quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Ares de Aron (Parte 7 de 7)

 

 

Falo pela sétima e última vez sobre o artista italiano Aron Demetz. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Um nascimento, uma concepção, como na abertura da telenovela Barriga de Aluguel, com a mulher dando à luz, num parto que tão complicado pode ser, como famoso trabalho de parto da princesa Isabel, com 48 horas de duração – como é duro ser mulher! Aqui é como uma catarse, uma defecação, numa pessoa colocando algo para fora, limpando-se por dentro, numa deliciosa sensação de alívio e libertação, no modo como eu mesmo tive certa vez uma catarse em público, um ato que me deixou me sentindo muito, muito bem, tal qual uma gaivota livre, leve e solta à beiramar, como vi certa vez uma catarse monstruosa no Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires, num impacto monstruoso, inesquecível, no esporro de um artista, com o perdão do termo chulo, numa pessoa fazendo cocô em cima de tudo e todos, chocando o corpo social, nas palavras eternas do querido diretor Fabio Barreto: “É a partir da transgressão de um de seus membros que uma sociedade evolui”. Aqui o nenê chega inocente ao Mundo, no modo como é duro e difícil para um pai ou uma mãe admitir que tem um filho sociopata, naquela inocente criancinha a qual vimos nascer, amamentamos e damos comida na boquinha, remetendo a uma certa senhora, provavelmente sociopata, a qual matou o próprio filho, dando uma entrevista com toda a frieza, como se fosse normal tal ato, ao contrário de outra senhora, a qual teve uma reação normal, humana e emotiva ao ver o neto morrer por causa do Crack, nessa capacidade de frieza do sociopata, frio como se estivesse dando uma receita de bolo, como no personagem traficante de Denzel Washington em O Gângster, matando um homem e, logo após, tomando com toda a calma seu café da manhã, havendo esta desumanidade na figura do traficante, o qual não se importa com as vidas destruídas pela droga, um traficante que quer puramente ganhar dinheiro, não importando como, sem um pingo de comiseração ao ver um jovem viciado, escravo da maldita pedra, como pessoas pegas em aeroportos com drogas escondidas na bagagem, numa pessoa que destrói a própria vida por causa de uma porção dessas drogas de merda, com o perdão do termo chulo. Aqui é o trauma do nascimento, saindo do conforto uterino para o frio e desagradável Mundo, num choque de realidade, como uma pessoa enfrentando uma internação psiquiátrica, sentido os próprios dedos “na tomada elétrica”, numa pessoa que se dá conta do estado da própria vida, enfrentando um longo e árduo trabalho de reconstrução e reerguimento, num esforço enorme, nesses artistas que atingem o sucesso e depois decaem, como o célebre roqueiro Axl Rose, enfrentando uma crise de vida, um homem batalhador, esforçando-se para se reerguer, tendo já se apresentado várias vezes em Porto Alegre, por exemplo, nas palavras da canção icônica da MPB O Bêbado e a Equilibrista: “O show de todo artista tem que continuar!”, numa canção que tão profundamente penetra em nossos corações, nesse tesouro inestimável que é nossa MPB, numa identidade tão brasileira, tão única, ao contrário de uma certa rádio FM, a qual simplesmente não veicula músicas brasileiras, o que é um lástima, pois a Música Brasileira é riquíssima, resultando em monstros sagrados, lendas vivas como Marisa Monte, conquistando os lares da Inteligência, no topo da MPB, em monstros como Chico Buarque, ícone da resistência cultural frente à Ditadura Militar, na vitória do fino sobre o brutal, no discernimento taoista de que a paz é maior do que a raiva. Aqui temos uma coloração terrosa, de sangue oxidado, no “banho de sangue” num parto, no ato de rompimento que é cortar o cordão umbilical, numa pessoa encarando a Vida, virando autônoma, como uma pessoa que conheci, a qual fracassou ao abrir uma empresa própria, tendo que fechar as portas desta e voltar a ficar submetida a um patrão, num golpe contundente, nas duras lições de dignidade e humildade que a Vida nos ensina, visto que a arrogância precede a queda, como um certo político, um autocrata arrogante que acabou impeachado. Aqui é o trabalho de publicitário tendo ideias, bolando conceitos, nos apelos mercadológicos que excitam o desejo pré existente no consumidor.

 


Acima, sem título (2). Peças num tabuleiro, como os deuses gregos ditando os destinos dos homens. Peças num tabuleiro como em O Senhor dos Anéis, na luta clássica do Bem contra o Mal, como no universo de He-Man, defendendo o planeta de Eternia, havendo o senhor malévolo Esqueleto, o senhor da destruição, como no 11 de setembro, causando júbilo nos xiitas islâmicos, no caminho irracional da intolerância, ao contrário do homem de Tao, um homem de diálogo, de diplomacia, nunca recomendando violência, havendo no ditador a cópia tosca do homem de Tao, no ditador impondo tudo à força, oprimindo e aterrorizando o cidadão pacato, na recomendação a um líder: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão, como o cidadão pacato indo à padaria para comprar pão e leite, amando sua própria comunidade, num líder que tem que ter tal simplicidade, inspirando o cidadão, como no pacato Papa, sentando frente à TV para ver o que está passando, ou como no rei da Inglaterra vendo a programação da BBC de Londres, remetendo a uma certa mulher de sangue azul, a qual tinha muito potencial para ser adorada pelo povo, mas acabou não o fazendo, nos mistérios do carisma – o que faz uma pessoa ser adorada? É como em duas modelos talentosas como Gisele Bündchen e Shirley Mallmann, mas numa Gi muito, muito mais carismática, como Pavarotti, brilhando mais do que o colega Domingo, com dois artistas da mesma excelência vocal, na capacidade de um artista em subir num palco e “atear fogo na plateia”, ao contrário de um show de Lenny Kravitz no Rock in Rio, um grande artista, uma grande voz e um grande repertório, num show morninho, sem saber puxar o povo. Aqui temos tal Aron laborioso, pegando um instrumento e entalhando as figurinhas humanas, num trabalho paciente de formiguinha, em mãos calejadas, num artista devoto ao labor, como uma certa incansável popstar, sempre em turnê, sempre batalhando, no modo como o Mundo pertence aos que encaram a lida, remetendo a um certo rapaz mendigo que conheço, jogado numa calçada, fedendo a chorume, absolutamente fugindo da seriedade da Vida, um lástima, pois é um rapaz alto, forte e bonito, que muito teria o que trazer para o Mundo, num rapaz arrogante, que simplesmente não aceita ajuda, num caso sem solução – quando a pessoa não quer coisa com coisa, não há Cristo de possa interceder. Aqui remete a doces lembranças de infância para mim, quando eu brincava com as chamadas action figures, os bonequinhos da marca Estrela, braço brasileiro da gigante Mattel, fabricante americana de brinquedos, até chegar ao ponto em que a pessoa se desinteressa pelos brinquedos, abraçando a maturidade sexual, numa época em que somos escravos de nossos próprios hormônios, nas marcantes palavras de Marta Suplicy a uma plateia de adolescentes: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, numa dama imponente, nada simplória, imponente como uma fachada de prédio em estilo neoclássico. Aqui remete a uma coleção de santos que minha falecida avó tinha, apegada à religião, com os altares de deuses pagãos tranquilamente substituídos por imagens de santos, nossos irmãos depurados que nos regem em seu Amor incondicional, aquele amor leve e desapegado, sutil, ao contrário do amor doente e possessivo, como conheci certa vez uma pessoa que alimentava tal fixação, sofrendo com tal obsessão, precisando ir urgentemente a um centro espírita para passar por uma desobsessão, no papel fraternal do médium em nos mostrar a Vida do modo mais verdadeiro possível, no trabalho do passe espírita, que é como uma bênção de um padre, nessa misoginia do Vaticano, o qual só pode ser regido por um homem, obrigando as freiras a aceitar tal submissão – é um horror. Aqui é na brincadeira de soldadinhos de chumbo, na beleza onírica da infância, quando o indivíduo traz um residual do Plano Superior, do qual recém veio, num plano de paz, onde ninguém que enganar, na importância suma do desenvolvimento de apuro moral.

 


Acima, sem título (3). Aqui temos uma flexibilidade, no discernimento taoista da flexibilidade: O que é vivo é mole e flexível; já, o morto é duro e rijo. É na sabedoria de um líder pacífico, nunca recomendando violência, ao contrário do ditador, sempre impondo à força, num líder que definitivamente não respeita seu próprio cidadão, ao contrário do bom líder, o qual nunca interfere no dia a dia pacato do cidadão comum, num rei que respeita cada um de seus súditos. A careca é a pureza, como quando a freira é ordenada, abrindo mão da vaidade, como no colégio de freiras no qual estudei, com uma enérgica freira, duríssima, terrível, ditadora, uma freira que realmente não entendia que o homem de Tao é visto, amado e respeitado, em homens tão excepcionais como Senna, o qual, em sua humildade e discrição, nunca deixou que os píncaros de sucesso subissem à cabeça, crescendo enormemente no conceito do brasileiro, no modo como é raro o homem de Tao, entendendo o minimalismo, a limpeza nas ações: Quando você precisa tomar ação, faça só o que é necessário, em personalidades tão finas e limpas, ao contrário do ardiloso sociopata, o qual tem uma aparência acima de qualquer suspeita, mas uma pessoa a qual, no frigir dos ovos, revela-se malévola, sem um pingo de amor no coração, num lobo disfarçado de cordeiro, como vi certa vez na Rua um rapaz usando tornozeleira eletrônica, uma bandido que tinha uma aparência ótima, acima de qualquer suspeita, com roupa boa, barba feira e cabelo arrumado, como na metáfora de Guerra nas Estrelas, com os integrantes do Mal com uma aparência ótima, como na aparência dos nazistas, no modo como até hoje em dia há simpatizantes do maldito líder, um homem absolutamente desprovido de qualquer apuro moral, numa pessoa odiosa, com o desejo de simplesmente destruir o Mundo, como num ato terrorista, primando pela destruição, no caminho do xiita, uma pessoa culpada pelos males do Mundo, na metáfora cromática que sempre digo: Num Mundo aguerrido, de amarelos sempre versus azuis, seja verde, pois não resolverás os problemas do Mundo, mas poderás ser uma figura na qual o povo possa depositar suas esperanças, na suprema imagem de esperança de Jesus Cristo, na promessa do Reino dos Céus, no amor incondicional, leve, desapegado, fresquinho, limpo e minimalista, com a suprema perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tais entes queridos. Aqui é como um androide, na metáfora da alma e do pensamento racional, no espírito desencarnando e vivendo para sempre como uma máquina mortificada, mas com todo o Amor do Mundo, sempre amando seus irmãos, nessa relação de igualdade perante Tao, no Amor que nos iguala, na revelação da fraternidade, nos esforços incansáveis do padre na missa, sempre nos lembrando que somos irmãos, remetendo a um amigo meu, o qual virou padre, e cabe a mim respeitar tal escolha, logo que a vida dele não é minha! Aqui temos uma sofisticação civilizatória, como nas impecáveis sobrancelhas delineadas do famoso busto de Nefertiti, na civilidade sobre a animalidade, no ponto evolutivo do Homo sapiens, sempre primando pelo fino, sepultando a animalidade da cadeia alimentar, pois a polidez é o que nos faz civilizados, nos problemas da criminalidade e das guerras, na prova de que é a Terra o que tenta imitar o Céu, havendo neste a Paz Divina Inabalável, um plano no qual ninguém que lhe enganar, visto que a mentira é finita e a verdade é infinita, nas sábias palavras da senhora minha mãe: “A mentira tem pernas curtas!”, havendo na mentira e na má fé a falta de apuro moral. A modelo aqui se curva como num gesto de carinho, como uma pessoa com dois amigos em comum, apresentando um ao outro, na magia da socialização, como uma senhora muito fina que conheci, a qual dizia ser maravilhosa a Vida em Sociedade, no Fulano que conhece o Beltrano etc., havendo no criminoso uma pessoa que não compreende o que é viver em sociedade. A moça aqui é bela e pura, como na bela Tarsila do Amaral, numa mulher com autoestima, a qual sabe que não há desculpas para parar de se arrumar.

 


Acima, sem título (4). Aqui remete a um certo desfile de Moda de outrora, numa transgressão, abolindo o formato tradicional de passarela, com as modelos vindo de encontro à plateia, como num palco, avançando até a frente, no papel importante do transgressor, que é revelar e abolir os paradigmas, como num certo prédio do balneário de Capão da Canoa, em imponente estilo neoclássico, revelando, assim, o paradigma arquitetônico caponense, com prédios de estilo muito semelhantes. Aqui remete a um momento marcante de uma entrega do Oscar há vários anos, abolindo o formato tradicional de enunciação dos indicados ao troféu, com cinco atores membros da Academia colocados no palco como deuses, “produtos”, sendo que cada um deles anunciava um dos cinco indicados, nesse troféu tão cobiçado, o qual pode ser uma bênção e uma maldição, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois quando ele vem, a pessoa tem que saber superar e sobreviver, sempre com a humildade para tocar a Vida para a frente e não deixar o sucesso subir à cabeça, como na jovem Marisa Tomei, oscarizada há décadas, não sabendo sobreviver – é complicado, pois a tendência da pessoa é permanecer para sempre em tal momento de gozo, o que não é possível, pois doce ou amarga, a página terá que ser virada, e qualquer uma dessas páginas é dura de ser virada, como um cantor tentando sobreviver a um Grammy, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje está com você; amanhã, não se sabe. Aqui é como no ritual de Primeira Comunhão, pelo qual passei, sentindo no rosto pingos da água beta jogada pelo padre, no modo como a Vida em Sociedade é repleta de rituais, como num concurso de beleza, com a moça sendo empoderada numa posição de representação, como uma grande amiga minha, vencedora de um concurso mundial de beleza, trazendo orgulho à sua cidade natal, uma moça a qual inocentemente foi dotada de tal empoderamento, no modo como a atriz Meryl Streep disse em entrevista que gosta de interpretar mulheres poderosas, como Thatcher, na diva topando embarcar num certo projeto que se revelou um fiasco e um fracasso, com Streep topando embarcar só porque se tratava do papel de uma mulher presidente dos EUA – nem deusas como Meryl está livres dos altos e baixos da Vida! É como na carreira de um cantor, com muitos álbuns lançados, mas nem todos bem sucedidos, no modo como a Vida nos ensina que você acorda no dia seguinte e a Vida continua, nas sábias palavras de uma grande professora de Língua Portuguesa que tive: “Não deixe o fracasso lhe subir à cabeça!”, como na cantora altamente bem sucedida que é Alanis Morrissette, cuja primeira incursão fonográfica foi um fracasso total – imagine se Alanis tivesse desistido! É como no brilho monstruoso de Gisele, a qual, antes de se ser alçada à condição estelar, pensou e desistir, ouvindo uma voz dentro de si mesma a dizendo para não desistir. Aqui é uma formalidade, como no momento de cantar um hino nacional, com postura ereta, séria, talvez com a mão no coração, no modo como não há pecado em ser patriota, mas sem chauvinismo, remetendo a uma pessoa que conheci, a qual era uma patriota agressiva, dizendo que algo era lindo e perfeito só porque era brasileiro, num caminho sem sabedoria, sinto em dizer. Aqui temos um comportamento, uma disciplina, como uma enérgica professora que tive, dura, beirando a grosseria, uma pessoa sem muito senso de humor, rechaçando uma inocente brincadeira que fiz com ela – é o risco que se corre ao fazermos uma piada! Aqui temos a beleza civilizatória, desde cedo na Humanidade, com os índios com seus rituais, no modo social de fazer a representação social, com homens de um lado e mulheres de outro, na figura do casal heterossexual, com homens e mulheres representados, sendo inevitável socialmente que ela personifique o Yin dele e que ele personifique o Yang dela, no jogo de sedução entre liso e áspero – quando digo que algo é belo, é porque conheço o oposto, que é feio. Os vestidinhos de véu remetem ao filmão de terror Os Outros, no limiar entre mortificado e assombrado, num terror sutil arrebatador.

 


Acima, sem título (5). O semblante aqui é triste, como na triste Vênus interpretada por Uma Thurman em um filme, revelando-se na beleza da concha, com o libertador olor de mar, de maresia, na mãe oceano que trouxe a Vida à Terra, na poderosa imagem de Iemanjá, recebendo oferendas, abençoando as redes dos pescadores, no milagre cristão da multiplicação de peixes, na crença religiosa de que Jesus de fato tinha superpoderes metafísicos, rompendo a barreira do físico, do possível, como um astronauta se libertando na falta de gravidade, na eterna sede humana por conhecimento, enviando sondas para o sistema solar, num Ser Humano que ainda está engatinhando tecnologicamente, em missões complicadas como enviar sondas para Vênus, um planeta tórrido, de pressão atmosférica esmagadora, no modo como, fora da Terra, o Cosmos é hostil ao Ser Humano, no início desse filme tecnicamente impecável que é Gravidade, dizendo: “A Vida é impossível no espaço”. O semblante triste aqui é uma carência afetiva, numa divertida memória que tenho de uma moça num bar de videoquê na avenida Goethe em Porto Alegre, gritando para os que cantavam: “Bando de carentes!”. É como uma pessoa de estilo de vida solitário, carente, derretendo-se para quem lhe dê um pouco de carinho e atenção, no modo como não sei quem é mais triste – se é quem acha que pode vender Amor ou quem acha que pode comprar Amor, no modo como o melhor da Vida não se negocia, que é Amor, no caminho libertador do Amor Incondicional, leve, desapegado, o perfeito oposto do amor possessivo, obsessivo e fixado, precisando desesperadamente de uma desobsessão num centro espírita, num amor que prende, obceca, numa dependência bem patética, como no filme espírita E a vida continua, com um rapaz obcecado por uma moça, tendo que ser contido por espíritos amigos, que querem sempre nosso bem, no conceito espírita de que cada um de nós é sempre guiado por um anjo da guarda, sempre nos guiando pelo bom caminho, não querendo que caiamos em sofrimento, em obsessão, como um pai de santo que conheci, uma pessoa sensível, a qual sentiu, numa dantesca, escura e horrorosa boate portoalegrense, espíritos sofrendo, arrastando-se pelo negror de desolação, arrastando-se pela sujeira, pelo escuro, uma verdadeira sucursal do Inferno, no Umbral, a dimensão escura, horrorosa, com espíritos vagando perdidos, sem noção de tempo ou espaço, sentindo fome, frio e desolação, como vagar por uma cidade fantasma, como uma pessoa que conheço, a qual se deparou com uma vida dura ao sair de casa e ir morar sozinha, não suportando um excruciante domingo sozinha, indo para casa chorando, implorando por auxílio, talvez num triste desenvolvimento de carência afetiva, no modo como o submundo é isto: Estar sozinho e perdido. Aqui temos essa mão talentosa de Demetz, esculpindo pacientemente, formando rostos e corpos, num paciente trabalho de formiguinha, aos poucos, na dedicação de um artista, colocando sua energia em torno de algo positivo e produtivo, pois sem dedicação, não se vai longe. Aqui parece algo derretendo, num processo de algo se transformando, como numa cena ao final do filmão Os Caçadores da Arca Perdida, num vilão derretendo e morrendo, subestimando a simplicidade de Jesus, o homem simples, sem educação formal, que se tornou a maior cabeça de todos os tempos, no poder do pensamento, do metafísico, na noção espírita: Matéria é nada; pensamento é tudo. O homem aqui está calado, censurado, como em ditaduras, nas quais o cidadão não é livre para pensar, em déspotas que juram que são homens de Tao, o que é uma profunda facada na inteligência, meu irmão. Aqui é como no sistema opressor de Matrix, como o herói Neo privado de falar, de pensar, de ter identidade própria, neste lugar feliz que é o Brasil, no qual o cidadão é livre para ter o cabelo que quiser ter, no poder do respeito à diversidade – não sou igual a você, mas respeito você. E respeito não é tudo?

 


Acima, sem título (6). Aqui remete às nababescas e suntuosas instalações da poderosa dupla de artistas plásticos Christo e Jeanne-Claude, fazendo intervenções grandiosas, de fazer cair o queixo do espectador, nesse poder de certos artistas de nos fazerem “babar”, como um bom filme que arrebata muitos Oscars, no poder da Arte em tocar fundo nas mentes das pessoas. Aqui é uma imposição de ordem ao caos natural, como na inda e vinda de dias em nossa semana, vivendo um dia de cada vez, em compartimentos. Aqui remete a um cemitério, com os túmulos dispostos de forma ordenada, impondo ordem ao caos, na intenção do ritual fúnebre de nos dizer que a pessoa não morre; só muda de endereço. É no poder espírita, na promessa de que uma vida bem melhor nos espera após o inevitável Desencarne, num lugar perfeito, sem os “espinhos” nas roseiras, no lugar onde percebemos que segue imperiosa e necessidade do trabalho, num desencarnado que se depara com tal seriedade, na pergunta inevitável no Plano Superior, quando dois entes queridos se encontram: “Onde estás trabalhando?”. Aqui é uma trabalheira dos diabos, pegando o gelo e cortando-o de algum modo, com alguma técnica, como nas enigmáticas construções incas, com pedras perfeitamente encaixadas, num mistério: Como esses indígenas conseguiram fazer isto? É um mistério que excita os ufólogos, crendo que a Humanidade não veio do nada, recebendo, nos dias primordiais, auxílio civilizatório de seres de outros mundos do Cosmos, uma crença que esfaqueia um pouco o orgulho humano, como no monólito alienígena de 2001, como um dispositivo móvel, nas facilidades de tecnologias que deixam pasmada minha geração, a qual, tendo sido criança nos anos 1980, presenciou a tecnologia analógica, como o televisor de tubo sem controle remoto e só com canais de TV aberta; como o telefone de gancho e disco; como a carta pelo correio, havendo, nas gerações mais recentes, uma adaptação completa em relação ao Digital, num galgar louco de tecnologias, no absurdo fato de que um catatau vasto de vinis e CDs cabem em um pequenino pendrive, no modo como, hoje em dia, é tudo software, na era do download e do streaming, perdendo-se o produto físico, palpável, o bem de consumo, o produto industrial, a coisa que podíamos comprar ou alugar, levando-a para casa, na gostosa era do boom das videolocadoras de VHS – hoje em dia, é o que há de obsoleto. Aqui são como cubos de gelo, num trabalho de construção, como no longo processo de construção civil, com anos de labor, como um amigo meu, que trabalha nesse ramo, num trabalho de dedicação, um homem que sabe que, se quiser obter sucesso, tem que merecê-lo, usando matérias nobres e primando pela competência no momento de construção, nas sábias palavras do eterno Silvio Santos: Quem não tem competência, não se estabelece! É a questão do mérito, num artista que se destaca em esmero e dedicação, competitivo, num mercado competitivo, como na Indústria Fonográfica Mundial, na qual estilo e atitude são importantes, ao contrário de certos artistas sem atitude, os quais creem que só a voz garante – se só a voz garantisse, vozes medíocres como Britney Spears não teriam sucesso, num mistério, como artistas com MUITO mais voz do que outros, mas brilhando menos, remetendo a grandes artistas como Gaga, a qual, além de voz boa, tem uma atitude transgressora de-li-cio-sa, destacando-se nesse âmbito competitivo, com tantos e tantos artistas buscando por um lugar ao Sol, com tantos e tantos artistas que acabam sumindo – a Vida é de quem encara a lida, sem deixar as glórias subirem à cabeça, em homens simples e humildes como Senna, nunca deixando o sucesso subir à cabeça, crescendo enormemente no conceito do povo brasileiro. Aqui é um artista com tal capacidade de se expressar da forma mais nítida e poderosa possível, como num trabalho num consultório de Psicologia, no terapeuta nos mostrando o Mundo da forma mais clara e nítida possível, no modo como já ouvi que o psicoterapeuta é uma comadre bem paga. Aqui é como uma extração de blocos de mármore, tirando na Natureza para dar à Civilização.

 

Referências bibliográficas:

 

Aron Demetz. Disponível em: <www.artsy.net>. Acesso em: 4 set. 2024.

Exhibitions. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Publications. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Works. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Ares de Aron (Parte 6 de 7)

 

 

Falo pela sexta vez sobre o artista italiano Aron Demetz. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Adad 03. Aqui temos algo bruto, cru, por assim dizer, como nos traços “selvagens” de Frida Kahlo, longe das técnicas renascentistas tradicionais, na maravilhosa transgressão da Arte Moderna, resultando em museus tão lindos como o novaiorquino MOMA, numa cidade que tanto transpira Arte, no modo como já li que o melhor de NY é grátis ou custa poucos dólares. Aqui é como algo inacabado, como uma obra inacabada, como uma pessoa que abandona os estudos, subestimando, assim, a importância de se fechar um ciclo, no modo como são tristes as histórias de vida de pessoas que não fecham o ciclo, como uma transa sem orgasmo, como um senhor que conheci, o qual desvirtuou sua própria vida, largando os estudos e mergulhando numa vidinha vazia e desinteressante, numa pessoa que se acha sexy demais para arregaçar as mangas e fazer algum trabalho, como o herdeiro da coroa imperial brasileira, “deitado eternamente em berço esplêndido”, em vidas ociosas e vazias como a do famoso bon vivant Chiquinho Scarpa, na sabedoria do mago Gandalf de Tolkien: Tudo reside no que resolvemos fazer de nossos dias aqui na Terra, numa vida farta, rica, cheia de labor, na palestra de uma certa médium espírita, dizendo que Deus quer nos ver lutando, trabalhando, na ironia de que, quando a pessoa desencarna, esta sente a necessidade de seguir trabalhando em algo, no caminho da Eternidade, no modo com Tao está sempre criando, mas não como um workaholic que não respeita a si mesmo, no fato bíblico de que Ele repousou no sétimo dia, como um senhor que conheci, o qual trabalhava, mas não era workaholic, um homem que se dava ao respeito, acabando por deslanchar na carreira, no modo como o Mundo não vai abonar você por você ser workaholic, numa lição que aprendi, quando eu próprio tive uma fase workaholic em minha vida. O pedestal aqui é doloroso, cheio de espinhos, como no demônio Pinhead da franquia de terror Hellraiser, cheio de pregos na cabeça. É como num momento difícil de crise na vida de uma pessoa, num momento doloroso, complicado, numa pessoa em crise, sem identidade, sem saber qual é o seu lugar no Mundo, como um amigo meu, o qual se tornou padre para tal homem saber qual é o seu lugar no Mundo, e cabe a mim respeitar as escolhas de outrem, no modo como as pessoas são tão diferentes umas das outras, no caminho da individualidade, num Pai que faz o filho de forma única, no fato de que cada um de nós é completamente especial, e ninguém é pequeno demais para desmerecer a integral atenção de Tao, a Mãe que sempre prospera, na imagem poderosa da Nossa Senhora, a imagem para nos fazer entender de que nada é perdido, e de que tudo conta, na mente sobrevivendo à morte do corpo físico, remetendo a um vídeo de outrora, quando um pregador de alguma igreja insultou a imagem de Nossa Senhora, agredindo esta, na sabedoria de Osho de que o rebelde, antes de tudo, tem que respeitar a tradição, na noção taoista de que tenho que me curvar se quiser reinar. O homem aqui parece engessado, num bloco só, nas brutais ocultações de cadáveres na Ditadura Militar Brasileira, cimentando cadáveres e jogando-os no mar, nesta eterna capacidade humana em ser o mais cruel e brutal possível, pessoas que não têm o discernimento de que grosso é fraco e de que fino é forte, no modo como a hierarquia espiritual gira em torno de apuro moral, classe e polidez – os finos regem os grossos, ao contrário da hierarquia militar, a qual é exatamente o oposto, impondo as coisas pela brutalidade, em déspotas como Putin, travando uma insana guerra sem sentido. Aqui é como um faquir, na imagem da cama de pregos, nos espinhos de roseiras, na mescla encarnatória entre beleza e dor, havendo no Plano Superior a ausência de tais espinhos, de tais dores, no modo como a encarnação dói em cada um de nós, e a diferença reside se sofro ou não por tal dor, na capacidade da pessoa de rir de seus próprios problemas e de rir da Vida, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio. O homem aqui parece ter virado pedra ao olhar para a feiúra do monstro Medusa, este mito misógino que monstrualiza a mulher, culpando Eva por todos os flagelos do Ser Humano.

 


Acima, Adad 04. As mãos múltiplas são um amparo, como num trabalho em equipe, numa cooperação, como numa cooperativa, num sharing, que é o compartilhamento dos méritos, no modo como o Esporte ensina a pessoa a trabalhar em equipe, remetendo a um engraçado momento de minha faculdade nos anos 2000, quando eu assumi toda a autoria do trabalho em grupo, negando-me a trabalhar em equipe, como numa pessoa que não gosta de interferências, como no artista renascentista, assumindo toda a autoria, no palco que foi Florença, uma cidade cheia de aspirantes a astros da Renascença, numa brutal competitividade, como em rivais tentando desbancar da Vinci, o qual, em sua classe e genialidade, atraía muita inveja, na capacidade de uma pessoa em saber sair de cena no momento certo, sabendo da inveja que poderia atrair. Aqui é como um pai cuidando do filho, ou como um mentor apadrinhando alguém, como uma certa atriz certa vez decidiu me apadrinhar, numa intenção tão nobre, na intenção de ajudar os outros, numa pessoa que observa que precisa de alguma ajuda, como na ajuda que a Fada Madrinha deu a Cinderela, num papel coadjuvante decisivo na trama, no caminho da humildade de admitir que se precisa de alguma ajuda, remetendo a um certo cantor americano, o qual embarcou em uma de Ego, do tipo “Sou perfeito, autossuficiente e de ninguém preciso”, um artista que acabou perecendo e sumindo no decorrer do caminho, afundando em sua própria presunção e arrogância, no modo como, para certas pessoas, uma ínfima gota de sucesso já é capaz de fazer que tudo suba à cabeça, pois se você quiser conhecer alguém, de a este um pouco de sucesso, no egocentrismo de “Não nasci para esperar; nasci para ser esperado”, como um artista que pisa deliberadamente atrasado no palco, desrespeitando o espectador que chegou ali pontualmente para ver o espetáculo, com tantos e tantos egos que ascendem e descendem todo os dias, numa fogueira de vaidades, numa pessoa sem papo, desinteressante, que só sabe falar de si mesma, como uma certa estrela brasileira, eternamente dando uma entrevista, só sabendo falar de si mesma: Eu, eu e eu – é o hino do egoísmo. Aqui são como os múltiplos braços de divindades hindus, como um super herói, com superforça, nos heróis que conquistam as crianças, no menininho sonhando em crescer, ficar forte e ser jogador de Futebol, nos sonhos de infância, na maravilha que é a inocência da criança, um espírito que há pouco tempo reencarnou, trazendo um residual da pureza do Plano Superior, numa época da Vida em que não há os interesses, em amizades puras, sem interesse, na noção cristã de que o Reino dos Céus é das criancinhas, no caminho de amor de Jesus, o espírito que veio ao Mundo para nos ensinar de que somos iguais perante Tao, o Pai que nos fez com perfeição. Aqui, o corpo pequeno parece estar carbonizado, como nas cruéis execuções de Mary Tudor, queimando pessoas vivas em fogueira, num estado de terror, assustando o cidadão comum, nas atrocidades que o Homem é capaz de fazer dizendo agir em nome de Jesus, fazendo coisas que Ele jamais faria, no modo como nem a suprema passagem de Jesus pela Terra foi capaz de resolver os problemas do Mundo: Num aguerrido Mundo de amarelos em pé de guerra com azuis, veja verde, pois não resolverás os problemas do Mundo, mas poderás ser uma figura na qual o povo possa depositar esperanças, na esperança de que um Mundo de Paz nos espera após o Desencarne, um plano de apuro moral, onde ninguém quer enganar ninguém, no poder da Paz, algo tão subestimando pelo Ser Humano, sempre com raiva, sempre sofrendo – é um horror. Aqui temos um zelo, um aconselhamento e uma condução, no trabalho do psicoterapeuta em nos mostrar a Vida do modo mais claro e saudável possível, numa visão realista, fresquinha, por assim dizer, no caminho da Eternidade, na perspectiva de que teremos todo o tempo para nos relacionarmos com os entes queridos, ao contrário do amor fixado, possessivo e doente, desesperado, numa dependência que definitivamente foge do Amor desapegado, incondicional e leve.

 


Acima, Adad 05. Aqui é um sono, um estado de inconsciência, como no videoclipe surrealista de Madonna, o Bedtime Story, cheio de misteriosos símbolos oníricos, na noção de que os sonhos são partes de nossos selfs com tais partes projetadas, com a função de nos dar mensagens existenciais, no modo como tudo em meu sonho é um “pedaço” de mim mesmo, no trabalho em consultório psicológico paras desvendar tias signos. Aqui é como uma erosão e uma degradação, na danação da matéria, como produtos com prazo de validade, remetendo aos apegos de acumuladores compulsivos, os quais se negam a descartar uma embalagem de leite longa vida que está há anos vencida, repleta de bactérias venenosas, num apego pelo material, pelo tangível, no modo como somos vítimas da Sociedade de Consumo, pois somos escravos de um sistema insano, no qual tenho que trabalhar feito “louco” para produzir capital e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, no Mito da Caverna, quando somos prisioneiros, no papel do filósofo de abrir nossos olhos e nos libertar de tal caverna auspiciosa, como no sistema de Matrix, aprisionando o indivíduo num consumismo sem sentido, pois a Vida é boa quando é simples, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, no caminho da limpeza, do essencial, na limpeza minimalista da Eternidade, neste presente poderosíssimo, que é o indicativo do poder imenso de Deus, o qual sempre esteve aqui e sempre estará, algo muito, muito além da compreensão humana, na incapacidade do sociopata em ver além no Plano Material, num espírito mundano, de raso apuro moral, sempre querendo obter vantagens sobre seus irmãos de caminhada – é um horror. Neste descascamento, vemos uma revelação, como uma pessoa se revelando por dentro, como na arrepiante e apolínea estreia da inglesa Susan Boyle num reality show, uma mulher a qual, pouco atraente por fora, revela dentro de si mesma um tesouro belíssimo, numa voz avassaladora, numa experiência arrebatadora, mostrando que fora subestimada por simplesmente não ser uma mulher muito bela por fora, pois de que adianta uma pessoa bela que não tem competência para algo produtivo? Não diz a sabedoria popular de que beleza não põe à mesa? Aqui é como um bandido de telenovela sendo desmascarado, revelado em sua pequenez moral, no modo como chega um ponto em que o sociopata quer ser reconhecido como tal, numa máscara que cai, causando decepção nas pessoas, num espírito que se revela de tosco apuro moral, subestimando o poder da verdade, a qual é eterna, frente à mentira, a qual tem “prazo de validade”, no caminho natural do perdão, vendo que as desavenças não são eternas, na noção taoista de que as coisas se resolvem por si, e se resta ainda na Terra alguma amargura, o que pode ser feito? O pescoço aqui é a força e o sustentáculo, nas decapitações de condenados, num espetáculo horrendo, de pouca beleza, em pessoas que terminam a vida de tal modo, na sobrevivência do espírito, dando a volta por cima a todos perdoando, como num filme em que a rainha escocesa Mary Stuart, a qual, segundo antes de ser decapitada, disse ao executor: “Perdoo você com todo o meu coração!”, como na oração da Ave Maria, com a pessoa pedindo à Santíssima que rogue por aquela no momento da morte, no modo como a morte faz parte da Vida, como grandes pessoas com funerais tão opulentos e grandiosos, como no funeral de Diana, com as pessoas jogando inúmeras flores sobre o caixão em cortejo pelas ruas de Londres, na morte de uma figura na qual o povo depositava esperanças, nessas pessoas que nos trazem acalento e esperança, em píncaros de popularidade, numa Inglaterra em que ninguém pode ser mais do que realeza, numa Diana que, apesar de ter perdido o título oficial de Alteza, seguiu soberana nos corações do povo. Aqui é como um peeling dermatológico, num trabalho de renovação, nas “loucuras” que as mulheres são capazes de fazer em nome da beleza

 


Acima, Adad 06. Aqui temos uma tentativa de libertação, na canção de Freddy Mercury, I want to break free, ou seja, Quero me libertar, na tragédia na vida de tal artista, contraindo AIDS, numa geração que foi surpreendida pelo vírus letal, ao contrário da minha geração, que foi criança nos anos 1980, já chegando na maturidade sexual alertada sobre a importância de se usar camisinha, remetendo a um professor irresponsável que tive, uma pessoa que disse que a AIDS é uma piada e que podemos transar loucamente por aí sem nos protegermos, como na irresponsabilidade de um certo chefe de estado, que veio a público falar contra essa coisa importante que é a vacina contra a Covid, numa pessoa que disse a enorme bobagem que tal vacina transmitia AIDS, o que é uma mentira, sinto em dizer, no modo como eu não me envolvo com política, numa neutralidade, não me importando quem foi, quem é ou quem será. Aqui é como um casulo, na lagarta virando borboleta, numa revelação ao Mundo, como num popstar sendo revelado, no boom de uma Lady Gaga, uma artista a qual, além de ter uma voz muito boa, tem uma atitude transgressora monumental, sabendo que, se a pessoa quer se sobressair, tem que ter muita, muita atitude, na capacidade de um artista em atrair um milhão em meio de pessoas para as areais de Copacabana, nas palavras de um certo terapeuta: Tens que ter agressividade, pois vives num Mundo competitivo! Aqui, da escuridão nasce a luz, no negro gerando o branco, nos deliciosos jogos de contraste do grande mestre MC Escher, um mago, um gênio, um artista sobre o qual já falei no Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia – é só ir lá para ver. Aqui é como o ovo do terrível alienígena da franquia Alien, numa ferocidade tenebrosa, num ser tão letal e perigoso, alimentando a imaginação humana sobre Vida fora da Terra, num mistério que perdura até hoje, no modo como a Humanidade está muito aquém de tais descobertas, mandando tímidas sondas para planetas do sistema solar, num Cosmos o qual, de tão vasto, é infinito, fazendo da Via Láctea uma era galaxiazinha numa sopa infindável de galáxias, no mistério: Por que o Cosmos é tão vasto? Qual a razão de tudo? Na noção espírita de que Deus é o infinito, num mistério infinito, no poder inconcebível da Eternidade, na assustadora perspectiva de que jamais findaremos, nesse presente que é o eterno, havendo no eterno a explicação lógica para tudo, pois nada teria sentido se a Vida acabasse com a morte do corpo físico, na incapacidade da Ciência de ver algo além da morte, crendo que a Vida acaba com a morte, o que não teria sentido, havendo em Tao a beleza fria e lógica dos números, na sabedoria lógica de que dois mais dois é quatro etc. Aqui temos um vazamento, como no infame site Wikileaks, vazando documentos confidenciais, em pessoas que se enroscaram com as autoridades, buscando refúgio para não serem presos, no modo como cada pessoa conduz a própria vida, pois cabe a mim respeitar tua escolha – a vida é tua, meu irmão! Nas palavras da chef Rita Lobo: “Você é livre, meu amor!”. Este rompimento é como uma transgressão, numa tentativa de inovar, revolucionar e quebrar barreiras, como no início dos anos 1980, rompendo definitivamente com os anos 1970, na sabedoria de que o novo sempre vem, e que a pessoa tem que se adaptar aos novos tempos, nas modas indo e vindo, modas volúveis, como ondas indo e vindo na beiramar, pois há algo melhor do que estar na moda, que é ser respeitado, pois o respeito é inoxidável, resistindo à passagem do tempo, em homens tão modestos e respeitados como Senna e Pelé, vivendo seus dias com humildade, merecendo todo o respeito que obtiveram, no homem de Tao, agindo sempre na luz, sempre na simplicidade, sempre na humildade: Não sou o centro do Universo! É na simplicidade de um homem que se manteve pés no chão, mesmo tendo se tornado poderoso, como numa cena do clássico Titanic, num certo senhor o qual, apesar de rico, manteve-se simples, como gostar de tomar um café do tipo mais simples e comum, na sabedoria de que a Vida é boa quando é simples.

 


Acima, Adad 07. Aqui é um ponto de rompimento, em algo ruindo, marcando épocas, como no infame 11 de setembro, o dia em que a Terra parou, no título do vilão Esqueleto: “O senhor malévolo da destruição”, nas sábias palavras desde grande homem que é Obama: “Você será lembrado pelo que construiu, e não pelo que destruiu!”, no modo como há espíritos equivocados, que se perdem na Vida, como um sociopata que conheço, o qual se perdeu na malícia, no mal, na má fé, pessoas com as quais não devemos nos relacionar, no modo como eu mesmo me sinto socialmente pressionado a me relacionar com pessoas as quais creio que sejam sociopatas, mas pessoas as quais só cumprimento brevemente, sem me enroscar, como uma pessoa que conheço, a qual tem um pai sociopata, sendo ela neutra, no pensamento: “É meu pai, quer eu queira, quer não!”. Aqui é como no sucesso Robocop, no cérebro de um homem que é transplantado para um corpo mecanizado de robô, fazendo metáfora com o pensamento racional, no espírito desencarnado, vivendo para sempre como uma máquina eterna racional, imune a dores ou sofrimentos, no caminho espírita da mortificação, num espírito desprovido de tolas expectativas, ficando imune aos insanos apelos da Sociedade de Consumo, no Mito da Caverna, da pessoa se libertando da caverna e vendo o Mundo da forma mais fria e clara possível, no trabalho do psicoterapeuta em nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, num papel de guia espiritual, guiando pessoas confusas, trazendo o mais possível de paz, havendo na mortificação a paz, na pessoa imune a tolos sinais auspiciosos, no papel do filósofo em nos libertar da “caverna”. Aqui é esta paixão de Demetz pelo corpo humano, em aulas de Anatomia, num Leo da Vinci tão precursor, tão à frente de seu próprio tempo, dissecando cadáveres, muito antes da Revolução Científica, nos avanços do pensamento racional, no ponto decisivo da Escrita, não mais fazendo com que as tradições fossem transmitidas oralmente de geração para geração, como nas tribos neolíticas amazônicas, sem o conceito da Escrita, em línguas mortas como o egípcio antigo, só sendo traduzido pela descoberta da famosa Pedra de Roseta, num Egito tão incessante em curiosidade científica, em mistérios sobre onde está a tumba da famosa Cleópatra, na incessante curiosidade humana, como no nome da sonda espacial Curiosity, ou seja, Curiosidade. Aqui é como um engessamento, num machucado, no modo como eu mesmo tive que ficar três semanas com o pé engessado após uma torção, exigindo de mim uma grande paciência, enclausurado e entediado dentro de casa, no modo como a Vida exige de nós tal paciência, como um casal longevo que conheço, ambos repletos de defeitos, tendo um que ter toda a paciência para aguentar os defeitos do outro, como um não fumante aturando um fumante, nas palavras de um certo senhor: “Estou até hoje casado com minha esposa porque ela aguenta meus defeitos!”, neste âmbito duro e difícil que são os relacionamentos amorosos, em clássicos tão cativantes como Harry e Sally, nesses filmes tão gostosos, cativantes, na formidável capacidade humana de rir de si mesmo, fazendo do senso de humor algo tão humano, havendo em Deus tal senso de humor, como uma mulher famosa disse que a gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres! Aqui é como um esboço, um projeto, numa etapa inicial, na paciência do diretor Tim Burton, construindo pacientemente maquetes, ou fazendo o trabalhoso ofício de stopmotion, que são inúmeras fotografias para dar o efeito de movimento, nessas pessoas que tanto se envolvem com o labor, nas palavras da personagem Maria Callas interpretada pela deusa Marília Pêra, desdenhando dos que creem que o sucesso não exige dedicação da parte da pessoa que almeja tal sucesso. Aqui é como um quebrar de ovos, num rompimento, na metáfora popular de que não se faz omelete sem quebrarem os ovos, num sacrifício. Aqui é um retrato de decadência, como um certo senhor arrogante que foi prefeito, sendo “destronado”, no modo como a arrogância precede a queda.

 


Acima, Adad 08. Aqui é como um desfile de moda, na competência de uma modelo em desfilar como uma deusa, no modo como eu já ouvi dizer que o glamour da moda é bem superficial – eles fingem que são deuses e nós fingimos que acreditamos, neste hábito humano de “brincar” de ser espírito perfeitamente depurado, como nos ídolos hollywoodianos, deslumbrando-nos com tal glamour, na modéstia de uma Gisele, dizendo em entrevista: “Não sou isso tudo aí não!”, na capacidade humana em manter a humildade, sabendo instintivamente que quem se curva, governa, na noção taoista de que tenho antes me submeter para depois vencer, como uma pessoa entrando numa empresa, subindo dentro da firma, como meu finado cunhado, um homem respeitado, o qual construiu carreira num banco, até chegar ao posto de presidente nacional de tal banco, um homem o qual, apesar de desfrutar das regalias do poder, manteve-se sempre humilde, pois não é insuportável uma pessoa arrogante e presunçosa, que se acha Deus? É como um publicitário que conheci, o qual simplesmente se achava imune a erros – se algo dava errado, não era culpa de tal publicitário, uma pessoa que me disse que eu tinha que desenvolver humildade, mas um publicitário pouco humilde, ou seja, hipocrisia, meu irmão. Aqui uma pedra dá o suporte, como na rocha sobre a qual foi sedimentada a Catedral Diocesana de Caxias do Sul, um templo que foi por muito tempo o ponto mais alto da cidade, num recado claro de poder, num Vaticano ainda poderoso, apesar da concorrência de outras igrejas hoje em dia no Brasil, num Vaticano tão rico com seu banco famoso, pregando que devemos dar aos pobres, mas na capacidade humana de condescendência, fazendo da caridade um ato de esnobice, quando que a verdadeira caridade está na igualdade entre irmãos – o Deus em mim reconhece o Deus em você, no poder do Amor em nos igualar perante Tao, o Pai de todos, o Pai de todas as inúmeras galáxias que povoam o Universo, num poder imenso, muito além da compreensão humana. A modelo aqui tem uma longa trança, no mito da Rapunzel, sempre esperando pelo príncipe perfeito e encantado, numa pessoa com expectativas, esperando por um príncipe que não vai chegar, uma pessoa que ainda não acordou para o fato de que não há vitória sem luta, no espírito de Marte, batalhando pelas coisas na Vida, como uma atriz guerreira que conheço, a qual veio do nada e se tornou uma estrela de peso, batalhando sempre, como na construção de seu próprio site, indo atrás de fotos que marcaram sua carreira, uma estrela que hoje em dia está meio sumida, o que é um desperdício, como um grande amigo meu, o qual está ocioso, uma pena, pois de trata de uma fina e sofisticada, de bom gosto e fino trato, na necessidade da pessoa em se colocar para o Mundo, revelando seu talento para algo de válido, nobre e produtivo, ao contrário do submundo, a caverna que nos aprisiona, definitivamente nos impedindo de ver o Mundo de uma forma clara e saudável, no modo como nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo. A moça aqui são esses cruéis padrões de beleza, nos quais só é considerada sexy a mulher que esteja na antessala da Anorexia, um padrão que atinge em cheio a autoestima da mulher, remetendo a um recente anúncio de sabonete, como uma mulher se dizendo dona de uma beleza que não se encaixa em padrões, no caminho da autoestima, remetendo a uma menina sofredora que conheci, a qual, além de nada comer, também sequer estava bebendo água, pois acreditava que a água a inchava e engordava – é um horror. Tal magreza é uma miséria, numa moça a qual, de tão subnutrida, simplesmente para de menstruar, tal o dano para o organismo, a chegar a pontos extremos da moça engolir bolotas de algodão para encher o estômago e assim não comer, num ato de baixíssima autoestima. Aqui a moça é esguia como uma serpente, como uma fumaça subindo de forma curvilínea, na sensualidade aquosa, fluidia, no conforto uterino.

 

Referências bibliográficas:

 

Aron Demetz. Disponível em: <www.artsy.net>. Acesso em: 4 set. 2024.

Exhibitions. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Publications. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Works. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.