Falo pela terceira vez sobre o artista italiano Aron Demetz. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Cidade natal. Claro que aqui são as raízes, no modo como eu mesmo optei por morar em Caxias do Sul, minha terra natal, pois aqui me sinto em contato com tais raízes, apesar de eu ter me radicado em Porto Alegre por um tempo, fazendo da capital gaúcha minha “filha adotiva”, uma cidade a qual amo profundamente, na ironia de que as cidades vão mudando, no conceito dialético de que tudo é processo, e hoje, quando vou a POA, mal reconheço a cidade a qual eu um dia conheci. Aqui as raízes estão expostas e arrancadas, como um casal que conheço, cujo homem era um homem de lar, com uma casa, com esposa e filhos esperando ele no fim do dia, participando do crescimento e da educação dos filhos, com uma esposa para namorar e manter a casa limpa e organizada, abastecida com supermercado, uma esposa a qual, ao pedir o divórcio, arrancou tudo deste homem, deixando este “nu”, desamparado de uma hora para a outra, um homem que hoje está tentando dar a volta por cima com uma nova companheira, um homem o qual só não se ruiu completamente por se tratar de um homem sério, centrado no trabalho, numa mulher que cometeu um erro triplo: Jogou fora um homem centrado, de bom coração e de bela estampa, no modo como não imagino fria maior do que ser obrigado por lei a sustentar uma pessoa que não mais faz parte de sua vida, como uma amiga minha divorciada, sustentada por um homem o qual, se não a sustentar, vai preso – que fria, meu irmão! Aqui é como o imigrante europeu se radicando em terras brasileiras, como meu tataravô Felice Veronese, italiano que, ao chegar em terras gaúchas, deparou-se com uma vida bem dura e árdua, com suas mãos todas calejadas pelo duro trabalho na roça, no modo como tais imigrantes, nos primeiros tempos de colônia, quase passavam fome, mas com tudo melhorando nos anos seguintes, com o milho já crescido na roça, podendo ser feita a deliciosa polenta, com toda uma cultura oral, como os colonos gostavam de cantar, proibidos pelo padre de dançar, na culpa escura do pecado, condenando os deliciosos pecadinhos capitais, como na ira e na vingança, no modo como é delicioso mandar “chupar uma manga” quem nos subestimava, nas palavras de Zagallo: “Vocês vão ter que me engolir!”, como no finado crítico de Cinema Rubens Ewald Filho, o qual teve que engolir a atriz Sarah Jessica Parker, mesmo não morrendo de amores por esta, como na apaixonante personagem prostituta de Julia Roberts, vingando-se de mulheres esnobes – quem não vai se apaixonar por Julia? As raízes, em aprofundamento, são um processo de radicação, até uma pessoa se fixar num lugar, como uma pessoa que conheço, a qual “foge” da Vida, mudando-se de tempos em tempos para outra cidade, no modo como a Vida exige que nós nos centremos em algo nobre e produtivo, remetendo a um querido amigo meu, o qual está precisando desesperadamente se centrar em algo válido, nos ensinamentos de um sábio professor meu psicoterapeuta: A Vida não é uma aventura, e o juízo tem que ser ouvido, como num casal, num homem que tem que fazer uma proposta séria de casamento, pois lençóis de cetim são muito glamorosos e românticos, mas a Vida não é só cama, como na personagem de Meryl Streep em As Pontes de Madison, assediada por um sedutor homem o qual não foi capaz de fazer uma proposta realista e consistente, num amor impossível, sem garantias e sem futuro, na personagem que no fim do filme acaba rejeitando tal homem, apesar do coração ter sofrido com tal rejeição, na importância de se ouvir mais a mente do que o coração, no papel do psicoterapeuta em nos mostrar as coisas do modo mais realista e frio possível. As raízes são a garantia, numa árvore que resiste a uma tempestade, numa pessoa centrada e firme, centrada no trabalho, na vida produtiva, numa metáfora em O Senhor dos Anéis, numa árvore frágil, de raízes fracas, sujeita a ruir por qualquer coisinha, no modo como eu, na reta final de minha faculdade, ouvi duas coisas: meu coração e minha cabeça, tendo este dizendo para eu dar um tempo e me formar dali alguns anos; tendo esta de dizendo para eu me formar de uma vez. Então, ouvi a mente e me formei de uma vez, apesar de eu, no último ano de faculdade, estar então farto de tantas aulas, trabalho e leituras.
Acima, Forma 6. Aqui é algo fálico e incisivo, como num diagnóstico preciso, num bom psiquiatra fármaco, que acerta uma medicação, no glorioso modo como hoje em dia há medicações para enfermidades psíquicas, ao contrário de antigamente, como no filme Garota Interrompida, quando as internações psiquiátricas eram muito mais longas, como na personagem psicótica de Angelina Jolie, internada fazia anos na clínica, nos EUA dos anos 1960. Aqui é como algo extraído, desparafusado, alienado de algo, extirpado, como uma pessoa que mente, a qual acaba rejeitada e desprezada, na sina do sociopata, terminando em tragédia sua vida, rejeitado pelo corpo social, como uma certa notória psicopata, libertada de prisão, continuando a mesma sociopata de sempre, uma pessoa que deveria passar o resto da vida num manicômio judiciário, pois, sinto em dizer, não existe ex sociopata, na enfermidade psíquica mais sombria e dantesca de todas, no modo como, na faculdade de Psicologia, a cadeira de Psicopatologia costuma ser um divisor de águas, permanecendo na faculdade só quem realmente quer se formar psicólogo, em filmes sombrios como os com o personagem psicopata Hannibal Lecter, operando suas maldades, numa total e absoluta falta de apuro moral, um espírito que passará por várias vidas, depurar-se-á e tornar-se-á um grande espírito de luz, pois ninguém está no Umbral para sempre, no caminho natural da Eternidade, que é o destino glorioso para todos nós. Aqui é como um pedaço de madeira numa lareira, no poder sedutor do fogo para os enamorados, no calor em uma relação, em momentos de aconchego como tomar vinho à beira da lareira, em cidades sedutoras como Gramado, a cidade do enamorados em lua de mel, uma cidade na qual tudo é dinheiro, em altos custos de hospedagem e alimentação, numa forte especulação imobiliária, pois são caros os preços de aluguéis de espaços comerciais em tal cidade, como um certo empreendimento, no qual o preço de um inocente café expresso é absolutamente exorbitante, num mercado volúvel, com sucesso e fracassos, num incessante abre e fecha durante o ano todo, como Hollywood, a terra dos sonhos despedaçados e amargos. Aqui temos um vestígio de sangue, como nos dentes de um vampiro, o qual é um sociopata chupador de almas, na malícia de um sociopata sádico, em busca de um masoquista: Se estou bem, o sociopata faz com que eu me sinta mal; se eu então estou mal, o sociopata fica bem, ou seja, vampiro total, numa posição passiva, como a aranha construindo a teia, esperando por uma mosca desavisada, como um jovem rapaz que conheço, ensaiando para a carreira criminosa, maltratando pequenos animais, um rapaz que futuramente poderá assassinar os próprios pais – é um horror. Aqui é o termo popular “murro em ponta de faca”, quando tentamos mudar algo que não mudará, por exemplo: O fato de eu ter me subtraído de um submundo nada vai mudar tal submundo, pois sempre haverá pessoas dispostas a vagar por tal miséria, no sério modo como nossos pais nos colocam no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, como no desenho O Rei Leão, num Simba que se perdeu de si mesmo até se recobrar e descobrir quem é, no caminho de identidade, até a pessoa saber quem ela é, num caminho de esclarecimento, como o patinho feio, o qual se descobre um cisne tão lindo, num caminho cognitivo, numa revelação ensolarada, na qual somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, sem exceção, no modo como existe apenas uma grande família, no modo como os vínculos de família não se desfazem com o Desencarne. Aqui é como uma concha à beiramar, no “barulho” de fundo do Mar que ouvimos na concha, na sedução da orla, do vazio da orla, do vazio magnético da orla, na delícia de liberdade de se estar na praia, no contato com tal vazio maravilhoso, fazendo de Tao isto, uma folha em branco na qual podemos escrever, na perspectiva da Eternidade, na qual teremos todo o tempo do Mundo para nos relacionarmos com as pessoas, no caminho do Amor Incondicional, leve, sutil, minimalista, fácil de se levar.
Acima, Homo erectus. Aqui é no instinto materno, no modo como uma mãe tem tal instinto, nas palavras de uma certa matriarca: “Não sei do que sou capaz de fazer para proteger um filho meu!”. É uma dependência, num bebê que tem que ter todas as atenções, no modo como tal encargo pode ser estafante, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso, como ouvi certa vez de uma mãe com o filho pequeno: “Dá muito trabalho, mas vale a pena!”, como na personagem Rachel de Friends, encarando as responsabilidades de colocar a pequena Emma no Mundo, exclamando incrédula: “Um recém nascido defeca dez vezes por dia!?”. A mulher aqui tem responsabilidade, e parece catar coisas na beiramar, como num árduo trabalho de coleta numa tribo indígena, com tal tarefa relegada à mulher, enquanto ao homem cabem tarefas mais agressivas, como caça e pesca, na universalidade atemporal de Yin e Yang, como num casal heterossexual, numa representatividade social: Ela personifica o Yin dele e ele personifica o Yang dela, como no casal tradicional japonês, com o homem carrancudo e antipático e a mulher totalmente doce, receptiva e simpática, como na magia das gueixas, personificando coisas femininas, delicadas e doces, como num quarto de menina, com suas bonecas e bichos de pelúcia, numa época da Vida em que os meninos não entendem o mundo das meninas e viceversa, um quadro que se reverte na adolescência, quando os sexos começam a se atrair, a salvo casos de homossexualidade, é claro. Aqui, na beira do mar, o cenário é inusitado, fazendo parte da obra em si, nos entornos de uma obra, e podemos ouvir o acalento som do Mar indo e vindo, embalando nossos sonhos, num profundo e pacífico sono de bebê, como no personagem Sheldon do seriadão The Big Bang Theory, um homem nerd crescido o qual, quando estava doente, gostava que cantem para ele uma canção que sua mãe lhe cantava quando o pequeno Sheldon estava doente, no modo como há tal sensação de “desmame” quando uma pessoa sai de casa para morar sozinha, perdendo os zelos maternos, em gestos de carinho, como manter a roupa linda, passada e guardada no guararroupa, num casal cujos filhos cresceram e saíram de casa, num casal que volta a morar sozinho, no modo como se leva para o resto da Vida a responsabilidade de se terem filhos no Mundo, nas palavras sábias de um certo senhor: “Pense antes de ter filhos, pois se tu tiveres filhos, tua vida nunca mais será a mesma”, como um certo senhor, o qual foge das responsabilidades de ter filhos no Mundo, não contribuindo com um único centavo as faculdades cursadas pelos filhos, num pai um tanto ausente, fugindo de responsabilidades, como numa personagem no livrão e filmão As Horas, numa mulher que simplesmente abandona o filho, mudando-se para outro país, no modo como a idade vai nos trazendo juízo e responsabilidade, fazendo com que deixemos para trás nossos anos de adolescência inconsequente. Aqui remete a uma colega que tive no Ensino Fundamental, uma adolescente que engravidou em tal época, aprendendo “na marra” a ter juízo e responsabilidade, tendo que sacrificar seus anos de adolescência em prol da criança, não podendo ter uma adolescência normal, como um Michael Jackson proibido de ter uma infância normal, regido por um pai frio e controlador, insensível, no modo como um ser humano pode ser cruel, como no burguês insensível de Titanic, esnobando as pessoas que não se salvariam da tragédia. O nenê aqui tem tal confiança, jogando-se nos braços da zelosa mãe, no modo como já ouvi dizer que a gravidez e o parto são piadas de Deus para com as mulheres, no modo como uma mãe me disse que, quando uma mulher vira mãe, isso muda totalmente o jeito de tal mulher em ver o Mundo, como já ouvi que tudo o que uma mãe quer é que o filho seja feliz, como vi certa vez na Rua uma mãe passeando com seu filho transexual. As costas da mulher estão arqueadas, sobrecarregadas de responsabilidade, na figura de Atlas sustentando o Mundo.
Acima, sem título (1). A árvore cortada é a intervenção humana no meio ambiente, no modo como temos que, de certo modo, dar ouvidos aos ecologistas, pois a Terra é o único lugar que temos, visto que, fora do planetinha nosso, o Cosmos é totalmente hostil ao Ser Humano, em esferas tão hostis como Vênus, em sondas que mal sobrevivem a alguns minutos na hostil e inóspita superfície superaquecida do planeta. A árvore cortada é o labor humano, intervindo, num lugar tão duro como a Terra, repleto de tragédias naturais, na prova de que é o Mundo terrestre o que tenta imitar o Mundo Metafísico, sendo este um lugar muito mais perfeito, só habitado por aqueles que compreendem o Amor Incondicional, leve, sutil, na perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com nossos entes queridos, no modo como em amizade não pode haver cobrança, como uma querida amiga minha desencarnada, com a qual faço contato diariamente, uma amiga a qual, aqui na Terra, nunca chegou a ir à minha casa, e eu nunca cheguei a ir à casa dela, e, mesmo assim, somos amigos, na imortalidade dos laços fraternais, num amor minimalista, limpo, desapegado, ao contrário do amor possessivo, doente e fixado, como mostra uma cena do filme E a vida continua, num espírito fixado numa moça, num amor sufocante, desesperado, não compreendendo que a Eternidade é tempo para tudo, como um amor tranquilo, arejado, fresquinho. A nudez é a exposição, a rendição, como no livro de nu artístico de Madonna, causando furor global, uma bobagem, pois qual é o problema com nudez e sexualidade? Os EUA não têm uma herança puritana protestante, num país no qual o cidadão não pode se prostituir? É o paradoxo americano, num país em que, este mesmo cidadão que não pode fazer o que quiser com seu corpo, é um cidadão livre, o qual não precisa votar nem se apresentar ao exército, ao contrário do Brasil, no qual o cidadão é obrigado a votar e a se apresentar ao exército – cada país com suas carências. A sala aqui é ampla, e a modelo ocupa o salão, como uma Gisele desfilando ao som de Garota de Ipanema na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, numa modelo a qual, de talento e carisma tão monstruosos, preencheu o Maracanã inteirinho com sua simples presença, numa monstruosa estrela que dita, há vários anos, paradigma capilar feminino, estando na moda os cabelos ondulados da supermodelo, uma mulher humilde, que sabe que não pode faltar trabalho, mantendo-se ativa e operante, como pegar, a trabalho, um avião Nova York-Porto Alegre, na humildade de dizer: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”. A cabeça está enegrecida, como na imagem de Nossa Senhora Aparecida, dando-nos o recado de que os negros são nossos irmãos, remetendo ao sombrio passado escravocrata brasileiro, com seres humanos jogados numa senzala, como cães num canil, em um certo filme que se encarrega de mostrar tais horrores, no ponto em que Ser Humano faz isso com Ser Humano, nessa terna inclinação humana para a crueldade, pois, para o Ser Humano, quanto mais cruel, melhor, havendo no Umbral a dimensão dos que não ama a Vida. A modelo aqui está ereta, solene, como ao som de um hino nacional, no modo como não há problema no patriotismo, no amar seu país, em pessoas bem intencionadas, como um rapaz que conheci, o qual, ao ambicionar uma carreira de supermodelo, teve a melhor das intenções, que era trazer orgulho e honra ao Brasil, mas um rapaz o qual, por ser incompetente, não obteve sucesso, amargando um fracasso, tendo que reorganizar sua vida e deixar para trás os sonhos de carreira de modelo, um rapaz um tanto arrogante, achando-se imune a percalços, os quais existem exatamente para fazer com que cresçamos, pois o crescimento é o sentido da Vida, de qualquer Vida. A mulher nua, entregue, é como no arrebatador início de um filme com Meryl Streep, na atriz totalmente nua, num ato de coragem, no ator que se dedica integralmente ao trabalho, no modo como a Academia de Hollywood ama atores que se desfiguram para um papel, abrindo mão da vaidade, remetendo a uma certa atriz, a qual fez uma cirurgia plástica que a deixou desfigurada.
Acima, sem título (2). Aqui cada um tenta se encontrar, no modo como cada um toma conta de sua própria vida, como pessoas indo e vindo diariamente pela Rua, cada um vivendo sua vida, cada um com seus problemas e tarefas, em estranhos convivendo em cidades vibrantes, remetendo ao caso de um amigo meu caxiense, o qual simplesmente odiou ter morado em Nova York, numa cidade de estranhos, na qual não conhecemos uma viva alma, no preço que se paga por sair de casa, como uma pessoa que conheço, a qual ficou um tanto deprimida ao ir morar sozinha em outra cidade, em melancólicos e deprimentes domingos de solidão, vendo carros indo e vindo, numa solidão terrível, numa cópia fiel do Umbral, a dimensão inóspita na qual nenhum amigo temos, como eu certa vez, num momento em que eu deveria estar muito feliz, mas não estava, amargando um sentimento de solidão enorme, vagando sozinho pelas ruas de uma cidade, tão desamparado, tão desolado, no modo como o sucesso mundano não traz necessariamente felicidade, como uma certa popstar bem sucedida, a qual tem os olhos tristes, carentes, no modo como o estilo de vida solitária constrói em nós uma carência afetiva, como vagar num submundo de solidão e desnorteamento, num labirinto cheio de pistas falsas e enganosas. No chão desta instalação vemos uma serragem, como num laborioso ambiente de marcenaria, nas tarefas do dia, como num atelier de Arte, numa bagunça na qual só o artista consegue de encontrar e organizar, no modo como ficamos acostumados com a forma de organização em nossas respectivas casas, remetendo ao quadros graves de acumuladores compulsivos, na fixação humana pelo objeto, pelo palpável, pelo material, pelo bem de consumo, numa revolução tecnológica que estamos vivendo: A transição do Vinil para o CD foi harmônica, assim como a transição do VHS para o DVD, pois não e perdeu o palpável, o bem de consumo, a coisa comprada ou alugada; já, hoje em dia, na era do Download e do Streaming, perdeu-se o suporte físico, virando tudo software, num galgar muito louco, com um catatau de canções que cabem num minúsculo pendrive, sepultando as prateleiras com CDs e DVDs. Aqui temos um confinamento, com as pessoas presas, obrigadas a conviver umas com as outras, como numa prisão, pois, apesar de não morrermos de amores por tais pessoas, temos que conviver com elas, num inferno, assim como dizem que o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do Inferno, como num submundo, obrigando-nos a ter contato com pessoas que não são necessariamente amigos de fé. As pessoas agachadas procuram algo, numa busca existencial por um sentido na Vida, nos versos de uma canção da grande Macy Gray: “Levante-se e faça algo! Como você vai obter sucesso se você sequer tenta?”, como pessoas deprimidas, prostradas, sem tesão pela Vida, como um surfista que não quer pegar onda – é bem triste, no chamado “fantasma do meio dia”, que é a Depressão. Aqui nenhum interfere no outro, e cada um tem seus problemas, como cada um procurando por um emprego, por uma ocupação, na luta diária pela Vida, como um rapaz que conheço, um guri digno, honesto e batalhador, o qual não tem medo de arregaçar as mangas e trabalhar, no caminho da dignidade, pois o Mundo só pertence ao dignos merecedores de respeito, em trabalho até humildes, como uma capina, na dignificação, no modo irônico no qual, ao desencarnar, a pessoa sente a necessidade de permanecer trabalhando em algo, pois o Reino dos Céus é a dimensão dos que amam se manter operantes, como um casal que conheço, ativos, operantes, trabalhando em prol de um famoso museu, ao contrário de outro casal que conheço, o qual está muito parado e inoperante, vivendo um dia a dia desinteressante, inoperante, desperdiçando seus respectivos talentos e passando os dias vendo TV, acessando Internet e vendo os grupos no Whatsapp – isso não é vida, meu irmão! Aqui é a paixão de Demetz pelo corpo humano, na busca grecoclássica pela beleza, projetando nos jovens a juventude eterna dos desencarnados.
Acima, sem título (3). Aqui temos um recato, uma vergonha, como na pintura icônica de Aldo Locatelli, em seu Juízo Final no templo caxiense de São Pelegrino, com as almas más envergonhadas indo ao Inferno, cobrindo seus rostos, como criminosos filmados em delegacias, escondendo os rostos, como nos covardes militares que julgaram Dilma Rousseff, cobrindo seus rostos frente a uma jovem Dilma altiva, seríssima, encarando um longo tempo de reclusão forçada, numa época em que não se podia vir a público para falar do governo; numa época em que quem vivia quieto no seu canto não se incomodava. Aqui é como os personagens Quico e Chiquinha sendo punidos pelo Professor Girafalez, tendo chamado este de “Mestre Linguiça”, num legado tão querido do mestre Chespirito, amado pela América Latina, com fãs brasileiros ardorosos, esperando a volta de Chaves e Chapolin à TV Brasileira, com audiência alta, ao ponto do SBT colocar o seriado em alguns momentos da programação para elevar o Ibope, em grandes homens como Chespirito, tendo no México um funeral digno de rei, como em funerais como o de Pelé, em homens respeitados, amados pelo povo, em homens amados como Renato Aragão, o eterno Didi, um homem cheio de Amor no coração, no homem de Tao, que é visto, amado e respeitado, em homens de Paz, que jamais recomendarão violência, ao contrário de déspotas como Putin, impondo tudo à força, em nações competindo para ver qual tem mais potência, na incapacidade do Ser Humano de trazer Paz, havendo no Plano Superior tal Paz inabalável, com pessoas felizes e produtivas, em ruas de Paz e silêncio, nos versos da famosa canção Porto Alegre é demais: “É lá onde vivo em paz!”, numa vizinhança pacífica, onde todos se respeitam, havendo na Terra tal mundo marginal, cheio de ambições e malícias, na competição para ver quem tem o mais alto prédio do Mundo, no famoso espírito Patrícia, ao acordar no Plano Superior e ouvir: “Você está entre amigos!”, como nos saudosos coleguinhas de colégio, na época em que as maldades humanas ainda não germinaram, na pureza da criança. Aqui o rapaz está nu, como em anúncios da grife Calvin Klein, no modo como é natural que a pessoa que tem corpão querer mostrar este, pois a pessoa com tal condicionamento físico é uma “escrava” de uma academia de musculação, como disse um fisculturista certa vez entrevistado por Fernando Gabeira: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”, na sabedoria popular de que tudo tem seu preço; nos versos de Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!”. Aqui é um ato de humildade, na pessoa que se curva para não ser decapitada, numa pessoa que vive seus dias com humildade e discrição, em produtividade, sabendo que existe algo melhor do que estar na moda, que é ser respeitado, pois se por um lado as modas volúveis vêm e vão, o respeito permanece, pois é perene e inoxidável, resistindo à passagem do tempo, na metáfora de As Horas: Doce ou amarga, esta página tem que ser virada, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois quando o sucesso vem, a pessoa tem que saber sobreviver a tal sucesso, como Tom Hanks, o qual foi considerado por duas vezes consecutivas a nata da nata de Hollywood e que, recentemente, estava no antiprêmio Framboesa de Ouro – ninguém está por cima o tempo todo, visto que o sucesso é um amante infiel. Aqui é o hábito do jogador de Futebol de tirar a camisa quando faz um gol, num desnudamento público, colocando-se da forma mais crua possível, como nos traços “crus” de Frida Kahlo, expressando-se de forma tão instintiva, longe das disciplinadas técnicas dos pintores renascentistas, com cada artista tendo sua marca registrada, na capacidade de um artista em obter a atenção do Mundo, em artistas consagrados ainda em Vida, como Andy Warhol, recebendo inúmeras encomendas, num estilo eterno, o qual jamais será esquecido. Aqui é como admitir uma derrota, num lutador perdedor amparado pela esposa, num consolo, na sabedoria popular de que “ninguém é de ferro”, e que os que se recusam a se curvar são fracos, e não fortes.
Referências bibliográficas:
Aron Demetz. Disponível em: <www.artsy.net>. Acesso em: 4 set. 2024.
Exhibitions. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.
Publications. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.
Works. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.






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