Excepcionalmente, esta
postagem está sendo publicada numa terça-feira. Semana que vem, volta tudo ao
normal, assim como vai voltando ao normal nossa vida pós Covid-19.
Natural de Santo André, SP,
Guilherme Callegari nasceu em 1986 – é bem jovem. Graduou-se em Design Gráfico em
2011, tendo sido muito premiado, integrando coleções de São Paulo, Rio de
Janeiro, Peru e Holanda; integrando também acervos do MAR, o Museu de Arte do
Rio, entre outras instituições. O site de GC é fartíssimo. Os textos e análises
semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, IMG-7874. Aqui, temos pinceladas vigorosas, vibrantes, impetuosas,
numa alma querendo se aventurar, inovar, transgredir, respirar, na missão da
Arte, que é libertar. O autor lançou mão de muitas cores, como num prisma, mas
a predominância é de uma certa escuridão, como dormir em um quarto em penumbra,
desligando-se do Mundo lá fora, curtindo prazeres de se ficar em casa, como
fazer um chá ou um chimarrão. Estas pinceladas foram e voltaram, talvez
encarando uma rua sem saída, numa pessoa que se viu forçada a retroceder, a
voltar atrás, como a Rainha da Inglaterra, que teve que revisar seus conceitos,
deixando de subestimar a morte de uma das maiores mulheres da História do Reino
Unido. Estas cores, esta informalidade, este ímpeto, são muito joviais, num
espírito que não quer ficar empedernido demais, rechaçando tal ranço, abraçando
renovação, no modo como há pessoas mais velhas que são mais joviais do que
muitos jovens, sendo importante que a pessoa não fique embrutecida pelas
vicissitudes da Vida. Esta riqueza cromática remete às lojas jovens dos anos 80
ou 90, numa decoração colorida, com muita atitude e informalidade, a fim de
conquistar a simpatia do adolescente ou pré adolescente, como na cena final de Mudança de Hábito 2, com jovens vestindo
roupas coloridas, relendo a mesma canção cantada anteriormente no filme. Aqui,
a tinta parece fresca, assim como deve ser o frescor da alma da pessoa, sempre
aberta a novos conceitos, nunca buscando verdades pretensiosas ou absolutas,
pois tudo é processo, e a busca pela Verdade passa por constante renovação, num
caminho sem fim, pois assim é a Eternidade, o maior presente que Tao tem para
dar aos próprios filhos, pois não é pornograficamente forte e poderosa a ideia
de que jamais, jamais findaremos? É muito poder, e passaremos a eternidade
tentando definir Tao, o indefinível, e, nessa indefinição, pode haver Vida, e
eterna, sendo difícil – quiçá impossível – para o humilde Ser Humano apreender,
compreender o Infinito. Aqui, os fios delgados de cores buscam subverter tal
sisudez, tal formalidade, tal circunspecto luto, trazendo um pouco de açúcar a
um chá tão amargo, a um café tão forte, tão desprovido de ternura doce, pois
pobre do coração que fica empedernido. Aqui, parecem torres gêmeas, remetendo
ao maior atentado terrorista da História da Humanidade. As torres saíram do
mesmo útero, e não podem brigar, pois são iguais, são irmãs, como dois
espíritos que, inimigos em outra vida, reencarnaram irmãos, para que, dessa
forma, entendam que são filhos, príncipes do mesmo Rei. E este é o problema da
Humanidade – não conseguir ver que somos irmãos, pois, na Terra, há a dúvida
cinzenta: Será que sou especial? Será que não sou? Havendo, na Dimensão
Metafísica o fim de tal dúvida, como um céu azul abrindo depois de décadas de
céus cinzentos e dúbios, havendo no Umbral a escuridão total, num lugar
horrível onde a pessoa, definitivamente, não cogita a hipótese de ser especial
e de ser filha de Tao, a razão de tudo. Aqui, a luz está sendo decomposta,
abrindo um leque cromático, como na incrível diversidade de uma paleta de
cores, abrindo um leque farto de opções, como numa universidade, com cursos que
se encaixam em qualquer espírito, na liberdade que o espírito tem para traçar
seu caminho existencial de crescimento e depuração, pois esta é a razão da
Vida: crescer. Aqui, delgados raios dourados tentam se impor ao conjunto, como
frestas em uma janela fechada, anunciando os primeiros raios de Aurora, a grande
deusa dourada que traz Beleza e Paz ao Cosmos, como duas nações aliadas, que
juntam forças para vencer as dificuldades. Essas duas “torres” estão coladas,
como siameses, na incrível vicissitude que é encarnar como um gêmeo siamês,
numa Vida que cura muitos, muitos males do indivíduo encarnado. É preciso ter
coragem!
Acima, Maybach. Podemos sentir aquele cheiro de posto de gasolina, com o
cheiro do combustível entrando no veículo, no modo como a Humanidade é ainda
tão escrava de tal fonte de energia, havendo a utopia ecológica dos
combustíveis ditos limpos. Aqui, é como uma folha de exercício, num designer
rabiscando logomarcas, marcas, nomes, num Callegari namorando um pouco com a
Pop Art. Vemos em repetição a marca Pirelli de pneus, no barulho de bruscas
freadas, nos pneus acumulando água da chuva, nas tentativas incansáveis das
autoridades em alertar para a Dengue. Aqui, é uma folha de exercício, e nada
aqui é definitivo, como num estudante que fez seus erros e precisa passar a
borracha em tudo, no modo como a pessoa aprendeu a lição ao ter o desejo de
voltar para o passado e “passar a borracha” em tudo pelo que passou até então.
Aqui, temos frias e técnicas quadriculações, exigindo Disciplina, como em O
Tigre e o Dragão,
numa vilã cujos movimentos permaneceram toscos e indisciplinados, como num
Moacir Scliar, que disse ser necessária, a qualquer escritor, a disciplina para
sentar e produzir, na lição da supremacia do Pensamento Racional, o pensamento
que abrevia dores e traz esclarecedora desilusão, como Alanis Morrisette em uma
canção famosa: “Obrigado, desilusão!”. É o poder terapêutico das crises, num
ponto amargo, porém saudável, de renovação na vida da pessoa perdida. Aqui,
vemos Callegari fazendo uso de fotos de carros, de carros ultrapassados, itens
de colecionador, com carros antigos muito bem cuidados, mostrando que Beleza e
Limpeza vêm do Amor, nos incansáveis esforços dos padres em sermões: Amor é
tudo, e é a única coisa que não se pode comprar ou vender. E Tao é isso –
inegociável. Podemos ouvir o som dos veículos automotores, como uma pessoa que
está farta de, em sua casa, ouvir o som infindável de ônibus lá fora. Aqui, os
pneus estão cheios de ar, como se ar fosse Tao, o fluído enigmático que
preenche vidas e traz Paz, no mistério invisível do Grande Regente, pois nunca
ouvimos falar que Deus não joga, mas fiscaliza? Aqui vemos números, no pavor
que a Matemática exerce sobre tantos e tantos estudantes, como foi o meu caso.
Só que, depois, a pessoa percebe que Música, por exemplo, traz em si rítmica
racionalidade, na grande ironia que é o fato de que Retilíneo e Fluido são a
mesma coisa, e o liquidiscente ritmo aquoso segue uma operação matemática, no
termo do nome da banda Coldpaly, ou seja, Reprodução
Fria. Até a pessoa entender a união que permeia toda a criação de Tao,
fazendo da Arte uma irmã da Ciência, na totalidade do Pensamento Humano, com
Humanas amigas de Exatas – será que consegui me expressar bem? Aqui, há um
exercício de cores, num designer testando possibilidades, buscando novas formas
de dizer a mesma coisa, como nas múltiplas Marilyns Monroes de Andy Warhol, ou
seja, o mesmo clichê, só que pintado de diversas maneiras, como cada pessoa tem
sua própria forma de ver Tao, na Lei da Individualidade – não há iguais, apesar
de serem irmãos. Aqui, os rabiscos são vários e inevitáveis, num plano de
tentativas, até que a pessoa aprenda tal lição, cumprindo com uma missão da
Terra – uma vez vencida tal batalha, é hora de voltar para casa, numa grande
recepção de boas vindas promovida por entes queridos desencarnados, como disse
uma pessoa de minha família no leito de morte, prestes a falecer: “Tenho que
receber meus convidados”, no maravilhoso modo como, nossos avós, por exemplo,
jamais morreram, sendo uma ilusão a morte da carne. Aqui, a sisudez matemática
revela uma explosão de cores alegres, nas grandes ironias de Tao: haverá
números primos por toda a eternidade dos números. Callegari traz aqui tal
alegria circense, em jovial irreverência, nas ironias metafóricas.
Acima, Passat B3. Num dos cantos do quadro, vemos bolinhas que remetem a
um cacho de uvas, as quais são o símbolo do trabalho, do esforço, do
empreendimento, nos doces frutos que vêm depois de um esforço empreendido, numa
pessoa que, hoje, pode se soder, mas amanhã colherá frutos, como diz uma canção
pop: “Se é amargo no começo, é doce no final”, pois, se começo achando que é
facílimo, acabarei achando extremamente duro, num exercício de discernimento e
humildade, pois se acho que será duro, estou com os pés no chão, e, ao final, terei
na boca o gosto doce de tais uvas. Este quadro tem um aspecto street, urbano, com uma superfície muito
usada, rodada, com larga experiência, como num muro pichado e rabiscado, num
caderno de notas que me remete a um (excelente) professor universitário, o qual
tinha um caderno no qual fazia carinhosas e caprichosas notas e ilustrações,
até o ponto em que tal caderno começa a se tornar um companheiro para a pessoa
que nele deposita pensamentos e rabiscos, sempre ensaiando, sempre se
aprimorando, no caminho eterno de depuração moral, na Felicidade Suprema que
pertence aos espíritos evoluidíssimos, ao contrário de divindades que têm
defeitos humanos. No quadro, vemos alguns números, como expressas placas de
trânsito, querendo informar da forma mais simples, clara e rápida possível,
como disse um certo gênio: “A Simplicidade é o mais elevado estágio de Sofisticação”,
e isso vale também para anúncios em outdoors nas ruas e estradas, pois quanto
mais informações estiverem expostas, menos informações serão absorvidas pelas
pessoas que passam e veem... Aqui, temos um jogo complexo de superposições,
numa imaginação vibrante, sempre experimentando possibilidades, numa mente
aberta para inovações, nunca tendo a arrogância de achar que alcançou o topo do
topo, pois tudo é processo. Os números são a fria Razão Matemática, sendo esta
uma das maiores provas de limpa e pura sofisticação humana, no sentido de que
Pensamento é tudo e Matéria é nada, havendo nesta a ilusão da possessão, no
material, do fetiche do objeto, em um mundo tão frio, no qual tudo é dinheiro,
sendo infeliz aquele que é considerado feliz na Terra – o ganhador da Loteria,
por exemplo, tendo este amigos por interesse, não amigos por amor e carinho.
Uma das palavras aqui é rest, do
inglês, descanso, da cor de um fértil
gramado verde, na lânguida canção Lazy
Afternoon, ou seja, Tarde Preguiçosa,
cantada por uma Barbra Streisand preguiçosa, repousando sob uma árvore, no
gostoso pecadinho da Preguiça, num mundo tão frenético, que exige tanto
estresse do indivíduo, como pessoas dirigindo no trânsito, num momento tenso em
que o Ser Humano mostra toda a sua patetice, a sua mediocridade, a sua
impolidez. Logo acima desta palavra, um círculo cortado com um x, como num
artista renascentista buscando as perfeitas proporções do Corpo Humano,
querendo encontrar lógica, beleza e majestade nos trabalhos de Tao, o Supremo
Arquiteto. Aqui, é como uma prancha de arquiteto, com os fálicos traços
retilíneos, cortando e medindo, sempre buscando a elegância dos números,
rechaçando as patetices das paixões e sofrimentos humanos, como disse um grande
filósofo grego: “A Lei é razão livre de sofrimento”, ou seja, quanto mais
desapegado materialmente sou, menos sofro. Vemos aqui palavras em motivos
góticos, talvez em alemão, não sei dizer. É como um designer rabiscando
caligrafias, querendo criar coisas com estilo e inteligência, pois tudo o que
um ser humano tem que mostrar é sua própria inteligência. É como o paciente
trabalho de um antigo escriba, escrevendo pacientemente, muito antes das
pressas e das loucuras da Sociedade Digital, sendo esta de um estresse que, definitivamente,
deve ser evitado – respeite a si mesmo!, ou como me disse um ótimo professor:
“Nunca se estresse demais”. Este quadro está divido em seis idênticos quadrados,
como num lençol dobrado, numa pessoa ajeitando uma casa, assim como um artista
quer ajeitar sua própria carreira e ver seu próprio lugar no Mundo.
Acima, QP2R73. Aqui, há uma repetição Pop Art, como se fossem vários
ensaios para o mesmo show, num exercício evolutivo, como num designer de
marcas, aprimorando, polindo o objeto trabalhado, como um espírito com várias
encarnações, sendo cada encarnação possuidora de lições específicas, tudo com o
objetivo de se alcançar a perfeição moral, como Tao, o ético, o honesto, o
verdadeiro, ao contrário de uma pessoa que quer passar os outros para trás,
perdendo tempo com mesquinharias de ambições mundanas. Aqui, são como múltiplos
ovos de Páscoa coloridos, no encanto de um cesto farto e colorido,
diversificado, seduzindo os olhos da criança presenteada. Neste quadro, temos
linhas que formam, em perspectiva, um corredor sem fim, no modo como a fina
exatidão de perspectiva moldou a vogue renascentista, abrindo os olhos da
Europa para os novos tempos, das Navegações, das especiarias orientais, dos
indígenas selvagens americanos etc. É um corredor extremamente longo, infinito,
convidando-nos a observar o absurdo poder de Tao, dando-nos uma existência que
jamais cessará. É como observar a Torre Eiffel de baixo, dando-nos a perspectiva
de observarmos uma mandala, no padrão cíclico das estações climáticas, ou num
relógio, trazendo a sensação de ordem e calma a um reino. É uma explosão de
supernova, explodindo para todos os cantos, causando as comoções artísticas
catárticas, deixando perplexo o Corpo Social, com multidões indo aos cinemas
para ver filmes badalados, películas papando múltiplos Globos de Ouro, Oscars
etc. É como uma pipoca estourando na panela, num ato de agressão, de marcar
épocas, na terrível releitura terrorista, a qual acha que destruir é o mesmo do
que brilhar. Aqui, é como os escudos de vários times de Futebol, com álbuns de
figurinhas conquistando meninos, colecionando as figurinhas de seus ídolos do
esporte bretão. São como fichinhas de Futebol de Botão, numa diversidade
competitiva, em que qualquer time quer ser o topo da elite, numa pessoa que
mira alto em seus objetivos, colocando os pés no chão e parando de esperar por
um milagroso príncipe encantado, no modo como a pessoa se dá conta de que, se
quer algo, tem que ter vontade de tê-lo. Esta logomarca da Volkswagen se parece
com a armadura da Mulher Maravilha, numa pessoa blindada, à prova de flechas,
rechaçando o sofrimento, numa pessoa que aprendeu a importância de saber dizer
não, pois como posso ter o controle de minha própria vida se vivo aceitando que
me digam como devo viver? Aqui, são várias luas de um planeta, colocada
cientificamente lado a lado, na intenção humana de ver lógica no caos, de dar
nomes e graças a corpos celestes, no modo de tribos primitivas verem divindades
em todos os elementos da Natureza, como no Sol, no trovão, na Lua etc. Nesse
sentido, é um grande pulo o surgimento da Ciência, num Ser Humano que está
farto de ver o Mundo e o Universo de forma turva, mística, idealizada, no modo
como a Astronomia desafia a Astrologia. Aqui, são várias bolinhas de tênis
sendo jogadas ao mesmo tempo, num momento em que a maestria é revelada, como
num ultra ágil Yoda, brilhando ao empunhar um sabre de luz em um filme da
franquia Star Wars. Aqui, temos a
diversidade do arcoíris, como numa classe de estudantes, em que cada um se
esforça para se diferenciar ao máximo, buscando ter um estilo inconfundível,
como os círculos e as bolas de Yayoi Kusama, a artista plástica que optou, sem
necessidade, morar numa clínica psiquiátrica – cada um sabe de si. Aqui, é um
camaleão em vários momentos de camuflagem. É como um ator assumindo vários
papéis, como na riquíssima galeria de personagens construída pelo genial Chico
Anysio, que Deus o tenha. Aqui, é uma pessoa em momentos diferentes de humor,
indo da alegria à tristeza, da depressão à mania, do discreto ao escandaloso,
numa pessoa que quer saber de si mesma, que quer ser ela mesma, apesar de ter
ídolos e pessoas as quais admira.
Acima, Scania. Temos aqui uma medida impositiva, numa personalidade forte,
que exige respeito. Temos aqui um bloqueio, como numa médium espírita que
conheci, a qual disse ter como bloquear, em pensamento, os espíritos maus,
toscos e mundanos, num trabalho de desenvolvimento de virtude, dotando de
propósito nobre uma encarnação, uma existência, talvez num espírito que, numa
encarnação anterior, foi fútil e alienado dos problemas do Mundo, sendo que uma
nova encarnação é uma grande chance de se recuperar tal tempo perdido, no
eterno perdão de Tao, o Pai que sempre dá uma nova chance aos filhos, sabendo
que estes foram feitos para errar, tropeçar e reerguer-se, num eterno recomeço,
aprimoramento, numa dimensão na qual nada se perde, um lugar onde tudo o que a
pessoa tem que ter é a si mesma – o que é mais importante: a alma ou a imagem?
Aqui, é como uma placa de trânsito, exigindo respeito, pois o que seria do
tráfego se não respeitássemos tais regras? É como me disse uma amiga, que morou
num certo país da América Latina, uma pessoa que me disse que, lá, as leis de
trânsito são piadas, desrespeitadas. Aqui, é como uma garagem, exigindo que não
estacionemos ali, sendo uma absoluta sacanagem ignorar o pedido do proprietário
da garagem, no modo como devemos respeitar a casa de outrem, para termos a
noção de que, apesar de bem recebidos pelo anfitrião, a casa continua sendo do
anfitrião, ao contrário de certas doutrinas, que pregam, na prática, o desrespeito
para como a baia de outrem, pois nunca ouvimos falar que cada macaco no seu
galho? Ou melhor, cada pessoa com o seu caminho de depuração psíquica, havendo,
à frente do psicopata, por exemplo, um longo, longo caminho até se tornar uma
pessoa boa, levando muitas encarnações para tal “mármore” ser polido. Aqui, as
linhas são tensas, num proprietário que quer deixar claro as regras, evitando
golpes baixos, como chutar o saco do opositor num ringue, ou jogar areia nos
olhos do opositor, no modo como esses lutadores têm um controle emocional
impressionante, a fim de não levar as pancadas para o lado pessoal. Aqui, é
como a tensão numa luta que vai começar, numa torcida enlouquecida, numa
competição para ver quem é quem tem mais força de vontade, mais vontade de
vencer, mais agressividade, mais tesão pela Vida. Aqui, há um expresso
contraste, é claro, para que a mensagem seja expressamente transmitida, como
linhas negras e amarelas em garagens, para evitar que o condutor bata o carro
em paredes ou pilares, num ato de cuidado, de cautela, no modo machista que
coloca as mulheres como péssimas condutoras, despertando a ira das feministas,
as quais protestam, sempre que podem, contra os preconceitos do Patriarcado,
sendo este imperativo no Mundo, castrando a liberdade da mulher, quando que a
mulher tem que ser livre, como uma Mulher Maravilha, com sua superforça. Aqui,
temos um discreto tom vinho, casando com um berrante amarelo esverdeado, ou
seja, para haver berrante contraste, temos que unir os opostos, colocando, lado
a lado, sisudez e euforia, na tarefa de Eros em unir os opostos do Universo,
nos ternos tronos de reis e rainhas, como diz uma canção de Cher: “O poderoso
forte e a poderosa fraca”, e lá vem o Patriarcado de novo, na coragem de uma
Hatshepsut, a faraó mulher que desafiou as tradições machistas do Antigo Egito,
como no título de um livro de uma feminista, o Contra do Vento, ou o termo O
Segundo Sexo, apontando todo o machismo bíblico, no qual, a obraprima de
Deus é o ser humano do sexo masculino, no dramático modo como o Mundo não
mudará, só mudando o modo de Fulano lidar com tal Mundo, sendo a Grande Elite
Psíquica aqueles que questionam o Mundo ao redor, pois os ignorantes passam
suas vidas sem ter consciência de suas próprias existências. Aqui, são setas
piramidais, apontando para cima, apontando para o Reino dos Céus, o plano
metafísico em que as enfermidades terrenas cessam. É como um conjunto de ondas,
mas não ondas aquosas e liquidiscentes, mas ondas abrasivas, agressivas, talvez
numa água sanitária contra um poderoso vírus coletivo. Aqui, é a retilinidade
do Pensamento Racional destruindo a Serpente da Malícia. Respeite.
Acima, Subaru. Aqui, é como um bolo de aniversário, doce, colorido,
brincalhão, num Callegari que não quer perder tal candura infantil, evitando se
tornar um adulto amargo e empedernido, como num filme com Jack Nicholson, no
qual vive um homem amargo que, no final da película, acaba retomando tal
candura, num coração duro que se amoleceu novamente. Aqui, é como uma bagunça
carnavalesca, com salões entupidos de confetes e serpentinas, na árdua tarefa
de se limpar um salão de baile depois da festa, ou limpar uma boate depois da
balada, com quilos de tocos de cigarro sendo varridos. Aqui, um vibrante
amarelo nos dá as boas vindas, num vibrante Sol de Céu de Brigadeiro, como no
bebê sorridente emoldurado pelo Sol no televisivo infantil Teletubbies. É uma
energia que emana, como no Sol metafísico, o qual, apesar de esmagadoramente
forte, não fere nem ofusca as vistas do espírito desencarnado, num Mundo em que
não é necessário protetor solar, visto que, no desencarne, perdemos a sensibilidade
térmica do corpo físico, numa libertação, fazendo metáfora com o filme Elysium, no qual havia uma máquina que
curava seres de humano de toda e qualquer doença, como disse um artista em uma
entrevista: “Você só se realiza quando morre”, no eterno retorno ao lar, como
no feto do filme clássico 2001,
entrando numa nova vida, sem os anéis mundanos, como é fadado à danação o
querido trenó Rosebud, no clássico Cidadão
Kaine, no modo como só se leva da Terra aquilo que tem algo de Amor,
condenando o Ódio materialista à ruína certa. Aqui, os números dizem a idade do
aniversariante, no modo como é importante homenagear alguém em seu aniversário,
mesmo que seja só para lhe dar um presentinho e comer um docinho, fazendo
metáfora com as eternas festas metafísicas, em seus salões ensolarados e seus
lustres de cristal multicolorido, num plano em que só há alegria, apesar da
possibilidade de se visitar entes que estejam no Umbral. Aqui, é uma bagunça,
mas uma bagunça não mal intencionada, porém uma bagunça sem más intenções, no
modo como, desde muito cedo, é cobrada do indivíduo a Disciplina, o bem se
comportar, num aluno que, de tão estudioso, se torna o queridinho da
professora, dando exemplo de Disciplina aos demais coleguinhas, no modo como é
pobre a vida de uma pessoa que não tem disciplina; a vida de uma pessoa que
vive ao sabor do vento, sem produzir – levante-se e faça algo! Aqui é uma chuva
de confetes coloridos, no delicioso confeito Confete, com suas drágeas
multicoloridas recheadas de doce chocolate, no fascínio que os doces exercem
sobre o Mundo, fazendo metáfora com os doces metafísicos, os quais não engordam
nem causam diabetes. Aqui, temos um Callegari errante, com tintas esvoaçantes,
livres como a imaginação deve ser, nas asas de um pégasus, alando as
inspirações, num artista que sonha em fazer coisas muito, muito pertinentes,
sonhando com grandes espaços, grandes instalações, trazendo o espectador para
dentro da mente de tal artista, numa espécie de anfitrião psíquico, nos
polidos, belos e agradáveis anfitriões metafísicos, numa Vida em que a polidez impera
e a impolidez desaparece, ou seja, seja educadinho. Assim você vai se tornar um
espírito emoldurado por uma luz, com um perfume delicioso, usando roupas finas
e esvoaçantes. Aqui, os numerais marcam a passagem do Tempo, num presidiário
que conta dos dias antes da soltura, deparando-se, após o Desencarne, com o
fato de que a Vida continua, e que a produtividade deve continuar, fazendo da
Morte uma minúscula vírgula. Aqui, é como um calendário, com suas datas
festivas e seus dias de labor, num lugar em que, apesar de produtivo, não é
degradantemente workaholic. Aqui, é como se uma chuva colorida estivesse caindo,
molhando as asas de uma borboleta, impedindo-a de voar, nas inevitáveis
castrações da Vida, pois nunca ouvimos falar que não podemos fazer absolutamente
aquilo tudo que queremos fazer? Assim, a vicissitude vem para libertar, e não
para prender, pois qual é objetivo de uma Vida sem qualquer obstáculo? Tenha coragem!
Referências bibliográficas:
Guilherme Callegari. Disponível em: <www.artsoul.com.br>. Acesso em: 15 abr. 2020.
Guilherme Callegari. Disponível em: <www.guilhermecallegari.com>. Acesso em: 15 abr.
2020.





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