Falo pela nona vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, O surfista. A prancha é a agressividade rasgando a onda, num dos esportes mais belos que existem, um esporte extremamente conectado à natureza. O desafio são as ondas, no modo como pode ser prostrante um mar sem ondas para o surfista, no sabor do desafio, ao contrário do depressivo, frustrado perante a vida, sem vontade de viver, no feliz modo científico de como hoje em dia existem medicações para muitas enfermidades psíquicas, na Revolução Científica, desrespeitada por um certo pseudointelectual, o qual não respeita os benefícios da Ciência, como medicamentos, como avanços como a anestesia, remetendo a eras em que não havia um simples Tylenol para dores e febre, em eras em que um câncer avançava pelo organismo, sem chance alguma de recuperação, no absurdo de criticar os astrônomos, os cientistas de foguetes, enviando sondas para desvendar os muitos mistérios do Universo, numa Humanidade ainda aquém, sem provas de que existe vida fora da Terra. O surfista é a virilidade, num esporte de verão, ou de cidades quentes como o Rio, como uma amiga minha carioca, tornando-se surfista, num estilo de vida saudável, numa moça que outrora envolveu-se com drogas, optando por tal vida com saúde, no malefício das drogas, escravizando pessoas e ceifando vidas, como no deprimente caso de um certo senhor, o qual se perdeu nas drogas, condenado a apodrecer o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica, no modo como só damos valor à liberdade quando a perdemos, pois posso estar preso num castelo de ouro maciço cravejado de diamantes e, ainda assim, estar totalmente infeliz, no modo como o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do inferno, com 100% dos detentos com verminose, no modo da sociedade punir os de raso apuro moral, remetendo a um certo odioso senhor, o qual está se insinuando como um ditador, na metáfora de Matrix: Um homem poderoso quer mais poder, num sede napoleônica, remetendo ao recente roubo de joias de Napoleão no Louvre, num episódio de Cinema, num museu tão bem guardado e vigiado, na sede humana por riquezas mundanas, fugindo, assim, da simplicidade, como na coroa imperial britânica, a qual, de tão valiosa, sequer pode sair do cofre, com o monarca, no dia da coroação, usando uma cópia, uma bijuteria, em países ricos explorando países pobres, sugando as riquezas da África, ou como as riquezas minerais brasileiras foram sugadas pela coroa portuguesa, pois onde há riqueza, há pobreza. Ao fundo no quadro, de forma sutil, vemos uma cortina de fumaça, num sinal, talvez num pedido de socorro, ou como num sinistro destrutivo, em incêndios que podem acontecer, na sabedoria popular de que acidentes acontecem. Aqui remete à linda ilha de Florianópolis, SC, com suas praias sedutoras, num lugar particular, mas só desfrutado nos meses de verão, fazendo de Floripa, em outras épocas do ano, uma terra fria e cinzenta, remetendo a um senhor que foi meu professor na faculdade, o qual, ainda jovem, quis ser ratão de praia em Floripa, mas, quando o verão foi embora, este senhor viu que estava perseguindo a ilusão de que dá para se esconder da vida, nos versos de uma certa canção: “A vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir!”. É o lado sisudo da vida, da seriedade, da cabeça acima do coração, no glorioso modo como a mente sobrevive à morte do corpo físico, no modo como o coração pode ser traiçoeiro e nos levar para infernos, até a pessoa aprender que a cabeça vem antes de tudo, sem as paixões que nos fazem sofrer. Aqui, na beiramar, é a simplicidade, de pés descalços, num olor de mar, de oceano, na Mãe Mar que trouxe vida à Terra, como na figura de Iemanjá, a Mãe dos Mares, numa releitura da figura de Maria, o Útero Sacrossanto do qual todos viemos, como nunca canso de dizer que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, mostrando serem cópias disto as família mundanas de realeza, algo que nos serve como metáfora, remetendo a uma dimensão atemporal, fina, onírica, na qual nenhum trabalho se perde, mesmo o humilde trabalho de gari varrendo ruas, na dignificação do trabalho, o qual, realmente, não pode faltar, pois não há esperanças numa vida ociosa, sem produtividade. Aqui remete à cidade do Rio, numa mescla de urbe e natureza, numa cidade que pulsa vida.
Acima, O tolo. Aqui é o método antigo escolar de humilhar o aluno, algo que a Psicologia podou depois, no árduo trabalho que é impor disciplina a crianças e adolescentes, remetendo a uma truculenta diretora de colégio, uma pessoa beirando a grosseria, num clima de ditadura, como certa vez em tal colégio, no qual, no dia de aniversário de tal diretora, o colégio parou as atividades para celebrar tal data, no modo como as ditaduras são cópias toscas do homem de Tao, o qual é visto, amado e respeitado, num homem que nunca quer impor as coisas à força, na hierarquia espiritual, na qual nada é imposto, numa hierarquia irresistível, ao ponto de fazermos questão de obedecer ao nosso irmão depurado, em cópias toscas como a hierarquia militar, imposta à força, no modo como o rapaz que presta serviço fica sequelado, arrancado de seu lar para um lugar o qual, definitivamente, não é um lar, numa insana imposição de disciplina que foge dos gostosos pecadinhos capitais, no modo não existe sentido numa vida sem prazeres, como comer um doce ou ficar mais um pouco na cama, como no gostoso pecadinho da ira, mandando à merda os que nos subestimávamos, com o perdão do termo chulo. O homem aqui está inclinado, submetido, levado por alguma força, sem resistir, em delícias uterinas como nadar nu no mar, numa sensação deliciosa de liberdade, no trauma que é vir ao Mundo, saindo do conforto uterino para um mundo frio e incômodo, na glória do desencarne, que é deixar para trás todos os problemas relativos a nossos corpos carnais – qualquer doença. Ao fundo vemos cruéis montanhas cortantes e inóspitas, numa pessoa perdida num labirinto existencial, sem norte, não sabendo se faz isso ou aquilo, no modo como o submundo é tal labirinto, numa pessoa condenada a vagar por tal Umbral, a dimensão dos que não gostam de se manter produtivos, como em espíritos revoltados, zombando dos espíritos produtivos, que se mantêm limpos e operantes, no poder revigorante de um bom banho, numa renovação merecida, como um espírito amigo nos tirando do Umbral, levando-nos a um banheiro ensolarado para um bom banho perfumado, no advento do incenso à Europa das Navegações, no ritual católico de incensar um templo, numa sensação de pureza e limpeza, no fascínio das fragrâncias, remetendo a um certo senhor malicioso, o qual usava perfumes de mulheres, talvez considerando isto algo sofisticado e fino – o que você diria sobre um senhor que cheira a Chanel número cinco? As nuvens aqui no céu estão em movimento, sempre se movendo, na sabedoria dialética de que tudo é processo, com a pessoa em ininterrupto processo de aprendizagem e crescimento, resultando nos arcanjos, nossos irmãos depurados que gozam da suprema felicidade, na imbatível perspectiva da Eternidade, no imensurável poder de que nunca findaremos, fazendo metáfora com madeiras nobres, que resistem a muito tempo sem perder a integridade, no modo humano de projetar nas joias mundanas tal poder de Eternidade, em joias cobiçadas por um Ser Humano que não vê o poder do infinito, que é Deus. No chão vemos bolinhas jogadas, talvez jogadas contra o homem, num martírio, como nas flechas alvejando São Sebastião, numa pessoa criticada muito, como num controverso Michael Jackson, com excentricidades pouco compreendidas, num homem que não teve infância, construindo para si um parque de diversões particular, acusado de pedofilia, algo que nunca foi provado, num senhor escravo de sua própria fama global, simplesmente impedido de sair na Rua como um cidadão comum, no modo como a cobiçada fama cobra seu preço, numa pessoa impedida de passear em paz por um shopping ou um parque, nas palavras de uma certa popstar: “A fama é uma prisão!”. O homem aqui sofre chacota e não é respeitado, amargando a dor de não ser levado a sério, num grande desafio de impor respeito ao Mundo, num processo de reviravolta, que é uma pessoa desrespeitada ser respeitada.
Acima, O triunfo do romance. O dia de glória da mulher, que é ser a noiva do casamento, num dia de rainha, sonhado pela mãe da moça, como nas palavras de satisfação de uma certa matriarca falando das três filhas: “Todas casadas!”. A moça de modelo aqui é a mesma de outros quadros de Bartlett, como num diretor de cinema que faz alterego com um determinado ator. A lua é a magia dos ciclos, numa pérola de feminilidade, linda e “louca”, com suas próprias regras, como na Mulhergato, nem vilã, nem heroína, com suas motivações, como no filme com a inesquecível Pfeiffer, passando de pata choca a mulher sexérrima, em atos como bater num estuprador, punindo a mulher a qual salvara: “Você facilita tanto, não? Sempre esperando por um Batman para salvar você!”. É como uma certa pessoa, esperando por um príncipe num cavalo branco, um príncipe encantado que jamais virá, numa pessoa a qual está perdendo tempo, pois, enquanto isso, sua vida está passado, numa pessoa perdendo tempo, evitando a luta, e quem abandona a luta, desaparece, como disse eu a um amigo caro na Rua recentemente: “Na luta! Na luta sempre!”. A mulher de branco e a lua formam um continuum, numa magia, na magia do branco. A noiva está sobre uma firme rocha, que é um homem firme, sólido, sério, capaz de fazer uma consistente proposta de casamento, colocando a fria cabeça acima do volúvel coração, no modo como homem pragmático tem que se casar com mulher pragmática, ao contrário de alguns casamentos, com homem pragmático casado com mulher sensível, um casamento ruindo por fim, como eu gostaria muito de dizer para um amigo meu, já rechaçado por mulheres: “Encontre uma mulher que seja pés no chão como você, rapaz!”. O homem de violino é, claro, a música da noiva entrando no casamento, e temos aqui uma ironia de metalinguagem, que é a arte do pincel de Bo falando da arte musical do instrumento. Podemos ouvir aqui a melodia, que preenche a cena como perfume, como num bom artista de rua, perfumando a rua, uma pessoa que está trabalhando, e não pedindo esmola, no modo como não nego pão aos que têm fome; nem nego água aos que têm sede; eu nego esmola, dinheiro, pois a esmola sustenta uma pessoa que quer, com todas as suas forças, fugir da vida, não se importando de dormir numa calçada fria, suja, dura e úmida, tal a vontade de fugir. O homem aqui é coadjuvante, como no cartaz da ótima comédia romântica Um lugar chamado Notting Hill, com o personagem de Hugh Grant discreto, embasado pela figura avassaladora de Julia Robert, como uma linda lua cheia, na magia do luar, numa luz sexy, a qual tanto revela quanto esconde, nos versos da canção tema do filme: “Ela pode ser o banquete; ela pode ser a fome”. Aqui remete à transgressão de uma personagem de uma certa telenovela da Globo, com a noiva simplesmente de preto, agredindo a tradição, no papel do transgressor em trazer evolução a uma sociedade, nas sábias palavras do grande diretor Fabio Barreto: “Uma sociedade só evolui a partir da transgressão de alguns de seus membros”. O branco é o mito da Virgem Santa, a mulher à qual foi negado ter sexualidade, na mulher sem história, sem rugas, no sonho de cirurgias plásticas, remetendo ao grave distúrbio de imagem de uma certa socialite americana, toda desfigurada por muitas cirurgias plásticas, num retrato de um completo pesadelo, na falta de ética do cirurgião plástico o qual, por dinheiro, topa operar tal mulher, mesmo sabendo que uma nova cirurgia só a deixará ainda mais desfigurada – o apuro moral é de suma importância, e a dignidade de um homem vale mais do que dinheiro. O violino é a imposição do fino sobre o grosso, como numa escola de música, com os sons tomando conta do lugar, como um templo anglicano em frente ao prédio onde moro, com seus cânticos perfumando a vizinhança, no caminho da pessoa ficar contente com o que tem, na noção taoista de que, se não estou o tempo todo querendo e querendo, posso ter paz. A noiva é a beleza, num evento social importante.
Acima, Onde toda vida vai. Aqui é a fúria dos veganos e ecologistas, num forte posicionamento político e social. O peixe é a inevitabilidade da cadeia alimentar, com uns devorando os outros, contrariando Jesus, que disse que devemos amar uns aos outros, e nem a majestade Dele soube consertar os problemas do Mundo, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, na metáfora cromática que não me canso de dizer: Num aguerrido Mundo de amarelos versus azuis, seja verde, pois não resolverás os problemas mundanos, mas poderás ser uma figura na qual a pessoa pode depositar esperanças, em grandes homens como Obama, amado e respeitado, ao contrário de Trump, um senhor que está se insinuando um ditador, por meio da opressão, no modo como as ditaduras são cópias toscas do homem de Tao, o qual nunca recomenda violência, no modo como posso ser firme, mas cortês, como num firme Obama mandando executar oficialmente Bin Laden, num momento em que os americanos foram às ruas para comemorar tal execução, no delicioso pecadinho capital da vingança, como mandar tomar no cu os que nos subestimaram, com o perdão do termo chulo, pois a vida não tem sentido sem alguns inocentes prazeres mundanos, como um bom vinhozinho, ou um bom brigadeiro de panela, ainda quentinho, recém saído do fogo, como na ilustração da embalagem do chocolate em pó Nestlé, com dois frades se esbaldando num bom doce achocolatado, em delícias como ignorar o despertador e ficar mais tempo na cama. O corte aqui é a agressividade, numa lembrança de infância que tenho, quando assisti o abate de um animal, com um homem dando fortes golpes de facão na garganta do bicho, até o animal dar seus últimos suspiros e por fim morrer, uma cena de abatedouros, algo que não percebemos quando comemos um bom filé mignon, no fascínio das carnes, como um bom salmão bem feito, tenro, delicioso, como ursos acordando da hibernação, famintos, abocanhando salmões que sobem rio acima para a copulação, no ritmo da vida, como num bicho numa selva, em busca de comida e sexo, no pecadinho capital da luxúria, como numa inocente sexshop, com artigos para apimentar relacionamentos, como passar talco no bumbum do cônjuge, em brincadeiras tão inocentes, em casais que se mantêm felizes por décadas de relacionamento, no amor manso, com intimidade, nos versos de uma canção romântica de Barbra: “Não estamos mais fazendo amor! Não estamos mais fazendo amor como antes!”, como em casamentos em que esfria o calor, e, em relacionamentos amorosos, todo dia tem que haver um pequeno gesto de reconquista, em coisas simples, que não custam um só centavo, como ele abraçar ela por trás enquanto esta cozinha no fogão, ou como dar flores à esposa sem ser alguma data em especial, no modo como falta persistência a muitos casais, em casais que se separam com uma mínima desavença ou desentendimento, no modo como os relacionamentos amorosos são difíceis, não importando se é hétero ou homo. Aqui é a lida do dia, o jantar merecido ao final de uma jornada, em pratos deliciosos por quem sabe cozinhar bem, nas palavras do todo poderoso Boni da Globo num programa de culinária: “Comida boa é comida simples, só que bem feita”, ou seja, um feijão com arroz bem feito, num homem que se manteve simples, não importando o sucesso ou o dinheiro, como numa cena em Titanic, num jantar fino em que um homem se revela homem, simples, na simplicidade de um rei que toma o mesmo café do que os súditos no reino, na noção taoista de que temos que ser autodidatas para sabermos o que é simplicidade, numa lição que nenhum livro é capaz de ensinar, pois, se pudesse ensinar, seria óbvio demais! A mesa é o suporte, o lugar da refeição, na ironia de uma pessoa que sempre faz as refeições em frente da TV, e nunca numa mesa de jantar, na praticidade que vai se impondo. O peixe aqui é fresquinho, como num bom restaurante de comida japonesa, no modo como o sushi tomou o Mundo, na universalidade da gastronomia.
Acima, Oradoras. Aqui é como a formação de um trio, uma banda, como nas famosas Spice Girls, numa fórmula mágica, em sucessos globais de popularidade, no poder do gênero pop, estourando nas rádios do Mundo inteiro, em fenômenos de popularidade, como no blockbuster Parque dos Dinossauros, com filas de espectadores ávidos para ver o espetáculo, na inesquecível cena do Tiranossauro Rex querendo devorar uma família que estava dentro de um carro, no poder da sátira, nas palavras de uma Whoopi Goldberg numa cerimônia do Oscar: “E não podemos nos esquecer de Parque dos Dinossauros, sobre a história em que um fabuloso parque é construído, e tudo dá errado – o título original do filme era Eurodisney!”, na necessidade do Ser Humano de rir de si mesmo e não levar-se tão a sério, fazendo da sátira algo tão humano, na comédia que é, no fundo, uma declaração de amor, ao contrário de um certo programa de TV, no qual sátira é confundida com desrespeito. Aqui é como na intimidade entre três irmãs, nas palavras de uma certa senhora, a qual só teve irmãos homens: “Meu sonho era ter uma irmã para compartilhar as coisas, como maquiagens, roupas e adereços!”. Aqui é como nos livros de Jane Austen, nas irmãs criadas debaixo do mesmo teto, na particularidade dos espíritos, como numa certa família, na qual duas filhas foram criadas debaixo do mesmo teto, sob os mesmos valores, e uma saiu bem diferente da outra, ou seja, o espírito assim nasce. Uma moça usa louros na cabeça, no símbolo da vitória, do doce sabor da vitória, fazendo do sucesso um problema, pois quando o ambicionado sucesso vem, temos que saber sobreviver a tal sucesso, tendo a força para virar a página e encarar um novo desafio, novo em folha, pois quando uma pessoa atinge tal louro de sucesso doce, a tendência é permanecer para sempre em tal “orgasmo”, algo impossível, pois a Vida é momento após momento, seja doce ou amargo. Uma moça repousa, talvez cansada, ou sabendo do poder da preguiça, na atitude limpa, clean, como não me canso de dizer que grandes invenções nasceram da preguiça: Por que me “matar” lavando roupas se posso fazê-lo numa máquina apropriada? Há povos práticos como os americanos, trazendo o conceito da caneca, sem pires, contrariando a tradição britânica, na qual uma bebida quente tem que ser respaldada por um pires. Uma moça ao centro reina plena, no famoso quadro da coroação de Elizabeth I, jovem, de cabelos longos, na dignidade de realeza, numa pessoa que sabe que está representando algo importante, como em famílias tradicionais. As tranças são o garbo e a disciplina, numa mulher com autoestima, que não sai de casa se não estiver totalmente arrumada, como uma certa senhora caxiense, arrumadíssima sempre, mesmo se for só para ir a uma padaria para fazer compras! O sofá é o conforto do lar, num lugar em que ficamos à vontade, de pés descalços, deixando lá fora as exigências do Mundo, da vida social, como na simplicidade de se estar na praia, de chinelos Havaianas, num lugar de deliciosa sensação de liberdade, como num casamento ao qual fui em Salvador, BA, na beira da praia, lindo, com os convidados presenteados com chinelos, para tirar seus sapatos formais e vestir tal calçados confortáveis, em particularidades da herança afro dos tambores em Salvador, com uma banda similar à Olodum, tocando em tal casório. Num detalhe na cena, uma xícara, no prazer de se tomar um café ou chá, dentro de casa, no ato social de servir café a convidados, num talento de anfitrião, no prazer em receber, como eu certa vez, sentindo-se muito grato por receber convidados, nessas socialites que recebem pessoas, mas pessoas que não são lá muito respeitadas, como na desvairada Narcisa – rica, mas não muito respeitada, na noção taoista de que ninguém no fundo respeita o robert, ou seja, a pessoa que só quer puramente aparecer. Aqui é o conforto do lar, na tragédia de guerras, arrancando pessoas de seus lares, destruindo casas, deixando rastros patéticos de fome, na “beleza” das guerras, no modo como a paz é maior do que a raiva.
Acima, Os anos leves. Aqui é a aceitação social de mulher dançando com mulher, como vi certa vez num minipalco numa boate portoalegrense, com duas meninas se beijando, ostentando, talvez com a intenção de excitar os rapazes, no modo como certos homens adoram assistir a filmes pornôs de mulher com mulher, crendo que o único sexo interessante é o feminino, interessante ao ponto de mulher ter prazer com mulher, rechaçando homens, nas palavras de um colega meu de faculdade: “Quem gosta de homem é veado! Mulher gosta mesmo é de dinheiro!”, causando risos na sala de aula inteira! Calçados aqui estão atirados na pedra, e os pés estão nus, como na Galadriel de Tolkien, na magia dos elfos, uma raça superior, sábia, bela, de vida eterna, em artistas de tamanho talento como Cate Blanchett, da qual sou fã, pois jogo rosas em tudo o que ela fez até hoje, uma mulher engajada socialmente, visitando o estado do RS após as inclementes enchentes recentes em solo gaúcho, recebida com honras pelo governador Eduardo Leite, um homem corajoso, que está conduzindo bem o governo, cometendo a façanha de ser o primeiro governador gaúcho a ser reeleito, talvez respaldado pelo voto feminino, no modo como mulheres amam homens galantes, como me disse uma certa senhora que foi a um evento em Porto Alegre com a presença de Leite: “Que homem lindo!”. O vento aqui bate delicioso, fresquinho, numa delícia de verão, na sensação de liberdade na orla, um lugar que tanto atrai veranistas, como já ouvi dizer que, em balneários, as férias, para os moradores do local, só começam no mês de março, em cidades vibrantes como Capão da Canoa, uma urbe que simplesmente não para durante o ano. Ao fundo, uma fumaça negra, talvez uma bomba, nas sequelas psíquicas a um homem que joga tais bombas, nos versos de uma canção dos Engenheiros do Havaí: “No peito um coração não há, mas duas medalhas sim!”. O rapaz repousa e contempla o mar, nas ondas que nunca param de fluir, nas cores azuis de oceano, como no Google Earth, no azul marinho de águas oceânicas, ou como nas areias amarelas do Saara, num globo em constantes processos de transformação, como no processo de transformações das cidades, no modo como eu hoje, em Porto Alegre, mal me localizo na cidade que eu conheci nos anos 1990, como nos shoppings, em constante processo de transformação. O homem é a contemplação, no modo como temos que contemplar um pouco o Mundo, e não há sentido numa vida em que só trabalho e não descanso, como um certo senhor sem autoestima, o qual tocou duas jornadas de trabalho sem descansar no meio, num caminho de martirização, como se submeter a ser de fato crucificado para sentir as dores de Jesus, num Jesus que provavelmente nem se lembra do episódio pelo qual passou. O rapaz aqui está discreto, de costas para nós, e não quer aparecer, num caminho de retiro e discrição, sabendo que a exposição midiática traz problemas, em popstars que simplesmente não podem sair na Rua, como minha irmã no Festival de Cinema de Gramado de 1995, tirando, na Rua, uma foto com Rodrigo Santoro, na época em que o rapaz ainda podia caminhar em paz pela Rua, no modo como pode ser insano o assédio histérico de tietes, na recomendação a galãs: Nunca passeie em shoppings no fim de semana! Aqui é o suspiro marinho, de sons de praia, nos sons de mar, no olor de liberdade, na brincadeira de catar conchinhas na beira do mar, em praias ambientalmente tão limpas como a catarinense Praia do Rosa, na qual jogar lixo na areia é uma heresia inominável, como uma certa atriz certa vez na beira da praia no Rio, catando enfurecida da areia objetos como espigas de milho, no modo como as pessoas podem não ter noção do que fazem, como nesses megashows em Copacabana, com gigantescas quantidades de resíduos, como tocos de cigarro, garrafas pet e latas de alumínio, numa prefeitura que tem que “suar” para recolocar em ordem tais areias célebres. A pedra aqui é quentinha, aquecida pelo Sol, em doces lembranças de verão, como doce canela, em brincadeira na beira da água, longe dos sisos escolares do restante do ano.
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.






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