quarta-feira, 31 de julho de 2024

Não pise na Gram (Parte 1 de 3)

 

 

Falo pela primeira vez sobre a pintora Angela Gram, americana de 1985. Com paixão por animais, Angela integra diversas coleções particulares, já tendo pintado mural no museu novairoquino de História Natural. Mora em New Jersey. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Mente. O cavalo é a majestade, a elegância, a potência e o ímpeto, como um possante carro esporte, em objetos de consumo, num indivíduo que é escravo de tal sistema, um refém dos apelos da Sociedade de Consumo, na metáfora de Matrix, no indivíduo reduzido a uma bateria alcalina a serviço de um sistema, em piadas como chamar a Coreia do Norte de democracia. As crinas ao vento são a liberdade, na deliciosa sensação de liberdade à beiramar, no redentor olor de mar, do mar primordial que trouxe Vida à Terra, como na beiramar de Capão da Canoa, com a santa Iemanjá abençoando as redes pesqueiras, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, num reino farto e rico, em nações apolíneas como o Canadá, com produtos de qualidade, como o excelente Mercado Público de São Paulo, com produtos de alta qualidade, no mais delicioso morango que comi em minha vida. O azul é a cor do céu e dos sonhos, como uma menininha sonhando em ser rainha da Festa da Uva, na “carnificina” que são os concursos de beleza, com tantas moças saindo frustradas, em destruição de esperanças e expectativas, como Hollywood, a terra do sucesso e a terra do fracasso, com tantos e tantos sonhos despedaçados diariamente na capital do Cinema. O vermelho aqui traz um tempero quente, como num prato apimentado, como na Cozinha Baiana, no fascínio que as especiarias causaram na Europa na Era das Navegações, em artigos de alto luxo, dignos de rei, num plebeu que não sabia como era o sedutor sabor de canela, no modo como pode ser entretenimento um programa televisivo de Culinária, com chefs de qualidade mundial fazendo comidas excelentes, nas palavras de um certo tutor chef a um grupo de aprendizes: “Vocês não são cozinheiros de restaurante de rodoviárias; vocês são chefs de qualidade mundial!”, no modo como comida boa é comida simples bem feita, como um feijão bem feito, no modo como a Vida é boa quando é simples. Neste quadro vemos um respiro a um céu bem azul, limpo, cristalino, na promessa do Reino dos Céus, na questão da fé, pois não há frias garantias científicas de tal plano superior, exigindo fé do indivíduo, como entrar num centro espírita, crendo no banho de luz que é o passe espírita, num lugar onde podemos ouvir palavras de auxílio de um médium, no fenômeno de gigantesca popularidade que foi Chico Xavier, o qual me abençoa no mesmo momento em que redijo este texto, na imortalidade do Amor, pois os ressentimentos têm prazo de validade, e o perdão é o caminho natural da Eternidade, na noção taoista de que as coisas se resolvem por si mesmas. O quadro aqui tem liberdade, como num sistema democrático, havendo nas ditaduras tal prisão: Você tem que tratar com respeito quem está abaixo de você na hierarquia, pois respeito é para quem tem, na noção do Senso Comum de que temos que abraçar as consequências de nossos próprios atos. A corda no cavalo é a disciplina, numa energia canalizada, na pessoa encontrando uma atividade que canalize tal energia, na vida miserável que é uma pessoa descanalizada, sem norte na Vida, no hálito pestilento do submundo, no qual estou só e perdido, na necessidade da pessoa em se centrar em algo produtivo e positivo, pois até Deus trabalha, num Tao que está sempre criando, dando-nos o exemplo da produtividade, na questão bíblica do descanso no sétimo dia: Se até Ele descansou, eu, filho dele, também tenho que descansar, no modo como o workaholic, que só trabalha e não vive, vive tal vida miserável, sem ter a autoestima para se proporcionar um descanso digno e merecido, numa vida degradante, até a pessoa se dar conta de que o Mundo não me abonará por eu ser obcecado com trabalho, como um senhor que conheci, um workaholic que acabou se fodendo, com o perdão do termo chulo, tendo que fechar as portas da empresa que ele mesmo abriu, ou seja, insucesso prostrante. O cavalo nos olha, num olhar comedido e disciplinado, na noção da pessoa ter a necessidade de sentar e produzir algo de bom, ou seja, mostrar algo de nobre ao Mundo.

 


Acima, Obscura. O lobo é a esperteza, num estilo entalhado pelas durezas evolutivas da luta pela Vida, no modo como a Evolução entalhou a mulher do instinto materno de proteção, como certa vez uma fêmea quero quero quase me arrancou um olho quando me aproximei de seu ninho – os mais fortes sobrevivem, passando para frente sua genética de esperteza. A mata aqui é tropical e exuberante, longe do clima temperado dos EUA, terra da artista aqui comentada. É como na deliciosa cidade de Salvador com a amplitude térmica diária sempre entre vinte e poucos e vinte e tantos graus centígrados, num calor gostoso, longe dos calores esmagadores da cidade de Cuiabá, por exemplo, na ironia de que turistas do Norte e do Nordeste Vêm ao Sul do Brasil exatamente para passar frio, na eterna condição humana: Quem está na cidade que ir ao campo e viceversa. Aqui temos uma explosão de cores, numa explosão cromática de um prisma, no fascínio de objetos luxuosos e coruscantes, em salões elegantes, na beleza inabalável metafísica, em clubes tão chics e majestosos, no plano em que sabemos que grosso é fraco e que fino é forte, ao contrário das palavras de um certo sociopata que conheci, o qual dizia que o Mal é mais interessante do que o Bem, no modo como é simples e fácil de se detectar um sociopata, que é uma pessoa totalmente desprovida de Inteligência Emocional, não entendo Arte, a qual aborda tal inteligência no espectador, num sociopata insensível a histórias tão comoventes como Titanic, o qual é um grande manifesto contra a insensibilidade, na pequenez moral do sociopata,  qual quer puramente vantagens em relação a seus irmãos de caminhada, na miséria de um coração cruel o qual não ama nem mesmo os próprios netos – é um horror. Aqui, neste mato mágico, ouvimos o farfalhar das folhas, num fato triste que ocorreu em um certo apartamento, o qual, anteriormente, tinha uma lida vista para uma mata virgem, rica, exuberante, um mata que foi toda dizimada para a construção de um prédio, no modo como temos que, de certo modo, dar ouvidos aos ecologistas, pois o Ser Humano não tem para onde ir, visto que, fora da Terra, o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano, em esferas tão agressivamente inóspitas como Vênus, o qual só é belo de longe, no céu noturno, fazendo de Vênus um forno de quente, com uma pressão atmosférica esmagadora, na ânsia humana em explorar tal espaço, alimentando a Ufologia, na questão de curiosidade em Arquivo X, num homem ávido por civilizações extraterrenas, tolhido por uma fria e cética colega de trabalho, na relação universal entre Razão e Loucura, no jogo de sedução entre opostos, na noção dialética de que tudo traz em si sua própria contradição, na metáfora de que há dois lados para cada moeda. O canídeo aqui está completamente adaptado a tal terreno, tendo nascido e crescido ali, cheio de instintos, como um gato do mato, agressivo, longe de um gato doméstico, cercado de cuidados civilizatórios, numa pessoa que assim foi entalhada pela Vida, tendo toda uma força para mandar o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, pois não posso ser prisioneiro das expectativas de outrem, ao contrário de pessoas que deixam que o Mundo as diga como devem viver, o que não é bom. Os olhos do lobo são aguçados, afiados e precisos, como num foco científico, de escopo, no modo científico de foco, como um certo rigoroso professor de Fotografia, o qual dizia em alto e bom som aos alunos: “Foco!”. O lobo é a beleza natural, seduzindo biólogos, no amor pela Vida, fazendo das plantas e dos animais obras de Tao, numa Terra tão rica em Vida, em meio a um Cosmos tão aparentemente sem Vida, no modo como seriam igualmente assustadoras duas perspectivas: Haver Vida repleta no Cosmos ou só haver Vida na Terra. O lobo remete ao clássico Dança com Lobos, num Kevin Costner que não soube conduzir muito bem a carreira, não tendo sobrevivido ao Oscar que ganhou por tal filme, no modo como o sucesso é uma bênção e uma maldição, pois quando o sucesso vem, temos que nos desprender de tal momento delicioso para nos depararmos com uma folha em branco, nova.

 


Acima, Outra sala. A ave é a liberdade do pensamento racional, como na personagem Feiticeira do universo de He-Man, numa mulher que se transformava em águia para se comunicar telepaticamente, na sensibilidade de uma pessoa próxima a nós se comunicando telepaticamente, não precisando proferir uma só palavra, como na personagem Galadriel de Tolkien, comunicando-se desta forma, numa superioridade de sabedoria e sensibilidade, na plenitude psíquica inexistente no sociopata, o qual tem um apuro moral paupérrimo, na esperança de que a Eternidade é o tempo para qualquer evolução, na noção taoista de que a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, na noção espírita de que Deus é o Infinito, no poder imensurável de que jamais findaremos – é poder demais, meu irmão! A janela é a perspectiva, o momento de liberdade e soltura, como um presidiário mal podendo esperar pelo dia de soltura, num inferno que é um presídio, o qual é a prisão dentro da prisão, visto que estar encarnado já é uma prisão por si só, na imagem de esperança e liberdade do Espírito Santo, na capacidade de certas pessoas em se tornar figuras nas quais o povo pode depositar esperanças, e como são raras tais figuras, num Ser Humano simpatizando com forças ditatoriais, oprimindo e aterrorizando o pacato cidadão. A parede aqui é vibrante, como na sala de estar de uma certa pessoa, com uma parede toda em vibrante rubor, como uma feiticeira que vi certa vez num shopping, uma mulher bela, de vermelho, numa beleza como uma relva verde, jovem, linda, exuberante, uma feiticeira cuja pura energia me deixou extasiado, nessas raras pessoas que podem causar em nós uma deliciosa sensação de eletrização na coluna vertebral, numa energia boa, vibrante e irresistível, uma feiticeira da qual nunca me esquecerei. Ao fundo vemos uma paisagem americana, com pinheiros de perfume campestre, no olor de ar livre na madeira cortada pelo lenhador, num perfume de ar livre, como nos antigos filmes publicitários da marca de cigarro Marlboro, na liberdade ao ar livre, no modo como, hoje em dia, são proibidíssimas as campanhas publicitárias de cigarro, as quais, outrora, tinham a liberdade para linkar o cigarro à ideia de saúde, beleza, liberdade, interessância, bem estar e sensualidade – sinais dos tempos. A sala aqui é solitária, e a ave está sozinha, num breve momento de introspecção e recolhimento, nos versos de uma certa canção rock: “Todos precisamos de momentos a sós!”, como Deus no formidável filme Dogma: Solitário, mas engraçado! É o particular senso de humor humano, na capacidade do Homem em rir de si mesmo, em formidáveis palhaços como Mr. Bean, na capacidade humana de rir de tudo e todos, nas divertidas contradições entre Yin e Yang, no jogo sedutor entre Masculino e Feminino, pois os sexos são uma prova do bom humor de Tao, como já disse uma mãe famosa: “A gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres!”. Ao fundo, lá fora, vemos majestosas montanhas, como nos morros cariocas, como no Cristo Redentor, como na beleza dos recortes geológicos serranos gaúchos na estrada Rota do Sol, nesta terra tão linda como o Rio Grande do Sul, na altivez do gaúcho, cantando o Hino Gaúcho em aberturas de jogos estaduais de Futebol, no modo como há um local em Brasília que se diz: “A embaixada do Rio Grande em Brasília”. Nesta altiva ave, vemos pinceladas de dourado, como nos uniformes da Seleção Brasileira de Futebol, num país que, apesar de pobre, é ao mesmo tempo rico, com uma Cultura Popular tão vibrante, rica, num país continental, repleto de riquezas naturais, precisando de investimentos em infraestrutura. Aqui é o perfume de pinho ao ar livre, como no desinfetante Pinho Sol, trazendo frescor a uma privada suja e pestilenta, nos rituais humanos de limpeza e higiene, ao contrário do insalubre Egito Antigo, no qual a mortalidade infantil era alta e a expectativa de Vida era baixa, no caminho evolutivo do Ser Humano, ou seja, esperança.

 


Acima, Quintessência. O corno é o falo, na lança de São Jorge matando o dragão da loucura e da malícia, no modo como o pensamento racional abrevia etapas e facilita o pensamento. A lança aqui mata a serpente do Éden, o que causou a desgraça de Adão e Eva, com ambos sendo expulsos por um anjo com a espada do raciocínio. O jardim é florido, na explosão de cores primaveril, quando a Vida ressuscita e a Natureza retoma fôlego, num êxtase de acasalamento, em borboletas espalhando o pólen pelas plantas, fazendo do Sexo algo natural na Vida. O unicórnio é este fascínio que ele exerce sobre as menininhas, as quais, na sua inconsciente inocência, amam tal figura mítica, sem ter a clareza de que tal fascínio reside no falo, que é a força do Yang, na agressividade de pessoas guerreiras, batalhadoras, que não ficam “deitadas eternamente em berço esplêndido”, como um certo senhor herdeiro de uma coroa imperial, um senhor que nunca fez algo de produtivo da Vida, achando-se sexy demais para trabalhar, e a Vida sem trabalho é vazia e sem propósito, nas sábias palavras de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”. Em certas culturas, a serpente não é símbolo de maldade, mais de fertilidade e sensualidade, com seu corpo curvilíneo, na sensualidade água correndo, como uma modelo na passarela, requebrando os quadris, num ato de sensualidade feminina, como em clubes de striptease, com os homens na plateia se achando um lixo frente a tal bela mulher no palco, no modo como todos envolvidos na prostituição se sentem um lixo: A prostituta ou o prostituto se sentem um pedaço de carne, humilhados, reduzidos; já, quem os contrata também se sente um lixo em saber que tal pessoa está ali não porque amam, mas pelo dinheiro, sem eu aqui querer ser moralista, pois são pessoas que desperdiçam uma encarnação fazendo do Sexo um leilão – você não está construindo coisa alguma; você não está chegando a lugar algum. O cavalo remete ao cavalo mítico de Tolkien, o Scadufax, branco, nobre, o mais rápido de todos, disciplinado, domado, leal, no modo como os seres humanos amam animais, os quais podem ser fiéis companheiros, como uma pessoa solteirona que conheço, a qual tem dois cachorros em casa, no modo como uma vida pode, de algum modo, girar em torno de um bicho: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho. O cenário aqui é paradisíaco, idealizado, querendo se aproximar da perfeição dos lugares do Plano Metafísico, um lugar longe das vicissitudes da matéria, como vírus, bactéria e mosquitos, por exemplo, um lugar de plena saúde, metal e física, com nossos entes queridos desencarnados e abençoando-nos lá de cima, no modo como o Desencarne é só uma questão de tempo, pois ninguém está na Terra para sempre, fazendo desta um lar de passagem, um lar adotivo, por assim dizer, no modo como nós, em nossos dias de prisão, temos que encontrar algo de nobre e produtivo para fazer, na eternidade do trabalho, no modo como nunca podemos parar, tirando apenas folgas, pois não há sentido numa vida indolente e improdutiva. O falo aqui impõe respeito, numa pessoa digna e cordata, sabendo que o Mundo só pertence aos dignos de respeito, aos austeros, evitando a sedução dos sinais auspiciosos do Mundo, como tediosas alas vip de boates, havendo nestas um tédio enorme, pois a festa acontece no coração da pista de dança, numa pessoa que aproveitou muito seus dias de pós adolescência para ferver na boemia, vivendo intensamente tal fase, deixando tal fase para trás, abraçando a quietude de uma idade mais avançada, numa pessoa pacata, que vive seus dias com discrição e humildade, em pessoas pacatas e discretas como uma Meryl Streep, na recomendação taoista: Seja mais Yin dentro de si mesmo, deixando o Yang lá fora, no Mundo. Aqui é como no majestoso Aragorn de Tolkien, fincando fundo uma lança no inimigo, num trabalho de incisão, na metáfora sexual, com o pênis adentrando com tudo no corpo da mulher, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo criou? Aqui é a vitória do limpo sobre o sujo, do Bem contra o Mal, num remédio como nas drogas psiquiátricas, em avanços humanos científicos.

 


Acima, Rei Chita. Aqui é como uma guerra entre animalidade e tecnologia, como no início do clássico 2001, no contraste entre uma primitiva ferramenta óssea até a alta sofisticação de estações no espaço, na imposição do monólito, de clara intervenção alienígena, na crença ufológica de que nós estamos cercados de vida inteligente, inclusive mais inteligente do que o Homem, num Cosmos que, de tão vasto, é infinito, na máxima islâmica de que Alá é grande. A chita é a inimiga da Mulher Maravilha, na guerra entre razão e animalidade, num homem polido, diplomático, sempre buscando as coisas pelo caminho do diálogo e da concórdia, havendo na MM um ícone feminista, numa mulher independente, que trabalha, que não é perua ou dondoca, numa mulher blindada, de superforça, dando uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado, no caminho da emancipação, desafiando o patriarcado, como na canção de Madonna Papa don’t preach, ou seja, Papai não dê sermão, no preconceito patriarcal no qual a mulher é um cidadão de segunda categoria, tendo que ser representada e respaldada por um homem, seja o marido, o pai, o patrão, o presidente, o papa etc., no modo como, sinto em dizer, a própria mulher é machista, nas palavras desta mesma popstar em entrevista certa vez: “Muitas mulheres gostariam que eu me calasse e fosse embora!”. O mecanismo aqui são os avanços da robótica, no modo racional humano de imitar a Natureza, em máquinas que visam substituir algo, como em indústrias, nas quais os robôs infalíveis fazem seu trabalho, poupando o Ser Humano de tal labor, na tecnologia em serviço da Humanidade, no gostoso pecadinho capital da Preguiça: Para que me matar fazendo biscoitos à mão se posso fazê-los muito mais facilmente por meio de um robô? A luz aqui é sexy, cor de carne, cor de rosa, na cor do romantismo, ou na cor rubra de bordéis, com tudo cheirando a Sexo, no famoso reduto boêmio parisiense do Moulin Rouge, ou seja, o Moinho Vermelho, ou no glamour do tapete vermelho das celebridades, num Mundo obcecado por sucesso mundano, por fama, por dinheiro, no modo como a pessoa mal sucedida se sente um lixo, fazendo do sucesso algo tão complicado, pois, doce ou amarga, esta página terá que ser virada: O insucesso é ruim porque é depressor e prostrante, desanimador; já, o sucesso é também ruim, porque temos que saber superá-lo e tocar a vida para frente, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje pode estar comigo, mas amanhã não se sabe, no modo como um Oscar pode ser uma bênção e uma maldição, na noção taoista de que o sucesso é a aquisição de um problema, como numa queda de braço, pois quem perde se torna o homem maior, e quem ganha entra em inferno astral. A chita aqui tenta amordaçar e dizimar o robô, no instinto versus tecnologia, num homem cordato que tem a capacidade para sentar e conversar civilizadamente, em esternos esforços pela Paz, esta força tão subestimada pelo Ser Humano, que é um ser inclinado ao ódio, à raiva em relação a seu irmão de caminhada, em um Caim eternamente matando Abel, como na Guerra das Malvinas, com baixas em ambos os lados do tabuleiro, tudo em torno da vaidade de duas nações, com a Argentina reivindicando o território e a Inglaterra não abrindo mão, numa Thatcher agressiva, dura, inflexível, negando o caminho da diplomacia, num território que deveria ser o símbolo da amizade entre duas nações, na metáfora cromática de amarelos contra azuis, com o verde no meio, num canal de diálogo. A sombra do felino no fundo do quadro lembra a logomarca do famoso desenho dos Thundercats, em um clã de heróis felinos, sobrevivendo em um planeta estranho, cheio de forças malignas, na espada de Lion, o líder da trupe, com a lâmina crescendo, numa inevitável metáfora peniana. Os fios do robô são como veias e artérias, em energia viva fluindo, na seiva da planta, em vias e estradas alimentando uma urbe, em urbes frenéticas como São Paulo, com levas intermináveis de motoboys.

 


Acima, Visão noturna. Aqui remete ao tenebroso, porém maravilhoso filme O Silêncio dos Inocentes, quando no porão de um sociopata a agente Clarice está às escuras, enquanto o sociopata está com óculos de visão noturna, como na visão noturna felina. Aqui temos as cruas leis da Natureza, com carnívoros caçando herbívoros, em leis que parecem cruéis, mas que são necessárias para a Vida. A pantera negra é como na capa do disco solo de Victoria Beckham, a ex spice girl, uma capa arrebatadora, com a artista junto a uma pantera, uma capa que promete um grande álbum, mas um álbum que acaba muito aquém das expectativas, num trabalho pobre, sem canções dignas de tocar no Rádio, nesse amante infiel que é o sucesso, como na finada boyband N’Sync, a qual era carregada nas costas de Justin Timberlake, o único que soube de fato ter uma carreira solo após a dissolução de tal banda. A pantera aqui é possante e forte, como num sedutor carro esporte, em bens de consumo cobiçados, com ricos jogadores de Futebol ostentando tal luxo, no problema que é ter dinheiro demais, numa pessoa que não sabe como investir, no modo como um ganhador de loteria pode ser, ao mesmo tempo, tão miserável, numa vida desolada, cruel, mesmo tendo tanto dinheiro, na noção espírita da miséria vazia que é a vida de uma pessoa rica improdutiva, fazendo do trabalho algo que impede a pessoa de viver em um mundo que não é o real, no modo como o Mundo está repleto de trabalho, por todos os lados, com as pessoas fazendo suas coisas, desde um humilde gari até um alto executivo, no modo como a pessoa desencarna e depara-se com a necessidade de se manter produtiva, na maravilha do Plano Metafísico, no qual não há desemprego. O animal abatido aqui é tal vítima, como no insano assassinato de um nobre rapaz que conheci, um príncipe, uma pessoa boa, educada e inteligente, um rapaz qual foi brutalmente assassinado num assalto em Porto Alegre, tudo em nome das ambições mundanas do assassino, um pobre coitado sofredor que não tem ideia da tragédia que cometeu, um bandido vagando pelas terras de sofrimento do Umbral, um bandido que, definitivamente, não tem como estar ok, numa vida que é um inferno perene. As florzinhas no chão são a magia das flores silvestres, as quais não tiveram que ser plantadas para florescer, como nas flores azedinhas, com o caule para se mordiscar, no modo como as delícias da Vida estão em aspectos simples, como olhar para um céu azul, encher os pulmões de ar e agradecer a Deus por ter saúde, pois, no frigir dos ovos, saúde é tudo, seja física, seja mental, havendo na figura do médico tal dignidade, num homem que está no Mundo para trazer tal saúde, nos sonhos de uma pessoa em se tornar médico, buscando assim ser respeitado. Os olhos aqui são como faróis de carro, na grande invenção que é o Automóvel, no caminho da praticidade e da facilidade: Por que puxar um veículo com vários cavalos de posso fazê-lo mais facilmente num veículo de tração mecânica? A pantera aqui é um momento de importância, abocanhando a presa, num trabalho de precisão e persistência, na inevitável luta pela Vida, no pão de cada dia que tem que ser ganho, nas responsabilidades de um pai em prover um lar e uma família, em pais amorosos que nada deixam faltar dentro de casa, abraçando responsabilidades como arcar com a mensalidade do colégio dos filhos, como uma mulher que conheço, a qual se tornou mãe ainda adolescente, tendo que aprender “na marra” a ter juízo e responsabilidade, em certos sacrifícios que a Vida exige. A pantera se esconde na escuridão, como num esperto camaleão, trocando de cor para ficar invisível ante a presa e, assim, abocanhar esta, em aspectos tão peculiares de Biologia, em seres exóticos, na riqueza natural da Terra, algo de dar “inveja” a outros lugares do sistema solar, como em planetas mortos como Marte, num deserto gélido de atmosfera irrespirável. As garras da pantera são a tenacidade, a persistência, numa pessoa que sabe que tem que persistir se quiser obter sucesso, num espírito guerreiro, numa pessoa que não se “atira nas cordas”.

 

Referências bibliográficas:

 

Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Andando com André (Parte 2 de 2)

 

 

Falo pela segunda e última vez sobre o pintor francês André Derain. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A secagem das embarcações. Aqui remete à beleza do Rio de Janeiro, uma cidade a qual, de longe, do topo do Cristo Redentor, é perfeita e linda, mas uma cidade que, de perto, é repleta de vicissitudes, feiúras e imperfeições, no modo como é a Dimensão Material a qual tenta imitar a perfeição da Dimensão Imaterial, pois matéria é nada e pensamento é tudo, no modo como a riqueza da passagem de Jesus na Terra reside nos pensamentos que tal homem genial propagou, e não numa lasca da cruz onde Ele foi crucificado, nesta fixação humana pelo material, pelo objeto, pelo tangível, pelo bem de consumo, no modo como somos todos prisioneiros de Matrix: Tenho que trabalhar como um burro de carga para comprar um carrão último tipo, ou seja, somos vítimas da Sociedade de Consumo. A água aqui é bem límpida, como num amigo transparente, verdadeiro, um amigão que quer nos ver felizes, na eternidade das amizades, pois o Amor nunca morre, e teremos tais amigos para todo o sempre, no modo como as brigas, os desentendimentos e as mágoas não são eternos, no caminho natural do perdão: Claro que te perdoo, irmão! O dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é Amor, como um certo senhor que ganhou na loteria, com pessoas se aproximando dele não por amar este, mas pelo dinheiro – você não faz ideia a qual nível fica reduzida uma pessoa considerada feliz na Terra, ou seja, os ganhadores das loterias, na sabedoria de que podemos ser felizes com pouco, sem sermos donos de meio Mundo, como uma certa senhora caxiense, rica, mas uma senhora com raízes humildes, da zona rural, dizendo em entrevista: “Saí da colônia mas a colônia não saiu de mim!”, na capacidade áurea de uma pessoa em se manter humilde, pois a arrogância precede a queda, como um certo rapaz comediante brasileiro, um diamante bruto precioso, pronto para ser lapidado, mas um rapaz que embarcou numa de se achar o maior deus de todos os tempos, um rapaz que acabou perecendo, o que é uma lástima, pois falo aqui de um talento visível, na arrogância de uma pessoa se achar imune a vicissitudes, achando que estas são para os outros. Aqui são como barcos pesqueiros, no labor do dia, da jornada, na incumbência de trazer o pão para casa no fim do dia, nas responsabilidades de um pai de família, naqueles paizões zelosos, que nunca deixaram algo faltar dentro de casa, ou no zelo materno, de manter a roupa limpa, no modo como uma pessoa, ao sair de casa e morar sozinha, sofre um “choque térmico”, sentindo forte falta de tais zelos do lar primordial, num processo de “desmame”, até a pessoa aprender a morar sozinha. Aqui podemos ouvir o som do mar na orla, no olor sedutor de mar, na sensação de libertação na beira da praia, na sensualidade do espaço vazio da beira, uma página em branco na qual podemos escrever, no modo como a sensualidade reside exatamente nos espaços vazios, pois estes são úteis aos usos do dia a dia, como uma mesa de centro numa sala, servindo para receber coisas, objetos como um celular ou uma xícara de chá, na capacidade do homem de Tao em ser útil ao Mundo, no poder da austeridade e da dignidade, num homem nobre que conquistou o respeito das pessoas, como no Rei Pelé, um homem que se manteve humilde até o últimos  momentos de vida, pois não é insuportável uma pessoa arrogante, que se acha perfeita? Não é o Ser Humano um ser narcisista e prepotente? As velas aqui são brancas e límpidas, assim como a água, como numa política francesa recentemente, nadando nas águas do rio parisiense para mostrar que tal rio está apto a receber as provas olímpicas de Paris, no ônus do progresso, como no cheiro de ovo podre do rio paulistano do Tietê, mais uma das vastas provas de que a Terra tenta imitar o Céu. Aqui remete ao gigantesco e imponente balneário de Camboriú, uma espécie de Nova York à beiramar, com suas torres altas e arrogantes, elitistas, com as luxuosas embarcações da água, num caminho de elitização, como nos altos preços da cidade de Gramado, numa especulação imobiliária que faz aumentar o preço dos aluguéis dos espaços comerciais da cidade serrana.

 


Acima, A última ceia. Aqui é o mágico momento da missa, quando todos temos a mesma coisa no estômago, no lembrete de que somos iguais perante Ele, na imortal nobreza que reside em cada um de nós, no sangue estelar eterno, havendo na Terra a metáfora das famílias de realeza, cuja nobreza serve para nos fazer entender que somos todos da mesma infinitude imaterial, remetendo a uma dimensão acima, mais nobre, mais bela, onírica, indestrutível. Jesus aqui, é claro, é o centro da cena, na iluminação do Filho de Deus, fruto de Imaculada Conceição, a qual serve para nos fazer entender que somos todos frutos de tal Imaculada Conceição, na poderosa imagem da Virgem, pois as afinidades são totalmente mentais, espirituais, na metáfora do Telefone, numa comunicação de pensamento para pensamento, sem influência da Matéria, da paixão e do sofrimento. Um dos discípulos descansa a cabeça Nele, num ato de Amor e rendição, curvando-se perante a perfeição do homem mais notório da História da Humanidade. O vaso florido ao centro é a Vida, o poder da Vida, no único caminho que existe, que é Tao, em nossos anjos da guarda sempre nos levando pelo único caminho, na eterna inclinação humana em tomar atalhos, ignorando a importância da fineza e da polidez, da verdade, do Amor, num Ser Humano que acha que existe poder na grosseria, o que é um equívoco, como nos finos esforços diplomáticos em nome da Paz e da concórdia, num homem de Tao, que evita a guerra, nesta eterna paixão humana pela guerra, sendo a guerra a responsável por deixar rastros de fome e destruição, como no júbilo de terroristas ao ver queda das Torres Gêmeas, na alcunha do vilão Esqueleto: “O senhor malévolo da destruição”. A mesa é branca e limpa, na limpeza e no perfume do metafísico, como dizem que o médium Chico Xavier tinha um perfume espiritual fascinante, delicioso, no poder das fragrâncias mundanas, as quais giram em torno do que importa, que é a elevação moral, num Chico de humildade indestrutível, dizendo-se um mero carteiro, num homem que foi muito, muito além disso, trazendo alento principalmente a mães que perderam os filhos, na famosas cartas psicografadas, num canal de comunicação entre Terra e Céu, na promessa cristã do Reino dos Céus: Fulano não vai resolver os problemas do Mundo, mas Fulano pode ser uma figura na qual o povo possa depositar esperanças. Aqui temos um Jesus com um incrível poder magnético, carismático, unindo as pessoas, como um Sol unindo um sistema solar, na capacidade de certas pessoas em unir as pessoas, ao contrário do sociopata, o qual só quer desunir e destruir, plantando a discórdia entre os seres humanos, como uma certa senhora sociopata, a qual, no frigir dos ovos, é um animal que não sabe e nem quer saber viver em sociedade, na sabedoria de que a Paz é maior do que a raiva. Aqui as palavras de Jesus ecoam por milênios, até chegar ao ponto do césar romano se converter ao Cristianismo, numa Roma a qual, no passado, perseguia e oprimia os primeiros cristãos, na capacidade das ditaduras em oprimir e aterrorizar um povo: Quanto mais Tao tenho, menos quero controlar as pessoas, na humildade de um líder em se considerar um de seu povo, no caminho democrático de igualdade, no povo elegendo os próprios líderes, em povos miseráveis como os chineses, impedindo de eleger seu presidente. Aqui é o poder de um homem de Tao, unindo as pessoas, num espírito que odeia as guerras e os desentendimentos, até chegar ao ponto da pessoa ter pavor de mentir, sendo o Espírito da Verdade um dos entes metafísicos que inspiraram Kardec na concepção da Doutrina Espírita, assim como Santo Agostinho, na noção de que somos todos prisioneiros de um corpo carnal, mas uma prisão que não é perpétua, na sobrevivência da mente à morte do corpo físico, na questão de que temos que fazer algo de válido e produtivo de nossos dias na Terra, ao contrário de atividade de prostituição, com pessoas que fazem do Sexo um leilão, como na santa Maria Madalena, vislumbrando algo mais nobre do que a prostituição, sem eu aqui querer ser moralista demais. A porta arqueada ao fundo é a saída, a libertação, havendo na ressurreição de Jesus o puro desencarne, Nele voltando ao lar primordial, na qual só há amigos.

 


Acima, Autorretrato em estúdio. Os autorretratos são a tentativa de uma pessoa em se enxergar de fora, vendo a si mesma como os outros a veem. O momento aqui é de labor, como numa humilde Gisele dizendo: “Tenho que trabalhar!”. Aqui temos a ironia de metalinguagem, pois é césar falando de césar, ou seja, a o pincel de Derain falando sobre os pincéis de seu próprio estúdio. Aqui são essas pinceladas modernistas de Derain, num pincel apaixonado, impetuoso, na formidável transgressão impressionista, derrubando por terra a Arte Acadêmica, numa Tarsila do Amaral exposta num museu de Buenos Aires, nesse insano galgar de inovações, como hoje em dia, numa era em que se perdeu o suporte físico do Vinil, do VHS, do CD e do DVD, quando que hoje tudo é software, na era do Download e do Streaming, causando perplexidade à minha geração, a qual viveu os últimos suspiros da Era Analógica, mas num galgar tecnológico que pouco perplexidade causa em gerações mais jovens, que nasceram entre os anos 2000 e 2010, gerações completamente digitais, as quais não fazem ideia do telefone de gancho e do televisor de tubo. Derain aqui está retirado, evitando ser o centro do quadro, como numa pessoa discreta, numa pessoa avessa a midiatizações e celebrizações, na crítica mordaz de Allen em Celebridade, um cineasta que caga em cima do stablishment das celebridades, com o perdão do termo chulo. O traje aqui é escuro e discreto, digno de um funeral, como certa vez, quando eu estava num funeral, duas senhoras reprovaram minhas vestes azuladas e esverdeadas, no modo como nos funerais indianos as pessoas vestem vestes coloridas, em diferenças culturais, mas diferenças não abismais, pois o Patriarcado é universal, na figura indígena do cacique, como se fosse uma compensação masculina frente ao poder das mulheres, que é trazer Vida o Mundo, numa mulher de burca que está reduzida a propriedade de um marido, fazendo da mulher uma moeda de troca, num pai negociando a venda da própria filha, nas palavras de uma certa jovem, a qual dá sinais de se tornar feminista: “Que machismo essas festas de quinze anos, com o pai exibindo a filha como se esta fosse um pedaço de carne!”, na capacidade feminista de ter a coragem de transitar contra o vento patriarcal, nas nossas elites intelectuais, pensando contra a ignorância e o preconceito, no triste porém fabuloso fato de que a Filosofia não muda o Mundo, mas muda o modo da pessoa se relacionar com tal Mundo, pois nem Jesus na Sua suprema majestade soube resolver os problemas do Mundo. O quadro aqui é um tanto sombrio, numa sobriedade, numa pessoa que aprendeu o valor da discrição, como uma senhora discretíssima que conheço, discreta no modo de falar e de se vestir, uma mulher que, de tão discreta, evita usar muita maquiagem, só se maquiando, ainda que sobriamente, para eventos como casamentos, como na sobriedade inglesa, num monarca que se vê inclinado a representar tal discrição de um povo. Podemos ouvir aqui o cheiro de tinta, como chegar a uma mostra de Arte e sentir cheiros peculiares pela galeria de exibição. Neste quadro, temos um inabalável silêncio, num lugar de quietude e produtividade, numa pessoa que encontra vida em sua rotina, sabendo que o indivíduo tem que se centrar, ao contrário de uma pessoa alcoólatra a qual nunca se centrou, fazendo da Vida uma aventura, no modo como todos sempre temos que ter os pés no chão, na questão amorosa: Flores exuberantes sabem conquistar um coração, mas é necessário que as coisas comecem pela cabeça! O rosto aqui está parcialmente oculto, no discernimento taoista de que há dois lados para cada moeda, e que fácil e difícil são faces do mesmo trabalho, no modo como não existe trabalho que nos dê 100% de prazer, pois é necessário que tenhamos disciplina, na importância de se sentar e produzir algo, havendo miséria existencial na vida de uma pessoa improdutiva, nos versos de uma canção de Macy Gray: “Levante-se e faça algo! Como você vai obter sucesso se você sequer tenta?”. A Arte existe para nos libertar, e aqui Derain parece querer se libertar do quadro, num impetuoso cavalo.

 


Acima, Janela para o parque. A janela é o vislumbre de possibilidades, como no famoso espírito Patrícia desencarnando, deparando-se com a vida metafísica, numa readaptação, encarando uma nova vida, na perfeição do Plano Superior, o qual é amplamente imitado na complicada dimensão que é a Terra. As flores são a beleza da Vida, na explosão libidinosa primaveril, com ursos famintos acordando da hibernação, abocanhando salmões que correm rio acima para a reprodução, nos ciclos da Vida, como girinos ensandecidos num rio, numa memória de infância que tenho, com várias coloridas flores de lantanas assediadas por borboletas ensandecidas, num sopro de frescor como a Vênus primaveril de Botticelli, na revelação da mãe mar numa concha, com o olor de mar, numa beleza revelada, como no descobrimento do famoso busto de Nefertiti, na beleza egípcia de uma mulher que obteve muito poder num Egito de homens, no qual o máximo que uma mulher podia almejar era ser líder do numeroso harém do faraó, numa Nefertiti que governou o Egito entre a morte de seu marido Aquenáton e a chegada do enteado dela, Tut, à maioridade. A cortina aqui é a magia de uma revelação teatral, quando o diretor entra em nossas mentes e nos traz para o enredo, na missão da Arte, que é penetrar em nossas mentes, como grandes sucessos do Cinema, em comoções mundiais como Parque dos Dinossauros, fazendo de Spielberg tal deus sagrado de Hollywood, nestes homens que se tornam extremamente respeitados, numa Hollywood volúvel, como num Mel Gibson, o qual já ocupou o topo da cadeia alimentar hollywoodiana com Coração Valente e enterrou-se com um filme que culpou os judeus pela morte de Jesus – se você quer obter sucesso em Hollywood, não mexa com os judeus! O jarro é a serventia, num objeto útil no dia a dia, na capacidade de uma pessoa em ser tal vazio útil, num homem de Tao, que se coloca para o Mundo, contribuindo para este, na magia sedutora dos espaços vazios, como um armário vazio, que serve para guardar as roupas, ao contrário da pessoa improdutiva, que em nada contribui para o Mundo, pois na Vida é preciso ter três coisas: Trabalho, trabalho e trabalho, mas não a um ponto exagerado de workaholic, numa pessoa que só trabalha e não vive, pois até no Plano Superior as pausas são necessárias, no fato bíblico de que Deus descansou no sétimo dia, ou seja, se até Ele descansou, tenho que descansar também, como no laborioso colono italiano no RS, um colono que só não trabalhava no domingo porque a religião e o padre não permitiam. Ao fundo vemos uma floresta rica, como uma sala de estar ao ar livre, na magia de uma sala limpa, perfumada, com finos cristais no teto, num anfitrião fino, que faz com que nos sintamos à vontade, na imposição natural da hierarquia espiritual, a qual é irresistível, ao ponto de eu fazer questão de obedecer ao meu irmão mais depurado do que eu, ao contrário da Terra, na qual a hierarquia é imposta à força, goela abaixo, nas rígidas hierarquias militares, plantando medo nos subalternos, na existência das ditaduras, impostas à força, no imperfeito modo humano, na estupidez das imposições, em irmão maltratando irmão, e isso não é Tao, pois quando mais Tao e nobreza tenho, menos controle viso obter, no modo como o povo pode perceber que o homem de Tao não é um estúpido grosseiro, pois o homem que tem classe nunca se impõe à força, em homens nobres como Chico Xavier humilde, modesto, agradável, acolhedor, sabendo que não é o centro do Universo, ao contrário do sociopata, que se acha Deus – é um horror. A mesa aqui é o depositório, como numa pessoa depositando esperanças em algo, em alguém, no homem de Tao, no qual o povo deposita suas esperanças, num homem de Paz, imune aos apelos sedutores do Anel do Poder, o qual corrompe homens bons. Nesta cena podemos sentir a brisa deliciosa que entra pela janela, num hálito fresco de libertação, no ato básico de se escovarem os dentes, havendo nos rituais de limpeza e higiene a tentativa humana de se aproximar do Metafísico, o qual é limpíssimo, sem uma única bactéria; sem um unido fiapo de pó.

 


Acima, Natureza morta. Nesta cena temos um abandono, numa ausência, como um senhor que conheço, o qual é um pai um tanto ausente, o qual em nada contribuiu para o pagamento das mensalidades das faculdades de seus filhos, como no personagem de As Horas, numa mulher que fugiu das responsabilidades, abandonando o filho para este ser criado por outrem, como na fuga de se tomar um calmante para dormir, numa Barbra dizendo que, na maior parte do tempo, gosta de nada fazer, em momentos de contemplação, fugindo dos estresses do Mundo, nessas vidas frenética de compromissos e responsabilidades, nas sábias recomendações de um professor que tive na minha faculdade: “Não se estresse demais!”, ao contrário do neurótico, como nas patologias do genial Woody Allen, um gênio que construiu um estilo próprio, num homem que já disse em entrevista: Vai desencarnar e deixar tudo, tudo para atrás, inclusive a carreira mundana, nos versos de uma canção jazzística: “Ninguém se importa comigo. Estou feliz como posso ser. Aprendi a amar e viver. Talvez o Diabo pode se importar!”. Nesta cena temos uma discrição e uma sisudez, pois não se trata de uma explosão exuberante de cores, num quadro sério. A cadeira é o merecido repouso, como no fim de uma jornada de trabalho, para pessoas pragmáticas, para as quais a noite serve para se descansar para, no dia seguinte bem cedo, abraçar mais uma jornada de trabalho, ao contrário das pessoas sensíveis, contemplando o céu noturno e perguntando-se sobre os segredos do Universo. Aqui é uma mesa que já foi usada, no fim de uma refeição, no modo como acontecia na minha casa quando tínhamos empregada: Nós quatro, da minha família, fazíamos a refeição e, depois de sairmos da mesa, a empregada fazia sozinha a refeição, indo contra o costume de uma certa pessoa, a qual gosta que a empregada faça a refeição junto com o patrão – tem gosto para tudo, remetendo a pessoas grosseiras, as quais tratam mal pessoas mais pobres e humildes, como uma senhora que conheço, a qual, ao passar pela zeladora de seu prédio, sequer olha para esta, muito menos dizendo um mínimo “oi”, na ilusão das classes sociais, pois a hierarquia espiritual é relativa ao apuro moral, nos mais verdadeiros regendo os menos. Uma das toalhas da mesa parece cair como uma cascata, num acontecimento de coisas sucessivas, como um processo em andamento, no curso natural das coisas, na sabedoria de que tudo se resolve por si, havendo no perdão o caminho natural da Eternidade, pois as brigas não são eternas, assim como o Umbral não é eterno, pois nossos irmãos pouco depurados vão, naturalmente, crescer e adquirir tal apuro, fazendo do Inferno uma mera casa de passagem, como num paciente internado numa clínica psiquiátrica, na esperança de que depois da noite vem o dia, num banho de luz e libertação, como no passe espírita, numa bênção de nosso irmão que nos ama. O cálice de vinho está meio cheio, num controle e numa renúncia, remetendo à canção majestosa e sutil de Chico Buarque, fazendo um jogo entre “cálice” e “cale-se”, numa classe tal que a canção passou ilesa aos controles de censura ditatorial, na vitória da virtude sobre a vulgaridade, como me disse uma professora: “Os militares eram tão burros!”, assim como Trump, um homem com a cabeça do tamanho de uma ervilha e, mesmo assim, tornando-se o homem mais poderoso do planeta – sei lá, meu irmão. Vemos algum alimento remanescente num prato, na noção taoista: Se depois de um desentendimento, feitas as pazes, sobrar alguma amargura, nada pode ser feito a respeito. A cena aqui está desorganizada, em pleno momento de uso, nas demandas do dia de uma dona de casa, como uma mulher que conheço, a qual abandonou carreira par ser do lar, nas palavras de uma amiga minha psicóloga: “É tão desinteressante uma pessoa que é só dona de casa!”. A luz entra sutil na cena, talvez num Derain morando numa Paris cinzenta, úmida.

 


Acima, O pintor e sua família. Ao fundo temos uma discreta intervenção, numa pessoa misteriosa adentrando na cena, como numa família que conheço, a qual tem uma sociopata inflitrada, uma louca que teve uma concunhada, penetrando na mente desta para, assim, danificar tal família, nessa capacidade do sociopata em manipular as pessoas, na recomendação quanto ao doutor louco sociopata Hannibal Lecter – nunca dê a este informações pessoais. Aqui há toda uma interação, com várias coisas acontecendo na cena, com cada um fazendo alguma coisa, algo fora do real, pois o pintor precisa de solidão dentro do atelier, num retiro, em saudáveis momentos de solidão, como Deus descrito no filme Dogma: Solitário, porém repleto de senso de humor. Vemos uma moça com um cachorrinho, no mascote da casa, nas incumbências de se criar um bicho, em tarefas como comprar ração, levar o cão para este fazer na rua suas necessidades básicas, dar banhos semanais no cão etc., no modo como ter um bicho é trabalhoso e oneroso – tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho, ou seja, uma vida sustentando um animal. Vemos um furtivo gato preto, no símbolo do agouro e do azar, como no gato negro de Matrix, anunciando algo ruim, como trovões anunciando uma tormenta, no modo humano em ver as forças da Natureza em deuses, como Thor, o deus nórdico do trovão, cujo nome é alusivo ao barulho do impiedoso raio de tempestade estourando, como poderosas marteladas. Vemos um pavão, que é a beleza, como nos homens pavão galanteadores, os galãs, para o quais é visceral ter boa aparência, em homens namoradores, populares entre o mulherio, como um certo político homossexual, o qual deve ter sido eleito por causa de uma votação massiva por parte do eleitorado feminino, no modo do homem gay tem suas divas para admirar e cultuar. Vemos uma velha senhora lendo, totalmente quieta no seu canto, sabendo do valor da discrição, como na figura folclórica do Preto Velho, quietinho no seu canto, sábio em sua discrição, só observando os egos ascendendo e descendendo, como numa mensagem de Natal escrita por meu querido avô falecido Ibanez, dizendo que tantos e tantos egos já subiram e desceram na História da Humanidade, e Jesus não, pois Jesus permanece, num homem humilde que se revelou a maior mente de todos os tempos. A senhora lendo é o retiro, numa vida discreta e pacata, como na vida pacata de Meryl Streep, retirada em sua discrição, sabendo que a vida é boa quando é simples, em momentos gostosos ao lar, como fazer uma caneca de chá ou café, nos prazeres simples da Vida, os quais pouco ou nada custam financeiramente. Aqui Derain retrata suas raízes, seu lar, convidando-nos a entrar. O pintor parece pintar a receptáculo de frutas na mesa, na magia de um panetone com frutas cristalizadas, num pão rico, em ocasiões especiais, no modo de um judeu, ao não celebrar o Natal, admitir que é muito bela tal época do ano, nessa questão tão básica que é o respeito às diferenças, mas num ser humano sempre ignorando tal regra de convívio pacífico. Deran aqui está aprumado, engravatado, como se estivesse num café elegante, numa roupa que não procede no momento de pintar, pois qualquer artista pintor veste alguma proteção para trabalhar, como um avental ou um guarda pó, ou uma roupa bem velha e surrada. Aqui talvez tenhamos um Derain vaidoso, querendo ser retratado da forma mais garbosa possível. A mesa é o momento da reunião familiar, com todos à mesa, desfrutando da mesma comida, no momento da missa de comunhão, na igualdade, nos eternos esforços do padre da missa ao nos chamar de irmãos, com todos esses príncipes filhos do mesmo Rei, pois cada um de nós é extremamente único e especial, numa dimensão acima da Terra, no poder do metafísico, que renega as vulgaridades do Físico. A cena aqui tem um certo silêncio, numa sala silenciosa, como no silêncio harmônico dentro de um atelier, no silêncio em que ouvimos o sutil farfalhar de veludo. Aqui temos harmonia, numa vizinhança onde todos são amigos.

 

Referências bibliográficas:

 

André Derain. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 10 jul. 2024.

André Derain. Disponível em: <www.google.com>. Acesso em: 10 jul. 2024.

André Derain. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 10 jul. 2024.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Andando com André (Parte 1 de 2)

 

 

O pintor francês André Derain (1880 – 1954) foi um dos fundadores do Fauvismo junto ao grande mestre Henri Matisse, com formas simples, pinceladas espontâneas, retratos do cotidiano e ímpetos sem estúdios prévios, mas num AD que acabou cubista. Fez também cenários de balé e ilustrações de livros. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Paisagem. A natureza brota libidinosa, com borboletas ensandecidas em cio, na explosão sensual primaveril, quando a vida renasce depois de um inverno de pausa, como nas vinhas, as quais hibernam no inverno para trazer a floração na primavera, da qual se origina então a uva, nos frutos da terra, nas preces de um viticultor para que nenhuma praga estrague seu vinhedo. Aqui são essas pinceladas furiosas e impetuosas, transgredindo séculos de Arte tradicional, como no Modernismo Brasileiro, numa faca que cortou as convenções, os paradigmas de como se pode fazer Arte, trazendo até os dias de hoje, nos quais o artista é absolutamente livre para fazer o que quiser, no modo como a Arte deve ser livre, remetendo aos tempos de ditadura militar no Brasil, controlando o cidadão, espalhando terror, num cidadão oprimido, que não tinha muita escolha, no modo como pode ser frustrante uma censura num filme ou canção, na altíssima classe de artistas como Jobim e Elis, fazendo protestos finos e sutis, indetectados pelos censores vazios e obtusos: “É pau, é pedra, é o fim do caminho!”, como no relato de uma Betty Faria, a qual se viu “nua” e desnorteada na censura da primeira versão da supernovela Roque Santeiro, numa Betty forte a qual, anos depois, deu a volta por cima e encarnou Tieta do Agreste, numa novela de esmagador sucesso, no modo como a Vida vai exigindo que sejamos fortes para virar as páginas, no modo como há tantos e tantos artistas que somem, que param de lutar, e quem parou, desapareceu, como uma talentosa Cindy Lauper, a qual vive até hoje nos anos 1980, incapaz de encarar novos momentos na carreira, o que é uma lástima, pois se trata de uma shit pop muito emblemático dos idos anos aqui citados. Aqui é como se fosse uma grande sala de estar ao ar livre, com carpete confortável, com perfume de óleo de peroba, num anfitrião tão fino, que nos acolhe e nos serve um bom cafezinho, num ato de gentileza e generosidade, como uma senhora caxiense chamada Elizabeth Menetrier, que foi rainha da Festa da Uva de 1969, a qual, ao me receber em sua casa para me dar uma entrevista, serviu-me um café depois. Os troncos aqui são a força da Vida, com raízes profundas, como numa pessoa radicada em algum lugar, vivendo uma vida sólida, produtiva, ao contrário de uma pessoa que está em tal lugar só por ali estar, sem raízes, numa vida vazia e sem consistências, talvez numa pessoa com um estilo de vida tão solitário, como passar sozinha uma virada de ano, num “lobo solitário”, até a pessoa não mais suportar tal estilo de vida, como um amigo meu padre, o qual narrou que, ao morar por um tempo na Itália, disse que sofreu uma grande solidão e uma grande xenofobia, pois, já ouvi dizer, na Itália os brasileiros são sinônimos de casas com palafitas cercadas de jacarés, de favelas paupérrimas no Rio de Janeiro e de prostituição. Ao fundo vemos um lago, um fornecimento de água e vida, remetendo à recente tragédia hídrica gaúcha, com lares totalmente destruídos, num recomeço tão, mas tão duro, no modo como a Vida vai exigindo que sejamos fortes, como passar por uma guerra, no poder maléfico das guerras em deixar rastros de fome e destruição, em inocentes sendo mortos, tudo em nome da busca humana por poder, sempre poder, no maldito Anel do Poder de Tolkien, corrompendo até as melhores almas, e uma prova de busca por poder são as inúmeras pessoas que apostam em loterias, no modo como poder ser inacreditavelmente triste a história de um ganhador de loteria, pois uma pessoa muito especial me ensinou que podemos ser felizes com pouco, no sentido da pessoa se contentar com o que tem, pois se não estou o tempo todo querendo coisas, posso ter paz, pois a ambição é inimiga da paz, como num sanguinário Putin oprimindo um país mais fraco, numa covardia como agredir uma pessoa mais fraca. Nesta cena plácida e relaxante, podemos ouvir o sensual farfalhar das folhas das árvores, numa tarde doce de verão que nos convida a curtir a vida, saindo um pouco da sisudez habitual.

 


Acima, Paisagem da Provença. A grande árvore ao centro é uma imposição e uma advertência, como uma placa de trânsito, na imponência de uma Marta Suplicy, a qual deu uma palestra a uma plateia de adolescentes em 1994 em Caxias do Sul, uma plateia na qual eu, adolescente na época, estava, numa Marta pegando o microfone e dizendo: “Adolescência é uma época me que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, impactando todos na plateia, numa mulher a qual, definitivamente, não é tola, burra ou simplória, como na imponente fachada de um prédio em estilo neoclássico. Aqui é esta paixão de Derain por natureza e paisagens naturais, saindo um pouco das frenéticas loucuras de urbes movimentadas, desejando um pouco de paz e retiro, numa pausa, como na louca São Paulo, com suas levas intermináveis de motoboys indo e vindo, nas demandas de uma cidade tão grande e desenvolvida, numa cidade que me seduz, apesar de eu saber que o Rio de Janeiro é a cidade mais linda do Mundo, na mescla carioca de natureza e urbe, em praias cheias de surfistas e mulheres belas fazendo topless, em certas diferenças culturais, fazendo absolutamente impossível uma mulher muçulmana fazer topless, no machismo patriarcal da burca, numa mulher passiva, que aceita tal posição subalterna, na crueldade patriarcal de dividir as pessoas entre eles e elas, quando, na verdade, o espírito não tem sexo, na metáfora dos anjos assexuados, fazendo dos anjos uma metáfora para nos fazer entender a felicidade dos espíritos livres, no modo espírita como cada um de nós é acompanhado o tempo todo por um anjo da guarda, o qual quer sempre nos guiar pelo melhor caminho, fazendo do Amor a cola que nos mantém unidos, um Amor tão subestimado pelas crueldades habituais do Ser Humano, no modo como não me canso de dizer: Nada mais humano do que ser desumano! Os galhos retorcidos brotam com força, como veias e artérias de seiva gerando Vida, pois já ouvi dizer que a Vida é o nervo da Arte, em estilos de dança sensuais, como a valsa, no momento mágico de interação social, na debutante que abandona as bonecas para abraçar a vida social, na interação com pessoas pelas quais a menina se sente atraída, no desejo adolescente em picos hormonais, querendo beijar, transar e viver, numa pessoa que decide que quer viver, não mais reprimindo a si mesma. As folhas aqui remetem ao cheiro das folhas de plátano no verão, o sensual verão, na gloriosa época de férias, no sisudo momento de encerrar o veraneio e recomeçar a sisuda vida, na divertida tira do genial cartunista Carlos Iotti, com a família Radicci voltando da praia de cara amarrada, mal humorada, na vida que segue se desdobrando em toda a sua seriedade, na luta que não pode cessar. Aqui é a candura de traços infantis, como nos traços infantis de Basquiat, com suas pinceladas rústicas e simples, nas incríveis ramificações de estilos artísticos, libertando a mente do artista, numa Nova York que tanto exala e transpira Arte, em museus arrebatadores como o Met, com milênios de Arte expostos, no lugar mais lindo que eu já vi em minha Vida, fazendo-me imaginar como eu “enlouqueceria” dentro do supremo parisiense Louvre, na riqueza inacreditável da França, o centro do Mundo Civilizado, num novaiorquino que quer tanto quer ser parisiense, na preferência que o Met tem em expor Arte Europeia, no fascínio que é estudar uma língua estrangeira, na necessidade tão básica em se saber falar Inglês, numa língua que se tornou altamente universal, no que o genial Luis Fernando Verissimo disse ser “O Império da Língua Inglesa”, e eu concordo plenamente. Aqui o vento é como um ritmo numa pista de dança, com todos dançando ao mesmo tempo, fazendo de Tao tal “DJ”, com caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é o infinito, ou seja, Deus, nas sábias palavras de Barbra ao final de um show: “Somos iguais, mas não os mesmos!”. O terreno aqui é fértil, num lamentável modo como um lote de arvoredo é devastado para dar origem às cidades, fazendo com que, pelo Google Earth, as cidades sejam borrões cinzentos no meio de verdes naturais, no ônus do progresso.

 


Acima, Retrato de homem com jornal. O jornal é a revolução tipográfica, na publicação de livros e instrumentos de comunicação social, deixando para trás os arcaicos manuscritos. O jornal é tal objeto civilizatório, espraiando notícias e informações, cultura, com colunistas expressando seus pensamentos, na democratização da informação, no fato de que o Conhecimento tem que ser universal. O jornal é tal sofisticação urbana, com notícias da cidade e do Mundo, evoluindo e resultando na inacreditável Internet, num paradigma poderosíssimo, sepultando o telefone de gancho, a televisão de tubo, a carta pelo correio e as extensas enciclopédias, pois hoje é tudo Internet, inclusive dicionários linguísticos, em facilidades de satélites que nos permitem teclar em tempo real com uma pessoa que está do outro lado do Mundo, em avanços que deixam minha geração perplexa, mas tecnologias que são comuns e banais para a geração de meu sobrinho, que nasceu entre os anos 2000 e 2010, uma geração para a qual o DVD é altamente arcaico, pois hoje em dia é tudo software, sepultando o suporte físico dos discos e fitas, cabendo muita, muita coisa dentro de um singelo pendrive – é muito louco! O homem é delgado e fino, lembrando os rostos longilíneos do pintor Mondigliani, já analisado neste blog, como máscaras africanas, em objetos de avanço intelectual – os macacos não esculpem. A cortina aqui traz uma suntuosidade, como em mágicas cortinas de teatro, abrindo e revelando a mágica do cenário, trazendo o espectador para dentro da trama, da peça, no poder da Arte em penetrar na cabeça das pessoas, interpelando-nos como seres humanos – os macacos não recitam Shakespeare. A poltrona é o conforto do lar, do retiro, do descanso e da pausa, no termo carioca “muvuca”, que descreve o aconchego do lar, um lugar no qual estamos tão à vontade, de chinelos, pantufas ou mesmo pés descalços, na máxima de O Mágico de Oz: “Não há lugar como o lar!”. A poltrona aqui é tal entronamento, sendo eu dono e senhor de minha própria casa, como no rei da Inglaterra se sentando em frente à televisão e vendo a programação da BBC de Londres, no papel de um monarca em se manter humilde, alinhado com o povo, na simplicidade de um homem o qual, apesar de majestoso e poderoso, mantém-se alinhado com o povo, com o homem comum, pois quanto mais humilde e simples eu for, mais longe vou, como numa senhora respeitada de Caxias do Sul, a qual, apesar de ser rica, manteve-se sempre humilde em suas raízes na zona rural da cidade gaúcha. O chão é como um quebracabeça, exigindo da cabeça da pessoa que o monta, em desafios deliciosos como palavras cruzadas, as quais amo, num desafio que coloca nossa mente para trabalhar, no sentido da pessoa sempre se manter ocupada, exercitando esse “músculo” que é o cérebro, ao contrário de pessoas que se aposentam e nada mais fazem no lugar, no modo como a palavras “aposentadoria” é uma ilusão, pois ninguém pode parar, tirando, no máximo, férias. O homem aqui está elegante, engravatado, como no garboso chef gaúcho Anonymus Gourmet, um homem arrumando, que sai de casa garboso. A elegância é a sofisticação urbana, numa pessoa que se arruma para ir a um café, como nos chics cafés de Buenos Aires, uma cidade tão cosmopolita e elegante, mas num país que sofre uma crise profunda, num país que carece de dinheiro para fazer obras e melhorias, num enigma: Por que há nações tão ricas e nações tão pobres? De onde vem a riqueza? Podemos ouvir aqui o farfalhar das folhas do jornal, em jornais brasileiros tão poderosos como a Folha de São Paulo, na inteligência dos jornalistas, intelectuais que são nossa elite de inteligência, pessoas cujas cabeças devemos respeitar sempre, em talentosos jornalistas que podem fazer tiradas tão maravilhosas, na vitória da cabeça sobre a bunda. A fita que contém a cortina é um ímpeto controlado, numa pessoa cautelosa, como num leão atravessando cuidadosamente um rio.

 


Acima, Retrato de Matisse. Aqui é uma relação de proximidade e intimidade, com dois colegas de ofício. As cores são vivas e pulsantes, provocadoras, no dom de um popstar em pisar num palco e atear fogo na plateia, um dom que nem todos têm: Comentou-se que os shows de Seal e Lenny Kravitz no Rock in Rio foram shows mornos, sem excitação na plateia, apesar desses dois artistas serem boas vozes com bons repertórios. O cachimbo é o hábito, como tomar um vinho num fim de tarde, numa pausa do cotidiano, num descanso, num happy hour, no momento em que a sisudez do dia dá espaço a gravatas afrouxadas e uma injeçãozinha de álcool no sangue, nas palavras do personagem de Charlie Sheen: “Ninguém gosta do sabor de álcool; as pessoas gostam dos efeitos do álcool!”. Matisse nos encara sério, sisudo, como se estivesse sentindo um peso de responsabilidade, na responsa que é criar filhos, não só provendo estes financeiramente, mas incutindo valores nobres na cabeça da criança, no modo como as crianças estão sempre ouvindo, e se as crianças falam palavrões, é porque ouviram de seus próprios pais, como reza a lenda de que a sanguinária Mary Tudor, que queimou centenas de protestantes vivos em fogueiras – sim, o Ser Humano é cruel –, foi educada de um modo de não saber palavrões, num espírito infeliz, que desencarnou e foi ao Umbral, pois não pode ser feliz uma pessoa que tanto maltrata seus irmãos, no contraste entre glórias mundanas e glórias espirituais. A camisa azul é deliciosa, num mar caribenho, na lembrança que tenho de ter me banhado em límpidas águas caribenhas, aproveitando a viagem, na delícia que é viajar, conhecer lugares, como eu disse a quem me perguntou o que eu faria se tivesse muito dinheiro: “Viajaria!”, na ironia de que o Ser Humano é universal, e não importa para qual lugar do Mundo vamos, pois sempre nos depararemos como mesmo Ser Humano, apesar das diferenças culturais serem aparentemente abismais. Aqui temos um homem vivido, com o pesar dos anos pesando nas costas, no lado delicioso de ser uma pessoa madura, pois não é bom ser jovem demais, pois ao ser jovem demais, fazemos muitas tolices e somos um tanto arrogantes, numa fase da vida em que não temos juízo, sabedoria ou responsabilidade, como guiar um veículo automotor sem ter carteira de motorista, numa inconsequência adolescente, numa época da Vida em que cremos que não encararemos percalços ou dificuldades, num jovem subestimando a seriedade da Vida. Matisse aqui já não é um rapaz jovem, e suas entradas na cabeça assinalam que está no outono da Vida, mas não é verdade que tal idade é um peso fenomenal nas costas, pois o personagem Aragorn de Tolkien é um homem grisalho de 47 anos de idades no auge da virilidade e na flor da idade, com vigor, força e disposição, como um senhor que conheço, o qual se acha velho demais para ingressar num curso superior, o que é uma grande bobagem: Meu irmão, não há um único curso oferecido pela UFRGS que desperte teu interesse? É na delícia de se formar e fechar um ciclo, numa transa com orgasmo, no modo como são tristes as histórias de vida de pessoas que largaram os estudos, subestimando a importância de se fechar um ciclo, como um senhor que conheço, uma pessoa que abandonou a faculdade para nada fazer no lugar – não tem como ser saudável! A barba longa é a sabedoria e a sedimentação de anos de experiência de Vida, como um vinho envelhecendo, num passar dos anos que tanto vão nos ensinando. O quadro aqui, apesar de termos um Matisse sério e quase carrancudo, tem cores alegres e carnavalescas, no fascínio de lustres de cristal, com suas multicores, num salão elegante e garboso, glamoroso, nos lindos clubes metafísicos, num lugar onde ninguém é grosseiro, na vitória do fino sobre o grosso, no equívoco de uma pessoa crer que há força na grosseria, o que é uma ilusão. Uma linha de expressão na testa revela tal seriedade e foco, como na testa envergada da Mulher Maravilha de Gal Gadot, num foco, numa pessoa com meta e objetivo, não vivendo ao sabor do vento.

 


Acima, Retrato de menina de preto. Disciplina é isto o que temos aqui. A menina está comportada, tolhida, numa sisudez adulta, serena, como um professor exigente, que é duro com o aluno, exigindo o máximo deste, naqueles professores bons, que valem cada centavo da mensalidade da faculdade, com aqueles professores que acabam se tornando nossos amigos, numa relação de afeto e intimidade, como duas almas que se reconhecem, talvez vindo de uma amizade de outras encarnações, no poder infinito do amor e da amizade, no amor que é eterno, pois os ressentimentos não são eternos, no caminho natural do perdão, no caminho da Eternidade, num ponto inevitável de perdoarmos nosso irmão, no modo como as mágoas perecem, como uma senhora que foi minha professora, já falecida, uma senhora que hoje, lá em cima, perdoou-me totalmente, no caminho natural do perdão, com todas as questões se resolvendo naturalmente, na noção taoista de que tudo acaba se resolvendo, como um sociopata, o qual passará por muitas vidas e tornar-se-á um espírito nobre de luz e bondade – ninguém é sociopata para sempre. Neste quadro temos uma descentralização, pois a moça está na porção inferior, e temos uma grande lacuna no quadro, um vazio, que é o vazio sedutor da orla, numa página em branco na qual podemos escrever, na serventia do vazio: Um copo é útil porque serve para nos servir bebida; uma janela é útil porque nos faz ver lá fora. É como arrumar enfeites em prateleiras – sempre tem que haver um lugar vazio, um respiro, para nos ajudar no dia a dia, como numa mesa de centro de sala de estar, num vazio que tem serventia, servindo para colocarmos coisas sobre a mesa, como bandejas de cafezinho, no modo como a sensualidade reside, exatamente, nos espaços vazios, na magia do nada, do intangível, do invisível. As mãos repousam pacificamente, disciplinadas, numa elegância e numa polidez, com mãos dignas que servem ao Mundo, numa mãe zelosa, cujas mãos foram úteis ao Mundo, lavando, cozinhando e costurando, no poder dignificante do trabalho, no modo como o Mundo só pertence aos dignos de tal glória, sendo triste e desinteressante a vida de uma pessoa improdutiva, como uma senhora que conheço, uma mulher rica e, ao mesmo tempo, miserável, nada fazendo de seus dias na Terra, abraçando uma vida vazia e pobre, paupérrima, ao ponto de tudo o que resta a tal senhora é cuidar da vida dos outros, fofocando, uma senhora a qual tem um semblante um pouco malicioso, um pessoa para a qual eu não tiro o chapéu, sinto em dizer. A roupa aqui é recatada, muito recatada, com alto pudor e decência, numa moça de família, respeitável, como no contraste entre as irmãs Tieta e Perpétua: Esta, sisuda e discreta, quase morta de tão sisuda; já, a outra é colorida, excitante e exuberante, na capacidade de uma pessoa em exalar vida lidando de forma natural com o Sexo, indo contra ao pecado escuro e proibido católico, sinto em dizer, uma religião na qual temos que pedir perdão por termos nos masturbado – fala sério, seu padre! A cadeira é o entronamento de uma posição social privilegiada, numa família abastada, com crianças criadas de um modo bem austero, como uma pessoa que conheço, a qual reencarnou filha de um casal extremamente exigente em relação a disciplina, uma pessoa que, no colégio, tirava sempre as melhores notas da turma, visando gabaritar todas as disciplinas, uma pessoa cujo semblante era sério quando recebia a prova corrigida e não tirava nota máxima, abraçando uma vida muito séria de responsabilidade, talvez num espírito o qual, numa encarnação anterior, viveu ao sabor do vento, sem responsabilidades, no modo como o passar de encarnações vão nos tornando pessoas melhores, o que é o objetivo da Vida – crescimento e depuração. A gola é o poder transformador das mãos humanas, no talento plástico de associar coisas e fazer coisas novas – os macacos não desenham. O preto é a cor do luto e da discrição, no preto dos hábitos de freiras, numa vida de retiro espiritual, talvez num espírito o qual, numa encarnação anterior, foi mundano e fútil.

 


Acima, Sábado. Aqui é o delicioso retiro do lar. Uma moça costura pacientemente; outra lê. A mesa é o momento de reunião, quando todos nos unimos pela barriga, na reunião em volta de uma das necessidades mais básicas, que é a alimentação. É a magia distributiva, como um sol num sistema solar alimentando os filhos planetas, como uma travessa de comida ao centro de uma mesa, servindo-nos e unindo-nos em torno de algo comum, como no momento da comunhão na missa, quando todos temos a mesma coisa no estômago, na capacidade de um líder em unir o povo, como num patriarca, como dois senhores patriarcas que conheci, os quais mantinham unidas suas respectivas famílias, senhores cujas famílias se desintegraram após tais senhores terem falecido, com suas esposas viúvas que não souberam manter a família unida. A janela ao fundo é a liberdade, num ambiente de trabalho salubre, quando a pessoa tem um quadro ou uma vista para a mente saber “respirar”, ao contrário de um ambiente insalubre de trabalho, com a pessoa “aprisionada” em uma tela de computador, não tendo alguma vista para poder espairecer, no modo como eu mesmo já trabalhei em ambientes psiquicamente insalubres, no caminho degradante do sofrimento, num fundo de poço, em ambientes que não estavam me fazendo bem, tendo eu, então, mandando tais empregos à merda, com o perdão do termo chulo. O pão é o ganho do dia, num pão que alimenta uma família, no modo como o simples preço do pão foi o estopim da Revolução Francesa, num rei que pouco se sensibilizava com o próprio povo, pois um líder ausente deixa de ser líder, no momento de ruptura de tal revolução, com nobres guilhotinados, num golpe de estado, como uma princesa Isabel sendo destituída, tendo que se refugiar na Europa, na História tão bela do Brasil: Nós, os brasileiros, não fomos encontrados numa “lata de lixo”; nós temos uma história e uma proveniência. Aqui é uma identidade feminina, com mulheres no lar, com comadres proseando nos afazeres como tricotar, no modo como a jornada de trabalho passa rapidinha quando temos um ambiente saudável, que faça bem a nossas cabeças, ao contrário de um ambiente estressante e viciante, no modo como eu mesmo tive uma fase workaholic, só trabalhando, sem viver, o suficiente para me ensinar que não vale a pena ser workaholic, pois o Mundo não me abonará por eu não respeitar a mim mesmo, como uma senhora que conheço, uma workaholic que acabou tomando no cu, com o perdão do termo chulo. Aqui são esses rostos alongados de Derain, delgados, como máscaras carnavalescas, no poder da Cultura Popular Brasileira, que é o Carnaval, no privilégio do Brasil ter tais raízes afros, nos tambores pulsantes dos escravos que sobreviveram aos horrores escravocratas, na crueldade humana, com senhores dos cafés paulistas, ambiciosos, querendo dinheiro e poder, insensíveis aos flagelos de seus irmãos, os escravos, num Brasil que ainda respira traços remanescentes de tal época, com descendentes de escravos morando em favelas paupérrimas, como nos moldes sociais baianos: Preto trabalha para Branco. O livro é a erudição, no modo como um país se faz com homens em livros, num Brasil que tanto carece de Cultura Erudita, a qual começa nos bancos escolares, havendo na Educação algo tão subestimado, em problemas como a evasão escolar no Brasil, com cidadãos de pouco apuro intelectual, num Brasil que paga caro por tal carência, resultando nos terraplanistas ou nos que acham que ditaduras são positivas. O ambiente aqui não é muito iluminado, e a luz entra discreta na cena. A toalha na mesa é a proteção, numa mesa protegida, no instinto materno de proteção, no modo como a Evolução entalhou a mulher deste modo, dando à mulher o instinto protetor, no modo como uma mãe odeia ver seu filho sendo repreendido por outrem, no instinto protetor que permite a sobrevivência dos filhotes. Aqui não é uma casa muito rica, nem muito pobre. O bule na mesa é tal calor no lar, como pessoas reunidas ao redor do fogo num dia gélido de inverno, como nos inclementes invernos londrinos.

 

Referências bibliográficas:

 

André Derain. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 10 jul. 2024.

André Derain. Disponível em: <www.google.com>. Acesso em: 10 jul. 2024.

André Derain. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 10 jul. 2024.