terça-feira, 21 de abril de 2020

Calejado pela Arte



Excepcionalmente, esta postagem está sendo publicada numa terça-feira. Semana que vem, volta tudo ao normal, assim como vai voltando ao normal nossa vida pós Covid-19.

Natural de Santo André, SP, Guilherme Callegari nasceu em 1986 – é bem jovem. Graduou-se em Design Gráfico em 2011, tendo sido muito premiado, integrando coleções de São Paulo, Rio de Janeiro, Peru e Holanda; integrando também acervos do MAR, o Museu de Arte do Rio, entre outras instituições. O site de GC é fartíssimo. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!


Acima, IMG-7874. Aqui, temos pinceladas vigorosas, vibrantes, impetuosas, numa alma querendo se aventurar, inovar, transgredir, respirar, na missão da Arte, que é libertar. O autor lançou mão de muitas cores, como num prisma, mas a predominância é de uma certa escuridão, como dormir em um quarto em penumbra, desligando-se do Mundo lá fora, curtindo prazeres de se ficar em casa, como fazer um chá ou um chimarrão. Estas pinceladas foram e voltaram, talvez encarando uma rua sem saída, numa pessoa que se viu forçada a retroceder, a voltar atrás, como a Rainha da Inglaterra, que teve que revisar seus conceitos, deixando de subestimar a morte de uma das maiores mulheres da História do Reino Unido. Estas cores, esta informalidade, este ímpeto, são muito joviais, num espírito que não quer ficar empedernido demais, rechaçando tal ranço, abraçando renovação, no modo como há pessoas mais velhas que são mais joviais do que muitos jovens, sendo importante que a pessoa não fique embrutecida pelas vicissitudes da Vida. Esta riqueza cromática remete às lojas jovens dos anos 80 ou 90, numa decoração colorida, com muita atitude e informalidade, a fim de conquistar a simpatia do adolescente ou pré adolescente, como na cena final de Mudança de Hábito 2, com jovens vestindo roupas coloridas, relendo a mesma canção cantada anteriormente no filme. Aqui, a tinta parece fresca, assim como deve ser o frescor da alma da pessoa, sempre aberta a novos conceitos, nunca buscando verdades pretensiosas ou absolutas, pois tudo é processo, e a busca pela Verdade passa por constante renovação, num caminho sem fim, pois assim é a Eternidade, o maior presente que Tao tem para dar aos próprios filhos, pois não é pornograficamente forte e poderosa a ideia de que jamais, jamais findaremos? É muito poder, e passaremos a eternidade tentando definir Tao, o indefinível, e, nessa indefinição, pode haver Vida, e eterna, sendo difícil – quiçá impossível – para o humilde Ser Humano apreender, compreender o Infinito. Aqui, os fios delgados de cores buscam subverter tal sisudez, tal formalidade, tal circunspecto luto, trazendo um pouco de açúcar a um chá tão amargo, a um café tão forte, tão desprovido de ternura doce, pois pobre do coração que fica empedernido. Aqui, parecem torres gêmeas, remetendo ao maior atentado terrorista da História da Humanidade. As torres saíram do mesmo útero, e não podem brigar, pois são iguais, são irmãs, como dois espíritos que, inimigos em outra vida, reencarnaram irmãos, para que, dessa forma, entendam que são filhos, príncipes do mesmo Rei. E este é o problema da Humanidade – não conseguir ver que somos irmãos, pois, na Terra, há a dúvida cinzenta: Será que sou especial? Será que não sou? Havendo, na Dimensão Metafísica o fim de tal dúvida, como um céu azul abrindo depois de décadas de céus cinzentos e dúbios, havendo no Umbral a escuridão total, num lugar horrível onde a pessoa, definitivamente, não cogita a hipótese de ser especial e de ser filha de Tao, a razão de tudo. Aqui, a luz está sendo decomposta, abrindo um leque cromático, como na incrível diversidade de uma paleta de cores, abrindo um leque farto de opções, como numa universidade, com cursos que se encaixam em qualquer espírito, na liberdade que o espírito tem para traçar seu caminho existencial de crescimento e depuração, pois esta é a razão da Vida: crescer. Aqui, delgados raios dourados tentam se impor ao conjunto, como frestas em uma janela fechada, anunciando os primeiros raios de Aurora, a grande deusa dourada que traz Beleza e Paz ao Cosmos, como duas nações aliadas, que juntam forças para vencer as dificuldades. Essas duas “torres” estão coladas, como siameses, na incrível vicissitude que é encarnar como um gêmeo siamês, numa Vida que cura muitos, muitos males do indivíduo encarnado. É preciso ter coragem!


Acima, Maybach. Podemos sentir aquele cheiro de posto de gasolina, com o cheiro do combustível entrando no veículo, no modo como a Humanidade é ainda tão escrava de tal fonte de energia, havendo a utopia ecológica dos combustíveis ditos limpos. Aqui, é como uma folha de exercício, num designer rabiscando logomarcas, marcas, nomes, num Callegari namorando um pouco com a Pop Art. Vemos em repetição a marca Pirelli de pneus, no barulho de bruscas freadas, nos pneus acumulando água da chuva, nas tentativas incansáveis das autoridades em alertar para a Dengue. Aqui, é uma folha de exercício, e nada aqui é definitivo, como num estudante que fez seus erros e precisa passar a borracha em tudo, no modo como a pessoa aprendeu a lição ao ter o desejo de voltar para o passado e “passar a borracha” em tudo pelo que passou até então. Aqui, temos frias e técnicas quadriculações, exigindo Disciplina, como em O Tigre e o Dragão, numa vilã cujos movimentos permaneceram toscos e indisciplinados, como num Moacir Scliar, que disse ser necessária, a qualquer escritor, a disciplina para sentar e produzir, na lição da supremacia do Pensamento Racional, o pensamento que abrevia dores e traz esclarecedora desilusão, como Alanis Morrisette em uma canção famosa: “Obrigado, desilusão!”. É o poder terapêutico das crises, num ponto amargo, porém saudável, de renovação na vida da pessoa perdida. Aqui, vemos Callegari fazendo uso de fotos de carros, de carros ultrapassados, itens de colecionador, com carros antigos muito bem cuidados, mostrando que Beleza e Limpeza vêm do Amor, nos incansáveis esforços dos padres em sermões: Amor é tudo, e é a única coisa que não se pode comprar ou vender. E Tao é isso – inegociável. Podemos ouvir o som dos veículos automotores, como uma pessoa que está farta de, em sua casa, ouvir o som infindável de ônibus lá fora. Aqui, os pneus estão cheios de ar, como se ar fosse Tao, o fluído enigmático que preenche vidas e traz Paz, no mistério invisível do Grande Regente, pois nunca ouvimos falar que Deus não joga, mas fiscaliza? Aqui vemos números, no pavor que a Matemática exerce sobre tantos e tantos estudantes, como foi o meu caso. Só que, depois, a pessoa percebe que Música, por exemplo, traz em si rítmica racionalidade, na grande ironia que é o fato de que Retilíneo e Fluido são a mesma coisa, e o liquidiscente ritmo aquoso segue uma operação matemática, no termo do nome da banda Coldpaly, ou seja, Reprodução Fria. Até a pessoa entender a união que permeia toda a criação de Tao, fazendo da Arte uma irmã da Ciência, na totalidade do Pensamento Humano, com Humanas amigas de Exatas – será que consegui me expressar bem? Aqui, há um exercício de cores, num designer testando possibilidades, buscando novas formas de dizer a mesma coisa, como nas múltiplas Marilyns Monroes de Andy Warhol, ou seja, o mesmo clichê, só que pintado de diversas maneiras, como cada pessoa tem sua própria forma de ver Tao, na Lei da Individualidade – não há iguais, apesar de serem irmãos. Aqui, os rabiscos são vários e inevitáveis, num plano de tentativas, até que a pessoa aprenda tal lição, cumprindo com uma missão da Terra – uma vez vencida tal batalha, é hora de voltar para casa, numa grande recepção de boas vindas promovida por entes queridos desencarnados, como disse uma pessoa de minha família no leito de morte, prestes a falecer: “Tenho que receber meus convidados”, no maravilhoso modo como, nossos avós, por exemplo, jamais morreram, sendo uma ilusão a morte da carne. Aqui, a sisudez matemática revela uma explosão de cores alegres, nas grandes ironias de Tao: haverá números primos por toda a eternidade dos números. Callegari traz aqui tal alegria circense, em jovial irreverência, nas ironias metafóricas.


Acima, Passat B3. Num dos cantos do quadro, vemos bolinhas que remetem a um cacho de uvas, as quais são o símbolo do trabalho, do esforço, do empreendimento, nos doces frutos que vêm depois de um esforço empreendido, numa pessoa que, hoje, pode se soder, mas amanhã colherá frutos, como diz uma canção pop: “Se é amargo no começo, é doce no final”, pois, se começo achando que é facílimo, acabarei achando extremamente duro, num exercício de discernimento e humildade, pois se acho que será duro, estou com os pés no chão, e, ao final, terei na boca o gosto doce de tais uvas. Este quadro tem um aspecto street, urbano, com uma superfície muito usada, rodada, com larga experiência, como num muro pichado e rabiscado, num caderno de notas que me remete a um (excelente) professor universitário, o qual tinha um caderno no qual fazia carinhosas e caprichosas notas e ilustrações, até o ponto em que tal caderno começa a se tornar um companheiro para a pessoa que nele deposita pensamentos e rabiscos, sempre ensaiando, sempre se aprimorando, no caminho eterno de depuração moral, na Felicidade Suprema que pertence aos espíritos evoluidíssimos, ao contrário de divindades que têm defeitos humanos. No quadro, vemos alguns números, como expressas placas de trânsito, querendo informar da forma mais simples, clara e rápida possível, como disse um certo gênio: “A Simplicidade é o mais elevado estágio de Sofisticação”, e isso vale também para anúncios em outdoors nas ruas e estradas, pois quanto mais informações estiverem expostas, menos informações serão absorvidas pelas pessoas que passam e veem... Aqui, temos um jogo complexo de superposições, numa imaginação vibrante, sempre experimentando possibilidades, numa mente aberta para inovações, nunca tendo a arrogância de achar que alcançou o topo do topo, pois tudo é processo. Os números são a fria Razão Matemática, sendo esta uma das maiores provas de limpa e pura sofisticação humana, no sentido de que Pensamento é tudo e Matéria é nada, havendo nesta a ilusão da possessão, no material, do fetiche do objeto, em um mundo tão frio, no qual tudo é dinheiro, sendo infeliz aquele que é considerado feliz na Terra – o ganhador da Loteria, por exemplo, tendo este amigos por interesse, não amigos por amor e carinho. Uma das palavras aqui é rest, do inglês, descanso, da cor de um fértil gramado verde, na lânguida canção Lazy Afternoon, ou seja, Tarde Preguiçosa, cantada por uma Barbra Streisand preguiçosa, repousando sob uma árvore, no gostoso pecadinho da Preguiça, num mundo tão frenético, que exige tanto estresse do indivíduo, como pessoas dirigindo no trânsito, num momento tenso em que o Ser Humano mostra toda a sua patetice, a sua mediocridade, a sua impolidez. Logo acima desta palavra, um círculo cortado com um x, como num artista renascentista buscando as perfeitas proporções do Corpo Humano, querendo encontrar lógica, beleza e majestade nos trabalhos de Tao, o Supremo Arquiteto. Aqui, é como uma prancha de arquiteto, com os fálicos traços retilíneos, cortando e medindo, sempre buscando a elegância dos números, rechaçando as patetices das paixões e sofrimentos humanos, como disse um grande filósofo grego: “A Lei é razão livre de sofrimento”, ou seja, quanto mais desapegado materialmente sou, menos sofro. Vemos aqui palavras em motivos góticos, talvez em alemão, não sei dizer. É como um designer rabiscando caligrafias, querendo criar coisas com estilo e inteligência, pois tudo o que um ser humano tem que mostrar é sua própria inteligência. É como o paciente trabalho de um antigo escriba, escrevendo pacientemente, muito antes das pressas e das loucuras da Sociedade Digital, sendo esta de um estresse que, definitivamente, deve ser evitado – respeite a si mesmo!, ou como me disse um ótimo professor: “Nunca se estresse demais”. Este quadro está divido em seis idênticos quadrados, como num lençol dobrado, numa pessoa ajeitando uma casa, assim como um artista quer ajeitar sua própria carreira e ver seu próprio lugar no Mundo.


Acima, QP2R73. Aqui, há uma repetição Pop Art, como se fossem vários ensaios para o mesmo show, num exercício evolutivo, como num designer de marcas, aprimorando, polindo o objeto trabalhado, como um espírito com várias encarnações, sendo cada encarnação possuidora de lições específicas, tudo com o objetivo de se alcançar a perfeição moral, como Tao, o ético, o honesto, o verdadeiro, ao contrário de uma pessoa que quer passar os outros para trás, perdendo tempo com mesquinharias de ambições mundanas. Aqui, são como múltiplos ovos de Páscoa coloridos, no encanto de um cesto farto e colorido, diversificado, seduzindo os olhos da criança presenteada. Neste quadro, temos linhas que formam, em perspectiva, um corredor sem fim, no modo como a fina exatidão de perspectiva moldou a vogue renascentista, abrindo os olhos da Europa para os novos tempos, das Navegações, das especiarias orientais, dos indígenas selvagens americanos etc. É um corredor extremamente longo, infinito, convidando-nos a observar o absurdo poder de Tao, dando-nos uma existência que jamais cessará. É como observar a Torre Eiffel de baixo, dando-nos a perspectiva de observarmos uma mandala, no padrão cíclico das estações climáticas, ou num relógio, trazendo a sensação de ordem e calma a um reino. É uma explosão de supernova, explodindo para todos os cantos, causando as comoções artísticas catárticas, deixando perplexo o Corpo Social, com multidões indo aos cinemas para ver filmes badalados, películas papando múltiplos Globos de Ouro, Oscars etc. É como uma pipoca estourando na panela, num ato de agressão, de marcar épocas, na terrível releitura terrorista, a qual acha que destruir é o mesmo do que brilhar. Aqui, é como os escudos de vários times de Futebol, com álbuns de figurinhas conquistando meninos, colecionando as figurinhas de seus ídolos do esporte bretão. São como fichinhas de Futebol de Botão, numa diversidade competitiva, em que qualquer time quer ser o topo da elite, numa pessoa que mira alto em seus objetivos, colocando os pés no chão e parando de esperar por um milagroso príncipe encantado, no modo como a pessoa se dá conta de que, se quer algo, tem que ter vontade de tê-lo. Esta logomarca da Volkswagen se parece com a armadura da Mulher Maravilha, numa pessoa blindada, à prova de flechas, rechaçando o sofrimento, numa pessoa que aprendeu a importância de saber dizer não, pois como posso ter o controle de minha própria vida se vivo aceitando que me digam como devo viver? Aqui, são várias luas de um planeta, colocada cientificamente lado a lado, na intenção humana de ver lógica no caos, de dar nomes e graças a corpos celestes, no modo de tribos primitivas verem divindades em todos os elementos da Natureza, como no Sol, no trovão, na Lua etc. Nesse sentido, é um grande pulo o surgimento da Ciência, num Ser Humano que está farto de ver o Mundo e o Universo de forma turva, mística, idealizada, no modo como a Astronomia desafia a Astrologia. Aqui, são várias bolinhas de tênis sendo jogadas ao mesmo tempo, num momento em que a maestria é revelada, como num ultra ágil Yoda, brilhando ao empunhar um sabre de luz em um filme da franquia Star Wars. Aqui, temos a diversidade do arcoíris, como numa classe de estudantes, em que cada um se esforça para se diferenciar ao máximo, buscando ter um estilo inconfundível, como os círculos e as bolas de Yayoi Kusama, a artista plástica que optou, sem necessidade, morar numa clínica psiquiátrica – cada um sabe de si. Aqui, é um camaleão em vários momentos de camuflagem. É como um ator assumindo vários papéis, como na riquíssima galeria de personagens construída pelo genial Chico Anysio, que Deus o tenha. Aqui, é uma pessoa em momentos diferentes de humor, indo da alegria à tristeza, da depressão à mania, do discreto ao escandaloso, numa pessoa que quer saber de si mesma, que quer ser ela mesma, apesar de ter ídolos e pessoas as quais admira.


Acima, Scania. Temos aqui uma medida impositiva, numa personalidade forte, que exige respeito. Temos aqui um bloqueio, como numa médium espírita que conheci, a qual disse ter como bloquear, em pensamento, os espíritos maus, toscos e mundanos, num trabalho de desenvolvimento de virtude, dotando de propósito nobre uma encarnação, uma existência, talvez num espírito que, numa encarnação anterior, foi fútil e alienado dos problemas do Mundo, sendo que uma nova encarnação é uma grande chance de se recuperar tal tempo perdido, no eterno perdão de Tao, o Pai que sempre dá uma nova chance aos filhos, sabendo que estes foram feitos para errar, tropeçar e reerguer-se, num eterno recomeço, aprimoramento, numa dimensão na qual nada se perde, um lugar onde tudo o que a pessoa tem que ter é a si mesma – o que é mais importante: a alma ou a imagem? Aqui, é como uma placa de trânsito, exigindo respeito, pois o que seria do tráfego se não respeitássemos tais regras? É como me disse uma amiga, que morou num certo país da América Latina, uma pessoa que me disse que, lá, as leis de trânsito são piadas, desrespeitadas. Aqui, é como uma garagem, exigindo que não estacionemos ali, sendo uma absoluta sacanagem ignorar o pedido do proprietário da garagem, no modo como devemos respeitar a casa de outrem, para termos a noção de que, apesar de bem recebidos pelo anfitrião, a casa continua sendo do anfitrião, ao contrário de certas doutrinas, que pregam, na prática, o desrespeito para como a baia de outrem, pois nunca ouvimos falar que cada macaco no seu galho? Ou melhor, cada pessoa com o seu caminho de depuração psíquica, havendo, à frente do psicopata, por exemplo, um longo, longo caminho até se tornar uma pessoa boa, levando muitas encarnações para tal “mármore” ser polido. Aqui, as linhas são tensas, num proprietário que quer deixar claro as regras, evitando golpes baixos, como chutar o saco do opositor num ringue, ou jogar areia nos olhos do opositor, no modo como esses lutadores têm um controle emocional impressionante, a fim de não levar as pancadas para o lado pessoal. Aqui, é como a tensão numa luta que vai começar, numa torcida enlouquecida, numa competição para ver quem é quem tem mais força de vontade, mais vontade de vencer, mais agressividade, mais tesão pela Vida. Aqui, há um expresso contraste, é claro, para que a mensagem seja expressamente transmitida, como linhas negras e amarelas em garagens, para evitar que o condutor bata o carro em paredes ou pilares, num ato de cuidado, de cautela, no modo machista que coloca as mulheres como péssimas condutoras, despertando a ira das feministas, as quais protestam, sempre que podem, contra os preconceitos do Patriarcado, sendo este imperativo no Mundo, castrando a liberdade da mulher, quando que a mulher tem que ser livre, como uma Mulher Maravilha, com sua superforça. Aqui, temos um discreto tom vinho, casando com um berrante amarelo esverdeado, ou seja, para haver berrante contraste, temos que unir os opostos, colocando, lado a lado, sisudez e euforia, na tarefa de Eros em unir os opostos do Universo, nos ternos tronos de reis e rainhas, como diz uma canção de Cher: “O poderoso forte e a poderosa fraca”, e lá vem o Patriarcado de novo, na coragem de uma Hatshepsut, a faraó mulher que desafiou as tradições machistas do Antigo Egito, como no título de um livro de uma feminista, o Contra do Vento, ou o termo O Segundo Sexo, apontando todo o machismo bíblico, no qual, a obraprima de Deus é o ser humano do sexo masculino, no dramático modo como o Mundo não mudará, só mudando o modo de Fulano lidar com tal Mundo, sendo a Grande Elite Psíquica aqueles que questionam o Mundo ao redor, pois os ignorantes passam suas vidas sem ter consciência de suas próprias existências. Aqui, são setas piramidais, apontando para cima, apontando para o Reino dos Céus, o plano metafísico em que as enfermidades terrenas cessam. É como um conjunto de ondas, mas não ondas aquosas e liquidiscentes, mas ondas abrasivas, agressivas, talvez numa água sanitária contra um poderoso vírus coletivo. Aqui, é a retilinidade do Pensamento Racional destruindo a Serpente da Malícia. Respeite.


Acima, Subaru. Aqui, é como um bolo de aniversário, doce, colorido, brincalhão, num Callegari que não quer perder tal candura infantil, evitando se tornar um adulto amargo e empedernido, como num filme com Jack Nicholson, no qual vive um homem amargo que, no final da película, acaba retomando tal candura, num coração duro que se amoleceu novamente. Aqui, é como uma bagunça carnavalesca, com salões entupidos de confetes e serpentinas, na árdua tarefa de se limpar um salão de baile depois da festa, ou limpar uma boate depois da balada, com quilos de tocos de cigarro sendo varridos. Aqui, um vibrante amarelo nos dá as boas vindas, num vibrante Sol de Céu de Brigadeiro, como no bebê sorridente emoldurado pelo Sol no televisivo infantil Teletubbies. É uma energia que emana, como no Sol metafísico, o qual, apesar de esmagadoramente forte, não fere nem ofusca as vistas do espírito desencarnado, num Mundo em que não é necessário protetor solar, visto que, no desencarne, perdemos a sensibilidade térmica do corpo físico, numa libertação, fazendo metáfora com o filme Elysium, no qual havia uma máquina que curava seres de humano de toda e qualquer doença, como disse um artista em uma entrevista: “Você só se realiza quando morre”, no eterno retorno ao lar, como no feto do filme clássico 2001, entrando numa nova vida, sem os anéis mundanos, como é fadado à danação o querido trenó Rosebud, no clássico Cidadão Kaine, no modo como só se leva da Terra aquilo que tem algo de Amor, condenando o Ódio materialista à ruína certa. Aqui, os números dizem a idade do aniversariante, no modo como é importante homenagear alguém em seu aniversário, mesmo que seja só para lhe dar um presentinho e comer um docinho, fazendo metáfora com as eternas festas metafísicas, em seus salões ensolarados e seus lustres de cristal multicolorido, num plano em que só há alegria, apesar da possibilidade de se visitar entes que estejam no Umbral. Aqui, é uma bagunça, mas uma bagunça não mal intencionada, porém uma bagunça sem más intenções, no modo como, desde muito cedo, é cobrada do indivíduo a Disciplina, o bem se comportar, num aluno que, de tão estudioso, se torna o queridinho da professora, dando exemplo de Disciplina aos demais coleguinhas, no modo como é pobre a vida de uma pessoa que não tem disciplina; a vida de uma pessoa que vive ao sabor do vento, sem produzir – levante-se e faça algo! Aqui é uma chuva de confetes coloridos, no delicioso confeito Confete, com suas drágeas multicoloridas recheadas de doce chocolate, no fascínio que os doces exercem sobre o Mundo, fazendo metáfora com os doces metafísicos, os quais não engordam nem causam diabetes. Aqui, temos um Callegari errante, com tintas esvoaçantes, livres como a imaginação deve ser, nas asas de um pégasus, alando as inspirações, num artista que sonha em fazer coisas muito, muito pertinentes, sonhando com grandes espaços, grandes instalações, trazendo o espectador para dentro da mente de tal artista, numa espécie de anfitrião psíquico, nos polidos, belos e agradáveis anfitriões metafísicos, numa Vida em que a polidez impera e a impolidez desaparece, ou seja, seja educadinho. Assim você vai se tornar um espírito emoldurado por uma luz, com um perfume delicioso, usando roupas finas e esvoaçantes. Aqui, os numerais marcam a passagem do Tempo, num presidiário que conta dos dias antes da soltura, deparando-se, após o Desencarne, com o fato de que a Vida continua, e que a produtividade deve continuar, fazendo da Morte uma minúscula vírgula. Aqui, é como um calendário, com suas datas festivas e seus dias de labor, num lugar em que, apesar de produtivo, não é degradantemente workaholic. Aqui, é como se uma chuva colorida estivesse caindo, molhando as asas de uma borboleta, impedindo-a de voar, nas inevitáveis castrações da Vida, pois nunca ouvimos falar que não podemos fazer absolutamente aquilo tudo que queremos fazer? Assim, a vicissitude vem para libertar, e não para prender, pois qual é objetivo de uma Vida sem qualquer obstáculo? Tenha coragem!

Referências bibliográficas:

Guilherme Callegari. Disponível em: <www.artsoul.com.br>. Acesso em: 15 abr. 2020.
Guilherme Callegari. Disponível em: <www.guilhermecallegari.com>. Acesso em: 15 abr. 2020.

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