gosta de homem é veado! Mulher gosta mesmo é de dinheiro!”, causando risos na sala de aula inteira! Calçados aqui estão atirados na pedra, e os pés estão nus, como na Galadriel de Tolkien, na magia dos elfos, uma raça superior, sábia, bela, de vida eterna, em artistas de tamanho talento como Cate Blanchett, da qual sou fã, pois jogo rosas em tudo o que ela fez até hoje, uma mulher engajada socialmente, visitando o estado do RS após as inclementes enchentes recentes em solo gaúcho, recebida com honras pelo governador Eduardo Leite, um homem corajoso, que está conduzindo bem o governo, cometendo a façanha de ser o primeiro governador gaúcho a ser reeleito, talvez respaldado pelo voto feminino, no modo como mulheres amam homens galantes, como me disse uma certa senhora que foi a um evento em Porto Alegre com a presença de Leite: “Que homem lindo!”. O vento aqui bate delicioso, fresquinho, numa delícia de verão, na sensação de liberdade na orla, um lugar que tanto atrai veranistas, como já ouvi dizer que, em balneários, as férias, para os moradores do local, só começam no mês de março, em cidades vibrantes como Capão da Canoa, uma urbe que simplesmente não para durante o ano. Ao fundo, uma fumaça negra, talvez uma bomba, nas sequelas psíquicas a um homem que joga tais bombas, nos versos de uma canção dos Engenheiros do Havaí: “No peito um coração não há, mas duas medalhas sim!”. O rapaz repousa e contempla o mar, nas ondas que nunca param de fluir, nas cores azuis de oceano, como no Google Earth, no azul marinho de águas oceânicas, ou como nas areias amarelas do Saara, num globo em constantes processos de transformação, como no processo de transformações das cidades, no modo como eu hoje, em Porto Alegre, mal me localizo na cidade que eu conheci nos anos 1990, como nos shoppings, em constante processo de transformação. O homem é a contemplação, no modo como temos que contemplar um pouco o Mundo, e não há sentido numa vida em que só trabalho e não descanso, como um certo senhor sem autoestima, o qual tocou duas jornadas de trabalho sem descansar no meio, num caminho de martirização, como se submeter a ser de fato crucificado para sentir as dores de Jesus, num Jesus que provavelmente nem se lembra do episódio pelo qual passou. O rapaz aqui está discreto, de costas para nós, e não quer aparecer, num caminho de retiro e discrição, sabendo que a exposição midiática traz problemas, em popstars que simplesmente não podem sair na Rua, como minha irmã no Festival de Cinema de Gramado de 1995, tirando, na Rua, uma foto com Rodrigo Santoro, na época em que o rapaz ainda podia caminhar em paz pela Rua, no modo como pode ser insano o assédio histérico de tietes, na recomendação a galãs: Nunca passeie em shoppings no fim de semana! Aqui é o suspiro marinho, de sons de praia, nos sons de mar, no olor de liberdade, na brincadeira de catar conchinhas na beira do mar, em praias ambientalmente tão limpas como a catarinense Praia do Rosa, na qual jogar lixo na areia é uma heresia inominável, como uma certa atriz certa vez na beira da praia no Rio, catando enfurecida da areia objetos como espigas de milho, no modo como as pessoas podem não ter noção do que fazem, como nesses megashows em Copacabana, com gigantescas quantidades de resíduos, como tocos de cigarro, garrafas pet e latas de alumínio, numa prefeitura que tem que “suar” para recolocar em ordem tais areias célebres. A pedra aqui é quentinha, aquecida pelo Sol, em doces lembranças de verão, como doce canela, em brincadeira na beira da água, longe dos sisos escolares do restante do ano.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.