quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Ares de Aron (Parte 7 de 7)

 

 

Falo pela sétima e última vez sobre o artista italiano Aron Demetz. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Um nascimento, uma concepção, como na abertura da telenovela Barriga de Aluguel, com a mulher dando à luz, num parto que tão complicado pode ser, como famoso trabalho de parto da princesa Isabel, com 48 horas de duração – como é duro ser mulher! Aqui é como uma catarse, uma defecação, numa pessoa colocando algo para fora, limpando-se por dentro, numa deliciosa sensação de alívio e libertação, no modo como eu mesmo tive certa vez uma catarse em público, um ato que me deixou me sentindo muito, muito bem, tal qual uma gaivota livre, leve e solta à beiramar, como vi certa vez uma catarse monstruosa no Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires, num impacto monstruoso, inesquecível, no esporro de um artista, com o perdão do termo chulo, numa pessoa fazendo cocô em cima de tudo e todos, chocando o corpo social, nas palavras eternas do querido diretor Fabio Barreto: “É a partir da transgressão de um de seus membros que uma sociedade evolui”. Aqui o nenê chega inocente ao Mundo, no modo como é duro e difícil para um pai ou uma mãe admitir que tem um filho sociopata, naquela inocente criancinha a qual vimos nascer, amamentamos e damos comida na boquinha, remetendo a uma certa senhora, provavelmente sociopata, a qual matou o próprio filho, dando uma entrevista com toda a frieza, como se fosse normal tal ato, ao contrário de outra senhora, a qual teve uma reação normal, humana e emotiva ao ver o neto morrer por causa do Crack, nessa capacidade de frieza do sociopata, frio como se estivesse dando uma receita de bolo, como no personagem traficante de Denzel Washington em O Gângster, matando um homem e, logo após, tomando com toda a calma seu café da manhã, havendo esta desumanidade na figura do traficante, o qual não se importa com as vidas destruídas pela droga, um traficante que quer puramente ganhar dinheiro, não importando como, sem um pingo de comiseração ao ver um jovem viciado, escravo da maldita pedra, como pessoas pegas em aeroportos com drogas escondidas na bagagem, numa pessoa que destrói a própria vida por causa de uma porção dessas drogas de merda, com o perdão do termo chulo. Aqui é o trauma do nascimento, saindo do conforto uterino para o frio e desagradável Mundo, num choque de realidade, como uma pessoa enfrentando uma internação psiquiátrica, sentido os próprios dedos “na tomada elétrica”, numa pessoa que se dá conta do estado da própria vida, enfrentando um longo e árduo trabalho de reconstrução e reerguimento, num esforço enorme, nesses artistas que atingem o sucesso e depois decaem, como o célebre roqueiro Axl Rose, enfrentando uma crise de vida, um homem batalhador, esforçando-se para se reerguer, tendo já se apresentado várias vezes em Porto Alegre, por exemplo, nas palavras da canção icônica da MPB O Bêbado e a Equilibrista: “O show de todo artista tem que continuar!”, numa canção que tão profundamente penetra em nossos corações, nesse tesouro inestimável que é nossa MPB, numa identidade tão brasileira, tão única, ao contrário de uma certa rádio FM, a qual simplesmente não veicula músicas brasileiras, o que é um lástima, pois a Música Brasileira é riquíssima, resultando em monstros sagrados, lendas vivas como Marisa Monte, conquistando os lares da Inteligência, no topo da MPB, em monstros como Chico Buarque, ícone da resistência cultural frente à Ditadura Militar, na vitória do fino sobre o brutal, no discernimento taoista de que a paz é maior do que a raiva. Aqui temos uma coloração terrosa, de sangue oxidado, no “banho de sangue” num parto, no ato de rompimento que é cortar o cordão umbilical, numa pessoa encarando a Vida, virando autônoma, como uma pessoa que conheci, a qual fracassou ao abrir uma empresa própria, tendo que fechar as portas desta e voltar a ficar submetida a um patrão, num golpe contundente, nas duras lições de dignidade e humildade que a Vida nos ensina, visto que a arrogância precede a queda, como um certo político, um autocrata arrogante que acabou impeachado. Aqui é o trabalho de publicitário tendo ideias, bolando conceitos, nos apelos mercadológicos que excitam o desejo pré existente no consumidor.

 


Acima, sem título (2). Peças num tabuleiro, como os deuses gregos ditando os destinos dos homens. Peças num tabuleiro como em O Senhor dos Anéis, na luta clássica do Bem contra o Mal, como no universo de He-Man, defendendo o planeta de Eternia, havendo o senhor malévolo Esqueleto, o senhor da destruição, como no 11 de setembro, causando júbilo nos xiitas islâmicos, no caminho irracional da intolerância, ao contrário do homem de Tao, um homem de diálogo, de diplomacia, nunca recomendando violência, havendo no ditador a cópia tosca do homem de Tao, no ditador impondo tudo à força, oprimindo e aterrorizando o cidadão pacato, na recomendação a um líder: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão, como o cidadão pacato indo à padaria para comprar pão e leite, amando sua própria comunidade, num líder que tem que ter tal simplicidade, inspirando o cidadão, como no pacato Papa, sentando frente à TV para ver o que está passando, ou como no rei da Inglaterra vendo a programação da BBC de Londres, remetendo a uma certa mulher de sangue azul, a qual tinha muito potencial para ser adorada pelo povo, mas acabou não o fazendo, nos mistérios do carisma – o que faz uma pessoa ser adorada? É como em duas modelos talentosas como Gisele Bündchen e Shirley Mallmann, mas numa Gi muito, muito mais carismática, como Pavarotti, brilhando mais do que o colega Domingo, com dois artistas da mesma excelência vocal, na capacidade de um artista em subir num palco e “atear fogo na plateia”, ao contrário de um show de Lenny Kravitz no Rock in Rio, um grande artista, uma grande voz e um grande repertório, num show morninho, sem saber puxar o povo. Aqui temos tal Aron laborioso, pegando um instrumento e entalhando as figurinhas humanas, num trabalho paciente de formiguinha, em mãos calejadas, num artista devoto ao labor, como uma certa incansável popstar, sempre em turnê, sempre batalhando, no modo como o Mundo pertence aos que encaram a lida, remetendo a um certo rapaz mendigo que conheço, jogado numa calçada, fedendo a chorume, absolutamente fugindo da seriedade da Vida, um lástima, pois é um rapaz alto, forte e bonito, que muito teria o que trazer para o Mundo, num rapaz arrogante, que simplesmente não aceita ajuda, num caso sem solução – quando a pessoa não quer coisa com coisa, não há Cristo de possa interceder. Aqui remete a doces lembranças de infância para mim, quando eu brincava com as chamadas action figures, os bonequinhos da marca Estrela, braço brasileiro da gigante Mattel, fabricante americana de brinquedos, até chegar ao ponto em que a pessoa se desinteressa pelos brinquedos, abraçando a maturidade sexual, numa época em que somos escravos de nossos próprios hormônios, nas marcantes palavras de Marta Suplicy a uma plateia de adolescentes: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, numa dama imponente, nada simplória, imponente como uma fachada de prédio em estilo neoclássico. Aqui remete a uma coleção de santos que minha falecida avó tinha, apegada à religião, com os altares de deuses pagãos tranquilamente substituídos por imagens de santos, nossos irmãos depurados que nos regem em seu Amor incondicional, aquele amor leve e desapegado, sutil, ao contrário do amor doente e possessivo, como conheci certa vez uma pessoa que alimentava tal fixação, sofrendo com tal obsessão, precisando ir urgentemente a um centro espírita para passar por uma desobsessão, no papel fraternal do médium em nos mostrar a Vida do modo mais verdadeiro possível, no trabalho do passe espírita, que é como uma bênção de um padre, nessa misoginia do Vaticano, o qual só pode ser regido por um homem, obrigando as freiras a aceitar tal submissão – é um horror. Aqui é na brincadeira de soldadinhos de chumbo, na beleza onírica da infância, quando o indivíduo traz um residual do Plano Superior, do qual recém veio, num plano de paz, onde ninguém que enganar, na importância suma do desenvolvimento de apuro moral.

 


Acima, sem título (3). Aqui temos uma flexibilidade, no discernimento taoista da flexibilidade: O que é vivo é mole e flexível; já, o morto é duro e rijo. É na sabedoria de um líder pacífico, nunca recomendando violência, ao contrário do ditador, sempre impondo à força, num líder que definitivamente não respeita seu próprio cidadão, ao contrário do bom líder, o qual nunca interfere no dia a dia pacato do cidadão comum, num rei que respeita cada um de seus súditos. A careca é a pureza, como quando a freira é ordenada, abrindo mão da vaidade, como no colégio de freiras no qual estudei, com uma enérgica freira, duríssima, terrível, ditadora, uma freira que realmente não entendia que o homem de Tao é visto, amado e respeitado, em homens tão excepcionais como Senna, o qual, em sua humildade e discrição, nunca deixou que os píncaros de sucesso subissem à cabeça, crescendo enormemente no conceito do brasileiro, no modo como é raro o homem de Tao, entendendo o minimalismo, a limpeza nas ações: Quando você precisa tomar ação, faça só o que é necessário, em personalidades tão finas e limpas, ao contrário do ardiloso sociopata, o qual tem uma aparência acima de qualquer suspeita, mas uma pessoa a qual, no frigir dos ovos, revela-se malévola, sem um pingo de amor no coração, num lobo disfarçado de cordeiro, como vi certa vez na Rua um rapaz usando tornozeleira eletrônica, uma bandido que tinha uma aparência ótima, acima de qualquer suspeita, com roupa boa, barba feira e cabelo arrumado, como na metáfora de Guerra nas Estrelas, com os integrantes do Mal com uma aparência ótima, como na aparência dos nazistas, no modo como até hoje em dia há simpatizantes do maldito líder, um homem absolutamente desprovido de qualquer apuro moral, numa pessoa odiosa, com o desejo de simplesmente destruir o Mundo, como num ato terrorista, primando pela destruição, no caminho do xiita, uma pessoa culpada pelos males do Mundo, na metáfora cromática que sempre digo: Num Mundo aguerrido, de amarelos sempre versus azuis, seja verde, pois não resolverás os problemas do Mundo, mas poderás ser uma figura na qual o povo possa depositar suas esperanças, na suprema imagem de esperança de Jesus Cristo, na promessa do Reino dos Céus, no amor incondicional, leve, desapegado, fresquinho, limpo e minimalista, com a suprema perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tais entes queridos. Aqui é como um androide, na metáfora da alma e do pensamento racional, no espírito desencarnando e vivendo para sempre como uma máquina mortificada, mas com todo o Amor do Mundo, sempre amando seus irmãos, nessa relação de igualdade perante Tao, no Amor que nos iguala, na revelação da fraternidade, nos esforços incansáveis do padre na missa, sempre nos lembrando que somos irmãos, remetendo a um amigo meu, o qual virou padre, e cabe a mim respeitar tal escolha, logo que a vida dele não é minha! Aqui temos uma sofisticação civilizatória, como nas impecáveis sobrancelhas delineadas do famoso busto de Nefertiti, na civilidade sobre a animalidade, no ponto evolutivo do Homo sapiens, sempre primando pelo fino, sepultando a animalidade da cadeia alimentar, pois a polidez é o que nos faz civilizados, nos problemas da criminalidade e das guerras, na prova de que é a Terra o que tenta imitar o Céu, havendo neste a Paz Divina Inabalável, um plano no qual ninguém que lhe enganar, visto que a mentira é finita e a verdade é infinita, nas sábias palavras da senhora minha mãe: “A mentira tem pernas curtas!”, havendo na mentira e na má fé a falta de apuro moral. A modelo aqui se curva como num gesto de carinho, como uma pessoa com dois amigos em comum, apresentando um ao outro, na magia da socialização, como uma senhora muito fina que conheci, a qual dizia ser maravilhosa a Vida em Sociedade, no Fulano que conhece o Beltrano etc., havendo no criminoso uma pessoa que não compreende o que é viver em sociedade. A moça aqui é bela e pura, como na bela Tarsila do Amaral, numa mulher com autoestima, a qual sabe que não há desculpas para parar de se arrumar.

 


Acima, sem título (4). Aqui remete a um certo desfile de Moda de outrora, numa transgressão, abolindo o formato tradicional de passarela, com as modelos vindo de encontro à plateia, como num palco, avançando até a frente, no papel importante do transgressor, que é revelar e abolir os paradigmas, como num certo prédio do balneário de Capão da Canoa, em imponente estilo neoclássico, revelando, assim, o paradigma arquitetônico caponense, com prédios de estilo muito semelhantes. Aqui remete a um momento marcante de uma entrega do Oscar há vários anos, abolindo o formato tradicional de enunciação dos indicados ao troféu, com cinco atores membros da Academia colocados no palco como deuses, “produtos”, sendo que cada um deles anunciava um dos cinco indicados, nesse troféu tão cobiçado, o qual pode ser uma bênção e uma maldição, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois quando ele vem, a pessoa tem que saber superar e sobreviver, sempre com a humildade para tocar a Vida para a frente e não deixar o sucesso subir à cabeça, como na jovem Marisa Tomei, oscarizada há décadas, não sabendo sobreviver – é complicado, pois a tendência da pessoa é permanecer para sempre em tal momento de gozo, o que não é possível, pois doce ou amarga, a página terá que ser virada, e qualquer uma dessas páginas é dura de ser virada, como um cantor tentando sobreviver a um Grammy, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje está com você; amanhã, não se sabe. Aqui é como no ritual de Primeira Comunhão, pelo qual passei, sentindo no rosto pingos da água beta jogada pelo padre, no modo como a Vida em Sociedade é repleta de rituais, como num concurso de beleza, com a moça sendo empoderada numa posição de representação, como uma grande amiga minha, vencedora de um concurso mundial de beleza, trazendo orgulho à sua cidade natal, uma moça a qual inocentemente foi dotada de tal empoderamento, no modo como a atriz Meryl Streep disse em entrevista que gosta de interpretar mulheres poderosas, como Thatcher, na diva topando embarcar num certo projeto que se revelou um fiasco e um fracasso, com Streep topando embarcar só porque se tratava do papel de uma mulher presidente dos EUA – nem deusas como Meryl está livres dos altos e baixos da Vida! É como na carreira de um cantor, com muitos álbuns lançados, mas nem todos bem sucedidos, no modo como a Vida nos ensina que você acorda no dia seguinte e a Vida continua, nas sábias palavras de uma grande professora de Língua Portuguesa que tive: “Não deixe o fracasso lhe subir à cabeça!”, como na cantora altamente bem sucedida que é Alanis Morrissette, cuja primeira incursão fonográfica foi um fracasso total – imagine se Alanis tivesse desistido! É como no brilho monstruoso de Gisele, a qual, antes de se ser alçada à condição estelar, pensou e desistir, ouvindo uma voz dentro de si mesma a dizendo para não desistir. Aqui é uma formalidade, como no momento de cantar um hino nacional, com postura ereta, séria, talvez com a mão no coração, no modo como não há pecado em ser patriota, mas sem chauvinismo, remetendo a uma pessoa que conheci, a qual era uma patriota agressiva, dizendo que algo era lindo e perfeito só porque era brasileiro, num caminho sem sabedoria, sinto em dizer. Aqui temos um comportamento, uma disciplina, como uma enérgica professora que tive, dura, beirando a grosseria, uma pessoa sem muito senso de humor, rechaçando uma inocente brincadeira que fiz com ela – é o risco que se corre ao fazermos uma piada! Aqui temos a beleza civilizatória, desde cedo na Humanidade, com os índios com seus rituais, no modo social de fazer a representação social, com homens de um lado e mulheres de outro, na figura do casal heterossexual, com homens e mulheres representados, sendo inevitável socialmente que ela personifique o Yin dele e que ele personifique o Yang dela, no jogo de sedução entre liso e áspero – quando digo que algo é belo, é porque conheço o oposto, que é feio. Os vestidinhos de véu remetem ao filmão de terror Os Outros, no limiar entre mortificado e assombrado, num terror sutil arrebatador.

 


Acima, sem título (5). O semblante aqui é triste, como na triste Vênus interpretada por Uma Thurman em um filme, revelando-se na beleza da concha, com o libertador olor de mar, de maresia, na mãe oceano que trouxe a Vida à Terra, na poderosa imagem de Iemanjá, recebendo oferendas, abençoando as redes dos pescadores, no milagre cristão da multiplicação de peixes, na crença religiosa de que Jesus de fato tinha superpoderes metafísicos, rompendo a barreira do físico, do possível, como um astronauta se libertando na falta de gravidade, na eterna sede humana por conhecimento, enviando sondas para o sistema solar, num Ser Humano que ainda está engatinhando tecnologicamente, em missões complicadas como enviar sondas para Vênus, um planeta tórrido, de pressão atmosférica esmagadora, no modo como, fora da Terra, o Cosmos é hostil ao Ser Humano, no início desse filme tecnicamente impecável que é Gravidade, dizendo: “A Vida é impossível no espaço”. O semblante triste aqui é uma carência afetiva, numa divertida memória que tenho de uma moça num bar de videoquê na avenida Goethe em Porto Alegre, gritando para os que cantavam: “Bando de carentes!”. É como uma pessoa de estilo de vida solitário, carente, derretendo-se para quem lhe dê um pouco de carinho e atenção, no modo como não sei quem é mais triste – se é quem acha que pode vender Amor ou quem acha que pode comprar Amor, no modo como o melhor da Vida não se negocia, que é Amor, no caminho libertador do Amor Incondicional, leve, desapegado, o perfeito oposto do amor possessivo, obsessivo e fixado, precisando desesperadamente de uma desobsessão num centro espírita, num amor que prende, obceca, numa dependência bem patética, como no filme espírita E a vida continua, com um rapaz obcecado por uma moça, tendo que ser contido por espíritos amigos, que querem sempre nosso bem, no conceito espírita de que cada um de nós é sempre guiado por um anjo da guarda, sempre nos guiando pelo bom caminho, não querendo que caiamos em sofrimento, em obsessão, como um pai de santo que conheci, uma pessoa sensível, a qual sentiu, numa dantesca, escura e horrorosa boate portoalegrense, espíritos sofrendo, arrastando-se pelo negror de desolação, arrastando-se pela sujeira, pelo escuro, uma verdadeira sucursal do Inferno, no Umbral, a dimensão escura, horrorosa, com espíritos vagando perdidos, sem noção de tempo ou espaço, sentindo fome, frio e desolação, como vagar por uma cidade fantasma, como uma pessoa que conheço, a qual se deparou com uma vida dura ao sair de casa e ir morar sozinha, não suportando um excruciante domingo sozinha, indo para casa chorando, implorando por auxílio, talvez num triste desenvolvimento de carência afetiva, no modo como o submundo é isto: Estar sozinho e perdido. Aqui temos essa mão talentosa de Demetz, esculpindo pacientemente, formando rostos e corpos, num paciente trabalho de formiguinha, aos poucos, na dedicação de um artista, colocando sua energia em torno de algo positivo e produtivo, pois sem dedicação, não se vai longe. Aqui parece algo derretendo, num processo de algo se transformando, como numa cena ao final do filmão Os Caçadores da Arca Perdida, num vilão derretendo e morrendo, subestimando a simplicidade de Jesus, o homem simples, sem educação formal, que se tornou a maior cabeça de todos os tempos, no poder do pensamento, do metafísico, na noção espírita: Matéria é nada; pensamento é tudo. O homem aqui está calado, censurado, como em ditaduras, nas quais o cidadão não é livre para pensar, em déspotas que juram que são homens de Tao, o que é uma profunda facada na inteligência, meu irmão. Aqui é como no sistema opressor de Matrix, como o herói Neo privado de falar, de pensar, de ter identidade própria, neste lugar feliz que é o Brasil, no qual o cidadão é livre para ter o cabelo que quiser ter, no poder do respeito à diversidade – não sou igual a você, mas respeito você. E respeito não é tudo?

 


Acima, sem título (6). Aqui remete às nababescas e suntuosas instalações da poderosa dupla de artistas plásticos Christo e Jeanne-Claude, fazendo intervenções grandiosas, de fazer cair o queixo do espectador, nesse poder de certos artistas de nos fazerem “babar”, como um bom filme que arrebata muitos Oscars, no poder da Arte em tocar fundo nas mentes das pessoas. Aqui é uma imposição de ordem ao caos natural, como na inda e vinda de dias em nossa semana, vivendo um dia de cada vez, em compartimentos. Aqui remete a um cemitério, com os túmulos dispostos de forma ordenada, impondo ordem ao caos, na intenção do ritual fúnebre de nos dizer que a pessoa não morre; só muda de endereço. É no poder espírita, na promessa de que uma vida bem melhor nos espera após o inevitável Desencarne, num lugar perfeito, sem os “espinhos” nas roseiras, no lugar onde percebemos que segue imperiosa e necessidade do trabalho, num desencarnado que se depara com tal seriedade, na pergunta inevitável no Plano Superior, quando dois entes queridos se encontram: “Onde estás trabalhando?”. Aqui é uma trabalheira dos diabos, pegando o gelo e cortando-o de algum modo, com alguma técnica, como nas enigmáticas construções incas, com pedras perfeitamente encaixadas, num mistério: Como esses indígenas conseguiram fazer isto? É um mistério que excita os ufólogos, crendo que a Humanidade não veio do nada, recebendo, nos dias primordiais, auxílio civilizatório de seres de outros mundos do Cosmos, uma crença que esfaqueia um pouco o orgulho humano, como no monólito alienígena de 2001, como um dispositivo móvel, nas facilidades de tecnologias que deixam pasmada minha geração, a qual, tendo sido criança nos anos 1980, presenciou a tecnologia analógica, como o televisor de tubo sem controle remoto e só com canais de TV aberta; como o telefone de gancho e disco; como a carta pelo correio, havendo, nas gerações mais recentes, uma adaptação completa em relação ao Digital, num galgar louco de tecnologias, no absurdo fato de que um catatau vasto de vinis e CDs cabem em um pequenino pendrive, no modo como, hoje em dia, é tudo software, na era do download e do streaming, perdendo-se o produto físico, palpável, o bem de consumo, o produto industrial, a coisa que podíamos comprar ou alugar, levando-a para casa, na gostosa era do boom das videolocadoras de VHS – hoje em dia, é o que há de obsoleto. Aqui são como cubos de gelo, num trabalho de construção, como no longo processo de construção civil, com anos de labor, como um amigo meu, que trabalha nesse ramo, num trabalho de dedicação, um homem que sabe que, se quiser obter sucesso, tem que merecê-lo, usando matérias nobres e primando pela competência no momento de construção, nas sábias palavras do eterno Silvio Santos: Quem não tem competência, não se estabelece! É a questão do mérito, num artista que se destaca em esmero e dedicação, competitivo, num mercado competitivo, como na Indústria Fonográfica Mundial, na qual estilo e atitude são importantes, ao contrário de certos artistas sem atitude, os quais creem que só a voz garante – se só a voz garantisse, vozes medíocres como Britney Spears não teriam sucesso, num mistério, como artistas com MUITO mais voz do que outros, mas brilhando menos, remetendo a grandes artistas como Gaga, a qual, além de voz boa, tem uma atitude transgressora de-li-cio-sa, destacando-se nesse âmbito competitivo, com tantos e tantos artistas buscando por um lugar ao Sol, com tantos e tantos artistas que acabam sumindo – a Vida é de quem encara a lida, sem deixar as glórias subirem à cabeça, em homens simples e humildes como Senna, nunca deixando o sucesso subir à cabeça, crescendo enormemente no conceito do povo brasileiro. Aqui é um artista com tal capacidade de se expressar da forma mais nítida e poderosa possível, como num trabalho num consultório de Psicologia, no terapeuta nos mostrando o Mundo da forma mais clara e nítida possível, no modo como já ouvi que o psicoterapeuta é uma comadre bem paga. Aqui é como uma extração de blocos de mármore, tirando na Natureza para dar à Civilização.

 

Referências bibliográficas:

 

Aron Demetz. Disponível em: <www.artsy.net>. Acesso em: 4 set. 2024.

Exhibitions. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Publications. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Works. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

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