quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Bom Bo (Parte 14 de 28)

 

 

Falo pela décima quarta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Jonah. Um profundo torpor, como na obra de Botticelli com Marte entorpecido frente a uma desperta Vênus, no Yang se curvando operante o Yin, na recomendação taoista: Entenda a força fálica do Yang, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, como ficar à vontade dentro de casa, no caminho da simplicidade, a qual é o mais elevado grau de sofisticação, de limpeza, como desencarnar e tomar banho num banheiro bonito e ensolarado, no poder de cura e renovação de um banho, no poder dos perfumes, como o incenso indiano ganhou a Europa e o Mundo, na universalidade da questão humana, em outra recomendação a um líder: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão comum, das pessoas comum, pequenas, quietinhas em seu respectivo canto, no ato do monarca inglês em conversar com súditos em eventos públicos, pois se quero ser respeitado pelo povo, tenho que respeitar este. Aqui é um quadro de descanso e restrição, de discrição, numa pessoa reservada, como a cantora Marina Lima, discretíssima, e fica difícil imaginar a diva indo a público esclarecer, publicamente, a razão de seu claro estrago vocal, em outra artista discreta, como a minha querida Diana Krall, a princesa do Jazz, nunca fazendo questão de aparecer intensamente, não se identificando com sexys mulheres sabor boceta tuttifrutti, com o perdão do termo chulo. Aqui é uma pessoa vivendo seu dia com produtividade, quieta, produzindo, como em homens finos e reservados como Luis Fernando Veríssimo, meu escritor ídolo, inclusive meu contraparente, um homem que definitivamente não se identifica com midiatizações e celebrizações, pagando alto pelo preço da fama, assediado em shoppings de Porto Alegre com estranhos querendo fazer selfies com o mestre das letras, pois mesmo quando eu me deparei com Veríssimo na Rua, respeitei e o deixei passar em paz, no modo como essas pessoas ultrafamosas são prisioneiras disso tudo, como num Michael Jackson, proibido de sair na Rua em qualquer lugar do Mundo, perdendo a deliciosa liberdade do cidadão comum, que é ir e vir em paz, como eu mesmo esses tempos num shopping num domingo à tarde, pensando comigo mesmo: “Como é bom poder passear em paz!”. Aqui é a sedução dos braços de Morfeu, o deus do sono, sendo necessário um “guindaste” para nos tirar da cama, no Id, a instância do prazer, como comer um doce ou ter fazer sexo, como num episódio do célebre Mr. Bean, com este evitando ao máximo acordar ao inclemente som do despertador, atrasando-se para o dentista, em talentos de palhaços como Rowan Atkinson, no modo como um palhaço o será estando ou não remunerado por tal, como outro formidável palhaço como Jim Carey, saindo de mãos dadas de um restaurante em Los Angeles com o roqueiro Steven Tyler, como se fossem um casal gay, no instinto cômico de fazer com que riamos de nós mesmos, nesse ato tão humano que é rir, que é fazer palhaçada, como no filme A Guerra do Fogo, num estágio humano evoluído, neolítico, na capacidade de rir de coisas como cair um coco na cabeça de alguém, no desejo de rirmos de uma pessoa que tropeça na Rua. Aqui é como em cruéis ocultações de cadáveres, cimentando o corpo e jogando no mar, nas palavras de Zuzu Angel a autoridades: “Desacato é impedir que uma mãe enterre o próprio filho!”, nos horrores de tais porões da ditadura, confidenciais nas décadas de tal regime no Brasil, remetendo a pessoas que pedem a remilitarização do Brasil, talvez se esquecendo dos “efeitos colaterais” de tal era na nação brasileira, no modo como tudo tem seu custo. Aqui é uma ocultação, numa pessoa que quer fugir um pouco, ficar um pouco consigo mesma, nessa necessária pitada de solidão na vida de qualquer pessoa, numa canção dos Guns n’ Roses dizendo que todos nós precisamos de um tempo conosco mesmos, como no filme Dogma, com Deus sendo solitário, mas muito brincalhão, na simplicidade lúdica da criança, numa fase em que a Vida é mais simples, na inocência infantil em se contentar com pouco, e isso é sábio, diferente das ambições de poder do mundo dos adultos. Aqui remete a pântanos da obra de Tolkien, repletos de mortos, num lugar tão lúgubre e deprimente, horrível, morto, podre – um horror. Aqui é como colocar o celular no modo “não perturbe”, ou como antigamente, na era analógica, no ato de se desligar o telefone fixo.

 


Acima, Lar. Os seios fartos são a fartura de um lar, com crianças que crescem fortes e bem alimentadas, remetendo a esses rapazes pobres, de lares sem muita abundância alimentar, comprometendo assim o crescimento da pessoa, com rapazes de quatorze anos de idade com tamanho de criança com onze anos, como nos traços de fome que as guerras trazem, com pessoas se acotovelando para receber alimentos de doações humanitárias, num quadro patético de miséria, tudo em nome das ambições de homens que querem poder e mais poder, como no sádico Saddam, dizendo ao subalterno: “Eu não estou pedindo; eu estou mandando!”, num espírito que desencarna e perde tais poderes mundanos, pois o que é mundano, no Mundo fica, como em tronos hereditários, na sabedoria popular de que se vão os anéis e ficam os dedos, como no pesado e impactante filme Calígula, sobre o famoso imperador romano sociopata, em herdeiros que resolvem matar o ocupante de tal poderoso trono, com herdeiro os quais, na hora de uma partilha de herança, querem devorar uns as tripas do outro, como nos filhos de uma famosa artista, cujo nome, é claro, não mencionarei. O lar é tal proteção, tal porto seguro, numa criança que nunca deve se esquecer que vem do amor, numa criança que precisa ser amada e respeitada para enfrentar as vicissitudes do mundo lá fora, como preconceitos e discriminações, como uma certa drag queen, a qual passa cada dia de sua dolorosa vida lidando com preconceito, nessa crueldade tradicional e ancestral do Ser Humano, que é irmão odiar irmão, como um certo senhor, o qual disse a uma transmulher: “Não é mulher de verdade!”, e o respeito é algo bem simples e fácil, pois não se trata de minha vida, mas o Ser Humano segue seduzido por caminhos que fogem da grande via única da lógica, em filho de Deus matando filho de Deus, como eu  disse certa vez a meu querido avô, que Deus o tenha: “Guerra já tem demais no Mundo, vô!”. O menino engatinhando é a ludicidade, em brincadeiras simples como de se esconder, remetendo a uma grande tragédia que acometeu a família de uma amiga minha, esta já falecida, com a netinha pequena que foi brincar de se esconder atrás de uma roda de caminhão, com o motorista, é claro, sem saber disso, dando a marcha ré e matando a menina – difícil imaginar dor maior para uma família do que enterrar um pequeno caixão. Os sapatos estão jogados, e a moça sente a liberdade de pisar na grama, numa gloriosa sensação de liberdade, como nas Experiências Extracorporais espíritas, as EECs, no breve momento em que o corpo está desligado do espírito, numa deliciosa sensação de liberdade, de útero, de lar, de pertencimento, como na magia das piscinas no verão, em brincadeiras na beira da água, como me disse uma querida amiga de adolescência: “Éramos felizes; e sabíamos!”. Um menininho dorme em posição fetal, no costume de certas civilizações em enterrar os mortos em tal posição fetal, no retorno ao lar, como no feto ao final contundente do megaclássico 2001, numa Humanidade ainda muito jovem, muito aquém de resolver mistérios e desenvolver tecnologias, no eterno retorno ao lar, à proveniência, ao Útero Sacrossanto que a todos nós gerou, numa criação divina e imaculada, no Lar Metafísico, ao qual todos pertencemos, mas com a existência dos espíritos revoltados, sofrendo em não aceitar tal sangue estelar em si mesmos. A mulher aqui é recorrente na obra de Bartlett, e infelizmente não sabemos quem era ou como se chamava, como um diretor que adora trabalhar com determinado ator, num alterego, como Quentin Tarantino trabalhando com Uma Thurman, numa intimidade e uma parceria, ou como no famoso álbum Duets, do imortal Sinatra, cheio de fabulosos duetos com lendas como Bono Vox, Barbra Streisand e Tony Bennett, mas num fracassado álbum subsequente que foi o Duets 2, sem fazer tanto sucesso quanto o original, ou seja, o sucesso é um amante infiel, mesmo para grandes artistas que marcam gerações para sempre, num caminho de humildade.

 


Acima, Leviatã. Aqui é uma revelação, como na Vênus de Botticelli, revelada dentro de uma concha, no olor de mar, no perfume da brisa de liberdade da praia. Aqui é como uma chamada de TV com a atriz Luana Piovani, revelada dentro de uma caixa, como uma boneca numa caixa, seduzindo os sonhos infantis de menininhas, nos sonhos de uma mulher feminina, querendo vestir suntuosos vestidos, em eventos de luxo como o Oscar, no qual a pessoa tem que se arrumar ao máximo, ao contrário de uma certa atriz agressiva, a qual, de propósito, não se arruma muito, talvez querendo, inconscientemente, agredir e ferir, numa mulher sem maquiagem, sem joias, sem fazer as unhas e, ainda por cima, com um vestido que é uma piada, com os cabelos desgrenhados, de quem recém saiu do chuveiro – eventos solenes de gala não são reuniões de condomínio! Aqui é como um parto de cesariana, deixando na mãe uma cicatriz, ou seja, indelével, na dedicação de mãe, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso, como ouvi certa vez de uma mãe: “Dá trabalho, mas vale a pena!”. Aqui é no famoso romance Moby Dick, com o marinheiro obcecado em se vingar de um bicho, numa obsessão de vingança, de ira, num excesso, pois uma pitada de ira não faz mal, no modo como tudo em excesso é prejudicial, remetendo ao Batman do filme de Tom Burton de 1989, num Bruce Wayne sombrio, querendo vingar a violenta morte dos próprios pais, encontrando seu arquiinimigo, o Coringa, ou como no pesadíssimo filme em que um homem quer se vingar do terrível sociopata Lecter, em filmes fortes, contraindicados para quem é muito sensível, como me disse uma excelente psicoterapeuta: “Pessoas muito sensíveis não podem ver filmes de terror”, no modo como me borrei nas calças com o filme A Bruxa de Blair, no divertido momento do seriadão Friends, em que Rachel, ao ler O Iluminado de Stephen King, o rei do terror, ficou paranoica, com uma faca na mão, com medo de se encontrar com um draculesco agressor. O menininho aqui assiste tudo à distância, remoto, sonhando em um dia ser um homem forte, talvez como um craque do Futebol, no menininho admirando homens fortes, como super heróis, querendo um dia ter tais músculos, nas palavras de um certo fisiculturista: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”, num homem que é um “escravo” de uma academia, uma pessoa para a qual o condicionamento físico é altamente capital, em homens que passam o dia inteiro numa academia, sonhando em ter zero por cento de gordura no corpo, esforçando-se ao máximo para ter o corpo dos sonhos, em heróis como He-Man, o homem mais poderoso do Universo, no modo como me pergunto se algum dia a minha geração, que foi criança nos anos 1980, verá um dia uma nova live action de He-Man, tal o embargo em torno de tal produção. Aqui é um quadro um tanto indigesto, como no nascimento de um natimorto, como nos filhos do famoso rei Tut com sua própria meia irmã, num Egito incestuoso, no qual os casamentos dentro da família real eram tranquilamente feitos, num rei que não podia misturar seu próprio sangue divino com o sangue de plebeus comuns, ao contrário do paradigma contemporâneo democrático – o presidente é um dos nossos, nosso igual, nosso irmão, o qual elegemos para nos governar por algum tempo, na saudável renovação periódica de poder. O menino se apoia sobre um cocuruto, que é a segurança do lar, de pais zelosos, criando o filho da melhor forma possível, evitando falar palavrões na frente dos filhos, educando estes, nos versos de uma famosa canção da Broadway: “Cuidado com o que você fala – as crianças ouvirão!”. Os remos são a virilidade do esporte, como um certo senhor, de grande personalidade atlética, sempre fazendo esporte durante a vida, como um certo menininho, bem atlético desde cedo na vida, no modo como tudo corresponde à constituição natural do espírito – a  pessoa simplesmente nasce assim, e a constituição natural da pessoa tem que ser respeitada, do modo em não querer que uma pessoa não atlética seja atlética. Aqui é um grande abate, com indígenas pescando, no siso de trazer o pão para casa, como pássaros pais e mães, alimentando os filhotes no ninho, como na logomarca da marca Nestlé, no ato de prover.

 


Acima, Liberdade. Aqui, é claro, é o patriotismo, o qual é saudável, ao contrário do chauvinista, o qual é um patriota agressivo, como uma certa senhora, para a qual algo era perfeito, maravilhoso e espetacular só porque era brasileiro, no modo como nenhuma forma de radicalismo é saudável, num ponto em que até compreendemos a aversão de Marx pelas religiões, pois as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, como no choque entre católicos e protestantes na Europa, nas cruéis fogueiras de Mary Tudor, queimando vivos protestantes, numa hipocrisia, numa pessoa condenando protestantes como na Roma Antiga, onde as cristãos eram cruelmente oprimidos, nesse talento de crueldade do Ser Humano, ao contrário da hierarquia espiritual, a qual é acontece pela paz; nunca pela raiva. A bicicleta é o labor, o esforço ardoroso, numa vida árdua, em vidas árduas como a de gari, cuja vida é uma vassoura, provavelmente com um salário ralo, no modo como é dura a vida de quem tem pouca ou nenhuma escolaridade, no sentimento de realização de se formar numa faculdade e ter curso superior completo, remetendo ao brutal e torpe assassinato de um certo senhor inocente, assassinado na semana de sua própria formatura, causando uma tragédia a uma família inteira, no modo como é o um inferno a vida de quem não tem apuro moral. Aqui remete aos carrinhos de catadores de lixo seco, numa vida dura, em pessoas paupérrimas, que mal sabem se, no fim do dia, terão um pedaço de pão no estômago, na recomendação cristã de não se negar pão, como na noção taoista: Nunca seja mesquinho por comida, numa lição que eu mesmo aprendi, no modo como o crescimento e a depuração são o sentido da vida; de qualquer vida. Aqui é como uma vida nômade de ciganos, pobres, vítimas de intenso preconceito, numa vida circense de mambembe, num espírito de ator, de arte, de pessoas que querem entreter, num dom circense de palhaço, espalhando alegria, em gênios como Rowan Atkinson, fazendo escola, no poder terapêutico do riso, fazendo do senso de humor algo tão humano, na capacidade de se rir de si mesmo, no modo como a vida não deixa de ser engraçada, como uma certa quase estrela, fracassando no frigir dos ovos, mesmo tendo as oportunidades de lançar vários álbuns pop, no modo como o sucesso é um problema, pois quando o sucesso vem, temos que saber sobreviver a ele e continuar tocando a vida para frente com humildade – a arrogância precede a queda! Aqui é um terreno de devastação, nos rastros de destruição das guerras, deixando rastros de fome e privação, na “beleza” das guerras, tudo em nome das ambições de homens corroídos pelo Anel do Poder, o qual corrompe os melhores homens, no conceito de Matrix: Um homem poderoso quer mais poder. Estes resíduos na areia são os vestígios dos megashows de Madonna e Gaga nas areias de Copacabana, com e prefeitura do Rio tendo que empreender um grande esforço para recolocar em ordem as areias da famosa orla, removendo tocos de cigarro, garrafas pet, copos de plástico e latas de alumínio, ou seja, um catatau de sujeira. O homem negro é a herança escravocrata, com descendentes pobres, como nos abismos sociais brasileiros, nos versos de uma sensível canção: “Ó mundo tão desigual (...). De um lado este carnaval; do outro, a fome total!”, nos esforços do governo chinês em erradicar a pobreza de tal gigantesco país, no paradoxo chinês: Por um lado, uma ditadura comunista; por outro, um país no qual é cidadão é absolutamente livre para empreender. Aqui é uma pessoa tomando seu rumo na vida, talvez num trabalho de se centrar e colocar em ordem tal vida, na necessidade da pessoa se centrar em algo nobre, ao contrário da pessoa que só reclama da vida, e nenhuma atitude toma – centre-se, rapaz! A bandeira tremula num país livre, no qual o cidadão nasce, vive e morre livre, na deliciosa sensação de liberdade de se nadar nu no mar.

 


Acima, Lição de História. Aqui é a disciplina, na exigência escolar por disciplina, como uma certa rígida professora de balé, dura, disciplinada, dizendo ao ver alunos conversando durante a aula: “Não vai render! Não vai render!”, na característica do bom professor, que é exigir do aluno, como uma certa professora de Filosofia, dura, e eu quase fui reprovado por ela, e hoje agradeço por ela ter passado pela minha vida, naqueles professores que valem cada centavo da mensalidade, ao contrário de professores medíocres e esquecíveis – deve ser assim em qualquer curso universitário. A bandeira é a construção de países, com cidadãos cultos, leitores, civilizados, no modo como o Brasil tanto carece da produção de cultura erudita e civilizatória, no problema na evasão escolar, na pessoa que subestima a importância de se formar e concluir o curso, como certa vez numa cafeteria, cujo garçom era um ex aluno da senhora minha mãe, e ele disse a ela que largara a escola para trabalhar, remetendo ao programam do Governo Federal para incentivar o jovem a permanecer na escola, nos sonhos de Leonel Brizola de semear escolar Brasil afora, nos Cieps, na sabedoria de que um país se faz com homens e livros. O globo é a globalização, na irônica desindustrialização da Inglaterra, outrora o berço da Revolução Industrial, com tantos produtos ingleses sendo fabricados na China, num país asiático rico, mas num cidadão chinês que não é rico, com a maior parte do dinheiro indo para o governo, barateando, assim, produtos chineses, numa globalização que teve primórdios na Era das Navegações, na sedução da seda chinesa e dos temperos indianos, seduzindo uma Europa ainda respirando resquícios medievais, sem as famosas naus, as quais, na época, eram o último grito de tecnologia, no decisivo advento da velha e boa bússola, nos sonhos de Colombo de atingir a Índia a partir do Oceano Atlântico, nunca sabendo que atingiria o gigantesco continente americano, num crédito posterior a Américo Vespuccio, quem teve a consciência de que o Mundo era maior do que se imaginava, nesses grandes homens que marcam eras, em gênios estadistas como Churchill, frente a uma então jovem e tímida Elizabeth II, a qual abraçou responsabilidades ainda muito jovem, menina, nessas pessoas que aprendem a amadurecer muito cedo, como no filho mais velho na família, ajudando a criar os irmãos mais novos, como a senhora minha irmã, mais velha do que eu, num peso de responsabilidade, como uma certa mulher, e qual foi mãe ainda adolescente. A menina aqui está apresentando algum trabalho, naquele nervosismo de nos depararmos perante os colegas e o professor, forçando-nos a perder a timidez, como uma certa dama caxiense, polidíssima, fina, feminina, doce, mas uma pessoa para a qual está faltando uma pitadinha de agressividade, pois a vida não é só Yin, feminino, mas há também o Yang, o lado macho da Vida, na força do masculino agressivo, desbravando matas virgens, como nos colonizadores europeus em solo americano, cheio de indígenas selvagens, como os indígenas canibais no distante e exótico Brasil, na importância do desenvolvimento de apuro moral – não me permito comer carne humana! O chão da sala de aula é em xadrez, na ludicidade, num jogo que tanto exige de nossas mentes, numa grande complexidade, como num episódio do seriado televisivo de Batman, com o inesquecível Adam West, no qual Batman e Robin jogavam xadrez não com um tabuleiro, mas com três, numa ultraexigência de raciocínio, no desenvolvimento da Inteligência Artificial, derrotando mesmo os campeões mundiais de xadrez, nisso de absurdo que é a IA, em vídeos impecáveis, irretocáveis, como num recente comercial de TV, no qual tinham, juntas, mãe e filha, que eram Elis Regina e Maria Rita, num encontro de gerações, mesmo décadas depois da morte da superdiva tupiniquim – até onde vai a tecnologia do Homo sapiens que virou Homo sapiens sapiens? O momento da aula é o siso, com alunos aplicados e alunos não tão aplicados, numa hierarquia, como uma certa senhora, aplicadíssima nos estudos, tirando as melhores notas da turma, com o sonho de gabaritar todas as matérias.

 


Acima, Lição objetiva. Aqui são essas carnificinas que são estes concursos de beleza, pois a maior parte das moças ali sai frustrada, na inevitável competitividade da vida em sociedade, como nos esportes – alegria de uns; tristeza de outros. Aqui é um esforço grande, num sonho prestes a ser despedaçado, como em concursos de fisiculturistas, num esforço máximo para ver quem tem o corpo mais apolíneo, numa seriedade de preparação, numa intensa dedicação, como lutadores, numa seriedade para nunca subestimar o oponente, entrando no ringue com humildade e seriedade, no ato universal de cavalheirismo no judô, com os oponentes em curvatura em gesto de respeito, na universalidade da civilidade e da gentileza, valores imutáveis do senso comum, com o problema dos submundos, nos quais nos desconectamos desses valores básicos, numa certa canção do deus David Bowie, dizendo que estar no submundo é estar perdido e solitário, num labirinto, numa desolação, como num solitário mendigo vagando por tristes ruas de domingos solitários, como uma certa pessoa, para a qual foi complicado sair de casa para estudar em outra cidade, encarando um melancólico domingo de solidão, na desolação do Umbral, a dimensão na qual não temos amigos, visto que os amigos são o ouro da vida, e a vida sem amigos é cruel e insuportável, havendo no sociopata tal ser sem amigos, um sociopata que pura e simplesmente se acha Deus – é um horror. A miss negra é o vencer o racismo, num crime no Brasil, com o feriado de Consciência Negra, remetendo a uma certa senhora carioca, racista, falando mal de pessoas por causa da cor marrom da pele, no divertido termo “Marrom bombom” para a deusa Alcione, no caminho da civilidade, pois dizer que negro não é gente é o mesmo absurdo de dizer que beagle, cocker spaniel e chowchow não são cachorros – sim, são cachorros! Aqui, as moças que perderam o concurso estão sorrindo, uma ilusão, pois, no fundo, estão tristes e frustradas, como na ex miss Brasil Deise Nunes, gaúcha, e eu me lembro como se fosse hoje, no remoto ano de 1986, quando, no palco do Miss Universo, o nome de Deise não foi classificado, e deu para observar direitinho a face de frustração e desolação na linda mulata, na famosa canção: “Boulevard dos sonhos despedaçados”, na qual rimos hoje e choramos amanhã! Aqui é como um açougue, com corpos sendo expostos, como disse uma certa menina, dando traços de se tornar feminista: “Que machismo essas festas de quinze anos, com o pai exibindo a filha como se esta fosse um pedaço de carne!”. Aqui é a realização de um sonho, como numa pessoa que sonha em ser um grande artista, um popstar de alta popularidade, fazendo de Hollywood tal terra de sonhos despedaçados, com pessoas frustradas que vão embora da cidade e voltam para sua humilde cidade natal, nessa selva de competitividade, com poucos trabalhos para muitos pretendentes, em pessoas fortes como Gisele, destacando-se em meio a tantas concorrentes, nas palavras de uma certa senhora altiva e distinta: “Dos fracos a história nada conta!”. As flores ao chão são a chuva de glória da doce vitória, no modo como o sucesso é um problema, pois quando vem, temos que saber a ele sobreviver e continuar a tocando a vida para frente com humildade e pés no chão, tendo que haver uma estrutura psíquica muito grande e forte para tal sobrevivência, nas palavras de uma certa popstar: “Você acorda no dia seguinte a vida continua!”. É claro que aqui há inveja, com uma querendo desbancar a outra, numa absoluta falta de fraternidade ou cordialidade, como um jogo, no qual temos que jogar com frieza, nunca tendo pena do adversário, nunca subestimando, como na fábula da tartaruga e da lebre, pois esta perdeu a corrida por subestimar a seriedade da situação. As estrelas são tal sonho de estrelato, de brilho, em mentes que brilham, deixando-nos abismados com tal talento. Aqui remete a uma grande amiga minha psicóloga, outrora vencedora de um concurso internacional de beleza, a qual disse sobre um evento no qual iria sem ter que concorrer a algo: “Desta vez, meu lugar está garantido!”.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Bom Bo (Parte 13 de 28)

 

 

Falo pela décima terceira vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Macio. O homem é o labor, o esforço, em trabalhos árduos como um gari ou um policial, no modo como a vida pode ser tão dura e difícil, no modo como a vida é dura em qualquer lugar, na ilusão de se acreditar que minha vida mudará radicalmente só porque me mudei de cidade, pois a vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir, como nessas pessoas em situação de rua, querendo, com todas as suas forças, fugir da luta da vida, no modo como a esmola não ajuda, mas só atrapalha, como pessoas na porta da igreja na saída da missa, esses homens jovens, fortes e saudáveis – vá trabalhar, meu irmão! O fogo é um ardor, num desejo, num intento, num impulso de artista, num desejo intenso de se realizar, numa inspiração para algo, em artistas que nos deixam pasmos com tamanho talento, como nas danças de um Michael Jackson, deixando-nos perplexos com tal talento, no modo como tudo o que tenho que mostrar é meu talento, remetendo a esses rapazes que mostram o pênis em revista pornôs – você não tem que mostrar o pênis; você tem que mostrar talento para alguma arte, esporte ou ciência, na universalidade do Ser Humano, na universalidade do espírito, em busca de Deus, que é o infinito, o plano eterno no qual desenhamos a vida eterna, no mistério infindável de Tao, o eterno, no absurdo poder que é a Eternidade, no modo como jamais findaremos, pois a Eternidade é o caminho lógico, pois não haveria sentido se tudo acabasse no desencarne, havendo em Tao o lógico, na lógica fria e bela dos números, nos esforços de um psicoterapeuta para nos mostrar a vida do modo mais frio possível, pois devemos ouvir a mente, a cabeça, e não o traiçoeiro coração, o qual tanto nos faz sofrer. A pá é o instrumento do labor, como no pincel do pintor, numa dedicação de tempo e esforço, num paciente trabalho de formiguinha, construindo aos poucos, na sabedoria popular de que Roma não se fez num só dia, como no paciente trabalho do Gênesis, aos poucos, no decorrer de dias, no merecido descanso no sétimo dia, como na grande artista Jodie Foster, a qual disse em entrevista que se obriga a NÃO trabalhar nos fins de semana e feriados, nesses fodões de Hollywood, no perdão do termo chulo, pessoas com a força para sobreviver a décadas na “selva” que é Meca do Cinema, como num Tom Cruise, o qual veio do nada e se transformou em tal medalhão sacrossanto, mas lá com seus tropeços na carreira, no modo como ninguém está por cima o tempo todo. Os cones são a sinalização, como nos agressivos cones de Madonna, numa figura feminista, forte, agressiva, ousada, provocante, nos esforços de uma mulher ao se ressaltar num mundo de homens, no modo como as próprias mulheres podem ser machistas, como no anônimo dia a dia de uma mera dona de casa, num caminho que não traz identidade à mulher, numa pessoa que não sabe qual é seu lugar no Mundo, como Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para se tornar uma dona de casa de luxo, numa enfadonha vida de realeza. O viaduto é a passagem, a possibilidade, num trajeto existencial, numa busca de identidade, num artista que quer saber quem é ele próprio. A via é o caminho da vida, da existência, como no processo de identidade do personagem Mulan, indo para a guerra e abandonando a vidinha anônima de mulher subalterna, remetendo a uma certa senhora, a qual abandonou a carreira docente para ser uma anônima dona de casa, como no machismo que Margareth Thatcher enfrentou na vida, questionada sobre quem cuidaria das crianças e da casa, numa vida dura de mulher, como disse um certo personagem misógino a uma moça: “Você tem que abandonar a carreira para cuidar de crianças e lavar roupa!”. O viaduto são as demandas de grandes urbes, nessa responsabilidade que é gerir cidades gigantescas como São Paulo, em desafios como combater a criminalidade, num ato de coragem para encarar tais vicissitudes. O homem negro é tal herança escravocrata, em países desenvolvidos como os EUA, com famílias negras digníssimas, finas, como a família Obama na Casa Branca, com este senhor fazendo duras críticas à gestão Trump, sendo este tão odiado pelos atores democratas como Meryl Streep, nesses perenes problemas do Mundo com as guerras e conflitos, num lugar em que azuis e amarelos estão em constante pé de guerra, pois nem a majestade suprema de Jesus soube resolver tais problemas.

 


Acima, Madre del Nene. O poste ou pilar é a solidez de uma vida centrada e produtiva, num homem centrado no trabalho, como na personagem Ellen em A Época da Inocência, a qual para de ouvir o coração e passa a ouvir a cabeça, mandando à merda o amante Newland, como o perdão do termo chulo, vendo que se tratava de um amor impossível, sem cabeça, sem frieza racional, como na adorável personagem Bridget Jones, exigindo do namorado tal solidez fria, racional. A moça nua está desmaiada ou morta, como na imagem de Cristo morto em igrejas, no caminho da mortificação, que é parar de pensar em bobagens auspiciosas, nas palavras de uma certa médium espírita: “Estou aqui para falar de coisas sérias, e não de quando você vai arranjar um namorado!”, pois a mortificação do espírito serve para deixar o coração calmo e estável, sem sofrimentos ou paixões. O homem aponta com o dedo, no falo patriarcal, no modo de tolher a sexualidade feminina, num pai dizendo ao nascer da filha: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na igreja!”, como na personagem Arwen, de Tolkien, entregue pura e casta ao marido experiente, como num homem que começou cedo a sexualidade, em prostíbulos, no machismo de se acreditar em só dois tipos de mulher – a santa ou a putinha, com o perdão do termo chulo, no caminho feminista de rechaçar isso tudo, fazendo da mulher um ser independente, sem bipolarização moral. Um menininho nos olha, um tanto magoado, como em Cidadão Kane, arrancado do paraíso da infância, do trenó Rosebud, num trauma de infância, como um certo senhor, o qual muito jovem, menininho, passou dos cuidados da mãe para os cuidados da avó, num rompimento, em homens que desde cedo se sentem forçados  crescer, como no crescimento do menino em O Império do Sol, tornando-se homem ainda muito cedo na vida, nos versos de uma célebre canção: “Homens ficam frios e mulheres envelhecem, e, no final, todos perdemos nosso charme!”, como no cadáver em balsamado de Evita, na busca humana pela Eternidade imutável, como um a certa popstar, obcecada em não envelhecer, lançando mão de recursos estéticos que podem desfigurar a pessoa, como no grave distúrbio de imagem de uma certa socialite, desfiguradíssima por tantas cirurgias plásticas – é um horror. A moça falecida, pálida, é respaldada, acudida, e está completamente inconsciente, como no funeral de uma certa senhora, no qual respirava-se o clima de missão cumprida, num espírito absolutamente consciente de seu próprio desencarne, no modo espírita de se ver a morte de um modo mais natural, sem sofrimentos de negro luto, crendo que jamais veremos tal pessoa novamente. Um sofá ao fundo é o conforto do lar, em tal lugar insubstituível, como no famoso sofá do café do megasseriado Friends, com os jovens amigos vivendo e crescendo, no poder do riso e da comédia, na capacidade humana em rir de si mesmo, fazendo da comédia algo tão humano, no senso de humor de Deus, no fato de que tudo traz em si sua própria contradição, no casamento entre razão e loucura, com dois lados para cada moeda. Ao fundo temos um cenário de guerra e devastação, na capacidade das guerras em legar rastros de destruição e fome, na eterna crueldade humana, como queimar pessoas vivas em fogueiras, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Ele jamais faria, como nas guerras santas, ignorando completamente as palavras de paz do maior homem de todos os tempos. O homem tenso aqui faz uma acusação, dando uma sentença, como um juiz de Direito ou Futebol, na sabedoria popular de que Deus não joga, mas fiscaliza. A moça morta remete a Jesus tirado da cruz, já morto, talvez um Jesus que sequer se lembra de tal calvário, dizendo, em sua suprema classe: “Todo mundo me fala disso! Eu não me lembro!”, fazendo da classe tal valor universal, como na polidez japonesa, no ato de humildade de se curvar perante o oponente de judô, nunca subestimando o oponente, no gesto de cavalheirismo de dois tenistas se cumprimentando ao final da partida.

 


Acima, Matínico. O peixe é o troféu, a conquista, como numa Copa do Mundo, na gigantesca pressão que sofrem os técnicos e jogadores, os quais têm que ter uma estrutura psíquica muito forte para suportar tal pressão – como você acha que é um país inteiro lhe pressionando para trazer o Hexa para casa? O peixe é o pão santo de cada dia, na responsabilidade de um pai em prover uma casa, em pais zelosos, os quais nada deixam faltar em casa, como numa famosa comédia, num pai disposto a fazer tudo pela própria família, até mesmo roubar, nas palavras enérgicas da senhora minha mãe quando eu era pequeno: “Vá abrir a porta da garagem para teu pai, que está trabalhando até agora para nos sustentar!”, no modo como ter filhos muda para sempre a vida de um pai ou mãe, remetendo a uma certa senhora, a qual foi mãe ainda adolescente, tendo que amadurecer muito cedo na vida, sofrendo limitações numa época da vida em que somos crianças e escravos de nossos próprios hormônios. Aqui é um mundo de homens, fazendo do patriarcado uma forma de compensar o poder que a mulher tem em trazer vida ao Mundo, na universalidade de tal machismo, como em tribos amazônicas, nas quais apenas aos homens é permitido fazer lutas, como no machismo agressivo dos ringues de lutas, com a moça formosa no ringue segurando uma placa dizendo o número do assalto, num papel coadjuvante, como num satélite girando em torno de um planeta, pois uma pessoa só pode organizar a própria vida se centrar-se de alguma forma, o que eu gostaria muito de dizer a um amigo meu, o qual está numa vida tão pobre e sofrida: Centre-se, rapaz! Aqui, discreto, e de costas, um menininho, olhando para os homens e sonhando em um dia ser tal homem forte e viril, como no menino querendo ser forte como um super herói, no costume de, na abertura de jogos de Futebol, cada jogador entrar em campo de mãos dadas com uma criança, as quais são nosso futuro, no nobre trabalho de pedagogo, treinando nossas futuras elites, no modo como mantenho, até hoje, contato com uma querida professora de pré escola, no fato de que cada professor é importante na trajetória da pessoa. O cão aqui é a amizade e fidelidade, e o cão parece cobiçar o peixe pescado, como nos cachorros de rua “hipnotizados” por frangos de padaria, girando e sendo assados, no encargo que é ter um bicho de estimação, como ir ao supermercado e comprar ração, sem falar no levar o bicho para a Rua para este fazer as necessidades fisiológicas, como uma certa senhora solteirona, acompanhada de dois cães. O remo é a virilidade, como na decoração de um certo clube portoalegrense, com os remos pendurados na parede, na ferramenta do campeão, na virilidade esportiva, como fortes pancadas na bola de vôlei, invadindo o campo adversário, nas palavras de um certo senhor psiquiatra: “Tens que desenvolver agressividade, pois vives num mundo competitivo!”, no fascínio que os campeonatos exercem sobre a Humanidade, na universalidade da competitividade, como nos antigos gladiadores romanos, fornecendo grandes espetáculos de alta popularidade, no sonho de se tornar um grande astro, com tantos e tantos sonhos sendo despedaçados todos os dias em Hollywood, a terra do sucesso e do fracasso. Aqui, um homem e o menino de vermelho formam um continuum, como a criança querendo se tornar tal homenzarrão, ouvindo a própria mãe dizer: “Tens que comer para ficar grande e forte!”, na responsabilidade de se criar um filho com saúde. Ao fundo, quase imperceptível, vemos uma moça, ofuscada pelos homens viris no quadro, como Eva, o segundo sexo, um arremedo mero da obraprima de Deus, que é Adão, culpando a mulher pelos flagelos da Humanidade. É como gritou um certo homem ao ver uma mulher jogando futebol com homens: “Futebol é para homem, porra!”, com o perdão do termo chulo. O sangue do peixe é a vida, a vida que tanto seduz o sociopata, o vampiro de almas, uma pessoa que fica infeliz ao ver os outros felizes. O homem de barbas brancas é a experiência e a sabedoria, no caminho do juízo e da ponderação, da cautela sábia.

 


Acima, Menina da lagosta. A panela é o receptáculo feminino, como na jarra dourada da Galadriel de Tolkien, em contraste com os rústicos pés masculinos de Frodo, num contraste – quando digo que algo é masculino, é porque conheço o oposto, que é feminino, num eterno jogo de sedução entre os opostos, como na comédia O amor custa caro. Aqui é a paixão de Bartlett pela orla. Os cabelos da moça ondulam pela brisa, numa deliciosa sensação de liberdade, como caminhar na areia de pés descalços, remetendo à sujeira que impolidos frequentadores deixam na areia, enfurecendo certa vez a atriz Patrícia Pillar, com esta catando o lixo na areia e levando às lixeiras, na completa heresia que é sujar a praia catarinense do Rosa, num santuário de natureza. A moça aqui é bem jovem, como na moça na lata de leite condensado, numa doçura e numa pureza, como no mito de Maria, a mulher à qual foi negado ter sexualidade, num mito que tolhe tanto a sexualidade feminina, no eterno preconceito: Homem pode tudo; mulher pode nada. A moça aqui tem toda uma vida pela frente, e sua pele é jovem e sem sinais, nos absurdos esforços que uma mulher pode fazer para evitar sinais de envelhecimento, em modas como o Botox, o qual, sinto em dizer, não fica natural, assim como seios siliconados, em esforços para encarar um complicado pós operatório, como em disse uma moça, a qual, ao recém sair do hospital depois do procedimento de inserção de prótese, sentia dores enormes em cada trepidação do carro, pensando, no momento: “Que roubada!”. A panela é o labor culinário, num trabalho de cozinheiro, numa arte que foi feita para ser destruída, no modo como me sinto tão entretido ao ver outrem cozinhando pela TV, num paradoxo em mim: Por um lado, amo programas de culinária; por outro, sou um medíocre na cozinha, com um repertório culinário extremamente limitado, e não sei fazer um dos pratos mais básicos do brasileiro, que é o velho e bom feijão, tendo a senhora minha mãe me fazendo comidas, as quais levo congeladas para casa, como lentilha, por exemplo. A moça é magra, no apelido de adolescência de Gisele: “Olívia Palito”, subestimada então, com as pessoas que nunca desconfiaram que a menina do interior tornar-se-ia tal ícone da Moda, nas palavras de humildade de Gisele a fãs num set de filmagem de comercial de TV: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, numa Gisele de brilho tão monstruoso que preencheu, sozinha, o estádio do Maracanã na cerimônia de abertura dos jogos olímpicos, deixando “no chinelo” mulheres bem nascidas como Paris Hilton, no modo como ninguém no fundo respeita o robert, a pessoa que quer puramente aparecer, em pessoas tão ricas e tão desrespeitadas – dinheiro é bom, só não traz o que realmente importa. A magreza da moça é a ambição de muitas e muitas mulheres, nos cruéis padrões de beleza, nos quais só é considerada sexy uma moça que esteja na antessala da Anorexia, como conheci certa vez uma adolescente, sofredora total, incapaz de se alimentar, evitando até beber água, por achar que esta a inchava o corpo, com pais que não tiveram escolha se não internar urgentemente a menina antes que a menina morresse, como certa vez numa festinha num barco de luxo de uma certa celebridade, com uma moça de evidente quadro anoréxico, em absurdos de moças que ingerem algodão para preencher o estômago e, assim, não engordar – é um horror, nessas magrezas cadavéricas, com o na violenta perda de peso de Evita, definhando por um câncer. O mar ao fundo é a imensidão, o infinito, no plano de Deus, o eterno, no plano em que viveremos sempre, no ponto dos arcanjos, espíritos de luz e de felicidade, gozando da suprema felicidade, nesse poder imenso que é o infinito, num mistério infindável, como artistas, sempre um mistério, no mistério que são a Arte a Vida, as quais andam juntas, como tambores imitando batidas do coração, no modo como as artes estão umas dentro das outras, pois o que seria da dança sem a música? O que seria do cinema sem as artes cênicas? Etc.

 


Acima, Miriam na barragem. Aqui são as raízes afro, como no estado da Bahia, na magia dos orixás, como num lago em Salvador, com imagens de orixás sobre a água, remetendo à Umbanda, outra religião de cunho afro, com a magia dos tambores, no termo “batuqueiro”, designando os adeptos, como disse certa vez uma drag queen portoalegrense: “Todo mundo sabe que sou batuqueira!”. O turbante é tal exuberância, como no cantor Carlinhos Brown, com seus longos cabelos disciplinados num turbante, no costume do cabelo rastafári, disciplinando os duros cabelos afros, nos versos da canção: “Nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?”, em esforços de mulheres que ficam horas e horas numa cadeira de cabeleireiro para fazer o procedimento de colar, a cada fio de cabelo, fios de cabelos lisos, como na trilogia O Senhor dos Anéis, com os atores com tais alongamentos, na paciência para um ator em se preparar para um papel, seguindo obediente às ordens do diretor, como no querido Fabio Barreto para mim: “Quando eu falo uma coisa, você tem que obedecer!”, num xixizinho básico, num homem o qual sempre respeitarei e pelo qual terei carinho, num Fabio que foi um grande homem e um grande brasileiro, querendo muito exportar ao Mundo a imagem do Brasil. Aqui é um ponto de limiar, pois não sabemos se o Sol nasce ou morre, na atração portoalegrense que é o por do Sol do lago Guaíba, num Sol ardente, no costume de certas pessoas em aplaudir um nascer de Sol, como na praia, remetendo à simples e fabulosa bandeira nacional japonesa, na capacidade de elegância minimalista do povo japonês, num Sol rubro no Oriente em meio às brumas da manhã, na noção de da Vinci que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, no caminho da limpeza, no prazer de se estar numa casa limpa e perfumada, com perfume de produtos de limpeza, como já ouvi dizer: “Cuidar da casa é também cuidar de si mesmo!”. A mulher aqui está aberta e receptiva, abrindo-se ao Mundo, numa pessoa que não é arisca ou defensiva, vivendo aberta às pessoas, num caminho de simpatia, remetendo às pessoas antipáticas e refratárias, as quais não nos encorajam a nos relacionarmos, como uma certa senhora, a qual cansei de cumprimentar, uma senhora que parece que estava se esforçando ao máximo para me dizer um simples “oi”, naquele ponto em que “jogamos a toalha” e desistimos. Aqui é como uma mãe generosa, na figura da mamma, da matriarca, cozinhando para a família, no carinho de mãe, que é deixar uma casa limpa e organizada. Aqui, a obesidade é como a célebre Vênus de Willendorf, numa figura de fertilidade e abundância, numa mãe generosa, como na imagem de Nossa Senhora cheia de anjinhos aos seus pés, numa figura de fertilidade, no modo de certas civilizações em ver na serpente tal símbolo de fertilidade e fluidez, ao contrário do Cristianismo, que vê a serpente como algo malévolo e destrutivo, malicioso, na imagem da Serpente do Éden, seduzindo Eva e trazendo a ruína à Humanidade, na peçonha de cobras venenosas, como em línguas sujas de fofoqueiros, como uma certa senhora rica e improdutiva, a qual, em tamanha miséria existencial, só lhe resta cuidar da vida dos outros, falando mal das pessoas, inclusive provavelmente falando mal de mim – vá tomar no cu, com o perdão do termo chulo. No quadro, vemos barras de proteção e contenção, que são a segurança e a cautela, a proteção, numa pessoa cuidando de si mesma, com cautela sempre, como se soubesse que há perigos, como numa travessia de um rio, sabendo que ali pode haver perigo, como num líder cauteloso, o qual nunca exporá seu povo ao perigo, num rei que é um homem simples, o qual sempre respeita o súdito, pois um rei que se desgruda do próprio povo, deixa de ser líder, sendo, assim, deposto, como na Revolução Comunista assassinando a família real russa. Aqui é um vislumbre de possibilidades, como escolher um curso universitário, numa pessoa ainda jovem, sem saber direitinho o que quer da vida. A mulher aqui não sabe que está sendo observada, como se fosse vítima de um voyeur. O volumoso turbante é a fertilidade de pensamento, como na famosa tiara do busto de Nefertiti, um ícone eterno.

 


Acima, Misericórdia de viajantes. Aqui temos uma súplica, num ato de muita humildade, no modo como o Mundo pertence aos humildes, pois a arrogância precede a queda, e quem é humilde, não quebra a cara, como me dizia uma certa publicitária, dizendo-me para ter mais humildade, na humildade das pessoas finas, como um certo amigo, uma pessoa muito fina, com a modéstia e a humildade das pessoas finas. A mulher grávida é a perspectiva de algo, na fertilidade feminina, nesse imensurável poder da mulher em trazer vida ao Mundo, havendo no Patriarcado tal poder masculino para compensar o poder da mulher, na universalidade do Patriarcado, como na figura do cacique amazônico, num mundo de homens, nos versos de uma canção de Cher: “É um mundo de homens, mas nada seria sem uma mulher ou menina!”. Os pés descalços são a simplicidade, como estar dentro de casa, à vontade, na sensação de se pisar no gramado sem sapatos, nos versos de uma canção cantada por Barbra: “Pise na grama! Foi feita para se sentir!”. Esta figura grávida remete ao recente parto de um certo casal, com o marido tendo que fazer, em emergência, o parto da esposa numa escadaria, num bebê que não teve como nascer num hospital, como no início do filme O Tempo e o Vento, com uma indígena parindo sozinha, sem um único auxílio, em partos que podem ser tão complicados, como numa princesa Isabel, do Brasil, com quarenta e oito horas de trabalho de parto, no modo como é tão duro ser mãe e mulher, como nas cólicas menstruais, numa lembrança e adolescência que tenho, com uma colega chorando de dor, tendo que tomar remédio para aplacar, um pouco, tais dores. Existe uma nuance corriqueira nos quadros de Bartlett, que são cortinas de fumaça ao fundo, talvez num quadro de destruição longínqua, como num cogumelo de bomba atômica, nas sequelas na mente do piloto que detonou tal bomba, em experiências tão sequelantes. O homem aqui ora, talvez num templo, na universalidade de Tao, com diferentes caminhos que levam ao mesmo destino, fazendo de todos nós filhos do mesmo Rei, com a figura do rei mundano, o qual serve para nos dizer de nossas próprias origens divinas, no sangue estelar que corre em nossas veias, como não canso de dizer que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, mas num Ser Humano que se esquece disso, travando guerras ao redor do Mundo, em Caim eternamente matando Abel, na inclinação humana para a crueldade. O homem de terno é o labor, o trabalho, no trabalho de um advogado, engravatado, acordando de manhã, engravatando-se e indo à luta, chegando o redentor momento da happy hour, ou seja, a hora feliz, com gravatas afrouxadas e doses de álcool inseridas na corrente sanguínea, num momento de relaxamento, pondo um ponto final nas obrigações do dia, dos sisos de responsabilidade, remetendo a um certo senhor alcoólatra, uma pessoa agrilhoada a drogas. A estrada é a travessia da vida, num líder condutor, no poder de liderança, em artistas poderosos como Elis Regina, em minhas memórias de infância, ouvindo Elis no carro com minha família, numa condução, no modo como cada geração tem seus ícones, na sabedoria popular de que o novo sempre vem. O carro, provavelmente aqui um Mercedes, é o aparato tecnológico, a tecnologia, no incessante galgar das tecnologias, sendo só questão de tempo até podermos enviar astronautas a Marte a trazê-los de volta a salvo à Terra, na incessante sede humana por conhecimento, enfurecendo pessoas que são anticientistas, mas o que seria da Humanidade sem a Ciência? Aqui é um momento de prece e retiro, como em turismo religioso, como visitar a Terra Santa, no modo como nenhuma forma de xiitismo, de radicalismo, é saudável, e até entendo a aversão de Marx pelas religiões, pois como posso ter paz se acho que outrem é péssimo só porque não é de minha religião? É como disse uma querida amiga freira minha: “Os católicos respeitam os espíritas!”, e as religiões não são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino?

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.