Falo pela décima quarta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Jonah. Um profundo torpor, como na obra de Botticelli com Marte entorpecido frente a uma desperta Vênus, no Yang se curvando operante o Yin, na recomendação taoista: Entenda a força fálica do Yang, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, como ficar à vontade dentro de casa, no caminho da simplicidade, a qual é o mais elevado grau de sofisticação, de limpeza, como desencarnar e tomar banho num banheiro bonito e ensolarado, no poder de cura e renovação de um banho, no poder dos perfumes, como o incenso indiano ganhou a Europa e o Mundo, na universalidade da questão humana, em outra recomendação a um líder: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão comum, das pessoas comum, pequenas, quietinhas em seu respectivo canto, no ato do monarca inglês em conversar com súditos em eventos públicos, pois se quero ser respeitado pelo povo, tenho que respeitar este. Aqui é um quadro de descanso e restrição, de discrição, numa pessoa reservada, como a cantora Marina Lima, discretíssima, e fica difícil imaginar a diva indo a público esclarecer, publicamente, a razão de seu claro estrago vocal, em outra artista discreta, como a minha querida Diana Krall, a princesa do Jazz, nunca fazendo questão de aparecer intensamente, não se identificando com sexys mulheres sabor boceta tuttifrutti, com o perdão do termo chulo. Aqui é uma pessoa vivendo seu dia com produtividade, quieta, produzindo, como em homens finos e reservados como Luis Fernando Veríssimo, meu escritor ídolo, inclusive meu contraparente, um homem que definitivamente não se identifica com midiatizações e celebrizações, pagando alto pelo preço da fama, assediado em shoppings de Porto Alegre com estranhos querendo fazer selfies com o mestre das letras, pois mesmo quando eu me deparei com Veríssimo na Rua, respeitei e o deixei passar em paz, no modo como essas pessoas ultrafamosas são prisioneiras disso tudo, como num Michael Jackson, proibido de sair na Rua em qualquer lugar do Mundo, perdendo a deliciosa liberdade do cidadão comum, que é ir e vir em paz, como eu mesmo esses tempos num shopping num domingo à tarde, pensando comigo mesmo: “Como é bom poder passear em paz!”. Aqui é a sedução dos braços de Morfeu, o deus do sono, sendo necessário um “guindaste” para nos tirar da cama, no Id, a instância do prazer, como comer um doce ou ter fazer sexo, como num episódio do célebre Mr. Bean, com este evitando ao máximo acordar ao inclemente som do despertador, atrasando-se para o dentista, em talentos de palhaços como Rowan Atkinson, no modo como um palhaço o será estando ou não remunerado por tal, como outro formidável palhaço como Jim Carey, saindo de mãos dadas de um restaurante em Los Angeles com o roqueiro Steven Tyler, como se fossem um casal gay, no instinto cômico de fazer com que riamos de nós mesmos, nesse ato tão humano que é rir, que é fazer palhaçada, como no filme A Guerra do Fogo, num estágio humano evoluído, neolítico, na capacidade de rir de coisas como cair um coco na cabeça de alguém, no desejo de rirmos de uma pessoa que tropeça na Rua. Aqui é como em cruéis ocultações de cadáveres, cimentando o corpo e jogando no mar, nas palavras de Zuzu Angel a autoridades: “Desacato é impedir que uma mãe enterre o próprio filho!”, nos horrores de tais porões da ditadura, confidenciais nas décadas de tal regime no Brasil, remetendo a pessoas que pedem a remilitarização do Brasil, talvez se esquecendo dos “efeitos colaterais” de tal era na nação brasileira, no modo como tudo tem seu custo. Aqui é uma ocultação, numa pessoa que quer fugir um pouco, ficar um pouco consigo mesma, nessa necessária pitada de solidão na vida de qualquer pessoa, numa canção dos Guns n’ Roses dizendo que todos nós precisamos de um tempo conosco mesmos, como no filme Dogma, com Deus sendo solitário, mas muito brincalhão, na simplicidade lúdica da criança, numa fase em que a Vida é mais simples, na inocência infantil em se contentar com pouco, e isso é sábio, diferente das ambições de poder do mundo dos adultos. Aqui remete a pântanos da obra de Tolkien, repletos de mortos, num lugar tão lúgubre e deprimente, horrível, morto, podre – um horror. Aqui é como colocar o celular no modo “não perturbe”, ou como antigamente, na era analógica, no ato de se desligar o telefone fixo.
Acima, Lar. Os seios fartos são a fartura de um lar, com crianças que crescem fortes e bem alimentadas, remetendo a esses rapazes pobres, de lares sem muita abundância alimentar, comprometendo assim o crescimento da pessoa, com rapazes de quatorze anos de idade com tamanho de criança com onze anos, como nos traços de fome que as guerras trazem, com pessoas se acotovelando para receber alimentos de doações humanitárias, num quadro patético de miséria, tudo em nome das ambições de homens que querem poder e mais poder, como no sádico Saddam, dizendo ao subalterno: “Eu não estou pedindo; eu estou mandando!”, num espírito que desencarna e perde tais poderes mundanos, pois o que é mundano, no Mundo fica, como em tronos hereditários, na sabedoria popular de que se vão os anéis e ficam os dedos, como no pesado e impactante filme Calígula, sobre o famoso imperador romano sociopata, em herdeiros que resolvem matar o ocupante de tal poderoso trono, com herdeiro os quais, na hora de uma partilha de herança, querem devorar uns as tripas do outro, como nos filhos de uma famosa artista, cujo nome, é claro, não mencionarei. O lar é tal proteção, tal porto seguro, numa criança que nunca deve se esquecer que vem do amor, numa criança que precisa ser amada e respeitada para enfrentar as vicissitudes do mundo lá fora, como preconceitos e discriminações, como uma certa drag queen, a qual passa cada dia de sua dolorosa vida lidando com preconceito, nessa crueldade tradicional e ancestral do Ser Humano, que é irmão odiar irmão, como um certo senhor, o qual disse a uma transmulher: “Não é mulher de verdade!”, e o respeito é algo bem simples e fácil, pois não se trata de minha vida, mas o Ser Humano segue seduzido por caminhos que fogem da grande via única da lógica, em filho de Deus matando filho de Deus, como eu disse certa vez a meu querido avô, que Deus o tenha: “Guerra já tem demais no Mundo, vô!”. O menino engatinhando é a ludicidade, em brincadeiras simples como de se esconder, remetendo a uma grande tragédia que acometeu a família de uma amiga minha, esta já falecida, com a netinha pequena que foi brincar de se esconder atrás de uma roda de caminhão, com o motorista, é claro, sem saber disso, dando a marcha ré e matando a menina – difícil imaginar dor maior para uma família do que enterrar um pequeno caixão. Os sapatos estão jogados, e a moça sente a liberdade de pisar na grama, numa gloriosa sensação de liberdade, como nas Experiências Extracorporais espíritas, as EECs, no breve momento em que o corpo está desligado do espírito, numa deliciosa sensação de liberdade, de útero, de lar, de pertencimento, como na magia das piscinas no verão, em brincadeiras na beira da água, como me disse uma querida amiga de adolescência: “Éramos felizes; e sabíamos!”. Um menininho dorme em posição fetal, no costume de certas civilizações em enterrar os mortos em tal posição fetal, no retorno ao lar, como no feto ao final contundente do megaclássico 2001, numa Humanidade ainda muito jovem, muito aquém de resolver mistérios e desenvolver tecnologias, no eterno retorno ao lar, à proveniência, ao Útero Sacrossanto que a todos nós gerou, numa criação divina e imaculada, no Lar Metafísico, ao qual todos pertencemos, mas com a existência dos espíritos revoltados, sofrendo em não aceitar tal sangue estelar em si mesmos. A mulher aqui é recorrente na obra de Bartlett, e infelizmente não sabemos quem era ou como se chamava, como um diretor que adora trabalhar com determinado ator, num alterego, como Quentin Tarantino trabalhando com Uma Thurman, numa intimidade e uma parceria, ou como no famoso álbum Duets, do imortal Sinatra, cheio de fabulosos duetos com lendas como Bono Vox, Barbra Streisand e Tony Bennett, mas num fracassado álbum subsequente que foi o Duets 2, sem fazer tanto sucesso quanto o original, ou seja, o sucesso é um amante infiel, mesmo para grandes artistas que marcam gerações para sempre, num caminho de humildade.
Acima, Leviatã. Aqui é uma revelação, como na Vênus de Botticelli, revelada dentro de uma concha, no olor de mar, no perfume da brisa de liberdade da praia. Aqui é como uma chamada de TV com a atriz Luana Piovani, revelada dentro de uma caixa, como uma boneca numa caixa, seduzindo os sonhos infantis de menininhas, nos sonhos de uma mulher feminina, querendo vestir suntuosos vestidos, em eventos de luxo como o Oscar, no qual a pessoa tem que se arrumar ao máximo, ao contrário de uma certa atriz agressiva, a qual, de propósito, não se arruma muito, talvez querendo, inconscientemente, agredir e ferir, numa mulher sem maquiagem, sem joias, sem fazer as unhas e, ainda por cima, com um vestido que é uma piada, com os cabelos desgrenhados, de quem recém saiu do chuveiro – eventos solenes de gala não são reuniões de condomínio! Aqui é como um parto de cesariana, deixando na mãe uma cicatriz, ou seja, indelével, na dedicação de mãe, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso, como ouvi certa vez de uma mãe: “Dá trabalho, mas vale a pena!”. Aqui é no famoso romance Moby Dick, com o marinheiro obcecado em se vingar de um bicho, numa obsessão de vingança, de ira, num excesso, pois uma pitada de ira não faz mal, no modo como tudo em excesso é prejudicial, remetendo ao Batman do filme de Tom Burton de 1989, num Bruce Wayne sombrio, querendo vingar a violenta morte dos próprios pais, encontrando seu arquiinimigo, o Coringa, ou como no pesadíssimo filme em que um homem quer se vingar do terrível sociopata Lecter, em filmes fortes, contraindicados para quem é muito sensível, como me disse uma excelente psicoterapeuta: “Pessoas muito sensíveis não podem ver filmes de terror”, no modo como me borrei nas calças com o filme A Bruxa de Blair, no divertido momento do seriadão Friends, em que Rachel, ao ler O Iluminado de Stephen King, o rei do terror, ficou paranoica, com uma faca na mão, com medo de se encontrar com um draculesco agressor. O menininho aqui assiste tudo à distância, remoto, sonhando em um dia ser um homem forte, talvez como um craque do Futebol, no menininho admirando homens fortes, como super heróis, querendo um dia ter tais músculos, nas palavras de um certo fisiculturista: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”, num homem que é um “escravo” de uma academia, uma pessoa para a qual o condicionamento físico é altamente capital, em homens que passam o dia inteiro numa academia, sonhando em ter zero por cento de gordura no corpo, esforçando-se ao máximo para ter o corpo dos sonhos, em heróis como He-Man, o homem mais poderoso do Universo, no modo como me pergunto se algum dia a minha geração, que foi criança nos anos 1980, verá um dia uma nova live action de He-Man, tal o embargo em torno de tal produção. Aqui é um quadro um tanto indigesto, como no nascimento de um natimorto, como nos filhos do famoso rei Tut com sua própria meia irmã, num Egito incestuoso, no qual os casamentos dentro da família real eram tranquilamente feitos, num rei que não podia misturar seu próprio sangue divino com o sangue de plebeus comuns, ao contrário do paradigma contemporâneo democrático – o presidente é um dos nossos, nosso igual, nosso irmão, o qual elegemos para nos governar por algum tempo, na saudável renovação periódica de poder. O menino se apoia sobre um cocuruto, que é a segurança do lar, de pais zelosos, criando o filho da melhor forma possível, evitando falar palavrões na frente dos filhos, educando estes, nos versos de uma famosa canção da Broadway: “Cuidado com o que você fala – as crianças ouvirão!”. Os remos são a virilidade do esporte, como um certo senhor, de grande personalidade atlética, sempre fazendo esporte durante a vida, como um certo menininho, bem atlético desde cedo na vida, no modo como tudo corresponde à constituição natural do espírito – a pessoa simplesmente nasce assim, e a constituição natural da pessoa tem que ser respeitada, do modo em não querer que uma pessoa não atlética seja atlética. Aqui é um grande abate, com indígenas pescando, no siso de trazer o pão para casa, como pássaros pais e mães, alimentando os filhotes no ninho, como na logomarca da marca Nestlé, no ato de prover.
Acima, Liberdade. Aqui, é claro, é o patriotismo, o qual é saudável, ao contrário do chauvinista, o qual é um patriota agressivo, como uma certa senhora, para a qual algo era perfeito, maravilhoso e espetacular só porque era brasileiro, no modo como nenhuma forma de radicalismo é saudável, num ponto em que até compreendemos a aversão de Marx pelas religiões, pois as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, como no choque entre católicos e protestantes na Europa, nas cruéis fogueiras de Mary Tudor, queimando vivos protestantes, numa hipocrisia, numa pessoa condenando protestantes como na Roma Antiga, onde as cristãos eram cruelmente oprimidos, nesse talento de crueldade do Ser Humano, ao contrário da hierarquia espiritual, a qual é acontece pela paz; nunca pela raiva. A bicicleta é o labor, o esforço ardoroso, numa vida árdua, em vidas árduas como a de gari, cuja vida é uma vassoura, provavelmente com um salário ralo, no modo como é dura a vida de quem tem pouca ou nenhuma escolaridade, no sentimento de realização de se formar numa faculdade e ter curso superior completo, remetendo ao brutal e torpe assassinato de um certo senhor inocente, assassinado na semana de sua própria formatura, causando uma tragédia a uma família inteira, no modo como é o um inferno a vida de quem não tem apuro moral. Aqui remete aos carrinhos de catadores de lixo seco, numa vida dura, em pessoas paupérrimas, que mal sabem se, no fim do dia, terão um pedaço de pão no estômago, na recomendação cristã de não se negar pão, como na noção taoista: Nunca seja mesquinho por comida, numa lição que eu mesmo aprendi, no modo como o crescimento e a depuração são o sentido da vida; de qualquer vida. Aqui é como uma vida nômade de ciganos, pobres, vítimas de intenso preconceito, numa vida circense de mambembe, num espírito de ator, de arte, de pessoas que querem entreter, num dom circense de palhaço, espalhando alegria, em gênios como Rowan Atkinson, fazendo escola, no poder terapêutico do riso, fazendo do senso de humor algo tão humano, na capacidade de se rir de si mesmo, no modo como a vida não deixa de ser engraçada, como uma certa quase estrela, fracassando no frigir dos ovos, mesmo tendo as oportunidades de lançar vários álbuns pop, no modo como o sucesso é um problema, pois quando o sucesso vem, temos que saber sobreviver a ele e continuar tocando a vida para frente com humildade – a arrogância precede a queda! Aqui é um terreno de devastação, nos rastros de destruição das guerras, deixando rastros de fome e privação, na “beleza” das guerras, tudo em nome das ambições de homens corroídos pelo Anel do Poder, o qual corrompe os melhores homens, no conceito de Matrix: Um homem poderoso quer mais poder. Estes resíduos na areia são os vestígios dos megashows de Madonna e Gaga nas areias de Copacabana, com e prefeitura do Rio tendo que empreender um grande esforço para recolocar em ordem as areias da famosa orla, removendo tocos de cigarro, garrafas pet, copos de plástico e latas de alumínio, ou seja, um catatau de sujeira. O homem negro é a herança escravocrata, com descendentes pobres, como nos abismos sociais brasileiros, nos versos de uma sensível canção: “Ó mundo tão desigual (...). De um lado este carnaval; do outro, a fome total!”, nos esforços do governo chinês em erradicar a pobreza de tal gigantesco país, no paradoxo chinês: Por um lado, uma ditadura comunista; por outro, um país no qual é cidadão é absolutamente livre para empreender. Aqui é uma pessoa tomando seu rumo na vida, talvez num trabalho de se centrar e colocar em ordem tal vida, na necessidade da pessoa se centrar em algo nobre, ao contrário da pessoa que só reclama da vida, e nenhuma atitude toma – centre-se, rapaz! A bandeira tremula num país livre, no qual o cidadão nasce, vive e morre livre, na deliciosa sensação de liberdade de se nadar nu no mar.
Acima, Lição de História. Aqui é a disciplina, na exigência escolar por disciplina, como uma certa rígida professora de balé, dura, disciplinada, dizendo ao ver alunos conversando durante a aula: “Não vai render! Não vai render!”, na característica do bom professor, que é exigir do aluno, como uma certa professora de Filosofia, dura, e eu quase fui reprovado por ela, e hoje agradeço por ela ter passado pela minha vida, naqueles professores que valem cada centavo da mensalidade, ao contrário de professores medíocres e esquecíveis – deve ser assim em qualquer curso universitário. A bandeira é a construção de países, com cidadãos cultos, leitores, civilizados, no modo como o Brasil tanto carece da produção de cultura erudita e civilizatória, no problema na evasão escolar, na pessoa que subestima a importância de se formar e concluir o curso, como certa vez numa cafeteria, cujo garçom era um ex aluno da senhora minha mãe, e ele disse a ela que largara a escola para trabalhar, remetendo ao programam do Governo Federal para incentivar o jovem a permanecer na escola, nos sonhos de Leonel Brizola de semear escolar Brasil afora, nos Cieps, na sabedoria de que um país se faz com homens e livros. O globo é a globalização, na irônica desindustrialização da Inglaterra, outrora o berço da Revolução Industrial, com tantos produtos ingleses sendo fabricados na China, num país asiático rico, mas num cidadão chinês que não é rico, com a maior parte do dinheiro indo para o governo, barateando, assim, produtos chineses, numa globalização que teve primórdios na Era das Navegações, na sedução da seda chinesa e dos temperos indianos, seduzindo uma Europa ainda respirando resquícios medievais, sem as famosas naus, as quais, na época, eram o último grito de tecnologia, no decisivo advento da velha e boa bússola, nos sonhos de Colombo de atingir a Índia a partir do Oceano Atlântico, nunca sabendo que atingiria o gigantesco continente americano, num crédito posterior a Américo Vespuccio, quem teve a consciência de que o Mundo era maior do que se imaginava, nesses grandes homens que marcam eras, em gênios estadistas como Churchill, frente a uma então jovem e tímida Elizabeth II, a qual abraçou responsabilidades ainda muito jovem, menina, nessas pessoas que aprendem a amadurecer muito cedo, como no filho mais velho na família, ajudando a criar os irmãos mais novos, como a senhora minha irmã, mais velha do que eu, num peso de responsabilidade, como uma certa mulher, e qual foi mãe ainda adolescente. A menina aqui está apresentando algum trabalho, naquele nervosismo de nos depararmos perante os colegas e o professor, forçando-nos a perder a timidez, como uma certa dama caxiense, polidíssima, fina, feminina, doce, mas uma pessoa para a qual está faltando uma pitadinha de agressividade, pois a vida não é só Yin, feminino, mas há também o Yang, o lado macho da Vida, na força do masculino agressivo, desbravando matas virgens, como nos colonizadores europeus em solo americano, cheio de indígenas selvagens, como os indígenas canibais no distante e exótico Brasil, na importância do desenvolvimento de apuro moral – não me permito comer carne humana! O chão da sala de aula é em xadrez, na ludicidade, num jogo que tanto exige de nossas mentes, numa grande complexidade, como num episódio do seriado televisivo de Batman, com o inesquecível Adam West, no qual Batman e Robin jogavam xadrez não com um tabuleiro, mas com três, numa ultraexigência de raciocínio, no desenvolvimento da Inteligência Artificial, derrotando mesmo os campeões mundiais de xadrez, nisso de absurdo que é a IA, em vídeos impecáveis, irretocáveis, como num recente comercial de TV, no qual tinham, juntas, mãe e filha, que eram Elis Regina e Maria Rita, num encontro de gerações, mesmo décadas depois da morte da superdiva tupiniquim – até onde vai a tecnologia do Homo sapiens que virou Homo sapiens sapiens? O momento da aula é o siso, com alunos aplicados e alunos não tão aplicados, numa hierarquia, como uma certa senhora, aplicadíssima nos estudos, tirando as melhores notas da turma, com o sonho de gabaritar todas as matérias.
Acima, Lição objetiva. Aqui são essas carnificinas que são estes concursos de beleza, pois a maior parte das moças ali sai frustrada, na inevitável competitividade da vida em sociedade, como nos esportes – alegria de uns; tristeza de outros. Aqui é um esforço grande, num sonho prestes a ser despedaçado, como em concursos de fisiculturistas, num esforço máximo para ver quem tem o corpo mais apolíneo, numa seriedade de preparação, numa intensa dedicação, como lutadores, numa seriedade para nunca subestimar o oponente, entrando no ringue com humildade e seriedade, no ato universal de cavalheirismo no judô, com os oponentes em curvatura em gesto de respeito, na universalidade da civilidade e da gentileza, valores imutáveis do senso comum, com o problema dos submundos, nos quais nos desconectamos desses valores básicos, numa certa canção do deus David Bowie, dizendo que estar no submundo é estar perdido e solitário, num labirinto, numa desolação, como num solitário mendigo vagando por tristes ruas de domingos solitários, como uma certa pessoa, para a qual foi complicado sair de casa para estudar em outra cidade, encarando um melancólico domingo de solidão, na desolação do Umbral, a dimensão na qual não temos amigos, visto que os amigos são o ouro da vida, e a vida sem amigos é cruel e insuportável, havendo no sociopata tal ser sem amigos, um sociopata que pura e simplesmente se acha Deus – é um horror. A miss negra é o vencer o racismo, num crime no Brasil, com o feriado de Consciência Negra, remetendo a uma certa senhora carioca, racista, falando mal de pessoas por causa da cor marrom da pele, no divertido termo “Marrom bombom” para a deusa Alcione, no caminho da civilidade, pois dizer que negro não é gente é o mesmo absurdo de dizer que beagle, cocker spaniel e chowchow não são cachorros – sim, são cachorros! Aqui, as moças que perderam o concurso estão sorrindo, uma ilusão, pois, no fundo, estão tristes e frustradas, como na ex miss Brasil Deise Nunes, gaúcha, e eu me lembro como se fosse hoje, no remoto ano de 1986, quando, no palco do Miss Universo, o nome de Deise não foi classificado, e deu para observar direitinho a face de frustração e desolação na linda mulata, na famosa canção: “Boulevard dos sonhos despedaçados”, na qual rimos hoje e choramos amanhã! Aqui é como um açougue, com corpos sendo expostos, como disse uma certa menina, dando traços de se tornar feminista: “Que machismo essas festas de quinze anos, com o pai exibindo a filha como se esta fosse um pedaço de carne!”. Aqui é a realização de um sonho, como numa pessoa que sonha em ser um grande artista, um popstar de alta popularidade, fazendo de Hollywood tal terra de sonhos despedaçados, com pessoas frustradas que vão embora da cidade e voltam para sua humilde cidade natal, nessa selva de competitividade, com poucos trabalhos para muitos pretendentes, em pessoas fortes como Gisele, destacando-se em meio a tantas concorrentes, nas palavras de uma certa senhora altiva e distinta: “Dos fracos a história nada conta!”. As flores ao chão são a chuva de glória da doce vitória, no modo como o sucesso é um problema, pois quando vem, temos que saber a ele sobreviver e continuar a tocando a vida para frente com humildade e pés no chão, tendo que haver uma estrutura psíquica muito grande e forte para tal sobrevivência, nas palavras de uma certa popstar: “Você acorda no dia seguinte a vida continua!”. É claro que aqui há inveja, com uma querendo desbancar a outra, numa absoluta falta de fraternidade ou cordialidade, como um jogo, no qual temos que jogar com frieza, nunca tendo pena do adversário, nunca subestimando, como na fábula da tartaruga e da lebre, pois esta perdeu a corrida por subestimar a seriedade da situação. As estrelas são tal sonho de estrelato, de brilho, em mentes que brilham, deixando-nos abismados com tal talento. Aqui remete a uma grande amiga minha psicóloga, outrora vencedora de um concurso internacional de beleza, a qual disse sobre um evento no qual iria sem ter que concorrer a algo: “Desta vez, meu lugar está garantido!”.
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.






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