quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Bom Bo (Parte 13 de 28)

 

 

Falo pela décima terceira vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Macio. O homem é o labor, o esforço, em trabalhos árduos como um gari ou um policial, no modo como a vida pode ser tão dura e difícil, no modo como a vida é dura em qualquer lugar, na ilusão de se acreditar que minha vida mudará radicalmente só porque me mudei de cidade, pois a vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir, como nessas pessoas em situação de rua, querendo, com todas as suas forças, fugir da luta da vida, no modo como a esmola não ajuda, mas só atrapalha, como pessoas na porta da igreja na saída da missa, esses homens jovens, fortes e saudáveis – vá trabalhar, meu irmão! O fogo é um ardor, num desejo, num intento, num impulso de artista, num desejo intenso de se realizar, numa inspiração para algo, em artistas que nos deixam pasmos com tamanho talento, como nas danças de um Michael Jackson, deixando-nos perplexos com tal talento, no modo como tudo o que tenho que mostrar é meu talento, remetendo a esses rapazes que mostram o pênis em revista pornôs – você não tem que mostrar o pênis; você tem que mostrar talento para alguma arte, esporte ou ciência, na universalidade do Ser Humano, na universalidade do espírito, em busca de Deus, que é o infinito, o plano eterno no qual desenhamos a vida eterna, no mistério infindável de Tao, o eterno, no absurdo poder que é a Eternidade, no modo como jamais findaremos, pois a Eternidade é o caminho lógico, pois não haveria sentido se tudo acabasse no desencarne, havendo em Tao o lógico, na lógica fria e bela dos números, nos esforços de um psicoterapeuta para nos mostrar a vida do modo mais frio possível, pois devemos ouvir a mente, a cabeça, e não o traiçoeiro coração, o qual tanto nos faz sofrer. A pá é o instrumento do labor, como no pincel do pintor, numa dedicação de tempo e esforço, num paciente trabalho de formiguinha, construindo aos poucos, na sabedoria popular de que Roma não se fez num só dia, como no paciente trabalho do Gênesis, aos poucos, no decorrer de dias, no merecido descanso no sétimo dia, como na grande artista Jodie Foster, a qual disse em entrevista que se obriga a NÃO trabalhar nos fins de semana e feriados, nesses fodões de Hollywood, no perdão do termo chulo, pessoas com a força para sobreviver a décadas na “selva” que é Meca do Cinema, como num Tom Cruise, o qual veio do nada e se transformou em tal medalhão sacrossanto, mas lá com seus tropeços na carreira, no modo como ninguém está por cima o tempo todo. Os cones são a sinalização, como nos agressivos cones de Madonna, numa figura feminista, forte, agressiva, ousada, provocante, nos esforços de uma mulher ao se ressaltar num mundo de homens, no modo como as próprias mulheres podem ser machistas, como no anônimo dia a dia de uma mera dona de casa, num caminho que não traz identidade à mulher, numa pessoa que não sabe qual é seu lugar no Mundo, como Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para se tornar uma dona de casa de luxo, numa enfadonha vida de realeza. O viaduto é a passagem, a possibilidade, num trajeto existencial, numa busca de identidade, num artista que quer saber quem é ele próprio. A via é o caminho da vida, da existência, como no processo de identidade do personagem Mulan, indo para a guerra e abandonando a vidinha anônima de mulher subalterna, remetendo a uma certa senhora, a qual abandonou a carreira docente para ser uma anônima dona de casa, como no machismo que Margareth Thatcher enfrentou na vida, questionada sobre quem cuidaria das crianças e da casa, numa vida dura de mulher, como disse um certo personagem misógino a uma moça: “Você tem que abandonar a carreira para cuidar de crianças e lavar roupa!”. O viaduto são as demandas de grandes urbes, nessa responsabilidade que é gerir cidades gigantescas como São Paulo, em desafios como combater a criminalidade, num ato de coragem para encarar tais vicissitudes. O homem negro é tal herança escravocrata, em países desenvolvidos como os EUA, com famílias negras digníssimas, finas, como a família Obama na Casa Branca, com este senhor fazendo duras críticas à gestão Trump, sendo este tão odiado pelos atores democratas como Meryl Streep, nesses perenes problemas do Mundo com as guerras e conflitos, num lugar em que azuis e amarelos estão em constante pé de guerra, pois nem a majestade suprema de Jesus soube resolver tais problemas.

 


Acima, Madre del Nene. O poste ou pilar é a solidez de uma vida centrada e produtiva, num homem centrado no trabalho, como na personagem Ellen em A Época da Inocência, a qual para de ouvir o coração e passa a ouvir a cabeça, mandando à merda o amante Newland, como o perdão do termo chulo, vendo que se tratava de um amor impossível, sem cabeça, sem frieza racional, como na adorável personagem Bridget Jones, exigindo do namorado tal solidez fria, racional. A moça nua está desmaiada ou morta, como na imagem de Cristo morto em igrejas, no caminho da mortificação, que é parar de pensar em bobagens auspiciosas, nas palavras de uma certa médium espírita: “Estou aqui para falar de coisas sérias, e não de quando você vai arranjar um namorado!”, pois a mortificação do espírito serve para deixar o coração calmo e estável, sem sofrimentos ou paixões. O homem aponta com o dedo, no falo patriarcal, no modo de tolher a sexualidade feminina, num pai dizendo ao nascer da filha: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na igreja!”, como na personagem Arwen, de Tolkien, entregue pura e casta ao marido experiente, como num homem que começou cedo a sexualidade, em prostíbulos, no machismo de se acreditar em só dois tipos de mulher – a santa ou a putinha, com o perdão do termo chulo, no caminho feminista de rechaçar isso tudo, fazendo da mulher um ser independente, sem bipolarização moral. Um menininho nos olha, um tanto magoado, como em Cidadão Kane, arrancado do paraíso da infância, do trenó Rosebud, num trauma de infância, como um certo senhor, o qual muito jovem, menininho, passou dos cuidados da mãe para os cuidados da avó, num rompimento, em homens que desde cedo se sentem forçados  crescer, como no crescimento do menino em O Império do Sol, tornando-se homem ainda muito cedo na vida, nos versos de uma célebre canção: “Homens ficam frios e mulheres envelhecem, e, no final, todos perdemos nosso charme!”, como no cadáver em balsamado de Evita, na busca humana pela Eternidade imutável, como um a certa popstar, obcecada em não envelhecer, lançando mão de recursos estéticos que podem desfigurar a pessoa, como no grave distúrbio de imagem de uma certa socialite, desfiguradíssima por tantas cirurgias plásticas – é um horror. A moça falecida, pálida, é respaldada, acudida, e está completamente inconsciente, como no funeral de uma certa senhora, no qual respirava-se o clima de missão cumprida, num espírito absolutamente consciente de seu próprio desencarne, no modo espírita de se ver a morte de um modo mais natural, sem sofrimentos de negro luto, crendo que jamais veremos tal pessoa novamente. Um sofá ao fundo é o conforto do lar, em tal lugar insubstituível, como no famoso sofá do café do megasseriado Friends, com os jovens amigos vivendo e crescendo, no poder do riso e da comédia, na capacidade humana em rir de si mesmo, fazendo da comédia algo tão humano, no senso de humor de Deus, no fato de que tudo traz em si sua própria contradição, no casamento entre razão e loucura, com dois lados para cada moeda. Ao fundo temos um cenário de guerra e devastação, na capacidade das guerras em legar rastros de destruição e fome, na eterna crueldade humana, como queimar pessoas vivas em fogueiras, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Ele jamais faria, como nas guerras santas, ignorando completamente as palavras de paz do maior homem de todos os tempos. O homem tenso aqui faz uma acusação, dando uma sentença, como um juiz de Direito ou Futebol, na sabedoria popular de que Deus não joga, mas fiscaliza. A moça morta remete a Jesus tirado da cruz, já morto, talvez um Jesus que sequer se lembra de tal calvário, dizendo, em sua suprema classe: “Todo mundo me fala disso! Eu não me lembro!”, fazendo da classe tal valor universal, como na polidez japonesa, no ato de humildade de se curvar perante o oponente de judô, nunca subestimando o oponente, no gesto de cavalheirismo de dois tenistas se cumprimentando ao final da partida.

 


Acima, Matínico. O peixe é o troféu, a conquista, como numa Copa do Mundo, na gigantesca pressão que sofrem os técnicos e jogadores, os quais têm que ter uma estrutura psíquica muito forte para suportar tal pressão – como você acha que é um país inteiro lhe pressionando para trazer o Hexa para casa? O peixe é o pão santo de cada dia, na responsabilidade de um pai em prover uma casa, em pais zelosos, os quais nada deixam faltar em casa, como numa famosa comédia, num pai disposto a fazer tudo pela própria família, até mesmo roubar, nas palavras enérgicas da senhora minha mãe quando eu era pequeno: “Vá abrir a porta da garagem para teu pai, que está trabalhando até agora para nos sustentar!”, no modo como ter filhos muda para sempre a vida de um pai ou mãe, remetendo a uma certa senhora, a qual foi mãe ainda adolescente, tendo que amadurecer muito cedo na vida, sofrendo limitações numa época da vida em que somos crianças e escravos de nossos próprios hormônios. Aqui é um mundo de homens, fazendo do patriarcado uma forma de compensar o poder que a mulher tem em trazer vida ao Mundo, na universalidade de tal machismo, como em tribos amazônicas, nas quais apenas aos homens é permitido fazer lutas, como no machismo agressivo dos ringues de lutas, com a moça formosa no ringue segurando uma placa dizendo o número do assalto, num papel coadjuvante, como num satélite girando em torno de um planeta, pois uma pessoa só pode organizar a própria vida se centrar-se de alguma forma, o que eu gostaria muito de dizer a um amigo meu, o qual está numa vida tão pobre e sofrida: Centre-se, rapaz! Aqui, discreto, e de costas, um menininho, olhando para os homens e sonhando em um dia ser tal homem forte e viril, como no menino querendo ser forte como um super herói, no costume de, na abertura de jogos de Futebol, cada jogador entrar em campo de mãos dadas com uma criança, as quais são nosso futuro, no nobre trabalho de pedagogo, treinando nossas futuras elites, no modo como mantenho, até hoje, contato com uma querida professora de pré escola, no fato de que cada professor é importante na trajetória da pessoa. O cão aqui é a amizade e fidelidade, e o cão parece cobiçar o peixe pescado, como nos cachorros de rua “hipnotizados” por frangos de padaria, girando e sendo assados, no encargo que é ter um bicho de estimação, como ir ao supermercado e comprar ração, sem falar no levar o bicho para a Rua para este fazer as necessidades fisiológicas, como uma certa senhora solteirona, acompanhada de dois cães. O remo é a virilidade, como na decoração de um certo clube portoalegrense, com os remos pendurados na parede, na ferramenta do campeão, na virilidade esportiva, como fortes pancadas na bola de vôlei, invadindo o campo adversário, nas palavras de um certo senhor psiquiatra: “Tens que desenvolver agressividade, pois vives num mundo competitivo!”, no fascínio que os campeonatos exercem sobre a Humanidade, na universalidade da competitividade, como nos antigos gladiadores romanos, fornecendo grandes espetáculos de alta popularidade, no sonho de se tornar um grande astro, com tantos e tantos sonhos sendo despedaçados todos os dias em Hollywood, a terra do sucesso e do fracasso. Aqui, um homem e o menino de vermelho formam um continuum, como a criança querendo se tornar tal homenzarrão, ouvindo a própria mãe dizer: “Tens que comer para ficar grande e forte!”, na responsabilidade de se criar um filho com saúde. Ao fundo, quase imperceptível, vemos uma moça, ofuscada pelos homens viris no quadro, como Eva, o segundo sexo, um arremedo mero da obraprima de Deus, que é Adão, culpando a mulher pelos flagelos da Humanidade. É como gritou um certo homem ao ver uma mulher jogando futebol com homens: “Futebol é para homem, porra!”, com o perdão do termo chulo. O sangue do peixe é a vida, a vida que tanto seduz o sociopata, o vampiro de almas, uma pessoa que fica infeliz ao ver os outros felizes. O homem de barbas brancas é a experiência e a sabedoria, no caminho do juízo e da ponderação, da cautela sábia.

 


Acima, Menina da lagosta. A panela é o receptáculo feminino, como na jarra dourada da Galadriel de Tolkien, em contraste com os rústicos pés masculinos de Frodo, num contraste – quando digo que algo é masculino, é porque conheço o oposto, que é feminino, num eterno jogo de sedução entre os opostos, como na comédia O amor custa caro. Aqui é a paixão de Bartlett pela orla. Os cabelos da moça ondulam pela brisa, numa deliciosa sensação de liberdade, como caminhar na areia de pés descalços, remetendo à sujeira que impolidos frequentadores deixam na areia, enfurecendo certa vez a atriz Patrícia Pillar, com esta catando o lixo na areia e levando às lixeiras, na completa heresia que é sujar a praia catarinense do Rosa, num santuário de natureza. A moça aqui é bem jovem, como na moça na lata de leite condensado, numa doçura e numa pureza, como no mito de Maria, a mulher à qual foi negado ter sexualidade, num mito que tolhe tanto a sexualidade feminina, no eterno preconceito: Homem pode tudo; mulher pode nada. A moça aqui tem toda uma vida pela frente, e sua pele é jovem e sem sinais, nos absurdos esforços que uma mulher pode fazer para evitar sinais de envelhecimento, em modas como o Botox, o qual, sinto em dizer, não fica natural, assim como seios siliconados, em esforços para encarar um complicado pós operatório, como em disse uma moça, a qual, ao recém sair do hospital depois do procedimento de inserção de prótese, sentia dores enormes em cada trepidação do carro, pensando, no momento: “Que roubada!”. A panela é o labor culinário, num trabalho de cozinheiro, numa arte que foi feita para ser destruída, no modo como me sinto tão entretido ao ver outrem cozinhando pela TV, num paradoxo em mim: Por um lado, amo programas de culinária; por outro, sou um medíocre na cozinha, com um repertório culinário extremamente limitado, e não sei fazer um dos pratos mais básicos do brasileiro, que é o velho e bom feijão, tendo a senhora minha mãe me fazendo comidas, as quais levo congeladas para casa, como lentilha, por exemplo. A moça é magra, no apelido de adolescência de Gisele: “Olívia Palito”, subestimada então, com as pessoas que nunca desconfiaram que a menina do interior tornar-se-ia tal ícone da Moda, nas palavras de humildade de Gisele a fãs num set de filmagem de comercial de TV: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, numa Gisele de brilho tão monstruoso que preencheu, sozinha, o estádio do Maracanã na cerimônia de abertura dos jogos olímpicos, deixando “no chinelo” mulheres bem nascidas como Paris Hilton, no modo como ninguém no fundo respeita o robert, a pessoa que quer puramente aparecer, em pessoas tão ricas e tão desrespeitadas – dinheiro é bom, só não traz o que realmente importa. A magreza da moça é a ambição de muitas e muitas mulheres, nos cruéis padrões de beleza, nos quais só é considerada sexy uma moça que esteja na antessala da Anorexia, como conheci certa vez uma adolescente, sofredora total, incapaz de se alimentar, evitando até beber água, por achar que esta a inchava o corpo, com pais que não tiveram escolha se não internar urgentemente a menina antes que a menina morresse, como certa vez numa festinha num barco de luxo de uma certa celebridade, com uma moça de evidente quadro anoréxico, em absurdos de moças que ingerem algodão para preencher o estômago e, assim, não engordar – é um horror, nessas magrezas cadavéricas, com o na violenta perda de peso de Evita, definhando por um câncer. O mar ao fundo é a imensidão, o infinito, no plano de Deus, o eterno, no plano em que viveremos sempre, no ponto dos arcanjos, espíritos de luz e de felicidade, gozando da suprema felicidade, nesse poder imenso que é o infinito, num mistério infindável, como artistas, sempre um mistério, no mistério que são a Arte a Vida, as quais andam juntas, como tambores imitando batidas do coração, no modo como as artes estão umas dentro das outras, pois o que seria da dança sem a música? O que seria do cinema sem as artes cênicas? Etc.

 


Acima, Miriam na barragem. Aqui são as raízes afro, como no estado da Bahia, na magia dos orixás, como num lago em Salvador, com imagens de orixás sobre a água, remetendo à Umbanda, outra religião de cunho afro, com a magia dos tambores, no termo “batuqueiro”, designando os adeptos, como disse certa vez uma drag queen portoalegrense: “Todo mundo sabe que sou batuqueira!”. O turbante é tal exuberância, como no cantor Carlinhos Brown, com seus longos cabelos disciplinados num turbante, no costume do cabelo rastafári, disciplinando os duros cabelos afros, nos versos da canção: “Nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?”, em esforços de mulheres que ficam horas e horas numa cadeira de cabeleireiro para fazer o procedimento de colar, a cada fio de cabelo, fios de cabelos lisos, como na trilogia O Senhor dos Anéis, com os atores com tais alongamentos, na paciência para um ator em se preparar para um papel, seguindo obediente às ordens do diretor, como no querido Fabio Barreto para mim: “Quando eu falo uma coisa, você tem que obedecer!”, num xixizinho básico, num homem o qual sempre respeitarei e pelo qual terei carinho, num Fabio que foi um grande homem e um grande brasileiro, querendo muito exportar ao Mundo a imagem do Brasil. Aqui é um ponto de limiar, pois não sabemos se o Sol nasce ou morre, na atração portoalegrense que é o por do Sol do lago Guaíba, num Sol ardente, no costume de certas pessoas em aplaudir um nascer de Sol, como na praia, remetendo à simples e fabulosa bandeira nacional japonesa, na capacidade de elegância minimalista do povo japonês, num Sol rubro no Oriente em meio às brumas da manhã, na noção de da Vinci que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, no caminho da limpeza, no prazer de se estar numa casa limpa e perfumada, com perfume de produtos de limpeza, como já ouvi dizer: “Cuidar da casa é também cuidar de si mesmo!”. A mulher aqui está aberta e receptiva, abrindo-se ao Mundo, numa pessoa que não é arisca ou defensiva, vivendo aberta às pessoas, num caminho de simpatia, remetendo às pessoas antipáticas e refratárias, as quais não nos encorajam a nos relacionarmos, como uma certa senhora, a qual cansei de cumprimentar, uma senhora que parece que estava se esforçando ao máximo para me dizer um simples “oi”, naquele ponto em que “jogamos a toalha” e desistimos. Aqui é como uma mãe generosa, na figura da mamma, da matriarca, cozinhando para a família, no carinho de mãe, que é deixar uma casa limpa e organizada. Aqui, a obesidade é como a célebre Vênus de Willendorf, numa figura de fertilidade e abundância, numa mãe generosa, como na imagem de Nossa Senhora cheia de anjinhos aos seus pés, numa figura de fertilidade, no modo de certas civilizações em ver na serpente tal símbolo de fertilidade e fluidez, ao contrário do Cristianismo, que vê a serpente como algo malévolo e destrutivo, malicioso, na imagem da Serpente do Éden, seduzindo Eva e trazendo a ruína à Humanidade, na peçonha de cobras venenosas, como em línguas sujas de fofoqueiros, como uma certa senhora rica e improdutiva, a qual, em tamanha miséria existencial, só lhe resta cuidar da vida dos outros, falando mal das pessoas, inclusive provavelmente falando mal de mim – vá tomar no cu, com o perdão do termo chulo. No quadro, vemos barras de proteção e contenção, que são a segurança e a cautela, a proteção, numa pessoa cuidando de si mesma, com cautela sempre, como se soubesse que há perigos, como numa travessia de um rio, sabendo que ali pode haver perigo, como num líder cauteloso, o qual nunca exporá seu povo ao perigo, num rei que é um homem simples, o qual sempre respeita o súdito, pois um rei que se desgruda do próprio povo, deixa de ser líder, sendo, assim, deposto, como na Revolução Comunista assassinando a família real russa. Aqui é um vislumbre de possibilidades, como escolher um curso universitário, numa pessoa ainda jovem, sem saber direitinho o que quer da vida. A mulher aqui não sabe que está sendo observada, como se fosse vítima de um voyeur. O volumoso turbante é a fertilidade de pensamento, como na famosa tiara do busto de Nefertiti, um ícone eterno.

 


Acima, Misericórdia de viajantes. Aqui temos uma súplica, num ato de muita humildade, no modo como o Mundo pertence aos humildes, pois a arrogância precede a queda, e quem é humilde, não quebra a cara, como me dizia uma certa publicitária, dizendo-me para ter mais humildade, na humildade das pessoas finas, como um certo amigo, uma pessoa muito fina, com a modéstia e a humildade das pessoas finas. A mulher grávida é a perspectiva de algo, na fertilidade feminina, nesse imensurável poder da mulher em trazer vida ao Mundo, havendo no Patriarcado tal poder masculino para compensar o poder da mulher, na universalidade do Patriarcado, como na figura do cacique amazônico, num mundo de homens, nos versos de uma canção de Cher: “É um mundo de homens, mas nada seria sem uma mulher ou menina!”. Os pés descalços são a simplicidade, como estar dentro de casa, à vontade, na sensação de se pisar no gramado sem sapatos, nos versos de uma canção cantada por Barbra: “Pise na grama! Foi feita para se sentir!”. Esta figura grávida remete ao recente parto de um certo casal, com o marido tendo que fazer, em emergência, o parto da esposa numa escadaria, num bebê que não teve como nascer num hospital, como no início do filme O Tempo e o Vento, com uma indígena parindo sozinha, sem um único auxílio, em partos que podem ser tão complicados, como numa princesa Isabel, do Brasil, com quarenta e oito horas de trabalho de parto, no modo como é tão duro ser mãe e mulher, como nas cólicas menstruais, numa lembrança e adolescência que tenho, com uma colega chorando de dor, tendo que tomar remédio para aplacar, um pouco, tais dores. Existe uma nuance corriqueira nos quadros de Bartlett, que são cortinas de fumaça ao fundo, talvez num quadro de destruição longínqua, como num cogumelo de bomba atômica, nas sequelas na mente do piloto que detonou tal bomba, em experiências tão sequelantes. O homem aqui ora, talvez num templo, na universalidade de Tao, com diferentes caminhos que levam ao mesmo destino, fazendo de todos nós filhos do mesmo Rei, com a figura do rei mundano, o qual serve para nos dizer de nossas próprias origens divinas, no sangue estelar que corre em nossas veias, como não canso de dizer que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, mas num Ser Humano que se esquece disso, travando guerras ao redor do Mundo, em Caim eternamente matando Abel, na inclinação humana para a crueldade. O homem de terno é o labor, o trabalho, no trabalho de um advogado, engravatado, acordando de manhã, engravatando-se e indo à luta, chegando o redentor momento da happy hour, ou seja, a hora feliz, com gravatas afrouxadas e doses de álcool inseridas na corrente sanguínea, num momento de relaxamento, pondo um ponto final nas obrigações do dia, dos sisos de responsabilidade, remetendo a um certo senhor alcoólatra, uma pessoa agrilhoada a drogas. A estrada é a travessia da vida, num líder condutor, no poder de liderança, em artistas poderosos como Elis Regina, em minhas memórias de infância, ouvindo Elis no carro com minha família, numa condução, no modo como cada geração tem seus ícones, na sabedoria popular de que o novo sempre vem. O carro, provavelmente aqui um Mercedes, é o aparato tecnológico, a tecnologia, no incessante galgar das tecnologias, sendo só questão de tempo até podermos enviar astronautas a Marte a trazê-los de volta a salvo à Terra, na incessante sede humana por conhecimento, enfurecendo pessoas que são anticientistas, mas o que seria da Humanidade sem a Ciência? Aqui é um momento de prece e retiro, como em turismo religioso, como visitar a Terra Santa, no modo como nenhuma forma de xiitismo, de radicalismo, é saudável, e até entendo a aversão de Marx pelas religiões, pois como posso ter paz se acho que outrem é péssimo só porque não é de minha religião? É como disse uma querida amiga freira minha: “Os católicos respeitam os espíritas!”, e as religiões não são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino?

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

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