Falo pela oitava vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Os inocentes. Como é doce a infância, ao menos a infância normal, saudável, com brincadeiras, num inafortunado Michael Jackson, o qual foi provado de ter tal infância normal, encarando desde cedo o trabalho, tendo que ensaiar, gravar e apresentar-se, crescendo sob os holofotes midiáticos, num MJ contando que, criança, via crianças brincando num parquinho, e queria com todas as suas forças estar ali brincando, mas não podia, num pai tirano, duríssimo, em contraste com a mãe de Michael, uma mulher doce e clemente, sem medo de manifestar amor ou afeição. No dia do aniversário, a criança se sente a pessoa mais importante do Mundo, na doçura de rasgar papéis de presente e ganhar tais presentes, como eu, acumulando uma linda coleção de action figures do universo de He-Man, com o set do Castelo de Grayskull, no modo como fui uma criança afortunada, adulada, no modo como na infância a pessoa traz todo um residual do Plano Superior, na noção cristã de que o Reino dos Céus é das criancinhas, em cidades sedutoras como Gramado, na qual o turista se sente criança de novo, como no deslumbrante complexo de parques temáticos na Flórida, EUA, num lugar onde todos no sentimos crianças, em experiências emocionantes, que mexem com nossa memória afetiva. As velinhas são a luz e a força da Vida, numa vida acontecendo, num espírito corajoso, que decide reencarnar num contexto social miserável, como por exemplo crianças africanas com severa desnutrição, mal conseguindo ficar em pé, fazendo da Terra tal escola dura, causando no encarnado um crescimento espiritual enorme, sendo este o sentido da Vida, na questão da pessoa se tornar uma pessoa melhor, como em personagens que crescem, como Scarlet O’hara, que vai de menininha mimada a mulher forte em meios aos horrores bélicos, sendo esta a “beleza” das guerras, que é causar fome e destruição, arrancando pessoas de seus lares, matando inclusive crianças inocentes, remetendo ao covarde assassinato torpe de um certo rapaz inocente, e eu gostaria que o assassino se desse conta do que fez com a vítima e com a família desta, indo pedir perdão pelo que fez, num assassino que não tem outro lugar para ir se não o Umbral, a dimensão dos que não amam a Vida nem o próximo, nos incansáveis esforços do padre na missa, chamando-nos de irmãos, algo que o Ser Humano esquece o tempo todo. Aqui é uma cena alegre, com os queridos amiguinhos reunidos, no modo como a vida social da criança se resume ao universo da escola, com os coleguinhas de classe, na magia de levar os convites para a escola e dar para cada coleguinha, na delícia de ser anfitrião e receber as pessoas para uma celebração, num momento de festa em que esquecemos momentaneamente as durezas da Vida, como num merecido descanso, como na época das festas de quinze anos. Num detalhe do quadro vemos uma criança pequena, de colo, ainda muito inocente para entender o Mundo e as festas, como numa festa de um ano de idade, numa época em que a pessoa é muito pequena ainda. O bolo é a doçura das festas, com docinhos deliciosos, como um bom brigadeiro. O bolo é a beleza da Dimensão Metafísica, na qual há confeitarias, no gostoso pecadinho capital da gula, no modo como os pecados capitais são deliciosos, como a preguiça, a qual, não canso de dizer, é a mãe de grandes invenções da Humanidade: Por que mandar um carta para uma pessoa que está em outro continente se posso teclar em tempo real com esta pessoa pela caixa de mensagens do Facebook? É o “louco” galgar das tecnologias, sepultando a era analógica e abraçando a era digital, remetendo às eras do telefone de gancho e disco, ou do televisor de tubo sem controla remoto, só com canais da TV aberta, numa época em que éramos felizes, mesmo sem muitos requintes de tecnologia! O espelho ao fundo é a reflexão, o se debruçar sobre a própria vida, como num consultório de Psicoterapia, num terapeuta isento, que nos mostra o Mundo e a Vida da forma mais racional e fria possível, num guia espiritual, ao ponto de haver terapeutas que simplesmente não se socializam com seus pacientes, exatamente para primar por tal frieza, na questão da pessoa ouvir a cabeça e não o traiçoeiro coração, o qual pode nos levar por sofrimento, nas palavras de Aristóteles: “A lei é razão fria sem sofrimento”, no caminho espírita da mortificação.
Acima, Os plebeus. Aqui é ironia de metalinguagem, com arte falando de arte, ou seja, é a arte do pincel de Bartlett falando sobre a arte dos instrumentos musicais. Aqui é como uma escola de Música, com o “perfume” musical pairando no ar, como eu mesmo já tive aulas de violão, no prazer de se fazer Arte, esta força que nos faz humanos, civilizados, diferenciando-nos dos outros animais, na incapacidade de um macaco escrever numa folha de papel: “Olá! Eu sei escrever! Eu sou um ser pensante, racional!”. A moça ao centro cruza as pernas com elegância, ao contrário da menina ao lado, sentada de forma mais à vontade, meio vulgar, remetendo a duas certas mulheres, irmãs, que vieram da mesma barriga e foram criadas debaixo do mesmo teto, sob os mesmo valores, e saíram bem diferentes uma da outra, com uma saindo mais classuda e a outra saindo mais vulgar e transgressora, nas individualidades do espírito, resultando nas inevitáveis brigas de irmãos, normais em qualquer lar, talvez espíritos que resolveram reencarnar irmãos para, assim, resolver desavenças de outra vida, como disse uma certa senhora: “Vocês não podem brigar; vocês são irmãos!”. Ao fundo vemos um sino, como numa sineta de escola, no chamar da disciplina, na hora de ir para a aula, como num certo colégio, com o supervisor verificando a lista de chamada da primeira hora da manhã, detectando assim, ausências, ligando para a casa do aluno e perguntando porque este não fora à aula, combatendo, assim, os alunos que resolvem “gasear” aula, ou seja, não ir à aula! As moças estão de pés descalços, à vontade, numa relação de intimidade, de simplicidade, na delícia de se caminhar descalço por um gramado, ou estar descalço dentro de casa, no lugar em que estamos tão à vontade, em certas pessoas que simplesmente ficam totalmente nuas dentro de casa, nos versos de uma canção da diva roqueira Alanis: “Recomendo que você ande pelado pela sua sala de estar!”, nessa Alanis com seus cabelos longos, marcantes na carreira, como se tais cabelos célebres fossem uma propriedade coletiva, nesses artistas de tanto carisma e talento, sendo parte da galera, unindo as pessoas, num clemente Papa Francisco, o papa do povo, um homem que queria unir as pessoas, nunca segregar, um homem humilde, com um carisma de rei – jamais veremos outro homem como Francisco. O rapaz aqui está mais formal, de sapatos, mais recatado, talvez ainda num estágio inicial de adaptação, ainda se adaptando à escola, como num bixo que entra numa faculdade, sendo vítima dessa atrocidade idiota que é o trote universitário, um ato de anticidadania, uma humilhação desprezível, digna de qualquer reprovação, no modo como as mazelas do Ser Humano se revelam em qualquer contexto social, independentemente de classe social. Os três músicos aqui sentam sobre um colchão, que é o merecido descanso, remetendo a um certo senhor workaholic, o qual, em falta de respeito para consigo mesmo, encarou duas jornadas de trabalho sem descansar entre estas, numa pessoa que tomou no cu, com o perdão do termo chulo, tendo que fechar as portas da firma que abrira, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? A luz que entra por trás é a iluminação e a inspiração, na iluminação de uma mente fértil e criativa, como num artista prolífico, com vasta obra, um artista que, ao morrer, deixa no Mundo um legado sem preço, como uma certa popstar, cuja morte virará o Mundo de “cabeça para baixo”, no modo como a morte de Elis causou tal impacto sobre a nação brasileira; no modo como Chespirito teve, no México, um funeral digno de rei. Aqui é como uma banda, uma sociedade, em pessoas que se unem num “casamento”, no modo como pode ser duro manter uma banda unida por décadas de carreira, como num U2, com a mesma formação dos anos 1980, no modo como a Vida é luta sempre, e quem para de lutar, desaparece, no modo como já vimos tantas estrelas aparecendo e desaparecendo. Aqui é a juventude, o frescor, num artista virando páginas e encarando novos momentos de carreira.
Acima, Os samaritanos. O cone é o falo abrasivo, como nas abrasivas pirâmides egípcias, num império então poderoso, num recado claro: Não se meta com o Egito! É como na catedral de Caxias do Sul sendo erguida sobre uma alta pedra, na época o ponto mais alto da cidade, para deixar bem claro quem ali mandava! É como no falo do Código de Hamurabi: Se você não quiser se dar mal, obedeça as leis! É como Jesus, o qual, em vida, deu-se muito mal, sendo oficialmente executado, ressuscitando depois na fé das pessoas, no maior popstar de todos os tempos, no poder do pensamento que tal homem propagou, no conceito do perdão, o qual é o caminho natural da Eternidade, pois as desavenças não são perenes, e tudo acaba se resolvendo. O carro é tal meio de locomoção, sepultando a era dos cavalos, os quais por tanto tempo foram o melhor meio de locomoção, como na época dos colonos na Serra Gaúcha, como os colonos admirando os tropeiros em cavalos, considerando tais tropeiros príncipes elegantes, num colono ainda pobre, sem condições de ter um cavalo, num colono que levava uma vida tão dura, repleta de labor de Sol a Sol, só não trabalhando no Domingo porque o padre e a religião não permitiam. A mulher de gravata é tal masculinização, na independência de tal mulher, sem depender de homem algum, ao contrário de Marilyn Monroe, a qual passou a vida em busca de figuras paternas, numa mulher vulnerável, enroscada em drogas, como na tragédia da vida de Whitney Houston, com sua potente voz destruída por drogas pesadas, remetendo a um certo senhor drogadito, totalmente sequelado pela droga, a qual pode se apoderar da neurologia da pessoa, remetendo a outro certo senhor, enroscado nas drogas, condenado a apodrecer o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica – é um horror. O senhor de cartola é tal garbo, em eras em que chapéus eram comuns, símbolos de garbo e elegância, no modo como tudo é processo, e a Moda passa por tais processos, no ato transgressor de Chanel, estipulando que o que importa não é o preço do adereço, mas o efeito que tal adereço produz, como uma linda mulher com os cabelos enfeitados por simples flores, num efeito lindo e avassalador, mas com um custo baixo, no caminho da simplicidade e da humildade, simplicidade que cada um de nós tem que aprender de forma autodidata – não há livro ou faculdade que nos ensine a viver. As moças unidas são a intimidade e a amizade, no ponto das meninas começarem a menstruar na mesma época do mês, num carinho de tal proximidade, como um certo amigo meu, uma pessoa com a intimidade de me telefonar de madrugada, no caminho dos amigos de verdade, em laços eternos que o tempo não pode apagar, ao contrário da amizade fútil, dispensável, pessoas que são “vaca de presépio” em nossas vidas – se está lá, que bonitinho; se não, não faz falta. A mala é o trajeto, a trajetória existencial da pessoa, passando por várias vidas, como num passaporte com vários carimbos, como na carreira de um ator, como já me disseram que a timeline no Facebook parece uma “penteadeira de puta”, com o perdão do termo chulo, numa carreira de vários álbuns lançados, no modo como o sucesso é um amante infiel – hoje, está comigo; amanhã, não se sabe. É como ganhar um prêmio, no modo como o sucesso é um problema, pois, quando o sucesso vem, temos que saber sobreviver a ele e virar a página, no problema que Walter Salles adquiriu com o Oscar que ganhou. O menininho coroado é a estrelinha adorada da casa, na capacidade da criança pequena em trazer alegria para uma casa, no inocente riso de criança, divertindo-se com pouco, com simplicidade, no modo como os adultos muito têm a aprender com os infantes, pois estes se contentam com pouco, em coisas simples como ir na beira da praia e sentir a água das marolas em nossos pés, nessa deliciosa sensação de liberdade, nos versos de uma certa canção: “Não há amor sem liberdade; não há liberdade sem amor!”. São os conceitos imortais da Revolução Francesa, na dignidade da Democracia, no poder que emana do povo.
Acima, Os sonhadores. A Lua é tal magia, na força das marés, num prato de prata, como no majestoso quadro A Noite, do grande mestre Pedro Américo, numa deusa de preto, como numa lingerie, nas palavras de um personagem de Woody Allen ao filho: “As mulheres são a melhor coisa que você pode ter na vida, e algumas delas fazem compras na Victoria’s Secret!”, no modo como homem heterossexual precisa de mulher e viceversa, nas palavras de Pierina a Angelo em O Quatrilho: “Eu também sou mulher! E se é disso que tu precisas, não vou te deixar para outra!”. Aqui são companheiros de caminhada, como nossos amigos em nossas vidas, dando-nos a sensação de acompanhamento, amigões que olham dentro de nós e sabem pelo que passamos existencialmente, ao contrário do conhecido, o amigo fútil que não sabe e nem quer saber pelo que passamos na vida, e estamos cercados de tais pseudoamigos e sentido-nos muito solitários, nos aprendizados autodidatas que vamos tendo na vida. Aqui é a juventude, remetendo ao mito da juventude feliz, que é uma invenção de velhos, pois quando se é jovem demais, não temos juízo ou responsabilidade, como dias atrás na Feira do Livro de Caxias do Sul, com um menino andando de bicicleta pela feira, num lugar que não foi feito para bicicletas, inclusive com o menino fazendo manobras sem muita cautela, carecendo desesperadamente de juízo, como eu certa vez, adolescente, saí na Rua com uma bicicleta cujos freios não estavam funcionando muito bem, e atropelei uma menininha na beiramar, e, hoje, eu diria a mim mesmo: “Não vou andar por aí com uma bicicleta cujos freios não estão funcionando plenamente”. O deserto aqui é solitário, como cada um de nós tem que ter momentos de tal retiro e solidão, numa privacidade, como em Deus no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado!”. E o senso de humor nos faz tão humanos, na capacidade de rir de si mesmo, em formidáveis palhaços como Rowan Atkinson, na magia circense, no espírito de mambembe, como popstars regendo grandes turnês mundiais, no apego ao palco, no siso que vem depois da alegria – por mais belo que seja, o circo vai levantar a lona e irá embora, remetendo a uma Dercy Gonçalves, num momento de rompimento, fugindo de casa, ainda jovem, para se juntar a uma trupe circense, no espírito cigano nômade, num artista que quer saber quem ele mesmo é, nos processos de identidade, pois ser uma simples dona de casa não vai dizer a você quem você é, como uma certa mulher, a qual abandonou a carreira para se tornar do lar, no machismo da sociedade: Uma mulher pode ser mantida por um homem; um homem não pode ser mantido por uma mulher. Aqui é como as boybands, como Menudo, Backstreet Boys, Westlife, New Kids on the Block ou N’sync, enlouquecendo menininhas histéricas, numa fase da vida em que a menina ainda acredita em príncipe encantado, fazendo das boybands tal fórmula imbatível, ao contrário da menina mais velha, menstruando, talvez iniciando a vida sexual, deixando para trás as bonecas e abraçando a vida social. Aqui é a identificação grupal, e você pode observar: Dentro do mesmo grupo de adolescentes, todos se vestem mais ou menos da mesma maneira, no mesmo estilo, nas identificações, no pertencimento a um grupo, como uma gentil menina certa vez, a qual me aceitou em seu círculo social, no caminho de identidade, na pessoa que quer se ajustar de alguma forma. Ao fundo vemos sutilmente uma cidade, distante, impessoal, altiva, como na vista de uma cidade como o Rio, numa maravilhosa mescla de urbe com natureza, numa vida que pulsa, encantando turistas do Mundo inteiro, no folclore de que os cariocas não gostam de dias nublados! É como uma amiga minha carioca, surfando pelas ondas do Rio, como a pele dourada da Garota de Ipanema, na vitória do fino sobre o vulgar, na noção taoista de que grosso é fraco e de que fino é forte, resultando nas cruéis guerras, fontes de grande sofrimento.
Acima, Osso. O osso remete ao ponto de reviravolta no clássico 2001, no símio se tornando racional, pegando um osso como ferramenta, instrumento para abater um animal, na sofisticação ritualística neolítica das tribos amazônicas, na figura patriarcal do cacique, na universalidade do patriarcado, numa compensação em relação ao poder que a mulher tem de trazer vida ao Mundo – é assim mesmo, como na figura do Papa, impondo-se sobre a freiras, no divertido modo como padres vivem num mundo e as freiras noutro, na divisão do Clube do Bolinha e Clube da Luluzinha, remetendo à infância, época em que meninos não se interessam por meninas, chegando à adolescência, quando os sexos começam a se atrair, menos em casos de homossexualidade, é claro. O rapaz viril nos encara sério, austero, como hoje mesmo vi na Rua um agente de banco, com uma espingarda, vigiando ostensivamente num acesso de outros agentes e um caixa eletrônico, nas incansáveis atos de bandidos, no apego humano ao dinheiro e ao poder, em milhões de brasileiros que apostam na Loteria, na noção espírita: Você não faz ideia de que a que ponto ficam reduzidos aqui, no Plano Superior, aqueles que são considerados felizes na Terra, ou seja, os ricos, numa sensação de vazio intenso, no modo como uma pessoa rica só pode ser sã se trabalhar de alguma forma, remetendo às dondocas improdutivas, numa vida sem propósito, como uma colega que tive, a qual é hoje sustentada pelo ex marido, e é difícil imaginar fria maior do que ser obrigado por lei a sustentar uma pessoa que não mais faz parte da vida de outra pessoa, resultando nos contratos pré nupciais nos EUA, nos quais, em caso de divórcio, não haverá litígio, como um certo senhor, o qual desabou ao se divorciar, numa separação complicada e litigiosa. O osso aqui é como um troféu, numa pilhagem, em épocas em que ainda era permitido caçar animais como leões ou girafas, como em cenas do clássico Dança com Lobos, com o couro sendo arrancado de búfalos, em privilégios como jaquetas de couro, algo rechaçado pelos ecologistas ou veganos, num posicionamento sociocultural, como se negar a usar produtos que foram testados em animais, remetendo a um certo restaurante vegano caxiense, o qual é a prova de que, se bem feita, a comida vegana pode ser muito saborosa, como nos programas de Bela Gil, vegana – fico entretido ao ver outrem cozinhar. As calças arregaçadas são tal simplicidade praiana, como num casamento de parentes meus em Salvador, BA, na beira da praia, na magia de Salvador, uma cidade de calor ameno, gostoso, longe do Rio ou de Cuiabá, nestas com temperaturas que podem passar dos quarenta graus! O mar aqui ao fundo é uma perspectiva, cheio de frutos a serem pescados, num empresário que vê possibilidades de mercado e negócios, na sabedoria de que frutos do mar não podem ser bebidos com vinho tinto, pois esta, ao entrar em contato com o iodo natural dos frutos do mar, gera na boca um sabor desagradável. A rocha aos pés é a estabilidade e a firmeza, a segurança, num homem que faz uma proposta sólida de casamento, remetendo a um certo senhor, já rechaçado por duas esposas, talvez um senhor que tenha se revelado um grossão de primeira, frustrando as expectativas românticas das mulheres. A camisa branca é tal pedido por paz, como no fim de um conflito, em acordos de paz, nos esforços das Nações Unidas, sempre primando pela diplomacia, resultando na figura fina do diplomata, o qual sabe a responsabilidade que tem. O osso aqui é agressivo e pontiagudo, no termo “dar murro em ponta de faca”, que é querer mudar o que não pode ser mudado. O osso é a incisão da agulha de vacina, numa dor tão mínima, mais indolor do que tirar um pelo do nariz com uma pinça, no avanço da vacina anticovid, não tomada por muitas pessoas incautas, remetendo a uma certa pessoa, a qual falou publicamente uma grande bobagem em relação à vacinação, numa irresponsabilidade. Aqui é uma tarefa sendo cumprida, numa sensação de dever cumprido, como se formar numa faculdade e fechar o ciclo, numa transa com orgasmo, com o perdão do termo chulo.
Acima, Pai e filho em Seatle. Esta é uma cidade cinzenta e úmida, berço da cultura grunge que marcou os anos 1990, com os rapazes de cabelos compridos e camisas de flanela, no modo como eu mesmo, adolescente em tal época, tive meus longos cabelos, cansando-me destes e cortando o cabelo curtinho, o qual é mais prático de se lavar e secar. Esta torre é tal supremo ponto turístico de Seatle, como no seriado excelente Frasier, que se passa na cidade, na vinheta de abertura mostrando um desenho de tal torre, na busca de uma cidade por uma identidade, como no apelo turístico de Gramado, com tudo feito encantar o visitante, uma cidade que está crescendo rápido demais, preocupando a prefeitura em relação a demandas de água e energia elétrica, como certa vez num blecaute na cidade em pleno Natal Luz, numa sobrecarga de luz nos enfeites noturnos, no termo popular “dar um passo maior do que a perna”. O pai e o filho são os vínculos de família, numa relação de confiança, em pequenos que crescem rápido, chegando à adolescência, a idade em que queremos estar com os amigos, na idade da galera, em amigos que são como irmãos, como me disse uma querida amiga de tal época: “Éramos felizes e sabíamos!”, no doce verão que chega depois de um ano inteiro de siso e disciplina, ao contrário ao aluno relapso, o qual passou o ano sem levar o curso a sério, sendo reprovado no final, experiência desagradável a qual tive, encarando toda uma reconstrução, uma lástima, pois tudo o que me faltava era disciplina e fazer as coisas que o professor mandava, no pavor que sempre tive de Ciências Exatas, tendo que ter aulas particulares de Matemática, ao contrário da senhora minha irmã, sempre aplicada nos estudos, nunca precisando de aulas particulares, e se eu pudesse voltar no tempo, eu teria sido mais estudioso, e quando temos a vontade de voltar no tempo e corrigir o erro, é porque aprendemos a lição, como um querido amigo meu, o qual abandonou a faculdade em algum ponto, dizendo décadas depois no Facebook: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. O menininho está sobre os ombros do pai, sendo sustentado por este, nas responsabilidades de um pai de família, como o senhor meu avô, um superpai que nunca deixou algo faltar em casa, um homem que nunca teve casa própria, mas que provia à família belas casas, mesmo que alugadas, na saudade que nos dá ao pensarmos nos avós, os quais nos esperam lá em cima, na vida metafísica gloriosa, na qual ficamos livres de todos os problemas relativos a nossos corpos carnais. A torre é um ponto de encontro, e provavelmente tem uma bela vista para a cidade, como na vista do Corcovado, num Rio que, de longe, aprece ser perfeito e imaculado, mas que, de perto, é sujo e violento, sinto em dizer – é assim em qualquer lugar na Terra, o plano das imperfeições que nos fazem crescer como espíritos, o que é o sentido da Vida, pois não há vida em vão, nem trabalho em vão, com tudo sendo parte da grande carreira espiritual, no plano em que sentimos a necessidade de continuar trabalhando, em uma vida de sentido e produtividade. A torre é esta competição fálica para ver qual país do Mundo tem a torre mais alta, no mito da Torre de Babel, com as obras humanas ruindo em tais ambições, no altivo termo “arranhacéu”, desafiando Deus e os limites da Vida, no modo de se explicar racionalmente o Mundo e o Cosmos, num Ser Humano que ainda sabe tão pouco do Universo, num Cosmos tão grande, imensurável, numa infindável multidão de galáxias, sendo inútil tentar catalogar cada estrela que existe – até onde vai a Humanidade? O cinza é a junção de branco e preto, ou seja, do Bem e do Mal, fazendo da Terra tal dimensão cinzenta, de dúvida, numa cinzenta travessia existencial, na imagem do Castelo de Grayskull, ou seja, da Caveira Cinza, disputado por bandidos e mocinhos, na imagem da caveira, que é o Mal vencido e mortificado, no caminho espírita de mortificação espiritual, condenando as mortificações carnais, como pessoas que se dispõem a ser de fato crucificadas, em homenagem a Jesus – pare de se martirizar!
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.






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